História Por Dentro - Capítulo 18


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Família, Fantasia, Ficção Cientifica, Mistério, Novela, Policial, Romance, Saga, Universo Alternativo
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Drogas, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 18 - B.9. Um novo plano


*Ponto de vista: Osorah.

*Presente.

03:04 AM

– Eu sou o irmão mais velho do seu pai – diz James. – Sua mãe não deve ter me mencionado quando falava sobre ele, não é?

– Ela nunca falou nada sobre o meu pai, nem sobre a família Waith – respondo. – Eu nunca nem mesmo vi uma foto dele. Tentei procurar em registros na internet e nos arquivos do DIH, mas todas as informações foram apagadas.

– Eu sinto muito, eu sou o responsável pelo sumiço de todos os registros da nossa família – diz ele, colocando a mão sobre a testa. – Bom, continuando. Nós éramos muito próximos quando crianças, ele sempre se metia em enrascadas e eu tinha que tira-lo delas. Nós tivemos uma boa infância. – A forma como diz isso mostra um pouco de nostalgia em sua expressão. – Quando a sua mãe estava grávida de você, nós, a família Waith, com exceção dela, fomos em uma viagem de cruzeiro comemorar o sucesso da Waith Corp, a nossa fábrica de eletrodomésticos, os mais tecnológicos da época.

Waith Corp... Eu nunca ouvi falar dessa fábrica.

– Enfim – continua ele. – No segundo dia da nossa viagem, o navio naufragou, todos presentes, morreram, com exceção de mim. Eu tive a sorte de ficar preso em uma pequena ilhota não muito distante da Ilha de Holy. Depois de um tempo, consegui sair dela.

Não há qualquer resquício dessas informações em qualquer lugar que eu tenha procurado. O único que provavelmente sabe de tudo isso é Henry.

– A Waith Corp deveria ter sido herdada por mim, mas eu fui dado como morto junto com a minha família e com os outros sócios dela – continua ele. – Sua mãe era a única herdeira possível, mas ela se recusou a herdar a empresa, que foi fechada algum tempo depois. Ela nunca superou o que aconteceu, por isso, decidiu simplesmente apagar qualquer memória do que tinha acontecido, incluindo as memórias do seu pai.

Então essa é a razão de ela nunca ter me contado nada sobre ele e sobre nossa família. A única coisa que ela sempre me disse é éramos as únicas vivas.

– Por que ela não viajou com todos os outros? – pergunto.

– Sua mãe e Henry estavam em uma viagem fora do país, por isso ela não foi ao cruzeiro. O que foi bom, caso o contrário, você estaria morta também – responde ele. – Bom, depois que eu saí da ilha em que estava preso, adotei um nome falso e resolvi continuar a minha vida, aqui.

– Como ela realmente morreu? – pergunto.

– Nós vamos chegar nessa parte logo, só seja paciente – responde ele. – Você não quer primeiro saber exatamente “o que” você é?

– Bom, vá em frente – respondo, indiferente.

– Sabe aquele caderno que sua avó escreveu?

Trago o pequeno caderno à mente.

– O que tem ele?

– Bom, eu sei tudo o que foi escrito nele. Deixa-me te contar uma história – diz ele, endireitando sua postura. – Há muito tempo, na época dos grandes clãs, nossas três civilizações da Ilha de Holy, hoje conhecidas como Holywai, Blulaquê e Boskia, travavam uma enorme guerra por posse de poder e de terras. Mas essa guerra foi interrompida quando um grande mal despertou da própria escuridão: A Fera, um grande e aterrorizante dragão feito inteiramente de energia que ficou conhecido como Osorah. A criatura não tinha nenhum outro objetivo senão destruir e matar a todos que traziam a discórdia à ilha. Para solucionar o problema, os líderes dos clãs decidiram unir suas forças contra Osorah. A líder do clã Holy, Fiona, havia encontrado uma pequena pedra muito rara que tinha o poder de aprisionar o dragão em seu interior. Ela usou a pedra e salvou a todos que habitavam a ilha, mas em consequência, para manter Osorah presa, tinha que estar sempre com a pedra próxima ao seu corpo, ou A Fera seria libertada. Então ela fez daquela pedra um colar que passou a usar no seu pescoço pelo resto da vida.

Então essa é a origem do meu colar.

– Mas as cosias não acabam por aí – ele continua. – Com o tempo, o corpo de Fiona foi absorvendo o poder do dragão e modificando sua aparência e personalidade.

O colar lhe deu o poder de ver passado, presente e futuro, regeneração, criação e manipulação da energia que compõe o universo, a habilidade de manipular tudo o que é frio, quente e a natureza e influência sobre as emoções das pessoas, ela também podia ler mentes. Também aguçou todos os seus sentidos, deixando-a mais rápida, mais forte e mais ágil. Ela até mesmo conseguia usar a energia que criava para erguer o próprio corpo no ar e voar.

Então essas devem ser minhas habilidades. Mas não me sinto como se tivesse qualquer influência sobre coisas frias, quentes ou a natureza, muito menos sobre a mente das pessoas, algo deve estar errado.

– Mas tudo isso veio com um custo. – James interrompe meus pensamentos. – Osorah ainda estava lá, o que fazia com que a parte mais sombria da personalidade de Fiona viesse ao exterior. Essa era a influência que ela recebia. O preço do poder. Fiona teve uma filha, filha essa que herdou os mesmos poderes, mas só poderia usa-los se estivesse com o colar no pescoço. A absorção da energia de Osorah pelo corpo de Fiona criou uma anomalia em seu DNA, a anomalia presente em seu DNA, no da sua mãe e no da sua avó. A anomalia na qual é a razão da existência do Laboratório Cook, a anomalia que dá a você os seus poderes.

Sinto meu cérebro começar a arder. Agora tudo faz sentido, essa história esclarece muita coisa.

– Para manter Osorah presa dentro do colar, era necessário que ele ficasse preso a alguém – continua ele. – Quando Fiona morreu, o colar foi passado à sua filha, o que só fortaleceu a anomalia em seu DNA. E isso se repetiu de geração em geração e todas as herdeiras tiveram que enfrentar seu lado mais escuro, até chegar em você.

– Então, se eu sou assim é por causa de uma maldição? – pergunto.

– Não, você é assim porque é isso que está dentro de você – responde ele. – Osorah apenas traz para fora.

– Certo, acho que entendi.

Eu não sei se é normal me sentir assim, mas estou completamente indiferente em relação a toda a história, apesar de ela ser bem esclarecedora. Eu sei que queria muito saber a verdade, mas agora, é como se ela não importasse mais.

– Tem só uma coisa que me deixou um pouco pensativa – digo.

– O quê – pergunta ele.

– Apenas algumas páginas de um caderno não são o suficiente para contar toda essa história, mesmo que fossem, duvido que minha avó conseguiria escrever tudo isso. Como sabe de todas essas coisas tão detalhadamente?

– Você está certa, não são – responde ele. – Quando eu e o seu pai éramos adolescentes, já éramos amigos da sua mãe. Enquanto eles passavam horas estudando ou fazendo qualquer outra coisa, sua avó me contava essas histórias, por isso eu sei tanto sobre o assunto. Ela usou todo o seu poder para descobrir a origem de tudo isso e encontrar uma forma de deter a escuridão dentro dela, mas não há como, quanto mais você usa seus poderes, mas forte ela fica.

– Tudo bem, faz sentido.

– Bom, agora vem a parte que você tanto esperava: o assassinato de Regina Waith.

“Regina Waith”. Às vezes até me esqueço do nome dela...

– Existe uma pessoa nesse mundo que sabia toda essa história, eu não sei como, mas sabia. Ele matou Regina na tentativa de roubar o colar e liberar o poder d’A Fera, o que não deu muito certo, já que o colar estava com você naquele dia. Estou certo de que ele não tinha a menor ideia de que fazer isso poderia resultar na destruição de toda a Terra. Osorah não pararia até que tudo o que causa morte, destruição, discórdia e tristeza fosse varrido da existência, e digamos que nosso mundo esteja completamente cheio disso. Ele também foi o responsável pelo naufrágio do cruzeiro com todos os Waith.

Ele está certo. Da forma como grande parte das pessoas ao nosso redor estão completamente cegas pelo orgulho e egoísmo que são capazes de passar por cima de qualquer um para conseguir o que querem, seria uma chacina. Se bem que eu não posso falar nada, afinal, tenho sido exatamente como uma delas.

Ao pensar isso, ouço uma pequena voz na minha cabeça dizer “não seja estúpida, Samantha, você nasceu para reinar”, decido ignorar esse pensamento.

– Então é por isso que ela morreu, por causa da estupidez de uma pessoa...

– Digamos que sim. Mas você não precisa se preocupar com isso, ele está morto agora. Eu mesmo cuidei disso, afinal, ele matou toda a minha família. Ele olha para o chão.

Então “tio James” é um assassino...

– Bom, agora está na hora de te contar o verdadeiro motivo de eu ter trazido você até aqui. – James sorri.

Fico confusa e curiosa por um momento.

– Sabe, eu poderia ter te procurado logo depois que consegui me reerguer na vida, mas queria que você estivesse pronta, por isso resolvi apenas observar de longe – diz ele.

– Pronta para o que, exatamente? – pergunto.

– Para salvar nossa família. – Ele me olha com confiança.

Isso me deixa ainda mais confusa. Nossa família está morta, não tem como ser salva.

– Como isso seria possível? – pergunto.

– Se você conseguir voltar no tempo para a época que o assassino da sua mãe era apenas um adolescente e mata-lo, ele nunca crescerá e matará toda a nossa família – responde ele. – Nossas vidas seriam completamente diferentes do que são agora, estou certo de que seriam muito melhores.

– Isso é estúpido, não é possível voltar no tempo – digo, apoiando a testa na minha mão direita.

– Sabe, existe um jovem gênio no Laboratório Cook que conseguiu desenvolver uma tecnologia capaz de abrir buracos de minhoca no espaço – diz ele. – Ele chamou sua invenção de Portal de Teletransporte, criado especificamente para facilitar o transporte entre as cidades. Será que vem qualquer pessoa à sua mente?

– Caleb – respondo.

– Exatamente! – diz ele, com um pequeno sorriso no rosto. – Infelizmente essa máquina necessita de muita energia para funcionar.

Eu entendo onde exatamente ele quer chegar. Ele quer que eu use minha energia para ligar a máquina.

– Seu amigo não tem ideia da capacidade que sua máquina tem – continua ele. – Ela, combinada com o seu poder de ver o passado, presente e futuro, pode criar um buraco de minhoca capaz de levar quem o atravessar para qualquer lugar do tempo. Tudo o que você precisa fazer é definir onde exatamente quer ir.

– Caleb não é meu amigo.

– Certo, certo. Mas esse não é o ponto aqui. – Ele começa a alisar a borda de uma xicara que estava ao seu lado. – Você está disposta a sacrificar tudo o que tem agora para ter uma vida melhor em uma outra realidade? – Ele olha nos meus olhos.

A pergunta ecoa em meus pensamentos. Essa é uma proposta muito tentadora. Eu poderia muito bem fazer isso por conta própria, mas não estou certa de que saberia ligar aquela máquina sozinha, acho que vou precisar da ajuda dele.

– Bom, não tenho nada a perder – respondo.

– Muito boa escolha! – James se encosta no encosto de sua cadeira. – Agora você é um membro oficial da Viortury.

Sinto algo estalar na minha mente. Viortury é a maior organização criminosa de toda a Ilha de Holy. Surgiu há duas décadas atrás e cresceu numa velocidade absurda, a polícia inteira da ilha sempre esteve à procura de todos os envolvidos e agora estou descobrindo que sua base é exatamente instalada em uma caverna na parte alta da floresta da montanha. Isso significa que Otávio Sartori, a pessoa mais procurada da ilha, o cabeça da Viortury e alguém que ninguém nunca viu o rosto é, na verdade, James Waith, meu tio por parte de pai. E agora sou parte de tudo isso. Estou percebendo que tudo o que acreditava ser real sobre a minha família é uma tremenda mentira.

– Certo, eu não esperava por isso – respondo.

– Mas isso não é um problema, não é? Afinal, nada disso vai existir depois que você terminar – diz James.

– Tem razão.

– Ótimo! – Ele se levanta. – Agora venha comigo. Tenho algo para mostrar a você.

Nós descemos a escada da sacada até a sala que havia visto lá de cima e seguimos por um longo corredor logo à frente, ele é cheio de portas brancas muito bem espaçadas umas das outras, tudo é de uma simetria absurda.

– É fundamental que todos os membros da Viortury tenham seus próprios quartos, afinal, depois de entrarem, devem deixar tudo para trás – diz James. – E o seu caso não é diferente. Mas para você, eu tenho algo especial. – Ele para em frente à última porta do corredor, uma porta toda preta, e a abre. – Este quarto foi criado especialmente para você há muito tempo.

As paredes do quarto são pintadas em um azul-escuro quase preto e o chão é branco. Dentro dele, há uma cama que aparenta ser bem confortável, uma escrivaninha com uma cadeira, um grande guarda-roupa e uma outra porta.

Eu entro e olho ao redor.

– Você tinha o plano de me trazer para cá desde sempre? – pergunto.

– Sim, afinal, você é parte fundamental – responde ele.

“A Rainha”, ouço na minha cabeça. Mais uma vez, decido ignorar.

– E por último – ele entra no quarto e abre uma das portas do guarda-roupa. – Isso!

Lá dento, há um manequim com uma roupa um pouco familiar, eu diria. É um longo casaco azul-escuro que vai até um pouco mais abaixo dos joelhos, com mangas compridas até as mãos e ombreiras pontudas. Por baixo dele, há uma blusa preta e uma calça também preta. Há botas grandes, da altura do joelho para baixo, na mesma cor do casaco. Ele parece ser feito de um material bem leve.

– Todos os membros também têm uniformes – diz ele. – Mas o seu é muito, muito especial.

O uniforme me lembra muito a roupa da silhueta misteriosa da visão que tive há um tempo.

...



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