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História Pokémon - Cavernas Psicóticas - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Treinamento


 

Os alarmes de segurança ressoaram pelo vale, avisando que começava a rotina de trabalho para todas as criaturas viventes da região.

Miyamoto levantou os olhos do jogo de cartas para os tons de azul marinho e púrpura no céu carregado de nuvens, finalmente terminando a madrugada e começando o amanhecer. As estrelas a sumiram, assim como a lua crescente brilhando sofridamente atrás das nuvens escuras da noite e também da tempestade inevitável. A leve névoa da neblina ainda cobre a região do vale, tornando tudo ainda mais difícil de ver além dos poucos lampiões em alguns cantos onde estão concentrados alguns gatos-pingados – desocupados. Todos sabem que logo sumiria conforme o dia avançasse, mas mesmo assim não é nada confortável.

A garota bufou profundamente, já sentindo o cansaço do dia de treinamento que ainda nem começou se acumulando sobre os seus ombros. É terça feira, que no cronograma de todo jovem sob os cuidados das Favelas significa: treinamento prático. Normalmente eles eram colocados para realizar os circuitos mais loucos do mundo, com direito a armas com munição real, poços de cinco metros de profundidade e cães mordendo seus calcanhares como incentivo ao bom condicionamento e saúde dos futuros soldados da organização. Infelizmente teriam de fazer isso, se quisessem continuar como moradores daquela região abandonada por Deus. Miyamoto arrumou seus cabelos orquídeas, colocando seu quepe verde sobre a cabeça e em seguida se inclinando sobre os degraus da frente de seu barraco, recolhendo suas cartas de baralho gastas.

Seu irmão dois anos mais velho, Hasik, se aproximou dos outros moleques, estendendo a mão e pegando o dinheiro que havia conseguido durante as pequenas apostas entre os pivetes – contando ao todo, quinze ienes. Não é muita coisa, mas mesmo assim já poderiam comprar duas latas de comida de terceira, que já é ótimo para eles. Rapidamente ficaram de pé e se mantiveram atentos, se despedindo dos colegas de outras divisões e que não veriam por um longo tempo, assim como rindo e desafiando uns aos outros – promessas das próximas apostas que viriam.

- Não acredito que até o Chefe tocou o alarme apenas para salvar teu couro, Soichirõ! – Hasik provocou para o garoto próximo dele, os olhos azuis brilhando com a típica malícia de um ladrão nato, se referindo a um garoto de cabelos dourados que apostou um pacote de doces caramelizados (tão raro e cobiçado quanto caviar).

- Até parece que não era você, Hasik! – Soichirõ apontou para o rosto do oponente, apesar de parecer mais pela boca pra fora do que confiante, e o riso entre os amigos. Os olhos escuros do garoto pousam sobre o relógio de couro e prata que o rival leva no pulso. – Sorte sua que o nosso tempo acabou, ou essa coisa linda já seria minha.

Hasik bufou enquanto o outro se afastava, uma mecha de seus cabelos cinzas bagunçados, como um ninho de ratos – cheios de terra e oleosos. Miyamoto revira os olhos, antes de pegar rapidamente uma moeda largada e esquecida ali perto enquanto os demais jovens correm até suas atividades.

- Você é um idiota – a menina murmurou, seus olhos frios encarando o irmão.

- Por que, irmãzinha? – Hasik perguntou com curiosidade e indignação.

- Apostar um relógio que custaria mais de cem ienes por apenas um saco de doces! Você sofreu um derrame cerebral ou o quê?

Hasik fez um gesto com a mão, dispensando a possibilidade.

- Por favor. Você sabe que não conseguiríamos vender isso nem pela metade do preço real. E eu sou o rei do pôquer, você sabe disso! Nunca perdi uma única aposta na vida.

Não muito confiante, Miyamoto fez uma nota mental de roubar o relógio roubado do irmão antes que pudesse fazer alguma aposta idiota – e perdesse um artigo de luxo como aquele. Ignorando esse papo, mas prometendo que retornariam mais tarde, saíram correndo subitamente pelas ruelas das Favelas.

A essa altura os melhores membros daquela área já começavam a sair de suas casas, acabando ou nem comendo o café da manhã para irem aos seus trabalhos. Porém são poucos, e não atrapalhou a corrida dos irmãos Yamauchi até as Favelas Altas. Seus corpos magros, porém fibrosos e resistentes com os treinamentos e a corrida diária, facilmente ultrapassaram vários quarteirões em poucos minutos, subindo cada vez mais a encosta do vale irregular, onde antes era outro morro de floresta densa – agora substituídos por barracos, tendas ou apenas amontoados de madeira para algum condenado se proteger do vento e chuva durante a noite. Habilmente cortam caminho por becos, pulam muros e desviam de gatos, mendigos ou agentes que acabam de sair de suas casas com facilidade. Ao todo, demoraram cinco minutos correndo até chegarem a um minúsculo "planalto" e avistarem a silhueta dos vários prédios que compõem a Academia de Agentes.

A Academia é um lugar com centenas de metros quadrados, compondo cinco prédios de quatro andares e interligados, em forma de um meio quadrado virada em direção das Favelas – de onde todos os seus membros vem. Dentro desses prédios estão diversos setores diferentes, porém nem todos de conhecimento dos cadetes. Até aquele momento só estiveram nas salas de aula – exatamente iguais a uma escola normal, pelo que ouviram falar – e nas quadras de atividades práticas, como tiro ao alvo, luta de Pokémon e esportes como todos os tipos de artes marciais, beisebol e futebol. Também sabiam que os treinadores moravam dentro dos prédios, em uma área exclusiva no Subsolo. Havia rumores de depósitos de dinheiro em baixo dos prédios, mas tem quase certeza que não passa de histórias de crianças desocupadas.

Ambos pararam rapidamente na fachada do prédio onde foram designados para aquele ano, onde as gerações de 1947 e 1949 – nascimento de Hasik e Miyamoto, respectivamente. Os dois jovens ofegam se apoiando nos joelhos, a corrida morro acima deixando ambos cansados. Mas logo se recuperaram ao ouvirem o bater de palmas a poucos metros à frente. Ergueram os olhos e viram apenas uma figura se apoiando em um dos pilares da entrada do prédio, que os olhou com curiosidade e travessura.

- Parabéns para os dois! Passaram de cinco à três dias de atraso para as operações – sua parceira debochou, um sorriso presunçoso surgindo em seus lábios, os olhos laranjas os encarando divertidos.

Atena Kogõ está tão irônica quanto qualquer dia. A cadete também de 1947, feito dezesseis anos a poucos meses, está sempre adiantada. Mora nas chamadas Favelas Altas, onde vivem os agentes submissos, porém em um grau maior de hierarquia da Organização. Também é lá onde moram as velhas e populosas famílias, onde os mais respeitáveis cadetes vinham. E Atena era uma delas – apesar da mesma odiar o porquê desse privilégio.

Miyamoto lembra-se perfeitamente de como se conheceram a quase três anos antes, quando os irmãos haviam acabado de entrar para o treinamento forçadamente. No intervalo de alimentação, quando Miyamoto entrou em uma fila para pegar o nojento mingau disposto pelo QG, três garotas mais velhas apareceram do nada e começaram a bater fortemente nela, tirando da fila e se divertindo com isso. Sem o irmão por perto, ficou completamente vulnerável a pontapés, arranhões e socos por todo o corpo, a única coisa que conseguia ouvir é que havia quebrado a hierarquia dos cadetes – a ordem de tempo e quantidade na fila de comida, muito valiosa. Mas não durou muito, quando abriu os olhos e percebeu que uma outra garota apenas gritou com as demais, afastando-as rapidamente dela. Atena simplesmente gritou com elas, e como cães desobedientes fugiram com medo. Atena era sua parceira desde então, servindo de escudo contra todos os demais cadetes, ela e Hasik sendo seus únicos amigos.

Mas mesmo assim, a postura de Atena não demonstra tal comportamento de isolamento e vergonha. Sua postura – como nesse momento – é ereta e orgulhosa, um sorriso travesso nos lábios, fazendo ambos se perguntarem se não haviam caído em uma pegadinha ou armadilha. Como todos os cadetes femininos, seus cabelos são lisos na altura do queixo, de um vermelho brilhante como rubi sob o sol. Seu rosto é marcante, belo, ao mesmo tempo forte e claramente dominante, assim como sua estatura maior que a maioria das meninas – do tipo que se pensa duas vezes antes de brigar cara-a-cara. Já está vestindo o uniforme cinza escuro, coturnos pesados e o quepe negro dos cadetes.

- Fácil para quem tem a casa a dois quarteirões daqui, não é mesmo? – Hasik disse, sorrindo com a provocação.

Com um gesto de mão, Atena bufou dramaticamente e disse, imitando muito bem a voz grave e áspera do treinador: – “Desculpas, desculpas. Na minha época, caçava Pokémon do Planalto Índigo até Fuchsia na mesma manhã”.

O trio adentra no prédio conversando enquanto caminham rapidamente em direção dos vestiários. Tiveram tempo de trocar suas roupas e esconderem seus pertences antes que os demais membros chegassem, o inferno se alojando nos grandes corredores, reverberando pelos banheiros e armários de ferro. Os vários adolescentes ficam conversando, negociando e brigando de vez em quando por um longo momento, antes que o alarme soasse e todos se levantassem, andando organizadamente para as entranhas do prédio. Na quadra privada, nos fundos da construção, separada por um alto muro de concreto dos demais grupos, claro, encontraram onde estava o treinador – se organizando em um quadrado perfeito a frente do líder.

Hainitu Kaji está calmamente tragando um charuto nos lábios, de olhos fechados, como se ao menos tomasse conhecimento dos jovens que aguardavam suas ordens ansiosamente. É talvez um dos mais velhos treinadores, ostentando seu cinquenta e sete anos, sempre lembrando todos sua vida inteira de trabalho como caçador profissional – de monstros e pessoas. Sua figura alta e estoica permanece imóvel, apreciando o sabor da droga por um momento, inflando o peito largo e forte como um barril de cerveja, o uniforme negro e quepe vermelho vinho brilhando em imponência. Com a mesma pressa, expirou a fumaça pela boca e narizes, a fumaça ofuscando por um momento seu rosto sério, cheio de cicatrizes de arranhões e acne, assim como deixando seus olhos profundos castanhos opacos na luz cinzenta da manhã – ou então um início de cataratas.

- Vejo que finalmente todos estão presentes, no horário correto – Kaji grunhiu alto e grave, andando de um lado para o outro, coçando as costeletas de carneiro, vários pelos brancos em contraste no meio de verde musgo. Sendo um homem de rodeios e muitas palavras, apenas disse: – Podem começar o aquecimento básico de toda terça: meia hora de flexões! E sugiro que se preparem e nem façam gracinha nenhuma! – ele apontou rapidamente para o céu, cada vez mais cinzento e escuro. – Uma tempestade está à caminho.

Rapidamente todos se moveram, ao mesmo tempo e em sintonia, como um bando de pássaros no céu. Começam imediatamente a fazer as flexões, vigorosas no início, na vã tentativa de impressionar o líder, assim como demonstrar sua força aos demais colegas de treinamento. Porém não haviam se passado nem três minutos e grunhidos e gemidos vem dos cadetes, seus corpos não aguentando mais o trabalho rápido e intenso. E para ajudar, uma chuva os atingiu repentinamente, pingos grandes e velozes atingindo suas costas em surpresa, rapidamente encharcando-os com a chuva gelada do inverno. Ótimo início de dia, Miyamoto pensou, tentando manter o ritmo rápido e ao mesmo tempo manter-se calada. Quando o tempo acabou, todos praticamente caíram de cara no cimento molhado, recompondo-se por poucos segundos antes de Kaji gritar outra ordem e eles terem de obedecer de imediato.

Como sempre os exercícios físicos são angustiantes e extremamente rigorosos, com pausas de apenas dez segundos para menos antes de mais uma rodada de atividades. Kaji era de longe o mais rigoroso, sempre justificando isso com alguma história idiota de seus próprios anos de trabalho – como um velho que briga com os netos por serem preguiçosos. Não há muita coisa de interessante no treinamento, a não ser o fato de que todos ali estavam congelando, assim como ficando cada vez mais fracos graças ao esforço e o peso extra de suas roupas encharcadas. Quando o treinador ordenou que parassem, nenhum deles sentia mais seus membros, cambaleando ao seu levantarem e quase caindo ao tentarem se sentar no chão após outra ordem.

Sem aguardá-los, o treinador outra vez começou a falar: – Ontem à noite, recebi uma ligação vinda direta do alto escalão. Pelo visto eles querem algum resultado das crianças medíocres que eles alimentam e dão um pedaço de terra. Todos os treinadores vão levar seus esquadrões para uma cidade diferente, da escolha do próprio. – ele sorriu, observando os olhos ansiosos, agora fixos e dando toda atenção a ele. Lentamente, quase em um sibilo, continuou: – Esquadrão A: Cerulean. Esquadrão E: Saffron. Esquadrão D e B: Vermilion.

Miyamoto abaixou a cabeça, trincando os dentes com raiva. Tudo isso que o treinador acabou de falar causava grandes consequências. Como os outros treinadores já haviam escolhido as cidades de atuação, mesmo que Kaji tivesse escolhido, suas únicas opções seriam cidades saqueadas, falidas ou simplesmente vilas espalhadas pela região – que não trariam prestígio algum aos líderes do QG. E esse simples detalhe poderia acabar com a vida de todos eles. Pior que fracassar é fazer nada. O chefe da organização poderia facilmente condena-los desde aquele momento a serem meros grunhidos o resto de suas vidas, e não teriam outra oportunidade – condenados a serem escravos mortos de fome o resto de seus dias.

- Porém –  Kaji disse mais alto dessa vez, fazendo todos se assustarem, tendo emergido em pensamentos. – eu conheço cada um de vocês e seu potencial. Digo, falta dele, e sei que seriam mortos aos montes nas ruas de qualquer vila de aldeões idiotas. Mas também sei que isso foi uma escolha idiota por parte dos líderes: levar quarenta adolescentes maltrapilhos para a cidade é como pintar um alvo na testa. Por isso, preparei uma tarefa especial para todos vocês.

O treinador assoviou agudamente, fazendo a maioria trincar os dentes e quase atingir um nível médio de surdez. Nesse momento uma sombra cobriu a quadra, provavelmente com cinco ou mais metros de diâmetro. Com um som alto de aço contra concreto, uma enorme caixa de metal pousou na frente do treinador, para logo em seguida uma imensa figura surgir repentinamente do lado oposto de Kaji. O homem é muito alto, mas a figura é ainda mais. Tem talvez um metro a mais, e é um pouco difícil de distinguir em meio à névoa e a chuva nos olhos. Miyamoto estreita os olhos e se surpreender quando começa a distinguir essa silhueta.

Consegue ver um corpo espesso, com penas castanhas arrepiadas, com asas gigantescas e entreabertas ao lado do corpo. Os pés de galinha são negros e com garras grandes como as de um Ursaring, arranhando o concreto da quadra. Um pescoço longo e pelado escuro se ergue mais alto perto do treinador – apesar de estar encurvado, como se sua cabeça pesasse uma tonelada. A cabeça está voltada para eles, a crista vermelha viva, o bico irregular mais afiado que uma baioneta e os ferozes olhos negros brilhantes amedrontando os jovens. Todos ficam observando o abutre, todos embasbacados. Era raro se ver Pokémon dentro das Favelas, e normalmente não passavam de Ratatas ou Ekans dos guardas para assustar até o maior jovem rebelde ou então uma marcha para uma missão – também contendo monstros nem um pouco atraentes, em geral. Mas aquele Fearrow era um verdadeiro prêmio, e tem certeza que todos ali gostariam de ter um em suas mãos.

Kaji estendeu a mão em direção da caixa, tirando de lá um rifle de caça, aparentemente novinha, fazendo todos ficarem de boca aberta. Sabem que, a menos que fizessem um atentado terrorista nas cidades, não seria permitido nem mesmo levarem um canivete. Rifles? Isso era bom demais!

- Como todas as principais cidades estão ocupadas pelas demais equipes, pedi permissão para ao invés de roubarem Pokémon nos centros urbanos, capturarem eles na floresta. E eles liberaram, apesar de acharem que vocês serão devorados rapidamente. Assim como eu também acredito. Mas que se foda: ou vocês são os melhores, ou não merecem estar aqui.

Colocando o rifle outra vez na caixa, estendeu a mão em um ponto mais afastado, tirando de lá uma esfera inteira negra, com a letra R em vermelha pintada na parte de cima – uma pokébola da organização.

- Vocês irão se dividir em duplas, e vão explorar regiões pré-determinadas. Cada dupla receberá um rifle com cinquenta balas, duas facas de caça e dez pokébolas. Deixaremos vocês em meio a mata durante dois meses, e deverão obter o máximo de monstros possíveis, e inclusive devolver todas as dez pokébolas. Aqueles que tiverem a menor quantidade e qualidade serão punidos gravemente, claro. Nem preciso mencionar caso uma pokébola esteja faltando. E por isso sugiro que levem muito a sério e deixem de lado suas irresponsabilidades hormonais – completou lascivamente.

Seus lábios se crisparam em um sorriso maldoso, enquanto coça novamente o queixo marcado. Miyamoto suspirou pesadamente, prevendo claramente um dos seus discursos “desmotivacionais”.

- Afinal, a lei da selva é que os mais fortes sobrevivam, e os fracos devorados. Acham que esse lugar é difícil? Então peçam para serem secretários ou faxineiros! Essa é a Equipe Rocket: dar tudo o que tem para chegar ao topo ou dormir junto com os cachorros. Não me importaria se todos vocês fossem devorados pelos pinsires da Reserva, ou então serem envenenados e mortos agonizantes por serpentes do campo. Ninguém perderia nada a não ser um bando de inúteis e pesos mortos. Por isso... – seus olhos frios e quase mortos encaram todos. – Deem tudo de si. Porque nem mesmo eu irei perdoar se fracassarem nessa missão.

Após esse discurso sério e impactante, tirou um cantil de prata do cinto e tomou um longo gole suculento – que com certeza não é água – e age como se tivesse terminado de contar uma historinha de terror para crianças.

- Nenhum de vocês foi permitido a usar armas dentro das Favelas, mas receberão o treinamento adequado. A última coisa que precisamos é que um idiota se mate com a própria arma. Andem, levantem-se e vamos começar a treinar soldados de verdade. 



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