História Pokémon World - A ascensão de Clítio - Capítulo 18


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Categorias Pokémon, Silent Hill
Tags Interativa, Pesado, Pikachu, Pokémon, Pokémons, Romance, Sangrento, Yaoi, Yuri
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Palavras 4.022
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Muito obrigado por lerem até aqui, se gostarem não se esqueçam de deixar o seu comentário, assim saberei que gostaram e isso ajuda imensamente. Fiquem agora com mais um capítulo :)

Capítulo 18 - Tuteur - parte 2


31/10/2012 - Bill Anolff - cidade Cyllage

 

 

Estávamos no nosso local favorito de treinamento: a Praia das Conchas, uma das praias mais agradáveis da cidade de Cyllage. Julie, Peter, Nick e Ashley treinavam arduamente para a Liga Kalos enquanto eu, Klaus, Tara e Rodrigo ajudávamos com o necessário. 

 

Julie era parada dura. Com algumas sessões de treinamento e lutas-treino, conseguiu evoluir seu Zorua para um vistoso Zoroark, que era muito difícil de ser derrotado. Além do fortíssimo Zoroark, ela contava com uma Ponyta muito competente e um Tropius. Apenas Nick e Peter, experientes treinadores com times fortes conseguiam derrotar Julie, mas conforme os treinamentos ocorriam, a dificuldade deles em derrotá-la aumentava.

 

Enquanto ocorria uma batalha: Ashley, Tara e Julie vs Peter e Nick, me sento ao lado de Klaus, que se dividia entre cuidar da pequena Esperanza e assistir à batalha.

 

- Ei, bebê. - ele me cumprimenta.

 

- Obrigado. - digo, encostando a minha cabeça em seu ombro esquerdo.

 

- Porquê? - ele me pergunta, confuso.

 

- por tornar tudo isso possível - digo - é muito mais do que mereço.

 

- Eu já te falei o que acho dessa sua insegurança - ele diz - você merece o mundo, assim como essas pessoas todas. 

 

 

- Amo você. - dou-lhe um beijo. Ele sempre me fazia sentir melhor. 

 

Até que, velhos conhecidos nossos aparecem logo após a batalha terminar.

 

 

31/10/2012 - Peter Almeida - cidade Cyllage

 

 

Eu e Nick tomamos uma bela surra das garotas. Ashley, Tara e Julie, em uma batalha de 3 pokemons vs 3, nos massacraram. Bem quando a batalha termina, velhos conhecidos nossos aparecem.

 

 

Luke Kannemann, Ash Ketchum, Serena e Piper aparecem na praia, todos sorridentes.

 

- Nos disseram que encontraríamos vocês aqui. - diz Luke, com um sorriso em seu rosto.

 

Dou um abraço em meu carrasco da última liga. Ele estava mais alto e com fios de barba crescendo em seu rosto.

 

- Bom ver você, amigo. - digo, surpreso e feliz ao mesmo tempo.

 

 

Todos se cumprimentam empolgados. Eram queridos amigos que não víamos há meses. Sentam-se conosco, à vontade, Piper brincando com a risonha menininha Esperanza.

 

 

- Viemos ver se vocês fizeram a inscrição no Taça da Cidade de Cyllage. - diz Piper - e o outro motivo é uma surpresa.

 

- Como assim? - pergunta Ashley - não estávamos sabendo que iria ter um torneio...

 

- Foi organizado recentemente - diz o lendário Ash Ketchum  - ocorre daqui há três semanas.

 

 

 

Ele nos explica melhor sobre o torneio: oitavas de final, quartas de final, semifinais e final. Os times de cada pessoa que se inscrevesse seriam analisados, e aqueles melhores avaliados seriam escolhidos para disputar as fases eliminatórias. Decidimos participar eu, Nick, Ashley e Julie.

 

 

Recolhemos nossos pokemons e os acompanhamos até onde  as inscrições para o torneio estavam sendo feitas: um pequeno quiosque na praia. Era uma competição com batalhas de três pokemons, e o título dava uma vaga direta para a disputa da Liga Kalos.

 

 

Eu estava empolgado com a chance de ganhar outro título como treinador pokemon. Após fazermos as nossas inscrições, Luke vem empolgado falar conosco sobre o outro motivo por nos encontrar.

 

 

 

31/10/2012 - Nick Struart - Cidade Cyllage 

 

 

 

- Eu e Piper vamos nos casar. - conta Luke para nós - e viemos entregar os convites para vocês.

 

 

Todos nos surpreendemos com a notícia. Tara foi a primeira a falar:

 

- Meus parabéns! - ela abraça o casal - quando que ocorrerá?

 

- Uma semana antes da Liga Kalos - diz Piper.

 

- Eu e Ash seremos padrinhos - diz Serena, encantada - e Jason também será padrinho.

 

- Por falar em Jason - diz Ash Ketchum - onde ele está?

 

Ninguém do grupo responde prontamente. Imediatamente, consigo elaborar uma resposta:

 

- Ele  está viajando para... buscar uma melhora nas suas... habilidades pessoais.

 

 

 

Julie arregala os olhos.

 

- Preciso... - ela saca uma de suas pokebolas, solta seu Tropius e sai voando com ele.

 

 

29/10/2012 - Jason Beckendorf - Tuteur 

 

Não sei ao certo que horas eu acordei, mas rapidamente me levanto. Abro a minha mochila, como algumas barrinhas de chocolates, tomo um longo gole de água e me preparo para seguir até o sanatório. 

 

Assim que abro a porta, vejo que meu dia não seria nada fácil. Três daqueles esqueletos horrorosos chamados de bestiais estavam devorando os restos do meu perseguidor de ontem, mas assim que escutam o som da porta se abrindo, voltam as suas atenções para mim.

 

Eles largam a carcaça sangrenta e se adiantam em minha direção, rosnando. Rapidamente saco a pistola que peguei na delegacia e começo a atirar. Para o meu desespero, os tiros não surtiam efeito. Acertei-lhes em todo o corpo e eles continuavam a vir em minha direção.

 

 

 

Quando cogito a ideia de sair correndo, porém, sinto algo pular fora de meu bolso. Era a pokebola de Delphox. O mesmo se encontra em minha frente, rosnando de volta para os bestiais.

 

 

- Delphox, não! - eu grito, enquanto ele se preparava para usar o flare blitz.

 

Mas ele avança, com o corpo totalmente coberto de chamas, para cima dos bestiais. No momento que ele acerta o primeiro, esse se evapora em um grito horripilante. O mesmo acontece com os outros dois.

 

 

- Muito obrigado, amigão - digo - mas vou ter que te recolher. Não vou correr o risco de você se distorcer como o Venusaur.

 

Sigo o caminho necessário para o sanatório, atento. Meu medo era o tipo de aberração que me esperava, por isso caminhava rápido.

 

 

Porém, vejo mais um bestial em minha frente. O ser rosnava alto, um som horroroso. Pego a minha metade do selo de Maturim em meu bolso e  seguro com firmeza. Quando ele se adianta para me atacar, algo acontece. Um homem gordão usando mascara de gás o incendeia usando um lança-chamas. Antes de eu pensar em fazer qualquer coisa a respeito, sinto uma pancada forte em minha cabeça, e mergulho na inconsciência.

 

 

———

 

 

Acordo em um lugar com iluminação fraca, e em uma cama muito desconfortável. Percebo que estava com as duas mãos algemadas na cama.

 

Minha visão estava desfocada por conta da pancada que levei na cabeça. Percebo que havia mais alguém no aposento em que eu me encontrava.

 

- Onde estou? - pergunto com a voz débil.

 

- Não é você quem faz as perguntas aqui - responde com grosseria uma voz feminina - de onde você veio?

 

- O que? 

 

- Eu sei que você não é daqui - ela me responde - que é do mundo de fora. Quem é você? O que faz aqui? Porque você tem uma metade do selo de Maturim?

 

- Eu sou Jason - resolvo omitir, por motivos de segurança, o sobrenome Beckendorf - eu sou de Vaniville, e não posso contar o porque estou aqui.

 

 

Era uma garota razoavelmente baixa, com cabelos loiros e curtos, olhos castanhos e pele bem bronzeada. Ela se adianta em minha direção e percebo uma pequena faca em sua mão. Ela sobe por cima de mim na cama, o que,  se eu não estivesse algemado e com uma faca gélida em meu pescoço, seria uma situação agradável.

 

 

- Para eu cortar a sua artéria carótida é muito fácil - diz ela - responda com educação, quem é você e qual o seu objetivo aqui?

 

 

- Eu sou Jason Beckendorf, e estou aqui para pegar a segunda metade do selo de Maturim - respondo, sem escolha.

 

Ela tira a faca do meu pescoço, porém continua por cima de mim, com o rosto a centímetros do meu. Sentia seu hálito quente de quem havia acabado de escovar os dentes.

 

- Beckendorf? - ela pergunta, com uma expressão de surpresa - Parente de Alessa Beckendorf, certo?

 

- Sim - confirmo.

 

- Vou chamar o Grilo, ele vai saber o que fazer... - ela parecia se sentir insegura.

 

 

Ela sai de cima de mim e do quarto, e volta com o gordão que matou o bestial. Grilo me analisa, e depois dá um suspiro.

 

 

- É um Beckendorf sim. Possui o mesmo cabelo negro, os mesmos olhos castanhos e o mesmo nariz de Alessa. O que o traz aqui, garoto? - pergunta Grilo, tranquilamente - não sabe que é perigoso? Se algum bestial te morder, ou qualquer aberração te machucar, Clítio o possuirá mesmo com a posse selo de Maturim.

 

 

Sem muita escolha, respondo com sinceridade. Conto-lhe o que Clítio planejava e que para impedi-lo eu precisaria de um mergulho no Rio Satus, e que para isso precisaria da segunda metade do selo de Maturim, que se encontrava no sanatório da cidade.

 

- Elyse - diz Grilo para a garota - você não vê?

 

- Vejo o quê? - pergunta a garota que descubro que se chamava Elyse.

 

- Uma chance de você sair desse inferno - Grilo diz - diga-me Jason, se Elyse o ajudar no sanatório, você deixa ela acompanhá-lo para fora desse lugar asqueroso?

 

 

- Com certeza. - respondo.

 

 

- E deixar você aqui? - pergunta ela com um tom muito irritado - Sem chance!

 

 

- Ei, gente - digo - detesto interromper a discussão entre vocês, mas vocês podem me soltar das algemas? Meus braços doem.

 

Grilo me solta das algemas usando uma mini chave. Permaneço deitado, pois minha cabeça doía fortemente.

 

- Quando quiser se juntar a nós, estaremos jantando. Recomendo que nos acompanhe. - diz Elyse - Sou Elyse Witsel, esse é Kingsley Uri, mas o chame de Grilo.

 

 

Eles descem discutindo enquanto eu permanecia deitado, com a cabeça girando. Depois de um tempo eu me levanto e desço as escadas que Elyse e Grilo desceram. Eles estavam em silêncio à mesa de jantar.

 

 

- Coma - Grilo me chama - você parece faminto.

 

E ele estava certo. Eu estava morrendo de fome. Me sento à mesa, uma grande lata que continha macarrão com frango e legumes me aguardava. Coloco em um prato e começo a comer.

 

 

- Jason, com o selo de Maturim completo, você consegue sair da cidade - Elyse começa a dizer - se nós o ajudarmos a conseguir a segunda metade, pode nos tirar daqui junto com você?

 

- Claro - respondo de prontidão - contanto que não acerte de novo uma pá em minha cabeça.

 

 

Nós três rimos do que falei.

 

 

- Me desculpe por isso - ela diz com sinceridade, olhando nos meus olhos - não sabíamos quem você era, e a maioria das pessoas daqui que participam das seitas gostam de capturar sobreviventes para rituais.

 

 

- Sobreviventes... - digo, pensando na palavra - Então é verdade tudo o que dizem, que Alessa causou um terremoto aqui, e que junto com esse terremoto a maldição foi lançada sobre a cidade? Sobreviventes desse dia? 

 

- Sim. - ela confirma - aproximadamente duas mil pessoas, segundo boatos.

 

- Sabe - Grilo começa a dizer - se estivéssemos em uma Fanfiction, acho que vocês dariam um belo shipp, daquele tipo que disputa com outro grande shipp.

 

- O quê? - eu e Elyse perguntamos juntos, sem entender o que Grilo disse.

 

- Nada. - diz ele, risonho.

 

 

 

Ajudo Grilo e Elyse com os pratos e copos, depois vamos para a sala, sentamos em um dos sofás. Era um aposento pequeno, iluminado à luz de velas, com todas as janelas cobertas por tábuas de madeira e com panos para esconder o interior da casa. Eu e eles conversamos, e após certo tempo, Grilo, com sono, vai dormir. Ficamos eu e Elyse conversando.

 

 

- Se conseguirmos escapar do sanatório - Elyse começa a dizer - e sairmos daqui... Mal posso esperar para conhecer o mundo. Sempre quis saber como era uma praia.

 

- Com isso eu consigo te ajudar - digo, me virando e olhando para ela - moro em uma cidade de praia.

 

 

- Sério? - pergunta ela, com os olhos iluminados.

 

- Sim. - confirmo - mas apenas se você prometer não me bater com uma pá novamente.

 

- Feito, se você não me irritar mais do que está irritando hoje.

 

Ela diz isso com uma expressão de riso muito fofa. Ficamos um tempo nos encarando, era aquele tipo de silêncio em que nada precisava ser dito. Começo a reparar o quanto ela era linda. O seu bronzeado conseguia aumentar ainda mais a beleza daquele rosto de garota séria. Era tão linda que chegava a doer. Não combinava com aquele ambiente horroroso em que, quando uma sirene ecoava pela cidade, duas dimensões se misturavam. Apesar de tudo tinha muita vontade de continuar irritando ela.

 

 

Conversamos mais um pouco, e descubro que ela nasceu naquele inferno. Penso no quanto ela devia ser forte emocionalmente por sobreviver em um buraco daqueles. Enquanto conversávamos, um barulho de algo metálico grande caindo distante na rua podia ser ouvido. Eu fico assustado, porém Elyse não se preocupa.

 

 

- É um daqueles bestiais nojentos - ela diz - não se preocupe.

 

Me levanto do sofá e vou até a janela.

 

 

- Eu não faria isso - diz ela - a luz pode atrai-los.

 

Abro o pano muito pouco, a ponto de caber apenas meu olho esquerdo na fresta. Vejo os bestiais arrastando uma lataria de carro muito antiga e enferrujada. Fecho o pano para eles não nos verem.

 

 

Fico em silêncio por alguns segundos, mas ela puxa assunto comigo e voltamos a conversar. 

 

- Me contaram que quem entra aqui não sai - digo - como isso funciona?

 

- Depois que você entra, um abismo surge no lugar onde ficava a estrada. É como se a cidade flutuasse entre duas dimensões. - explica Elyse.

 

Após certo tempo de conversa, nós dois decidimos ir dormir. Durmo no quarto em que fui algemado.

 

Acordo com Elyse me chamando. Ela usava uma mochila que parecia cheia, aparentemente estava pronta para deixar aquela cidade maldita. Uma expressão de ansiedade estava em seu rosto.

 

 

Tivemos um desjejum consistente em barrinhas de cereais, frutas com mel e café propriamente dito.  Comemos em silêncio. Obviamente, a ideia de invadir um sanatório nos assustava.

 

 

Saímos também em silêncio da casa em que Elyse e Grilo moravam. Caminhamos por aproximadamente vinte minutos sem grandes problemas(pois estávamos armados) até chegarmos ao sanatório. 

 

 

Era uma construção antiga com aproximadamente 14 andares. Um prédio cinzento que se agigantava diante de nós, tendo uma aparência de construção abandonada.

 

 

- Tem certeza que é aqui? - pergunto - está parecendo que é abandonado.

 

 

- Não se deixe enganar pela aparência do local - diz Grilo, tenso - a mesma instituição que queimou Alessa viva comanda esse local. Está superlotado, e vamos ter muito trabalho. Vamos pegar o mais rápido possível, e lembre-se de não escutar o que os internados falam. Eles estão insanos.

 

 

A porta estava destrancada, simplesmente entramos. Assim que entramos, o cheiro nos atinge em cheio. Um odor avassalador de excrementos humanos, sangue e podridão. Era um grande corredor com duas celas como paredes.

 

 

Caminhamos por cerca de quatro metros até que tudo começa a ficar assustador.  Dentro das celas estavam os internados, que ao nos ver, se amontoam em cima das barras, tentando nos pegar de qualquer jeito. Elyse se assusta e me agarra nesse susto.

 

 

Braços completamente feridos tentavam nos agarrar. Não chegavam nem perto, mas era horripilante. Quando estávamos chegando ao fim do corredor, algo acontece.

 

Um imenso facão, do tamanho de uma pessoa, passa pelo lado esquerdo do corredor de celas, cortando diversos braços e lavando o corredor de sangue. Os internados gritavam de dor e agonia ao ter seus membros arrancados com violência. Os do lado oposto do corredor, ao verem o que aconteceu,  escondem seus braços para dentro da cela.

 

No fim do corredor, estava uma figura imensa já conhecida por mim. A entidade que matou Misty. Era...

 

- Valtiel. - diz Grilo, com a voz trêmula.

 

- O braço direito de Clítio. - completa Elyse, também muito assustada.

 

 

Eu ergo a minha pistola em direção à entidade, mesmo sabendo que não surtiria muito efeito. Porém, o ser fica estático nos observando.

 

 

- Ele está nos dando passagem. - observa Grilo.

 

Seguimos andando passando ao lado da entidade. Andamos por um corredor diferente do que estávamos. Era composto de portas de ferro com os nomes dos pacientes internados. Paramos na frente de uma que estava escrito “ Ignotus Beckendorf “.

 

 

- Eu entro sozinho, vocês me dão cobertura. - digo, decidido a não deixar Elyse e Grilo correrem mais riscos.

 

- Jason... - Elyse começa a dizer.

 

Não posso deixar vocês correrem mais risco do que estão correndo. E outra, eu consigo lidar com o meu parente. Cuidem para que as criaturas e os insanos não me atrapalhem.

 

 

 

Eles compreendem. Abro a porta e entro. O que me recebe era algo completamente diferente do que eu imaginava. Imaginei que toparia com um ambiente em que um verdadeiro louco habitava, sujo, nojento.

 

Porém, o que vejo era completamente diferente. Era um ambiente muito parecido com um apartamento pequeno. Estava muito limpo, e possuía um cheiro muito agradável de lavanda. No meio havia uma mesa, e nela sentava-se um homem muito branco com cabelos negros e compridos. Estava de costas para mim.

 

 

- Muito agradável a minha prisão, não, Jason? - pergunta o homem, sua voz denunciava o quanto ele era velho - protegi esse local dos horrores de Clítio com uma mágica poderosa dessa metade do selo de Maturim. O cheiro que você sente é o da pessoa que a sua alma define como amor.

 

 

Paro e penso. Quem eu amava que cheirava a lavanda?  Julie usava um perfume completamente diferente do cheiro daquele ambiente... Fico ainda mais confuso ao ver que possuía uma assadeira com uma pizza à mesa, junto com dois pratos, um à frente de cada cadeira.

 

- Sente-se - ele me convida - coma, a pizza está uma delícia.

 

 

 

Hesitante, caminho até a cadeira que estava livre e me sento. O rosto de Ignotus Beckendorf mostrava que ele era tão velho quanto a lua. Fico calado, sem saber o que dizer ou fazer.

 

 

- Estava esperando você há muito tempo - ele me conta, com o garfo cheio de pizza a meio caminho de sua boca - coma um pedaço de pizza. Deve estar faminto.

 

Me sirvo de um pedaço de pizza. A aparência e o cheiro estavam maravilhosos. Uso o garfo e a faca que estavam na mesa para cortar um pedaço e como. Estava realmente muito boa. Consigo identificar que era de queijo e presunto.

 

 

- Não entendo... - começo a dizer após alguns instantes em silêncio - essa é a parte que você me mata?

 

- Jason, eu sou antigo, muito antigo. - ele me diz, ignorando o que eu disse - Você sabia que é por minha causa que Clítio atormenta a nossa família?

 

- Se me permite perguntar - digo - qual a sua idade?

 

 

- Não consigo mais me lembrar - ele diz - Mas essa não é a pergunta mais importante, Jason.

 

 

- Porque é por sua causa que Clítio atormenta nossa família? - pergunto.

 

- Garoto esperto - ele me elogia - eu nasci morto, Jason. Há mais de três mil anos, eu fui uma criança natimorta. Para me trazer de volta à vida, meus pais, reis de uma importante cidade-estado, roubaram a criança de uma de suas criadas, e ofereceram a Clítio. Assim, nossa família se vinculou intimamente com Clítio. O que tenho a te contar, Jason, é que a família da criada, a família Goretzka, também possui relação com Clítio. Seus descendentes ainda existem, e sempre estão ajudando Clítio contra os Beckendorf. Precisa tomar cuidado, fique atento com quem você acha que está do seu lado.

 

Eu apenas escuto, sem saber o que dizer. Absorvo cada palavra que aquele homem falava.

 

 

- Clítio quer dominar todo o mundo pokemon - conta Ignotus - e quer usar você para isso. Algo em você é diferente de todos os Beckendorf. Se ele conseguir com você o que conseguiu com Alessa, ele transformará o mundo em uma escuridão infinita. Para impedi-lo, você precisará disto. - ele diz isso deixando um objeto redondo metálico na mesa.

 

A segunda metade do selo de Maturim se materializa acima da mesa, ao lado da pizza.

 

 

- Você vai... me dar ele? - pergunto, confuso, esperando que houvesse trabalho para pegar a metade.

 

 

- Jason, Clítio se voltou contra Arceus - conta Ignotus - não posso simplesmente deixar que uma criança mimada se volte contra o pai e destrua o nosso mundo. Agora vá, o rio Satus lhe aguarda.

 

 

Pego o objeto e o guardo junto com a primeira metade na minha mochila. Levanto-me para sair.

 

- Muito obrigado - digo.

 

- Sei que você consegue fazer dar certo, Jason. Por isso entrego essa responsabilidade a você. - ele responde com serenidade.

 

 

 

Saio do aposento e encontro Elyse e Grilo. 

 

- Consegui a segunda metade do selo - conto para eles - nós vamos sair daqui.

 

Uma lágrima solitária de alegria rola pelo olho direito de Elyse. Ela se adianta e me dá um abraço apertado. Cheiro a sua nuca e percebo que ela tinha o mesmo cheiro da sala em que conversei com Ignotus Beckendorf. “O cheiro que você sente é o da pessoa que a sua alma define como amor.”. Lembro que ele disse.

 

 

- Elyse, Grilo - chamo os dois- precisamos sair daqui antes de unir as duas metades. Não podemos correr o risco de uma dessas aberrações vir junto conosco.

 

 

Os dois concordam e seguimos pelo mesmo caminho de quando entramos. Saímos para a rua deserta. Paramos no meio dela e eu abro a minha mochila, pego as duas metades e...

 

 

- Você não vai tomar o meu lugar! - escuto um grito com uma voz demoníaca.

 

 

Com um calafrio horroroso na coluna, viro para trás para ver quem disse isso. Era uma garota de aproximadamente dezoito anos, estatura média, com cabelos curtos e negros, olhos escuros como a noite. Eu reconheci na hora que era...

 

Alessa. - digo. Reconheceria um Beckendorf a quilômetros.

 

- Olá, parente. - ela diz a última palavra com visível desgosto.

 

- Em que posso ajuda-la? - pergunto, tentando soar o mais descontraído possível diante do olhar de ódio da garota.

 

- Você... Não... Vai... tomar... o meu... LUGAR! - ela urra a última palavra, e de trás dela uma grade de portão sai voando para cima de mim.

 

 

Enquanto o pedaço gigantesco de ferro voava em minha direção, percebo que o fim se aproximava. Fecho os olhos e espero o inevitável. Porém, uma movimentação brusca no meu bolso chama a minha atenção: Gardevoir sai da pokebola.

 

 

Observo, sem ação, quando Gardevoir usa a força de sua mente para desviar o ferro para longe de nós.

 

 

- Gardevoir! - eu grito, com medo de minha pokemon ser ferida. 

 

A recolho rapidamente para não ter chance de Alessa acerta-la. Escuto Alessa rindo descontroladamente do que acabou de fazer.

 

 

Me levanto, sentindo o maior ódio que senti em minha vida. O que eu fiz foi sem pensar e automático. Olho para ela e imagino ela sentindo a pior dor que sentiu na vida. Dito e feito: ela começa a se curvar e segurar a cabeça, urrando de dor.

 

Eu não sabia como estava fazendo aquilo, mas intensifico. Seus olhos começam a sangrar. 

 

 

Antes de eu poder aumentar meu poder sobre ela, uma nuvem negra se materializa entre nós dois. Depois que a névoa escura se dispersa, uma conhecida figura aparece. Clítio, ainda mais alto, sem o capuz. A entidade sem a roupa que o escondia era ainda mais horripilante: a pele branca toda ferida, o rosto cadavérico com olhos amarelos, mas o mais assustador era que a túnica escondia asas. Ele tinha um par de asas negras de corvo.

 

 

Uno rapidamente as duas metades do selo de Maturim, Grilo e Elyse se juntam a mim, e nos teleportamos para longe daquele inferno. A última coisa que ouço foi o grito de ódio que Clítio deu.

 

 

Nos teleportamos para a cidade de Vaniville. Mais especificamente para a minha antiga casa, na qual eu fugi. O mais surpreendente era que havia uma pessoa lá nos aguardando com um Tropius ao lado. 

 

 

Era Julie.



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