História Pokémon: Desventuras em Série (INTERATIVA) - Capítulo 16


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Categorias Pokémon
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Palavras 6.575
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eae Treinadores Pokémon!

Está aqui mais um capítulo das nossas desventuras!
Nas notas finais, deixarei os link de tudo o que temos sobre a fanfic até aqui, como mostrado no capítulo que apaguei, fiz algumas melhorias para ajudar na visualização e nas informações do enredo, está no link: "Informações sobre Lahen"

Não revisei, então qualquer erro, primeiro releve e depois me avise ^^


Qualquer crítica, ideia ou sugestão, podem deixar nos comentários e divirtam-se xD
Aqueeele abraço!

Capítulo 16 - Trust Me


Fanfic / Fanfiction Pokémon: Desventuras em Série (INTERATIVA) - Capítulo 16 - Trust Me

A cada passo, Oiracul City ficava um pouco mais distante, a bela paisagem de Lahen era apreciada pelos jovens treinadores, enquanto os Beautifly beijavam delicadamente as flores do gramado, um bando de Pidgey voava tranquilamente acima dos viajantes. Com os ânimos renovado o quinteto seguia viagem com o astral nas nuvens, renovados com a presença de uma nova companheira de viagem, sequer notavam o tempo passar.

— Ok, essa é boa. Porque o Spinarak é o Pokémon mais carente? – Hani brincou com um enorme sorriso no rosto.

— Pera! – Ethan gritou. – Essa eu sei! – O rapaz levou o indicador ao queixo e pensou por alguns segundos. – Porque ele é um Aracneedyou! – O ruivo disse dando uma grande risada em seguida.

Hani e Ethan gargalharam com a piada, enquanto Gael e Lyanna acharam mais graça a risada dos dois. Nekozawa, por sua vez, mantinha-se distante, não se sentia confortável em contar sua deficiência perto daquela garota, principalmente quando ela se tornava mais próxima de seus amigos em uma velocidade absurda.

— Ouve essa, é melhor ainda... – Hani quase não conseguia falar rindo de suas próprias piadas. - O Pidgeotto Estava Tomando Um Guaraná, Se O Guaraná Acabar O Que ele Faz?

— Hãã... – Ethan tentou adivinhar, mas não conseguia pensar em nada.

— Eu nem vou tentar. – Gael disse já evadindo da possível resposta.

— Eu não faço ideia. – Lyanna disse levando a mão à boca ao sorrir.

Nekozawa ignorara a situação, estava atrás dos demais, estava fora de visão e também não conseguia acompanhar a conversa, no entanto mantinha seu sorriso doce no rosto. Pra ela, eles não deviam se preocupar em incluí-la, ela que devia fazer isso.

— Ninguém sabe?! – Hani olhou para os lados buscando uma resposta. - Ele Ped otto. – A loira disse e gargalhou mais ainda em seguida.

O grupo continuou a jornada por mais algumas horas. Estavam próximos a uma interseção, para um lado chegariam até a Floresta da Ilusão e de lá poderiam ir tanto para Ibelec City, quanto para Afelc City, do outro lado, chegariam nas Colinas do Arco-Íris e de lá decidiriam se seguiriam para Ibelec City ou desceriam rumo a Citolim City.

— Quantas possibilidades... – Hani disse pensativa. – Ouvi rumores bem legais sobre a Floresta da Ilusão, vamos por lá? Dali a gente desce, chega na cidade de Ibelec e indo mais ao sul, a gente chega no Jardim de Balor. – A jovem disse acompanhando o mapa com o indicador.

— Por mim tudo bem! – Lyanna respondeu.

— Por mim também! – Ethan disse analisando o mapa. – Olha, parece que na Floresta da Ilusão tem certos tipos raros de Pokémon Psíquico, isso vai me ajudar bastante contra o Hatori.

— Tanto faz. – Gael disse desanimado. – Que tal, na verdade, a gente caminhar mais um pouco e parar para descansar.

— Também é uma boa ideia. – Lyanna assentiu com um sorriso. – Os campos por aqui são maravilhosos, nossos Pokémon vão adorar.

— Olha... – Hani apontou a frente.

Um pequeno vilarejo separa os jovens da divisória entre as estradas, ao chegarem ao local foram recebidos pela aflição e revolta de muitos moradores.

— O que foi? – Hani perguntou a uma das mulheres que protestava contra um rapaz.

— Eles interditaram o caminho pra Floresta da Ilusão! Tem muita gente aqui que depende dela pra chegar na cidade de Afelc.

— Porque eles fizeram isso? – Ethan perguntou.

— Eu não sei! Do nada esses Pokémon Ranger fecham o caminho e não falam nada pra gente.

Quando o grupo encarou a barricada que se formava, logo avistaram Luke Grayson, o Pokémon Ranger que conheceram em Arba City. O rapaz estava empenhado em ajudar seus companheiros a fechar a estrada, usando Donphan como forma de fechar o caminho enquanto outros montavam os equipamentos.

— Luke?! – Hani o avistou e se aproximou despretensiosa. – Hey, Luke! – A garota acenou.

Demorou um pouco para o rapaz notar quem era, quando viu o grupo aglomerando-se, aproximou um tanto receoso.

— Hani?! – O rapaz perguntou confuso. – Quanto tempo! – Disse um tanto sem graça.

— Pois é. – Hani respondeu sem tanta entonação e em seguida olhou detrás do rapaz. – E o que é que está acontecendo? Porque fecharam a estrada?

— É uma longa história, nosso patrão não quer que revelemos ao público.

— Porque? – Gael perguntou curioso. – Eles precisam dessa rota, sabia?! Ninguém pode girar esse negocinho e sair voando com um Pokémon igual a sua gente. – Disse em defesa do povo.

— Verdade, são poucos os que tem o dom de ser um Ranger. – Luke respondeu ácido. – Olha... Não me levem a mal, mas é pro bem deles.

— Luke, conta pra gente! – Ethan se espremeu entre Hani e Gael e pôs-se a frente. – Você sabe que enfrentamos a Equipe Rocket em Arba City, depois daquilo tudo é tranquilo pra gente.

— Acreditem... Dessa vez é pior... Mesmo que a Equipe Rocket não esteja envolvida.

— Credo... Fiquei assustada agora. – Hani esfregou os braços sentindo um leve calafrio. – Luke, nós só estamos de passagem. Conta pra gente, por favor. – Hani foi séria.

— Ok... Mas não espalhem, por favor. – Luke viu que a insistência continuaria. – Já tem um bom tempo que isso vem acontecendo, mas só agora o negócio está piorando. – O rapaz disse colocando o grupo dentro da área restrita.

Afastados do restante do público, Luke enfim resolveu contar tudo aos demais, diante da promessa que não se envolveriam e sairiam dali sem contar a ninguém.

— A Floresta da Ilusão é conhecida pela grande quantidade de plantas que expelem um pólen que em grandes quantidades, podem ser alucinógenos. Isso todo mundo já sabia e praticamente nunca interferiu na jornada de ninguém. No entanto, de uns tempos pra cá, algo estranho vem acontecendo. Os viajantes estão entrando em sono profundo, alguns permanecem assim por meses.

— Meu Deus... – Hani balbuciou.

— Isso é terrível. – Lyanna cruzou as mãos.

— E o que fazem pra eles voltarem? – Ethan perguntou.

— Isso é o mais inexplicável... A princípio culparam uma população de Musharna pelo ocorrido, alegavam que isso era decorrente da Névoa dos Sonhos, que levava os viajantes ao Mundo dos Sonhos, mas a análise do sono das vítimas logo foi feita e pelo que parece, eles entram em um pesadelo constante, quando conseguem voltar, permanecem em uma depressão profunda, nesse ano, já de início tiveram dez treinadores que abandonaram a jornada e foram internados em clínicas psiquiátricas.

— E descobriram qual a causa disso? – Gael perguntou.

— Não. Por isso estamos interditando a Floresta. – Luke revelou. – Há quem diga que Darkrai costuma visitar Lahen e quando o faz, tem preferência pela Floresta da Ilusão.

— Sabia que isso seria obra de algum Pokémon assim... – Lyanna disse com nojo. – Não onde Arceus estava com a cabeça quando criou esse bicho.

— Quando pequena eu ouvia histórias sobre Darkrai... – Nekozawa disse baixo. – Elas diziam que os pesadelos não são obra de maldade, mas sim uma forma de defesa...

— Ta bom... E de que forma esses viajantes oferecem ameaça ao Darkrai? – Lyanna argumentou. – Isso é maldade mesmo.

— Foram só histórias que eu ouvi. – Nekozawa abaixou mais ainda seu tom de voz, evitando entrar em discussão.

— De qualquer forma, isso é horrível. – Hani disse impressionada com a história. – Mas, ainda bem que fomos alertados antes, seria horrível se fosse com um de nós.

— Existe alguma forma de nós ajudarmos? – Ethan perguntou.

— Na verdade... – Luke tentou responder, mas fora interrompido.

— Não, né Ethan?! – Hani disse séria. – Não somos Pokémon Ranger, tão menos somos aptos a enfrentar algo assim... Vamos descer pra rumo a Ibelec.

— Concordo com a Hani! – Lyanna disse séria. – Não é bom nos envolvermos com esse tipo de coisa. Deixa pra quem é especialista.

— Mas... Podemos ajudar essas pessoas... – Ethan sentiu-se perdendo uma discussão antes mesmo dela começar.

— Me poupe, Ethan. – Hani disse debochada. – Você acha mesmo que a gente vai entrar numa floresta perigosa, descobrir o que está acontecendo e salvar todo mundo e no fim do dia tudo vai ser lindo e tranquilo? Além do mais... – A garota deu-se de costas. – Eu não ganharia nada com isso. Faça o que quiser, mas eu vou pra Ibelec.

— Desculpa, Ethan, acabamos de nos conhecer, mas claramente a Hani e eu somos as únicas que estamos pensando com a cabeça aqui. – Lyanna levantou-se e pôs-se de lado da loira. – Entrar numa Floresta amaldiçoada por Darkrai não é algo inteligente de se fazer... Se há anos existem pessoas que almejam capturar esse ser e não conseguem, imagina o que nós, treinadores inexperientes vamos conseguir fazer lá.

— Contanto que a gente não precise aumentar a discussão, eu topo ir pra Ibelec também. – Gael disse cansado.

— Vocês venceram então... – Ethan levantou-se, já que era pra ir embora, que fosse o quanto antes.

O grupo se despediu de Luke, desejaram boa sorte e seguiram viagem. Nekozawa deu uma última olhada para a floresta e desejou que as pessoas conseguissem sair de seu estado de sono profundo. Ethan, por sua vez, seguiu o restante da jornada um tanto pensativo, ponderando se deveria ou não ter seguido para a Floresta da Ilusão.

Ainda estavam perto das imediações da Floresta da Ilusão quando o grupo resolveu parar para descansar. Cada um liberou seus Pokémon de suas Pokébolas e sentaram-se para apreciar o dia. Lyanna se prontificou a fazer algo para comer, com a condição de que o grupo buscasse por algo que pudesse virar uma refeição.

Enquanto Ethan optou por uma pescaria próximo a um lago, Hani decidiu que iria dar uma olhada nas árvores, atentando-se para não se aprofundar muito na floresta. Estava colhendo alguns berries quando viu Gael se aproximando.

— E aí gato?! – Hani jogou uma Oran Berry no rapaz.

Gael sorriu malicioso e deu uma mordida na berry, em seguida deu uma piscadela e virou-se de costas.

— Muito cavalheiro da sua parte. Deixar uma dama linda como eu carregar esse tanto de Berry, que nem mesmo é só pra mim. – Hani disse sozinha.

A loira ouviu o sorriso de Gael e logo o platinado estava de volta, pegou a cesta com as frutas colhidas e a convidou para voltar ao acampamento.

— Ótima ideia, eu colho e você leva lá pra Lyanna. – Hani disse pegando a cesta vazia do rapaz afim de enchê-la também. – Não se acostumem viu?! Eu não tenho o hábito de ficar colhendo comida pros outros... Apenas optei por isso porque é bem melhor do que ficar pescando ou abanando fogo pra Lyanna.

Hani logo sentiu-se falando sozinha, Gael não estava mais lá, ficou com raiva do rapaz e o xingou baixo. Deu uma rápida olhadela para onde o grupo estava e logo viu o platinado ajudando Lyanna com o fogo onde ela cozeria os alimentos.

— Que rápido. – Disse para si mesma.

Quando enfim voltou a seus novos afazeres, deu de cara com Ethan, o rapaz estava sem camiseta e sorria ao vê-la tentando colher uma Pecha Berry que estava mais alta.

— Vai ficar rindo de que, idiota?! – Hani o encarou rindo de si mesma. – Vai lá e pega isso pra mim, já que quer exibir seu corpinho, mostra que ele é útil.

Ethan a olhou com um pouco de desprezo e em seguida aproximou da loira e deu um forte abraço chacoalhando a garota pra lá e pra cá.

— Ei para! – Hani sorriu e forçou-se para sair. – Não era pra você estar pescando? – A garota lembrou-se. – Tá fazendo o que aqui?

O rapaz sorriu e correu rumo ao acampamento que montavam, Hani o achou estranho e decidida a tirar aquela situação estranha a limpo, pegou a cesta ao chão e seguiu em direção ao acampamento. Por algum motivo sentiu o caminho mais longo, por mais que caminhasse, não conseguia sair do lugar, por alguns instantes tudo começou a rodar, então lembrou-se dos pólens da Floresta, talvez tivesse os inalado demais... Estava alucinando?! Poderia estar presa em um sonho? Que horas aquilo a transformaria em pesadelo?

O corpo pesou e Hani deixou seus joelhos tombarem, estava cansada, o tempo parecia passar mais rápido, quando já estava pensando em deixar o cansaço tomar seu corpo, ouviu um choro, era baixo, mas ainda assim podia o ouvir.

— Quem está aí?! – Perguntou levantando-se, ainda cansada.

Não ouviu resposta, mas o choro continuou, a cada passo tornava-se mais audível. Viu Nekozawa sentada no chão, era ela quem chorava.

— Neko?! O que aconteceu. – Você está machucada?

Hani aproximou-se da amiga, no entanto ela apenas choramingou mostrando o joelho machucado. Hani a levantou, passando o braço da garota por volta do seu pescoço seguiu caminho até a luz que emanava ao fim das árvores.

— Neko, você é pesadinha hein?! – Hani brincou e quando a garota sorriu, assentindo, a loira a jogou para o chão. – Você não é a Neko!

Aquela altura, Hani já havia saído da floresta, o sol já estava claro e seus amigos estavam próximos.

— Meu Deus! Tem duas Neko?! – Gael olhou para amiga ao lado de Ethan e a outra ao lado de Hani.

— Aquilo é... – Ethan balbuciou.

— Um Pokémon. – Nekozawa disse baixo.

A Steenee, o Nidorino e o Ralts de Hani logo correram até sua dona e puseram-se de frente a falsa Nekozawa. Nidorino preparava um ataque quando Hani o impediu.

— Espera, Dian. – Hani disse de súbito. – Você... Você estava tentando me ajudar a sair dali! – Hani exclamou, aproximando-se da falsa Nekozawa. – Quando pegou a cesta com frutas, ou me chacoalhou e correu pra cá... Você estava tentando me tirar dali... – Hani aproximou-se mais ainda e tocou o rosto da criatura a sua frente.

Aos poucos, a falsa Nekozawa diminuiu seu tamanho e forma, mostrando-se um Zorua, o Pokémon assentiu às afirmações de Hani.

— Acho que acabei respirando pólen demais... Talvez... – Hani olhou ao redor e percebeu que passara muito tempo desde que começou a colher berries. – Eu estava quase entrando em sono profundo... – A garota sorriu ao perceber que Zorua a salvara de cair nas ilusões da Floresta. – Obrigada, Zorua! Essa é minha forma de te recompensar!

Sem pensar duas vezes, lançou sua Pokébola, capturando o Pokémon. Os amigos sorriram e Gael ficou aliviado por não existir de fato alguém muito parecida com a Nekozawa que conhecia.

— As capturas da Hani são sempre legais. – Ethan comentou. – Eu jurava que ela agradeceria o Zorua e o deixaria ir embora, como já muitos fazerem com Pokémon.

— Gato, eu lá sou boba de deixar um Zorua escapar? – Hani sorriu sentindo-se vitoriosa.

— Eu pesquei um Magicarp! – Nekozawa sorriu contando de sua aquisição na pescaria.

— Eu não ficaria tão tranquila assim com esse Zorua, tome cuidado. – Lyanna advertiu.

— Eu estou bem com ele. – Hani disse confiante. – Aliás, cadê a comida? Estou faminta depois dessa. – Hani sorriu, sentindo-se grata por Zorua, tinha a sensação que ele lhe ensinou algo além do que ela mesmo imaginava e decidiu que sempre permaneceria com esse pensamento em mente.

 

***

O nervosismo de Daichi com o inoportuno ataque à Ilha de Cinnabar fez com que o trio pausasse seus objetivos até que o rapaz conseguisse entrar em contato com alguém. Seus pais estavam incomunicáveis e sua irmã também estava em sua própria jornada, o que deixava o rapaz ainda mais aflito em busca de respostas.

— Eu vou pra Cinnabar! Podem continuar procurando o Spark, mas eu preciso procurar meus pais. – Daichi disse tentando não pensar no pior.

— Daichi, calma cara! – Acsel esticou seu braço até o ombro do amigo e deu um leve aperto. – Acho que eu posso te ajudar.

— Espera... – Charles disse pegando seu computador. – Podemos procurar por notícias na internet...

Os olhos de Daichi marejavam, teriam de voltar até a cidade de Citolim, para que o rapaz pudesse pegar um navio até sua casa.

— Olha, pelo que vi aqui, não teve vítimas fatais... – Charles disse alto.

— Fatais?! – Daichi olhou preocupado para Charles.

Acsel deu uma cutucada com o pé em Charles e só então o moreno teve noção da forma que falara.

— Foi mal, Dai... – Charles disse sem graça. – Não quis te deixar mais preocupado.

O trio estava parado em Arba City, esperavam Daichi conseguir notícias de sua família para que pudessem seguir viagem. No saguão da grande estação ferroviária, havia uma grande janela ao topo do edifício, uma estrutura arredondada que servia como uma ventilação do local, bem como um local de entrada e saída para treinadores que optam por viajar voando com seus Pokémon.

Foi dessa janela que um desengonçado Pidgeot adentrou, bateu em algumas aras de metal e para amenizar seu pouso, lançou uma grande rajada de vento, derrubando muitos dos transeuntes. Já com as patas em solo, tentou correr entre as pessoas e enfim, quando chegou na frente de Daichi, retirou de uma pequena bolsa, uma carta.

— Esse é o Pidgeot da minha mãe. – Daichi sorriu. – Desajeitado assim, só podia ser. – O rapaz sorriu e fez um leve carinho abaixo do bico do Pokémon.

“Daichi, bebê. Não se preocupe com os noticiários que ver por aí. Papai e mamãe estão bem. O que aconteceu foi que um bando de bandidos roubou algo no laboratório de Cinnabar e pra sair com estilo, fizeram um alvoroço. No entanto, eu e seu pai estamos seguros, apenas estou mandando o Pidg te levar essa carta porque ficamos sem energia aqui. Estamos com saudades!

A Sayuri disse que quer te encontrar aí em Lahen, ela vai pegar um voo para Notengam City, deve chegar em dois dias.

P.S: Vou mandar umas cuequinhas novas pra você, já tem algum tempo que comprei, espero que goste!”

Quando Daichi finalmente terminou de ler a carta, Pidgeot tentava retirar o embrulho enviado por sua mãe, o desajeitado Pokémon puxou o pacote bruscamente, espalhando as cuecas de Daichi pelo chão.

Charles e Acsel não aguentaram e caíram na risada, diversas cuecas com desenhos dos mais variados. Enquanto Daichi tentava as recolher rapidamente, Acsel levantou uma com a estampa de um Luvdisc.

— Ownt, mais que coisinha mais fofa! – Acsel zombou do amigo.

— Essa do Aipom é engraçada. – Charles sorriu.

— Cuidado pra ele não pegar sua banana, Daichi! – Acsel debochou e gargalhou com a situação.

— Ah! Foi engano... – Daichi tentou esconder suas roupas íntimas. – Era pra outra pessoa, esse Pidgeot é maluco. – O rapaz dizia enrubescido.

— Humm... Essa com o Pyroar pode ser pros dias que quiser se sentir selvagem. – Acsel zombava do amigo ao ver as mais variadas estampas de Pokémon em cuecas.

— Chega! – Daichi pegou suas roupas íntimas e as enfiou de qualquer forma na mochila. – Meus pais estão bem... Mas ainda assim, acho que vou ter que seguir caminho sem vocês!

— Porque? O que aconteceu? – Acsel perguntou preocupado.

— Minha irmã está vindo me visitar em Lahen, ela deve chegar em dois dias, em Notengam City. – O rapaz explicou a situação.

— Então está tudo bem? – Charles encarou o amigo.

— Sim.

— Bem, eu preciso encontrar o Spark... – Charles disse determinado. – Por isso preciso seguir para Enobuc.

— Eu sei, amigo! – Daichi apertou o ombro do rapaz. – Espero que o Acsel consiga te fazer descansar hora ou outra.

— Pode deixar... – O sorriso deixou o rosto de Acsel, ficara triste por se despedir do seu novo amigo.

— É só por um tempo, amiguinho. – Daichi brincou com o tamanho de Acsel.

O trio se despediu, separaram-se e cada um seguiu seu rumo.

 

~

 

Algumas horas se passaram desde a separação do trio, agora, Charles e Acsel formavam uma dupla. O trem estava praticamente vazio quando pararam na estação ferroviária da cidade de Enobuc. Já era noite, o local estava praticamente deserto.

A dupla caminhou algum tempo até o Centro Pokémon, cumprimentaram a enfermeira local e ocuparam uma das camas do dormitório. Apesar de ser rodeada por areia, a cidade conseguia manter um clima frio durante a noite, isso devido a capacidade de armazenamento térmico da areia, aquece-se rapidamente e esfria na mesma velocidade.

Na manhã seguinte, a dupla perdera a hora, dormiram demais e quando acordaram, o sol já esquentara a cidade de tal forma que era quase impossível andar muito tempo sem se sentir muito desconfortável.

— Bom dia, Enfermeira... – Charles cumprimentou a enfermeira local. – Por acaso já aconteceu a inauguração do Day Care.

— Na verdade, está acontecendo agora. – A enfermeira respondeu prestativa.

Charles correu até Acsel e o apressou, juntos os jovens enfrentaram a onda de calor e chegaram até o local. Lá estava Spark, confiante e sorridente para o pequeno público.

— A Cidade de Enobuc vem sendo esquecida por Lahen há um bom tempo... Dedicados em mostrar maior importância a vocês, a Equipe Instinct vai instalar uma de suas bases de pesquisa aqui, trazendo treinadores de todos os cantos para usufruir das mecânicas e dos mistérios do que chamamos de Breeding! Nada mais trás maior esperança e amor que o cuidado com uma nova vida, e é baseado nisso que traremos maior visibilidade a esse lugar! Espero que gostem!

 

***

Algumas horas antes...

Ainda era madrugada quando Rickard levantou-se. A passos silenciosos, o rapaz aprontou-se e logo saiu rumo à um local o qual pudesse treinar sem interrupções, encontrou um ponto mais reservado, envolto por grandes pedreiras, um tanto escondido do pequeno público que transitava por aquelas bandas. Pronto para começar um treinamento árduo com seus Pokémon, Rickard liberou seus três monstrinhos para fora da Pokébola. Rufflet ainda dormia, a pequena ave apenas abriu seus olhos ainda pesados e com um salto desengonçado alcançou o ombro de seu treinador, voltando a dormir ali mesmo. Eevee bocejava com os olhinhos semiabertos, mas ainda assim esforçava-se para demonstrar disposição àquela hora, Charmeleon, por sua vez, estava tão desperto como a chama na ponta de sua cauda, Rickard analisou o ambiente em busca de alguma estratégia que pudesse adotar, no entanto logo percebeu que não estava sozinho ali.

Pelo barulho que ouvia, o local estava até bem frequentado. Aproximando-se sutilmente, o rapaz conseguiu identificar um acampamento a céu aberto. As barracas eram grandes e mais pareciam instrumentos de militares, havia trailers espalhados pelo local e diversos Machamp faziam ronda ao lado de seus treinadores.

Um pouco afastado dos demais, havia uma dupla de homens que, pelas vestes, aparentavam um grau acima na hierarquia daquele lugar. Um deles Rickard reconheceu logo de cara, era o mesmo homem que encontrara no Ninho da Águia. As queimaduras em forma de “olheira” e também aquelas na parte inferior de seu rosto até o pescoço eram fáceis de reconhecer. Apesar de não saber o nome do homem, Rickard sabia que dali não viria coisa boa, portanto tratou de se aproximar sorrateiramente por detrás das rochas, afim de descobrir qual o assunto que aqueles dois discutiam.

Sem perceber o intruso, a dupla permanecia com o papo, desprovidos de qualquer tipo de inibição, ambos jogavam aberto um com o outro, enquanto observavam o andamento dos trabalhadores ali presentes.

— Não consegui encontrar as escrituras no Ninho da Águia, o tempo deve ter apagado. – A voz rouca e desprovida de emoções ressoou no ouvido do jovem Montgomery.

— Quantas partes nós temos? – O segundo interlocutor perguntou esperançoso.

— Praticamente nada. – O primeiro disse um tanto desgostoso. – Mas isso não importa agora... Temos que lidar com a vinda do intrometido do Spark.

— Magicamente ele resolveu abrir um Day Care aqui...

— Nesse lugar moribundo?

— Diz que é uma forma de trazer vida...

— Meu ovo. – O homem com queimaduras disse amargo. – Se ele souber da nossa presença aqui, tudo vai por água abaixo.

— Tentei impedir esse Day Care, mas foi difícil, eles também estão com gente do lado deles.

— Isso é uma merda... Ah foda-se, me fale o que tem de interessante aqui nesse fim de mundo enquanto esse povo recolhe o metal...

Rickard esgueirou-se dentre as rochas, aproveitando-se da distração dos demais, conseguiu adentrar o local escondendo-se de trás de equipamentos ou automóveis estacionados. Ao avistar uma barraca vazia, adentrou a instalação e em seguida desceu a tenda que servia como porta.

Rapidamente o rapaz retirou seu celular do bolso, tirou fotos de mapas e arquivos que encontrou na mesa. Charmeleon manteve-se perto da porta, de olho em quem viria do lado de fora, enquanto Eevee farejava por algo que julgasse suspeito.

— Mithril?! – Rickard leu um arquivo deixado com outra papelada. Em seguida pegou um iPad, mas precisava de código para destravá-lo.

O barulho do lado externo se intensificara, o dia ainda não amanhecera totalmente e a pouca luz dificultava a visão do rapaz. Chamou por Charmeleon afim de melhorar a luminosidade.

Do lado de fora, era possível ouvir máquinas trabalhando, o típico som da ré de caminhões e grandes furadeiras passavam a impressão de que algum tipo de construção ocorria ali, no entanto, não era bem isso o que acontecia.

— "Leve e ainda mais duro do que o aço temperado. Sua beleza é como a de prata comum, mas o Mithril não mancha ou escurece." – O rapaz leu baixo os detalhes do estranho metal.

A concentração de Rickard era tamanha que o rapaz levou um grande susto quando seu Eevee se aproximou com uma amostra do metal em sua boca. A beleza era tamanha, bem como seu brilho, era um metal de aparência bela e ao que parecia extremamente valioso. Não foi pensando em remuneração que o rapaz o guardou em sua mochila, Rickard tinha como objetivo mostrar o objeto a seu pai e expor aquela exploração visivelmente ilegal.

No entanto, quando se preparava para sair tão sorrateiro como entrou, foi surpreendido antes mesmo de sair da barraca em que estava.

— Ulysses, temos um intruso! – O homem bradou.

O coração de Rickard disparou, teria de pensar em uma forma de sair dali sem ser pego.

— Eevee, use Dig e tente me acompanhar por baixo. – Rickard disse baixo ao Pokémon. – Rufflet, quando tiver a oportunidade, voe até o Sable Chatteau e chame pelos outros, você me entendeu? – O rapaz olhou sério para a pequena ave que ainda amedrontado, assentiu positivamente. – Charmeleon, nós vamos ter que lutar o máximo possível!

O inicial de Rickard respondeu confiante e positivamente, ambos possuíam um elo notável, bem como grande senso de coragem e determinação em comum, pouco entendiam o que acontecia ali, mas era o suficiente para saberem que não haveria nada de bom.

— Veja só se não é o garoto intrometido do Ninho da Águia. – Enfim Rickard ficou novamente cara a cara com Ulysses, o homem que enfrentara no Ninho da Águia.

— Charmeleon, Dragon Rage! – Rickard comandou, já se desviando do homem que tentara o capturar.

— Vai e use Ominous Wind, Chandelure! – Ulysses liberou seu Pokémon. – Chamem a segurança para pegar esse moleque.

— Charmeleon, Smokescreen! – Rickard comandou. – Agora use Dragon Rage na tenda! – Abrindo um buraco no teto de onde estavam, Rickard criou um local onde Rufflet pudesse sair sem ser visto, no entanto, também criou uma forma da fumaça se dissipar mais rapidamente.

— Chandelure, use Shadow Ball!

— Charmeleon, desvie e use Dragon Rage! – Rickard enfrentou o desafiante de igual para igual.

— Nós não podemos deixar esse verme escapar! – Ulysses gritou ao seu companheiro. – Chandelure, use Shadow Ball novamente.

— Charmeleon, Dragon Rage!

Os ataques chocaram-se, levando a tenda às alturas, dessa forma, Rickard pode ver o quanto estava cercado. Inúmeros homens trajados com roupas pretas e o antigo “R” vermelho estampado em seus peitos mostravam que aquilo ali era mais uma das maquinações da Equipe Rocket.

— Então vocês são da Equipe Rocket! – Rickard encarou seu oponente.

— Decepcionado por não ser recebido por uma apresentação ensaiada? – Ulysses debochou.

— Decepcionado por alguém não ter prendido vocês depois de Arba City. – Rickard respondeu.

— Oh, então você foi um dos pirralhos que bateu de frente com o Gilbert?! Vai ser muito legal te entregar pra ele.

— Você pode até achar, mas... Não vai rolar. – Rickard sorriu confiante. – Eevee agora!

Eevee saiu do solo e atacou Chandelure com um potente Dig. O Pokémon do tipo Fogo e Fantasma sofreu um forte dano e cambaleou para o lado. Enquanto isso, Rickard aproveitou do Smokescreen de seu Charmaleon para assumir uma posição menos desfavorável, mantendo todos seus inimigos à frente.

Longe dali Rufflet voava desesperadamente em busca do grande castelo do Battle Chateau. O pequeno pássaro não sabia se olhava pra frente ou pra trás, estava com medo, não queria perder mais um “pai”, via as rajadas de chama azul lançada pelo Dragon Rage de Charmeleon, via fumaça, não conseguia se concentrar direito. Quando bateu de frente contra um humano, o Pokémon abriu a boca a chorar, tentava fazê-lo entender o que acontecia, apontava com a cabeça e gritava, enfim resolveu voltar para seu dono, aquele humano seria a ajuda que conseguira e teria de bastar.

Quando Rufflet enfim chegou a seu dono, encontrou seus dois companheiros desmaiados no chão, Rickard estava ajoelhado, de sua testa escorria um fino filete de sangue, mas o rapaz ainda mantinha a cabeça erguida, encarava seus agressores friamente, corajosamente, como Rufflet almejava ser. Os olhos de seu dono o encararam e o pequeno se jogou aos braços do mestre, chorando por sua dor e por gratidão em vê-lo.

— Rufflet... – Rickard abraçou-o. – Fique calmo...

— Olha, quando eu descobri que vocês estavam atrás de Mithril, eu apostei com meu amigo, Godric, que vocês iriam pro Arquipélago das Pedras preciosas, já achei muito burro da parte de vocês tentarem tirar esse metal daqui, agora montar um acampamento a céu aberto... Acho que vocês superaram as minhas expectativas... E isso não foi no bom sentido. – O rapaz de cabelos loiros aproximou-se de Rickard e estendeu a mão para ajudar o rapaz a se levantar. – Esse pequeno Rufflet é bem corajoso!

— O-obrigado. – Rickard ficou sem palavras ao estar cara a cara com Spark, o líder da Equipe Instinct.

— Toma, use isso pra recuperar seus Pokémon. – Spark lançou dois itens ao rapaz. – Enquanto isso, eu dou um jeito nesses... caras...

— Dessa vez não vai ser tão fácil, Spark! – Ulysses esbravejou. – Gougeirst, Fearrow hora da batalha.

— Desculpa, Ully, mas eu não estou tão afim de prolongar isso aqui. – Spark lançou duas Pokébolas, um Galvantula maior que o comum assumiu o campo ao lado de um Ampharos. – Galvantula, Sticky Web, Ampharos, Thunder.

Rickard mal conseguiu acompanhar o Galvantula de Spark, o Pokémon rapidamente lançou sua teia em absolutamente todos os Pokémon que estavam fora da Pokébola, não só os de Ulysses, bem como todos os outros que montavam guarda. Unidos pela teia pegajosa de Galvantula, o Thunder lançado por Ampharos atingiu todos os oponentes, desmaiando-os quase que instantaneamente.

— Desgraçado. – Ulysses cerrou o punho. – Isso não vai ficar assim. – O rapaz acalmou-se em seguida.

Spark manteve-se a frente de todos aqueles membros da Equipe Rocket, estava disposto a enfrenta-los quando a figura de um homem alto e pálido surgiu detrás dos demais.

— Sr. Spark. – Disse friamente.

— Naaqir. – Spark bastou-se a dizer. Ambos se encararam seriamente em um respeito mútuo. – Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?

— Me parece que esse pessoal está explorando um material ilegalmente. – Spark pôs-se a frente.

— Me desculpe, Sr. Spark. – Naaqir disse em um tom calmo e pacifico. – Mas... eu posso te garantir que essa exploração não é ilegal... Eu como prefeito da Cidade de Enobuc, emiti o documento de autorização para a Equipe de Pesquisadores do Sr. Rakan fazer o que for necessário dentro da jurisdição da cidade... Acho que o único ato ilegal aqui foi... Seu “equívoco” vamos assim dizer... Adentrar uma instalação particular e atacar violentamente os trabalhadores.

— Isso é mentira! – Rickard tomou coragem em dizer. – Eles são da Equipe Rocket! – O jovem bradou. – Estão planejando extrair esse mateiral... Quando descobriram que eu estava aqui, eles me atacaram!

— Sr. Prefeito, esse moleque deve tá querendo fazer bonito pro Spark... – Ulysses disse com um sorriso malicioso.

— Então porque tem sangue escorrendo da cabeça dele? – Spark perguntou confiante.

— Ele estava por aí, deve ter caído de uma das rochas... Sei lá, não sou babá dele. – Ulysses disse sem se importar em criar uma história convincente.

— Bom, se eles tivessem o atacado, provavelmente esses três Pokémon iriam o defender, não é?! – Naaqir aproximou-se de Rickard e seu trio de Pokémon. – Mas eles me parecem muito bem, não é mesmo?! – O homem sorriu, calmo e frio.

Instantaneamente, Spark lembrou-se dos Full Restore que entregara ao garoto, sentiu raiva de si mesmo naquele momento, perdeu a oportunidade de ter alguma vantagem sobre aquela discussão.

— Ok gente... É o seguinte... – Ulysses tomou frente. – Vocês esquecem o que aconteceu aqui, eu esqueço do ataque injustificado e violento contra minha equipe, e vocês vão embora.

— Você tem certeza?! – Naaqir fingiu preocupar-se com Ulysses. – Isso rende um boletim de ocorrência.

— Não. Podem ir. – Ulysses olhou friamente para Rickard. – Eu entendo que todo mundo quer ser um herói... Mas... Tem que entender que nem tudo e nem ninguém, pode ser salvo toda hora.

Sem mais o que discutir, Rickard e Spark se retiraram, o líder da Equipe Instinct ofereceu-se para levar o rapaz até um local seguro, para conversarem, mas Rickard insistiu que seus companheiros de viagem também participassem, prolongando um pouco o caminho.

Quando enfim chegaram ao Sable Chatteau, Spark levou o quarteto para uma pequena pousada, de volta ao Ninho da Águia.

— Rickard! – Yara disse passando a mão na testa do irmão. – Você está machucado.

— Ai! – Rickard afastou a cabeça da meia-irmã. – E você está apertando. Sai. Eu estou bem. – Disse sério.

— Aqui é um pequeno refúgio que eu possuo. – Spark disse abrindo a porta do local.

Um pequeno chalé, simples e confortável, nada mais que isso, nada comparado aos aposentos do Sable Chatteau, porém naquela região, não havia lugar mais seguro para conversarem.

Assim que chegaram, Spark desajeitadamente tentou fazer um chá para os jovens, mas precisou que Rufus assumisse a cozinha para terem algo para colocarem no estômago. Rickard usou uma toalha para limpar sua ferida enquanto Yara cuidava de seus Pokémon. Amagi por sua vez, não perdeu tempo em dar uma bisbilhotada pela estante de livros de Spark, mantinha os olhos em cada título e os ouvidos estavam antenados à conversa que Spark mantinha pelo telefone.

Assim que todos se organizaram, sentaram-se em roda, Spark demonstrava-se feliz em recebe-los, enquanto os jovens tentavam ao máximo esconder a empolgação, quer dizer, todos menos Amagi, para ela, a presença de Spark não era tão radiante quanto para os demais.

— Ok, não conversamos muito no caminho... Você é o Rickard. – Spark apontou com o indicador. – Você... – Fechou um olho tentando se lembrar do nome do ruivo a sua frente.

— Rufus McGonnal. – O ruivo apressou-se em dizer.

— Isso! Rufus! – Spark repetiu como se tivesse acertado. – Amagi e... Isa...

— Yara! – Yara o corrigiu rapidamente, estava eufórica. – Sou muito sua fã! – Yara sorriu.

— Bom saber! – Spark sorriu simpaticamente.

— Sim eu...

— Ela é muito sua fã e te acha muito lindo. – Amagi interrompeu a loira afim de deixa-la envergonhada o suficiente para parar de falar.

— Não! Não! É-eu... Não! – O nervosismo e a vergonha de Yara deram fim as palavras da garota.

— Você não me acha bonito? – Spark brincou.

— Não! Quer dizer... Não foi isso o que quis dizer... Ai meu Arceus... – A jovem estava tão vermelha quanto um Magmar.

Rickard e Rufus riram da situação que Amagi colocara Yara, mas o momento de descontração logo findou. Spark assumiu uma postura mais séria, assim como Rickard, que passou a relatar tudo o que presenciou na instalação dos Rocket.

Enquanto Yara, Rufus e Spark mantiveram-se atentos e envoltos, Amagi logo se desinteressou, a Equipe Rocket procurava por Mithril, um metal que nada se envolvia com as lendas e mitos acerca de Giratina, que era o que lhe mais era importante naquele momento.

— Até agora, eu não entendo. – Rickard refletiu com Spark. – Nós estávamos em Arba City quando eles invadiram a companhia de televisão... No que as duas coisas se relacionam?

— Nós sabemos pouca coisa sobre as verdadeiras ambições da Equipe Rocket, mas isso não deve ser algo com que tenha que se preocupar, deixe isso comigo. – Spark disse sério.

— Não! – Rickard argumentou. – Olha como eles estão! Eles conseguiram ter o Prefeito do lado deles, você não pode dispensar minha ajuda assim.

— Rickard, Ozah Naaqir não é só o Prefeito da cidade de Enobuc, ele também é o líder de Ginásio. – Spark o informou. – Com certeza ele já gravou o seu rosto, você já está prejudicado aqui, se continuar indo afundo nisso, nunca vai realizar seu sonho, seja ele qual for.

— Então você está me dizendo pra ignorar o que vejo de errado e colocar meus sonhos à frente de qualquer coisa? – Rickard respondeu. – Um tanto decepcionante ouvir isso de você.

— Explorar metal não é lá algo tão errado. – Amagi argumentou.

— Sério?! Amagi?! – Rufus a olhou um tanto incrédulo. – Equipe Rocket, explorando um metal pouco conhecido... Equipe Rocket, atacando violentamente jovens dentro de um prédio...

— O que eu quis dizer é que isso não é bem algo “errado” que se possa ver e se jogar de cara... – Amagi se explicou.

— De qualquer forma... Não é bom se envolverem. – Spark disse numa falha tentativa de tirar os jovens daquele assunto.

— Sinto muito, Spark. – Rickard levantou-se. – Nada contra... mas... Você está errado. Não vou parar minha jornada para investigar a Equipe Rocket, já está mais do que provado que eles possuem membros com excelentes Pokémon, mas pode ter certeza que se nossos caminhos se cruzarem, eu vou tentar impedi-los, eu não sei o que querem, mas pretendo descobrir e impedir que eles possam fazer qualquer tipo de mal que desejam.

— Eu digo o mesmo. – Rufus se manifestou. – No passado eles foram responsáveis por muita crueldade, fechar os olhos pra isso é um egoísmo que não tenho.

— Eu não consigo pensar diferente do Rickard... – Yara disse baixo, um tanto amedrontada. – Mas eu fico pensando do que eles são capazes de fazer... Antes os treinadores podiam sair em jornada mais cedo, por causa da violência propiciada por gente como eles, adiaram nossos sonhos... Eu... Eu ficaria muito mal de ignorar a possibilidade da Equipe Rocket poder destruir os sonhos de tantos treinadores que ainda estão por vir.

— Já vi que vocês estão bem firmes na posição de vocês. – Spark disse convicto e com o coração esbanjando orgulho daqueles jovens. – Tudo bem então... Mas... Vamos fazer as coisas direito então, ok?!

— Como assim? – Rickard perguntou ao rapaz.

— Bem... Em Arba City, a Equipe Rocket planejava controlar um satélite e monitorar qualquer tipo de ameaça contra eles e impedir qualquer infortúnio antes mesmo dele aparecer... Então, pra que nossas conversas não sejam expostas a eles, nós utilizamos o Pelliper Mail, nosso correio particular, quando receberem um, saberão que sou eu.

— Mas você disse “nós”. – Amagi observou. – Quem mais faz parte disso?

— Ah... Srta. Amagi, isso é maior do que imaginam. – Spark sorriu. – Rickard, como primeira missão, quero que ignore o Ginásio do Tipo Terra. Você não vai vencer o Naaqir com esses Pokémon, muito menos depois do que ele viu.

— Então, o quer que eu faça? – Rickard perguntou confuso.

— Leve essa amostra de Mithril para Notengam, lá procure pelo Nikklaus Donner, ele é o líder de Ginásio e também possui estreitos laços com uma equipe especializada nesse tipo de metal. – Spark depositou tal missão ao rapaz, na esperança de poder guiar o caminho do jovem, sem expor aquele grupo a grandes riscos. – Eu mesmo poderia fazer isso, mas como bem sabe, minha presença sempre acaba chamando a atenção e a Equipe Rocket está de olho.

— Então partiremos hoje mesmo! – Rickard disse confiante, sentindo-se um tanto melhor em poder ajudar.

— Vocês precisam ser cuidadosos, ninguém pode saber que estão relacionados comigo, tudo bem? – Spark levantou-se. – Podem ficar o quanto julgar necessário, apenas tranquem a porta antes de sair, ok?! – O rapaz deu um sorriso maroto e entregou a chave para Rickard. – Eu preciso voltar pra inauguração do Day Care, é nossa forma de manter os olhos nesse lugar esquecido. Até qualquer dia! E fiquem de olho no Pelliper!

— Tudo bem! Pode contar comigo! – Ambos apertaram as mãos fortemente.

Após a saída de Spark, os jovens prepararam-se para o novo rumo na jornada, dessa vez, confiantes de que o caminho tomado se tornara mais nobre.

 

~Continua~

 

 


Notas Finais


Discord: https://discord.gg/EDKA3ZH

Informações sobre Lahen:
https://docs.google.com/document/d/1cMozD00rgGHhcfFhCQ8Z25baQunXGfrzOqupMiiJj_g/edit?usp=sharing

Jornal com meus personagens: http://fics.me/15364055

Jornal com o Modelo de Ficha: http://fics.me/15365034

Jornal da Equipe Rocket: http://fics.me/15505716

Personagens Recorrentes: http://fics.me/15723544


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