História Pokémon Adventures - Episode F; Fire - Capítulo 10


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Categorias Fire Emblem, Pokémon, The Witcher
Personagens Daisy, Pearl, Personagens Originais, Sabrina (Natsume), Squirtle
Tags Adventures, Cristal, Gold, Kanto, Pearl, Pokémon, Silver, Sinnoh, Tragedia
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Palavras 5.389
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Luta, Romance e Novela, Seinen, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Finalmente finalizei o capitulo. E como eu estava ansioso pra escrever esse capitulo!!
A dois anos e meio eu criei essa personagem, a quase dois eu dei vida a ela, finalmente chegou a hora de conhecer ela melhor.
A História de como Ifrit e Azura se conheceram - Antes do fogo!

O arco de Azure é complicado em sua resolução porque ele trás muitos interesses envolvidos. Por isso quando fui escrever sobre Ifrit e Azura, decidi colocar aqui todas as respostas para o que vai se desenrolar daqui pra frente.

Capítulo 10 - Antes do fogo - Violet


Fanfic / Fanfiction Pokémon Adventures - Episode F; Fire - Capítulo 10 - Antes do fogo - Violet

Naquele tempo, vivia um gentil viajante. Ia de cidade em cidade, de vila em vila, de pais em pais. Por onde quer que passasse, nada levava além de suas botas, uma capa para se proteger do frio e do vento e uma mochila para seu alimento. Todo o resto que obtinha compartilhava por onde quer que fosse, com quem quer que precisasse.

Certo dia, enquanto seguia seu caminho pela estrada que levava a uma cidade da qual sentia muita saudade, foi cercado por três homens. Eles dividiram entre eles, as botas, a capa e a mochila.

Contos de uma terra abandonada ~


A porta se abriu e uma mulher madura, de expressão rígida entrou na sala. O uniforme militar verde em nada diminuía a beleza da pele cor caramelo e dos cabelos castanhos presos numa trança que cai até a cintura.

Caminhou até a mesa larga onde três homens também em trajes militares se debruçavam sobre um mapa da costa leste de Kanto.

— Major Cassandra Hifumi se apresentando. — Declarou batendo continência ao lado da mesa.

Um dos militares, um homem careca de olhos verde olhou para ela e acenou com a cabeça.

— Estávamos a sua espera. — Informou o general Thales. — Acredito que já tenha sido informada da situação. Uma mutação surgiu na baia de Azure. E pior é um dragonite, atacou um navio cruzeiro e literalmente massacrou uma equipe de expedição. De acordo com um dos sobreviventes estima-se que tenha por volta de quinze metros e é extremamente agressivo.

Sua tarefa é capturar o dragonite para que possamos encaminha-lo a um local mais apropriado.

Típico dele Pensou Cassandra. Nada além da informação necessária. Mas agora eu sou major, não vou ser uma simples marionete.

— Qual será o destino do dragonite? — Perguntou.

— Será decido mais tarde. Você terá apoio da marinha e da força aérea, mas a responsabilidade é sua. — Acrescentou indicando os outros dois oficiais.

Aquilo não fazia sentido, uma oficial do exército não deveria ficar responsável por uma missão em território marítimo.

– O senhor espera que levemos o dragonite até terra firme?

— Espero que isso não aconteça, amanhã será o festival da princesa de Azure. Se esse bicho chegar na cidade será o caos.

Cassandra bateu as mãos na mesa se encarou o general.

— E como espera levar a cargo uma operação dessas?!

O general encarou a major com uma expressão dura.

— O dragonite atacou um navio de passageiro e uma equipe de buscas. — Falou friamente. — Se ele chegar a cidade durante o festival só Deus sabe o que acontecera com a população. Se isso acontecer a responsabilidade será sua.

Agora as coisas faziam sentido. Os outros dois fosseis sabiam que algo daria errado e haviam cobrado favores do general. Thales por sua vez, viu a oportunidade perfeita de se vingar dela por tê-lo rejeitado.

— Você é ridículo. Vai colocar os cidadãos em risco por um problema pessoal? — Rosnou Cassandra.

— Veja como fala. Pode ter sido promovida mas ainda sou seu superior. Você pode achar que só por que é mulher pode usar isso pra justificar tudo, mas saiba que nem tudo se resume ao com quem você dorme. — Ele se deu um sorriso carregado de cinismo. — Essa é apenas uma operação de captura de pokemon selvagem. Tenho certeza de que até uma mulher consegue dar conta. Afinal, a major foi promovida por sua capacidade no comprimento do dever.


Pokémon adventures - Episode F


O Dr. Igor Levache desceu as escadas do saguão principal. Iago e Azura correram ansiosos na direção dele.

— Doutor como ela está? — Perguntou Iago sem demora.

— Calma. Calma. — Falou o médico erguendo uma mão para acalma-los. — Ela está bem, inconsciente mas bem, vai precisar dormir um pouco. Como eu disse para o Nicholas, ela bebeu uma dose de nepalumm. Por ter misturado com leite o efeito foi bem reduzido, vai se recuperar rapidamente. Nicholas está com ela no quarto. Eu tenho que ir agora, preciso me aprontar para o baile hoje a noite.

— Eu o acompanho. — Disse Azura.

— Não precisa senhorita, Matilda pode fazer isso. — Tranquilizou-a Igor.

A governanta, que havia se aproximado silenciosamente por traz do médico, tomou a frente.

— Por aqui senhor. — Disse ela. — Caminhando em direção a porta.

— O baile ainda vai acontecer? — Perguntou Iago a Azura.

— Não posso cancelar agora, seria desrespeitoso com os convidados. Prejudicaria o nome da família.

— Isso não é hora de pensar nisso. — Disse Iago — Quem envenenou aquele vinho sabia que você beberia. Foi alguém que sabe que você bebe, ou seja alguém que esteja nessa casa AGORA.

Azura fechou a cara para ele.

— Espero que você não esteja querendo dizer o que eu acho que está.

— Foi a Ifrit. — Disparou o garoto.

— Não Iago, não foi. A Violet nunca faria isso. — Respondeu Azura erguendo a voz.

— Você não a conhece!

— Não Iago, é você que não a conhece. E se tem alguém aqui que eu não conheço esse alguém é você!

Iago sentiu como se tivesse sido atingido por uma pedrada.

— Quer disser que confia mais nela do que em mim? — Disse com magoa em sua voz. — Ela é uma ladra.

— Isso é o que você esta dizendo. Mas você não conhece ela, você não sabe de nada. — Ela segurou o rosto de Iago entre as mãos e olhou diretamente nos olhos dele. — Eu confio em você e também confio nela. Eu não sou tão boba quanto pareço. Violet não tentaria me fazer mal, eu tenho certeza disso.

Iago segurou as mãos de Azura.

— Como pode ter tanta certeza?

— Porque eu ela somos amigas.


Act II – Fire


Bilbo não queria ir até o pequeno corpo caído. Se agitou e quase derrubou Azura da cela. Uriu foi ágil o bastante para segurar as rédeas antes que o pequeno ponyta debanda-se.

— Firme menina! — Falou para Azura com um sorriso no rosto.

Mantendo uma mão nas rédeas de seu rapidash e a outra nas de bilbo, Uriu os conduziu até a margem do rio.

Desmontou ao alcançar a areia e ainda segurando as rédeas do ponyta e do rapidash, caminhou até a garota caída.

Era uma menina jovem, de idade próxima a de Azura talvez apenas um pouco mais jovem. Estava pálida devido a água fria, os cabelos negros húmidos colados na face esquerda.

Usava um vestidinho cor violeta.


~#~


Por um momento permaneceu sem abrir os olhos, acreditado ainda estar dormindo. A cama macia e as cobertas estavam mais agradáveis do que deveriam, lhe lembravam uma outra vida.

Então se lembrou da noite anterior.

— Ui! Menina que susto! — Exclamou uma voz doce. — O que foi menina, pulando assim desse jeito? Fique tranquila, você está segura.

— Onde estou? — Perguntou a garota alarmada.

— Calma. — Pediu a mulher pondo a mão e seu peito tentando fazê-la voltar a deitar. — Meu marido e minha filha lhe encontraram desmaiada na margem do rio.

A mulher era muito bonita. De cabelos azuis e olhos cor de mel.

— No rio?

— Humrum. O que aconteceu, pode me contar? — Perguntou a mulher gentilmente.

— Eu… Eu cai. — Respondeu apos um breve pausa.

A mulher aguardou mas a garota não prosseguiu.

— E seu nome?

A garota olhou-a assustada.

— Eu não lembro!

A reação inesperada e a obvia mentira fez com que a mulher parasse para refletir por um instante.

— Seus pais devem estar te procurando…

A garota negou com um movimento da cabeça.

Alice Eternal acariciou os cabelos da jovem.

— Vai ficar tudo bem menina. O pior já passou.

— Já se passaram três dias. — Falou Uriu se sentando na cama. — Mal come, não fala, entrou em pânico quando falei de notificar policia.

Alice fechou o livro no qual vinha se concentrando.

— Ela esta com medo. Aconteceu algo muito ruim com ela. Talvez ainda esteja em choque. — Sugeriu.

— Eu sei… Talvez Azura consiga faze-la se abrir. Pelo menos o bastante para podermos ajuda-la.

— Será bom para Azura também. Ela já não pode ir a escola como uma garota normal, ter uma amiguinha será maravilhoso. — A mulher se virou para o marido com um expressão temerosa. — Mas querido, você sabe, não podemos deixar isso assim por muito tempo. Fico preocupada com a proporção que isso pode tomar.

Uriu encarou a mulher.

— Quer que a mandemos embora?

— Não! Mas acho que pode ser perigoso… se envolver demais.

— Se fosse com a Azura – Disse Uriu apos uma breve pausa. — independente do que tivesse me acontecido eu gostaria… Eu seria eternamente grato se alguém fizesse algo por Azura. Se alguém cuidasse dela. Gosto de pensar que os pais da garota se sentiriam da mesma forma.

Alice abraçou as costas do marido e beijando seu ombro.

— Você é um homem gentil de mais… Acho que é por isso que sempre perdoo você.

Era naquela época meio de Fevereiro e as úmidas tardes de fim de inverno estavas próximas no fim. A garota de vestido violeta caminhava pelos jardins húmidos da mansão.

Uma jovem mulher de cabelos prateados a observava pela janela do primeiro andar.

— Aquela garota continua por aqui…— Disse Beatrice entediada. — Seja que o Uriu vai adota-la?

— O senhor Uriu é um homem muito gentil. — Respondeu o jovem loiro que a polia um vaso ornamental apoiado em uma coluna de gesso.

— Ehhh… Suponho que você deva achar. — Comentou sorrindo se afastando da janela. — Bem, como não nasci uma Eternal acho que vou estudar um pouco. — Acrescentou se espreguiçando e olhando para Dante. — Você deveria fazer o mesmo Dante. Não vai querer passar o resto da vida sendo um simples empregado né?

Dante pareceu sem graça por um momento.

— Eu tenho que demostrar minha gratidão por ter sido acolhido pelo senhor Uriu… Servir na casa dos Eternal é uma grande honra. Apesar de não me darem muito o que fazer…

— Humm? Se sente mal por isso? Você recebe um salário que é praticamente uma mesada. Uriu não se importa que você não faça nada. Você deveria aproveitar a gentileza dele para pensar no seu futuro.

— Não acho justo. Devo trabalhar como todos outros empregados.

— Mesmo que você diga isso… Esse vaso já tinha sido limpo mais cedo… – Comentou com um muxoxo.

Dante pareceu ainda mais desanimado. Repôs o vaso no suporte corando fortemente.

— Queria poder pagar minha estadia aqui com meu trabalho, mas estão sempre me tratando como uma criança... — Lamentou o jovem.

Beatrice sorriu vendo o jovem tristonho.

— Já que é assim… Porque você não se torna meu serviçal?

— Hãm?

Beatrice apontou para peito de Dante ainda sorrindo.

— Se quer tanto servir alguém, por que não eu? Afinal, ainda que não seja uma Eternal de sangue ainda sou parte da família. Já que ninguém te da nada pra fazer, você vira meu servo particular.

Dante ficou confuso, piscou algumas vezes para colocar os pensamentos em ordem.

— O que…? – Indagou ainda com os pensamentos embaraçados.

— Você a partir de hoje vai cuidar de mim. — Disse Beatrice feliz da vida. — Vamos, eu vou estudar e preciso de ajuda.

Ela pegou o garoto pela mão e o puxou pelo corredor.


~#~


Azura entrou no estábulo e finalmente encontrou o que procurava. Os ponytas e rapidashs da família Eternal descansavam em um semicírculo sobre o chão coberto de feno.

Deitada escorada no lombo de bilbo, a garota de vestido violeta coçava o pescoço de um cão negro com chifres recurvos que descansava a cabeça em seu colo.

— Parece que o bilbo gostou de você. — Disse Azura se aproximado e pondo a mão sobre o pescoço do ponyta.

Ao sentir o toque, bilbo girou a cabeça para Azura tocou seu braço afetuosamente e depois voltou a deitar. A outra garota apenas olhou para Azura sem dizer nada.

— Esse houndoom é muito bonito. Ele tem nome? — Insistiu a princesa.

— Kinder. — Respondeu a garota.

Kinder abriu os olhos preguiçosamente e voltou a fecha-los.

— E você, conseguiu se lembrar qual o seu nome?

A garota balançou a cabeça negativamente.

— Humm. É ruim não ter nome… As pessoas não vão saber como te chamar.

A garota virou o rosto e murmurou algo que soou como um "sinto muito".

Azura abriu um sorriso.

— Já sei, que tal então se nós invertamos um nome pra você? Podemos usar ele até você se lembrar do seu.

A garota se virou para Azura levemente assustada. A princesa amarrou a cara pra ela.

— Não faça essa cara! Pode não parecer mas eu sou muito boa em inventar nomes. Eu que batizei o bilbo, e essa aqui é a saphire. — Disse ela exibindo um pokebola onde era visível uma bela leão marinho branco.

— Bilbo… — Repetiu a garota olhando para o ponyta.

— Como você quer ser chamada? — Perguntou Azura.

— Tanto faz… – Respondeu a garota depois de um certo tempo.

Azura não se deixou desanimar pelo desinteresse da menina.

— Nesse caso, eu vou pensar em algo legal pra você.

— Então… — Disse Uriu a mesa de jantar. — A partir de agora vamos chama-la de Violet?

— Isso! — Confirmou Azura radiante.

Beatrice olhou para o vestido da garota que agora se chamava Violet.

— Azura, acho que você poderia ter se esforçado um pou… — Então olhou para o cabelo de Azura. — Deixa pra lá.

— Eu achei um nome excelente. — Disse Alice ao lado de do marido.

— Achei mesmo que fosse achar. — Comentou Beatrice baixinho para que a irmã não escutasse.


~#~


Passaram-se duas semanas desde que Violet fora encontrada. Duas semanas… e apesar de ter roupas novas, uma cama macia e três refeições por dia, a garota continuava em silêncio. Rejeitava companhias, comia sozinha, passeava pelos jardins quando estavam vazios, se refugiava no estabulo durante o resto do dia. E as desajeitadas tentativas de Azura de se aproximar pareciam surtir o efeito contrário.

A dewgong mergulhou na fonte e usando a cauda, espirrou agua em Azura.

— Saphire! — Gritou a garota entre o riso.

Saphire botou a cabeça pra fora da água e Azura pulou em cima dela. Espantaram água por toda a parte.

Era assim todo o dia.

Sem poder ir a escola… Sem poder sair desacompanhada… Saphire era a única com quem Azura passava seus dias.

Mas saphire não podia falar. Podia ouvir, mas não falar. Não podia disser àquilo que Azura desejava ouvir.

Violet poderia. Por isso, Azura continuava tentando.

Foi numa tarde nublada, quando Alice tomava chá em um caramanchão nos jardins acompanhada de Beatrice e é claro de Dante também, que na opinião de Alice havia se tornado próximo demais de sua irmã.

Azura surgiu puxando Violet pelo braço na direção da fonte.

— Azura está se esforçando demais para fazer amizade com aquela garota. — Comentou Beatrice. — Só está conseguindo afasta-la ainda mais.

Alice olhou para Dante, parado em pé ao lado da irmã mais nova.

— As vezes perdemos a noção das coisas quando encontramos alguém da nossa idade. — Respondeu sem esconder a reprovação na voz.

— Vamos Violet, vamos brincar! — Gritou Azura puxando a garota.

— Eu não quero. — Reclamou Violet libertando o braço das mãos da garota. — E só quero ficar em paz.

Violet começou a dar as costas de volta ao estabulo, mas Azura segurou-a pela mão.

— Porque? Ficar se isolando não é bom. Quando as pessoas ficam sozinhas por muito tempo, o coração delas começa a congelar. Você não entende que eu só quero te ajudar?

Num impulso Violet se libertou de Azura e a empurrou. A princesa tropeçou no próprio vestido e caiu de costas. Violet pareceu surpresa consigo mesma.

No caramanchão, Beatrice fez menção de se levantar, Dante parecia prestes a correr na direção das duas, mas seu caminho foi bloqueado por Alice.

— Vamos deixar que as duas se resolvam.

Azura permaneceu caída por algum tempo.

— Desculpe. Você devia me deixar em paz. — Disse Violet, dando as costas.

Se virou quando notou o movimento as suas costas. Azura lhe acertou um tapa na lateral do rosto que fez um flash de luz pipocar em seus olhos.

A garota cambaleou levando a mão a face esquerda.

— Você nunca vai ficar em paz se ficar fugindo das pessoas!

Logo que gritou, Azura começou a perde a coragem, recolheu a mão e deu um passo para traz antecipando a explosão que via se formando no olhos de Violet

— Cuide dos próprios problemas sua esquisita! — Violet fechou o punho e socou o nariz de Azura. — Você vive cercada de gente te protegendo, não precisa de nada — Agarrou o cabelo de Azura e socou sua boca. — Não sabe de nada. Vive no seu mundinho perfeito e cheio de açúcar, nem pra escola precisa ir. NÃO AJA COMO SE SOUBESSE ALGUMA COISA SOBRE MIM!

Azura tentou usar os braços para se proteger, mas Violet a segurando pelos cabelos sempre achava um lugar livre para socar. Quando finalmente se cansou jogou Azura no chão aos pés da fonte.

— Fica longe de mim. — Disse dando as costas.

Mas então foi atingida por uma torrente de água que a derrubou no chão.

Levantou-se cuspindo água a procura de saphire mas não a encontrou em lugar nenhum. Azura estava em pé ao lado da fonte, descabelada, com o nariz sangrando, os lábios cortados e um olho roxo.

— Não tem como eu saber algo sobre você se você não me contar! — Gritou Azura partindo pra cima da outra.

Surpreendida Violet foi derrubada e antes que percebesse, Azura havia cravado as unhas em seu cabelo e chacoalhava sua cabeça ferozmente.

— Por que. Você. Não. Se abre. Com os outros!

Violet respondeu gritando e agarrando os cabelos de Azura também.

Dante pulou por cima da balaústra do caramanchão e correu até as duas, agarrou Azura pelas axilas e a puxou para longe de Violet. Beatrice o ajudou segurando Violet e tentando fazer Azura soltar seus cabelos. Uma parede de agua se ergueu da fonte e caiu sobre os quatro.

Alice se aproximou devagar.

— Isso deve esfiar a cabeça das duas. Obrigada saphire. — A dewgong de debruçou na borda da fonte e grunhiu aliviada.

Beatrice puxou Violet para longe de Azura.

— Podia ter feito isso antes… – Falou sacudindo a cabeça para tirar o cabelo molhado da cara.

— Eu acho que foi na melhor hora possível. — Riu-se Alice. – Podem soltar as duas. Agora vocês duas, não acham que passaram um pouco do ponto? Duas mocinhas, se atracando porquê não conseguem se colocar no lugar uma da outra. Esse socos, tapas e arranhões foram o bastante para se entenderem? Aposto que estão doendo bastante. E vão doer ainda mais depois.

Azura olhou para os arranhões nos próprios braços e depois para o rosto de Violet.

— Que coisa horrível! Violet desculpe eu… eu perdi...

— Eu estou bem. Aposto que estou bem melhor do que você. — Rosnou Violet. — Eu estou aqui de favor e ergui a mão pra você. Sou eu que estou errada aqui.

— Não! Eu devia ter… respeitado o seu espaço. — Disse Azura cabisbaixa. — Você tem razão, eu não sei nada sobre você. Eu sinto muito.

Alice abraçou Azura.

— Boa menina.

Violet apenas deu as costas e seguiu em direção ao estábulo. Azura se libertou do abraço da mãe e correu para dentro da casa.

— O que vamos fazer agora? — Perguntou Beatrice. — Ela e Azura se pegaram feio. Devemos mandar a garota embora?

– Não é preciso. Acho que Azura finalmente fez uma amiga. — Disse Alice sorrindo.

— Amiga? Uma quase arrancou o coro da outra!

— Mas o motivo da briga é o que importa. Ela parou de fingir amnésia e foi pra cima da Azura com tudo.

— E a senhorita Azura também. — Completou Dante. — Confesso que fiquei surpreso. Azura até a atingiu com um jato d'água.

— Isso é verdade — Disse Beatrice — Irmã, aquele jato d'água foi da Azura e não da saphire... Talvez a condição dela esteja piorando.

– Síndrome do arco-íris é… Se pelo menos soubéssemos a causa… — Lamentou Alice.


Noite em Azure.

Violet pulou saiu pela varanda do quarto. Desceu facilmente pela usando a janela do andar inferior como apoio e caiu como gato no chão. Correu para o estabulo.

Bilbo dormia, mas acordou e se levantou rapidamente ao notar a presença da garota. Os demais cavalos também estavam acostumados a sua presença, mas bilbo era o maior dos ponytas da família, por isso foi a cela dele que Violet retirou da parede.

Ajustou sem pressa os arreios e os estribos se certificando de que não machucariam o cavalo. Quando terminou guiou em silêncio o ponyta para fora.

Atravessava os jardins na direção do portão quando uma voz disse:

— Pegou tudo o que precisava?

Violet parou alarmada. Procurou a origem da voz no escuro.

Um homem loiro e corpulento saiu das sombras próximas ao portão.

— Tenha pelo menos comida suficiente pra viagem. — Disse Uriu.

Violet ficou em choque por um momento. Em seguida pegou a pokebola de kinder e se segurando com firmeza os arreios de bilbo a apontou para Uriu.

— Calma menina. — Disse Uriu sem se assustar. — Vai precisar que alguém abra o portão pra você.

Violet olhou para bilbo e não disse nada.

— Não precisa ir, mas decidiu ir então eu vou lhe ajudar. Pode levar o pônei, ele ficou apegado a você de toda a forma. Eu explicarei a Azura. — Continuou Uriu. — Mas esta tudo bem mesmo? Ir embora sem se despedir… Azura não está com raiva, pelo contrario ela acha que você está com raiva dela. Mas você não está, não é mesmo? Porque não vai até ela e diz o que realmente sente?

Violet demorou um pouco para responder. Quando o fez, sua voz soava estranha.

— Tenho que ir. Eu não devia ter ficado aqui.

— De quem você tem medo?

Violet não respondeu.

— Você deve ter a idade de Azura, talvez seja até um pouco mais nova… Mas não tem os olhos de uma criança. Ver você ir embora desse jeito faz com que eu me sinta derrotado. Parece que eu falhei em realizar alguma coisa importante.

Uriu pôs a mão sobre o ombro de Violet.

— Você fez mais do que precisava. — Disse a garota olhando nos olhos dele. — Se não fosse por você eu teria morrido, se tivesse chamado a policia eu teria acabado morta. Sou grata. Muito mesmo.

Uriu se afastou da garota e apertou um botão no controle remoto do portão. As folhas de aço se afastaram com um ruído mecânico.

— Em breve será aniversário de Azura. Farei uma grande festa na cidade. Eu não sei pra onde você vai ou o que pretende fazer, mas nesta casa você será sempre Violet. Pense na cidade de Azure como um lugar onde você poderá ser apenas uma garota de 15 anos. Venha ver Azura ela vai gostar de ver você.

Violet montou em bilbo e tocou as laterais de sua barriga para impeli-lo para frente, passou pelo portão e se virou para Uriu.

— Você é um homem muito gentil. — Disse Violet. — As pessoas vão acabar se aproveitando da sua gentileza.

Uriu sorriu.

— Minha mulher vive dizendo isso. Mas o que eu posso fazer? É assim que eu sou. Só porque o mundo lhe taca uma pedra não significa que você tenha que devolve-la. As pessoas viveriam melhor se pensassem menos no que foi feito a elas, e mais no que podem fazer pelos outros.

No escuro era difícil enxergar a expressão de Violet. Mas o tom de voz foi o bastante para surpreender Uriu.

— Se continuar assim, você vai acabar sendo morto.

Uriu se recompôs esperando que Violet não notasse sua tensão.

— Nesse caso, se algo me acontecer, cuide da Azura. — Disse isso em tom de brincadeira, esperando melhorar o clima. — Foi ela que me pediu para vir até aqui. Ela pode parecer bobinha pra idade, mas é uma garota esperta.

Violet se virou pra frente e cutucou a barriga de bilbo com os calcanhares. Logo o único som na noite era o toc toc, dos cascos do ponyta contra o paralelepípedo.

Uriu ficou a observando até que desaparecesse na escuridão.


CIDADE DE AZURE, 2016

Akira repousava numa cama luxuosa. Seu peito subia e descia num ritmo suave, e a expressão tranquila fazia parecer que estava dormindo. Dr. Igor havia garantido a Nico que ela não corria perigo mas, mesmo assim.

— Vamos Akira. Porque você bebeu aquele vinho antes da Azura? — Disse o garoto sentando-se numa cadeira ao lado da cama e observando a garota inconsciente.

De repente sentiu uma profunda insegurança. O que exatamente ele estivera esperando? Que alguém pulasse de traz da pilastra e gritasse que ia matar Azura? Nico apertou levemente a mão da garota.

Talvez ela estivesse esperando por algo assim o tempo todo, mas porque não disse nada?

— Preciso da sua ajuda.

Akira deve ter notado algo naquela mesa. Algo havia dado errado, e agora provavelmente Akira era a única pessoa a saber quer era o verdadeiro culpado.

A única pessoa?

A porta se abriu e uma mulher de cabelos negros e olhos amendoados passou.

— E então? — Disse ela com um sorrisinho debochado. — Parece que você e seus amigos fizeram algum progresso. Parabéns.

Ifrit vestia um vestido de seda vermelha, parecia simples mas seus detalhes em linhas douradas ressaltavam sua elegância.

Nico se levantou espumando de raiva.

— Não acredito que você veio aqui debochar. Foi você quem me arrastou pra isso e só o que eu te vi fazendo até agora foi encher a cara da Azura! Que merda aconteceu afinal?

Ifrit não se abalou.

— Como é que eu vou saber? De toda a forma, o baile da princesa vai começar em algumas horas. Você tem roupas?

– Tá de brincadeira comigo não é? Depois de tudo ainda vai ter esse baile? Alguém ENVENENOU uma garrafa de vinho da Azura, e agora a Akira tá inconsistente.

— O que uma coisa tem a ver com a outra. — Respondeu Ifrit despreocupada. — Se esta preocupado com a garota eu posso deixar kinder de guarda no quarto. Te garanto que ninguém passa por ele.

Uma sombra de preocupação deve ter passado pelo rosto de Nico, pois Ifrit estreitou os olhos e se aproximou dele.

— Acha que fui eu? — Perguntou incrédula.

— Não foi?

Ifrit olhou para a garota na cama. Um leve sorriso surgiu no canto de sua boca.

— Me diga você. Você é tão bom em julgar os outros. — Ela se aproximou ainda mais, colou corpo no dele e sussurrou no seu ouvido. — Você que sabe tudo sobre a malvada Ifrit, me diz se isso não passa de um elaborado esquema para matar a princesa beberrona. Fui eu que envenenei o vinho? Será que fui paga por alguém para matar Azura, e passei os últimos quatro anos tentando ganhar a confiança dela, só pra mata-la no último minuto?

O cheiro do cabelo de Ifrit já era viciante o bastante para Nico, mas o toque de seus seios fez a cabeça de girar. Tornou-se difícil pensar em qualquer outra coisa e antes que percebesse suas mão encontraram uma cintura com a forma perfeita, quente, envolta em tecido fino, liso e agradável que se unia bem ao corpo, tornando sua forma facilmente distinguível.

Mas a sensação durou pouco algo beliscou parte de traz de sua coxa e ele retomou os sentidos, ainda segurando Ifrit pela cintura a forçou a se afastar.

— Talvez seja isso, ou talvez seja outra coisa. — Disse Nico agora sorrindo também, mas seu sorriso era falso. Não alcançava seus olhos. — De acordo com o tal médico o veneno na garrafa era nepalumm. Eu dei uma pesquisada rápida. É necessário uma dose muito alta de nepalumm pra matar alguém, mas se diluído consegue derrubar uma pessoa por alguns dias.

Algo cintilou no fundo dos olhos de Ifrit. Nico sentiu uma leve picada na nuca.

— No que você pensou? — Perguntou Nico.

Ifrit estreitou os olhos e recuou um passo.

— Como? — Indagou em tom cauteloso.

Nico buscou o fundo dos olhos de Ifrit. A dor na nuca se intensificou.

— Você pensou em alguma coisa agora, o que foi? — Ele levou a mão a nuca e apertou o ponto dolorido. A dor o forçou a desviar o olhar.

As íris de Ifrit se dirigiram para o canto esquerdo de seus olhos e depois de alguns segundos a desconfiança deu lugar ao costumeiro sorriso debochado. Ela pegou um lenço no criado mudo e o comprimiu no nariz do garoto.

— Seu nariz está escorrendo. E seu pau tá duro.

Nico pegou o lenço e se virou de costas violentamente. Com o rosto muito vermelho, olhou para o lenço sujo.

Sangue.

Não era muito, mas o lenço estava manchado de sangue.

Ifrit olhou para Akira uma ultima vez e disse.

— Eu vou fazer o que eu tiver que fazer. E quanto a você Nico? Vai descer, ou vai ficar? Se escolher descer eu lhe ofereço uma dança, pelo menos.

Se virou e caminhou através do quarto, balançando o quadril de maneira provocativa. Na porta olhou por cima do ombro e deu um sorriso satisfeito ao ver Nico desviar rapidamente o olhar.


A princesa de cristal


O carro seguia pela rodovia. Era noite, a época de chuvas havia acabado. As serras de Azure se erguiam a esquerda da pista. A direita abaixo deles, o oceano.

Alice estava só meio acordada. Havia bebido uma pouco além da conta na recepção. Detestava essa parte da vida de uma Eternal. Suportar os longos e maçantes eventos sociais aos quais tinha que acompanhar o marido.

Ao seu lado Uriu conduzia o corolla. Ninguém além dele se sentava no banco do condutor daquele carro.

— Ei, ei. O passageiro não pode dormir. — Brincou ele.

— Como se você tivesse problemas nesse percurso… — Retrucou Alice massageando a têmpora.

— Hahá. Bebeu demais foi? Eu avisei pra parar.

— Como se desse pra aguentar aquela gente sem beber…

O marido riu.

Algo brilhante passou pelo retrovisor. Alice se virou pra traz para olhar.

— O que foi? — Perguntou Uriu.

— Pensei ter vist…

Uma massa flamejante se chocou com carro pela lateral esquerda ao lado de Alice. Uriu gritou tentando manter o carro na pista. O carro saiu pela lateral, subiu pelo guarda reio, girou no ar, a cabeça de Alice bateu em alguma coisa, e ela desmaiou.

A cabeça estava pesada e Alice sentia um gosto metálico na boca. Algo gosmento escoria subia por seu rosto. O nariz latejava e parecia ter o dobro do tamanho normal.

Percebeu que o cinto de segurança parecia apertado e o airbag dificultava a impedia de se soltar. Finalmente se deu conta de que era o cinto que a impedia de cair no teto do carro.

Estava de cabeça para baixo.

Olhou para o lado e viu o mar. Deviam ter caído pela encosta. Tentou se virar para o outro lado para ver se Uriu estava bem. O pescoço doeu e ela desistiu.

Ouviu o som de cascos.

Um cavaleiro entrou em seu campo de visão. Um cavaleiro demoníaco montado em corcel flamejante. Um cavaleiro de olhos frios e sem vida. Um cavaleiro sorridente e incapaz de sentir compaixão.

Sem duvidas uma criatura saída do inferno.

Parou a dez metros do carro e ficou olhando para Alice como se debochasse.

Esperando o ultimo fiapo de vida deixar seu corpo.

Uma nuvem se moveu e luz da lua iluminou o cavaleiro e Alice fechou os olhos aliviada.

Não era nenhum demônio. Era apenas uma menina.


Tão fria quanto o fogo



Notas Finais


Nota 1 - Lá em 2016 quando comecei a escrever essa historia, iniciei com o desejo de criar uma história onde o mundo pokemon encarasse os problemas do mundo real.
A minha maior dificuldade na criação do enredo e dos personagens foi achar o equilíbrio entre o realismo e a fantasia infantil que era esperada da franquia. Isso resultou num primeiro ato forçado e empurrado que eu só consegui escrever como eu queria na metade final.
Não quero cometer o mesmo erro nesse segundo ato. Ainda haveram batalhas pokemon contra os vilões, mas só no momento certo.

Nota 2 - Acho que toda a informação necessaria para o desfecho desse arco foi colocada nesse capítulo. Então se no final alguma coisa parecer estranha nos proximos tres capítulos dêem uma olhada aqui rsrsrsrs.


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