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História Polybius - Capítulo 2


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Notas do Autor


Acho que esse capítulo vai sanar algumas dúvidas, mas não todas. Certas coisas ainda precisam acontecer...
Espero que se divirtam com esse capítulo <3

Capítulo 2 - Nightmare or reality?


Geralmente, Sehun não gostava de dormir fora de casa. Não entendia o motivo, só não gostava. Apesar disso, gostava de dormir na companhia de Chanyeol, não importava o lugar. Sentia que se o amigo estivesse ao seu lado para passar a noite, onde estariam não faria diferença, com toda a certeza ele se sentiria bem e seguro. Adorava dormir na casa de Chanyeol por esse motivo. 

O Park não demorou a dormir quando as luzes do quarto foram apagadas, o bairro silencioso colaborava para que os moradores tivessem uma boa noite de sono, ainda mais durante o inverno que era quando as pessoas mal saíam de casa. Estranhamente, o Oh demorou para pegar no sono durante aquela madrugada. Estava com mais frio do que já era o de costume e o descanso que seu corpo necessitava, parecia querer adiar o quanto fosse possível. Com esforço, enfim pegou no sono por um curto período de tempo.

Sehun acordou no meio da noite ao ouvir um som de estalo bem próximo aos seus ouvidos. Abriu os olhos, já com o coração disparado e sentindo uma leve falta de ar, quase sentindo-se sufocado. Poderia levantar para tomar um copo de água, mas… seu corpo não estava se mexendo. O corpo dele não obedecia aos comandos. Sentia algo pesado fazendo pressão sobre seu peito, como se estivesse alguém em cima dele. Não havia ninguém lá. O único som audível era o da respiração nasal, agora completamente descontrolada pelo desespero. As palavras que tentava proferir não passavam de gritos que ecoavam unicamente em sua cabeça. Conseguia sentir a morte cada vez mais próxima, iminente.

Os olhos de Sehun moviam-se sem parar, porque eram as únicas partes de seu corpo que estavam funcionando. Os arrepios constantes na espinha e nuca faziam tudo parecer pior, se é que isso fosse possível. Conseguia sentir a presença de alguém, sentia que havia mais alguém no quarto além dele e de Chanyeol. Estava deitado de costas para o colchão, a pequena abertura na janela fôra a única coisa que não deixava o quarto tornar-se uma escuridão completa. E nessa baixa iluminação que o Oh observava sombras iguais a pessoas, contorcendo os braços e fazendo movimentos inumanos. Algumas das sombras engatinhavam lentamente pelo teto e pelas paredes, pendendo as cabeças na direção de Sehun. 

A força que fazia para tentar levantar e sair correndo fez com que a falta de ar piorasse. Cada vez mais sufocado. Pelo canto dos olhos, viu, parcialmente, o rosto de uma pessoa o encarando. Era quem estava o prendendo na cama, não precisava ver para ter certeza disso. A presença inumana tinha os olhos brancos e arregalados, respirava fazendo ruídos parecidos com o som de unhas arranhando madeira, e fora as únicas coisas que pôde notar em meio ao nervosismo. O rosto estava chegando cada vez mais perto de si, e foi nesse momento em que ele finalmente conseguiu sentar-se no colchão. 

Seu corpo estava mais leve, no entanto, tremendo por completo. Com o coração apertado e a garganta seca, não tentou reprimir o choro assim que a vontade de desabar lhe ocorreu. Abraçou as próprias pernas, choramingando e pouco se importando se estaria fazendo muito barulho ou não. Na cama ao lado, Chanyeol também acabara de passar por um mau momento. 

Ele estava a caminho do Stg. Pepper, mas dessa vez, sem a companhia de Sehun. A noite estava exatamente como quando fora conhecer o Polybius, muito gélida e, principalmente, exalando uma aura desagradável. Calafrios percorriam por sua pele quando as brisas de inverno passavam por ele. A avenida onde fica o fliperama parecia diferente aos olhos de Chanyeol, parecia ser somente uma imensidão escura com o letreiro iluminado tomando toda a atenção dele. Na avenida estavam somente Chanyeol, o fliperama, e o garotinho desmaiado na vala. Não precisou estar tão perto do local para saber que era o mesmo garotinho daquele dia, o moletom azul claro o denunciava. 

Caminhando cada vez mais tenso e estranhando o fato do menino continuar no mesmo lugar, Chanyeol resolveu que precisava conferir o estado do menino e chamar por um responsável. Correu agoniado, sentia que havia algo errado acontecendo. Torceu para que fosse só coisa da própria imaginação. Sem chegar tão próximo do menino, já sentiu um cheiro desagradável. O cheiro era parecido com o mesmo cheiro que inalou quando era criança e vira o corpo do próprio avô sendo levado em uma maca pela polícia. Na época o velho senhor morava sozinho e, segundo o legista, o velho Park morrera três dias antes de acharem o corpo. Era mesmo cheiro de podridão e morte.

Respirando de forma irregular, chegou perto do menino, sentindo-se hipnotizado pelo o que viu. Onde deveriam estar os globos oculares, havia dois buracos preenchidos por pequenas larvas. E um de seus braços parecia ter sido arrancado juntamente com o tecido do moletom azul. Não precisava ter certeza para saber que ele estava em estado de decomposição. Imediatamente levou as mãos contra a boca, estava tão perplexo que nem mesmo os gritos conseguiram sair de sua garganta. O sangue abundante que escorria dos ouvidos do menino chegou aos pés do Park, e o som molhado o fez sair de seu transe e correr imediatamente para longe do cadáver.

E ele correu. Correu muito. Mas não saiu do lugar. As pernas de Chanyeol estavam cansadas de tanto correr e continuar ao lado do cadáver. Era como se o corpo morto estivesse o perseguindo. Além das larvas, ratos saíam e entravam pelos buracos que eles mesmos haviam feito por todo o corpo do menino. Não parecendo suficiente, uma dor excruciante no tornozelo fez com que ele caísse de cara no chão, ainda assim, a dor da queda não podia ser comparada com a que sentia percorrendo seus pés e tornozelos. Com os olhos lacrimejando, finalmente consegui gritar com toda força que restava nos pulmões e virou a cabeça para olhar o que tanto rastejava, mordia e o machucava. Eram os ratos, os mesmos ratos que estavam no corpo do menino estavam rasgando a pele dos pés de Chanyeol e rastejando para dentro de sua pele.

Despertou pelo choro baixo de Sehun. Respirou fundo, aliviado por ser sido só um pesadelo. O coração acelerado e a visão turva por ter acabado de despertar, o fez achar ter visto algo saindo pela janela, mas ignorou pela preocupação com o amigo. Levantou zonzo e tocou nos ombros do Oh.

— O que aconteceu? — perguntou sem olhar para o rosto do amigo. Sehun logo se esquivou do toque, parecendo mais assustado do que já estava. 

— C-chanyeol — disse com a voz engasgada. —, aconteceu alguma coisa m-muito estranha comigo. 

Chanyeol agachou para abraçá-lo, tentando fornecer algum conforto. Tentou olhar para o rosto de Sehun, e quando o fez, inconscientemente empurrou o amigo e correu para o outro canto do quarto procurando o interruptor. Os olhos do Oh estavam da mesma forma como os do menino do sonho, repleto de pequenas larvas. Mas quando acendeu a luz e olhou para Sehun novamente, o rosto dele estava normal. Apenas molhado pelas lágrimas. 

— A-apaga essa luz, merda.

— Parem de fazer barulho, caralho — Park Kyungsoo abriu a porta, com a cara emburrada pelo sono e pelo barulho. Primeiro encarou o irmão, que por sua vez aparentava estar mais confuso do que nunca, e depois olhou para Sehun. Seria estranho se não estivesse nem um pouquinho preocupado ao ver ele chorando até soluçar. — ‘Tá tudo bem por aqui? 

— Não — Chanyeol respondeu. Estava encostado com as duas mãos apoiando firmemente na parede, fazendo o possível para se manter em pé. — Eu acordei com o Sehun chorando assim e depois aconteceu uns negócios estranhos. 

— Ele fez xixi na cama? — perguntou, tentando entender o motivo para tanto escândalo. — Ele ‘tá passando mal ou algo assim? Preciso acordar o pai ou ligar pra mãe dele? — O irmão continuava a fitar o chão sem o responder, e isso estava deixando ele mais puto do que preocupado. — Porra, Chanyeol, fala alguma coisa!

T-tá tudo bem — Sehun respondeu enquanto limpava o resto e tentava parar de soluçar. — Eu só tive um pesadelo, tá t-tudo bem. 

— Foi o jogo… — Chanyeol disse baixinho, não o suficiente para que o irmão mais velho não escutasse. 

— Que jogo? 

— Foi o jogo! — Dessa vez, disse mais alto. — Sehun, lembra do que você tinha me contado?! Foi culpa do jogo! 

— Fala mais baixo, senão o pai vai vir aqui dar esporro — pediu Kyungsoo, dando um soco não muito forte no braço do irmão. 

— Kyungsoo, tem um jogo amaldiçoado no Stg. Pepper — disse em tom baixo, obedecendo a ordem do mais velho. — Eu tenho certeza disso. 

Bufando, o Park mais velho adentrou no quarto de Chanyeol e fechou a porta. Cruzou os braços, analisando todo o cômodo, procurando o motivo de estarem tão estranhos. 

— Ofereceram uma parada diferenciada pra vocês ontem à noite? 

— "Parada" o quê? Kyungsoo, é sério! — reclamou, sentando-se ao lado de Sehun. 

— Então me expliquem! Já acabaram com o meu sono mesmo. 

Chanyeol explicou detalhe por detalhe tudo o que havia acontecido consigo, desde quando Sehun falou sobre ter visto coisas estranhas enquanto ele jogava, até o sonho com o garotinho na vala. Sehun também falou, estava com a voz engasgada e com os soluços ainda diminuindo, mas contou sobre tudo que viu há minutos mais cedo pelo quarto do amigo. 

Tá bom. Primeiro, Sehun — Kyungsoo o chamou. — Não precisa ficar tão nervoso com isso que você viu mais cedo e- 

— Você não ouviu nada do que ele disse? — interrompeu o irmão mais velho, completamente indignado.

— Cala a boca, imbecil — Estava sentado na frente dos dois, perto o bastante para acertar um tapa leve na cabeça de Chanyeol. — Eu já li sobre isso antes, ok? O nome disso é paralisia do sono, é muito comum que aconteça alucinações durante esse negócio. Não precisa ficar tão nervoso.

— Certo — Sehun concordou, agora já bem mais calmo. — Então o jogo não é amaldiçoado e nem nada? 

— Isso eu já não sei, preciso ver pra provar se é verdade ou não — Kyungsoo respondeu, levantando-se e indo em direção a porta. 

— Quê? — O Park mais novo questionou. 

— Amanhã nós três vamos lá jogar esse "Poly" não sei o que lá — explicou. — Então tratem de dormir, amanhã vocês vão matar aula pra gente jogar esse jogo e ver se tem mesmo alguma coisa nele, ou se vocês só são dois cagões medrosos. Calem a boca e vão dormir.

— Amanhã tem prova de Química… — Sehun disse, mas Kyungsoo já tinha fechado a porta e apagado a luz novamente. 

Os amigos se encararam um pouco, bastante desconfortáveis com tudo o que aconteceu, porém, mais tranquilos pela conversa que tiveram com Kyungsoo. Ele não era um cara ruim, só gostava de perturbar os dois sempre que alguma oportunidade surgisse. Nem ligavam mais para as provocações costumeiras.

Sabiam que não conseguiriam dormir de novo, não depois de tanta coisa ter acontecido e mexido com eles. O relógio da cômoda do Park mostrava que já eram cinco da manhã, não faria mal continuarem acordados. De qualquer forma, não iriam para escola mesmo. Tinham tempo para pensar em como recuperariam a nota perdida pela falta.

Chanyeol levantou-se mais uma vez, ligou a televisão e colocou no canal que passava vídeo clipes 24h por dia, no volume mais baixo possível para não acordar mais ninguém. Se o Park mais velho entrasse lá mais uma vez, ambos acabariam com o braço dolorido pelo soco que levariam. Queria acabar com clima desagradável que pairava pelo quarto, ou ao menos diminuir a tensão que sentiram. Por sorte estava tocando uma música que os dois gostavam, Scar Tissue da Red Hot Chili Peppers. Não conversaram, apenas ficaram ouvindo as músicas que passavam na pequena televisão. Estavam tão presos em seus próprios pensamentos que nem reclamaram quando a música que eles tanto odiavam, Bye Bye Bye da NSYNC, começou a tocar baixinho. 



O senhor e a senhora Park saíam para trabalhar todos os dias bem cedo, não tinham sequer a oportunidade de tomarem café da manhã com os filhos. Chanyeol aprendeu a lidar com isso com o passar do tempo, até gostava de esperar para ver o que o irmão mais velho iria preparar para eles comerem. Era uma espécie de roleta russa, às vezes Kyungsoo fazia um café da manhã digno de realeza e às vezes ele só pegava umas torradas, suco e jogava na mesa. Isso quando ele não dava uns trocados para o irmão mais novo comprar um lanchinho no caminho da escola. Nem suspeitava que os trocados iam todos para o Stg. Pepper depois da aula. 

Com a muda de roupas que Chanyeol havia emprestado para ele mais cedo, Sehun sentou à mesa com os irmãos. Kyungsoo deveria ter acordado de bom humor, pois fez um café da manhã bastante agradável.

— Remelentos, aconteceu alguma merda depois que eu saí do quarto? — perguntou antes de tomar um gole do suco.

— A gente não conseguiu dormir mais, e o Sehun ficou quieto desde aquela hora — Chanyeol respondeu. 

— Você ‘tá bem, Oh? Tem certeza que não quer ir pra casa? — Park Kyungsoo conhecia o Oh há tanto tempo que de certa forma, também o via como um irmão mais novo. — Porque ‘cê sabe, não sou babá de adolescente não. 

— Eu ‘tô bem, Kyungsoo — respirou fundo e continuou. — Vamos resolver logo isso.

— Então beleza. — Tendo terminado a refeição, Kyungsoo foi para a cozinha colocar os pratos e copo na pia. — Não sei se vocês esqueceram, mas o fliperama só abre às 10h. Vou dar uma passadinha na casa do Minseok e depois me encontrem aqui na esquina pra gente ir lá. 

Caminhou para a sala, vestiu o moletom cinza jogado no sofá e bateu a porta da frente ao sair. Os meninos continuaram comendo, quietos. Sehun encarava a tigela de sopa, sem vontade de comer e ainda perturbado pelo ocorrido da madrugada. Colocou mais uma colherada de sopa na boca e não conseguiu evitar cuspir tudo novamente dentro da tigela. Gritou alto, empurrando a mesa e correndo para o banheiro. Chanyeol, assustado seguiu o Oh.

— O que aconteceu?! — perguntou, gritando também. Sehun corria, balançando as mãos freneticamente.

Enquanto comia a sopa, Sehun notou a presença que algo metálico em sua boca que logo tornou-se fino como uma agulha, atravessando pela língua e indo até o lado interno da bochecha. Cuspiu o todo o líquido, vendo o sangue mudar o tom amarelo da sopa por um vermelho vivo. A dor era insuportável, nunca havia sentido nada parecido. Não conseguia pensar e nem falar. Correu para o banheiro, enfiou a cabeça debaixo da torneira esperando que o ardor passasse ao menos um pouco. Escutou Chanyeol falando ao fundo, mas não assimilou nenhuma palavra, estava totalmente concentrado na dor. 

Chanyeol observou tudo. Não sabia o que fazer enquanto via o amigo enfiando a cabeça na pia e tomar uma grande quantidade de água, com os olhos lacrimejando e soltando resmungos chorosos a todo momento. Com o peito doendo pelo nervosismo, foi para o cozinha onde ficava o único telefone da casa, tirou o aparelho do gancho e se apressou para chamar a ambulância. Passou os dedos pelos botões do telefone, fazendo esforço para lembrar o número da emergência que sua mãe o obrigou a aprender quando tinha cinco anos, mas o número simplesmente sumira de suas lembranças.

— Um… Um e… — dizia para si mesmo, ofegante, com a cabeça abaixada e doendo de tanto se forçar pensar. — Sete… 

Quando levantou a cabeça novamente, Sehun estava encostado na entrada da cozinha, um mão apoiada em cada lado da porta e respirando alto. Os olhos do menino estavam vermelhos, parte do moletom totalmente encharcada pela água.

— Sehun! — O Park correu até o menino, procurando com as mãos algo de errado no corpo do amigo. — O que aconteceu?! Eu tava quase ligando pra polícia!

— Tem alguma coisa muito ruim acontecendo comigo, Chanyeol — respondeu baixo, fitando o chão. — Isso não pode ser normal.

Chanyeol não sabia o que fazer ou como reagir. O Oh se desvencilhou do Park para andar até a mesa novamente, pegou tigela de na qual estava a sopa para analisar a tigela com as mãos trêmulas. Largou o objeto na mesa e voltou-se para o amigo.

— Eu senti uma coisa furando a minha língua quando eu ‘tava comendo — Os dedos de Sehun estavam brancos de tanto forçá-los em punho. — Eu vi a porra do sangue quando cuspi a sopa… mas olha pra isso, Chanyeol! — gritou ao apontar a tigela para o Park. — Não tem sangue nenhum aqui! 

— Do que você ‘tá falando? 

— Você disse que era o jogo, Chanyeol. Agora eu acredito mesmo. 

— Vou chamar o Kyungsoo. 

Minseok morava na casa no fim da rua. Kyungsoo passava boa parte do tempo lá, principalmente quando queria matar aula ou fugir dos pais. Chanyeol suspeitava que fora ele quem apresentou os cigarros e a maconha para o irmão. Suspeitava também que os dois se pegavam ocasionalmente, o que parecia ser meio difícil já que recentemente vira o irmão atracado no muro da esquina com uma garota de cabelo loiro. David Bowie — o cantor favorito de Chanyeol — é bissexual, então por que o irmão também não poderia ser, certo? 

— Sehun, tudo bem se você me esperar aqui rapidinho? — perguntou preocupado. Não sabia o que o amigo seria capaz de fazer se estivesse sozinho. 

O Oh sentou à mesa, ao lado da tigela. Parecia não conseguir desviar os olhos da sopa, então respondeu o amigo sem erguer o olhar.

— Só vai rápido. 

Sem nem mesmo calçar os sapatos, Chanyeol correu pela rua até chegar na porta da casa dos Kim. Bateu várias e várias vezes, não tinha tempo para pensar em bons modos. Se duvidasse, Sehun poderia estar morto caso demorasse muito. O pensamento negativo o fez se sentir zonzo. 

— Caralho, que saco — Minseok abriu a porta com agressiva. — Quem é você, porra? 

— Cadê o Kyungsoo? — Sem se importa, enfiou a cabeça para dentro da casa do rapaz, procurando pelo irmão. Por não ter o visto dentro da casa, disse desesperado: — Eu preciso do Kyungsoo.

— Ele ‘tá mijando agora — o Kim respondeu com o cenho franzido, irritado. Sabia que o ficante dele tinha um irmão, mas nunca tinha o visto antes. — O mundo tá acabando pra você precisar tanto assim dele?

— Chanyeol? — Kyungsoo questionou enquanto andava pelo corredor, levantando o zíper da calça jeans. — Eu disse pra me esperar na esquina às dez.

— O Sehun 'tá mal, preciso de ajuda — disse rápido, puxando o irmão pela manga do moletom e o arrastando pela rua. 

Aos chutes e pontapés, Kyung se deixou ser arrastado pela rua. Se algo acontecesse com o Oh, a culpa cairia toda em cima dele. Entraram na casa e Sehun estava na mesma posição de quando Chanyeol o deixou há poucos minutos. 

Pra mim ele ‘tá normal — falou sem interesse. — Me trouxe aqui pra isso, imbecil? 

— Kyungsoo — Sehun chamou. — Você sabe o nome do negócio que acontece quando se vê algo que não existe? 

O Park fez uma careta. Ele já tinha sim visto coisas que não existiam, mas acontecia só quando ele ficava muito chapado. Por conta disso, chegou a pesquisar na biblioteca sobre distúrbios mentais e coisas do tipo. 

— Alucinações, Sehun. — Ainda não entendia o motivo da pergunta. — E o que isso tem a ver agora?

— O Sehun teve uma alucinação! — Chanyeol concluiu sozinho, exaltado. — Porra, o jogo é mesmo amaldiçoado!

— Mas de novo com isso? — Kyungsoo falou irritado. Gostava de pensar que demônios não existiam, mas era difícil não acreditar pelo menos um pouco, visto que a senhora Park os levava para a igreja todos os domingos. — O que querem que eu faça? Vá até lá e lute com uma entidade sobrenatural? 

Sehun e Chanyeol trocaram olhares e logo voltaram para si novamente, afirmando com a cabeça. Precisou se render para não matar o irmão e o amigo dele de vez, suspirou, buscando recuperar um pouco de sua paciência. 

— Você que deu a ideia de ir — disse para o irmão, logo se encolhendo para receber um soco no braço que o Kyung sempre dava quando ficava puto. Naquele dia, o soco não o atingiu. 

— Certo, sacos de bostas, coloquem os sapatos, nós vamos sair agora.

Fizeram o que o mais velho ordenou na mesma hora. Sehun continuava com os movimentos monótonos, ficando mais quieto do que normalmente ficava. Claramente continuava tentando assimilar a situação. Não conseguia parar de pensar no ocorrido da cozinha, esforçando-se para ligar uma situação com a outro, porém nada fazia sentido na cabeça do Oh. Apesar do medo e dos arrepios que constantemente sentia percorrendo pela pele, Chanyeol estava encarando a situação como uma espécie de aventura suicida. Se sobrevivesse, gostaria de contar para seus netos.

No caminho do fliperama, Park Kyungsoo notou o clima pesado ao redor dos mais novos. Andavam lado a lado, com as cabeças voltadas para o chão, provavelmente presos em seus próprios pensamentos e paranóias. De forma que nunca os tinha visto tão sérios antes.

— Ei, bocó — falou, tentando chamar a atenção do irmão, que, felizmente, o encarou meio surpreendido. — Quer ouvir uma coisa curiosa?

— Não ‘tô no clima.

— Foda-se, vou contar do mesmo jeito — riu e notou como Sehun o olhava curioso, mas ainda sem dizer uma única palavra. — Vocês sabiam que a água tem memória? — contou, escutando um “Jura?” por parte do amigo do irmão. — Pois é, até água tem memória e vocês dois não.

— E o que isso tem a ver com toda essa situação de merda? — Chanyeol perguntou. A última coisa que queria era ouvir sobre a porra da água, imediatamente lembrou-se da imagem de Sehun com a cabeça debaixo da torneira completamente desesperado.

— Nada, mané — respondeu bufando. — Só queria ver se animava um pouco vocês, credo. Parece que estamos indo pra um funeral, e não pra um caralho de um fliperama. 

— Você tava é zoando a gente, quero só ver quando- 

— É claro — cortou a fala do irmão, tentando mais uma vez aliviar o clima. Se não o fizesse, provavelmente acabaria enlouquecendo. — Sabe porquê, mané? Porque é isso que irmãos fazem.  

— Zoam um ao outro quando estão prestes a morrer? — Sehun se intrometeu, querendo que o garoto calasse a boca de uma vez.

— Você é um cara estranho. Mas não, os irmãos protegem uns aos outros — recebeu um dar de ombros do Oh, fazendo-o respirar fundo para não surtar. — E os amigos estranhos também.

Sehun e Chanyeol trocaram olhares debochados. Kyungsoo normalmente não seria legal assim, eles sabiam disso. Esperaram o mais velho parar de fitá-los para poderem cochichar entre si, da maneira mais discreta e sussurrada que conseguiam.

— Devemos acreditar nele?

— Você acha que o babaca do Kyungsoo falaria coisas assim por vontade própria? — Chanyeol respondeu, voltando a olhar para o irmão para ver se ele havia escutado o próprio nome da conversa. Caso tivesse escutado, não demonstrou reação.

— Sei lá, cara. Vamos ficar de olho nele. 

Chanyeol aquiesceu e os amigos voltaram a agir como se nada houvesse acontecido.

— Chega de melação — anunciou o mais velho. — O fliperama é na próxima esquina. E já vou avisando: por favor, não sujem as calças. Não trouxe dinheiros suficiente para comprar bermudas novas caso a de vocês fiquem sujas.

Já em frente ao fliperama, os dois garotos notaram que havia uma placa pendurada na porta do estabelecimento, dizendo em letras vermelhas e tortas que, devido ao incidente, o local se encontraria fechado naquele dia.

— Que incidente? — Kyungsoo perguntou. No entanto, nem os meninos sabiam como responder. Ficaram uns segundos olhando um pra cara do outro procurando respostas. — Já que ninguém fala nada, eu vou dar o meu jeito. Me sigam.

O Park começou a andar e os amigos o seguiram. Kyungsoo seguia para o beco que ficava ao lado do Stg. Pepper, onde justamente ficava a porta de saída de incêndio. Aproximou-se da porta, retirando de seu bolso um molho de chaves e colocando na fechadura, uma chave prateada, um tanto gasta. Um “click” fora escutado e Kyungsoo comemorou baixinho. 

— Aonde você conseguiu isso? — Sehun perguntou, segurando o pulso de Chanyeol, preparando-se para correr se fosse preciso.

— Depois de hoje o Chanyeol já sabe do meu segredinho, então não faz mal vocês saberem. Eu e o Minseok descobrimos que ele é o fornecedor principal de erva aqui do bairro — ergueu o molho de chaves na mão, exibindo-se. —, foi assim que subornamos o velho, falamos que a gente contaria para polícia se ele não nos desse algo em troca.

Entraram no fliperama, encontrando o lugar mais escuro e bizarro do que nunca. O dono do Stg. Pepper não estava lá, tinham a liberdade para fazerem o que quisessem. Sem adultos, sem regras.

— Cadê o troço? — O Park mais velho perguntou.

— Polybius, Soo — corrigiu Sehun, sentindo a pele se arrepiar ao dizer o nome do jogo.

— Se quiser eu, chamo de “troço” — deu de ombros, fechando a porta atrás de si, assim que todos adentraram. 

Por coincidência, o Polybius era o único jogo que permanecia ligado dente todos os outros. E para a infelicidade dos meninos, a escolha que fizeram ao entrar no fliperama, fora com toda a certeza, a pior que fizeram durante a vida.


Notas Finais


Eu tive muita dificuldade com o ínicio desse capítulo! Nada parecia ficar bom, tanto que refiz ele algumas vezes kkkkk. Apesar disso, gostei do resultado final.


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