História Ponte para a liberdade - Capítulo 1


Escrita por: e DonaTreta

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Kim Namjoon (RM), Park Jimin (Jimin)
Tags Amo Muito, Donateta, Donatreta, Jimin Com Piercing, Jimin Tatuado, Jiminhouse, Jmh, Jmh!punk, Lindissimos, Minjoon, Namjoon Tatuado, Ponte Para A Liberdade
Visualizações 56
Palavras 4.718
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá~

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Ponte para a liberdade - Capítulo 1 - Capítulo Único

Ponte para a liberdade

Capítulo Único


Um barulho de escavadeira despertou Jimin; estavam fazendo uma construção algumas casas depois da sua. Ele levantou de sua cama e foi até a varanda do quarto. O céu estava escuro, e dali ele o observava. Primeiro olhou a lua, riu, pois havia percebido algo que não prestara nunca atenção antes, e por algum motivo, aquilo o fez rir. Sempre que a lua estava dividida, apenas a parte de baixo — ou a de cima — ficava “acesa” se vista de sua casa. O risco imaginário que dividia a parte escura da acesa era meio torta naquele ângulo, e ele poderia arriscar que estava dividida proporcionalmente errada; aquela parte clara era maior, mas assim que ele tombava a cabeça para o lado via que estava completamente equivocado, já que a divisão era incrivelmente correta, em retinha. Tipo… o quê?

Logo direcionou seu olhar às estrelas. Assim como a lua, pareciam estar tão perto… e melhor, tão lindas. Percebeu que uma se destacava mais no céu que as outras, e, essa em especial, estava mais abaixo que as outras. Achou aquilo bonito e sorriu.

Desta vez, o que chamava a atenção do Park eram os prédios tão acesos que, de longe, pareciam ser feitos de brinquedo. O ruivo morava numa casa média e bonita, nunca havia pensando em como seria morar num apartamento como os daqueles prédios. Mas de qualquer forma, preferia morar em uma casa mesmo; aquela parte da cidade era demasiadamente iluminada e, consequentemente, não conseguiria ver tão bem as estrelas quanto de sua casa. E como já deve ter percebido, o moço é um amante delas, assim como da lua.

Jimin era uma pessoa claramente diferente. Ele tinha uma visão diferente das coisas, apesar de não ter tanta fé nas pessoas. Seu estilo intrigava as pessoas; sua personalidade deixava as pessoas, não desconfortáveis — talvez um pouco, por vezes —, mas, de certa forma, inspiradas. Ele tinha bastante personalidade. Ôh, se tinha! Mas o ponto é: ele não se sentia forte como demonstrava, pois sabia que não era daquela forma que as coisas rolavam quando estava só em seu quarto; não era ele mesmo quando estava a frente de algumas pessoas, ou, para falar a verdade, a frente de todas elas. Toda aquela personalidade forte, independência e estilo “não levo desaforo para casa” e “defendo aquilo que acredito com garra” de ser era real, mas isso não incitava dizer que Jimin não sentia nada da forma que ele demonstrava, porque acredite, como ninguém, Jimin sentia.

O ruivo sentia que precisava ser… Parecer forte de frente aos outros, e ele sentia isso por tudo que já havia passado. Bom, o Park era uma criança diferente, estranha e, em consequência do bullying e do preconceito, depressiva; ele não conseguia se encaixar como as outras crianças, não fazia amigos facilmente. Anos depois, o garoto passou a se expressar com roupas sempre escuras, uma franja quase cobrindo seus olhos meio puxados e seu comportamento calmo e calado; típico comportamento de um adolescente com problemas psicológicos ou que está se descobrindo. Jimin era os dois, e sabia disso.

Passar por uma depressão praticamente sozinho, por três tentativas de suicídio, um relacionamento abusivo e ainda sair vivo não era para qualquer um, e felizmente ele tinha consciência disso. Ele era especial, assim como cada pessoa com depressão, ansiedade, TOC, com transtorno bipolar, anorexia, esquizofrenia, e todas essas pessoas que têm uma luta. Acontece que Jimin tinha que admitir, apesar de todas elas acreditarem no contrário, nenhuma dessas pessoas que ele havia conhecido pela internet eram pessoas fracas, muito pelo contrário, ele não conhecia mais fortes.

Hoje Jimin começava uma nova página em sua vida, esta que ele acreditava ser sua última esperança, a mesma página que mudaria sua vida, e bom, ela era bem flexível pois ele ao menos sabia se seria para melhor. E ‘pra falar a verdade, ele não se importava se não fosse rico no outro país como era na Coréia, porque, aliás, ele sabia que todo aquele dinheiro era de seus pais.

Jimin fugiria com Namjoon, um cara que ele havia conhecido na faculdade.

O Park tinha uma personalidade do caralho, Namjoon também. Eles eram dois recém-adultos com aquela força de vontade, aquela energia que… Nossa! Ninguém sabia e nem conseguia descrevê-los. Se já era difícil descrevê-los sozinhos, imagina num combo perfeito de personalidades distintas mas que combinavam e se completavam perfeitamente. Acontece que as pessoas não os viam assim, apenas como jovens idiotas querendo mudar um mundo grande demais, tentando mudar o pensamento de uma sociedade doente.

O Kim tinha aquela flexibilidade incrível de pensamentos diferentes. Ele amava a arte, assim como Jimin, e tentava representar cada crítica, cada pensamento e até movimento em suas estórias; e como já é de se esperar, cada personagem tem uma personalidade mais bonita ou complexa que a outra. Ele ama escrever, mas nada se compara à sua sede de leitura. Namjoon engole livros com uma facilidade imensurável.

Morava sozinho. Aos 15 anos ele fugiu do orfanato onde, até então, morava. Achou a casa de seus “pais” e refugiou-se. Ele havia sido abandonado quando novo pelos pais e mandado para o orfanato. A casa em que estava era deles que, por incrível que pareça, estava intacta. Os monstros haviam ido embora e deixado aquele lugar para ele. Pelo menos isso.

No começo, Namjoon não podia ficar naquele lugar por ser de menor, segundo o governo. Ele negociou com eles e prometeu arranjar um emprego para se sustentar. Eles aceitaram com a condição de que duas vezes por semana uma assistente social iria visitá-lo para ver se estava tudo bem. Demorou, mas ele conseguiu.

Namjoon imaginava a bagunça que seria quando descobrissem que ele havia fugido, porque afinal, ele não tinha motivos aparentes. Mas a pior reação seria a dos pais do Park, eles surtariam; Jimin já imaginava o primeiro pensamento deles ao perceberem que ele fugiu: “O que aquele garoto está pensando? Vai manchar o nome da família!”, porque por mais que numa situação como essa não importe nem um pouco para pais normais o bom nome da família, temos que lembrar, os Park não são normais. Aliás, com o que mais eles se importam além de status? Difícil pergunta de difícil resposta, de fato. Dinheiro, talvez. Quem sabe?

 

[...]

 

O dia mal havia amanhecido e os dois jovens já saíam estrada a fora, procurando por duas coisas em específico que o que não tinha para um, sobrava para o outro; ou pelo menos aparentava sobrar. Namjoon tinha uma liberdade surreal, já Jimin tinha o grande carinho e amor de seus queridos progenitores.

Achou irônico? Pois é.

Essa grande liberdade do Kim era tão sufocante quanto era grande, e Jimin queria tanto se libertar das correntes de seus pais que ao menos se importava em parar de respirar por ela.

O caso de Jimin era um pouco mais “embaixo”. Seus pais fingiam uma felicidade e uma harmonia que não existia, eles pareciam ser os mais amorosos e cuidadosos com Jimin, mas todos nós sabemos que os bastidores são bem diferentes do que realmente acontece de frente para câmera, que eram as pessoas de fora; Jimin sabia tão bem quanto seus pais o que acontecia por trás das câmeras.

— Tem certeza disso, Park? Não poderemos desistir no meio do caminho. Se quiser voltar para sua família perfeita, aconselho decidir-se logo.

Jimin o olhou, incrédulo. Sério?

— Qual é o seu problema?! — Respirou fundo, olhando para o lado contrário ao do de madeixas roxas, que dirigia concentrado. Ele queria dar um soco nele, mas não queria ao mesmo tempo. — Combinamos que eu não perguntaria ou ao menos mencionasse seus motivos, assim como você faria comigo. — Lembrou-o do que haviam prometido um ao outro por tantos meses planejando a fuga. — Não, eu não quero voltar lá, nunca mais.

— Desculpe, falei sem pensar. É que… Fiquei pensando no que me fez sair daquele inferno de cidade e me perguntei o porquê de você querer fugir, você tem uma vida tão perfeita que…

— Nem tudo é o que aparenta ser, Namjoon. Você não sabe meus motivos. Tirar conclusões precipitadas não te dá o direito de dizê-las em voz alta.

Namjoon pressionou os lábios, sabia que havia falado merda.

O resto da viagem havia sido completamente silenciosa, nem um ousara falar nada, e quando o mais velho tentou puxar assunto, percebeu que Jimin já dormira.

Em um certo momento da viagem Namjoon se cansou tanto a ponto de quase dormir; sua sorte fora o mais baixo, que o acordou rapidamente. Eles decidiram que Jimin iria assumir dali, enquanto não encontravam uma boa pousada. Precisavam descansar urgentemente.

Encontraram um motel mais baratinho mais ‘pra frente. Se hospedaram e deitaram-se em suas camas.

— Sabe, Namjoon, eu estava me lembrando do dia em que nos conhecemos. Aquele foi um dia engraçado.

O Kim riu, recordando-se também.

— Eu ainda não acredito que você foi me perguntar onde se compravam drogas! — Àquelas horas, Namjoon ao menos conseguia segurar a risada. — O quê? Achava que só por não ter pais eu era um drogado?

— Não me julgue, ok? Eu era um adolescente criado com pensamentos extremamente fechados, todos os estereótipos do mundo estavam grudados na minha cabeça… Mais até que o chiclete mascado que eu, coincidentemente, acabei de encontrar colado na parede do meu lado. Eca!

Riram.

— Eu sei, eu sei. Entendo você… Mas isso não significa que aquilo não foi idiota. Aliás, sua mudança foi ridiculamente rápida, devia ter orgulho de ter tido uma mente tão aberta ‘pra novos pensamentos, apesar de tudo.

— Pois é… Obrigado.

E novamente um silêncio constrangedor pairou entre eles. Jimin estava muito pensativo, mais que o normal. Ele parecia estar em outro mundo, e do nada soltara a pérola:

— Namjoon, você é hétero?

Ele se surpreendeu com a pergunta do mais novo, mas não comparava-se com a surpresa do próprio Park; ele não achava que teria coragem de perguntá-lo sobre sua sexualidade, até porque não sabia se ele se sentiria confortável para dizer. Ele já cogitava fingir ser um avestruz enfiar a cabeça no chão para esconder a vergonha.

— Por que a pergunta? — Ele olhou para o lado, observando a feição do Park.

Passaram-se alguns minutos, mas Jimin não o respondeu. Enquanto Namjoon já havia desistido de um resposta, Jimin pensava em alguma; pensava tê-lo ofendido, mas gostaria de perguntá-lo uma outra coisa, ele precisava de uma resposta concreta da sexualidade do Kim.

— É que… Eu estava curioso, desculpe.

Ele havia finalmente respondido, o que fez o roxeado o olhar em seguida. Namjoon sorriu.

— Eu não curto rótulos, mas se quer mesmo saber, eu sou bissexual, se esse é o nome que se dá a pessoas que amam pessoas. — Sorriu novamente, mas desta vez, olhando-o.

Ele percebeu o que Jimin estava fazendo, e percebeu que mesmo querendo muito perguntar, sua coragem havia se esvaído, então ele lhe daria coragem.

— Jimin, eu nunca tive certeza de nada em minha vida, e é normal não ter. Mas fingir que tem, não é bom, entende? — O ruivo o olhou; seu olhar era perdido, e ele esperava que Namjoon o desse todas as respostas, apesar de saber, que bem lá no fundo, só ele tinha as respostas para suas perguntas.

— Quando você finalmente soube?

— No fundo, bem no fundo, eu sempre soube que eu era diferente dos demais. Um dia eu percebi que sentia atração pelos dois gêneros. — Jimin ficou mais sério que antes, prestando atenção em cada palavra que o mais velho dizia. — Eu… Eu não quis admitir, Jimin. Sabe, de cara. Eu achava que era uma fase, até porque foi o que me insinuaram por tanto tempo. Eu realmente acreditei naquilo, mas foi um erro. Apenas consegui uma baixa autoestima com isso, ou melhor, uma autoestima mais baixa do que a que eu já tinha. Eu me condenei, quando não haviam nem motivos para isso. — Suspirou. — O que eu quero dizer é: não ache que por ser diferente do convencional significa que o que você é, é errado; ou que você está passando por uma fase. Pode até ser uma fase, mas uma fase de auto-descoberta. Entendeu?

— Sim. Obrigado, Nam. — Sorriu. — Eu vou dormir agora. Boa noite, hyung.

— Boa noite, Jimin.

Mais ou menos um minuto se passou, Namjoon estava em silêncio.

— Jimin… — Olhou para o lado quando não obteve resposta e percebeu que Jimin já havia caído no sono. Pensou que ele poderia estar muito cansado, ou apenas dormisse cedo mesmo; não importava. Decidiu que logo faria o mesmo, mas apenas depois de cobri-lo. Acabara de perceber que o mais novo estava descoberto e sabia o quanto ele era friorento, tinha certeza que o Park acordaria no meio da noite, com frio.

Levantou-se e o cobriu; parou, e observou sua feição calma. Ele sabia pelo que o Park estava passando, pois havia passado pelo mesmo quando tinha, coincidentemente, a mesma idade que ele.

— Eu não vou te dar um beijinho de “boa noite”, Park. Vai ter que implorar um pouco mais. — Deu de ombros, rindo.

 

[...]

 

O clima na casa dos Park estava leve, calmo demais para o gosto de Jimin. Ele, mais que ninguém, sabia como era tenso até mesmo respirar o mesmo ar que seus pais.

Jimin levantava lentamente de sua cama, pensando no que faria ao final das aulas. Seu cenho franziu ao perceber o que pensava. Ele não era assim, nunca fazia planos porque nada o animava ultimamente. Nada além da fuga, aliás, ele ao menos sabia como estava em casa novamente.

— Jimin, meu filho, você vai perder a aula se não se apressar.

Quê?

— Eu já vou, papai.

Estava tudo muito estranho. Por que Jimin estava conversando normalmente com seu pai como um filho conversa com um pai? Eles não eram assim, e o que fazia Jimin ficar mais confuso era o fato de que não havia mais ninguém em casa além de sua mãe e pai, e ele, claro. Isso significa que não, eles não estavam fingindo.

Ele ao menos sabia porque havia o chamado de “papai”. Jimin nunca o chamava de “pai”, quem dirá “papai”! E era isso que estava mais que estranho! Ele nunca o chamaria assim, mas foi a primeira coisa que saiu de seus lábios e, sinceramente, foi involuntário.

O ruivo desceu quando já estava pronto. Surpreendeu-se quando viu seus pais sentados à mesa, esperando-o para tomarem café-da-manhã juntos. Jimin sentou-se em um dos lugares com tanta certeza, como se fizesse aquilo todos os dias, e começou a comer, mas não antes que agradecessem pela comida.

O resto do dia correu tudo estranhamente bem. Mas a melhor e mais estranha parte aconteceu na escola. Ele beijou um garoto... e gostou. Jimin gostou, e gostou muito.

Estava a caminho de casa, pensando em como falar ‘pra sua mãe que havia finalmente descoberto ser bissexual. O garoto sorria, e sorria a todo momento.

Houve um momento em que nada mais era estranho, era somente mais um dia normal de sua vida, e agora Jimin ia contar para sua mãe super mente aberta que também gostava de garotos.

Ele não lembrava quando duvidara e nem porquê, apenas sorria e se sentia a pessoa mais feliz do mundo. O ruivo não sentia-se assim há tempos, tanto que não havia mais dor alguma.

— Mãe, cheguei!

— Estou aqui dentro.

Jimin seguiu a voz da mulher, se assustando quando vira que a mesma estava consertando algo no cano da pia. Ela nunca faria algo parecido, nem mesmo seu pai; normalmente pagariam alguém para o serviço.

— O que está fazendo?

— O cano soltou-se, mas já dei um jeito. — Olhou as horas no relógio e voltou seu olhar ao filho. — Aconteceu algo? Chegou mais cedo…

— Mamãe… — Sorriu e suspirou. — Eu preciso te contar uma coisa.

— Diga.

— Eu sou bissexual.

Ela se aproximou, franzindo o cenho.

— E por que acha isso?

— Na verdade, eu tenho certeza. — A Park não obteve reação alguma, o que assustou Jimin.

Hyun parecia diferente do que ele tinha na cabeça; estava a imaginando como uma mulher totalmente mente aberta e disposta a ouvir seu filho em toda e qualquer situação. Ele não sabia o porquê, mas sentia que ela não era daquela forma.

— Eu não vou te aceitar.

Ela largou um pedaço do cano que havia no chão e caminhou em direção ao quarto que dividia com seu marido, se trancando ali. Jimin sentiu lágrimas escorrerem por seu rosto, não entendendo o que acontecia com sua mãe. Decidiu que era melhor fazer o mesmo e também trancou-se em seu quarto.

O ruivo não havia entendido de primeira, mas quando jogou-se na cama percebeu que algo não estava nos eixos. Ele lembrou de um episódio que não sabia dizer com certeza se era realmente uma memória ou apenas um pensamento idiota. Ele lembrou, ou não, de um momento em sua vida em que ele desmoronou, ao mesmo tempo em que ela (sua mãe) lhe deu as costas, que nem havia acabado de acontecer.

Queria saber o que estava acontecendo, mas parecia impossível.

 

[...]

 

— Jimin, acorde. Venha, precisamos descobrir o que seu pai anda aprontando. — Park Hyun o acordou, deixando o filho meio atordoado.

O ruivo sentiu que não poderia negar, talvez ele conseguisse algum crédito com sua progenitora e ela percebesse que não havia nada demais em ser bissexual. Ele ainda tinha esperanças.

Decidiu ajudar sua mãe a espionar o pai, quem sabe ele estava a traindo mesmo.

— O que a senhora sugere?

— Bom, poderíamos ir àquele barzinho que ele vai toda quarta-feira à tarde. Tenho certeza que ele estará lá, provavelmente estará com alguém.

Ele assentiu.

Os dois foram de carro para o lugar. A mulher estacionou do outro lado da rua, de uma forma que não parecesse suspeito e que o marido, que não era muito atencioso, não notaria.

— Vamos fazer assim, você entra lá e toma cuidado para que ele não te veja. Ele sempre chega as 14:00hrs, então se prepare, faltam alguns minutos. Entre pelo lado esquerdo, tem pouca gente e é melhor para se esconder.

— Certo.

Jimin seguiu as instruções de sua mãe à risca. Fingiu procurar algo nas prateleiras enquanto olhava de vez em quando ao redor. Em um certo momento, Jimin percebeu a presença de um garoto que estudava em sua faculdade. O ruivo sempre olhava de longe, sempre teve uma admiração por ele e todos seus piercings e tatuagens. Nossa, aquele cabelo roxo realmente combinava com Namjoon. O Park sempre o via com um cara por perto, chegou a pensar que namoravam, aquilo o incomodou de certa forma, mas ainda não havia se descoberto. Umas semanas depois descobriu que eles eram apenas amigos, uma certa sensação de alívio pairou em si, e a partir daí ele começou a cogitar a ideia de gostar de garotos também.

Jimin havia parado no tempo e ainda não percebera. Uns instantes depois percebeu que encarava feito um idiota — segundo o mesmo — o de madeixas de cor roxa. Ele viu que o encarava e que o Kim o encarava de volta, o que o constrangeu. Desviou o olhar e refletiu sobre o quão vergonhosa havia sido a situação.

— Com licença, deseja algo? — Um garçom o abordou. Natural, ele havia passado muito tempo “procurando” algo.

— Oh… — Teve que pensar rápido. — Uma mesa, por favor.

— Estão todas lotadas, senhor.

— Com licença, temos uma cadeira sobrando aqui. Se não se importar… — Deu de ombros.

Jimin pensou rápido. Seria mesmo uma boa ideia? Claro, ótimo ter a oportunidade de sentar-se perto do crush, ainda mais com o convite do próprio, ou até mesmo flertar, agora fazer isso com sua mãe espiando? Ainda mais depois dela ter tido uma reação não muito boa após sua bombástica revelação bissexual. Má ideia, Jimin. Mas ele preferia arriscar.

— Claro, obrigado. — Sorriu, gentil.

Jimin havia se encantado pelo Kim na escola, no dia em que viu suas tatuagens e piercings pela primeira vez. Ele amava todo aquele estilo diferente de Namjoon, mas ninguém podia negar que sua beleza ajudava em fazê-lo chamar mais atenção ainda.

Ao sentar-se, os amigos de seu “penhasco” o cumprimentaram e passaram a conversar entre si. Eles eram muito simpáticos, mas estava na cara que haviam feito aquilo para deixar o ruivo e o de madeixas roxas conversarem. Muito óbvios, pessoal.

— Então quer dizer que você me achou interessante, uh?

— O quê?

— Bom, eu já estava ficando com medo de você. Mas confesso, você tem um olhar sensual quando está distraído.

— Ah! Aquilo... — Riu. — É que eu tava admirando as tatuagens e piercings.

— Obrigado! — Sorriu.

Jimin retribuiu.

O Park continuou conversando com Namjoon, e agora seus amigos também estavam na conversa novamente. Em um momento, sentiu vontade de olhar para fora do barzinho; estava fodido, havia esquecido de sua mãe.

— Porra! Eu ‘to morto… — Jimin bateu a mão na testa.

— O que houve? — Namjoon perguntou.

— Lembra o motivo pelo qual eu ‘to aqui? — Ele assentiu. — Pois é, esqueci minha mãe lá fora. Inclusive ela ‘tá me encarando como quem diz “eu vou te matar por ter me feito ficar aqui com cara de idiota assistindo seu showzinho”.

— Acho melhor você ir. — Riu. — Não que eu esteja te expulsando, mas acontece que quero te ver mais vezes. — Sugeriu.

Jimin sorriu, cerrando os olhos. — Sabe que eu também quero te ver mais vezes… — Deu de ombros, e saiu, acenando.

— Espera! — Segurou seu pulso, Jimin o olhou.

Namjoon segurou sua mão, entregando um papel. Logo após, o puxou levemente, aproximou sua boca de seu ouvido e cochichou algo, fazendo com que o ar quente que saía de sua boca arrepiasse o mais baixo. Ele assentiu, e saiu andando em passos largos pois não queria irritar mais sua mãe. Havia a feito de “palhaça”, e agora ela ia matar o coitado.

— Mãe…

— Mas o que você pensou que estava fazendo, garoto?!

— É que eu…

— Cala a boca! — Jimin entrou no carro e sua mãe começou a dirigir de volta para casa. — Viu seu pai? — Não obteve resposta. — Eu estou falando com você!

— Mas a senhora mandou eu me calar!

— Não tire uma de besta para o meu lado, moleque! Viu ou não?!

— Não, ele não estava lá.

— Onde será que ele se meteu? — Falou sozinha.

— Eu acho que ele não irá hoje, talvez esteja em casa mais cedo.

— É, talvez.

Sua mãe virou um pouco o rosto, estava claramente decepcionada. Ela não queria estar sendo traída, claro que não, mas a dúvida lhe devastava. Ela gostava de seu marido, apesar de brigarem muito.

Eles chegaram em casa e Hyun foi direto para o quarto que dividia com seu esposo, se trancando ali. Jimin suspirou. Sua mãe andava estressada demais ultimamente, seu pai estava fazendo-a enlouquecer; ele queria muito poder ajudar, muito mesmo, mas sentia que não podia.

Quando menos percebeu, Jimin dormiu. Horas depois, foi despertado por batidas na porta de seu quarto.

— Jimin, meu filho. Está aí?

— Sim, pai. — Respondeu com voz de sono. — O que houve?

— Não acho sua mãe, você viu ela?

— Ela tinha se trancado no quarto quando chegamos.

— Tudo bem.

O sr. Park saiu, indo procurar sua esposa. Bateu na porta por alguns minutos, mas ninguém respondia. Ele ao menos ouviu passos, e aquilo o preocupou. Ela poderia estar dormindo, claro, mas sabia que Park Hyun tinha um sono muito leve. O mais velho já estava ficando nervoso, então num ato não pensado, o sr. Park arrombou a porta, entrando rapidamente no lugar.

Um grito desesperado e estrondoso pairou pela casa, seguido de um choro alto e um tanto exagerado. Jimin correu, tendo um choque ao ver sua mãe pendurada por uma corda.

Ele quis morrer, quis chorar para arrancar aquele sentimento ruim de seu peito. Ele não sentia as pernas, e a cada segundo seu corpo ficava mais dormente. Jimin caiu no chão, desmaiado.

 

Jimin acordou num pulo, começando a chorar alto. Namjoon acordou com aquilo e foi rapidamente até o Park.

— Eu sabia, Jimin. Eu sabia que uma hora você desabaria, e eu prometi a mim mesmo que eu estaria aqui por você. Eu prometi, e cumprirei minha promessa. Você sempre foi esse enorme oceano calmo por fora, mas eu sabia que quando você explodisse, esse oceano se mostraria tempestuoso, mostraria sua verdadeira face. Você pode até ser esse oceano, mas nunca tive medo de tempestades; me mantenho firme até segundas ordens.

Jimin não conseguia falar nada, apenas chorava, o apertando com força naquele abraço.

— Parece que essa dor nunca vai passar, mas ela vai, Jimin, pode ter certeza.

— Eu senti ela passar, Nam! Foi tão bom… Tão… Libertador! Eu quis morrer quando a dor voltou novamente, porque eu não aguento mais senti-la! — Ele disse quando conseguiu, se segurando para não gritar de tanta angústia. Jimin precisava desabafar, e Namjoon sabia disso.

— O que sentiu quando a dor já não existia mais? — O mais baixo não o ouvia, não queria responder porque choraria mais. — Olhe para mim, Jimin. — Segurou seu rosto com a maior delicadeza possível. Queria que Jimin soubesse que ele tocava sua face, mas queria que o ruivo o olhasse porque queria, e não porque ele havia o feito o olhar. Jimin o olhou, mas sua visão estava embaçada pelo choro. — Preciso que me conte com detalhes o que sentiu no sonho.

— Eu me senti… Livre. Já não havia mais dor, a angústia não me devorava mais, e pela primeira vez na minha vida eu me senti amado, senti que meus pais me amavam de verdade. — Falava, sem conter nem sequer uma lágrima. — Eu desatei quando a dor voltou. Eu já havia sentido dores maiores, mas essa mais que qualquer outra me fez querer morrer de vez, mas sabe por quê? Porque das outras vezes eu já estava acostumado com minha angústia, ela nunca me deixava, mas desta vez ela me deixou e, mais que isso, ela deu espaço a uma felicidade que eu já não lembrava mais. Desta vez, quando a felicidade me abandonou, a dor voltou, e com ela veio o pensamento de que eu nunca serei feliz.

Namjoon o abraçou mais forte, querendo fazer com que tudo que aquele rapaz estava passando ao menos diminuísse. Ele sabia bem como era passar por aquilo, e lembrava como havia sido difícil passar por tudo sozinho. Não queria que com o Park fosse igual.

— Nam, promete para mim que tudo que pudermos fazer nós faremos. Por favor!

— Tudo bem, tudo bem. — Assentiu, ainda o apertando. — O que planeja, Jimin?

— Eu quero tatuagens, começando por meu braço. Quero uma bem aqui, em meu pescoço. — Mostrou o lugar exato que gostaria de tatuar. — Quero um piercing no septo. Isso me deixará feliz.

— Entendo, mas por que o desejo repentino? Tem certeza que não quer pensar um pouco no que quer tatuar?

— Eu sempre quis muito me tatuar, me expressar. Quero que em cada tatuagem eu leve uma história para contar, que cada uma inspire as pessoas como eu me inspirei com cada uma que vi. — O olhou. — Uma vez eu ouvi que uma pessoa tatuada é como um quadro ambulante, uma pequena amostra da arte de um tatuador. Que cada tatuagem representa algo para uma pessoa, e que ela pode levar esse algo para o resto da vida. Eu quero minha história tatuada em meu corpo para que a cada vez que olhar-me no espelho, eu entenda que sou um vencedor e que superei coisas das quais eu nunca pensei ser capaz.

— Quer saber? Vamos! Qual será nossa primeira tatuagem? Mas tem que ser juntos, hein!

Jimin sorriu, acompanhando o mais alto.

Tatuagens e um piercing. Quem diria, hein?


Notas Finais


Curtiram?

Tipo assim, muito obrigada a capista lindíssima @JoyMito que fez essa capa lindíssima! Eu amei, de verdade! ♡


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