História Por Detrás de Uma Mascara Fria - Capítulo 12


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Categorias Naruto
Personagens Chouji Akimichi, Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Hidan, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kushina Uzumaki, Madara Uchiha, Maito Gai, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Suigetsu Hozuki, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju, Yamato
Tags Naruhina, Naruto, Nejiten, Sasusaku
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Palavras 4.932
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - Capítulo 12


O perolado andava de um lado para o outro, algumas vezes sentava-se em uma das cadeiras porém logo levantava para descarregar a ansiedade e a preocupação nos movimentos de passos frenéticos. Recebia vez ou outra olhares de pena e empatia de outras pessoas. O caso de Tenten foi rapidamente espalhado pelo hospital, "A menina estava cheia de sangue" "Ela parecia estar morta" era uma das coisas que ouvia, porém ignorava. 

Sua preocupação superou sua raiva de forma peculiar até para ele. Queria pensar que ela estaria bem, e que daqui a algumas horas ela estaria em seu escritório novamente lhe provocando com aqueles lindos olhos castanhos - mesmo que inconscientemente. No entanto, era o que ele queria pensar, não necessariamente estaria sendo tão positivo quanto queria. Se martirizava por não tê-la procurado antes, por que esperei três malditos minutos? 

No momento, não tinha mente e nem disposição para colocar seus pensamentos em ordem, nem raciocinar o porquê de estar tão afetado quanto deveria.

— Desse jeito você vai abrir um buraco no chão Neji. — Disse Hinata recém chegada, observando o comportamento do perolado.

— Hinata! — Virou-se bruscamente olhando-a. — Finalmente, eu não sabia mais para quem ligar. — Completou de cenho franzido, colocando suas maos nos bolsos dianteiros da calça. Sua expressão fria escondia suas reais preocupações. Ou quase.

— Como ela está? — Apesar de impressionada com a cena que presenciou segundos atrás, estava mais preocupada com sua amiga - não tão próxima, mas a considerava uma ótima pessoa. 

— Eu ainda não sei! — Afirmou irritado, andando em círculos mais uma vez. — Esses incompetentes não me deram sequer uma informação, um resquício de como ela está. 

— Neji! — Repreendeu ela mais uma vez, segurando o perolado pelos ombros e apesar da dificuldade, pela diferença de altura, o conduziu até uma das cadeiras incentivando-o a sentar-se com ela. — Eles estão dando o seu melhor agora, eu sei que ela está bem. — Sorriu forçada. Uma ponta de desespero aproximou -se de seu peito. Odiava hospitais, e acima de tudo odiava ver pessoas próximas a si morrerem. 

Por um momento, Neji permaneceu parado observando as feições de sua prima. Hinata tentava ao máximo lhe passar confiança e segurança. Se sentiu um total idiota, era ele quem deveria estar passando confiança e não parecendo um animal assustado. Suspirou. 

— Está com sede? — Perguntou finalmente, olhando para um canto qualquer de uma parede branca distante. 

— Um pouco. — Confirmou a azulada. A pobre menina mantinha um olhar instável e sôfrego. Acalmou-se minimamente por ver seu primo assumir as rédeas daquela situação complicada. 

Fazia anos desde a última vez que Hinata tinha visto aquele olhar perturbado de Neji. Se sentia confortável com seu primo, quando os problemas lhe afligiam era ele quem estava ali firme e forte para lhe dar apoio. E quando viu o Hyuuga daquele jeito, sentiu -se desamparada, pois ver Tenten enferma a afetava também, Hinata tinha um coração de ouro. Mas não conseguia manter as rédeas da situação, a qualquer momento iria chorar ali mesmo. Aliviou-se ao notar a expressão do perolado tranquilizar e lhe passar mais segurança. Embora soubesse que em breve, não teria mais o perolado para lhe confortar. 

Bebeu a água que o mesmo havia trazido a ela. 

— Vou ligar para o Shikamaru, eles são muito amigos. — Disse Hinata com a voz embargada se levantando e saindo a passos rápidos do hospital. 

— Merda, porque eu não pensei nisso antes? — Se perguntou após a azulada se encontrar distante. — Argh! — Esfregou as mãos no cabelo. — Essa situação está te deixando incapaz de raciocinar agora Hyuuga? — Indagou irritado para si como se falasse com seu eu interno. 

Após alguns minutos Hinata voltou. Seus olhos vermelhos indicavam um recente choro, sentou-se ao lado de Neji que balançava sua perna freneticamente. Uma médica se aproxima dos dois e os primos se levantam imediatamente.

— Boa tarde, eu sou Tsunade Senju e também sou a médica que está cuidando da senhora Hyuuga. — Pigarreou. Estava esperando algum cumprimento vindo dos perolados a sua frente, porém recebeu apenas uma expressão confusa vinda de Hinata. — Ela teve um sangramento no fígado que de alguma forma direcionou o sangue até seu estômago que também estava um pouco afetado. — Olhou inquisitora para Neji. 

— Por que ela ficou assim doutora? — Perguntou Hinata apreensiva. Mordia o lábio. 

— Como ela está agora? — Disse o perolado de cenho franzido. Que demora. 

— Ela está estável. — Respondeu Tsunade de cenho franzido. — Senhorita..?

— Hinata, Hinata Hyuuga. — Informou com prontidão.

— Podemos conversar a sós? 

— Claro que sim.. — Afirmou confusa, franziu o cenho. — Neji, deve ser coisa de mulher. Já volto. 

Apesar de relutante, concordou com um aceno. O que seria coisa de mulher? Tenten está grávida? Um arrepio percorreu sua espinha ao pensar na segunda opção. Balançou a cabeça dispersando os maus pensamentos. 

Já distantes do perolado. 

— Bom, descobrimos indícios de espancamento na senhora Hyuuga, o que ocasionou eventualmente o sangramento. — Pigarreou. — Suspeitamos que ela sofra de violência doméstica. — Completou olhando para os lados.

Hinata franziu o cenho confusa. 

— Violência doméstica? Mas a Tenten não é casada e nem namora! — Avisou. — E porque vocês ficam chamando ela de senhora Hyuuga? — Indagou. 

— O senhor Hyuuga nos contatou durante a chamada de emergência a identificando como sua mulher. — Agora foi a vez da loira franzir o cenho. 

— O meu Deus. — Revirou os olhos batendo a mão na testa. — Por que ele faria isso? A Tenten é solteira e é secretária do meu primo. — Completou Hinata apontando para Neji com um leve movimento da cabeça. 

— Ah, neste caso... — Olhou na direção do perolado que as encarava furtivamente, estressado por o manterem isolado. — Pode vim aqui, por favor? 

O Hyuuga vai em direção às duas com cara de poucos amigos, odiava ser excluídos de assuntos que realmente lhe interessavam. 

— As duas já terminaram de falar sobre "coisas de mulheres"? — Disse revirando os olhos. Agora pelo menos se mantinha mais tranquilo ao saber que a morena estava bem. Porém queria vê-la. — Já posso vê-la?

— Senhor Hyuuga, por que identificou a paciente como sua esposa? — Indagou Tsunade direta. 

Neji franze o cenho.

— Primeiro, ela não é a paciente! Ela tem nome. — Sibilou estressado. Como ousaria tratá -la como uma qualquer? — E segundo, eu não disse que ela era minha esposa. — Revirou os olhos cruzando os braços. 

— Que seja! — Exclamou a loira já perdendo a paciência. — Ela sofreu algum tipo de espancamento, por isso se encontra na situação atual. Notamos hematomas, sem mencionar os ferimentos em seu rosto. 

— Ah sim, e vocês pensaram que tinha sido eu? — Perguntou já assumindo um olhar sádico. — Bom, eu não curto bater em mulheres doutora Tsunade. — Afirmou sorrindo sadicamente. Como ousa insinuar que eu a machucaria? Crispou os dentes. 

— Neji, precisamos saber o que houve. — Disse Hinata balançando o braço do Hyuuga que mudou sua expressão imediatamente. Frio e inexpressivo. 

— Eu prometo que cuidarei disso. — Prometeu Neji sério. Sabia muito bem quem era os responsáveis por aquilo. E eles iriam pagar. 

Tsunade após presenciar tal cena, se perguntava se o perolado sofria de algum tipo de transtorno de personalidade ou bipolaridade. Concluiu que deveria ser apenas estresse de trabalho, o conhecia através das revistas, quase não havia críticas sobre sua empresa ou seu trabalho. Decidiu confiar nas palavras do rapaz, algo lhe dizia que estava sendo sincero, não queria ligar para a polícia pois não estava nem um pouco afim de conversar com um certo policial. Além de que notara o quão o Hyuuga estava afetado por aquela situação mesmo não querendo demonstrar. 

— Sigam-me. — Ordenou a loira apenas. Chamando a atenção dos dois perolados ali presentes. 

— Conseguiu falar com os amigos dela? — Perguntou Neji enquanto seguiam Tsunade pelos corredores brancos. 

— Não, mas eu deixei uma mensagem de texto para o Shikamaru. — Informou Hinata. 

— Ela está naquele quarto ali a frente. — Disse a loira apontando para o 404. Andaram mais um pouco, chegando ao quarto desejado e abriram calmamente. — Por favor não mexam em nada, vou dar privacidade a vocês. 

— Doutora, posso tirar algumas dúvidas sobre o estado dela com você? — Pede Hinata já lacrimejando os olhos. 

— Claro, venha comigo. — Pediu a loira.

— Eu já volto Neji. — Sussurou a azulada acariciando o braço de seu primo. 

Bateram a porta e se distanciaram.

Neji permanecia ali parado, em pé. Cada músculo de seu corpo dizia para avançar, mas não conseguia. O som de bip ressoava pelo ambiente, assim como o som do respirador indo e vindo. Presenciou uma cena complicada a sua frente, Tenten estava deitada de olhos fechados como se dormisse tranquila, seus cabelos castanhos estavam espalhados pelo travesseiro e seu rosto agora limpo dava-lhe uma aparência angelical. Em seu braço residia um cateter que lhe enviava sangue diretamente na veia, em seu rosto um respirador. 

Suspirou fechando os olhos. Qual é, o que há comigo? 

Andou até uma poltrona ali próxima e passou a observar a mulher a sua frente. Desde que a conhecera ela lhe chamou a atenção, sendo acima de tudo uma mulher centrada e inteligente. É claro que, sua beleza exuberante e diferente havia lhe chamado a atenção, aquele castanho singular que só ela tinha. Muitas vezes se via perdido na noite imaginando mil formas de levá-la para cama e tê-la para si, no entanto ela não era seu objeto. Nunca seria. Suspirou mais uma vez recostando-se na poltrona e fechando os olhos. Percebendo que só sossegaria quando ela saísse andando daquele hospital firme e forte novamente. Franziu o cenho.

Levantou-se ficando de pé ao lado da mesma. Levemente, passou a acariciar a face um pouco pálida da morena. 

— Você me deixou preocupado hoje morena. — Disse sorrindo fraco. — Não faz mais isso comigo, tá? — Mordeu o lábio. Ali era tão facil de se expressar, era como se ela o ouvisse, mesmo ele sabendo que não era possível. 

Suspirou. Ainda a encarava, não sabia ao certo o que era aquelas diversas sensações que sentia do momento. Não sabia nem sequer diferenciá-las se eram boas ou ruins. Por um impulso desconhecido, resolveu falar.

— Olha quer saber, eu não tenho sentido essas coisas estranhas desde que eu estava com a Karin. — Dizia andando novamente em círculos pelo quarto fazendo movimentos com as mãos. — Depois daquela mulher eu não me interessei amorosamente por mais nenhuma, era apenas carnal. Mas você.. Argh você! — Disse frustrado com sua própria confusão. — Você bagunça tudo, quando penso que estou em ordem você vem e morde essa sua boca e me deixa totalmente bagunçado de novo, ou se não você me deixa preocupado igual aconteceu hoje. Mulher porque fez isso comigo? — Perguntava para a morena que dormia tranquilamente, como se ela mesma não tivesse resposta às perguntas dele. — Eu estava totalmente estável, finalmente eu encontrei a estabilidade. E agora tudo pra mim depende de como você está, e com quem está. — Falava baixo. Estava novamente parado encararando a Mitsashi com ternura. — Eu tento ao máximo não lhe trazer para essa minha vida fodida.. — Suas palavras morreram ali. Seu olhar estava baixo. Suspirou novamente.

— Você devia dizer essas coisas quando ela estiver acordada. — Avisou Hinata parada na porta, sorria sincera. 

— Você está aí a quanto tempo? — Indagou arregalando levemente os olhos. 

— Desde o.. "Mulher por que fez isso comigo?" — Imitou a voz do Hyuuga sorrindo. — Ela sabe do que você sente?

— Óbvio que na.. Espera! Eu não sinto nada Hinata. — Disse franzindo o cenho. — Só vim para ajudá-la. Não poderia deixá-la desfalecida no corredor da minha empresa. 

— Deixa disso Neji. — Exclamou revirando os olhos. Fechou a porta, se virou para encarar as orbes peroladas de seu primo. — Eu te conheço, e pelo que ouvi agora pouco você está gostando da Ten. — Sorriu. — Não faz mau primo. Você precisa de alguém pra iluminar essa sua vida. 

O Hyuuga franziu o cenho.

— Ei, minha vida não é obscura! — Reclamou. 

— Claro que não. — Gargalhou baixo. — Mas talvez você precise da luz da Tenten. — Abriu outro sorriso. — Ela é radiante. E pelo que vi hoje, você se importa bastante com ela. Se dê uma chance Neji, pra tentar de novo. 

— Tentar de novo... — Comprimiu os lábios. Lembrou-se vagamente das mensagens de Karin para Kiba no dia em que descobriu que era traído. Sabia que era péssimo em perdoar as coisas. E pior ainda em superar coisas que afetaram seu coração drasticamente. Odiava generalizar, sabia que Tenten era totalmente diferente da ruiva maldita, mas como poderia entrar em uma nova relação se ele mesmo não tinha certeza se estaria totalmente entregue a ela? Além de que estavam esquecendo um ponto importante: Tenten iria querer algo com ele também? 

Essas dúvidas embaralhavam ainda mais seus pensamentos. E não ter o controle das coisas, principalmente de si mesmo, era algo que o perolado realmente não gostava. Suspirou mais uma vez, notando o silêncio incômodo que assolou o local, com exceção do respirador e do insistente bip para informá-los que havia uma terceira pessoa ali, desacordada. 

— Não estou afim de falar sobre essas coisas agora Hina. — Pediu. — Não é para contar nada disso a ela!

O uso do apelido da azulada a fez calar-se e acatar ao pedido do primo. Sentou-se em uma das poltronas. Olhou o celular. 

— Shikamaru está vindo. — Avisou sorrindo. — Ele digitou tudo bagunçado, deve está preocupado. 

— Eu já vou indo. — Informou. Levantou-se da poltrona que acabara de sentar, caminhou até a cama que a morena dormia. Beijou-lhe a testa e sussurou algo inaudível. — Não hesite em me ligar, que seja por qualquer coisa. A qualquer hora. — Ordenou encarando a Hyuuga. Seu olhar voltou ao seu habitual intimidador e autoritário. 

— Sim senhor! — Exclamou Hinata em um tom brincalhão em posição de soldado sorrindo. 

Neji revira os olhos e caminha até a porta. 

— Qualquer. Coisa. — Diz pausadamente crispando os dentes, intenso. 

— Pode deixar comigo priminho! — Disse lançando um "beleza" para o perolado. Este que apenas fechou a porta e foi embora. — Ah Ten, me ajude a ajudar meu primo. — Suspirou. Sentando-se novamente.

...

Tenten sentia sua cabeça doer minimamente ao abrir os olhos. Em sua boca um gosto amargo era sentido no momento, sua respiração se descompassa assim como seu coração ao se lembrar de como se encontrava antes de chegar ali. Afinal, onde estava? 

Abriu mais os olhos  adaptando-se à luminosidade. Concluiu ser um hospital, sentia dores na barriga conforme respirava. Olhou os arredores avistando seu melhor amigo Shikamaru dormindo. Esse idiota só dorme. Concluiu sorrindo com dificuldade por conta do aparelho respiratório. Notou também que recostado sobre ele estava Temari, e sob Temari estava Ino. Os três dormiam em fileira em um sofazinho. Que horas são? Perguntou-se. Sua garganta doía conforme engolia saliva. Virou o rosto notando uma perolada, a encarando, quase se assustou.

— Como se sente? — Indagou sorrindo. — Precisa de algo? — Levantou indo em direção a ela. Neji fizera com que sua prima ficasse acordada a noite inteira. Aquele marmanjo vai me pagar! Ameaçava. Apesar de estar preocupada também, reconhecia que seu primo estava exagerando.

— Estou só com umas dores. — Afirmou a Mitsashi. — Fora isso estou bem. Eu queria um pouco de água. 

— Um minuto! — Pediu a azulada. — Toma. — Disse oferecendo um copo com canudo. 

— O que houve Hina? — Perguntou um pouco baixo. — Só lembro de ter desmaiado... E visto uns olhos perolados.. era você? — Olhou-a esperançosa, pegou o copo e começou a ingerir o líquido. 

— Ah.. — Não é pra contar nada disso a ela! Lembrou. — Sim, eu a trouxe aqui. Que bom que está bem, fico muito feliz! — Afirmou abraçando de leve a morena. 

— Ah sim.. Obrigada Hina.. — Agradeceu um tanto decepcionada. Retribuiu o abraço.

Em uma versão pouco distorcida Hinata contou tudo o que aconteceu, e qual era o seu estado atual. Foi muita alegria e choros quando o trio finalmente acordou, fizeram até listas de novas atitudes que a Mitsashi teria de tomar. Em suma, Tenten fora tratada de forma menos invasiva possível. Passou cerca de uma semana no hospital, apesar da presença de seus amigos, se sentia triste e não queria sequer pensar o por quê. Tudo que queria era voltar a seu trabalho. Eu quero voltar ao meu trabalho por que preciso me distrair com o trabalho, não que eu queira ver algum perolado idiota. Afirmava para si mesma.

O tal não havia a visitado em nenhum dos dias infernais que passara naquele lugar, ao contrário de sua prima que estava ali sempre para ajudá-la em qualquer coisa, e por incrível que pareça sempre acordada e alerta. Afinal, o que ela esperava? Rosas e bilhetes de amor? Isso não era do feitio dele. Mas o Hyuuga sequer perguntou por ela, ou pelo menos uma visita para reclamar com ela, dizendo para que se curasse logo para voltar a trabalhar, qualquer coisa, mas nada. Nem no dia em que saiu do hospital. 

Balançou a cabeça para dispersar os pensamentos confusos. Ele era seu chefe e não tinha nenhuma obrigação de dar tratamento especial a ela. Mas mesmo assim, porque ela ainda tinha esperança? Não sabia. Estava agora em seu apartamento sozinha, seus amigos fiéis companheiros haviam acabado de ir embora, exceto por Hinata que fora praticamente expulsa, por algum motivo a perolada estava grudenta demais para o gosto da Mitsashi. Porém isso contribuiu para uma evolução drástica na amizade de ambas. 

Espreguiçou-se com cuidado. Não queria pensar em nenhum Hyuuga no momento. Aproveitou o quanto pôde de seu dia, já que passou uma semana inteira infornada no hospital, agora podia fazer o que quiser. No dia seguinte tinha trabalho, é claro por pura teimosia sua já que indiretamente Neji a mandou descansar por mais uma semana para que retornasse mais eficiente. No entanto, já havia descansado demais pro seu gosto, a pequena cicatriz da cirurgia já estava maravilhosamente se curando perfeitamente. 

Manteve contato com seus amigos durante esse único dia que passara sozinha. Se sentiu uma criança que não sabia se cuidar. Durante a noite, teve sonhos pouco agradáveis. 

...

Após a noite um pouco mal dormida, levantou-se e tomou seu banho quente e revigorante, trocou alguns poucos curativos. Vestiu seu casaco de lã marrom de gola alta, uma saia branca rodada que ia até seu joelho colocando o casaco por dentro da mesma, junto com sua meia calça preta e um salto também preto. Pegou sua bolsa e saiu. Cabelos longos soltos esvoaçavam com a pouca ventania que estava do lado de fora. 

Já estava no táxi de Hito, que se dirigia à TecHyuugas. Não estava atrasada, e isso era algo bom. A Mitsashi se sentia nervosa e ansiosa, não sabia o porque. Seu coração batia acelerado. Suspirou. 

— Tenha um bom dia Hito! — Desejou assim que saiu do automóvel. 

— Você também Tenten! — Retribuiu sorridente.

A morena adentrou a empresa recebendo olhares curiosos. Percebia que já rolavam boatos sobre o que havia lhe acontecido. Seguiu até o escritório. Bateu três vezes. Ouviu um "entre".

— O que está fazendo aqui? — Mau havia entrado e já ouviu a voz altiva do Hyuuga. Gemeu internamente. 

— Eu vim traba.. — Ia dizendo, mas foi interrompida de forma brusca. 

— Eu deixei bem claro que teria uma semana a mais para repousar senhorita Mitsashi. — Exclamou cruzando os braços destacando seus músculos. Como ele consegue ficar bonito até irritado? Perguntou-se. Mordeu o lábio. — Diga alguma coisa, pare de morder esse lábio. — Crispou os dentes. 

— Eu quero trabalhar para me distrair, senhor Hyuuga. Creio que descansei bastante uma semana inteira no hospital. — Pigarreou. — Caso não saiba. — Completou amarga. 

Neji suspirou duas vezes. Massageou as têmporas, precisava de paciência para lidar com aquela morena teimosa. Ela estava mais linda do que nunca ao seu ver, e isso não ajudou muito na sua decisão de negar a companhia da mesma.

— Peço que me deixe trabalhar, não aguento ficar sozinha em meu apartamento senhor Hyuuga. — Pediu olhando qualquer ponto da enorme sala, não queria mirar as orbes peroladas novamente. Seu pedido saiu um tanto quanto revelador demais, porém não poderia voltar atrás. 

Então ela está se sentindo sozinha..E quer a minha companhia? Pensava Neji enquanto a encarava dispersa. Suspirou mais uma vez, se rendendo. Confesso que, a companhia dela também não é tão ruim assim. Revirou os olhos com tal pensamento, até mesmo ele usava o trabalho como rota de fuga. 

— Está bem. — Permitiu, levantou-se de sua cadeira de forma elegante. Trajando seu terno e colete cinza, e uma blusa social preta de gravata vermelha. Andou até a jarra de água, enchendo um dos copos. — Mas se estiver sentindo algo, fale. — Completou, levando o copo até a boca ingerindo o líquido. Passando a língua nos lábios com o fim do ato. Olhou para a morena e arqueou uma sobrancelha. — Tudo bem?

Tenten se manteve inerte no tempo em que o Hyuuga levantou de sua cadeira, hipnotizada. Saiu de seus desvaneios ao perceber a expressão divertida do Hyuuga.

— Claro que sim, obrigada. — Agradeceu e sentou-se em sua respectiva mesa. 

— Por conta do seu acidente, eu pedi para adiarem a instalação dos dois telefones. Mas em breve os colocarei. — Avisou, voltando a sentar-se. 

A manhã se passou silenciosa. Apesar de tudo, Tenten se mantinha inclusa e decepcionada com o Hyuuga, mesmo sem entender o por quê. No âmago, sabia que estava chateada por ele não ter ido vê-la no hospital, mas isso não passava de uma fantasia boba amorosa que ela mesma inventara em sua cabeça. Era o que ela pensava. 

— Não está pronto, pois não esperava que voltasse uma semana antes do esperado. — Começou o Hyuuga. — Eu fiz um aplicativo Mitsashi. 

— Aplicativo?

— Sim, ele tem funções como: lembrar do que você deve comer, alguns exercícios e cuidados corretos a se tomar. — Dizia enquanto digitava em seu notebook. — Pronto, já está instalado e seu celular. Eu o programei para você, de acordo com o trauma que você sofreu, nele terá instruções do que deve fazer, ou não, e do que precisa. Em resumo, ele cuida de você. — Completou. 

— Instalado em meu celular? — Pergunta ainda confusa. Franziu o cenho ao sentir a vibração de seu celular, pegou o aparelho e desbloqueou.

           "Aplicativo instalado com sucesso!" 

Tenten dirige uma olhar confuso ao Hyuuga como se perguntasse "O que acha que está fazendo?". 

— O que acha que está fazendo? — Indagou Tenten de cenho franzido. 

— Ajudando você a se recuperar, talvez. — Afirmou convicto. Revirou os olhos com a pergunta tão óbvia que a morena fizera.

— Me recuperar? Eu estou bem! Ótima! — Exclamou. — E mesmo que não estivesse isso não é da sua conta! 

O Hyuuga a encarou surpreso. Arqueou uma sobrancelha.

— É da minha conta por ser uma funcionária minha. Preciso que esteja em cem por cento. — Justificou-se. 

— Não. Você quer me controlar. — Afirmou já nervosa. — E eu nem sei o por quê você quer fazer isso. — Bagunçou os cabelos. Bagunça era o resumo perfeito para sua vida e sentimentos nos últimos dias. Confusão. 

— Eu não quero controlar ninguém! — Exclamou de cenho franzido. 

— Então vai dizer que é o que tudo isso? — Questionou, o Hyuuga permaneceu em silêncio a observando de braços cruzados irritado. — Cuidar de mim que não é! Por que se se importasse você teria ao menos ido me visitar naquela droga de hospital por pelo menos uns três minutos. — Neji abre a boca para pronuciar algo, mas desiste. — Então não me fale que você não quer controle sobre mim e que você se importa comigo, esse papo ilusório eu não caio mais nele! Porque você teve uma semana inteira pra isso, não me venha querer tentar se redimir ou seja lá o que você queira agora! Apenas me deixe fazer meu trabalho como uma pessoa normal que acabou de se recuperar. — Suspirou. — Eu vou ao banheiro. — Avisou de cenho franzido, irritada.

Levantou-se e andou até a porta. Porém foi segurada firmemente pelo pulso. As mãos frias demonstravam algo a mais que, no momento, Tenten ignorou. Levantou o olhar para encarar o Hyuuga, as orbes peroladas tremiam minimamente e o cenho permanecia franzido em sinal de raiva. Se fosse qualquer homem, Tenten teria medo e se desesperaria por conta de traumas passados, mas ele não. Por algum motivo a morena sabia que Neji seria incapaz de fazer algo a ela, por alguma ironia do destino ela confiava nele, o seu chefe autoritário e extremamente organizado. Apesar da carranca que ele sempre expressava, a Mitsahsi se sentia segura com o perolado. 

— Tenten não fala assim. — Fechou os olhos para abri-los novamente e a encarar. — Olha você não sabe o quão foi doloroso te ver ali naquela droga de corredor toda ensanguentada! Sim, foi eu que te encontrei e te levei ao hospital. — Informou ao notar o olhar surpreso da morena. — Eu pedi a Hinata para mentir. Desde que você chegou eu tenho tido problemas para dormir, você não tem ideia do quanto as coisas que acontecem a você podem repercutir em mim. Caramba! — Soltou o pulso da Mitsashi, passando a andar em círculos. — O desespero de ficar lá horas esperando um notícia sua para saber se estava bem, se realmente eu a veria de novo, tem ideia? — Indagou a olhando. Mas não esperou resposta. — Quando te conheci, você me fascinou com essa droga de sorriso, essa droga de corpo que me viciou mesmo antes de tocá-la. Eu quis me aproximar Tenten, eu até te levei para minha casa pra ver se eu conseguia tirar aqueles sorrisos que você facilmente dava com o Shikamaru. — Crispou os dentes. — É Tenten, talvez eu seja um cara fodido no amor, e por isso eu não queria chegar perto amorosamente de mais ninguém, mas aí você veio pra acabar com esse pensamento meu tão facilmente. Com apenas algumas palavras e gestos você consegue me fazer mudar de ideia, e mover até continentes. Eu sou intenso,  talvez isso não seja bom a você. Sei que você também tem seus problemas e tudo que eu queria era apenas cuidar e te proteger e nem sei o porquê — Disparava as informações. Ainda andava de um lado para outro, fazendo gestos com as mãos. — Como eu senti vontade de matar os dois idiotas que fizeram isso com você. — Cerrou os punhos, franzindo ainda mais o cenho. — Sim, eu sei que você não caiu no parque. E você não ter me contado me ofendeu, sei que não sou nem de longe uma pessoa confiável, então eu entendo. — Suspirou. Parou e passou a encarar o teto. — Depois de Karin eu não me via disposto a nenhum relacionamento, nenhum compromisso e você me fez pensar brevemente em uma relação só nossa, eu posso estar parecendo um pouco paranóico, mas é isso que eu estou sentido agora. Pra falar a verdade está uma enorme confusão na minha cabeça, e sentir sua falta não ajudou muito. — Neji sabia que estava falando demais, e que aquilo não era de seu feitio, mas não havia mais volta, só precisava falar o que sentia. — Eu pedi a Hinata para me manter informado sobre tudo enquanto você estava no hospital, você estava tão fraca que mau conseguia respirar. — Disse sôfrego, seu coração doeu pela afirmação. —  E você me aparece aqui pedindo pra trabalhar assim de repente! Passei noites acordado esperando uma mensagem dela dizendo que você continuava bem e sorridente como sempre, e isso foi meu combustível nesses dias. Não há um dia sequer que eu não pense em tudo isso, não vou dizer que é novo para mim, pois eu já senti isso antes, mas você me faz querer tentar, me faz querer te procurar em todo lugar que eu vou. Fiz esse aplicativo pra te ajudar. Esse é meu jeito de cuidar de você. Eu estou tentando entender tudo isso, não seja tão dura comigo, eu não sei qual é a fórmula matemática pra isso então tá meio complicado. Eu estou tentando Ten. — Virou-se para encará-la. Surpreendeu-se ao notar duas pequenas lágrimas escorrerem pelos lindos olhos da Mitsashi. — Eu não fui te ver no hospital porque eu queria evitar isso! Eu sabia que se te visse sem me recuperar do trauma de quase te perder, eu iria falar tudo que estava guardado aqui. — Disse apertando a região esquerda de seu peitoral, franziu o cenho. — Como estou falando agora. Mas Ten, eu temo que não sou a pessoa certa pra você. Não sou uma pessoa boa. Não mereço alguém pura como você. — Comprimiu os lábios após afirmar. — Além de que, eu sei que você não teria interesse em alguém como eu. — A encarou sério e inexpressivo. 



Notas Finais


sorry os erros


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