História Por detrás das câmeras - Isulio - Capítulo 34


Escrita por:

Postado
Categorias Bia
Personagens Beatriz (Bia) Urquiza
Tags Bia, Binuel, Isulio
Visualizações 195
Palavras 3.446
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


EU ESTOU MUITO FELIZ!!!

Vocês chegaram em 100 favoritos e eu já até chorei de felicidade.
Eu amo vocês, amo muito.
💛.

ps: leiam devagar e peguem o máximo de sentimentos possíveis para uma melhor leitura.

Capítulo 34 - Aborte!


Narradora p.o.v

Isabela agora tinha um sorriso no rosto. Havia se acalmado, não chorava mais e tinha decidido por fim que precisava ver o lado bom da situação. Por mais complicado que fosse. Seu sorriso porém foi interrompido quando uma moça chegou em seu camarim.

— Isabela — ela chamou fazendo a moça olhá-la — Daniel quer falar com você. 

Isabela estranhou a fala da mulher. Daniel nunca havia conversado com ela. Até mesmo quando estavam gravando, quem dava as ordens era Raul. Relutante e ao mesmo tempo curiosa, ela seguiu a moça até um escritório. Ao abrir a porta viu que ali também estavam Guido e Julio. 

Guido a olhava com pesar, quase como se estivesse arrependido, e de fato estava. Se repreendia por ter aberto a boca sem averiguar se havia pessoas por perto. Até tinha tentado enrola-lo dizendo que não tinha certeza do que havia escutado, mas o homem rebateu dizendo que ele havia falado com certeza demais pra quem havia se enganado.

Julio estava confuso. Daniel não havia falado nada ainda. Apenas estava virado de costas pra eles. Não entendia o ponto da reunião.

— Com licença — ela pediu — Mandaram me chamar.

Daniel soltou um suspiro ao ouvir a voz da garota e fechou os punhos com força, tentando ao máximo se controlar. Estava com raiva dela por ter sido tão irresponsável e por ter jogado todo o trabalho dele na lama. No entanto, ele continuou em silêncio. Isabela se sentou em uma das cadeiras que estavam ali e depois de alguns minutos, onde tentou inutilmente se comunicar com os meninos pelo olhar, Raul entrou.

— Daniel, me diga que aquilo é mentira — ele estava nervoso. Foi a primeira vez que Isabela viu o homem tão desesperado como estava agora. Sua respiração estava descompassada, e claramente não era por conta de uma corrida ou algo parecido. 

— Temo que não, meu amigo — se pronunciou o homem pela primeira vez com a voz dura.

Raul lamentou e se sentou na cadeira mais próxima. Conhecia o parceiro de trabalho o suficiente pra saber o quão severo ele era. Tudo o que Raul queria, era que ele mesmo tivesse descoberto a notícia, assim, poderia resolver a situação de maneira correta. Pois sabia que Daniel não seria capaz de fazer tal coisa.

— Será que alguém pode dizer o que está acontecendo? — Isabela perguntou já impaciente. Daniel se virou para ela e tinha lágrimas nos olhos. Isabela não sentiu pena, e muito menos compaixão, pois as lágrimas que estavam ali transbordavam raiva. 

— O que está acontecendo? Você vem me perguntar o que está acontecendo? — Isabela ficou quieta em seu canto ao ver o estado do homem, e Julio começou a se preocupar com o rumo que a conversa aparentava levar — Eu te digo o que está acontecendo. Você e essa... coisa que você está carregando. Isso está acontecendo! — ele esbravejou. 

Isabela o olhou confusa, e a mente de Julio começou a trabalhar com as palavras recém escutadas. 

— Do que você está falando? — ela questionou e Daniel perdeu seu controle.

— Você está grávida! — ele gritou jogando na cara de todos ali presentes o seu descontentamento — Você é louca ou o que?

Julio arregalou os olhos e por um momento o ar lhe faltou. Seu coração quis sair da boca, e o garoto tinha a total certeza de que ele de fato havia tentado sair, dando um pulo tão forte que chegou a doer o peito. Isabela por sua vez, após ouvir as palavras do homem soltou uma risada, e aquele foi o estopim para Daniel.

— Você acha isso engraçado? Olha pra mim e responda, você acha isso engraçado? — ele por sua vez não deixou a moça responder e logo voltou a falar — Você já era garota. Você acabou de fuder com o trabalho de um monte de pessoas. Tudo isso por que? Porque não passa de uma puta que não consegue manter as pernas fechadas — ele soltou uma risada sarcástica e qualquer instinto de sorrir sumiu do corpo de Isabela.

— Como é? — Julio perguntou ao ouvir as palavras dirigidas a namorada.

— Isso mesmo que você ouviu. Vocês não passam de crianças imaturas, que não tem um pingo de profissionalismo. Deixa eu ver se vocês conseguem entender isso aqui, Disney Bia é uma série internacional, que move milhões de dinheiro e emprega mais de mil pessoas envolvendo atores e produtores. E vocês dois tiveram a brilhante ideia de formar um família — ele disse ironicamente — Vocês são os piores que eu já vi. Os piores dos piores. Não mereciam estar aqui. Não merecem ser chamados de atores. São apenas crianças sem talentos que a Disney teve pena e decidiu contratar.

Isabela se sentia humilhada. Nunca, em toda a sua vida havia escutado palavras de tão baixo calão sendo direcionadas a si. Sentiu as lágrimas se formar em seus olhos e não tentou segura-las.

— Mas Daniel — ela tentou falar — Eu n..

— CALA A BOCA — ele gritou assustando todos ali — Você não tem o direito de abrir a boca aqui sua vagabunda.

— Ei — interviu Raul já aflito com a situação — Vai com calma ai, eles estão errados mas isso não te dá direito algum de falar assim.

— Eu só estou falando a verdade. Não passam de dois vagabundos que não tem autonomia nem pra tomar as próprias decisões, quanto mais criar uma criança.

A esse ponto Isabela já chorava. Sabia que Daniel era rígido mas não imaginava que fosse ser tão duro com eles. Estava com medo e Julio não estava diferente. Havia acabado de receber a notícia de que sua namorada estava grávida, mas nem pode ficar feliz ou algo parecido, pois ali a sua frente estava seu diretor, apontando todos os erros, e os xingando toda vez que tinha a oportunidade, além de estar diminuindo suas carreiras a um nível baixíssimo. Também estava com raiva. A vontade era de encher Daniel de murros até que o mesmo se engasgasse com o próprio sangue, tudo isso pela forma que ele estava tratando Isabela. No entanto, seu corpo estava estático. As novas informações ainda rodavam sua cabeça, e ele não conseguia digerir nenhuma delas. Estava desesperado. 

— Daniel — Isabela tentou mais uma vez — Eu não...

— Eu já não disse pra você ficar calada? — ele esbravejou e a garota se encolheu na cadeira, abraçando o próprio corpo — Eu vou ser bem direto aqui — ele lançou-lhe um olhar baixo e duro, e sua voz saiu mais maligna do que qualquer outra coisa — Aborte.

— Opa — Raul interviu, se posicionando na frente da menina como se a estivesse protegendo — Não ouse fazer isso.

A garota precisou de um momento pra processar o que o homem havia lhe dito e assim que digeriu as palavras ela o olhou com ódio, sentindo as lágrimas pararem de se formar.

— O que você falou? — ela perguntou com a voz fraca, e Raul saiu da sua frente permitindo que ela visse a cara de Daniel.

— Estou mandando, você abortar essa coisa que vocês fizeram — ele disse olhando em seus olhos, e dessa vez Isabela o sustentou, lançando o olhar de volta pra ele. Levada pela indignação, Isabela se levantou e foi até a mesa ficando de frente pro homem que estava de pé do outro lado.

— Olha bem na minha cara e escuta o que eu vou te dizer — ela disse respirando fundo — Presta bem atenção... Eu. Não. Estou. Grávida — ela disse pausadamente e o homem riu sarcástico.

— Acha que eu sou tonto garota? Eu fiquei sabendo dos seus enjôos na Espanha. O que foi? Esqueceu que esse é o "primeiro sinal" — ele fez aspas com a mão e Isabela riu maliciosa. Pela primeira vez na vida, ela sentiu verdadeiro ódio de alguém e não mediria as palavras.

— Sim. Você é tonto. É um idiota. Você não sabe nem se é homem de verdade e vem me dizer que sabe que eu estou grávida? Virou especialista nisso agora? Bom, de qualquer forma, eu não estou — ela afirmou com autoridade — Mas sabe que agora... até deu vontade de estar. Deu muita vontade de estar grávida. Porque aí sim, esse seria o seu fim. Eu assinei um contrato com vocês, mas vocês também assinaram um comigo. Se eu estivesse grávida mesmo, vocês não poderiam fazer nada. E me pedir pra abortar — ela riu sarcasticamente como ele havia feito várias vezes durante a conversa — Eu poderia jogar isso pra imprensa e então... tchauzinho Daniel. A sua carreira de diretor, ia pro ralo junto com o seu nome. Eu sou mulher e tenho os meus direitos. Não me submeteria as suas ordens nojentas você tendo ou não um cargo superior ao meu. Estamos no século vinte e um. Você seria tão atacado, mais tão atacado, que ficaria com medo de até mesmo sair na rua. As pessoas sentiriam exatamente a mesma coisa que eu estou sentindo nesse momento por você: nojo.

O homem possesso de raiva, apertou forte a mesa por não ter mais argumentos. Havia sido enganado. Ela não estava grávida, mas ainda assim havia feito ele ficar transbordando de ódio.

— Você está demitida — ele disse entre dentes.

— Não, ela não está — disse Scott entrando na sala — Você está. 

Guido sorriu com a presença do empresário e ficou feliz que seu plano amador havia dado certo. Era um plano tão sem jeito mas foi a única forma que ele achou de se redimir. Ligou pra Scott no meio da discussão mesmo, e não falou nada, apenas o deixou na linha, ouvindo tudo. Foi um ato impulsivo, mas vendo a gravidade da situação, ele precisava tomar alguma atitude. Principalmente pelo fato de que aquilo havia iniciado com ele.

— Julio, Isabela e Guido. Podem nos dar licença? — Scott pediu — Eu preciso explicar alguns dos processos que Daniel terá que responder. Raul, creio que vou precisar da sua ajuda.

— Ajudo com prazer — o homem disse recebendo um olhar desacreditado de Daniel. A verdade é que Raul estava extremamente decepcionado. Ele mesmo sabia que era necessário ser rígido algumas vezes, mas o que o seu parceiro havia feito, havia sido pura maldade e crueldade. 

Isabela saiu com o choro entalado, Guido saiu sorridente e Julio saiu mais confuso do que entrou.

 

Isabela Souza p.o.v

Humilhada. Essa é a palavra que me descreve. Assim que Julio fechou a porta do escritório as lágrimas voltaram a rolar pelo meu rosto. Senti braços me rodearem e me permiti chorar mais ainda. 

Guido e Julio me abraçavam ao mesmo tempo e isso de certa forma me fez bem. Mas não o suficiente. As palavras de Daniel ecoavam pela minha mente e nunca me senti tão insuficiente quando me sinto agora.

Eu não sei da onde surgiu a ideia de gravidez mas eu fico me perguntando: e se de fato eu estivesse grávida? Ele seria mesmo capaz de me obrigar a abortar? 

O sentimento que aflora dentro de mim está longe de ser bom. De repente senti saudades do colo da minha mãe e do abraço reconfortante do meu pai. Sei que não deveria estar me importando com as palavras dele, mas eu não consigo evitar. Fui chamada de vagabunda, puta, e ainda tive toda a minha carreira limitada em “a pior das piores”.

— Vem, vamos embora — Julio passou um dos seus braços pelos meus ombros e começou a andar. Me virei pra Guido e disse:

— Você pode chamar os outros e irem lá pra casa também? Acho que eu preciso de vocês — eu disse um pouco constrangida pelo pedido. Estou literalmente implorando por consolo.

— É claro Isa, logo nós chegamos lá.

Concordei com a cabeça e sai, caminhando ao lado de Julio. Quando chegamos ao lado de fora me deparei com um pequeno grupo de fãs que sorriram quando me viram mas tiveram um pequeno surto quando viram as minha lágrimas. 

— Ah meu Deus, você está bem?

— O que aconteceu?

Soltei um suspiro vendo olhar preocupado delas. 

— Eu não estou bem pessoal, aconteceu algo muito tenso ali dentro, e não foi nada bom — eu disse sentindo mais lágrimas descer e logo os fãs me envolveram em um abraço em grupo.

Quando eu digo que os amo, eu não estou brincando. 

— Estamos aqui pra você Isa — disse alguém.

— Pro que você precisar.

— Muito obrigada pessoal, eu amo vocês. 

— Desculpa não dar muita atenção pra vocês — disse Julio dando um sorriso fraco. 

— Não se preocupem, nós estendemos perfeitamente — uma garota disse com compreensão.

— E Julio — um fã chamou — Cuida bem dela tá?

Julio me apertou contra ele e disse:

— Pode deixar — eu me arrepiei com a fala dele e minha florzinha amou ser regada nesse momento. Os fãs ficaram surpresos com Julio mas logo abriram sorrisos. Nós nos despedimos deles e fomos pra casa.

Quando chegamos em casa eu já havia parado de chorar. Ainda bem, pois estava considerando morrer de desidratação do tanto que eu já chorei hoje. Julio se sentou no sofá e eu me sentei do seu lado, me aconchegando em seu peito. 

Sua mão começou a acariciar meu cabelo e eu pude ouvir seu coração acelerado. Abri um pequeno sorriso com isso.

— Isa... o que aconteceu? — Julio me perguntou relutante. Respirei fundo antes de respondê-lo.

— Eu também não sei. Não faço a mínima ideia da onde ele tirou essa ideia de gravidez. E afinal, porque chamaram o Guido também?

Eu disse confusa já que durante toda a conversa ele não havia se pronunciado uma única vez. 

— Eu queria saber também — Julio se manteve em silêncio mas logo voltou a falar — Sabe, eu fiquei um tanto surpreso quando ele disse que você estava grávida. Quase tive um infarto.

Soltei uma pequena risada com aquilo.

— Você acreditou? 

— Bom, não tinha porque não acreditar, afinal, você estava com os enjôos, e parando pra pensar agora nós nunca usamos camisinhas — olhei pra Julio que me olhou. Eu sei exatamente o que ele estava pensando.

— Não se preocupe, eu não estou grávida e nem vou engravidar agora. Eu comecei a tomar anticoncepcional desde a nossa primeira vez — dei de ombros e ele soltou um suspiro aliviado.

— Obrigada por fazer isso, porque se dependesse da minha memória de usar camisinhas, nós já estaríamos com umas cinco crianças correndo por essa casa — gargalhei com a fala do garoto, e por um momento a imagem de um mini Julio e uma mini Isabela correndo pela casa se formou na minha cabeça.

— Eles seriam lindos — eu murmurei.

— Quem sabe um dia, não é mesmo? — ele perguntou retoricamente e eu levantei a cabeça mais uma vez para olhá-lo. Seus olhos estavam brilhando e sei que assim como eu, ele estava imaginando como seria.

— Quem sabe um dia.

Julio sustentou seu olhar no meu e logo eu senti os seus lábios nos meus. Sua língua buscou a minha e eu suspirei quando elas se encontraram. Levei minha mão até seu rosto, acariciando a sua bochecha. Eu precisava tanto disso agora. Quando nos separamos Julio me olhou com ternura.

— Me desculpe por não te defender na hora, acho que eu não estava pensando direito naquela hora.

— Tá tudo bem. Você não precisa se desculpar. O único culpado é ele. E aliás, você também foi tão difamado quanto eu.

— Eu fui, mas você foi ainda mais — ele observou e um sorriso bobo nasceu no meu rosto.

Julio me faz bem de uma forma tão natural que não sei nem descrever. Todo o carinho que ele tem por mim, e todo o seu cuidado, me fazem me apaixonar ainda mais por ele. Agradeço a Deus por ele ter colocado Julio na minha vida. Quem diria que eu, Isabela Souza, estaria namorando Julio Peña. 

— Eu amo você — eu disse olhando em seus olhos — Obrigada por estar aqui comigo.

Julio me deu um sorriso sincero e eu admirei esse pequeno ato.

— Eu também amo você. E eu sempre estarei aqui pra você. Sempre.

Nós iniciamos mais um beijo, e sinceramente, eu não me cansava disso. 

A gente percebe que é amor de verdade quando ele diz que te ama mesmo quando você tá com a cara inchada de chorar.

Depois de alguns minutos Guido e toda a galera chegou. 

— ISABELA MINHA VIDA  — ouvi a voz de André do outro lado da porta antes de eu abri-la. Gargalhei com aquilo junto com Julio.

Abri a porta e todos eles entraram. André me deu um abraço forte.

— Guido nos contou por cima o que aconteceu. Eu tive que me segurar pra não voltar lá no estúdio e matar aquele projeto de quenga do diabo.

Ri mais uma vez dele enquanto fechava a porta e logo voltei ao meu lugar que agora estava ocupado por Agustina. Julio estava largado no sofá, literalmente jogado, mas se ajeitou quando eu sentei no seu colo. 

Meu nariz está entupido. O tipo de coisa que acontece comigo quando eu choro muito. Agora eu estou fungando de um a um minuto.

— Okay, agora, me expliquem o que aconteceu — pediu Esteban.

— Pois é, o Guido falou mas eu não entendi nada — Rhener continuou.

— Por falar em Guido, o que você estava fazendo lá? — Julio perguntou e eu passei um dos braços pelos seus ombros, enquanto um de seus braços rodeavam a minha cintura e o outro estava repousado em minhas pernas.

— Então, antes de tudo, desculpa Isa — ele me olhou arrependido — Eu estava indo chamar a Isa pra gente ir ver um filme ou algo parecido, quando vi ela chorando no camarim. E aí eu ouvi uma conversa dela...

E então tudo se encaixou. As coisas começaram a fazer sentido e ao contrário do esperado, uma súbita vontade de rir me bateu. E foi isso que eu fiz. Soltei uma gargalhada e todos me olharam confusos, principalmente Guido.

— Você ouviu a minha conversa? A que eu falava tipo “positivo?” “grávida?”? — Guido concordou com a cabeça e eu ri mais — Eu estava falando com a minha irmã. Ela é quem está grávida.

Guido me olhou com a broca aberta e eu desatei em rir, me sentindo bem mais leve. 

— Eu não acredito que você achou que eu... — não terminei de falar pois logo estava rindo de novo.

— Mas você disse que estava lascada — ele falou ainda tentando entender.

— E eu estou, não mais que ela, mas ainda estou. Acontece que em uma das nossas conversas eu disse pra ela se jogar na vida. O que resultou em uma gravidez da qual ela sequer sabe quem é o pai. Agora, o meu pai quer me matar por estar dando esse tipo de conselho pra minha irmã mais nova, e eu estava chorando porque enquanto ela me contava eu pude sentir a dor dela sabe. Agora, ela vai ser mãe solteira e terá que criar uma criança sozinha, eu sei que ela é capaz de fazer isso mas ainda assim, não é algo simples. E também, eu gostaria de estar lá pra ajudar ela sabe...

Todos me olhavam com interesse na história e eu os entendo. Quando Letícia me disse que estava grávida eu fiquei desacreditada. Ela ainda é nova e tem tanta coisa pra viver. Não que a criança seja um peso ou que vá crescer sendo ignorada, muito pelo contrário. Conhecendo a minha irmã, conhecendo a minha família e me conhecendo, eu tenho a total certeza de que ela vai nascer rodeada de amor.

Mas um filho é uma responsabilidade muito grande. Você precisa ter maturidade e entendimento de muitas coisas pra isso, afinal, você de certa forma está moldando um ser humano. E só de pensar o quanto Letícia vai sofrer pra criar essa criança me deu um aperto no coração.

— Então, além de causar no Brasil... — começou Giulia — Essa criança também está causando aqui na Argentina — ela concluiu — Rapaz, imagine quando nascer. Não é querendo colocar medo mas esse bebê vai dar trabalho.

Ri com a fala dela e logo Guido prosseguiu com a história, recebendo ajuda de Julio em algumas partes. Eu não prestei muita atenção por conta de já saber tudo. Na verdade, durante esse período eu me fixei nas pessoas que estavam ali presentes. Meus colegas de trabalho são pessoas únicas, e muito mais que meus amigos eles se tornaram a minha família. 

Sim, eu ainda estou muito mal pelo que Daniel me falou, mas eu sei que tudo vai ficar bem. Contando que eu tenha eles aqui comigo eu sei que tudo vai ficar bem. Digo isso para meus fãs, digo para a minha família, digo para os meu amigos e digo para ele, meu namorado.

Gritando internamente por poder chamar ele de meu namorado.

E claro, digo isso para mim mesma. Eu preciso acreditar em mim, preciso acreditar que tudo o que Daniel me falou era mentira. Preciso me amar e parar de me julgar.

Vai ser um processo longo. Mas eu vou conseguir. Por mais que demore. Por mais que doa.


Notas Finais


Todo mundo acreditou que ela estava grávida e eu sinto que fiz um ótimo trabalho. Obrigada, de nada.

Mas então, vamos caçar o Daniel?
Espero que vocês tenham entendido o quanto palavras podem machucar. Daniel não vai lembrar nem de metade das coisas que falou, mas Isabela com certeza vai lembrar elas por muito tempo...

Comentem o que acharam do capítulo e dêem suas opiniões sobre ele. Mais uma vez, eu agradeço vocês por tudo.
💛.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...