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História Por acaso - Capítulo 16


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Capítulo 16 - Por Acaso 16


Fanfic / Fanfiction Por acaso - Capítulo 16 - Por Acaso 16

Ao mesmo tempo em que estava feliz por poder estar com Magnus novamente, Alec se sentia frustrado e irritado pelas imposições que o outro havia colocado na nova maneira de 'ficarem'. 

Normalmente carinhoso e carente, Alec sentia falta dos toques leves, das horas infindáveis de beijos, jogados na cama, sem pressa, enquanto trocavam palavras doces, gracejos e impropérios, rindo alto, às vezes. Sentia falta de dormirem abraçadinhos e da intimidade gostosa que adquiriram. Era tudo estranho e novo na sua desregrada vida promíscua, mas verdadeiro. Sentia falta daquelas pequenas coisas que antes não imaginava viver.

Agora, só faziam sexo selvagem em locais públicos e quando acabava cada um ia para o seu lado. Por vezes, passavam até uma semana sem se verem e Alec queria morrer. Estava sendo castigado com seus próprios métodos, embora, em sua defesa, nunca os tivesse usado de tal forma com Magnus.

Desde a primeira vez havia sido diferente com o mais velho. Houve mais carinho e zelo. Magnus havia acabado de sofrer uma crise de ansiedade e ele teve cuidado redobrado, mesmo não o poupando do sexo, porque havia sido uma necessidade dos seus corpos.

Alec já estava na cama, de pijamas, escondido sob as cobertas pesadas. A noite estava tremendamente fria chovia torrencialmente, desde o fim da tarde. Preocupou-se se Magnus havia pegado chuva na volta do trabalho, já que sempre o fazia a pé. Desde que "voltaram", havia aparecido duas vezes para dar carona de volta. Pararam em algum beco, se saciaram e Magnus não o deixou subir ao loft.

Bufou com a lembrança e se encolheu. Sentia falta dele. Por que tinha de ser tão teimoso?

A porta do quarto abriu de repente e a sombra de cabelos longos, de Isabelle, invadiu suas cobertas. _ Vai ser uma longa noite fria…_ ela se encolheu o abraçando. 

_ O aquecedor quebrou? Tenho a impressão que está ficando mais frio a cada momento _ Alec aconchegou-se a irmã. 

_ Você não viu que faltou energia? Jace ligou e disse que o blecaute se estendeu por quase toda a cidade _ ela contou.

Os olhos de Alec cresceram no escuro e ele pulou da cama, deixando a irmã só. _ Eu preciso ir… _ falou, apressado, saindo correndo do quarto.

_ Para onde vai? _ Ela pulou da cama e o seguiu correndo. _ Para onde vai só de pijamas e descalço?

Alec parou na frente da porta e se virou, soltando o ar. _ Magnus… ele tem medo do escuro _ confessou. _ Preciso ir lá.

_ Não acha melhor ligar? Não seria imprudente ir à casa dele a meia-noite, sob toda essa chuva, principalmente depois do que aconteceu entre vocês? _ a irmã se preocupou.

Alec apertou os lábios. _ Ok… nós temos nos encontrado... eventualmente... _ admitiu. _ Não é como se fosse render algo, porque ele ainda está muito magoado com o meu jeito de lidar com meus sentimentos. Mas… eu o amo e estou disposto a esperar o tempo dele..._ Alec contou.

Izzy sorriu, complacente. _ Nunca pensei que fosse viver para vê-lo tão apaixonado, Alec. Só não se machuque nessa espera…

_ Estou tentando..._ ele apontou. _ Agora, eu preciso ir… a escuridão é a pior inimiga de Magnus e eu tenho de salvá-lo _ falou, pegando as botas de chuva, que ficavam na entrada, e vestindo o sobretudo.

.

Magnus apertou a manta, até os nós dos dedos ficarem brancos. Estava encolhido em uma bola, no sofá. A falta de energia o pegou de surpresa, deitado ali. Poderia ligar para uma das amigas para que fosse ficar com ele, mas a chuva forte o impediu. Não era justo tirá-las da cama àquela hora, com um temporal desabando sobre suas cabeças.

O tremor começava a subir por suas pernas, a respiração já estava acelerada e Magnus conferia repetidamente de 1 a 10, tentando evitar a crise de ansiedade que o invadia. Tinha medo de fechar os olhos e cair na escuridão total. Era engraçado que quando a luz estava lá, esse medo não surgia e fechar os olhos era normal. Mas ali, quando apenas uma breve claridade da rua entrava pela sacada, deixando a sala na penumbra, se sentia angustiado, assustado e só. Tremendamente só…

Tentou pensar em outra coisa que não fosse o blecaute, a chuva e a solidão, mas a primeira lembrança que surgiu em sua mente foi a última vez que teve crise de ansiedade, naquele elevador, e Alec cantou baixinho, para acalmá-lo.

As lágrimas escorreram por seu rosto, enquanto murmurava a cantiga, em busca de consolo. Achava que poderia morrer sem ar se tivesse de passar aquela noite na escuridão.

O grito da campainha o assustou mais do que o normal, o fazendo se encolher mais. Será que Aline lembrou do seu pavor de escuro e resolveu ajudá-lo?, pensou, soltando um suspiro aliviado. Abraçou-se mais à manta e se levantou, arrastando-se até a porta, não tão facilmente, trêmulo e choroso. A abriu sem ver quem estava do lado de fora e as lágrimas duplicaram quando viu Alec, de pijamas, galochas vermelhas e sobretudo preto, aberto, os cabelos e ombros molhados de chuva. Não foi preciso dizer nada, ele sabia que o rapaz estava ali para salvá-lo. Em silêncio, jogou-se em seus braços ali mesmo, na porta.

Alec carregou Magnus, cuidadosamente, e o levou para o quarto, falando palavras de conforto, baixinho, em seu ouvido. O menor o apertou pelo pescoço, chorando aliviado em saber que não ficaria mais sozinho. O deitou e o cobriu, porque estava muito frio e somente aquela manta não o protegeria. Afastou-se, abrindo as cortinas, que não trouxeram claridade, por causa do blecaute. Descalçou-se das botas e tirou o sobretudo, o jogando numa poltrona. Entrou sob as cobertas e puxou Magnus para si, o acomodando sobre seu peito, acariciando suas costas e cabelos. O mais velho não reagiu, aceitando o carinho. 

_ Tudo vai ficar bem, eu vou cuidar de você..._ Alec sussurrou, beijando sua testa. Começou a cantar baixinho a música de ninar, sem nunca parar de fazer um carinho calmante, em suas costas. Magnus finalmente pode fechar os olhos e se sentir seguro. 

.

Magnus acordou quentinho, apesar do frio. Os braços de Alec rodeavam seu corpo e era confortável estar ali com ele, sob o edredom. Alec dormia pesado, como sempre, e era adorável vê-lo dormir, nunca se cansaria. Mas precisava manter distância, porque não queria ceder aos seus encantos.

Havia sido maravilhoso ter Alec como seu herói na noite passada, o arrancando das trevas e o mantendo seguro em sua luz. Porém, sabia que aquilo não ia dar em nada, senão sofrimento para si, mais uma vez. Tinha de manter Alec longe da sua cama. 

Levantou-se devagar e foi para a cozinha. Precisava organizar as ideias e longe do corpo quente dele era sempre mais fácil.

Começou a preparar o café da manhã. Ainda chovia lá fora e era melancólico ver a chuva pela janela. Era como sua vida, nos últimos tempos. Já não sabia se estava vivendo ou só fodendo com Alec pelos cantos, porque não tinha coragem de dar um basta naquilo. Porque ficar totalmente longe dele não era algo que conseguisse fazer, ainda. Porque fingia que o estava punindo, se vingando, mas só queria senti-lo perto de si mais uma vez, e outra, e outra… Ainda tinha esperança de Alec assumi-lo? Quem estava tentando enganar? Somente a si. Alec não faria...

Alec não sabia amar ou, pior, tinha medo de se entregar ao sentimento. Gostava mesmo era de ser livre. Ser de todos e de nenhum, ao mesmo tempo. Sabe-se lá com quantos estava transando, enquanto se viam nos últimos tempos.

Definitivamente, não gostava de pensar sobre isso, mas era a verdade e tinha de aceitar. Havia colocado por terra todos os seus princípios quando começou a se relacionar com Alec como um caso puramente sexual, simplesmente porque não conseguia ficar longe dele. Abriu mão de tudo que acreditava para estar com o rapaz. Mas a que custo? Era puro sentimento, mas não conseguia acreditar nos sentimentos de Alec.

_ Acordei e você não estava na cama..._ a voz, ainda rouca de sono de Alec, invadiu a cozinha e Magnus virou-se para vê-lo parado na porta, com seu pijama de flanela preto com pequenos corações vermelhos.

_ Você veio de pijamas? _ não pode evitar o sorriso, porque só ali prestou atenção nos trajes do outro. 

Alec deu de ombros e pulou, se sentando no balcão da cozinha. _ Eu vi que a luz havia acabado e saí apressado para não deixá-lo sozinho no escuro _ justificou-se.

_ Como sabia que eu estaria sozinho? Minhas amigas poderiam estar aqui...ou Rafael..._ provocou.

_ Se aquele impertinente estivesse aqui eu o colocaria para fora a tapas _ bufou, revirando os olhos. Magnus riu e se aproximou, dando um biscoito que pegou no armário, na boca de Alec.

_ Prove, é de nata… 

_ Hummm, adoro biscoito de nata..._ saboreou. 

Magnus voltou para o fogão. Ter Alec tão próximo era tentação demais. O silêncio se instalou entre eles.

_ Minha escova de dentes ainda está no seu banheiro _ o rapaz falou, de repente. _ Você sabia que eu ainda iria voltar para cá..._ definiu, baixando o tom da voz e esboçando um sorriso maroto. 

_ Acho que simplesmente esqueci de jogar fora _ Magnus deu de ombros e logo sentiu as mãos do maior ao redor da sua cintura. 

_ Não quero que jogue fora… Gosto de estar aqui, com você… Podíamos voltar a ser como antes _ pediu baixinho, roçando o nariz na nuca do mais velho.

_ Alec… não faça isso..._ a voz de Magnus não teve firmeza. _ Acho que está na hora de você ir embora…

_ O que eu preciso fazer para você me aceitar, Magnus? Me diga… Eu quero você, já disse que o amo… Vamos voltar..._ pediu novamente.

Magnus apagou o fogo da frigideira e virou-se, o corpo colando no de Alec, os olhos se encontrando. _ Eu não quero e não posso voltar ao que tínhamos. Se você me ama, teria de me assumir como namorado e isso você não tem coragem de fazer, porque adora ser o fodão que fica com todo mundo e não se prende a ninguém, o fodão que todos os caras babam e flertam. Você é vaidoso e promíscuo demais para aceitar ficar com uma pessoa só, Alexander. Você se acha o máximo… _ falou, e o empurrou, saindo da cozinha. 

Alec o seguiu. _ Mas, Magnus…

_ Não tem mas, Alexander… Você sabe que eu tenho razão. Já é hora de você ir embora. Obrigado por ontem…

_ E se a luz não voltar? Eu posso vir cuidar de você hoje à noite? _ indagou, preocupado.

_ Eu vou ligar para Catarina vir dormir comigo. Não precisa se preocupar…

_ Magnus, não me afaste… _ Alec pediu, triste.

_ Nunca estivemos próximos, Alexander..._ o outro deixou claro.

Alec assentiu, inconformado. Bufou, foi até o quarto, pegou suas botas e sobretudo e saiu do apartamento, sem dizer adeus, a raiva crescendo dentro de si.

_ Se proteja da chuva..._ Magnus o alcançou quando começou a descer as escadas. 

Alec virou-se e ergueu uma sobrancelha. _ Sou o fodão, o máximo, lembra? Nada de mal acontece comigo _ rosnou, visivelmente irritado. 

Magnus engoliu em seco, mas apenas assentiu e voltou para seu loft.

Alec foi embora revoltado. Estava longe de ser o que Magnus o havia acusado. Pelo menos nos últimos tempos. 

Nunca mais havia saído com nenhum outro homem. Seu corpo era o templo do mais velho, mesmo sem saber. Não tinha vontade de estar com outros e sofria quieto por não ser o que ele esperava. Robert tinha razão, não tinha direito de amar e ser amado, mas porque era um covarde.





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Notas Finais


Negócio não tá fácil...


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