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História Polybius - Capítulo 3


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Notas do Autor


Esse capítulo foi mais curto do que eu esperava, mas tudo bem :)

Capítulo 3 - Welcome to the real nightmare


Tá bom, é estranho pra caralho esse ser o único ligado aqui — Olhou ao redor, sentindo o cheiro de salgadinho e xixi, típicos de fliperamas. — Olha, só não esperem muito de mim, não sou nenhum padre pra exorcizar esse negócio não. 

Para dar um ar mais dramático aos seus movimentos ele fez questão de estralar o pescoço de um lado para o outro, deixando os amigos vidrados em seus movimentos. Estavam transbordando expectativa. Principalmente Sehun, que por sua vez esperava não estar simplesmente enlouquecendo. Havia algo de errado com o Polybius, e não com ele, disso ele tinha absoluta certeza. E após assistirem a introdução do jogo repetidas vezes, Kyungsoo não parava de pensar em quão medíocre era aquela máquina, já que um jogo com somente um joystick e um botão não parecia ser capaz de fazer tanto alvoroço. Começou a jogar, atirando nos objetos que a nave precisava destruir e seguindo com o objetivo do jogo. O tempo todo ele pensava o quão chato aquilo estava sendo, não tinha nada de surpreendente naquele joguinho.

Em dado momento da partida, ele ouviu uma voz masculina ao pé do ouvido, que por sinal não parecia ser de Chanyeol ou de Sehun, e a voz dizia: “Por que você me machuca?”. Nesse momento, sentiu um calor repentino por todo seu corpo. Exatamente o mesmo calor sufocante da temperatura mais elevada de uma sauna.

— Eu não machuquei ninguém! — disse por impulso, com o estômago queimando em nervosismo. Apesar disso, não conseguia parar de jogar nem por um segundo.

— Do que você tá falando? — Chanyeol questionou, colocando a mão no ombro do irmão. Kyungsoo se esquivou de imediato, largando as mãos da máquina e virando o corpo para os meninos.

— Quem falou no meu ouvido?! — perguntou. Os olhos de Kyung estavam extremamente arregalados e assustados, fazendo Sehun lembrar-se do ocorrido da madrugada mais uma vez. — Quem foi, porra?!

— Ninguém, Soo — Chanyeol respondeu, tentando manter a calma. — ‘Tá tudo bem? 

— Aconteceu alguma coisa enquanto você jogava? — Sehun não podia mentir para si mesmo, e nem para ninguém que precisava que sua pergunta tivesse uma resposta afirmativa. Definitivamente não estava enlouquecendo. 

— Eu não sei! Preciso mijar.

O garoto correu para o pequeno banheiro no canto esquerdo do Stg. Pepper, perto de onde ficava o Street Fighter que Chanyeol jogava diariamente. Queria seguir o irmão para ter certeza de que estava tudo bem, mas Sehun o impediu, puxando-o pelo moletom.

— E se ele estiver passando mal, Sehun? 

— Relaxa — o Oh tentou o tranquilizar, mesmo sabendo que seria impossível. Precisava saber se não era o único que fora vítima do jogo. — Ele só foi mijar, não precisa se estressar.

E Kyungsoo de fato foi ao banheiro para se aliviar. Entrou no cômodo e logo trancou a porta. Seu corpo queimava pelo calor incomum que estava sentindo desde quando pusera as mãos no maldito jogo. Andava de um lado para o outro, coçando os cabelos e tentando assimilar a situação. Sehun não estava mentindo, sabia disso, mas achava impossível que a causa das supostas alucinações fosse a droga de um jogo de fliperama. Para ele, não podia ser verdade. Não tinha fumado com Minseok, não estava chapado, saberia caso estivesse. As sensações eram totalmente diferentes.

Será que a “palestra" de sua mãe falando que a maconha devora o cérebro de quem a consome era mesmo verdade? A mulher acreditava em tudo o que via na televisão, e era muito influenciável. Até porque fora ele quem a influenciou a jogar os Pokémons de Chanyeol no lixo, mesmo que isso esteja sendo mantido em segredo dele. Arrependeu-se ao ver o pequeno Park chorando por uma semana, mas não tinha coragem de lhe dizer que era fora o motivo. Não aguentaria o peso das consequências pelas próprias ações.

Parou em frente à pia, jogou água no rosto e encarou o próprio rosto no espelho. Estava sentindo a visão meio turva desde que começara a jogar o Polybius, só não quis contar para não aterrorizar os meninos. Mas depois de ter escutado uma vez desconhecida, foi impossível disfarçar. O calor pelo corpo, a nuca e testa suadas também eram impossíveis de disfarçar.

Depois de cerca de dois minutos encarando a si mesmo no espelho, Kyungsoo passou a se sentir estranho. Estranho de um jeito que não sabia como era, apenas se sentia assim. E novamente escutou uma voz ao pé do ouvido, dessa vez sendo ela uma voz feminina, que dizia: “Kill yourself”. O inglês do Park não era um dos melhores, porém sabia o significado daquela frase. As pernas do garoto tremeram e ele quase caiu de joelhos no chão. Estava tão nervoso que riu. Riu por puro desespero. Ao levantar a cabeça e se encarar no espelho, viu que havia algo diferente na cor de seus dentes. Estavam inteiramente pretos. Sentiu uma vontade inexplicável de retirá-los ali mesmo, naquela hora e da maneira mais antiquada possível. O desejo lhe ocorreu da mesma forma que um pensamento corriqueiro nos o ocorre, naturalmente e sem que percebamos. O martelo atrás da pia parecia o objeto perfeito para realizar o procedimento. O martelo ficava lá unicamente para emergências, mas… Era uma baita de uma emergência, certo?

— Eu vou ver como ele ‘tá — Chanyeol não aguentava mais esperar pelo irmão. Ele estava há quase dez minutos trancado no banheiro sem fazer nenhum barulho, coisa que era muito preocupante. Não esperou pela resposta do amigo e foi em direção ao banheiro, bateu na porta e chamou pelo irmão. 

— ‘Tô mijando, cai fora! — respondeu com um grito.

Olhou para Sehun, que levantou os ombros como se estivesse dizendo “Eu te disse” e que aquilo fosse a coisa mais óbvia do universo. Achou a situação estranha, mas preferiu acreditar nas palavras do irmão mais velho. 

Quando Chanyeol virou as costas, a cabeça de Sehun começou a doer. A dor era tão forte que causou instantaneamente causou-lhe ânsia. Contudo, não durou muito tempo. A dor trouxe consigo mais lembranças da madrugada, mais especificamente, a memória dos rostos que vira no teto. Eram todos rostos iguais uns aos outros, e exatamente iguais ao rosto que viu no Polybius quando Chanyeol jogou na noite anterior. Ele não achava mais que estava ficando doido, afinal, tudo fora causado pelo jogo.

No banheiro, Kyungsoo sorriu para si mesmo. Estava há tempos analisando o martelo levemente alaranjado pela ferrugem, parecia tão bonito e tão próprio para extrair alguns dentes. A luz da pequena janela refletia no ferro do martelo, fazendo-o parecer necessário para aquele momento. Perfeito. O Park sentia cada vez mais a necessidade incontrolável de enfiar o objeto na boca e quebrar seus dentes. Até porque o pequeno homem ao lado da privada não parava de incentivá-lo. 

— Eu deveria mesmo fazer isso? — perguntou, virando-se para a criatura sentada no chão, segurando uma garrafa de água em suas pequenas mãos verdes. 

— É claro, Soo. Já se esqueceu do que eu te disse? Só se vive uma vez, cara. — A criatura respondeu e saltou pela janela que iluminava o banheiro, deixando a garrafa de água ao lado da privada onde estava.

— Quem sou eu ‘pra te contrariar, não é? 

Abriu um sorriso ainda maior para o reflexo do espelho. Segurou firmemente o martelo na mão direito e acertou com força os dentes da frente. Largou o martelo no momento em que sentiu a dor terrível dos dentes quebrados. Olhou novamente para o reflexo no espelho e notou que os dentes não estavam mais pretos, estavam brancos e ensanguentados. Mas não era suficiente. Precisava de mais, então pegou o martelo novamente. Já mirando no novo alvo, que eram os dentes de baixo. Abriu a boca com cuidado, ignorando o sangue que escorria do lugar onde ficavam os dentes caninos e acertou os que faltavam. A gengiva se rasgou em grande parte pela pressão e força que fora usada. A cabeça e a boca de Kyungsoo queimavam, nem percebeu quando caiu de costas no chão, desmaiado pelo choque e pela dor que ainda sentiria com mais intensidade.

Chanyeol pôde escutar o barulho de algo pesado caindo no chão. Não havia saído de perto da porta, principalmente depois que Sehun se encolheu no espaço entre o Space Invaders e o Donkey Kong, não muito longe do Polybius e recusando-se a voltar a falar com o Park. As circunstâncias estavam fazendo o garoto entrar em pânico. Precisava ouvir da boca de seu irmão que tudo não passava de uma brincadeira de mal gosto. Ainda tinha esperanças que fosse isso. 

— Kyungsoo, tá tudo bem?! — Bateu na porta duas vezes, esperando uma resposta, ansioso. Mas não tinha como haver uma resposta, o Park desmaiado estava prestes a ter uma hemorragia. Bateu mais duas vezes. A resposta não veio. Era o pretexto perfeito para começar a surtar. — Kyungsoo?!

— Vocês não acham que o moleque ter sofrido um ataque fulminante aqui na frente é meio… Que porra você tá fazendo aqui?!

O sino da porta de entrada do Stg. Pepper soou, assustando Chanyeol e causando nenhum efeito em Sehun, que continuava encolhido e preso nos próprios pensamentos. O dono do estabelecimento entrou juntamente com dois homens vestidos com roupas pretas. Os homens encararam Chanyeol de imediato. O dono do Stg. Pepper estava com o rosto avermelhado, furioso ao ver o adolescente. Os outros dois homens deram pouca importância e logo foram em direção ao Polybius. Chanyeol nem mesmo ponderou a possibilidade de estar fodido por invadir o fliperama, precisava de ajuda para abrir a porta do banheiro e tirar Kyungsoo de lá.

— Socorro! — implorou para o homem, puxando-o pela camisa em direção ao banheiro. — O meu irmão se trancou e não tá me respondendo. Por favor, ‘cê precisa abrir a porta!

— Eu vou chamar a polícia. — Empurrou o adolescente, seguindo para o balcão, que ficava o telefone principal.

— Eu sei que você vende maconha. — Foi a única coisa que lembrou para falar e convencê-lo. — Abre a droga da porta senão eu saio daqui gritando que você é traficante! 

— Porra… — reclamou para por fim pegar a chave reserva do banheiro, que sempre ficava perto do telefone no balcão. 

Empurrou outra vez o corpo de Chanyeol, colocando a chave na porta com pressa, precisava pensar no que fazer com a informação desnecessária que o adolescente tinha. Ainda não sabia que não era necessário se preocupar com o futuro do Park. Abriu a porta, mas não por completo. Havia algo impedindo que a porta fosse aberta por completo. O dono do fliperama colocou a cabeça para dentro do banheiro, dando um berro ao ver o estado em que Kyungsoo se encontrava. Estava desmaiado e todo ensanguentado, logo pensou que o menino estava morto e, a culpa era dele por permitir que colocassem o Polybius no Stg. Pepper. 

— Kyungsoo! — gritou pelo irmão. O homem não saia de sua frente, e isso o deixava mais nervoso. 

O grito fez com que o velho saísse de seus devaneios e se permitisse ficar enfurecido. Saiu do banheiro atropelando o menino e indo em direção aos homens de preto, que faziam suas funções de reprogramar o jogo. Chanyeol enfim pôde ver como o irmão estava. E se arrependeu. Muito. Jamais esqueceria da imagem de Kyungsoo naquele dia, nem mesmo vinte ou quarenta anos depois. Ao fundo escutava a discussão entre os homens e, sua mente sequer lembrava da existência de Sehun. Seus pensamentos eram uma mistura de puro silêncio e vazio. Ouviu alguém chamando seu nome uma, duas, cinco vezes para então parar de olhar para o corpo no chão. Os instintos no interior do Park o instruíram a seguir a voz que o chamava incansávelmente, e ele seguiu a voz obedientemente. Primeiro para fora do banheiro, depois para para fora do Stg. Pepper, e por último para o meio da rua. E fora lá, onde a voz havia mandado para ele fosse, que Chanyeol foi atropelado por um carro em alta velocidade.

Sehun continuava encolhido entre as máquinas. Decidiu levantar quando o velho dono pegou o fino pedaço de madeira que sempre usava para ameaçar as crianças. Sentia o próprio corpo flutuar e que tudo o que estava acontecendo não passava de uma projeção de sua cabeça, agora perturbada. Os homens de preto estavam sendo colocados para fora do fliperama aos pontapés. O Oh passou a andar pelo corredor dos jogos, parando em frente ao Polybius para olhar para a máquina uma última vez. A apresentação do jogo estava diferente de quando jogava, pois a única coisa que a tela mostrava era o menu do Polybius com diversas opções em baixo. Entre elas Sehun leu, ou pensou ler, palavras como: “Terror noturno”, “Amnésia”, “Paralisia do sono”. Tinham mais coisas, mas a situação estava tão engraçado aos olhos do Oh, que o adolescente riu e desistiu de ler o resto.

Andou mais um pouco pelo corredor, chegando em frente ao banheiro, que estava com a porta encostada. O irmão de seu melhor amigo estava caído no chão, com sangue pintando o rosto e as roupas do menino. Essa fora outra situação que achou ser extremamente engraçada. Ao sair do banheiro para encarar a rua, uma aglomeração de pessoas faziam uma roda ao redor de algo no meio da rua. Sehun não sabia o que era, nem mesmo sabia o que estava fazendo naquele lugar. 

Lembrou-se que precisava ir para a casa antes das 18h. O tempo estava esfriando e não queria apanhar de novo de sua mãe por se atrasar para o jantar.


...


— Isso é tudo, Sehun? — A psiquiatra balançava a caneta para um lado e para o outro por entre os dedos. Haviam feito um grande progresso com o menino desde o início do tratamento. — Não tem mais nada que você queira falar por hoje?

— Não, isso é tudo. Não tenho tido alucinações já faz duas semanas, então 'tá tudo bem.

Sehun havia lhe contado tudo o que viu nos dois dias que estiveram envolvidos com o Polybius. Estavam em sua quinta seção e ele finalmente conseguira contar detalhadamente os acontecimentos. Não demonstrava mais sinais de estar sofrendo de algum trauma ou alucinações, apenas se mantia ainda mais calado do que sempre fora. O primeiro mês no quarto cinzento do manicômio estadual não tinha sido um dos melhores, mas, com toda a certeza, era bem melhor que os quartos de hospital que Chanyeol e Kyungsoo estavam internados. 

Chanyeol sofreu o acidente e precisou ficar entubado por uns dias, mas sobreviveu. O Oh não sabia de muita coisa, mas ficou sabendo que o melhor amigo estava melhorando aos poucos. Não queria falar com ninguém no início, e nem assistir televisão. Entretanto, com o tempo as coisas foram amenizadas e agora ele conseguia passar mais de uma hora vidrado na pequena televisão do quarto de hospital. Que por coincidência, ficava perto do hospital psiquiátrico que Park Kyungsoo estava internado. Pelo o que os pais de Sehun haviam lhe contado, a boca de Kyungsoo ficara gravemente ferida e os pais do menino estavam dando duro para conseguir dinheiro para arcar com as despesas dos irmão. O Oh ficava grato por lembrar-se raramente dos meninos. 

Sua consulta diária tinha sido concluída, então estava livre para voltar para o quarto cinzento e passar o resto do dia fazendo o que quisesse e, é claro, o que fosse permitido pelo manicômio. Sehun gostava muito de ver televisão, assim como um certo amigo que lembrava-se vagamente de tempos em tempos. Os canais abertos não eram diversificados, contudo, a matéria pareceu-lhe atrativa. Conhecia um dos nomes citados pela jornalista loiro, um tal de “Polybius". Se interessou em assistir até o fim. 

“Hoje as investigações sobre o jogo Polybius continuam. O dono do estabelecimento 'Stg. Pepper' irá ser interrogado mais uma nesta manhã pelo seu envolvimento na morte de uma criança e seis feridos. Ainda não é certo a causa exata que fez o comportamento desses adolescentes tornarem-se tão nocivos, mas tudo indica que o jogo foi programado para alucinar e induzir os menores. Há quem diga que é uma maldição, e há quem diga que tudo isso não passa de um experimento do governo para controlar a mente humana. Não sabemos ao certo o que essa máquina é, portanto ela irá continuar apreendida pela polícia. Boa noite, Coreia.” 

Atrás da televisão e por todo o teto Sehun via as formas inumanas. Ele nunca havia parado de vê-las. As alucinações nunca pararam. Tanto as visuais quanto as auditivas. A paralisia do sono também não sumira, o Oh tinha todas as noites, e a sensação era sempre como se fosse a primeira vez, em um certo quarto com uma janela meio aberta. Aquela seria a marca da culpa que ele carregaria pelo resto de sua vida, até porque ele quem tinha apresentado o Polybius ao Chanyeol, acarretando todos os problemas e o declínio do resto de suas vidas.


Notas Finais


Bem, é isto!
Eu me diverti bastante escrevendo essa fanfic. O primeiro capítulo foi o meu favorito! A relação entre os personagens me agradou bastante, mesmo com esse final kkkkk.
Mais uma vez eu preciso agradecer a Lelê, pq foi ela quem escolheu os nomes de todos os capítulos <3
Estou oficialmente apaixonada por chanhun!!!


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