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História Por Acaso - Capítulo 6


Escrita por: amanur

Capítulo 6 - Capítulo 6


Por Acaso

Escrito por Amanur

Capítulo 6

...

 

Faz parte do senso comum, é uma verdade universal (e inquestionável) conhecida por todos, que a mulher mal comida se torna uma mulher rabugenta, frustrada, mal humorada. E a mulher que não trepa há muito, coitada, se encontra num estado muito pior. E foi pensado nessa verdade que a Karin foi até o meu apartamento com mais uma ideia mirabolante.

 

— Uma casa de swing? — repeti pela quarta vez.

— Siiiiiiimm, Sakura! Você é nova, linda, poderosa, está com tudo em cima. Precisa se aventurar mais enquanto pode. Depois que ficar velha, com tudo caído, porque, você sabe, a gravidade pega todo mundo, aí, minha amiga, ninguém vai querer saber de ameixa seca!

— Eu sei, mas, casa de Swing? — eu não estava muito convencida.

— Pelo menos uma vez na vida, para não dizer que nunca tentou!

— Eu não sei, não. — ela tinha uma cabeça muito mais aberta do que a minha para essas aventuras sexuais. Apesar de que, confesso, tinha curiosidade sobre certas coisas que ela me contava.

— Eu e o Sasuke vamos juntos! Você não vai estar sozinha, não se preocupe.

— Casa de swing? — repeti mais para mim mesma, tentando me convencer.

— Eu procurei por algumas na internet, e achei uma casa bem legal. Parece tudo limpo, organizado, de qualidade. É todo climatizado e bem decorado. Nem parece um prostíbulo.

— Cruzes.

— Prometo que você vai gostar.

— Mas e se eu não gostar?

— Então, você me avisa, que voltaremos.

— Eu vou morrer de vergonha!

— Não se preocupe com vergonha, porque tudo passa. Até uva passa!

 

Então, algumas noites depois, numa sexta feira, fomos até o local de taxi, porque eu não quis entregar o número da minha placa para estranhos.

 

O lugar era realmente tudo aquilo o que ela tinha dito ser. Grande, espaçoso, bem iluminado e decorado. O salão principal continha um enorme sofá vermelho de veludo, que contornava toda a sala decorada com cortinas também vermelhas. Havia um bar num canto, onde um barman servia drinks. E uma música bem propícia (alguma porcaria que me lembrava a dança do ventre) tocava ao fundo. Mas o mais engraçado foi entrar lá e me deparar com um bando de gente bem vestida, conversando amistosa e civilizadamente.

 

— Tem certeza de que viemos ao lugar certo, Karin? — resmunguei, enquanto terminávamos de retocar a maquiagem no banheiro.

— Sim, ora bolas! Você esperava o quê? Encontrar um bando de gente pelada, montando um em cima do outro?

— É!

 

Ela revirou os olhos e a observei passar o rímel em seus cílios. E em seguida, passou mais uma camada de gloss nos lábios. E daí, minha eu psicóloga me incorporou.

 

— Karin, me diz uma coisa, você sofreu bullying quando era pequena?

 

Ela me olhou de canto, resmungando.

 

— Ai, meu Deus, sai desse corpo, que agora ele não te pertence! Eu já falei que não gosto de falar sobre a minha infância. Perder a virgindade aos treze anos, com um menino de quinze que tinha um pinto menor do que o minguinho, foi traumático demais. Imagina só a expectativa despedaçada da pequena Karin ao ver aquele projeto de homenzinho pelado na sua frente! Aquilo não era nem um projeto, era um rascunho primitivo!

— Certo, certo... Mas você sofria? — insisti.

— Argh! Claro que não. Eu descia o cacete em quem debochasse de mim. Imagina se eu levaria desaforos para casa?! Minha mãe arrancava o meu couro se chegasse em casa chorando.

 

Bom, isso explicava muita coisa...

Saímos do banheiro em direção a onde o Sasuke nos esperava.

 

— Você tem muito o que aprender, criança. — Karin me disse — Como eu disse, nem parece um puteiro. É tudo muito bem organizado! Tanto é que eles controlam o número de gente que entra por noite, para não lotar os quartos e virar bagunça. E o mais importante, as pessoas respeitam os limites dos outros.

 

Aquele grupinho de seguranças brutamontes, discretamente circulando pelo local, com caras de maus, me fazia duvidar da teoria dela, mas fiquei na minha. O que estava mesmo me deixando com a pulga atrás da orelha era outra coisa.

 

Pedi a Karin que buscasse alguma coisa para eu beber, já que ela já estava se dirigindo para isso. E assim que nos deu as costas, sentei ao lado do Sasuke.

 

— Mas e você, porque diabos aceitou vir nisso aqui, se não gosta da ideia de ter que dividir a sua namorada com outro?

— Ah, sei lá! — deu de ombros — Só para ver como ela vai se comportar na frente de outros. Além disso, ela jurou que não ia tocar em ninguém, que estava fazendo isso mais por você do que por ela... — aí, ele olhou para os lados, e se aproximou para cochichar — Eu sei que ela está saindo com outro. Só me falta a prova disso!

 

Revirei os olhos. Que ótimo! Agora, eu precisava aproximar a Karin do Sasuke, para poder descobrir todo o problema do imbecil, fazendo com que ele continuasse a se consultar comigo. Por que no dia em que ele descobrir a verdade sobre ela, não vai mais querer saber de nada. Sem falar que, né, meu nariz de psicóloga não ia deixar de se meter onde não foi chamado! Não que eu me importasse com o Sasuke. Por mim, ele que explodisse. Eu fazia isso para defender a minha honra, a minha classe — que aquele idiota ofendeu!

 

— Então quer dizer que você está na seca, é? — do nada, ele sorri debochado para mim.

— Vai à merda, vai. — resmunguei.

 

Aí, ele pousou sua pata sobre o meu ombro.

 

— Pronto, cheguei!

 

Revirei os olhos, dando-lhe um tapa.

 

— Só para que saiba, não que isso seja da sua conta, por que realmente não é! Eu apenas preferi dar prioridade a minha carreira, do que a romances... Foi só isso. Nada mais do que isso. — disse eu, passando a mão no meu cabelo. De repente, me senti preocupada com a minha aparência, não sei por quê.

— Claro que sim. — disse, sarcástico.

— E você acha que é por quê? Por falta de opção? Há! Mas está muito enganado! Fique sabendo que chovia homens pra cima de mim, na faculdade. Aliás, até hoje chove! — menti.

— Ah, é verdade, preciso de um guarda-chuva agora, porque está chovendo. — disse teatralmente, abrindo o guarda-chuva que não tinha nas mãos — Ah, não, espere! Mas não são homens que está chovendo! É a sua saliva! — e deu uma risadinha irritante.

— Há... Há... Há... — sem humor — Pelo menos, não sou como você, que repele mulheres. Vê só a Karin, a sua ex, e sabe-se lá quantas mais! Sem falar que eu mesma, já te dei um “eca”! — e aí, eu sabia que estava alfinetando a onça com vara curta — Até de mim mesma, você foi rejeitado! Ahahahaha. Coitadinho.

 

Num instantinho, ele fechou a cara.

 

— Você tem noção de que está se depreciando?

 

Parei um segundo para pensar.

 

— Ah... — dei de ombros. O que importa era a cara de taxo dele.

— Primeiro: como diabos você descobriu sobre a minha ex?

— Seu irmão, é óbvio. — ele revirou os olhos.

— Segundo: Então você está admitindo que a Karin está me traindo, não é?

— Ahhhh, não sei. Pode ser que sim, pode ser que não. Pode ser que eu esteja apenas plantando a sementinha da dúvida nessa sua cabecinha de cocô. Você sabe, cocô é um ótimo adubo!

— Você quer apanhar? Por que eu acho que você quer apanhar!

— E ainda por cima, bate em mulher, é?

— Não! Mas contrato uma para bater em você! Não se preocupe.

— Tsc. Não estou preocupada.

 

Nós dois suspiramos.

 

— Como está o seu joelho? — perguntou, mudando de assunto.

 

E o agradeci (mentalmente, é claro) por não querer me irritar por mais tempo.

 

Bom, eu estava usando um vestido preto que batia no meio das coxas. Meu joelho estava bem, já sem os pontos. Mas, de vez em quando, eu ainda sentia algumas dores, por não está bem cicatrizada ainda.

 

Enfim, a Karin voltou. E percebi que enquanto bebíamos, ela olhava para os lados, assim como Sasuke fazia. Afinal, ali estavam vários casais que haviam ido até lá para trocarem de parceiros. Coisa de gente maluca. Me senti dentro de um zoológico, escolhendo o parceiro ideal para procriar.

 

— Você se depilou bem? — minha amiga, de repente, me pergunta.

— Claro.

— Até lá? Sabe, nos lugares escurinhos, onde só eles tem capacidade para ver? — insistiu.

— Eu preciso ouvir isso, Karin? — Sasuke indaga, fazendo careta.

— Sim, Karin! — respondi.

— E passou uma loção também, né? Para ficar tudo macio e cheiroso. — ela, de novo.

— Olha, eu ainda acho que essa não é uma conversa que mulheres deveriam ter na frente de um homem... — ele resmunga. E eu concordava.

— Karin, eu ainda me lembro sobre o funcionamento dessas coisas... — ou pelo menos, eu gostava de pensar que sim!

— É que todo cuidado é pouco! — e, aí, ela bateu palmas, fraquinho, para demonstrar sua empolgação — Faz tempo que não tenho uma boa conversa sobre sexo com você. Estou louca para que você transe logo, para me contar como foi sua primeira vez!

— Primeira vez??? — Sasuke indagou, surpreso.

— Primeira vez em tanto tempo, retardado. — respondo.

— Ah, é verdade. Esqueci que está chovendo homens pra cima de você! — ele resmunga, sarcástico. Aliás, tudo nele era sarcástico, né? O tom de voz, o sorrisinho, as piadinhas... Pena que a breguice dele era verdadeira!

— Você precisa de tratamento. — resmunguei.

— Ah, eu trouxe na minha bolsa um gel vaginal, e tenho alguns brinquedinhos também. — ela me disse.

— Não, obrigada. — resmunguei.

— Eles fazem muita diferença!

— Karin! — Sasuke resmungou.

 

De repente, um homem e uma mulher se aproximaram de nós, sorridentes. Cada um, com seu copo de bebidas nas mãos.

 

— Vocês três vieram juntos? — a mulher perguntou.

— Viemos, sim. — a Karin respondeu.

 

Aí, eles se olharam e deram uma risadinha.

 

— Ai, que delícia! Vocês transam sempre em trio?

 

Eu e o Sasuke quase cuspimos nossas bebidas de volta em nossos copos. Chegou até a sair uma gotinha da bebida pelo meu nariz!

 

— Aham, transamos, sim! — a ruiva idiota mente — Esses dois são puro fogo!

— E você é um cara de sorte, hein! — o homem disse para o Sasuke.

— Ah, sim. Você não faz idéia... — ele resmunga entre os dentes.

 

Aí, mais interessados em nós, eles sentaram ao nosso lado e foram puxando papo. Perguntaram sobre o que fazíamos, nossos nomes, quantos anos tínhamos, do que gostávamos... E a Karin, que respondia tudo, mentia tudo também! Atitude essa que, confesso, muito inteligente. Afinal, quem seria louco de dar informações reais a estranhos tarados?

 

— Olha, e aceitamos qualquer posição. De pé, de quatro, de três, de um... — a ruiva idiota dizia — Pode rolar até chicote, que não nos importamos.

— Eu é que vou dar uma chicotada no seu rabo, se não parar de dizer bobagens! — resmunguei para ela.

 

A mulher, uma morena linda de parar o trânsito, realmente, mas que vestia um decotão que ia ao umbigo (e não precisava nem usar roupas para aquilo!), não parava de tocar no ombro do Sasuke. Só que a Karin, bem tapada, nem percebeu. Eu dava umas cutucadas nela, para ver se ela se tocava, mas a ruiva parecia mais interessada no marido da outra do que em qualquer outra coisa que acontecesse no planeta. Se o cara dissesse que tinha soltado um pum, ela riria encantada com ele, do mesmo jeito!

 

Desisti. Mas fiquei morrendo de raiva pela ruiva permitir aquilo! Quero dizer, que mulher não defende o que é seu?

 

Conversa vai, conversa vem, e o tempo foi passando também. E quanto mais tarde da noite ia ficando, percebi que as luzes do ambiente iam diminuindo, sutilmente. Afinal, as pessoas já estavam mais alcoolizadas, mais engajadas umas com as outras. E a música um pouco mais agitada, para levantar os ânimos das pessoas, é claro.

 

A mulher agora já passava a mão nos cabelos do Sasuke, enquanto que ele, esperto, se fazia de sonso que não percebia. Ele também parecia estar mais pra lá do que pra cá e conversava com o cara quando a Karin se inclinou para sussurrar para mim:

 

— Ele é lindo, né? — me perguntou.

— Sim, o Sasuke é lindo, e todo seu, e você babando por um outro idiota! — resmunguei, emburrada. Indignada, na verdade.

 

Aí, ela me olhou com aquele jeito estranho, com sobrancelha erguida. E ainda tomou o meu copo (que já estava vazio)da minha mão.

 

— Chega de bebidas para você! Estou falando do Neji! — se referia ao outro cara — Com quem você deveria trepar!

— Ah bom...

 

Bom, não era de se jogar fora não. Ele era cardiologista, cabeludo, tinha olhos azuis muito claros, era forte e se vestia BEM. Apesar de que, a essa altura do campeonato, eu já estava me acostumando com o jeito meio desleixado do Sasuke se vestir. Muito embora hoje, ele se vestia um pouco melhor. De calça jeans amarrotada, com um sapato meio enlameado, e uma camisa cinza, sem estampas, com uma mancha de molho de tomate meio desbotada para fazer charme. Estava sem o boné, e de cara lavada e cabelos desgrenhados. Estava perfeitamente bem, na verdade! Não sei por que diabos a Karin estava babando sobre o outro! Tsc.

 

— Se bem que eu não me importaria de jogar o Sasuke pra escanteio, para experimentar esse aí! Mas como eu prometi, essa noite será sua! — ela ainda me disse.

— Mas porque você só me arranja cabeludos? — resmunguei.

— Nem vem reclamar! Ele é quem veio, eu não arranjei nada! Mas para de ser chata, e aproveita o gostoso! Ele poderia ser gordo, que nem aquele ali, oh! — e me apontou para um casal em que o homem, realmente, era baixinho e barrigudo. Os gordinhos que me desculpem, mas deve ser o “óh do borogodó” fazer oral, batendo a testa numa pança peluda!

— Tá, tá... — suspirei. Eu também não ia ficar discutindo com ela sobre preconceitos e padrões de beleza impostos pela mídia na sociedade num local daqueles!

 

Então, de repente, surgiu ao nosso lado um cara todo vestido de preto, nos entregando vendas para os olhos. Olhei para aquilo, sem entender.

 

— É uma brincadeira da casa. — Karin me explicou — Se quiser participar, tem que vestir esta venda. Os que a colocam saem tateando pelo salão até tocar alguém. E com esse alguém vai para um quarto escuro, sem olharem para cara um do outro. Espero que, para o resto, você não precise de explicações...

— Ah, muito obrigada pela parte que me toca... — resmunguei.

— Eu não te toquei!

 

Revirei os olhos. Só a perdoo por estar alcoolizada.

E aí, ela olhou para o outro casal.

 

— E aí, o que vocês vão querer?

— Olha... — a morena (acho que o nome dera ela Tenten) disse — Nós estávamos interessados em vocês...

 

Nossa. Essa conversa me soou tão comercial. Tipo, como quem estivesse na dúvida por qual pacote de pipocas vai querer. “Estamos interessado nesse aqui, com manteiga.” Só que no nosso caso era algo mais “Este aqui, com lubrificante”. Por que, né... Aliás, a morena inteira parecia comercial, fabricada numa mesa cirúrgica, toda embonecada, feita para impressionar. Tsc.

 

Em resposta, Karin olhou para o Sasuke. E ele olhou para a Karin, meio sem reação. E olhou para as outras pessoas. Havia vários casais que estavam se movimentando. Alguns colocando as vendas, outros saindo em grupos para dentro de um corredor escuro que me dava medo.

 

— Para onde estão indo? — perguntei à Karin, apontando para o corredor.

— Os quartos.

 

Engoli a seco, meio nervosa. Quero dizer, o Neji era realmente lindo, e tudo mais. Mas fiquei me perguntando sobre o funcionamento daquela coisa. Tipo, todos nós, eu, a Karin, o Sasuke, e o casal, peladões num quarto. Eu não sei se estava preparada para ver a Karin pelada. Muito menos o Sasuke.  Quero dizer, por Deus, eu iria ver o meu arqui-inimigo pelado! Eu acabaria tendo que dizer “eca” para ele duas vezes na vida. Talvez o coitado morresse na segunda vez, por não suportar a rejeição, coitadinho.

 

— E se a cama não aguentar todo o peso? — sussurrei para ela.

 

E ela me deu um peteleco na testa.

 

— Que tal você beber mais um pouco? Pensando bem, acho que não está bêbada o suficiente para encarar uma noite dessas... — ela me disse.

 

Então, por recomendação da Karin, peguei mais algumas doses de bebida para "relaxar". Só que, embora eu soubesse muito bem que ela estava apenas querendo me induzir aos seus planos malignos, acatei com aquela ideia de perder os neurônios para o álcool por outro motivo...

 

— Ela provavelmente ainda brinca de boneca barbie. Deixe-a em paz, Karin. Bebidas não são para crianças. Muito menos uma orgia! — Sasuke resmungou, na primeira vez em que eu disse que era melhor parar de beber. Afinal, eu conhecia os meus limites. Já havia bebido duas doses, e minha cabeça já não parava em pé direito também. Eu não queria perder a razão, a sobriedade sobre meus atos. Mas veja bem, se eu não a perdesse, era aí mesmo que eu não iria me submeter àquele jogo maluco de sexo às escuras (bem como a Karin dissera). Só que isso não era o problema. Por que, veja só, eu poderia conviver com uma Sakura rabugenta pelo resto da minha vida, entende? Com o que eu não poderia conviver, no entanto, era o sarcasmo do Sasuke em cima de mim, uma mulher adulta, bem sucedida. Ora, onde já se viu, ser minimizada por um pé-rapado de gosto duvidoso como ele?

 

Então, eis o que fiz: levantei-me, fui até o bar e voltei com uma bandeja com mais quatro doses.

 

— Ah, obrigada, não precisava se incomodar... — disse o espertinho do Sasuke, se inclinando para pegar um copo. Mas dei um tapa em sua mão, antes que tocasse um deles.

— E não me incomodei mesmo. Eles são para mim, não para você.

 

Ele ergueu sua sobrancelha, junto com aquele sorrisinho torto irritante.

 

— Deixe de ser besta, e me dá logo um, porque você não vai conseguir beber tudo isso sozinha. Você levou três séculos para beber uma dose. Quando terminar a segunda, já vamos estar apodrecendo embaixo da terra!

 

Talvez porque eu já tivesse ingerido alguma quantia que não me dei conta de que o infeliz estava fazendo. E por isso, peguei um copo e o esvaziei de uma só vez. Sem falar que, por alguma razão, eu estava muito fula com ele. E aí, depois, peguei o segundo, e repeti o ato (idiota, mas eu não precisava dizer isso em voz alta) com o terceiro. E, então, ao quarto copo, depois de soltar um discreto arroto básico, o esvaziei também. E quase não consegui colocar o copo de volta na bandeja. Pelo menos, não sem fazer estardalhaço.

 

— Nossa, parabéns. — disse ele, sem nenhuma empolgação, mas fingiu bater palmas empolgadas, mas com os seus dedinhos minguinhos, só para minimizar mais ainda o meu feito.

 

Enfim, a Karin me olhou.

 

— Está pronta agora, querida?

 

Sorri.

 

— Tsc. Eu não estou pronta. Eu nasci pronta! — e fabulosa!

 

E Sasuke riu.

 

— Mas garanto que se eu de um espirro na sua cara, você cai para trás.

— Se eu te der um chute nas tuas bolas, tenho certeza de que você também cai!

 

Em resposta, ele fez uma careta debochada, enquanto que o outro casal soltou uma risadinha, se divertindo as nossas custas.

 

— Vocês formam um casal engraçado...

— Deus me livre, estar junta (o) desse (a) aí. — eu e ele dissemos, ao mesmo tempo. E a morena ainda nos olhou com ar de deboche, como quem diz "olha só, que bonitinho, até falam igual".

 

Argh!

 

Enfim, os casais começaram a se mover, todos indo em direção ao corredor. Senti-me como se estivéssemos indo para o corredor da morte, caminhando para sentença do juízo final, sem saber o que eu poderia esperar daquilo. Só que, por mais que eu não quisesse admitir, eu já não conseguia nem caminhar em linha reta. O que era muito trágico! E mais trágico ainda, era rir toda vez que esbarrava em alguém, porque eu simplesmente tinha vontade de rir, feito uma idiota.

 

E como se o trágico não fosse pouco, vejam só que terrível o que me aconteceu: de repente, olhei para os lados, e só via aquele bando de gente estranha. A Karin, o casal, e o Sasuke não estavam mais ao meu lado! Só havia aquele mundaréu de gente estranha, um bando de lobos famintos, loucos para procriarem. E o pavor veio crescendo mais em mais, na medida em que íamos avançando corredor adentro. Tentei procurar por eles, mas só via aqueles rostos estranhos, que iam me levando na maré de corpos quentes. E ainda por cima, aquele corredor dava passagem para outros corredores, de modo que aquele lugar parecia um enorme labirinto. E, então, num piscar de olhos, eu estava dentro de um quarto, com cinco pessoas que nunca vi na vida.

 

— Com licença... — resmunguei, me retirando de fininho, esbarrando nas paredes.

 

Entrei em outro quarto. Havia duas mulheres se pegando. Definitivamente, não era a Karin. Tentei outro quarto, e dei de cara com a bunda de um casal que já mandava bala, sem cerimonia alguma. Tipo assim: Eca! No quarto seguinte, tinha dois idosos fazendo exercícios físicos (por que, né, coitados, a artrose e a osteoporose não permitiam mais que fizessem um kamasutra).

 

— Vovô, segure-se firme aí! — e o pior é que eu não sabia o que era pior: se o fato de ele se movimentar bem rapidinho, achando que tinha conseguido enfiar seu tico na vovó, ou se era a vovó gemendo achando que ele tinha enfiado o tico em sua piriquita.


Tentei mais um monte de quartos. Alguns nem me viram, outros quase me escorraçaram a pontapés, e teve um que ainda me convidou para me juntar a eles.

 

— Não, cara, não curto esses fetiches, como posso dizer?... Excêntricos, com urina. — era cada uma!


E, então, encontrei um quarto vazio. A princípio, pensei em continuar a minha procura, mas eu já estava quase me arrastando pelo chão e as coisas apareciam quase duplicadas na minha frente. Sem falar que eu estava começando a me sentir meio enjoada. Então, resolvi ficar ali. Alguma hora, a Karin acabaria me encontrando. Cedo ou tarde.

 

Provavelmente mais tarde do que cedo.

 

Enfim, tranquei a porta, e caí de bruços na cama. O quarto era bem espaçoso, com um banheiro. A cama era redonda com lençóis vermelhos e havia espelhos para todos os lados, inclusive no teto. Havia um suave aroma de flores no ar, e foi com ele que aos poucos fui caindo no sono. No entanto, de repente, ouço um ruído estranho. O som de uma descarga. E, então, o Sasuke sai do banheiro.

 

Revirei os olhos. Era muito azar para uma pessoa só.

Ele não parecia muito bem, na verdade. E assim que me viu, voltou correndo para o banheiro para vomitar.

 

— Argh — resmungou, depois de dar outra descarga — É só olhar para a sua cara, que eu vomito! Ah, e por falar nisso, me lembrei de um poema agora!

— Que meigo, um Sasuke poeta. Tsc. Era só o que me faltava.

— Psiu! Escuta só, porque é o único poema que decorei na vida: Olhei para o céu, olhei para o mar. Vi o teu rosto, e tive que vomitar! Muito profundo, né? É a arte imitando a vida. Ou seria a vida imitando a arte?

— Profundo vai ser o meu pé na sua bunda!

— Acho que vou vomitar de novo.

— Mas o quê? Você me criticando e vomitando aí feito uma menininha?! Ora essa, deveria ter ficado em casa, tomando mamadeira, Sasuke. E olha que eu bebi mais do que você!

— Fica quieta! Só estou passando mal porque não havia comido nada.

— Ah, sei, sei...

 

De repente, ele se joga na cama, ao meu lado.

Rapidamente, me levantei. Só que, como estava bêbada, me desequilibrei, e cai de bunda no chão. E então, ele meio que veio rastejando pelo colchão para me encarar feio.

 

— Ressaca não é contagiosa. — disse.

— Por que está se deitando aí?

— Eu tenho que vomitar em cima de você, para se convencer de que estou passando mal?

— Onde está a sua namorada?

— Sei lá. Sumiu do meu lado, aquela vaca.

— Então vá procurar por ela!

 

Aí, ele esticou os braços, alcançando os meus cabelos, e me puxou mais para perto dele. Bati o nariz no colchão! E ainda por cima, ele enfiou um dedo dentro dos meus ouvidos! Dei-lhe um tabefe naquelas patas, sem entender o que o idiota estava fazendo, mas ele só olhou para os dedos.

 

— É, eles não parecem estar sujos, pelo menos. EU ESTOU PASSANDO MAL, CARALHO! — berrou — Quer que eu desenhe, para você ter certeza de que não entendeu?!

— E se ela estiver de pernas abertas para o cabeludo? Você não se importa com ela, não?

— E porque você está tão preocupada com isso?

— E porque você não está?!

— Por que estou morrendo. E quando eu morro, eu não me preocupo com mais ninguém, ok? Me dá licença para ser egoísta em meus últimos momentos de vida? Saco, não se pode mais morrer em paz... — e se jogou de costas para o lado, no colchão.

 

Homens. Por qualquer dorzinha, acham que estão morrendo...


Notas Finais


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