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História Ponte do Destino - Capítulo 8


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Notas do Autor


Declaro oficialmente que o hino dessa fic é fire and the flood.

Boa leitura. Chorem bastante. ♥️

Capítulo 8 - Capítulo - VIII


Fanfic / Fanfiction Ponte do Destino - Capítulo 8 - Capítulo - VIII

A surpresa e o desfecho

Castiel abriu seus olhos lentamente, sua cabeça latejava e suas pupilas diminuíram pelo contato exagerado de luz tão rapidamente. Tanto que uma de suas mãos foram para a frente da sua visão tentando diminuir a irritação. 

De repente, um flash de acontecimentos invadiu sua mente, e sua coluna se arqueou em segundos, sua respiração ficou ofegante e seus olhos marejados. Olhou em volta tentando se localizar com sua visão embaçada, parecia estar dentro de uma tenda. Era de um tamanho médio, e tinha mesas e materiais ali.  

Os segundos que ele parou para analisar o lugar não importaram, já que ele rapidamente colocou os pés pra fora da maca, porém, com suas pernas bambas, ele quase caiu.

Quase, pois dois braços o seguraram e o colocou sentado na maca com dificuldade. Castiel olhava para todos os lados até que sua visão deu em uma forma feminina na sua frente. Era alta, forte, e o dizia alguma coisa que não conseguia entender.

– Querido, fique calmo. Respire, vamos.

O contato visual forçado de Castiel e a mulher deu-se pelas mãos da loba que forçavam seu rosto a olhar para ela e apenas para ela. O ômega então se forçou a respirar devagar, inspirando e expirando como ela mandou.

– ...Pamela?

– Sim, querido, sou eu. Como está?

– Mas... Como... E-eu estava... Estava-

– Sam achou você.

– Sam?

Como se tivesse funcionado como um chamado, a cortina da tenda fora aberta por uma grande pessoa. Era Sam, que imponentemente entrou junto de Gabriel que tremia e se juntou ao lado de Cas em segundos.

– Castiel! Você está bem? – Gabe movia suas mãos pelo rosto de Cas, inspirando rápido quando viu um grande machucado na testa de Castiel. Era um corte fundo, e já tinha uma coloração arroxeada e verde na pele envolta.

– Eu estou bem... Sam?...

– Estávamos indo para o cemitério, e o som do relincho do cavalo de Dean nos chamou atenção. O cavalo estava do seu lado, e parecia nos chamar. Nós te achamos inconsciente, e o trouxemos rápido pra cá.

– Você veio em um estado terrível quando chegou aqui, Castiel. Tremia como uma convulsão... Creio que foi uma mudança brusca de altos níveis de temperaturas contrárias.

Em um pulo, Castiel ficou agitado novamente.

– ... Dean, Dean! Onde...

E mais uma pessoa ultrapassou a tenda, era um homem imponente que vestia malha, seu cheiro estava ameaçador e preocupado, seus feromônios fizeram Gabriel recuar para atrás de Sam, que não hesitou em protegê-lo com sua altura, e Castiel se encolheu na cama, tremendo.

– Então, você acordou, Castiel. – John não falou aquilo com preocupação, mas com uma seriedade assustadora.

Castiel franziu a sombrancelha, sua mente vagou analisando o rosto do homem de cabelos castanhos, e ele pulou para fora da maca, lutando contra seus instintos que o mandava recuar. Suas pernas tremiam, mas sua voz saiu alta.

– Senhor... Por favor... Precisa nos ajudar, nos ouvir! Nos ajude...

– Cas...

Gabriel foi para o lado do irmão, agarrando seu braço o impedindo de dar mais algum passo. John encarou os dois ômegas, e então encarou Sam. Ambos pai e filho sabiam o que aquele olhar significava. Era simplesmente “explique-se”.

– São habitantes do Leste, pai. Castiel é o companheiro de Dean, e Gabriel, meu companheiro.

Sam falou seriamente, ficando atrás dos dois ômegas e colocando a mão no ombro de cada um. Ele não fazia aquilo por querer mostrar os dois, mas simplesmente protegê-los. Castiel era seu amigo, e também não deixaria que nada acontecesse a Gabriel.

O alfa mais novo olhou para Gabriel, que entendeu o recado, e, com as mãos tremendo, tirou um documento do bolso do seu casaco, e olhou para Castiel decididamente.

– Temos pistas sobre o atentado de 20 anos atrás... Que provam a inocência de nosso pai.

John olhou para os dois pequenos de modo surpreso, e estendeu as duas mãos para pegar o documento. Em seu âmago, ele poderia degolar aquelas duas crianças ali mesmo, porém, todo esse pensamento se dissipou em alguns segundos.

Não esperando, o alfa abriu o documento, e Castiel apertou a mão do irmão mais velho.

Foi um silêncio enquanto o alfa lia, e todos notaram como a sua expressão beirou uma raiva incontrolável e... Alívio.

– Sam, apronte os lobos preparados disponíveis, mande pegar cavalos também. Castiel, você me contará tudo que descobriu. Vamos salvar Dean, e também o Leste.

Os olhos azuis de Castiel marejaram, e os dourados de Gabriel também. Mas não podiam se deixar transparecer o quanto ainda estavam com medo. Mas estavam gratos. O moreno assentiu com a cabeça rapidamente, assim como Gabriel que saiu com Sam da tenda.

(...)

Pelo menos uma hora de passou até o plano ser totalmente construído, e agora Castiel estava sentado na maca, observando como seus pés não tocavam o chão. Pamela estava sentada em uma cadeira ao seu lado, segurando sua mão e deixando um carinho fantasma ali.

– Muito bem, agora que terminaram todo seu ato heróico, me deixem sozinha com meu paciente, esse rapaz precisa descansar e de espaço.

Os lobos que estavam ali sorriram sem graça e se despediram, agradecendo Castiel e pedindo licença para Pamela. Por alguns minutos, o silêncio se instalou

– É muito bonito, obrigado.

Pamela franziu as sobrancelhas para a fala baixa do rapaz, mas então se deu conta.

Sam havia providenciado um casaco para Castiel, que quando chegou estava tendo uma convulsão. O que havia sido perigoso demais para seu estado.

Ela já havia tocado naquele casaco, era um que havia sido exportado do continente, e era cheio de detalhes e bolsos.

Mas ela nunca soube a cor.

– Que cor é?

– Algo como castanho... Mas como se tivesse sido banhado no mel.

– Então deve ser muito bonito – Castiel balançou a cabeça.

– É, é sim...

– Querido, olhe pra mim um minutinho. – Cas o fez – Eu sei que deve estar passando muita coisa na sua cabeça. Você deve estar preocupado com seu companheiros, demais. E pelo que você nos disse... Eu preciso lhe dizer que talvez ele já esteja morto. – Castiel prendeu sua respiração, e sentiu seus olhos marejarem – Então, eu preciso que você se mantenha forte, por si mesmo, pelo seu companheiro, e pelo seu filhote.

– ... Perdão?

Castiel sentiu sua mente girar e seu coração parar, quase que sua costa caiu na maca, mas ele apenas encarou Pamela. Encarou surpreso, em choque, sem acreditar, ele pensou ter ouvido errado.

E Pamela percebeu isso, e arqueou a sobrancelha.

– Você não sabia?

– Sabia... O que?

Pamela levantou de sua cadeira rapidamente, e ajudou Castiel a levantar, em passos lentos o levantou e o guiou até um espelho que havia lá. Por sorte era um espelho grande para ver o corpo todo. O ômega estava sem camisa, apenas trajando seu casaco. Preferiu usar apenas aquela peça pois ainda estava se acostumando dom o calor dali, que era um pouco maior que o da floresta.

Castiel encarou o espelho, e então ele notou.

Virando se lado minimamente, ele percebeu que seu abdômen não era mais reto como sempre foi. Havia uma pequena montanhinha de carne abaixo do umbigo, como se houvesse um montinho de terra por baixo da pele.

Seus olhos abriram, e seus lábios separaram. Da sua boca saiu um ofego. Suas mãos foram lentamente e instintivamente para aquele montinho, o acariciando.

– Eu...

– Você está grávido, Castiel. Está carregando um filhote.

As mãos de Castiel subiram rápido para sua boca, abafando um som choroso. Suas pernas recuaram até a parte de trás de seus joelhos baterem na borda da maca, e ele se sentou.

– Eu dou pelo menos, quase um mês para esse bebê.

Castiel encarou Pamela, lágrimas finas caíam de seus olhos, enquanto revesava seu olhar do ventre para a loba.

– ... Estou com medo.

– Eu sei, eu sei. Geralmente, o pai do filhote é o primeiro que sabe sobre a gravidez do ômega, mas Dean não teve contato com tantos ômegas grávidos na vida.

– Ele disse... Que meu cheiro parecia mais forte... – Pamela sorriu.

– Ele só não soube identificar. Mas sabe. Ele será pai, e você também.

– Eu... Eu preciso ver ele, não posso viver sem Dean, como vou... Não quero ter meu filhote sem ele... – Castiel se jogou contra o colo de Pamela, que fez um cenho triste e de forma compreensível colocou seus braços protetoramente ao redor do ômega, acariciando.

– Nós vamos resgatar ele, querido, nós vamos.

(...)

Dean tinha um machucado no rosto. Sua bochecha tinha uma grande mancha roxa e seus lábios e supercílio estavam sangrando.

Estava cansado, a substância tinha parado de fazer efeito e ele estava recuperando suas forças, claro que isso não impediu de ele ter ganhado bons socos e chutes nas partes do seu corpo. Ele não parava de pensar se Castiel estava bem. Se os lobos que correram atrás dele conseguiram pegá-lo, ou se ele conseguiu escapar com vida.

E ele também estava com medo, algo a mais o deixava com medo, além de Castiel, era como se Castiel, enquanto corresse, carregasse algo que ele queria, ele precisava que estivesse a salvo.

Ele estava sendo empurrado, suas mãos estavam amarradas atrás das costas e seu corpo tremia pelo frio intenso, não tinha mais sua camisa que antes fora rasgada, somente sua calça de malha o mantinha distante da nudez total.

Sua visão subiu quando eles entraram em um espaço mais aberto que ele pensou ser a praça da cidade. Várias pessoas saíram de dentro de suas casas, algumas colocavam as mãos na boca para evitar um som de medo, as poucas crianças subiam nos braços dos pais que sempre estavam atentos para proteger seus companheiros e filhotes.

Medo estava ali, mas Dean sabia que não era medo dele, mas medo das pessoas que estavam o escoltando.

Seu corpo foi jogado na neve, mas em uma parte de areia dura pouco coberta por ela, seu rosto arranhou na parte em que tocou na terra e sua e sua cabeça girou. Antes de abrir os olhos, ele sentiu o hálito de um lobo perto de seu ouvido, rosnando ameaçadoramente antes de se afastar.

– Vejam! Um impostor das terras do oeste, aqui! Já não bastando terem jogado nosso povo na miséria, mandam espiões para acabar de uma vez conosco!

Dean tossiu.

– É mentira... Ele... Ele está enganando vocês.

O alfa foi calado com um chute em seu tórax, ato esse que o fez tossir e puxar o ar desesperadamente. Seus olhos brilharam vermelho e ele rosnou. Seu lobo poderia ser paciente, mas ele conseguiria arrancar a cabeça daquele lobo. Ele não o perdoaria por ter ficado frente a frente com Castiel. Simplesmente não. Suas presas rangiam uma na outra.

Ao longe, em uma casa, Ellen e Balthazar não haviam saído da casa e estavam espiando pela janela. A mulher colocou na mão na boca exasperada, e o beta passou uma não pelo seu ombro.

– Precisamos achar Chuck.

Ellen balançou a cabeça positivamente, e do modo mais furtivo que conseguiram, saíram pela porta dos fundos. Alguns soldados montados em cavalos haviam cercado o local, mas estavam prestando atenção demais na cena pra notar o casal.

– O espião foi pego tentando atuar contra o filho caçula do nosso atual chefe! Meus soldados e eu estávamos preocupados com nosso herdeiro, chegamos a tempo de evitar que esse alfa desgraçado forçasse uma ligação com Castiel!

Metatron apontou furiosamente para Dean, e alguns moradores fizeram som horrorizados, encarando o corpo praticamente desfalecido no chão. Alguns revoltosos fizeram sons raivosos e deram um passo a frente.

Dean sabia o que ele estava fazendo, o culpando, tirando-o de cena. E quando Castiel quisesse falar a verdade... Ele o faria louco, alegaria que Dean havia feito sua cabeça.

Um destino horrível.

– Onde está Castiel?!

– Onde está nosso herdeiro?!

O som de vozes raivosas começaram a soar, e Metatron deu alguns passos para a direita, sua voz diminuindo.

– Nosso herdeiro, em choque e com medo, fugiu. Eu mandei lobos o procurarem. Logo ele estará são e salvo, porém creio que sua situação mental está fora do normal...

– Desgraçado...!

Dean rosnou, mas sua cabeça fora levantada pelos cabelos e jogada contra o chão, seu nariz inspirando fundo e fazendo a areia voar. O soldado que fez isso sorriu em escárnio.

– Executem-no!

– Arranque a cabeça!

– Queime-o!

– Faça-o pagar!

Mais gritos, e Dean já não conseguia pensar em um meio de escapar.

– Bem... Como sou o chefe regente, nada mais justo que eu atender os pedidos do povo, agora que nosso chefe está em reunião. Não é?

O povo gritou, e Metatron encarou Dean bem no fundo dos olhos. Então, o Winchester só pode respirar fundo e esperar pelo o que quer que viria.

Metatron riu, e sussurrou algo para o soldado do seu lado.

– Traga-me a cabeça.

O soldado sorriu em resposta.

– Levantem-no e me mostre seu pescoço!

Então alguns lobos foram até Dean, que se debateu e gruniu, mas suas mãos amarradas não deram muita vantagem. Um deles agarrou seu cabelo e puxou para trás agressivamente, tanto que seu pomo de Adão foi pra cima e para baixo tentando pegar algum ar. Outro deles estava com uma espada na mão, e lentamente encostou a lâmina na sua traquéia. Um golpe e a cabeça de Dean voaria para o chão e seu corpo iria ser comparado a um rabo de lagartixa depois que é decepado do corpo.

– Últimas palavras?

Dean sorriu para o alfa mais velho.

– Vá se foder.

Metatron mordeu o próprio lábio. As unhas grandes perfuraram a palma da mão quando apertou o punho.

O soldado levantou a lâmina alto, e se preparou para descê-la diretamente na garganta.

E ele o fez.

Porém, no meio do caminho, sons de cavalos e suas patas afundando no chão foram ouvidos, assim como o passo rápido de muitos lobos, que soltavam seus sons característicos. Rosnavam e latiam em fúria.

Não demorou para que o barulho todo tivesse atravessado toda a floresta de neve.

Três lobos estavam a frente de todos os outros. Um era o mais enorme, era inteiramente castanho escuro, os outros dois que estavam ao seu lado eram negro e um castanho claro, beirando ao dourado, o trio seguia correndo no mesmo passo que um cavalo que estava a frente de todos, e montado nele estava John Winchester. E logo, dezenas de cavalos circularam a área juntamente de lobos, que circulavam os soldados rosnando e rugindo. Até mesmo os cidadãos do oeste estavam lá.

O soldado que agarrava o cabelo de Dean o largou de uma vez junto de um grito desesperado que saiu de sua garganta.

O porquê do grito? Quando os três lobos principais invadiram a área central da cidade, um deles veio certo na sua direção. Era negro, e enorme!

Dean caiu no chão, e sentiu o peso do homem acima de si sumir em um passe de mágica, ele girou no chão e levantou a cabeça, vendo o homem que lhe agarrara estar quase rezando para todos os deuses existentes por misericórdia, porque um lobo enorme estava sobre si, salivando e rosnando baixo. Sua mandíbula poderia muito bem abrir e arrancar o crânio sem dificuldade. Uma de suas patas pesadas estavam sobre o tórax do homem, o pressionando contra o chão duro.

Dean prestou mais atenção, o homem estava suado e chorando. E tinha sangue em sua volta. O Winchester olhou para a mandíbula do lobo, estava manchada do mesmo líquido.

O lobo havia arrancado a mão do soldado, porque ela estava a pelo menos 3 metros de onde eles estavam. Era a mesma mão que havia agarrado seus cabelos.

– Castiel!

Dean saiu de seu devaneio quando ouviu uma voz chamar o nome da pessoa que tanto amava. Olhou para trás ao sentir alguém desamarrando as cordas que já tinham deixado uma marca vermelha no seu pulso. Era Sam, e ele vestia somente uma calça, o que fez ele racionar que talvez ele era um dos lobos que estavam ali.

Dean sentou no chão e rodou seus pulsos, observando o lobo que encarou Metatron, sua língua passou pela sua mandíbula, e, desistindo da presença do soldado, ele virou fazendo pouco caso de sua situação desesperada.

Dean estava tão hipnotizado. O lobo estava vindo na sua direção com a expressão doce e preocupada. Até que ele estava na sua frente, os olhos azuis elétricos baixos na direção dos seus.

Sua mão logo passeou pelos pelos sedosos, e o lobo soltou um som gultural do fundo da garganta.

– Cas...

Em um instante, o corpo do lobo diminuiu de tamanho, sons de ossos se modificando foram ouvidos, e logo não era mais o lobo, mas sim Castiel na sua forma humana, nu, com o cabelo bagunçado, ofegante enquanto encarava Dean. Sua expressão estava aliviada e chorosa ao mesmo tempo.

– Dean!... – Castiel pulou nos braços do alfa, lágrimas de alívio caíram de seus olhos, seus ombros tremiam. Dean agarrou sua costa, beijando o topo de sua cabeça, seus próprios olhos marejados. – Olhe pra você... Deuses...

Castiel olhou todos os machucados de Dean, e apenas se arrependeu de não ter matado o desgraçado de antes, e não só ter arrancado sua mão.

– Eu estou bem, estou bem... Sua testa! - Dean falou alarmado quando viu que havia um corte grande porém tratado devidamente na cabeça de Cas. 

– Não é nada...

– O que está acontecendo aqui?! – Uma voz bradou, e todos eles desviaram seu olhar.

– Papai! – Gabriel bradou, feliz pelo pai ter aparecido ali. Castiel estava recebendo uma calça e agradecia a loba que havia lhe entregado, loba esta que Dean reconheceu ser Charlie.

– Chefe... – Metatron estava tremendo de raiva, atrás dele o soldado que teve a mão arrancada estava sendo recolhido.

– John? O que está fazendo aqui? – Chuck tremeu, encarando seu melhor amigo de infância, que o encarava agora com uma expressão culpada e aliviada, o que o deixou confuso.

– ... Seus meninos recorreram a minha presença pessoalmente. – John sorriu para Castiel e Gabriel, que encararam seu pai.

– Me expliquem essa situação, e porque tem todos esses lobos e esse homem ferido no meu território!

Castiel inspirou fundo, e foi até John, que deu os documentos para o pequeno ômega, sorrindo enquanto admirava sua atitude corajosa. Ele mesmo o deixou se boca aberta quando pulou sobre aquele beta!

Castiel e Gabriel andaram na neve até seu pai, Metatron tentou impedi-los, até mesmo agarrar o cotovelo de um dos irmãos. Porém, três dos lobos do Oeste, que estava circulando ele, fizeram questão de dar uma mordida no ar como aviso.

Enquanto Gabriel dava o documento ao seu pai e falava com ele, Castiel olhou para o seu povo.

– Metatron mentiu pra todos nós! Foi ele quem invadiu o Oeste e matou aqueles lobos! Foi ele que culpou Chuck, e fez com que nosso lado perdesse nossa aliança estável há muitos anos! Ele foi culpado por muitas mortes, e... Foi ele que sequestrou meu noivo, me ameaçou de morte e o sequestrou. O oeste me acolheu e me ajudou, se não fosse por eles, os capangas de Metatron já teria minha cabeça em suas mãos!

Os sons de surpresa e murmúrios começaram. Todos eles então olharam Metatron, que engoliu em seco.

– Castiel traiu o povo se relacionando com o inimigo, com aqueles que nos jogaram na miséria!

Dean agora estava ao lado de Castiel, ajudado pelo ômega a se manter em pé, e ele rosnou alto, seus olhos vermelhos brilhando.

– O único aqui que é o traidor, é você. – Gabriel que estava ao lado do pai, agora estava junto de Sam, que colocou sua mão no seu ombro.

– Você... Verme desgraçado... – Uma voz começou murmurando cheia de fúria, para então se mostrar a voz de Chuck, que jogou o documento na neve, sua voz estava quebrada e ele queria separar a cabeça de Metatron ali mesmo.

Os feromônios de Chuck cheiravam a dor pura, e fazia os ômegas do Leste tremerem.

– Eu deixo você morar em minhas terras, comer da minha comida, ter uma moradia... E você me trai, mata cidadãos do oeste, ameaça meus filhos, sequestra o companheiro do meu filho mais novo... E você ainda tem coragem de manter a voz alta e cabeça erguida para mim?

Metatron tinha um pedaço de gelo pendurado nas costas, mas sua cabeça não baixou.

– Seu filho se vinculou com o lado inimi–

– O único que acha isso, é você, seu saco de bosta! O único que nos fez sermos inimigos, é você. Você é a pedra no sapato. Você é o pedaço de estrume que todos têm curiosidade de pisar.

Chuck berrava no rosto de Metatron, seus olhos antes azuis quase transparentes brilhavam vermelho.

Metatron ficou em silêncio, mas havia veias em seu pescoço indicando o quanto ele queria agir.

– Você... Está banido das terras do Leste, se eu ver um fio do seu cabelo em algum grão de terra aqui, eu vou caçar você, e dar sua cabeça para os cachorros comerem. – Chuck falou calmamente, e agarrou a camisa de Metatron, o jogando na neve com tanta força que um pedaço do tecido ficou na sua mão.

– Eu faço as palavras de Chuck, as minhas. Não se aproxime das minhas terras. – John desceu do seu cavalo, e ficou ao lado do outro alfa.

Metatron ofegou, e levantou trêmulo. Encarou os irmãos e seus companheiros com tanto ódio no olhar... Mas Dean e Sam rosnaram em aviso, e Metatron tomou seu caminho, ele precisava sair dali, merda. Precisava sair dali para viver.

Mas ele não iria desistir.

– A festa foi ótima. Mas nós temos alguns problemas políticos ainda.

Na porta da grande construção de pedra, o conselho estava todo reunido, olhando aquela cena, inclusive Balthazar.

Chuck suspirou e encarou John, que o encarou culpado.

– Creio que... Está mais que na hora de consertamos certos erros.

– ... Eu concordo.

– Não acho que seja uma opção favorável juntarmos novamente com o Oeste, visto o que aconteceu há anos. A culpa foi nossa por décadas. – Rafael falou.

– Uma votação seria... O mais viável. – Hannah murmurou, contradizendo a fala do colega.

– Apenas o nosso conselho já será praticamente contra. – Rafael voltou a falar.

– Eu acho que podemos cuidar disso. – Gabriel se pronunciou, sorrindo para Sam que também retribuiu, antes dos dois olharem para trás.

Um grupo começou a se aproximar, e os lobos e soldados montados em cavalos se afastaram.

Era o conselho do lado oeste, alguns carregavam uma expressão gentil enquanto outros não.

Dean abriu sua expressão surpresa.

– Merda, vocês são incríveis. – Dean murmurou, e Sam concordou, ele mesmo estava surpreso por Gabriel ter conseguido convencer o conselho a participar disso.

Rafael fechou o cenho, e Hannah sorriu em resposta.

Logo, ambos os conselhos do Leste e oeste estavam frente a frente, e ambos os chefes também.

– Essa será uma votação para decidir se a aliança entre leste e oeste irá reatar. Os conselheiros do oeste, por favor, se pronunciem.

Todos ali estavam em expectativa, os cidadãos de ambos os lados se aproximaram mais alguns passos. Os cidadãos mais velhos do Leste estava suando, e os cidades do oeste sentiam um sentimento de peso tirado das costas. Era certo que eles concordavam que estava na hora de virar a página.

– Eu voto sim. O Leste apresenta benefícios para o oeste, assim como nós para eles. E estou certa que está na hora de pagar a dívida de uma falsa acusação. – Rowena falou, sorrindo.

– Eu voto sim, Rowena está certa em seu pronunciamento, e não podemos ignorar o fato de que os herdeiros de ambos nossos chefes são companheiros. – Charlie falou, encarando Chuck e John, e então dando uma piscadela para os dois casais que estavam um pouco afastados ao lado.

– Eu voto não, creio que nossa aliança não será benéfica, o clima do Leste não é favorável para plantio ou pecuária. – Azazel falou com a voz azeda.

– Eu voto não, não existem possibilidades de sabermos se o Leste nos traíra novamente ou não, não importa se for por organizações secretas ou não. – Eve falou.

John suspirou, dando a voz para Chuck.

– Essa será uma votação para decidir se a aliança entre leste e oeste irá reatar. Os conselheiros do leste, por favor, se pronunciem.

– Eu voto sim, os pronunciamentos de Rowena e Charlie são válidos. – Hannah falou.

– Eu voto sim, pelos mesmos motivos. E creio que nossa riqueza em minérios ultrapassa qualquer aldeia do continente. E também, não podemos esquecer dos nossos herdeiros. – Balthazar falou, sorrindo para os meninos.

– Já foi claro a minha opinião quanto a incoerência dessa decisão. Eu voto não. – Rafael se posicionou, e sua fala não surpreendeu muitos.

Todos ali prenderam a respiração quando chegou a decisão dos chefes. John e Chuck se encararam, e foi como um peso que havia saído de suas costas.

– Nós votamos sim.

O coro foi grande. Todos ali comemoraram com a escolha. Havia até mesmo pessoas que choravam de emoção. E as crianças não entendiam o porquê de tanta alegria, mas também entravam no clima e batiam palmas.

As crianças, Castiel olhava para elas de um jeito diferente agora. Pareciam mais fofas, pareciam mais importantes.

E ele tinha uma crescendo dentro de si...

– Porém...

A voz grave de Rafael cortou toda a comemoração, e todos ficaram ansiosos e com medo.

– Creio que precisamos de uma... Prova dessa aliança. Assim como duas décadas atrás foi a sua assinatura, mas creio que isso não seja o suficiente em tais condições.

– Eu preciso concordar, senhor. – Rowena falou, seu batom vermelho vibrante dando adornos modernos ao seu rosto.

Os murmúrios voltaram a toda a multidão, que não entendiam o que poderia ser dado como prova maior.

– Com licença... – A voz doce de Castiel rompeu o ar, e logo todos estavam olhando para ele.

– Cas? – Dean estava confuso com a ação repentina de seu noivo, e deu um passo junto com ele. Olhava o rosto do ômega que não parecia tão aliviado assim, e Dean também não entendeu o porquê de Castiel murmurar um “sinto muito” para si antes de dar mais alguns passos – O que...

– Diga, rapaz. – Rowena sorriu encorajadora para ele.

– Eu tenho a prova que vocês precisam. E creio que será o suficiente. – Castiel estava decidido, mas também parecia estar tão nervoso!

– E qual seria ela? – John perguntou, e Chuck olhou seu filho para saber o desfecho daquilo.

Castiel engoliu em seco, e procurou o olhar de Pamela, que estava no meio de todas as pessoas ali, e ela sorriu, acenando seu rosto o encorajando.

Ele respirou fundo.

– ... Um filhote.

Todos ali fizeram um barulho de surpresa, Gabriel tinha sua boca aberta ao máximo, não estava muito diferente de Sam.

E Dean... Ninguém ali importava na sua visão, sem ser Castiel.

Do que ele estava falando?

Um filhote?

Ele ouviu certo? Foi realmente isso que seu companheiro falou?

– Castiel... Do que está falando? – Chuck pediu. Ele sentiu que seus cabelos grisalhos ficaram brancos no segundo do seu susto, mesmo que fosse impossível.

Castiel tinha uma mão sobre a outra, nervoso, e olhou para Dean por alguns milésimos de segundos. Seus ombros estavam tensos.

– Estou grávido. Estou carregando um filhote. Um filho de Dean.

Pamela sorriu ao longe assim que os murmúrios começaram. E ela riu, pois mesmo não podendo ver, ela sabia que o queixo de Dean estaria no chão agora.

– Tem... Certeza disso, meu rapaz? – John perguntou alarmado, pois sabia que Chuck não conseguiria falar nada depois da sua tontura repentina.

– Sim, eu tenho. – Castiel apertou a mandíbula.

– E tem provas disso? – Rafael pediu, ainda desconfiado.

– Sim, ele tem. – Pamela, ajudada por Meg, uma loba beta, chegou ali ao lado – Eu mesmo o alertei quando o resgatamos. Não tenho a menor dúvida. Esse rapaz carrega um filhote.

Castiel levantou a cabeça encarando Rafael, que tensionou a mandíbula e desviou o olhar. Eve revirou os olhos.

– Temos um herdeiro! Um filho meio sangue que será o legado da união dessas duas terras! – Charlie bradou. E logo as comemorações alcançaram um novo nível de euforia. Afinal, eles tinham conseguido novamente sua aliança, e um filhote que representaria sua existência estava a caminho!

– Cas?...

O ômega virou assustado para Dean, que não continham uma só expressão. Era uma mistura de surpresa, choque... E felicidade.

– Dean... Eu–

Castiel parou de falar quando sentiu uma das grandes mãos no seu pescoço, e logo o nariz de Dean estava nele. Seu nariz passava desde o final da nuca de Castiel até o início da clavícula. Aquele ato tinha deixado o ômega corado.

– Seu cheiro... Então é isso...

Dean voltou a olhar dentro dos olhos de Castiel, e então desceram para a barriga esbelta que agora carregava algo que ele se culpou tanto por não ter visto.

Surpreendendo o moreno, Dean se abaixou, se apoiando em um joelho, e seu rosto estava frente a barriga de Castiel. Mais exatamente, frente ao pequeno montinho que era visível. Sua mão instintivamente foi nele, e acariciou aquele lugar.

Em ambos, o choque elétrico em seu corpo foi o mesmo. Ele passou em todo seu sistema nervoso e os deixou trêmulos.

Castiel tinha lágrimas que já saíam dos olhos. Ele pensava... Pensava que Dean ia recusar o filhote. Que não aceitaria. Que diria algo como ser jovem demais, e que não arcaria com a responsabilidade. Que iria abandonar Castiel.

Mas suas preocupações apenas sumiam mais e mais a cada segundo.

Os lábios de Dean encostaram o pequeno relevo em um beijo profundo, e então ele novamente subiu e não demorou para capturar os lábios de Cas apressadamente.

– Tão perfeito... Você está carregando meu filhote, Cas... Deuses... Eu te amo tanto. Você e nosso filhote. Fique comigo pra sempre, por favor.

Castiel riu choroso, e beijou a mão de Dean, a colocando sobre seu ventre.

– Pra sempre.

Os lábios se chocaram, e os gritos foram novamente ouvidos. Gabriel estava chorando no fundo, e Sam negaria até a morte, mas também estava.

Eles estavam felizes e completos.


Notas Finais


Até o próximo cap. ♥️


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