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História Pompéia - Capítulo 9


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Notas do Autor


oii, voltei rápido? kkkkk

vou ser breve aqui pq minha net tá encurtada. Como estão nessa quarentena?

Capítulo 9 - Fútil


Fanfic / Fanfiction Pompéia - Capítulo 9 - Fútil

Eu choro às vezes enquanto estou em casa imaginando por que ela chora às vezes falando sobre o próprio lugar dela. To all of you, Syd Matters.

capítulo 9

Fútil 


Quando Kyungsoo chegou no treino de basquete, com as mãos nos bolsos do uniforme de educação física e uma expressão sem graça injustamente adorável demais, Chanyeol atribuiu uma nova face para a felicidade verdadeira. As breves palavras de Baekhyun foram suficientes para explicar que Kyungsoo não tinha interesse em ser um jogador, só queria recolher as bolas porque achava melhor que lidar com terra e nerds viciados em botânica. 

Chanyeol não pestanejou em admiti-lo, mesmo com alguns protestos e comentários desnecessários da maioria dos jogadores. Principalmente Seungri, que não segurou a língua ao falar que não iria suportar ver Baekhyun e Kyungsoo "fazendo coisas de gay" durante os treinos. Apenas uma olhada feia por parte de Chanyeol foi o suficiente para calá-lo.

— Acho tão bom que você esteja aqui. — Baekhyun disse após ele e Kyungsoo sentarem na arquibancada, assistindo os jogadores quicarem a bola no chão do ginásio habilidosamente.

O Do não deixou de notar que aqueles uniformes pretos de basquete eram realmente bonitos. Usar uma fênix como estampa causava uma boa impressão, mas eles nunca a usaram como fantasia para a mascote porque não julgavam Baekhyun como "másculo" o suficiente para ser uma fênix. 

Kyungsoo realmente não entendia porque ele continuava ali mesmo com todo esse descaso. O Byun tinha uma necessidade desesperadora para ser aceito. 

— Saiba que só estou aqui por sua causa. — O acastanhado disse com um sorriso gentil. — Até mesmo recolher bolas deve ser divertido com você. — Baekhyun lhe deu um soco fraco no braço. 

— Assim você me deixa sem graça. — Kyungsoo somente riu como resposta, e o clima que pairava sobre ambos não passou despercebido por Chanyeol. 

Seus olhos se voltavam para as arquibancadas desde que os dois rapazes sentaram lá e isso fez com que ele tivesse a bola tomada de si diversas vezes. Até mesmo Jongdae, que cuidava mais da defesa do que do ataque, conseguiu driblar o capitão. Já era quinta-feira e Chanyeol não entendia o porquê de ele e Kyungsoo não terem se falado desde aquela noite no mercado.

Não só isso, como ele  também não entendia o modo que seu corpo reagia ao acastanhado. Podia ser besteira, uma coincidência infortúnia ou qualquer outra merda que o Park pudesse usar como desculpa para fugir daquela zona perigosa que ele tinha medo de entender. Saber que ela era perigosa parecia o suficiente para que não se aproximasse.

Pensava que fosse algo exclusivo de Kyungsoo. Ele era um cara legal e bonito, mas isso não queria dizer que Chanyeol estava interessado nele e muito menos no gênero masculino em geral. Era Kyungsoo. Gostava dele como gostava de Junmyeon, Sehun, Jongin, Kris ou qualquer outro garoto a quem pudesse atribuir o título de colega ou amigo.

— Capitão! — Ouviu Yifan gritar, e quando percebeu, eles já tinham esbarrado um no outro.

Chanyeol sabia que estava distraído, só não imaginava que fosse tanto.

— Você tá bem, cara? — Jongin perguntou secando o suor do rosto com a barra da camisa, enquanto o ruivo erguia-se do chão. 

O mais alto não percebeu que seu olhar caiu para o abdômen do moreno, nem tão magro, nem tão definido e que explicava o porquê ele recebia o título de um dos melhores físicos do time. Chanyeol convenceu-se de que o modo estranho em que se concentrara naquela região exposta por alguns instantes havia sido admiração. 

Ficou nervoso repentinamente, por isso acabou tentando seguir em direção ao vestiário, esbarrando em Sehun como consequência por não ter prestado atenção no caminho. Sentiu a respiração dele em seu rosto pelos breves segundos em que ficaram próximos; o tronco quente e úmido de suor chocou-se contra o seu, obrigando o Park a segurá-lo nos ombros para que não caísse. 

A pele dos braços de Sehun expostos pela regata era quase febril de tão quente devido a partida acirrada de alguns minutos atrás, e isso fez com que os dedos de Chanyeol segurando-a formigassem de modo que o obrigou a soltá-lo rapidamente.

— Chanyeol? — Jongdae inquiriu após perceber o modo perdido que o ruivo olhava para os cantos.

— Vamos encerrar o treino, faltam só alguns minutos e eu tô cansado hoje. — E então saiu, não dando tempo para os outros jogadores fazerem outra coisa além de se entreolharem confusos. 

Kyungsoo notou aquela movimentação, acompanhando com o olhar Chanyeol saindo da quadra.

— O que será que aconteceu? — Perguntou ao Baekhyun logo depois que o ruivo sumira de vista. O Byun somente deu de ombros, abrindo uma expressão igualmente confusa.

Kyungsoo suspirou. Talvez fosse sua culpa? Embora tivessem dado trégua, Chanyeol recebê-lo no time era um pouco demais.

— Acho que ele não gostou de me ter aqui. — O mais baixo falou, atraindo a atenção de Baekhyun para seu rosto.

— Tá brincando, né? Se fosse isso, porque Chanyeol teria dito todas aquelas coisas que você me contou?

— Eu não sei. — Disse dando de ombros. — Ele é tão confuso… E eu realmente não ligo pra opinião dele, mas esse é um ambiente em que ele esteve antes de mim, e eu não quero parecer estar provocando ou algo do tipo…

— Tenho certeza de que o Chanyeol não pensa dessa maneira.

— Prefiro falar com ele para ter certeza. — Falou erguendo-se da arquibancada, não esperando que Baekhyun dissesse algo antes de descê-las e seguir em direção ao vestiário, onde os jogadores acharam melhor esperar um pouco antes de entrar. Resolveram jogar uma última partida sem o Park.

Kyungsoo entrou no local em passos silenciosos, chamando pelo o nome do mais alto e o vendo sobressaltar-se, como se tivesse visto um fantasma.

— Ei, calma. — O acastanhado falou um pouco sem graça, escorando-se no armário mais próximo enquanto cruzava os braços, encarando a expressão assustada do ruivo que aos poucos voltava ao normal. — Qual é o problema? 

— Não sei. — Disse ficando de costas para o mais baixo apenas para pegar seu uniforme escolar na bolsa tubo e guardar a sua bola autografada, qual estava presente em todos os treinos e poucos podiam contar que já jogaram com ela. — Não há nem um problema. Por quê? 

— Porque parece. — Kyungsoo disse sentando-se no banco onde estava apoiada a mochila do Park, assim podendo fitar sua expressão séria e concentrada. 

— Hm. — E então calou-se, jogando uma toalha de banho sobre os ombros. O Do somente suspirou, assistindo o mais velho dirigir-se para uma das duchas. 

— O problema sou eu? — Inquiriu antes que o mais alto se afastasse completamente. — Você não queria que eu fizesse parte do clube? — Chanyeol demorou alguns instantes antes de se virar para o acastanhado que permanecia sentado no banco entre os armários. 

— Não… Não tem nada a ver com isso. — Disse aproximando-se novamente de onde estava, olhando Kyungsoo de cima por ainda se encontrar de pé. — Você só nunca me deixa saber quando está perto e quando está longe. — O mais baixo franziu o cenho. 

— Como assim? — O ruivo suspirou, sentando-se ao lado do Do.

— Você gosta ou não gosta de mim? Porque sinceramente, eu não sei. Uma hora você ri, conversa e é agradável, depois finge que eu não existo, ignorando completamente o fato de que conversamos durante uma noite inteira como se fôssemos amigos. O que eu acho que não somos, mas você sabe fingir bem. — Aquele não era o problema de verdade, mas também era um deles.

O que acontecera há alguns minutos na quadra do ginásio nem mesmo Chanyeol queria pensar. Preferia se concentrar naquela pulga atrás da orelha em relação à sua amizade com Kyungsoo antes de qualquer outra coisa.

— Eu não tava fingindo.

— Parece que tava. — O ruivo sabia que deveria estar soando como uma criança birrenta, mas não se importou com isso naquele instante. — Eu só quero saber a verdade, Kyungsoo. — Bufou, passando os dedos pelos cabelos levemente molhados de suor. — Quero saber se você confia em mim e se me vê como um amigo ou ainda não consegue "me engolir".

O acastanhado deixou um suspiro escapar antes de responder.

— Eu só não tô acostumado a fazer amizades. Não sei exatamente como isso funciona e se eu não falo com você, é porque sempre tem muitas pessoas ao seu redor, e isso não é algo com que eu saiba lidar. — Chanyeol buscou os olhos do mais baixo, encontrando bastante verdade neles, por isso acreditou. 

— Então o que eu devo fazer? 

— Nada. — Ergueu-se do banco. — Baekhyun me disse que as amizades tem que acontecer de maneira natural. Mas… Bem, se for para sermos próximos, será quando você não for uma pessoa tão distante. — O ruivo olhou-o sem entender, mas antes que pudesse perguntar o que aquilo significava, Kyungsoo já estava longe demais de si para que ele conseguisse chamá-lo.



— Pessoa distante? O que isso quer dizer? Ele quem tem sido distante. — Chanyeol perguntou frustrado, girando a bola de basquete no dedo indicador. 

Era sexta-feira e ele havia convidado Junmyeon para almoçar na sua casa, mas o Kim teria negado se soubesse que o assunto mais uma vez se tratava de Kyungsoo. Não era incômodo para ele ouvir Chanyeol falar demais sobre alguém, mas esse tipo de coisa só havia acontecido em relação à garotas. 

— Você é uma pessoa distante, Chanyeol. — Junmyeon disse concentrado no vídeo game. — Ainda não percebeu? Kyungsoo é o tipo de cara normal que tem um amigo igualmente normal. Já você está sempre estampado em revistas de moda mesmo que seu pai tenha tentado te esconder da mídia, é o capitão do time de basquete, namora a garota mais popular do colégio e por aí vai…

— Eu ainda não entendo. — Suho suspirou. Às vezes Chanyeol não fazia jus ao seu título de garoto prodígio. Acabou por pausar o jogo e dirigir o olhar para o mais alto.

— Digamos que se a escola fosse Hollywood você seria Tom Cruise e Kyungsoo no máximo um dos figurantes. Entendeu? Ele se aproximar de você não é tão simples como é para os jogadores ou as líderes, que participam do mesmo ciclo que o seu. Kyungsoo vive de uma maneira diferente. 

— Então isso quer dizer que eu tenho que ser menos eu?

— Não. Você tem que ser menos a sua rotina. Pode parecer confuso, mas se quer que ele consiga se aproximar de você, tem que tentar escapar um pouco dos holofotes. — Junmyeon disse voltando a jogar o videogame, xingando um palavrão quando seu avatar foi baleado.

Chanyeol, por sua vez, ficou absorvendo aquelas palavras. Deveria viver menos a sua rotina? Ele não sabia nem mesmo onde começaria a mudar.

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A noite de sábado estava bastante agradável para que Chanyeol a desperdiçasse ficando em casa. Por isso, acabou aceitando o convite de Joohyun para sair, também influenciado pelo fato de que andava ignorando-a demais, e ele não queria que garota pensasse que havia algum problema com ela.

Os dois pegaram um cinema e depois foram até o mercado comprar porcarias, mesmo que o ruivo soubesse que seu treinador tinha cortado de seu cardápio qualquer tipo de besteira que adolescentes amam se empanturrar. Mas comê-las por uma noite não faria mal algum, né?

Eles resolveram ficar na casa de Irene, fazendo o ruivo lembrar do quanto seu sogro era simpático e de que fazia muito tempo que não o via. Depois do homem trocar algumas palavras com Chanyeol, ele resolveu ir dormir porque tinha que estar cedo no banco no dia seguinte, assim permitindo que sua filha ficasse sozinha com o Park na sala.

Os dois sentaram-se no sofá e abriram um salgadinho, conversando sobre banalidades e rindo da maioria delas. Eram nesses momentos que Chanyeol conseguia ver Joohyun como uma garota normal e não como uma boneca perfeita. E era estranho pensar que ela se esforçava tanto para parecer desse jeito, porque a Joohyun de antes gostava de borrachas de cabelo rosa choque e calções floridos.

Gostava de sujar os tênis na terra, as botas de borracha nas poças d'água e não se importava em esconder dos outros quando estava descontente. Irene sempre tivera um temperamento forte, mas agora se parecia com uma flor delicada. Chanyeol pensava que se a Bae continuasse como antes, ele já teria sido repreendido diversas vezes pelo seu porte dentro daquele relacionamento. 

O Park sabia que estava errado; sabia que deveria tratá-la melhor, mas a morena sempre agia como se não se importasse. Tentava ser compreensiva e paciente quando tudo que o ruivo queria era vê-la chutar o balde. Joohyun nunca fora uma garota de muitas expressões. Era sim um pouco tímida e aparentemente fria, mas quem a conhecia sabia o turbilhão que ela carregava dentro do peito.

A garota alegava que agora agia diferente porque não era mais criança. Não tinha mais idade para sujar os tênis na terra e as botas na chuva, nem para usar borrachas de cabelo rosa choque e calções floridos — não só os floridos, como nenhum outro calção brega —. Mas Chanyeol não achava esse papo convincente. 

— Não vai comer mais? — O ruivo inquiriu após perceber que comia aquele saco de salgadinho sozinho.

— É que… Eu tô de dieta.

— Eu também! Mas ninguém precisa saber disso, é o nosso segredo. — Brincou, arrancando uma risadinha da garota.

— Não estou fazendo isso por causa da treinadora… É que eu quero ficar perfeita para o Spring Break*.

— Joohyun, você tem um corpo incrível, vai ficar linda com qualquer coisa que usar. — Chanyeol elogiou-a com um sorriso gentil. — Além de que eu, você e Junmyeon sempre tivemos salgadinho de presunto como o nosso favorito. Lembro que você podia comer um saco inteiro sozinha. — Joohyun deu de ombros, abrindo uma expressão sem graça. 

— É… Mas isso era antes… Tipo, agora eu sou diferente. — O ruivo fechou os olhos e suspirou, em seguida, largou o saco de salgadinho sobre a mesa de centro, buscando os olhos bem maquiados da mais nova.

— Eu acho que eu não te conheço mais… Sabe, aquela garotinha intensa que brincava comigo e com o Suho parece ter virado mais uma dessas bonecas de plástico e… E eu não quero namorar alguém de plástico.

— Eu não sou assim. Eu só mudei alguns hábitos. Chanyeol, entenda que a gente não tem mais dez anos.

— Não tô dizendo que a gente tenha, tô dizendo que não é só porque a gente não tem mais dez anos que você precise querer parecer perfeita. — Joohyun rolou os olhos, de repente sentindo um calor na nuca e acabando por amarrar os cabelos em um coque.

— Você é o único que pensa assim, Chanyeol. Muitos garotos gostariam de estar no seu lugar. — O ruivo soltou um riso soprado e sem humor.

— Então fique com algum deles. — Por fim, ergueu-se do sofá, caminhando até a porta e tendo uma Bae desesperada ao seu encalço.

— Espera! — Colocou-se no caminho do Park rapidamente. — Tá terminando comigo?

— Eu não… Eu não sei. — Bufou, esfregando os olhos em seguida. De repente sentiu a cabeça latejar. — Acho que a gente precisa de um tempo.

— Não! Não, a gente não precisa de um tempo. — Ela disse em um tom choroso, abraçando o mais alto com força. — Por favor… — Chanyeol somente respirou fundo, afastando-a delicadamente de si, para assim segurar o rosto dela entre as mãos.

— Eu não tô sendo nem um por cento do namorado que eu deveria ser para você, Joohyun. Você não percebe isso? Achei que você gritaria comigo, mas aí está você me colocando na frente do seu bem-estar. 

— Não estou te colocando na frente! E-eu só me sinto melhor quando estou com você… — As lágrimas já escorriam livres pelo rosto pálido da menor, levando o Park a reconsiderar as suas palavras.

Mas não podia mais adiar o que já deveria ter acontecido há meses. Pensou que talvez estivesse sendo influenciado pela conversa que tivera com Junmyeon sobre mudar sua rotina, e por isso estava tomando aquela atitude. Contudo, nada daquilo se tratava de querer se aproximar de Kyungsoo. Tratava-se de si mesmo e do quanto não aguentava mais permanecer sendo aquele tipo de cara para Joohyun.

Quando se deu conta, nem mesmo em sua rotina a garota se encontrava, e aquilo não estava certo.

— Eu não quero te machucar, Joohyun. 

— Está me machucando agora.

— Só que essa é uma dor necessária… Tô fazendo isso pela gente. Vamos dar só um tempo. — Mas a morena sabia que "tempo" era um eufemismo para término. 

— Você não me ama mais? — Chanyeol fugiu dos olhos dela por alguns instantes, mas resolveu encará-los porque esse era o mínimo que podia fazer.

— Eu não sei… É por isso que preciso pensar. — A morena secou o rosto com as mãos enquanto balançava a cabeça positivamente, caminhando até a porta e abrindo-a  para o ruivo.

— Tudo bem, então vá embora logo. — Chanyeol a encarou seriamente, parando em frente a garota que fitava o chão. 

— Eu não quero que a gente fique de mal um com o outro. 

— Vai embora, Chanyeol. Você já pediu um tempo, e o ganhou. Agora querer que eu continue conversando com você mesmo sabendo que eu te amo e não posso estar contigo,já é demais… Se isso é um tempo, então precisa estar longe de mim. — O ruivo acabou por somente aceitar a escolha dela, demorando alguns segundos antes de virar as costas e proferir um "tchau" quase inaudível. 

Irene esperava que realmente fosse só um tempo.



— Ela não me responde. — Joy disse após ter mandado diversas mensagens para Joohyun que não haviam nem mesmo sido recebidas. — Acha que aconteceu algo?

— Hoje mais cedo ela disse que tinha marcado de sair com o Chanyeol. — Wendy falou retocando o batom em frente ao espelho do quarto de Joy. — Pode estar com ele agora. — A Park suspirou um pouco contrariada, mas achou que a suposição da loira fosse bastante plausível. 

Naquela noite, as três haviam marcado de sair com alguns dos garotos do time de basquete para uma festa mais reservada, só entre amigos, na casa de Jongdae. No entanto, desde que a Bae reatara o seu namoro com Chanyeol no segundo ano, fazer uma programação desse tipo unindo as três se tornou cada vez menos frequente.

Sooyoung e Seungwan gostavam de sair juntas, mas não era a mesma coisa sem Joohyun. Elas ficavam preocupadas porque notaram a mudança drástica que o relacionamento dela com o Park sofreu depois de reatarem, onde Irene parecia fazer esforços demais para manter as coisas no controle.

— Sinto saudades das nossas festas… Sei que quando a gente começa a namorar é assim mesmo, mas eu estou presente na nossa amizade mesmo estando em um relacionamento sério com o Kris… — Sooyoung postou-se ao lado da Son para arrumar os cabelos uma última vez.

— Você sabe que ela anda frustrada com a indiferença do Chanyeol, vamos compreender que Irene quer passar mais tempo com ele. — Logo depois de Wendy falar, uma buzina soou, fazendo Sooyoung xingar um palavrão. Havia sido bem clara quanto à buzinas: estava saindo sem permissão e seus pais não podiam acordar.

Mas, felizmente, ninguém além delas ouviu aquele barulho, que não voltou a se repetir devido à Seungwan ter aberto a janela e sinalizado com as mãos para que fizessem menos alarde. As duas garotas saíram de mansinho, embora Seungwan não estivesse tão acostumada com isso quanto Joy estava. 

Afinal, o namoro dela com Yifan não era permitido pelos seus pais e eles tinham que se virar para se encontrarem longe da escola. De acordo com os Park, o chinês não era uma boa influência; mas o que eles não contavam era que a filha nunca fora nenhuma santa e que, mesmo que a aparência não dissesse, a má influência seria ela caso essa merda realmente existisse. 

Ninguém em plenos dezoito/dezenove anos pode ser inocentado de ter feito alguma besteira por ter sido aliciado pelos amigos da mesma idade. A verdade era que alguns simplesmente tomavam atitudes erradas, e Sooyoung pensava desse jeito, por isso terminar com o Wu era a última coisa que ela queria na vida.

Embora estivessem discutindo muito ultimamente a respeito do futuro, a Park comprovava que era de família jogar todos os problemas para baixo do tapete e não pensar demais neles. Ela era meio cabeça de vento; queria aproveitar o presente sem pensar nas consequências, mas Yifan queria ir para a faculdade com ela e, quem sabe, um dia dividir um apartamento. Mas nada disso seria possível sem a bênção dos sogros.

— Vocês tem sorte de não terem acordado ninguém. Meu pai tem ouvido de cão treinado. — Joy falou após entrar no banco carona do carro de Yifan, colocando o cinto assim como Seungwan fazia nos bancos de trás. 

Presente com elas estavam Minseok e Sehun e o carro de Kai se encontrava logo atrás, já com todos os assentos ocupados por garotas, na maioria — nada fora do esperado de Kim Jongin —. Ele e o Wu se respeitavam, mas era de praxe saber que Yifan não simpatizava muito com ele depois de saber das investidas que tentara com Joy. No entanto, embora cafajeste, o moreno não curtia moças comprometidas, e isso tornou a relação dos dois menos tensa.

— Foi mal, eu esqueci. — O platinado disse colocando alguma música do Alice in Chains para tocar no rádio do carro, passando o cigarro de maconha para Minseok, que estava logo atrás do seu banco.

Wendy precisou abrir a janela, um pouco nervosa por estar ao lado de Sehun e por nunca ter ficado chapada na vida. Ela não sabia exatamente se gostava de Sehun. Quer dizer, ele já fora o seu parceiro de Overwatch e a sua primeira vez, também melhor amigo, primeiro beijo e blábláblá. 

Mas agora ele era um cara totalmente diferente de antes, e Wendy teve certeza disso ao vê-lo assim de perto, todo bonito na jaqueta de basquete como se tivesse sido feito para aquilo. E cara, o Sehun de antes não fumava maconha, nem bebia e nem fazia nada escondido da mãe. Ele tinha bastante medo dela, na verdade.

Preferia ficar em casa assistindo anime para depois discutir com Seungwan sobre qual protagonista venceria em uma luta. A questão era: Seungwan não sabia se gostava de Sehun porque não sabia exatamente quem era Sehun. Mas ela queria que ele gostasse dela. A Son sabia que os garotos que a conheciam não ficavam interessados por si como ficavam em Joy e Irene. Afinal, quando viam a sua ótima aparência, mas depois descobriam a sua personalidade, tudo ia por água abaixo.

Talvez por isso às vezes desejasse esse tipo de coisa. Embora dissesse não se importar, isso não era verdade o tempo inteiro.

— Quer? — A loira foi despertada de seu devaneio ao ver Sehun estendendo aquele baseado em sua direção. 

— Eu não fumo. — O olhar que o Oh lhe dirigiu veio junto com um sorriso que fez a garota sentir que eles eram próximos por alguns instantes. Talvez porque aquela fosse a primeira vez que se falavam diretamente depois de meses, e, finalmente, não era para dar alguma resposta a Sehun das questões de Química. 

— Sério? — Seungwan balançou a cabeça timidamente e assim Sehun não insistiu, passando o cigarro para Sooyoung, que o pegou sem pestanejar. Novamente a loira quis ser um pouco mais como suas amigas.

Menos bruta, maluca e medrosa. Mais como uma flor delicada e não como uma pilha de energia infinita. Wendy sabia que ria e falava alto demais, também sentia-se deslocada naquele vestido apertado.

— Acho que você deve fazer isso quando se sentir confortável. — Wendy ouviu o Oh tornar a falar em meio a música que soava junto com as conversas paralelas de Xiumin, Joy e Kris.

— Em que situação eu me sentiria assim? 

— Quando houver menos pessoas. — A loira balançou a cabeça positivamente. Era muito lenta, ao mesmo tempo em que entendia as coisas, mas tinha medo de pensar errado. Por isso, acabou não levando a frase de Sehun como um convite. 

Eles chegaram até a casa de Jongdae não muito tempo depois, e além dele, só havia Seungri e mais dois caras já bebendo um pouco de whisky e fumando cigarros. Os recém chegados habituaram-se ao clima da festa rapidamente, exceto por Wendy, que ficou no canto da cozinha bebericando de um pouco de soju, feliz por ver a amiga em um clima agradável com Yifan. 

Os dois já não ficavam de boa daquele jeito tinha algumas semanas. Então era bom vê-los trocando beijos, abraços e sorrisos, ao mesmo tempo em que deixava a Son encucada pensando no seu próprio romance que parecia nunca chegar. Talvez fosse amaldiçoada? Bem, quem sabe tivesse assistido doramas e escrito fanfics demais. Essa classe de garotas estava destinada a viver sozinha com sete gatos.

— Oi? — Sobressaltou-se ao ouvir a voz de Sehun, arrancando uma risada baixa dele pela sua reação. — Calma, não vou te morder não. 

— Desculpa, é que eu tava… Tava meio pensativa, só isso. — A loira falou com um sorriso sem graça, bebericando do soju logo após. 

— Entendo… — Escorou-se ao lado dela na pia. — Pensando em quê?

— Besteira. 

— Que besteira? — Wendy soltou uma risadinha.

— Quando eu digo que é besteira, é porque não vale a pena falar. — Sehun balançou a cabeça, aproximando-se dela até que encostassem os ombros, levando Wendy a sentir as mãos suarem. 

Ele não tava flertando? Tava? Droga. Por que ela não conseguia acreditar nisso? Sehun também pensava no que deveria fazer. Seu corpo agia sozinho às vezes, mesmo que sua cabeça estivesse longe. E assim tão de perto, sentindo o perfume feminino dela, fitando a pele leitosa de suas pernas contrastando com o rosa do vestido e os seios subindo e descendo acompanhando a respiração nos limites do decote, o Oh soube que se atraiu.

E que sentia-se extasiado. Pensava em como era possível desejar tanto o corpo de uma mulher quando já desejara — e ainda desejava — o de um cara. Baekhyun estava em sua mente o tempo inteiro, mais do que o recomendável. A memória dos beijos dele permanecia tão viva que por vezes Sehun conseguia sentir a textura macia daqueles lábios mesmo estando longe deles.

— Por que a gente deixou de se falar? — A pergunta da garota pegou o mais alto de surpresa. Ele limpou a cerveja dos lábios com a língua, fitando o rosto da loira e percebendo que Wendy conseguiu ficar ainda mais bonita do que era na infância.

Mas ela já não era mais a mesma, e Sehun não podia julgá-la, porque ele também não era, assim como todo mundo. Havia uma tênue diferença entre os dois terem mudado: Wendy havia crescido e amadurecido, mas ainda não se importava em usar chuteiras quando as outras garotas usavam salto. Já Sehun, bem, ele não sabia se alguma vez havia deixado de se importar com as coisas.

Talvez ele nunca tivesse sido ele mesmo.

— Acho que… Caminhos diferentes, né?

— Tecnicamente, não. Nós somos vizinhos, então os caminhos são os mesmos. — A loira brincou, fazendo Sehun soltar uma risada baixa. Logo após, ela suspirou. — Mas eu entendi o que você quis dizer… Todo mundo seguiu caminhos diferentes quando o ensino médio começou. 

— Isso é natural. As pessoas mudam com o tempo. — Wendy não conseguia sentir-se confortável ao lado de Sehun, mas não era de um jeito ruim.

Só pensava que não conseguia tratar com indiferença o fato de ter perdido a virgindade com o seu melhor amigo que agora era um estranho para si. Seungwan sentia muita saudades de ter treze anos.

— Então você veio falar comigo pra quê? — Uma coisa que a Son nunca iria conseguir fazer era se passar por laranja como Irene fazia. Ela sempre seria um limão bem ácido.

Sehun soltou uma risadinha levemente sem graça. 

— Só queria saber como você tá.

— E o que mais? Ficar de olho no meu decote? — Naquele instante, o Oh se afogou com a cerveja, mas por sorte a tossiu de volta, ainda muito sem graça por ter sido tão óbvio e indecente.

— Foi mal, eu não quis fazer isso… — Disse passando uma das mãos no cabelo e largando a cerveja. — Na verdade, eu não sei nem porque eu tô aqui. Quer dizer, eu te acho gata pra caralho, mas tem outra pessoa na minha cabeça e eu não consigo tirar. — Seungwan tentou não corar demais com o elogio, preferindo se concentrar na última frase do Oh.

— Não é fácil tirar alguém da cabeça, e isso pode piorar se você tentar se ocupar com outra pessoa. Sexo pode até ser eficiente no começo, mas depois se torna inviável. 

— Você fala com bastante propriedade sobre isso… Já passou por alguma situação? — A resposta era não, Seungwan só havia lido isso numa fanfic, e Joy passara por uma situação parecida durante o término mais longo que tivera com Kris. 

— Mais ou menos. — Respondeu sem fitar o mais alto no olhos, feliz por o mesmo não ter insistido no assunto. — Hm… Por que você não experimenta contar a ela o que sente?


Ela


Sehun pensou o que as pessoas diriam se soubessem que na verdade era ele. E isso o confundia pra caralho. Muita coisa o confundia, na verdade. Porque há alguns minutos ele estava querendo muito foder com uma garota, ao menos tempo em que queria foder com um cara em específico. Como se não bastasse, esse fato fez ele brochar, e, ao invés de estar transando com Seungwan, ela estava lhe dando conselhos amorosos.

— É mais complicado do que parece. 

— Por mais complicado que seja, é bom que ela ao menos saiba sobre os seus sentimentos, não? Eu não sei que tipo de problema vocês dois estão passando, mas a sinceridade é um grande passo para um consenso. — As palavras da loira fizeram Sehun pensar verdadeiramente. E elas estavam certas.

Mesmo que Sehun não pudesse ficar com Baekhyun, preferia que ele soubesse que não esteve com ele somente pelos desejos carnais, e que morreria se ele não soubesse que havia sido a única pessoa com quem o Oh não tivera medo de ser ele mesmo. Acima de tudo estava chapado,  vulgo com bastante coragem. 

— Você… Sabe, você e eu não precisamos nos afastar. Sinto falta de conversar com alguém de verdade. — Seungwan olhou-o sem entender.

— Alguém de verdade?

— Não sente que todo mundo é de mentira? Sei que ninguém mostra totalmente o seu verdadeiro eu para o mundo, mas… Ultimamente sinto que não conheço nem mesmo um por cento de ninguém. — Disse desencostando-se da pia lentamente. — Mas você… Bem, você parece real pra mim. Essa garota que eu gosto… Ela também é real.

Seungwan abriu uma expressão gentil

— Tudo bem, Sehun. Então qualquer dia podemos ter um papo de pessoas reais. Mas, de preferência, com alguns personagens 2D. — A loira piscou, causando em Sehun uma risadinha baixa, seguido de um acenar positivo de cabeça. 

— Eu acho uma ótima combinação. — E então o moreno deu as costas, saindo da casa de Jongdae rumo aos braços de quem ele deveria estar desde o início daquela noite.



Quando Sehun desceu do táxi, ele ficou com medo de ter tomado a decisão errada. Ficou com medo do que aconteceria depois de agir daquela forma. Ele sempre fora um garotinho inseguro e anti social, e embora ele não fosse mais assim para as outras pessoas, em seu interior aquele Sehun ainda se escondia. 

Aquele Sehun que fora criado por uma socialite fútil que justificava seu preconceito com os princípios religiosos ensinados pelos pais — ela nem mesmo frequentava a igreja, lia a bíblia ou rezava; preferia pintar as unhas e fofocar —. O pai de Sehun, por sua vez, era o juiz da cidade que tinha poder sobre tudo, menos sobre a esposa.

Ele era um homem bom e gentil e Sehun o amava. Mas ele nunca conseguira questionar as ordens de sua mulher a respeito do próprio filho. Afinal, segundo ela, Oh Sehun tinha que estar sempre bonito e bem arrumado para que no futuro arranjasse uma linda esposa e filhos. As outras socialites certamente morreriam de inveja da sua família e dos seus netos perfeitos. Ah, como Sehun odiava aquelas mulheres com reuniões fúteis, papos fúteis e objetivos fúteis. 

Baekhyun era a única coisa na sua vida que fazia sentido, e havia sido assim desde o primeiro contato que tivera com aquele sorriso retangular de ponta a ponta. Na terceira série, o Byun era a criança mais altiva e engraçada que o tímido Sehun havia conhecido. Aquela criança fora a sua primeira amiga também. 

Embora tivessem sido somente amigos de escola, Baekhyun era importante para Sehun. Principalmente depois que ele frequentou a casa de Byun pela primeira vez com fins de fazer um trabalho. Essas vezes teriam sido frequentes se aquela confusão durante o primeiro ano não tivesse acontecido.

Quando a notícia sobre Baekhyun ser gay ficou popular, Sehun foi expressamente proibido de andar com ele, afinal, sua mãe não queria arriscar que a mídia ficasse especulando a sexualidade de seu filho e assim destruísse os anos de esforço dela para manter a família Oh bem vista. 

Coragem, Sehun. — O garoto sussurrou para si mesmo, andando até a janela de Baekhyun e batendo algumas vezes nela. Eram por volta das duas da manhã, então as chances do moreno estar acordado eram mínimas. 

Sehun repetiu o ato, desta vez chamando pelo nome do mais velho em baixo tom, e quando viu o abajur acender a única coisa que sentiu foi alívio, assim sendo impossível não sorrir.

— Sehun? — A carinha sonolenta do Byun ao abrir a janela fez o coração do maior saltar. — O que tá fazendo aqui de novo?

— Desculpa… Eu não… Eu não sabia exatamente para onde ir. — O Oh talvez devesse ter sido mais sincero, no entanto, não podia dizer para Baekhyun que era exatamente ali que ele pretendia estar quando o moreno fora sério ao dizer que não poderiam continuar se encontrando.

— Você precisa ir pra casa.

— Não posso. Eu disse pra minha mãe que ia dormir na casa do Jongin… Esqueceu que pra ela eu não bebo, nem fumo e nem vou à festas?

— Então deveria ir dormir na casa dele. — Sehun soltou um suspiro rendido. 

— Certo, eu vim atrás de você. Parei aqui de propósito, porque desde que voltamos a nos falar, não há uma festa em que eu termine não querendo te ver. — Mas aquelas palavras não serviram para convencer Baekhyun. 

— E o que vai fazer quando conseguir entrar? Transar comigo, ir embora de manhã e fingir que não existo?

— Eu não vim aqui pra fazer esse tipo de coisa, juro. — Pausou. — Vim aqui porque tem algo que eu percebi sobre mim mesmo, e eu precisava te falar. Se você quiser, posso ir embora depois. Irei dormir na casa do Jongin, como prometi. — Baekhyun não pôde evitar sentir-se um pouco curioso quanto a isso, terminando por respirar fundo e deixando Sehun entrar.

Assim que ele o fez, o acastanhado fechou a janela e as cortinas, sentando-se na cama e recebendo Sehun ao seu lado.

— Baekhyun, eu não sou gay. — Confessou e o Byun exibiu um sorriso irônico, cruzando os braços e fitando um ponto incerto dos aposentos. 

— Então por que me procura? Eu nunca vi caras héteros procurarem por outros caras… 

— Mas eu também não estou dizendo que sou hétero. — Baekhyun então procurou pelo rosto do mais velho, fitando-o de maneira confusa.

— Eu não estou entendendo aonde você quer chegar. — Os olhos de Sehun encheram-se de lágrimas, e quando ele piscou, uma delas escorreu.

— Eu também não, e é por isso que estou sufocando…  — Fez uma pausa para respirar fundo. — Mas o que eu sei é que ainda me atraio por garotas, mas prefiro você. E não te prefiro pelo fato de ser um garoto, mas pelo fato de ser você. — Baekhyun continuava o olhando de maneira perdida, sentindo o próprio choro chegar.

— Você está me deixando confuso… — A voz do moreno tremeu, junto a uma lágrima escorrendo pelo canto de seu olho, descendo singelamente pela bochecha. 

— Eu acho que quero dizer que não gosto de ti porque você é um garoto… Eu gosto de você por ser simplesmente essa pessoa incrível. Por ter o meu sorriso, o meu beijo e o meu cheiro predileto… Por ser Byun Baekhyun que, coincidentemente, é um cara. 

O mais baixo ficou em silêncio, processando aquelas palavras e tentando compreender o que Sehun estava tentando transmitir, embora nem o próprio soubesse. Baekhyun colocou-se no lugar do mais novo por um momento, e pensou que a situação dos dois não era a mesma. Porque se Sehun fosse uma garota, ele não conseguiria gostar romanticamente dele. Era gay, afinal.

Então sim, em partes gostava de Sehun porque ele era um cara. Logicamente seus sentimentos eram muito mais amplos que isso, mas o moreno ser um garoto era o passo inicial para que tivesse olhado para ele.

— Eu tô apaixonado por você. — Aquela frase fez Baekhyun prender a respiração, ao mesmo tempo que ela tornou-se ligeira.

— Está mentindo. 

— Não tô… Eu só achei que precisava assumir isso para mim mesmo e para você. A única coisa da qual eu tenho certeza é essa: você mexe comigo; você não sai da minha cabeça, e eu sei que eu não saio da sua. — Baekhyun não sabia exatamente o que falar e nem o que sentir.

Não sabia se estava contente ou assustado. Triste ou com raiva. Talvez todas essas coisas de uma vez e por isso sentia-se à beira de um colapso. 

— Sehun… Eu… Eu não posso estar com você. — O Byun disse limpando o rosto molhado pelas lágrimas, segurando qualquer outra que tentasse sair.

— Não tô pedindo por isso. — O mais alto falou pegando em uma das mãos de Baekhyun delicadamente, acariciando as costas dela com o polegar enquanto fitava tal contato. — Sei que eu não mereço você; que eu sou todo complicado e que não vale a pena sacrificar por minha causa toda a luta que você teve pra não precisar mais se esconder. Mas… Mas eu queria ir embora daqui sabendo que eu fui sincero.

Baekhyun já não conseguia mais segurar o choro, por isso abraçou Sehun fortemente na intenção de que ele não o visse e na intenção de sentir o seu calor. Por que tudo na vida do Byun tinha que ser um drama? Nada podia ser dado a ele sem sofrimento.

— Eu acho melhor você ir. — O mais baixo sussurrou, sentindo os braços de Sehun corresponderem ao abraço. 

— Você ainda está com raiva de mim?

— Eu nunca estive com raiva de você. — Baekhyun disse afastando-se do abraço. — Você só me deixou triste. 

— Me desculpa. Eu jamais quis te machucar… Mas eu sempre acabo fazendo isso com as pessoas.

— Nunca é tarde pra mudar. — Sehun não gostava daquele tom de despedida.

Não que tivesse achado que quando se declarasse Baekhyun iria correr para os seus braços, mas quis que isso acontecesse mesmo não acreditando nas probabilidades.

— Está ficando tarde. — Após a frase do menor, Sehun entendeu que tinha que ir.

Ele foi acompanhado até a janela, e quando seus pés alcançaram o lado de fora, percebeu que não queria que aquela fosse a última vez. Não podia deixar que as coisas terminassem daquele jeito. E Sehun não sabia por onde iria começar, contudo, saber que teria um começo era o suficiente para não abrir mão do único lugar do mundo onde sentia que ele era real.

— Baek. — O Oh proferiu seu apelido enquanto voltava a ficar de frente para o menor, apoiando as mãos nos ombros ele e o puxando para um beijo.

Baekhyun não resistiu, permitindo que aquele contato sutil dos lábios se aprofundasse. Sehun colocou uma das mãos atrás de sua nuca e o mais velho envolveu o pescoço dele com ambos os braços, percebendo que estava com muita saudades daquele beijo. O mais alto encerrou o contato com selinhos longos e úmidos, que foram ficando cada vez mais escassos enquanto ele se afastava com um sorriso satisfeito por saber que Baekhyun queria aquilo tanto quanto ele.

— Isso não é um adeus, Baek. Eu vou dar um jeito; eu vou fazer o "a gente" valer a pena. — O Byun sentiu o peito encher-se de calor, e por isso sorriu docemente.

— Vou estar esperando. — E então fechou a janela, tocando a sua mão com a do Oh por trás do vidro uma última vez antes de fechar as cortinas. 


E Sehun? Bem, ninguém desgrudava aquele sorriso bobo dele por nada.


Notas Finais


FIQUEM EM CASA! Vou tentar atualizar mais rápido pra tentar ajudar num entretenimento ou sei lá lkkk ♡

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*Spring Break: Trata-se do período de festas realizadas por estudantes durante o mês de março, aproveitando o período em que recebem uma semana de férias das universidades.

como imagino as jaquetas e os uniformes do time:

jaquetas: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcTuJdMv_XFlRk16nI-vFHaOWlALVBKLEzPGAXwlxbc0e3yTGUId

uniforme: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcSRlj55T0jnQeQUyQhSGoZznbiGRlj0HILJ1qrPxIQ1BaRdIEBZ



XOXO 


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