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História Polaroid Effect - Capítulo 6


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Notas do Autor


Ei, vocês!

Vamos fazer isso, toda terça vou atualizar. ;)


Sem mais,
Boa leitura. <3

Capítulo 6 - Aquele do trabalho que um milhão de garotas dariam a vida


Fanfic / Fanfiction Polaroid Effect - Capítulo 6 - Aquele do trabalho que um milhão de garotas dariam a vida

 

Se estava procurando por elegância imediata, magreza exagerada, sofisticação em alto padrão, moda incrivelmente atualizada, e beleza arrebatadora de corações em pessoas de verdade? Bem, era só dar uma espiadinha no hall de um dos prédios mais imponentes, localizado no centro de Gangnam. 

Existiam cerca de quatro portas giratórias, compondo a fachada inteiramente de vidro espelhado do projeto arquitetônico moderno, impedindo que o fluxo demasiado de gente transcorresse livre por ali. O som dos seus próprios sapatos Christian Louboutin ia de encontro ao piso de mármore escuro do empresarial. Soava agradável demais para ela. Seus passos eram acelerados para uma caminhada normal, embora devagar para uma corrida que esbanjasse deselegância. 

 

Passava por uma pequena aglomeração de garotas de pernas compridas, todas apressadas com suas bolsas e roupas: Prada! Gucci! Versace! Estava tão acostumada com aquele universo, ao contrário da grande maioria das pessoas que só podiam ver o desfile pela mídia social.

Jennie amava tudo isso! 

Cresceu entre as pessoas mais influentes da moda até sua mãe ganhar prestígio demais e sair de um cargo de mera assistente de um designer e se tornar Miranda Kim a Diretora Chefe de Redação da revista Vogue Korea – a mulher que praticamente ditava toda a indústria. 

De fato! Kim era sem dúvida uma das diretoras de revista mais poderosa e importantes do mundo. 

 Do mundo! 

A chance de trabalhar para ela... de observá-la editar e se reunir com escritores, fotógrafos e modelos famosos, de ajudá-la a realizar tudo o que ela realizava diariamente. Bem... Jennie não precisava dizer que era algo pelo qual um milhão de garotas dariam a vida. 

E apesar de ser uma jovem um tanto excepcional, além do bom gosto refinado, saltou alguns passos na frente por ser filha dela. Ganhou o direito de ser sua estagiária, leia-se assistente pessoal. 

É claro que isso não fez ela ser descansada, muito pelo contrário, trabalhava o dobro, certificando de dar o bom exemplo e ser inquestionável para aquela posição. 

Contudo, possuía o conhecimento de que a maioria das pessoas 'normais' achavam torturante fazer o que ela fazia, e até adquiriam vícios como fumar e perder cabelos no mundo estressante da jornada cotidiana ao lado da sua chefe, afinal, qual era o ser humano que aguentava existir em função dela, que vivia gritando ordens e solicitações e exigências em um ritmo frenético, das sete da manhã até, finalmente, ter permissão para ir embora às nove da noite? 

Por isso Miranda trocava de assistentes como trocava de roupa, mas para Jennie, seu trabalho era seu parque de diversão. 

Se não estivesse correndo contra o relógio, até pararia para conversar com Park Sooyoung, mais conhecida por seu nome artístico Joy – modelo em ascensão, que acabara de passar por ela, e, acenar com a cabeça com tamanha simpatia em um nítido convite para um diálogo mais demorado, talvez até um lanche. 

Era uma das garotas mais bonitas que já tinha visto e acreditem! Ela trabalhava com muitas. Mas Jennie nunca misturava trabalho com conquistas, mesmo sendo uma conquistadora nata.

Mas o barulho estridente do seu celular roubava sua total atenção. Inclinou a cabeça para baixo, visualizando com dificuldade a tela grande do aparelho brilhar e vibrar entre seus dedos magros e de unhas, devidamente, feitas e pintadas. 

Era a 638473 vez apenas naquela meia hora que precisou cruzar quase o bairro inteiro de Cheongdam. Foi um recorde! Da última vez que precisou fazer aquilo – semana passada, o motorista da sua mãe levou cerca de 45 minutos. 

O nome Chahee piscava e seus olhos reviraram em uma volta completa pela órbita por trás do seu óculos escuro. Até atenderia se não tivesse tanta dificuldade de equilibrar o café enquanto se esforçava para segurar sua bolsa da Chanel e, pelo menos, cinco cabides em capas protetoras transparente de plástico.

Precisou passar pela pequena porta ao lado das travas de segurança, seria uma missão impossível administrar tudo aquilo e pegar seu cartão de dentro da bolsa. 

Claro que não precisou se identificar, quem em sã consciência não saberia quem ela era naquele prédio. 

Assim que deu o primeiro passo para fora do elevador, no último andar, Chahee surgiu por detrás das portas de vidro atônica demais. "Jen... você está muito atrasada!" 

Uma saia de couro até a metade da perna comprida pendia de seus quadris, e seu cabelo castanho escuro desalinhado estava preso em um coque descuidado, mas ainda assim charmoso, no alto da cabeça. Sua pele era branca demais, sem sequer uma única sarda ou mancha, e perfeitamente lisa sobre as maçãs do rosto em uma maquiagem impecável. 

"A minha professora passou um trabalho nos últimos minutos da aula, não consegui sair mais cedo!" A afirmação saiu em um tom de voz baixo, pois Jennie fez um esforço sobre humano para, em um solavanco, ajeitar as peças que escorregaram do seu braço. 

"Ai, meu Deus! Me deixa te ajudar." Disse, pegando os protetores. "Não sei como você aguenta, fazer faculdade e ainda viver em função da Miranda... uma guerreira!"

Jennie encheu o peito e soltou o ar com um suspiro longo. "Está mais perto do que longe, faltam apenas quatro períodos". Depois riu com desdém. "E você sabe...Porque eu adoro! Um milhão de garotas..."

A voz da sua amiga se misturou a sua e a ajudou a completar a frase: "... Dariam a vida por isso!"

Ambas riram. 

"Cadê ela?" Jennie perguntou quase em êxtase se sentindo mais leve quando a mais velha e editora do departamento de acessórios terminou de pegar as capas da sua mão, a livrando de todo aquele peso de grife. 

"Saiu... por isso precisamos correr para montar o look." Afirmou logo fazendo uma pausa para examinar, cuidadosamente, o material. "Pelo amor de Deus, você trouxe tudo?"

"Calma..." Jennie pediu dando um gole no seu café antes de continuar a resposta. "Sim! Está tudo aí..."

Kim seguia a editora e grande amiga ao mesmo tempo que encarava por detrás do vidro fosco a sala da diretora vazia, e, em seguida o espaço de grandes dimensões em tonalidades cinza, branco e preto, onde cada qual estava em suas mesas, imersos aos trabalhos para perceber sua presença ali. Até se ver em pé na sala dela, um espaço amplo com imensas janelas e fortemente iluminada. 

Chahee levou as peças de roupa e gentilmente colocou sobre a mesa comprida no canto da sua sala, sobre um carpete escuro quase disfarçado sobre o piso de porcelanato. Depois começou a retirar as saias, uma por uma da Celine, dispondo-as em um círculo sobre o móvel. 

 

 

*

 

 

Era um dia bem gélido para o fim de março. 

Perdeu quase a tarde inteira percorrendo de um estúdio para outro cumprindo as exigências da sua mãe. 

No final do expediente, se deslumbrou com o primeiro engarrafamento do dia e levou cerca de uma hora apenas para andar quinze quadras na área central da cidade para o estúdio da Celine,  porque Miranda Kim havia decidido que preferia calças ao invés das saias. 

Seus passos foram breve ao cruzar a calçada.

O céu ainda estava claro, embora o tipo de luz do fim de tarde não trazia incômodo para os olhos estreitos e em formato peculiar de gato. Suas bochechas  redondas apresentavam uma coloração avermelhada, queimada pelo vento e seus cabelos quase não se mexiam em um rabo de cabelo elegante.

A tarde já estava virando noite e ela não havia comido nada durante o dia inteiro. A única refeição decente que se lembrava tinha sido seu café da manhã. Estava com fome. Tanto que sentia sua barriga vibrar.

Quando perguntou por Jimin na recepção do sexto andar, um garoto adorável de cabelo rosa, nem um dia mais velho do que vinte anos, desceu pulando a escada. 

"Oi!" Gritou ele, estendendo o som por alguns segundos. Depois fez uma pausa fincando a testa em uma leve confusão. "Você deve ser... Jennie." 

Sorriu simpática sem mostrar os dentes, confirmando a suposição dele. 

"Pensei que uma das novas assistentes da Miranda que iria vir pegar as peças..." Adicionou, mas logo suavizou a expressão dando a ela um sorriso largo e um tanto sedutor. 

"Ela realmente iria... se ela não tivesse pedido as contas no começo da tarde..." respondeu casualmente, dando de ombros.

Parecendo um tanto hipnotizado pela figura da garota parada na frente dele, examinou minuciosamente suas roupas, tanto que nem notou o silêncio se instalar. 

Ela usava um conjuntinho de calça de alfaiataria, e um cropped estilo terninho de manga comprida, ambas as peças de tonalidade cinza grafite. Unindo o puro charme clássico com o social. 

Jennie obviamente percebeu que o menino era gay e só estava interessado em suas roupas, e então a linha acima dos seus olhos se moveu, erguendo uma sobrancelha perfeitamente desenhada e pigarreou. 

Jimin saiu do seu estado hipnótico e moveu rápido a cabeça para tirar os cabelos dos olhos. Depois ganhou novamente um ar animado e bateu as mãos uma na outra. "Certo!"

Ele puxou uma bolsa de plástico volumosa debaixo da mesa que separava ambos e derramou seu conteúdo na mesma. Devia ter parecido muito intrigada, porque o rapaz virou-se de costas, intencionalmente, rearrumando as roupas na bolsa e disse. "Algo errado?"

"Hm..." Jennie comprimiu os lábios um no outro. "Eu só preciso dessa." Pareceu processar alguma informação, contraindo o rosto em uma careta, ao mesmo tempo que passava a mão delicadamente nas peças ainda expostas. "E essa aqui! A verde-oliva e estonado. Pensei que ela havia sido clara". Acrescentou levantando a vista para o garoto que olhava atento para ela. 

"E foi, me desculpe..." Admitiu. 

Jennie gesticulou com a cabeça e forçou um sorriso. "Tudo bem..."

A instrução seguinte, e graças a Deus a última do dia, foi a de Chahee. A editora pediu para ela pegar um short Off-white que Miranda estava desesperadamente precisando e foi involuntário conter o sorriso quando viu que tinha escrito Chanel na mensagem de texto. 

Assim pediu ao motorista de tantos anos da sua mãe para se dirigir a sua loja preferida. 

O salão privado estava fechado naquela altura, mas para Miranda não existia essa palavra, tudo estava aberto e disponível para ela, mesmo sendo de madrugada ou ocorrendo alguma calamidade pública no momento. 

"Não pretendo demorar muito por aqui, mas... deve dar tempo de você comprar algo para você." Disse inclinando o corpo entre os bancos, enquanto sua mão o tocava gentilmente no braço revelando uma gorjeta. 

O homem maduro encontrou seus olhos de gato pelo pequeno retrovisor no meio do carro e automaticamente franziu o cenho, mas acompanhou quando a jovem kim apontou com o rosto para uma delicatessen, quase no final da rua. 

Seu queixo caiu, mas prontamente se recompôs em uma postura rígida. "Devo comprar alguma coisa para a senhorita?"

A tentação dela foi grande, estava morrendo de fome, e, para reforçar ainda mais aquilo, seu estômago se contorceu dentro dela, mas nada que poderia ter ali, parecia ser livre de gorduras e zero de carboidratos. Então apenas negou com a cabeça. Preferia comer em casa, seria mais... seguro. 

Apenas uma vendedora mais velha, cujo a plástica tinha deixado seus olhos parecendo ranhuras, estava presente e, assim que a garota iluminou o ambiente com sua presença arrebatadora, a mulher lhe deu um short branco justíssimo de cotton-lycra, tamanho x, preso a um cabide e coberto por uma capa de veludo. 

Jennie mirou o short, que parecia não caber em uma criança de seis anos e, depois, de volta para a mulher. Puxou o ar em volta expandindo o peito, e seus olhos reviram com tamanha força que pareciam que iriam sair do seu globo ocular. 

"Pensei que fosse Off-White..." Sua voz soou firme e apesar de estar estressada, saiu controlada. 

A vendedora hesitou, mas alternou a vista para a peça e o rosto de traços bonitos de Jennie. "Existe alguma diferença?" 

"Bem..." Fez uma pausa tentando se recompor da fúria naquele momento... evidente. "Se a senhora não sabe essa diferença, me pergunto como conseguiu esse emprego..." Acrescentou de maneira hostil. 

Estava morrendo de fome, e agora acabara de se dar conta que precisava de um short Off-White. 

Pobre vendedora! Mal sabia ela que iria precisar fabricar um...

 

 

 

Já era tarde quando Jennie andava pelo caminho estreito que dava a sua fraternidade, segurando consigo sua bolsa de marca e algumas sacolas no seu antebraço.

Assim que fechou a porta atrás de si estranhou a escuridão e o silêncio. Era uma sexta feira à noite, e geralmente naquele horário as meninas ou estavam começando alguma festa, ou estavam desfilando pela sala enquanto se arrumavam para uma. 

Sua testa franziu enquanto passeava os olhos pelos cômodos escuros, mas identificou uma pequena claridade no final do corredor e marchou para lá. 

Seu rosto com uma expressão um tanto séria e cansada suavizou e o canto da sua boca se levantou em um pequeno sorriso. 

Jisoo estava na ponta da grandiosa mesa de jantar, os cotovelos estavam apoiados nela. Suas mãos estavam segurando algumas cartas deixando só a linha acima do seu nariz exposto. Seus olhos estreitos passeavam por elas esbanjando concentração. 

 O lustre que pendia em cima de luz amarela trazia até uma áurea séria demais para a menina que Jennie sabia que era apenas uma fachada. 

Não conhecia alguém mais elétrica e idiota como sua melhor amiga. Jisoo simplesmente não conseguia ficar quieta por um segundo. Enquanto ela era chata demais com sua pose autoritária e de poucos amigos, Soo estava sendo legal, tão simpática que chegava a ser irritante. Mas era inegável que uma completava a outra. E Jennie tinha total propriedade em afirmar aquilo.

A conhecia da época do ginásio. Desde então, a vida deu um jeitinho de mantê-las ligadas; seja pela entrada na faculdade, seja pela necessidade de estarem fazendo parte uma da vida da outra.

O fato de possuirem a mesma idade, o mesmo sobrenome ajudou no processo, embora a simpatia e a afinidade foi imediata. Elas se tornaram inseparáveis ao ponto de conhecer cada inflexão de voz, cada olhar, cada sinal.

No entanto, diferente da amiga, Soo optou fazer cinema, mas a escolha da mesma irmandade equilibrou o fato de assistirem, pela primeira vez, aulas em turmas separadas. 

 

Kim Jisoo se esforçava para mostrar seriedade para as outras cinco meninas que fazia parte da fraternidade. Até Irene ao seu lado bater com uma das mãos em seu braço. "Soo, inferno! Escolhe logo!"

Seu sorriso logo estampou seus lábios em formato bonito. "Hm... 'Salve-me quem puder!'" Murmurou. "Essa é a minha dica!" Acrescentou, alargando o sorriso. 

"O que vocês estão jogando?" Jennie interrompeu colocando as sacolas na outra ponta da mesa.

"Jendeukie!" Jisoo gritou animada finalmente percebendo a presença dela. "Quer jogar? Ainda estamos na primeira rodada..." acrescentou. 

"Dixit?" Perguntou estreitando os olhos em direção ao tabuleiro repousado no meio da mesa, depois viu a caixa do jogo ao lado, confirmando sua dedução. Depois meneou a cabeça. "Estou morrendo de fome." 

Levou uma das mãos ao calcanhar e precisou se apoiar no encosto da cadeira enquanto desencaixava seu scarpin, repetindo o mesmo gesto no outro pé. Descalça, migrou para a cozinha ao lado, o que separava os dois cômodos era apenas a bancada. 

"A gente pediu sushi..." Irene interrompeu a busca da garota por algum prato de salada que preparou antes de sair de casa na geladeira. 

Diferente de sua amiga de longas datas, conheceu Bae no primeiro ano de faculdade. A menina de beleza estonteante cursava medicina, estava no fim do seu internato e vinha de uma família extremamentetradicional, um tanto conservadora. 

Mas isso não impediu de se tornarem amigas, inclusive apesar de toda aquela imagem de arrogante de garota criada em berço de ouro, Joohyun podia ser um tanto afetuosa e, havia criado e nutrido quase uma relação materna para as meninas, até por ser mais velha. 

Sentia quase uma obrigação cuidar delas quando se esbarraram na fraternidade há alguns anos, ainda, sendo calouras. 

Jennie apertou os olhos com força. Mas era sua comida preferida, além de ser uma sexta feira... podia se dar ao luxo de comer algo fora da sua restrição alimentar, não podia?

"Vamos, Jen. Você já está magra demais e hoje é sexta-feira..." A presidente da irmandade insistiu. 

"Ok!" Jennie emitiu quase em um gritinho fechando a porta da geladeira. Mordeu o lábio inferior ao mesmo tempo que encarava a garota sentada. Raciocinou por alguns segundos e com um estalo lembrou de algo. 

Irene entortou a cabeça em questionamento enquanto fitava Jennie se movimentar pelo cômodo. 

"Eu tenho um acompanhamento perfeito..." Disse se aproximando da mesa para mexer nas suas sacolas. 

As meninas esticaram os pescoços para a garota, enquanto a mesma tirava uma garrafa de vinho.

"Ahhh!" Bae gritou assustando as meninas. 

Jennie deu um pequeno salto e, fechou os olhos com força. "Que susto, garota!"

"Puta merda... não acredito!" Praticamente saltou da cadeira. "Não acredito!" Gemeu de felicidade. "Diz para mim que isso não é Conti..."

"Romanée Conti, minha querida!" Após se recuperar do susto, afirmou se gabando enquanto segurava mais uma garrafa, e, com uma em cada uma das mãos, fez uma pequena dancinha. "Temos mais duas iguais a essas..."

Joohyun mordeu os lábios e correu para a cozinha para pegar o abridor de vinho e algumas taças. 

"O que tem mais aí, Jen..." Jisoo disse se esticando na cadeira e quase ficando em cima da mesa, apoiada nos braços. 

Jennie sorriu fitando a mais velha e melhor amiga e depois de volta as sacolas. "Vejamos o que eu tenho aqui..." Disse pausadamente fazendo suspense. 

"Um conjunto de maquiagem Bobby Brown..." Murmurou tirando da sacola e colocando os produtos na mesa. "Um femme, Hugo Boss..." Disse segurando a pequena embalagem, depois jogou em direção a uma das meninas. "Eu sei que você adora! Aproveita, saiu de linha." acrescentou recebendo um sorriso largo da garota. 

"Só você calça 34 aqui, então esse é seu..." Jennie disse casualmente retirando da embalagem um belo par de sapatos e entregando a presidente que naquela altura estava abrindo uma das garrafas.

Seu semblante foi engraçado – suas sobrancelhas se arquearam em espanto e sua boca precisou ser fechada por uma das meninas. Por um momento esqueceu completamente a garrafa. " Isso é... um Jimmy Choo?"

Kim acenou com a cabeça e a linha da sua boca se curvou em uma pura satisfação. 

"Obrigada!" gritou ela, um sorriso sincero tomando quase todo o seu rosto. "Tem sorte em ter um trabalho tão legal!" 

Antes dela ter tempo para dizer qualquer coisa mais, Jennie se pegou terminando mentalmente a frase: um milhão de garotas dariam a vida por ele!

Nesse momento, mesmo morta de cansada, quase desmaiando de fome e tendo acabado de passar por quase um desespero procurando uma merda de short off White, encarou as mãos das suas companheiras de fraternidade na posse de uma quantidade absurda de dinheiro.

Jennie sabia que ela tinha razão. 

 

O jogo havia sido completamente posto de lado, quando uma barca generosa de sushi repousava no centro da mesa. Duas garrafas de vinho se encontravam secas, e, elas estavam indo para a terceira. 

Jennie segurava os rashi. O pauzinho de baixo passava entre o polegar e o indicador e se apoiava no dedo anelar enquanto pegava uma pecinha de carioca e molhava no pote de shoyu, levando à boca. 

"Como anda o progresso das calouras?" Bae Joohyun perguntou suspirando quando dava um gole generoso, apreciando o vinho caro. 

"Esse semestre temos quatro garotas interessantes..." Jisoo respondeu casualmente entre uma mordida e outra. "As duas estrangeiras... a líder de torcida e uma..." Sua expressão por um momento vacilou, mas completou a frase. "E uma loira odonto..."

Jennie pareceu captar aquele semblante, mas se conteve, apenas a linha da sua boca deu uma leve inclinada, mas por questões de segundos resolveu provocar. "Que loira?" 

Soo levantou a vista encarando a amiga com um leve sorriso divertido. "Aquela que vive agarrada no seu brinquedinho novo..." Murmurou apontando o hashi na direção dela, em outra provocação, embora essa foi mais contundente. 

"Não aponta! É falta de educação..." Irene recriminou batendo levemente com os seus neles.

Jennie revirou os olhos e Kim Jisoo soltou uma risada, mas quase pedia desculpas quando percebeu o olhar feio da presidente da irmandade, e, seu sorriso desapareceu. 

"Ela não é meu brinquedinho novo!" A mais nova entre elas disparou com um suspiro, mas abriu um sorriso de canto, ao mesmo tempo que seus olhos de gato brilharam. 

O que não passou despercebido por suas amigas. Ambas imediatamente pararam o que estavam fazendo para observar Jennie. 

"O que foi?" Perguntou se sentindo inquieta. 

Irene inclinou a cabeça e analisou a amiga ao seu lado. "Não?!" questionou erguendo uma sobrancelha. 

"Não..." Jennie disse, ignorando os olhares julgadores das amigas ao mesmo tempo que colocava outra peça de sushi na boca. 

Após engolir, notou os olhares insistente das meninas e com um suspiro acrescentou: "Ela é... interessante, meio intrigante... Além de tentar me evitar. Uma fofa." 

"Já escutei essa conversa antes..." Jisoo disparou divertida. "Qual era o nome dele, daquele, logo que a gente entrou na faculdade?" 

"Kwon Jiyong" Uma das garotas respondeu.

"O garoto era o maior gatinho, todo certinho com aquelas roupas sociais e cabelo lambido." Jisoo continuou segurando a gargalhada que ameaçava sair. "Depois que você conquistou o garoto e tirou a virgindade dele..."

Jennie quase se engasgou com o vinho "Ele não era virgem!" Disparou com a voz esganiçada a interrompendo. 

"Ele ficou tão transtornado!" Irene acrescentou colocando a mão na boca segurando a risada. 

"Ai, meu deus! Nem me lembra... o garoto passou uma semana acampado aqui na frente! Eu que tinha que mandá-lo ir embora." Disse outra e todas gargalharam até mesmo Jennie. 

Após se recuperarem dos risos, sua voz saiu oscilada e na defensiva. "É sério? É sério que vocês vão ficar falando disso e comparando ele com a Lisa?"

"Quando finalmente compreendeu que você queria nada com ele... se encheu de tatuagem, tadinho... virou outra pessoa!" Jisoo disse parecendo ignorá-la. 

"Coitado..." Irene soltou limpando os cantos dos olhos por conta da risada. 

"Meninas! Eu o vi semana passada, quase não reconheci!" 

"Calem a boca!" Jennie revirou os olhos e soltou um suspiro pesado.

"Eu preciso transar! Tenho minhas necessidades... e vocês sabem que eu não gosto de sexo casual. O que posso fazer se depois que acontece, eu perco o interesse..." acrescentou, dando de ombros. 

"Você se escutou?" Irene perguntou enchendo as taças envolta com a última garrafa. 

"Mas isso não quer dizer que eu esteja só querendo dar para ela..." Declarou estendendo a taça transparente para a mais velha. 

"Verdade! Você deu seu telefone!" Uma das meninas da irmandade falou e era perceptível a chateação no seu semblante. "Nem a gente tem..."

"Ah! Mas vocês sabem que eu detesto telefone, que utilizo apenas para o trabalho... era só uma forma dela ter que vim até mim..." Mas sua fala foi interrompida por seu celular que soava um barulho irritante com a campainha no nível mais alto. 

Mas antes que Jennie reagisse, Jisoo quase se jogou em cima da mesa para pegar o aparelho mais rápido. 

"Será que é a Lalisa?" Brincou enquanto mirava a tela do celular. 

Jennie praticamente deu um pulo da cadeira. "Jisoo, pare de brincadeira! Você tem quantos anos?! Me dê logo isso..." disse praticamente avançando em cima da amiga. 

Assim que pegou o telefone suas suspeitas foram confirmadas, o nome da sua mãe piscava e seu coração cambaleou. Ela sabia que era ela, no entanto ainda assim era meio apavorante. 

Talvez isso confirmasse o porquê Jennie detestava celular, e o porquê não dava seu número a ninguém. Simplesmente, um toque desencadeava medo, ansiedade intensa e pânico de fazer parar o coração. 

"Oie, mãe..." Atendeu e olhou feio para sua amiga com sua pior careta. 

Jennie correu para mexer nas suas coisas em cima da mesa, e ao se deparar com uma agenda de couro preta, anotou algumas coisas, depois desligou o telefone. 

"Só quero ver quanto tempo ela vai aguentar..." Soo retomou o assunto quando a melhor amiga se sentou na mesa novamente, voltando a estampar seu sorriso debochado, embora ainda mais bonito. 

"Um mês..." Irene deu de ombros, antes de levar um sushi à boca. 

"Hm..." Jisoo levou o cotovelo a mesa e emoldurou o rosto com a mão. Parecia processar alguma informação, fincando a testa, enquanto encarava alguma coisa no lustre. "O último não levou uma semana..." Estreitou os olhos antes de completar a sentença. "Mas a garota parece ter garra. 15 dias!" 

"Então minha vida é uma brincadeira para vocês?" Revirou os olhos. 

"Jen, você sabe que a garota é irmã do Kai, não é?" Uma das garotas na sua frente disse e ganhou uma expressão apática. Mas demonstrando estar acostumada com aquilo, continuou. "Isso pode ser um problema..."

"Continue..." A vice-presidente disse parecendo interessada, ao mesmo tempo que segurava a taça e bebericava seu vinho.

"Quero dizer, todo mundo naquele campus sabe que o Jongin tem uma queda, melhor dizendo... um penhasco pela Jen." Completou. 

"Talvez um mês..." A garota de lábios em formato bonito levantou a taça e encarou a presidente da irmandade e ambas com olhares cúmplices fizeram um brinde. 

Ignorando completamente a cena, Jennie rolou os olhos mais uma vez, mas seus lábios cheios contraíram em um leve sorriso. "Para o próximo trote. Eu quero jantar com ela." 

"Mas, eu já..." Jisoo tentou protestar. 

"Não quero saber como vai fazer..." Suas palavras saíram firme, mas sua voz engrossou no final. "Dê seu jeito!" 

Foi o suficiente para a menina de cabelos escorridos e boca em formato de coração não conseguir rebater aquilo. 

Depois se levantou da mesa, recolhendo sua louça suja. 

"E eu quero que só as quatro, inclusive aquela que tem cara de má vontade, passem! Então, elimine as outras." Irene ordenou, também se retirando da mesa.

"A Olívia?" Com ascendo positivo da mais velha. Jisoo emitiu uma gargalhada. "Fica tão mais cruel quando é você que diz isso..."

As outras meninas da irmandade imitaram os gestos das duas veteranas. 

"Aliás... Quem ficar por último organiza tudo." Irene acrescentou deixando uma Jisoo completamente sem argumentos; sua boca entreaberta enquanto olhava ao redor, se dando conta que era a única remanescente na mesa e com um monte de coisas para limpar. 

 

 

 

 

 

 

 

Referências, O Diabo Veste Prada - Lauren Weisberger.  


Notas Finais


Meu agradecimento a loonizeti... que diz que a Olivia tem cara de má vontade, além disso aqui: "Fica mais cruel quando é ela quem diz isso"


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