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História Pokémon Adventures: Rumo a Liga Pokémon de Kanto! - Capítulo 65


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Notas do Autor


Eu queria começar dizendo que eu amei esse capítulo, e que ele teve partes tão simples e tão significativas que eu tive muita dificuldade em escolher quem estaria na capa. Até que optei pela Erika, porque com ela não tem erro.
Tenho quatro músicas que recomendo MUITO que ouçam durante o capítulo e cada uma representa uma parte dessa história que viemos tendo do sargento, então queria fechar o arco assim, não sei se me estendi muito, mas to feliz. Sinto que foi na medida certa. Não deixem de conferir as músicas, link nas notas finais!
Preciso dizer que chorei três vezes ao longo desse capítulo? Nunca pensei que eu iria chorar por causa do Surge mano, mas é isso. Ninguém odiava ele mais do que eu, e agora eu to aqui sofrendo horrores porque matei o homem na história, vai entender.
Eu tenho uma pergunta MUITO importante para fazer para vocês nas notas finais, sobre a batalha do próximo ginásio - com a deusa SABRINA - então não deixem de opinar, é isto.
Tenham uma boa leitura.

Capítulo 65 - Luto


Fanfic / Fanfiction Pokémon Adventures: Rumo a Liga Pokémon de Kanto! - Capítulo 65 - Luto

< Por Blue >

Quando o discurso do general Francisco Rocha cessou, todos ficaram em silêncio. Claro, a maioria das pessoas ali provavelmente já conheciam os feitos do sargento Surge, mas eu, meus amigos e uma parte considerável das outras pessoas ali, provavelmente nem fazia ideia da importância dele. Agora eu sentia ainda mais o peso da sua morte sobre mim. Eu repudiava Surge, mesmo assim… Talvez se não fosse pelo seu papel na guerra que assolou Johto a 20 anos atrás, Kanto não seria um continente tão pacífico, onde jovens pudessem sair em jornada. Muitos historiadores dizem que seria questão de tempo até o conflito chegar aqui, caso ele houvesse continuado. Nosso continente foi importante para Johto vencer a guerra, cedendo seus territórios para abrigar cada refugiado que chegava pelo mar. Talvez se não fosse Surge, a guerra teria chegado a Kanto, talvez se não fosse ele nenhum de nós estaria aqui hoje.

Deixei que mais algumas lágrimas rolassem pelo meu rosto por causa de Surge, nunca realmente pensei que me pegaria sofrendo por ele.

— Agora, a Srta. Erika Hana também irá dizer alguma palavras – a voz firme e gentil do general quebrou o silêncio, fazendo com que todos voltassem nossa atenção para o altar. Francisco desceu mancando, e comprimentou a líder do ginásio de Celadon com um aceno de cabeça quando passou por ela. Erika se posicionou no altar, inclinando sua pequena boca na direção do microfone, mas nada disse. Seus olhos puxados estavam vermelhos e chorosos, mas ela se mantinha firme fitando a multidão. 

Eu sabia que não devia estar sendo nem um pouco fácil para ela fazer aquilo, não só por causa do luto em si, mas porque, desde ontem, a mídia não falava de outra coisa senão do caso dela com o falecido sargento. Se ligássemos a TV agora estava lá, em qualquer estúpido programa de auditório. Ficavam especulando a quanto tempo estavam juntos, ressaltando o tempo todo a diferença de idade dos dois, que tipo de relação tinham, porque Erika se sujeito a ficar com alguém como ele, porque ela tinha se “diminuído” a esse ponto, que ela precisava se dar ao valor, que uma mulher que vem de uma família importante como ela nunca deveria se envolver com alguém como ele, que suas atitudes manchavam o nome da família Hana, fora aqueles que paravam para chamar Erika de coisas horríveis que não tinham cabimento nenhum.

O alvoroço por causa disso era tanto que, mesmo Erika estando ocupada planejando o funeral, repórteres ainda conseguiram ir até o seu ginásio lhe importunar com perguntas sobre a intimidade dela com alguém que havia acabado de ser brutalmente assassinado. Erika não respondeu a uma única indagação sobre isso, nem apareceu publicamente para falar sobre nada, mas ela no fundo sabia que, mesmo tendo contratado seguranças para se posicionarem estrategicamente nas entradas da cidade a fim de barrar os repórteres e fotógrafos, ali entre nós iriam ter pessoas filmando furtivamente com seus celulares o que ela estava prestes a dizer.

Quando a mídia não conseguiu falar com Erika, foram importunar Sabrina – alguém que estava se recuperando depois de ter passado mais de um mês sendo torturada – em seu ginásio. Para a sorte – ou por completo azar deles – pegaram a líder saindo de seus aposentos hoje de manhã, muito provavelmente se preparando para vir até o funeral de Surge. Eu vi a reportagem na TV do hospital enquanto tomava café da manhã, Sabrina passou rapidamente por grande parte da multidão, mas diferente da melhor amiga, não se conteve quando começou a ouvir aquelas perguntas absurdas. Ela parou e olhou para uma das câmeras, vários microfones sendo enfiados contra sua boca, seus olhos vermelhos ardendo de raiva. “A intimidade dos outros não é da conta de ninguém. Que tal pararem de perder a desgraça do tempo de vocês com essas perguntas idiotas e tentarem fazer uma reportagem de verdade? Várias pessoas acabaram de ser assassinadas em Saffron, vocês não tem um mínimo de respeito? A Equipe Rocket ainda está a solta, que tal pararem pra falar sobre isso e tentar levar algum tipo de informação útil para o público alienado que assiste esse tipo de programa de merda? Francamente, com quem uma mulher transa nunca deveria falar mais sobre ela do que quem ela é de verdade. Erika salvou a cidade, eu não vi ninguém agradecendo sua coragem. Sinceramente? Pro inferno todos vocês. Podem enfiar esses microfones no…” – e então o áudio fora cortado, enquanto Sabrina provavelmente xingava Arceus e o mundo. Ela começou a abrir caminho pela multidão novamente, todos sendo afastados dela por uma força invisível que parecia ser emanada do seu corpo.

E mesmo com todas as coisas horríveis que se colocavam a falar sobre Erika, lá estava ela, disposta a dizer algumas palavras sobre o sargento por quem tinha um apego bem significativo.

— Surge fez alguns pedidos em suas últimas palavras, não deixou nenhum testamento, mas tanto eu como outras pessoas foram testemunhas dos últimos desejos do sargento e acho que é válido que estes sejam exposto aqui – ela suspirou pesadamente antes de continuar. – Em seus últimos momentos, Surge passou dois de seus Pokémons para seu melhor amigo Francisco, dando seu Raichu para sua filha mais nova, pedindo para que ela o levasse para a liga e o mantivesse ativo nos combates. Pediu para o jovem treinador Ingro Silveira, que não pode comparecer aqui por motivos pessoais, participasse da seleção para o novo líder do ginásio da cidade, Surge queria que o menino assumisse seu lugar. O comitê da Liga Pokémon me informou que vão esperar essa edição da competição acabar para dar início as seleções do novo líder, uma forma de honrar a memória de Surge. Para os treinadores que ainda faltarem a Insígnia do Trovão, o comitê da Liga vai promover novos desafios para entregá-las. Surge também pediu aos jovens treinadores, Blue Torrence, Red Oliveira, Green Carvalho e Yellow Garcia, que estavam diretamente envolvidos na luta contra as ações terroristas da Equipe Rocket, para que não desistissem de vencer a organização. No fundo, tudo o que Surge mais queria era que essa nova geração estivesse pronta para lutar contra esses tipos de ideologias, não queria uma nova guerra, não queria mais pessoas passando pelo horror que ele passou.

Erika parou, parecendo tentar conter as lágrimas e quando eu achava que ela havia acabado, abriu um sorriso triste e puxou do bolso de seu kimono preto o maço de cigarro que o sargento lhe dera.

— E pra mim, ele deixou um maço de seu cigarro favorito... Já que toda Kanto não consegue falar sobre outra coisa que não Surge e eu, decidi que vou abrir o jogo, para ver se as pessoas desse continente começam a se focar no que realmente importa, como o fato de que a Equipe Rocket continua a solta e impune por seus atos – novamente ela respirou profundamente, agora deixando uma ou duas lágrimas rolarem por seu bonito rosto. – A primeira vez que eu vi Surge pessoalmente foi em uma das reuniões dos líderes de ginásio, mas só nos falamos mesmo quando topei com ele em um pub de Celadon um pouco mais de um mês atrás, estávamos sozinhos, acabamos sentando juntos na mesma mesa, jogamos conversa fora enquanto bebíamos e acabamos até batalhando, chegou a sair no jornal. Naquela noite, o convidei para dormir na minha casa, porque Vermilion ficava longe e bom… – ela deu um rápido sorriso que dispensava explicações. – Nós transamos algumas vezes desde então. Ele esteve na minha casa pela última vez na semana passada, acordamos de manhã e estávamos tomando café juntos, ele já se preparado para ir embora como fazia sempre, acho que devo ter reclamado do tanto de trabalho que eu tinha para fazer no ginásio já que era o dia de folga da minha assistente e do nada ele disse “Quer ajuda? Não tenho nada melhor para fazer hoje mesmo, sem desafios no ginásio, um tédio total”. Eu apenas concordei. Ele ficou comigo a tarde toda, me ajudou a cuidar dos Pokémons e do jardim, apesar de odiar flores, assistiu meus combates que estavam marcados para aquele dia, e depois que alguém perdia e ia embora a gente zombava da pessoa – Erika deu uma risada. – Ele acabou perguntando se podia passar a noite comigo de novo, concordei. Depois do jantar colocamos algumas músicas do The Smiths, ele gostava bastante, ficamos tomando whisky e só falando besteira. Nós estávamos marcando de nos vermos no dia do ocorrido na Silph, mas ele deu um jeito de morrer antes disso. Preciso concordar com o Francisco quando ele diz que Surge era quase insuportável, ele falava de mais, Arceus do céu, ele não ficava quieto nem por um minuto, mas quanto mais tempo eu passava com ele mais eu percebia que ele era uma boa pessoa... Acho que no fundo ele se sentia muito sozinho, mas eu gostava da companhia dele, era fácil chorar de rir com as merdas que ele dizia, apesar da maioria das frases não soar politicamente corretas, mas sabe, ele era o Surge e… eu vou sentir falta dele, mais do que eu deveria.

Agora ela se permitiu chorar um pouco, mesmo que baixo, mesmo que tentando conter ao máximo. 

— E por último, o prefeito de Saffron gostaria de entregar ao Surge uma medalha de condecoração por serviços prestados a cidade, por contribuir com o resgate de Sabrina Natsume, por ajudar a tirar todos do cárcere privado ao qual se encontravam a mais de um mês, por aniquilar bravamente boa parte dos membros da organização terrorista que assombra nosso continente e por ter dado a sua vida para proteger o seu Pokémon, um ato para poucos.

Erika puxou do seu sobretudo uma pequena medalha de ouro, caminhou devagar pelo altar, se postando ao lado do caixão aberto do sargento e prendendo o objeto dourado na sua farda ao lado de todas as outras medalhas que ele ganhou servindo a F.A.J.

Ela voltou calmamente para seu lugar, se inclinando novamentente para falar no microfone.

— Alguém mais gostaria de dizer algumas palavras? – indagou ela

Rai, Raichu! – fora o ex Pokémon do sargento que quebrou o silêncio, saindo do lado de Brenda e andando até o altar.

— Você… gostaria de falar…? – perguntou Erika ao rato elétrico um tanto quanto desconcertada.

—  Rai! Raichu! – assentiu ele.

O desconcerto da líder de ginásio era grande, afinal, Raichu tinha mesmo todo o direito de falar, talvez fosse o que mais tivesse o que dizer, mas nenhum de nós iria conseguir entender uma única palavra. Erika demorou seu olhar em Bruno, irmão mais velho de Brenda e aparentemente o namorado de Sabrina, mas nada disse.

Senti Yellow se mexer ao meu lado e logo deduzi o que a loira estava planejando.

—  Eu traduzo o que ele diz! – disse ela por fim, se levantando, por mais que Red repetisse aos sussurros para que não fizesse. – Consigo entender o que os Pokémons falam, deixe que eu traduza…

Um murmúrio percorreu os presentes, sendo que fora possível ouvir algumas risadas, enquanto Yellow andava até a frente do altar e se postava ao lado de Raichu.

— Não é hora para brincadeira – repreendeu Erika irritada.

— É verdade! – bradou a loira.

Rai! – concordou Raichu.

— Erika… – dessa vez foi Bruno quem se levantou. – Deixe ela traduzir... – eles trocaram mais um olhar, e então a líder pareceu entender que Yellow possuía os mesmos dons que Bruno. 

Eu estava apreensiva. Entendia que Yellow estava fazendo a coisa certa, ajudando Raichu a honrar a memória de seu treinador, contribuindo para o funeral do sargento que morreu para salvar nossa vida, mas fazendo isso ela estava revelando seu dom para o mundo, e ela já foi sequestrada por conta dessa habilidade, então… 

Erika desceu do altar e voltou a se sentar, deixando que a loira e o rato elétrico assumissem seu lugar. Yellow ficou na ponta dos pés para conseguir falar no microfone, enquanto Raichu se postou ao seu lado, encarando a todos os humanos sentados diante de si.

— Sei que muitos que enfrentaram Surge em seu ginásio podiam dizer que ele era um treinador muito rígido – começou a traduzir Yellow, enquanto Raichu repetia seu próprio nome sem parar. – Mas ele só cobrava o máximo de mim e de meus colegas Pokémons, porque sempre cobrou o dobro de si. Esse era nosso lema desde que eu era só um Pichu e ele só um menino e ele decidiu que ia mudar de vida: nunca desistir, nunca se render, nunca abaixar a cabeça e ele sempre cumpiru e cobrava que eu cumprisse também. Cada batalha nossa era uma tentativa de mostrar aqueles jovens treinadores que Pokémons não são brincadeira, não são bichos de estimação, ele não queria deixar que ninguém que não fosse minimamente merecedor recebesse sua insígnia, me fazia batalhar sem descanso porque sabia que eu dava conta, mesmo que não parecesse muito certo aos olhos dos outros. Ele tinha seus motivos para agir assim. Essa não foi a primeira vez que ele salvou a minha vida, mas infelizmente foi a última. Ele era meu melhor amigo, me mostrou o mundo, me mostrou a força interior que eu mesmo nunca acreditei ter. Eu vou sentir muita falta dele – e deixando que as emoções do rato tomassem conta de si, Yellow começou a chorar juntamente com Raichu.

< Por Red >

Agora até eu estava chorando por causa do Surge! Fala sério! Mas não foi fácil pra mim ver Yellow se debulhar em lágrimas quando sentiu as emoções do Raichu. O discurso do rato, fez com que muitas pessoas que não haviam chorado ainda, deixassem algumas lágrimas rolarem. 

A loira desceu do altar, juntamente com Raichu que foi se postar ao lado de Brenda que ajoelhou na frente dele e acariciou sua cabeça, lhe plantando um beijo na testa, enquanto devia estar pronunciando palavras de conforto para seu mais novo Pokémon.

Eu me levantei e abracei Yellow, quando ela se aproximou de nós.

— Foi muito corajoso o que você fez, estou orgulhoso – falei ao pé do ouvido dela, sentindo seus braços magros me envolvendo. – Mas ainda acho que você se expôs de mais.

— Eu sei – respondeu soltando uma risadinha. – Mas valeu a pena.

As pessoas começavam a se dispersar ao nosso redor, se unindo em pequenos grupos. Vi Koga, sua filha Janine e sua esposa se juntando a Sabrina, Bruno e Erika. Misty caminhou até Brock e comprimentou o líder de Pewter com um toque de mão, e se pôs a conversar com ele e com sua família. 

Eu peguei Yellow pela mão a puxei para longe da aglomeração, deixando Green e Blue sentados sozinhos. A levei para trás de uma árvore, segurando em sua cintura enquanto me encostava no tronco.

— Queria te dizer uma coisa… – comecei a falar, enquanto ela me fitava com seus belos olhos dourados.

As duas noites que se passaram desde o ocorrido na Silph não haviam sido fáceis para mim, dormir era difícil, tinha pesadelos com aquele cara, o via ferindo meus amigos, levando Yellow para longe. Acabava que meus sonhos eram agora um misto das mais diversas tragédias que já haviam ocorrido com a gente e as que ainda podiam vir ocorrer. O pai da Blue, Surge, o Tauros de Cris, os funcionários da Silph, talvez uma pequena parcela do mar de sangue que teríamos se deixássemos eles prosseguirem com seus objetivos. Éramos um alvo e cada dia que vivíamos podia ser o último, cada encontro entre nós e eles podia ser o último, e eu vinha pensando muito nisso. 

Yellow me apoiou, esteve ao meu lado o tempo todo quando percebeu que eu estava abalado. Ela parecia ser a menos afetada por tudo, e foi então que eu percebi como ela era forte e que se não fosse por ela acho que eu não seria nada agora. Sua força não me intimidava, pelo contrário, só me instigava a ter esse emocional de ferro, a estar pronto emocionalmente a qualquer momento para o combate vindouro.

— Eu não te disse isso antes, talvez porque eu ainda estivesse processando tudo, mas… Eu reuni forças para me levantar, para batalhar com aquele cara e conseguir mais tempo pra gente, por causa de você. 

— Como assim? – indagou ela.

— Ele tinha dito que talvez pouparia você a Sabrina por mais tempo, e eu sabia que a ajuda estava vindo. Eu só pensei… pensei que você tinha uma chance de sobreviver. Você é muito importante para o mundo por causa do seu dom, e eu estava certo, olha o que você acabou de fazer! Você tinha que viver! Eu não podia deixar que nada acontecesse com você, mesmo que eu estivesse me borrando de medo, eu precisava lutar para te dar uma chance. E ainda bem… ainda bem que fiz isso, você me deu coragem Yellow, para te salvar, para ser um treinador mais forte, para ir além da onde eu não acreditava que podia…

— Red… Isso é muito lindo, mesmo, obrigada, mas não estou entendendo onde exatamente você quer chegar…

— Você me faz ser uma pessoa melhor Yellow, e eu queria te agradecer. Eu… talvez me arrependa de dizer isso, mas a gente nunca sabe se vamos estar vivos amanhã, né? Mas é melhor eu não dizer, porque talvez seja muito cedo, porque talvez eu seja muito novo, mas são meus sentimentos e…

— Red! – ela me repreendeu soltando uma risada.

— Eu amo você! – deixei escapar. Ela arregalou os olhos para mim. – Tudo bem, esqueça. Eu não devia ter falado isso, des… – me calei quando senti os lábios dela sobre os meus.

Começamos a nos beijar intensamente, eu a puxando mais pela cintura e juntando nossos corpos. Por um momento esqueci onde estávamos. Sentia que as coisas entre nós estavam evoluindo rápido, o que eu não achava ruim. Passamos os dois últimos dias sozinhos num quarto do CP de Celadon, esperando Blue se recuperar, dividimos a pequena cama de solteiro, ficávamos conversando até pegarmos no sono – até porque eu estava mesmo com dificuldades para dormir – e entre uma conversa, entre uma risada e outra, nossos lábios se encontravam e explorávamos o corpo um do outro com as mãos, mesmo que timidamente ainda e eu gostava muito daquilo, de como estávamos. Eu gostava muito de estar com ela, conversar com ela, abraçá-la enquanto ela dormia, perdido na inebriante paixão do meu primeiro namoro.

Foi Yellow quem cessou o beijo, sempre mais centrada que eu.

— Eu também amo você – disse ela abrindo um sorriso lindo.

E apesar de tudo, apesar de todo o terror e provavelmente de cada pequeno trauma adquirido nos últimos dois dias eu não podia estar mais feliz. A abracei, apertando-a ainda mais forte, ouvindo um reclamar dela abafado pelo meu ombro, o que me fez rir. Eu amava Yellow, e era bom poder dizer isso para ela e saber que era recíproco.

— Com licença… – a loira se soltou de mim quando ouvimos uma gentil voz masculina. – Yellow, não é? Yellow Garcia?

— Isso mesmo – respondeu ela para o homem. Era um cara esquisito, tinha a pele branca e a cabeça oval, começando a ficar careca com fundas entradas se formando no seu cabelo castanho escuro nas laterais do crânio, seus olhos escuros encaravam minha namorada com curiosidade por trás de grandes óculos. Vestia-se com uma calça social verde pastel, uma camisa azulada e com um sobretudo preto por cima.

— Muito prazer, Yellow – ele lhe estendeu a mão sorrindo. Ela hesitou, mas depois o comprimentou. – Me desculpa chegar assim de repente, mas não podia perder a oportunidade de falar com você. Meu nome é Elm, sou o professor responsável pela distribuição dos Pokémons Iniciais de Johto, assim como o professor Carvalho o faz aqui, creio que como treinadores vocês o conhecem.

— E como! – respondi sorrindo. – Sou de Pallet, Carvalho praticamente me viu crescer.

— Fico muito contente em saber disso, meu jovem! – sorriu ele. – Agora, indo direto ao ponto: eu achei fascinante o que você fez com o Raichu, Yellow. Pode mesmo entender o que os Pokémons falam? – indagou ele, ajeitando seu óculos que lhe escorregava pelo pequeno nariz.

Yellow me encarou apreensiva, eu apenas dei de ombros. Ela já havia mostrado para o mundo seus dons, não tinha porque evitar falar deles agora.

— E sentir suas emoções – completou. – Por isso chorei enquanto falava, deixei as emoções de Raichu tomarem conta de mim. Caso contrário jamais me veria chorando pelo Surge – explicou ela.

— Ah claro... Eu vim ao funeral porque fui convidado, muitas personalidades de Johto foram. Sargento Surge acaba sendo pra gente um herói nacional, mesmo com a má fama dele por aqui – riu Elm.

— Mas por que tem interesse em meus dons? – perguntou a loira, um tanto quanto desconfiada.

— Ora e ainda pergunta? Porque são fascinantes e podem ser útil para muita coisa. Eu daria tudo para ter tal habilidade, como a desenvolveu?

Yellow deu de ombros.

— Isso é algo particular – respondeu.

— Claro, eu entendo totalmente, não quero ser inconveniente, Yellow – explicou rapidamente. – Bom, além de professor, eu também sou um pesquisador e estou desenvolvendo uma pesquisa pautada no comportamento Pokémon. O problema é que eu faço tudo sozinho, e é um trabalho árduo, exige pesquisa de campo, laboratorial, relatórios, observações, testes, enfim… Acontece que estou temendo ficar sem verba para prosseguir meus estudos, e penso que ter você em meu laboratório seria essencial para aperfeiçoar o meu trabalho e me ajudar a concluí-lo.

— Está me oferecendo um emprego? – indagou ela, erguendo as sobrancelhas. 

— Vou ser sincero, não paga muito – riu Elm. – Seria mais um estágio. Poderia ser minha assistente de laboratório. Sei que você mora aqui, mas faço todos os trâmites possíveis para te alocar confortavelmente em New Bark. Pago dois meses adiantados, para te deixar mais segura. O que me diz?

— Senhor… Professor... Elm, isso… Isso é incrível, mesmo. É uma oferta irrecusável, mas… Eu não posso aceitar agora, eu estou em jornada. Ainda preciso coletar mais três insígnias de ginásio e pretendo participar da Liga Pokémon…

— Claro, eu entendo e posso esperar sem problemas. Não acho que existem muitas pessoas que poderiam ocupar esse cargo que eu estou te oferecendo – o comentário dele fez a gente rir. – Vamos deixar para depois que você terminar a liga, caso não ganhe, e por favor não vá pensar que estou agourando. Sabe, muitos jovens saem em jornada, é uma etapa da vida, por isso permitem que vocês comecem aos quinze. Ao longo do tempo muitos aspirantes a treinadores acabam percebendo que não tem dotes para a coisa, ou só descobrem que querem seguir outras carreiras, então eles já tem lá para os seus 18 anos e podem ingressar numa faculdade. Depois da liga, se esse vier a ser o seu caso, saiba que eu vou estar no meu laboratório esperando ansiosamente pelo seu contato – ele lhe entregou um cartão de visita branco com seu nome, endereço e número de telefone. – Uma coisa eu te garanto, Yellow, se optar pela área dos estudos dos Pokémons, seja em qualquer vertente, o que lhe espera é uma brilhante carreira. Sua habilidade abriria portas inimagináveis para os estudos, você tem muito o que contribuir para ciência Pokémon, e ok, Mestre Pokémon deve ser a profissão mais almejada por qualquer um, mas nenhuma impacta mais o mundo do que ser um pesquisador. Fico no aguardo do seu contato, com um sim ou com um não. 

— Tudo bem, professor Elm. Obrigada pela oportunidade – ela pegou o cartão de visita dele lhe abrindo um sorriso. Ele se despediu, pedindo desculpas novamente pelo incomodo e voltou para juntos dos outros convidados. 

— Meu… que irado! Eu disse Yellow, disse que você era especial. Você pode mudar o mundo com seu dom, sei que pode! Esse pode ser um bom começo, acho que depois da liga dependendo de como as coisas ocorrerem, acho que você pode considerar. Tô muito orgulhoso de você! Tem todo o meu apoio!

— Obrigada, Red – ela guardou o cartão de visita e voltou a me abraçar forte.

< Por Green >

Blue e eu estávamos conversando enquanto ela brincava com os dedos da minha mão distraidamente. Até sentirmos a sombra de alguém pairando sobre nós.

— Koga… – disse Blue, levantando a cabeça para encarar o líder de Fucshia. Era até esquisito vê-lo em um terno e não na sua roupa de ninja habitual.

Koga inclinou a cabeça em uma reverência rápida e abriu um sorriso como seus finos e rígidos lábios.

— Queria agradecer por terem vindo. Surge não era um homem que me agradava, mas era meu colega de trabalho e merece meu respeito e admiração como tal.

Assentimos levemente concordando com ele. 

— Agora, se me permitem, queria fazer um sério pedido a vocês e seus demais amigos. Surge era um inconsequente, então não deem ouvidos ao último pedido dele para vocês, mesmo que isso pareça desrespeitar sua memória de alguma forma. Ele praticamente mandou um bando de adolescentes pararem uma organização terrorista. Admiro a coragem de vocês por terem ido até lá sozinhos, caso contrario nunca iriamos conseguir salvar Sabrina e o resto da cidade, mas o trabalho de vocês não é deter a Equipe Rocket. Vocês são fortes, claro, eu os vi em combate, mas ainda são só adolescentes. Minha filha tem 12 anos, mesmo que tivesse 15 eu, como pai, jamais a deixaria correr tal perigo, mas sei que ela o faria sem pensar, porque os jovens são assim. Por isso peço encarecidamente, principalmente em nome dos seus pais, que se souberem de alguma coisa do paradeiro dos criminosos, nos comuniquem. Eu e os demais líderes de ginásio vamos agir em conjunto com as autoridades para deter a Equipe Rocket, não é papel de vocês, já fizeram o bastante. Foquem em suas jornadas e em seus sonhos… Prometem?

— Prometemos – respondi de imediato. Blue arregalou os olhos momentaneamente para mim, apertando mais ainda a minha mão.

— Ótimo – sorriu ele. – Desejo muito sucesso na jornada de vocês, e espero ansiosamente para ver o desempenho de vocês na Liga Pokémon.

— Muito obrigada, Koga – respondeu Blue educada, e em seguida ele se retirou e voltou para junto da sua família.

— Green… nós vamos mesmo ficar sem fazer nada? – indagou ela.

— Claro que não! – respondi, lhe abrindo um sorriso. – Foi um blefe. Sei que ele e os outros líderes estão fazendo isso porque se preocupam, mas já estamos envolvidos demais… 

— Concordo, mas deveríamos debater isso com Red e a Yellow.

— Sobre a opinião da loira eu não sei dizer, mas tenho certeza absoluta que Red vai concordar comigo – respondi rindo divertidamente, vendo ele e  Yellow vindo em nossa direção. Era hora de debater nosso próximo passo com eles, e essa era a parte que eu mais me divertia fazendo. 

No dia seguinte…

< Por Ingro >

— Ah! Mas é possível! Rodei na banana de novo! – bradou o ruivo irritado.

— Vai comer poeira, sinto muito! – respondi rindo, ao ver meu carro passando o dele.

Estávamos no quarto dele, na mansão dos Swann em Celadon, jogando Pokékart, um jogo de corrida muito divertido com os Pokémons correndo em carros de kart, dava para lançar poderes especiais na pista para atrapalhar os adversários, então estávamos a umas boas horas chorando de rir, sempre que um estava prestes a ganhar e o outro atrapalhava. 

Cris estava bem melhor, claro que ele tinha crises de choro sempre que lembrava de seu Tauros, quando isso acontecia eu deixava que ele chorasse no meu colo enquanto acariciava seus ruivos cabelos. Eu fui com seus pais ontem para a torre de Lavender. Tauros foi enterrado no sexto andar, passamos na floricultura do Sr. Yang e Cris escolheu as mais bonitas flores para colocar sobre o túmulo do touro. Falamos algumas palavras para Tauros, o que no começo podia soar estranho, mas foi um pequeno funeral em família. Agora ele podia descansar em paz.

Desde ontem eu tenho feito tudo o que Cris sugere, vimos a série que ele gosta, sua trilogia de filmes favoritos e agora estávamos jogando juntos, pelo menos até eu ganhar mais uma corrida. 

Cristofer largou o controle sobre sua cama, xingando, enquanto eu ria dele. Ele olhou para o seu caríssimo Pokégear, pois o aparelho havia acabado de vibrar sobre o colchão. O ruivo o pegou, o desbloqueando rapidamente e começou a ler o que dizia na tela, enquanto eu ia escolhendo outra pista para corrermos. 

— Hey, Blue mandou mensagem! – bradou ele, me mostrando o aparelho. 

“Cristofer, sentimos muito que não pudemos comparecer ao enterro do Tauros. Pensando nisso que fiz isso para você poder se lembrar pra sempre dele, e saber que mesmo de longe você tem nosso apoio. Se não fosse por você e seu Tauros jamais teríamos conseguindo sair vivos do embate contra a ER. Obrigada.”

Abaixo da mensagem de texto dela estava uma imagem de um lindo desenho do Tauros em preto e branco, feito à mão. Ele estava de frente e parecia vir correndo em direção da pequena tela do aparelho, embaixo do desenho se lia “O imparável está correndo agora no céu”. Encarei o ruivo, abrindo um sorriso. Ele tentou enxugar as lágrimas que teimavam em escorrer de seus olhos, enquanto voltava a encarar o desenho, mesmo chorando seus lábios estavam flexionados em um singelo sorriso.

— Ingro… – disse ele entre as lágrimas, olhando atentamente para a tela do celular. – Eu estive pensando nisso e acho que eu gostaria de tatuar esse desenho.

— Sério? – perguntei surpreso, engatinhando pela cama para ficar mais perto dele. Ele meneou a cabeça positivamente. 

— Quero ter o Tauros marcado para sempre em mim, como um símbolo do que ele foi, do que ele fez por nós, como sua Butterfree representa para você o momento em você decidiu ser um treinador de insetos. Mesmo que doa, mesmo que te traga lembranças tristes ao olhar para ela, o que aconteceu está eternizado. Eu sempre quis fazer uma tatuagem, e sei que elas não precisam ter significado, mas isso… Isso seria muito importante para mim.

— Cris isso é incrível. O Tauros ficaria muito feliz…

— Eu sei… - disse ele secando mais algumas lágrimas que saltaram de seus olhos.

— E então, onde vai fazer?

— Num estúdio de um conhecido aqui da rua…

— Não, seu bobo – comecei a rir. – Em que parte do corpo vai fazer?

— Ah, no bíceps direito, óbvio! – falou, arregaçando a manga da camiseta verde para me mostrar a região. – Vou ver quando o tatuador vai estar livre – Cris procurou por um número rapidamente na agenda do seu Pokégear, apertando para ligar e colocando o aparelho na orelha, enquanto sorria para mim.

Eu estava muito feliz dele estar conseguindo ressignificar o ocorrido dessa forma. Cristofer era um menino muito forte e eu tinha orgulho de namorar com ele.


Notas Finais


SABIA QUE ESSA FANFIC TEM UM SPIN-OFF DE HENTAIS? CONFIRA: https://www.spiritfanfiction.com/historia/hentais-de-rumo-a-liga-pokemon-de-kanto-16941575

MÚSICAS PARA OUVIR ENQUANTO LÊ O CAPÍTULO (Todas do The Smiths)
1º This Charming Man: https://www.youtube.com/watch?v=cJRP3LRcUFg (Representa a transição de Surge e o seu caminhar até se tornar o militar que conhecemos).
2º There Is A Light That Never Goes Out: https://www.youtube.com/watch?v=siO6dkqidc4 (Representa a breve relação da princesa Erika com o falecido sargento).
4º What Difference Does It Make?: https://www.youtube.com/watch?v=XbOx8TyvUmI (Representa a resposta da Erika para a posição da mídia ao saber sobre ela e o sargento).
3º Heaven Knows I'm Miserable Now: https://www.youtube.com/watch?v=TjPhzgxe3L0 (Representa o sentimento que fica em nós, nos outros personagens, mas principalmente na Erika agora que Surge se foi).
Por favor, se possivel, vejam as traduções das músicas.

AGORA A PERGUNTA QUE EU TENHO PRA FAZER É: Quem vocês querem ver batalhando conta a Sabrina: Red ou Green?
Por favor, respondam nos comentários, se possível dizendo o porque preferem um ou outro. Decidi deixar vocês escolherem porque estou muito indecisa entre os dois, e acho que qualquer uma das batalhas seria muito interessante.

AGORA SIM, muito obrigada a todos que leram até aqui. Vemos cada vez mais o quanto Johto está se aproximando, não falta muito galera! Se você leu até aqui, está comigo nessa longa jornada, não deixe de opinar comentando! Faz toda a diferença pra mim e você contribuiu com meu trabalho, expressa que gosta dele e que não quer que a fanfic acabe nunca!
No próximo capítulo SAFFRON, a batalha está perto e o fim da fanfic também! Ainda vamos ter muito capítulos, claro, mas tem pouco plot para se trabalhar, então vão preparando o coração meus amores!


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