História Por Dentro - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Família, Fantasia, Ficção Cientifica, Mistério, Novela, Policial, Romance, Saga, Universo Alternativo
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Famí­lia, Fantasia, Ficção Científica, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - A.5. Seus Olhos Estão Brilhando


8:03 AM

Os dois me trazem para a sala de Invenções, me pergunto que tipo de teste eu poderia fazer aqui. Caleb segue em direção a uma pequena mesa com uma cadeira. Sobre ela, havia um capacete um pouco estranho com vários fios ligados a ele.

– Isso é um detector e capturador de ondas cerebrais. A função dele é ler a forma como os seus neurônios viajam pelo seu cérebro e converte-los e transmiti-los para esta tela de computador aqui ao lado, no formato de vídeo ou de texto – diz ele.

– Assim, vão poder ver as minhas visões – eu completo. – Isso é incrível!

– Eu sei, foi ideia minha – responde Caleb. Tio Henry o observa com um ar que diz “é claro, você pensou e fez tudo sozinho, senhor gênio”.

Me sento na cadeira e espero Caleb colocar o capacete na minha cabeça.

– Agora, só o que você precisa fazer é ter uma visão – diz tio Henry. – Consegue fazer isso?

– Eu não estou muito certa disso – digo, não muito confiante. – Quero dizer, eu já tentei várias vezes e nunca consegui. Por que mudaria agora?

– Porque agora você tem um motivo muito maior para conseguir, a vida de uma garota pode estar dependendo exclusivamente disso – diz tio Henry. Eu sei que ele está tentando me motivar, só está me deixando mais aflita... – Além disso, seu poder está ficando mais forte.

– Certo, certo, tudo bem... – eu o interrompo, na tentativa de impedir que ele piore as coisas. – Eu vou tentar.

– Tudo bem! – diz Caleb. – E lá vamos nós!

Ele liga a máquina. Tento me concentrar na visão da Hanna que eu tive ontem, mas nada acontece.

– Vamos lá, Sam, eu sei que pode fazer isso! – diz tio Henry. Tento ignora-lo para não perder a concentração. Mas, mais uma vez, nada acontece.

– Espere, há algo errado – diz tio Henry. Abro os olhos e o encaro.

– O que está errado? – pergunto.

Tio Henry hesita por um momento, então diz:

– Seu colar. Você precisa dele para que funcione.

– Espere, como sabe disso? – pergunto, curiosa e surpresa. Posso ver claramente que ele está entre me contar e não me contar algo. Há um tempo que penso que tio Henry sabe mais do que diz, mas agora, eu tenho certeza. Olho para Caleb, ele parece querer que isso aconteça.

Tio Henry abaixa a cabeça.

– Preciso te contar uma história, Sam – diz ele. Parece ser algo sério. – A ideia não era te contar agora, mas acho que não tenho escolha.

– Estou ouvindo.

– Desde sempre, na nossa família, o primogênito da geração sempre é uma menina, uma menina que, como você já sabe, tem o poder de ver o passado e o presente.

– Sim, o senhor me contou isso agora há pouco, junto com a teoria da anomalia genética.

– Exato, mas não para por aí. Nas gerações passadas, a “hospedeira” também podia criar uma espécie de “mágica, com as mãos, uma forte luz azul que podia fazê-la voar e, em contato com as coisas, poderia destruí-las. Eu pude fazer alguns testes com sua mãe, antes de ela morrer, e descobri que essa “mágica” era completamente feita de energia, a mesma energia que compõe o nosso mundo.

– Onde o senhor quer chegar com isso? – pergunto. – Quer dizer que eu também posso fazer isso?

– Não só isso, você pode fazer muito mais – responde ele. Fico surpresa. – Entre sua mãe e sua avó, você é a que tem o DNA mais compatível com a anomalia, talvez o mais compatível do que o de qualquer outra antepassada. É como se existisse uma imensa ligação entre você e ela. Isso faz de você a mais forte de todos os tempos.

– Mas o que isso tem a ver com o meu colar?

– Certo, acabei desviando desta parte – diz ele, passando a mão no rosto. – Seu colar é completamente cheio de energia, essa energia é o que ativa a anomalia do seu DNA, ou seja, seu poder.

– Quer dizer que ele é a fonte? – pergunto.

– Sim, não é só um artefato antigo que existe desde a época dos clãs, que foi passado de geração a geração, é uma chave, que determina a época de fim e começo da vida do poder de uma hospedeira – responde ele. Eu não sei exatamente o que fazer com estas informações. E... estou me sentindo estranha sobre isso, ainda acho que está faltando uma parte da história.

– Certo... Mas eu não sei como isso vai me ajudar agora – digo.

– Sam... E quanto à parte de que você é a mais forte deste tempo?!

– Como isso ajuda?! Apenas coloca sobre meus ombros uma enorme responsabilidade!

– A ideia não foi essa... O que eu quero dizer é: se você é a mais forte, consegue fazer isso agora, consegue encontrar a Hanna! – diz ele. Isso ainda não me ajuda muito, mas talvez ele tenha razão.

Respiro fundo, tentando reorganizar os pensamentos.

– Certo. Eu consigo.

– Você tem certeza disso? – pergunta Caleb, que eu já havia até mesmo esquecido de que estava aqui também.

– Sim, tenho certeza – respondo. – Pode pegar o meu colar, que está dentro do primeiro bolso da frente da minha mochila?

– Claro. – Ele vai até minha mochila, pega o colar e me entrega.

Sem mais esperar, coloco-o no meu pescoço, fecho os olhos e me concentro na Hanna. Abro os olhos, posso senti-los brilhando, exatamente como aconteceu ontem, e apareço em frente a uma casa. Eu conheço essa casa, é a casa do pai da Hanna. Por que eu estou aqui? Eu deveria ir para onde a Hanna está! Espera... É isso! A casa do pai dela é onde ela está!

De repente, sinto uma grande dor de cabeça e tudo começa a piscar, logo a visão acaba. Toco nas minhas narinas, estão sangrando. Rapidamente as limpo.

– Por que você foi parar na casa do pai da Hanna? – pergunta tio Henry.

– Porque é onde ela está. Josh Hiro sequestrou a Hanna, sequestrou a própria filha – respondo. – Eu deveria ter desconfiado de toda aquela simpatia.

– Que tipo de pai sequestra a própria filha? – pergunta Caleb.

– O tipo que quer mantê-la longe da mãe – responde tio Henry. – Josh e Adélia deixaram bem claro que se odeiam, como Adélia tem a guarda da Hanna, ele pode muito bem ter decidido sequestra-la para mantê-la perto de si.

– Eu posso dizer que essa não é a melhor forma de demonstrar amor a uma filha... – diz Caleb.

– Precisamos ir até lá – digo, saindo da sala. – Não vou deixa-la lá por nem mais um segundo.

...

8:19. AM.

– Sam, espere! Não podemos simplesmente ir lá e entrar, é invasão! – diz tio Henry. Ele não quer me deixar passar pela porta de saída do laboratório.

– Ela está lá, o que mais você quer?

– Por acaso você está se esquecendo de tudo o que estudou e aprendeu na prática? Não é bem assim que as coisas funcionam!

– Você vai me deixar passar, ou será que vou ter que passar por cima de você? – digo. Ele olha para mim com espanto.

– Sam, o que está acontecendo com você? – pergunta ele. Ele segura os meus ombros e olha fixamente nos meus olhos.

– O quê? – pergunto, aborrecida.

– Seus olhos estão brilhando. – Pisco meus olhos rapidamente. Perco a força nas pernas e caio de joelhos no chão.

– Me desculpa... Eu... eu não sei... não sei como isso aconteceu...

– Sam... Você não pode exigir tanto de si mesma. Você fez o que ninguém conseguiu, descobriu onde a Hanna está. Agora você precisa esfriar a cabeça, senão nunca vai conseguir salva-la. – Não consigo conter as lagrimas. Tio Henry me abraça.

– Eu conheço você. Isso não é só sobre a Hanna – diz ele. Por mais que Caleb saiba muito sobre mim, é tio Henry quem me conhece como ninguém, afinal, ele me criou depois que minha mãe morreu. – Você sabe que pode confiar em mim.

– É este poder, este caso, estou sentindo um peso nos meus ombros que nunca senti antes.

– O que faz ser tão pesado? – pergunta ele. Eu amo quando ele tenta dar uma de psicólogo, porque ele simplesmente não sabe fazer isso, é engraçado.

– Bom, o fato de eu não saber como agir em relação à Hanna e que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”? – Tio Henry e eu rimos. – Eu estou com medo, tio Henry, medo de não conseguir salva-la, medo de não ser boa o suficiente para este mundo.

– Eu sei que está.

– Sabe, se eu tenho esse dom, se ele foi passado desde a primeira geração até agora, é porque há um propósito maior para isso. Eu tenho medo de não estar seguindo esse propósito. – Tio Henry me solta e me olha fixamente.

– Sam, você ajuda as pessoas, mesmo que não esteja usando seus poderes para isso, ainda sim é algo para se admirar. E acredito que seja exatamente esse o seu propósito.

– Sim, acho que tem razão. Obrigada – respondo.

– Bom, eu acredito que talvez Caleb tenha algo mais para testar seus poderes – diz ele. – Eu preciso ir, ainda tenho algumas coisas para resolver no DIH, você pode tirar o restante do dia de hoje de folga, para fazer esses testes.

– Obrigada. – Ele vai embora.

Eu não sei porquê, mas estou com uma grande vontade de achar o pai da Hanna e faze-lo sofrer, mesmo que nunca tenha me feito nada.

8:27 AM

Vou em direção à sala de Invenções. Ao entrar, vejo Caleb trabalhando em algo de formato cilíndrico.

– Então, o senhor Henry te convenceu a não invadir a casa do Hiro?

– Sim, acho que podemos dizer isso. Enfim, o que está fazendo?

– Algo para testar os seus poderes. É como uma bateria. Seu tio disse que você consegue disparar uma espécie de energia com as mãos, certo? O objetivo é testar o quão potente essa energia é. Se for potente o suficiente, esta luz em forma de cilindro vai acender.

– Espera, eu nem mesmo sei como fazer isso.

– É por isso que você está aqui, para aprender. E então, quer tentar?

– Eu não sei se estou pronta para isso.

– Você não vai saber se não tentar.

Acho que Caleb tem razão. É impossível conseguir algo difícil sem tentar.

– Tudo bem. Eu vou tentar uma vez, mas só uma vez.

– Certo. Finalmente vou poder ver isso com os meus próprios olhos!

– Qual é? Não é como se isso fosse a coisa mais legal do mundo...

– Bom, talvez não para você.

Caleb liga alguns fios em alguns encaixes da lâmpada e outros em computadores, gostaria de saber para que serve cada um deles, depois coloca o cilindro esquisito sobre mesma mesa que estava o leitor de ondas cerebrais.

– Está quase pronto – diz ele, enquanto digita algumas coisas no computador. – Pronto. O computador vai nos dizer exatamente o nível de potência presente na bateria assim que você começar.

Olho para o cilindro. Sua base é feita de metal e o restante é feito de um vidro que aparenta ser muito resistente. Na base, há dois pequenos círculos que parece ser onde eu devo disparar a energia.

– Quando estiver pronta – diz ele, olhando para mim.

Coloco minhas mãos exatamente onde os dois círculos indicam. Tento manter uma certa distância do cilindro.

– Eu não sei como fazer isso – digo, enquanto analiso a lâmpada.

– Tente se concentrar. Imagine exatamente o que você quer que aconteça.

Fecho os olhos, respiro fundo e faço o que ele diz, mas nada acontece. É difícil tentar imaginar algo que não sei como se parece.

– Você consegue, Sam. Eu acredito em você – diz ele. Eu gostaria que parasse de ficar me “incentivando” deste jeito, não ajuda.

Tento me concentrar da mesma forma que me concentrei para ver onde a Hanna estava. Tento manter mente, o corpo, leve. Mas, de repente, sinto uma enorme raiva subindo pelo meu peito. Abro os meus olhos. Vejo uma luz de cor azul-claro saindo das palmas das minhas mãos, também sinto como se estivesse passando energia pelos meus braços até elas. A lâmpada começa a piscar.

– Está funcionando! – diz Caleb, que monitora tudo pelo computador. – Agora tente fazer isso com mais vontade.

Tento me concentrar mais um pouco. Continuo sentindo um grande calor aumentando no meu peito e mais energia passando pelas minhas mãos. De pequenas piscadelas, a lâmpada passa a brilhar fortemente, aumentando conforme a energia aumenta. No computador, há um medidor de energia no canto da tela, ele aumenta lentamente.

– Você está conseguindo carregar a bateria, continue assim! – diz Caleb.

Decido aumentar um pouco a potência. Sinto a energia se distribuir por todo o meu corpo, agora, não só nos braços. Posso sentir cada parte do meu corpo vibrar com ela. O medidor de energia no computador começa a encher mais rápido, até finalmente fica completo. Algumas descargas elétricas começam a sair da lâmpada, que brilha cada vez mais.

– Você já pode parar! – grita Caleb. Mas por um instante, não consigo me mover. Só consigo ficar olhando para aquela luz, hipnotizada. Deixo escapar um pequeno sorriso. – Sam, você precisa parar!

A lâmpada começa a brilhar cada vez mais forte. Um sinal de alerta aparece no computador.

A bateria recebe tanta energia que não aguenta e acaba explodindo, vários fragmentos de metal e vidro voam para todas as direções. A explosão me lança em direção a parede. Minhas costas batem nela e eu caio no chão. Um pedaço de metal se encrava na lateral esquerda da minha barriga.

Começo a gemer de dor. Vejo sangue na minha blusa.

– Ai, meu Deus! Sam, você está bem? – pergunta Caleb, correndo em minha direção.

– É claro que não estou bem! – digo, gritando, mas logo paro, por conta da dor.

– Calma, eu vou chamar a Rosa! Não se preocupe, ela cuidará disso! – Caleb sai correndo da sala, me deixando sozinha. É isso que eu ganho ao deixar alguém me testar.

Essa dor é insuportável, não consigo me mexer muito. Que bom que eles têm um médico aqui.

...



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