História Por Detrás de Uma Mascara Fria - Capítulo 19


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Categorias Naruto
Personagens Chouji Akimichi, Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Hidan, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kushina Uzumaki, Madara Uchiha, Maito Gai, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Suigetsu Hozuki, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju, Yamato
Tags Gaaino, Karin, Naruhina, Naruto, Neji Hyuuga, Nejiten, Sasusaku, Shikatema, Tenten Mitsashi
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Palavras 3.798
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 19 - Capítulo 19


Naruto terminava de ajeitar seu casaco preto de lã ao seu corpo, ansioso. Era incrível como não importava o quanto havia ficado íntimo da perolada, ele ainda possuía o mesmo frio na barriga antes de sair com ela. Era incômodo, mas era a certeza de que seus sentimentos estavam mais vívidos do que nunca. Olhou o relógio de pulso mais uma vez, estava começando a virar um hábito. 

O rapaz, trajava sua peruca preta para o disfarce, estava sentado em um banco do parque a espera de Hinata, que minutos antes haviam marcado de se encontrarem ali. Após o encontro do zoológico, os dois conversaram bastante via chamada, ou e-mail. O loiro dividia seu tempo de trabalho e o disfarce com muito esforço e dedicação. Quando se tratava dela, ele faria qualquer coisa. 

Estava preocupado, não havia conseguido nenhum progresso em relação ao principal foco de sua missão: convencê-la a fazer o tratamento. Isso o atormentava durante suas noites em claro, tinha medo acima de tudo de perdê-la, só que dessa vez, perdê-la para nunca mais voltar. Tinha medo da morte. Balançou a cabeça para os lados na tentativa de dispersar tais pensamentos atormentadores. 

— Boa noite Menma. — Ouviu a única voz que o fazia tremer na base - fora a de sua mãe, Kushina. Virou-se para encará-la e apreciar a beleza da mulher atrás de si. Sorriu. 

— Boa noite Hina. — Disse sorrindo cordialmente. Naruto estava começando a se acostumar com o novo nome, vulgo Menma, que sempre era chamado pela Hyuuga. Por vezes parecia uma confusão, no trabalho era "Naruto aqui, Naruto ali", e com ela era "Menma", parecia até ser outra pessoa. — Não vai se sentar comigo? 

A azulada sorri gentil. Estava devidamente agasalhada, mas ainda sim o frio fazia suas bochechas ficarem avermelhadas. — Claro, a noite está linda hoje. — Afirmou. E realmente estava, a sua frente algumas árvores já sem folhas a muito tempo com seus galhos esticados, a neve caía delicada e silenciosamente sob elas dando a visão de uma paisagem branca banhada pela luz da enorme lua cheia que pairava no céu estrelado. 

— Você está linda. — Afirmou Naruto com toda a confiança e calmaria que a dose de apaixonite lhe proporcionava. Hinata era ainda mais bela sob a luz do luar. Sorriu sincero olhando-a ruborizar ainda mais com tal comentário.

— Obrigada. — Disse num sussurro quase inaudível. Puxou seu cachecol roxo para mais perto de seu pescoço num movimento de reflexo. O loiro infla o peito em satisfação e sorri de forma que seus olhos fechem no ato, orgulhoso. Envolve a perolada com seu braço direito e a encaixa perfeitamente em si, Hinata apenas segue o movimento surpresa. 

— Hoje está bem frio também. — Afirmou Naruto olhando a lua enquanto descansava sua cabeça sob a da Hyuuga. Podia sentir o cheiro que ela emanava, fechou os olhos. Ele definitivamente estava apaixonado por ela. 

— É.. — Concordou a azulada também se entregando ao momento. Não sabia ao certo, mas sempre queria estar com Menma. Achava-se egoísta por estar com ele pensando em outra pessoa, mas como ela poderia negar esse calento ao seu coração frágil e carente? Nunca havia achado alguém como ele, que tivesse o mesmo sorriso dele. Mas agora havia finalmente encontrado alguém parecido com ele, e se sentia mal por enganá-lo dessa forma. Suspirou. 

— Está tudo bem? — Questiona Naruto percebendo a ação peculiar. 

— Eu preciso te contar uma coisa Menma. — Avisou desvencilhando-se do abraço do rapaz. Naruto franze o cenho confuso. — Talvez você me odeie depois disso. — Apertou a barra de seu casaco. 

— Impossível. — Virou-se um pouco para olhá-la de frente. — O que é? — Tentou segurar a mão da azulada, mas a mesma desviou e abraçou a si mesma em um ato de insegurança. — Hina, está tudo bem. — Sorriu minimamente. Agora estava preocupado. — Você pode me contar. — Sorriu um pouco mais dando confiança a Hyuuga. 

Tossiu algumas vezes. Naruto franze o cenho e a encara preocupado. — Não é nada, talvez uma gripe. — Sorri desanimada. — Mas eu tenho que te falar, que — Deu uma pequena pausa, insegura. — Eu estou te usando, eu sou horrível Menma! — Exclama de olhos fechados, estes começam a lacrimejar dando-lhe confiança, de uma forma peculiar. — Quando eu era pequena, eu tinha um amigo. — Afirmou, fazendo os olhos de Naruto se arregalarem um pouco. — Ele era incrível, sabe? O sorriso dele era como um sol quente que chega para derreter o gelo e a neve. — Concluiu sorrindo. Ainda de olhos fechados, não queria encará-lo. — Sempre me ajudou em tudo, ele era quem me dava forças para tudo, seja um dever de casa difícil ou.. uma doença.. — Sussurrou. — Eu acho, que eu o amava. — Começou a chorar intensamente. — Na verdade, eu acho que eu ainda o amo. Você pode achar delírio, pois eu ainda era uma criança quando eu o conheci, mas desde então eu não penso em mais ninguém. Eu só queria vê-lo, saber como ele está, se sente minha falta... tanto quanto eu senti dele. — A essa altura Hinata soluçava, e Naruto apenas observava estático, sem saber o que fazer, seus olhos começavam a lacrimejar. — E você se parece muito com ele, seu sorriso é tão radiante quanto o dele, por isso eu me interessei. Porque você parece muito com ele, você se parece muito com alguém importante, que eu perdi. Eu sou horrível, né? — Sorriu. — Mas você não é ele. Sinto que falta algo. Me desculpe. 

O Uzumaki a encarava atônito, suas mãos apoiadas no banco para que seu corpo não desabasse, estava trêmulo e não podia acreditar no que estava ouvindo. Finalmente, ouviu o que fantasiou por anos sozinho. Depois de tanta dor, separação e esquecimento. A sua frente estava a mulher que ele sempre amou, dizendo para ele indiretamente, que também o amava. Sorriu abertamente naquele momento, sua felicidade estava no pico. Ia se pronunciar, no entanto a azulada volta a tossir em meio ao choro, de início Naruto achou normal, porém a tosse não parava. E sua visão presenciou um de seus pesadelos tomando início, nas mãos de Hinata havia sangue. Arqueou suas sobrancelhas. 

— Hinata, isso é sangue? — Perguntou num reflexo, é claro que ele sabia que era sangue. Chegou mais perto para afagá-la e pegou na sua mão, notanto o corpo repentinamente quente. 

Tudo que a azulada pôde ver foi Menma a colocar no colo e exclamar coisas desconexas para ela, antes da mesma se entregar a escuridão da inconsciência. 

...

Olhava alguns perfis impressos que a Yamanaka o havia entregado agora pouco, eram muitos. Diversos rostos passavam a sua frente, mas mal conseguia distinguir ou raciocinar direito, não era bom com pessoas. 

— Por que você não escolhe? — Indagou arqueando uma de suas sobrancelhas. — Não foi isso que combinamos? 

— Ah poxa! — Exclamou cruzando os braços. — Pensei que pelo menos você iria querer escolher alguma bonitinha! — Revirou os olhos puxando os papéis das mãos do ruivo. 

— Não ligo para a aparência desde que trabalhe bem. — Afirmou em seu tom habitual. Estranhamente a sua intimidade com a loira havia subido de nível. — Escolhe logo.

— Tá, aguarde. — Ordenou sentando-se em uma poltrona de couro. Cruzou as pernas recebendo uma rápida olhadela do Sabaku. Após alguns poucos minutos Ino o entrega três papéis. — Acho que estas vão servir. 

— Como que você reduziu 19 pessoas à 3? — Indagou sem esperar uma resposta. Olhou rapidamente, e escolheu duas. — Bom, acho que posso chamá-las para uma semana experimental e aí avaliá-las. — Afirmou suspirando. 

— Você é muito tenso Gaara. — Cruzou os braços. — O que acha de ir tomar alguma coisa comigo e com a Tema hoje na cafeteria? — Sorriu. 

— Lá vem. — Revirou os olhos sem encará-la. — Não posso, tenho trabalho. — Negou lendo algo em seu notebook sem atenção alguma. 

— Não fará um bom trabalho se estiver acabado desse jeito. — Balançou a cabeça em negação. — Vamos, por favor! 

— Mas como você é insuportável. — Fechou o notebook com certa brusquidão. — Certo, eu vou. Agora pode me deixar trabalhar em paz? — Franziu o cenho. 

— Mas como você é grosseiro, insensível. — Rebateu a loira de cenho franzido, andou até a porta da saída. — Depois eu te mando o horário. Até.

— Até. — Disse observando-a fechar a porta. Suspirou. — Que loira irritante. — Sorriu de canto. A presença da Yamanaka se fazia mais do que o esperado. 

...

O loiro esperava sentado, agoniado. Balançando a perna freneticamente. Havia trazido a perolada para o hospital mais próximo. Em seu peito uma angústia descomunal, parecia que seu coração era comprimido e esmagado por uma força exterior. Seu rosto estava marcado pelos caminhos que algumas lágrimas fizeram, uma cena torturante pra quem o conhecia, visto que Naruto sempre foi sorridente e quase nunca demonstrava sinais de tristeza ou qualquer sentimento negativo. Olhava seu celular pela vigésima vez, nenhuma ligação. 

Havia feito inúmeras chamadas para Neji. Este que nunca atendia, e caía na caixa-postal. 

— Onde será que aquele idiota está numa hora dessas? — Indagava para si, extremamente nervoso. Precisava se acalmar, se sentia sozinho. Seu mundo desabava aos poucos. 

...

O Hyuuga abre os olhos vagarosamente, de início atônito a tudo ao seu redor, seus olhos são recebidos para a realidade por um enorme clarão que ofusca sua visão por breves segundos até que se acostumasse. Tentou se mover, porém percebeu que estava totalmente amarrado a uma cadeira e que de alguma forma seu corpo doía muito ora sim ora não. Olhou para o lado observando a janela aberta de onde saía o clarão de antes, constatando ser de manhã cedo. Olhou para o outro lado na tentativa de identificar o ambiente, e sentiu uma dor incômoda e estridente em sua nuca fazendo uma expressão de dor em seguida, mas logo após a dor desaparece estranhamente. Franziu o cenho. Estou louco? 

Lembrou-se de ter entrado na frente da morena para defendê-la de alguma coisa. Mas não sabia o que. Por que diabos eu estou amarrado? Sua memória era como flashes inconsistentes e confusos. Fechou os olhos mais uma vez, comprimindo as pálpebras e abriu-os novamente observando analítico o local, apesar da dor, não sabia ao certo se era dor, estava confuso, pois ao mesmo tempo que doía ela era aliviada instantaneamente, mas logo retornava a doer, era como um ciclo peculiar. Mantinha seu pescoço ereto com muito esforço, sentia sua cabeça pesar uma tonelada.

  Tentou colocar força nos pés para levantar, porém sem sucesso. Tentou mais uma vez, no entanto de alguma forma o perolado estava extremamente cansado e sem forças. Seus olhos penderam, e se entregou a escuridão mais uma vez. 

O Hyuuga dormiu por mais oito horas naquela cadeira desconfortável, no entanto havia acordado mais disposto e de certa forma estava estranhamente feliz, muito feliz. Observou que em seu braço residiam dois pequenos pontos que saiam sangue, como uma picada, mas ignorou. No canto de sua boca, ostentava um sorriso indesejado que ele não conseguia tirá-lo dali. — Mas que porra, estou todo fodido, por que caralhos eu estou com vontade de sorrir? — Sua irritação era presente, estava um turbilhão de emoções, de forma peculiar. Não precisou raciocinar muito para entender que precisava fugir dali. 

Por motivo desconhecido, o moreno tinha bastante energia e estava atento, conseguiu levantar-se mesmo amarrado à cadeira - coisa que não conseguiu antes. Andou até a única janela do ambiente, esta estava quebrada, portanto o Hyuuga usou as pontas estilhaçadas da janela para cortar as cordas - que mais pareciam lençóis - que amarravam seus pulsos, cortando sua mão no ato. Gruniu de dor, baixo. 

Ao se ver liberto, andou cuidadosamente pelo cômodo, olhando de esguilheta para ver se não havia ninguém no corredor a fora. Em si, o local onde estava parecia um quarto velho de um casarão também velho, e realmente era. 

Andou a passos leves e lentos pelo corredor, qualquer movimento brusco a madeira velha o denunciaria. O lugar era totalmente empoeirado fazendo o moreno segurar os espirros as vezes. Limpou suas mãos em sua blusa casual. Será que Tenten também está aqui? Indaga, não se lembrava de nada que havia ocorrido depois do enorme baque em sua nuca, nem sequer se lembrava quem era o inimigo. 

Ia se aproximando da escada que havia avistado à alguns minutos, quando notou que em um dos quartos dois homens mantinham uma conversa, resolveu andar e entrar no quarto ao lado que tinha a porta um pouco aberta. Entrou sem fazer barulho e passou a escutar a conversa do cômodo ao lado. Me sinto uma velha fofoqueira. Revirou os olhos. 

Mas que droga! — Xingou uma voz conhecida. — Akashi, você só tinha uma tarefa e ainda sim a fez errado! — Ouviu -se o som de algo se quebrando. 

— Mas senhor, as injeções eram praticamente iguais! — Defendia o outro, este Neji concluiu ser o tal Akashi. 

— Era simples seu imprestável! — Exclamou. O Hyuuga conhecia essa voz de algum lugar. — A injeção de líquido azul era para mim, eu preciso daquela droga para me manter de bom humor e com energia! — Informou. — Não acredito que você deu a minha injeção para ele e ia me injetar esse analgésico no lugar dele! — Ouviu-se o som de algo mais pesado indo ao chão, e pelo gemido, o perolado concluiu ser o Akashi. 

— Me desculpe senhor. — Pediu o homem em uma falsa calma.

— Some da minha frente. — Ordenou o outro. — É melhor ele não ter fugido. 

Ouviu -se passos e uma porta se abrindo e logo após sendo fechada, ao que parecia o Akashi saiu do recinto passando em frente a porta do quarto em que o Hyuuga estava escutando toda a conversa. 

— Eu não sou nenhum médico para... — Neji pôde ouvir brevemente os sussurros insatisfeitos do subordinado. Este acariciava seu peito, o que levou a conclusão que sua queda deu-se por um golpe ali. 

Ao que parecia, era injetado um analgésico forte no perolado e isso explicava muita coisa, como o fato de acordar exausto, sonolento e sem forças. Sua sorte fora o subordinado ter confundido os líquidos e lhe dado justamente a dose que o perolado precisava, esta que não era para ele. Neji desvia sua atenção novamente ao escutar o homem falar sozinho no seu quarto. 

Não me importo, pelo menos eu tenho a Mitsashi aqui comigo de novo. — Sorriu. — Ah! — Gemeu acariciando sua parte íntima. — Sinto que ela já está preparada para mim. — Mordeu o lábio inferior. 

Tal afirmação fez o sangue do moreno gelar. Então ela está aqui? Indagou arregalando os olhos e arqueando as sobrancelhas. Levantou-se. Precisava procurá-la e mantê -la distante de quem quer que fosse aquele homem que estava se insinuando a ela. Seu sangue ferve apenas de imaginá-la sendo tocada contra sua vontade, cerrou os punhos e saiu do quarto. Franziu cenho, tinham muitos quartos e teria de ser rápido antes de perceberem sua fuga.

Em sua mente girava várias engrenagens, estava com cento e vinte por cento de disposição. Olhou mais uma vez os quartos, estes que tinha todas as portas iguais, com exceção de duas. A primeira era a que o homem pervertido estava, e a segunda era uma de cor azul no fundo do corredor, não era muito chamativa, mas não passou despercebida pelos olhos hábeis do moreno. 

Andou até a porta azul passando em frente à escada, observando com cautela a maçaneta decidindo se ele daria o passo seguinte ou não. Ouviu um gemido vindo de dentro, arqueou uma de suas sobrancelhas e num ímpeto girou a maçaneta e entrou. A princípio tudo estava escuro, exceto pela presença de um candelabro aceso iluminando de forma opaca o ambiente. No centro havia uma cama, e nesta estava a morena sentada passando a mão em sua cabeça num ato de afago. 

Neji se aproxima silencioso fechando a porta evitando fazer barulho no ato. A Mitsashi percebe a sua presença e se assusta recolhendo-se na cama encostando ao máximo na parede. 

— Tenten? — O perolado a chama, já estava a dois passos da cama. — Sou eu. 

— Neji? — Sussurra temerosa. O tom sôfrego da morena faz o coração do Hyuuga vacilar, franze o cenho em preocupação.

— Sim meu bem, você está bem? — Indaga se aproximando de forma cautelosa. Não entendia o por quê da mesma se afastar.

— É você mesmo? — Uma lágrima escorre de seu olho. — Eu estou sonhando ainda? 

— Não. Não é um sonho. — Negou. — Eu estou aqui. Venha, me dê um abraço. — Comprimiu os lábios preocupado. O que aconteceu com ela? Observou Tenten se aproximar receosa, e assim que pôde vislumbrá-lo por completo o abraçou de imediato, forte. 

O sentimento que a morena sentiu foi extremamente acolhedor, saber que ele estava ali com ela. Não estava mais sozinha que nem a alguns anos atrás. — Andou sonhando comigo meu bem? — Indagou Neji sorrindo acariciando os cabelos da mesma. Parecia que não a via a meses. Envolveu-a ainda mais em seus braços. De repente, sentiu o corpo da morena ficar rígido. Desvencilhou-se do abraço e a encarou. 

— Você tem que ir embora! — Avisou ela. — Eu também tenho. — Concluiu desconexa e desesperada. — Por favor, me leva com você! — Implorou apertando o braço do Hyuuga com certa intensidade.

— Mas é óbvio que você vai comigo! — Afirmou um tanto confuso pela súplica da morena. — Eu vim aqui para buscá-la. — Observou o semblante da Mitsashi alternar de felicidade à estado de choro. — Não, não chore. Eles vão ouvir. — Disse dando-lhe um selinho. Dois. Três. — Vamos. — Sussurrou, observando a morena concordar com um aceno. Aquela nem parecia a Tenten que ele conhecia. 

Pegou-a pela mão a conduzindo atrás de si afim de protegê-la e com medo de que ela desmantelasse no primeiro passo que daria. Juntos andaram até a enorme escada que dava acesso ao andar debaixo da casa, este era mais claro evidenciando uma enorme saída aberta. Desceram cautelosos, observando qualquer movimento ou som. A tensão era palpável, a fuga estava a sua frente, porém tinham que agir vagarosos. 

Porém, quando estavam a um passo da liberdade, foram escutadas vozes que se aproximaram rapidamente. Num ímpeto Neji empurra a morena para fora de forma que se escondesse atrás da parede de madeira da casa desgastada, e ele se escondesse atrás de um armário antigo ainda dentro da casa. Através da greta da parede de madeira Tenten podia conversar aos sussurros com o Hyuuga. 

— O que você está fazendo aí? — Questiona de cenho franzido. — Você vem comigo! — Exclamou sôfrega.

— Sim, sim. — Afirmou Neji olhando-a de relance. Voltando a sua atenção aos dois rapazes que pegavam duas cervejas em uma geladeira. — Assim que eles forem embora. Vá e se esconda atrás de uma árvore distante.  

— Promete que vai vir também? — Indaga em um tom de súplica. 

— Você ouviu isso? — Indaga um dos homens. Neji e Tenten se mantém estáticos, os corações de ambos aceleram em reação à situação. 

— O que? — Questiona o outro remexendo mais afundo no eletrodoméstico. — Eu não estou ouvindo nada, você deve estar ficando louco. 

— Cala boca seu imbecil. — Reclamou. — Deve ser esses animais no meio desse mato. 

— É.. — Concordou o outro num tom de deboche. 

— Eu prometo. — Sussurrou Neji chamando a atenção da morena para si. Este tinha seu dedo indicador e o dedo médio cruzados em frente seus lábios, onde depositou um beijo num sinal de promessa. — Agora vá. 

Tenten obedeceu. Confiante de que ele voltaria. Assim que o perolado avistou a Mitsashi se abrigar na floresta segura. Voltou suas atenções aos rapazes que tagarelavam atoa a sua frente. 

— Hum, faz um tempo que não transo cara. — Afirmou o loiro. 

— Haha, eu estou bem com relação a isso. — O moreno afirmou orgulhoso sentando-se em um tapete, sendo seguido por seu amigo. Neji suspira insatisfeito. Ninguém merece. 

— Claro, comendo aquela ruivinha gostosa. — Sorriu o loiro cutucando seu amigo com o cotovelo. Suspirou. — Ah, porque será que não cai uma daquelas no meu barquinho? — O perolado rapidamente afia seus ouvidos interessado no rumo daquela conversa. 

O moreno dá de ombros. — Eu realmente não sei. Ela dá pra qualquer um. — Disse dando uns goles no líquido da garrafa em suas mãos. — Ela ficou com o Hidan esses dias. — Hidan? O que ele tinha a ver com esses caras? Questionava-se o perolado. Franziu o cenho. Por um momento sua mente percorre os últimos minutos antes de sua inconsciência, uma leve dor de cabeça o aflige. Lembrando-se pela primeira vez após horas, que o autor de tudo aquilo era ninguém mais ninguém menos que o próprio Hidan. Crispou os dentes, se lembrava claramente agora. 

— Sério? — Gargalhou o loiro. — Você divide com o carrancudo? 

— Ei! — O moreno esmurrou o loiro. — Eu não divido. A Karin que as vezes prefere ele, mas ela me disse que sou especial. — Sorriu orgulhoso tomando mais uns goles de sua bebida. 

Karin? O que ela tem a ver com Hidan? As pupilas do moreno estavam rígidas em um turpor de estresse e incompreensão.  Novamente uma dor antiga realojava em seu peito, fazendo seus olhos lacrimejarem por breves segundos. Olhou para os rapazes na esperança de que eles já estivessem ido embora para que ele pudesse fugir logo dali. Mas a dupla ainda estava ali, sorrindo e bebendo. O Hyuuga respira fundo, alcançando um pouco da calma que precisava. De repente um dos celulares tocam. 

— Falando no diabo. — Disse o loiro, logo atendendo. — Alô.

Oi, subam. — Ordenou uma voz feminina. — Ele quer dá uma palavrinha com vocês sobre o próximo passo. 

— Já estamos indo. — Confirmou o rapaz encerrando a chamada. — Vamos. — Afirmou levantando-se bruscamente, que com o acúmulo da bebida não percebeu seu celular cair no tapete, uma queda silenciosa. Os dois subiram sem sequer notarem o perolado ou o celular. 

O Hyuuga andou até o aparelho pegando-o e andando cauteloso em direção onde havia visto a Mitsashi entrar no meio da floresta. Seu semblante era de pura inexpressividade ao ler o nome do contato que havia ligado para o loiro segundos atrás.

"Ruivinha Karin" 





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