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História Pôr-do-sol - Capítulo 55


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Notas do Autor


Olá! Tudo bem com vocês? Desejo que sim!
Estamos aqui com mais um capítulo, e esse é especial, ele marca uma nova etapa da estória.
Espero que gostem!

Capítulo 55 - Proposta


Fanfic / Fanfiction Pôr-do-sol - Capítulo 55 - Proposta

                          (POV Izzy)


Naquela noite voltamos para meu apartamento quase ao amanhecer. Após algum esforço consegui convencer Eryq a ficar no quarto de hóspedes, visto que seria muito cansativo ele ter de voltar a Derman e logo no outro dia retornar para que pudéssemos falar com Felipe.

Laís não chegou a perceber nada, mesmo sem eu ter pedido Eryq fora discreto e silencioso, logo cedo ela saiu para trabalhar e ficamos apenas nós dois.

Tomamos café da manhã juntos em um clima agradável, porém com nada de romance, após o beijo ele manteve-se com a mesma postura de antes. De todo modo eu não me sentia no direito de reclamar, o mundo estava literalmente acabando e Eryq era o maior responsável por tentar manter a paz.

Quando finalmente estávamos prontos – na medida do possível, já que eu nunca estaria preparada psicologicamente para aquele momento – partimos para o apartamento de Felipe.

Na entrada do local eu fui barrada pelo porteiro, o mesmo dissera que o loiro havia negado minha presença ali.

Foi preciso muita insistência, depois de algum tempo choramingando e enchendo o saco do pobre moço ele conversou com Felipe e finalmente pude subir.

A presença de Eryq fora questionada, aleguei que ele estava comigo e ao que tudo indica Felipe não se opôs, o que achei muito estranho, visto que somente ao mencionar o nome do dragão o mesmo se enervava, e é óbvio que ele saberia quem era, seria impossível não sentir a energia de Eryq, ainda mais sendo tão sensitivo quanto Felipe.

Passada toda burocracia, finalmente nos encontrávamos de frente ao apartamento dele.

Puxei uma pesada lufada de ar para meus pulmões, tanto que por um momento pude senti-los doer. Juntei toda coragem do mundo e depois de tocar a campainha e ouvir ao fundo um “entra” girei a maçaneta e abri a porta.

A visão que tive me fez congelar por um instante, tudo ao seu redor estava empacotado, Felipe encontrava-se no meio de toda aquela bagunça com roupas sociais, suas mãos mexiam em uma das caixas enquanto parecia guardar algo.

- O que significa isso? – questionei em um fio de voz, parada ainda na entrada, Eryq atrás de mim continuava calado, apenas observava tudo.

- Não é óbvio? Estou de mudança, vou embora do país. – respondeu frio, sem nem ao menos se dignar a olhar para mim.

- Co...como? Mas...mas porquê? – começava a hiperventilar, o pensamento de Felipe simplesmente sumir do mapa me sufocando. A mão do homem posicionado às minhas costas tocou meu ombro levemente, como um pedido cálido para que eu me acalmasse.

O loiro riu sarcástico, erguendo-se para nos olhar.

- Podem entrar, fiquem à vontade, eu ofereceria algo para você e seu... amigo beberem, mas tudo já foi guardado. - o olhar que Felipe lançou a Eryq não fora nada amistoso, eu quase sentia o ódio que emanava de seu corpo, sua voz vacilava minimamente.

Por instinto me botei entre eles dois, sentia que a qualquer momento uma luta começaria.

- Bom... ao que devo a honra dessa visita tão inusitada? – ajeitou a manga do paletó sentando-se em cima de uma das grandes caixas, suas pernas cruzando-se.

- É... eu... bem... gostaria de propor-lhe algo.

Reparei seu maxilar trincar-se ao passo que Felipe forçava um sorriso, céus! Eu não tinha muito tempo até que ele surtasse. As finas veias de seu pescoço saltavam em um gritante indício de que eu precisava me apressar.

- Uma proposta? Adorável! Sou todo ouvidos... – sua sobrancelha ergueu-se minimamente, como se ele houvesse acabado de ter uma revelação. - Na verdade... – levantou o punho a altura do rosto, mirando o olhar no relógio que se encontrava ali. – tenho exatos 40 minutos, um compromisso me aguarda. Sejam breves, okay?

Suspirei, estava cansada física e mentalmente, havia conseguido dormir apenas 3 horas e com tudo que acontecia meu trabalho fora deixado de lado completamente.

Me sentia desconfortável de ter que entrar naquele assunto com Eryq ali, afinal para contar-lhe a verdade Sophia também teria de ser citada, com certeza o loiro não ficaria feliz de ter sua amada mencionada na frente de um dragão.

- Em princípio desejo contar-lhe algo, por conseguinte irei apresentar uma oferta, depois de ouvir o que tenho a dizer você decide se irá ou não aceitar. – assumi uma postura séria, a mesma que usava para gerenciar a empresa. Eu não estava ali para implorar nada dele, não me rebaixaria a esse ponto, principalmente depois do que aconteceu.

- Certo, comece. – Felipe entendeu o que eu pretendia, estávamos tratando de negócios.

Contei-lhe tudo, desde o princípio. Sua expressão pouco a pouco fora mudando, a medida que ele percebia a sinceridade em minhas palavras seu corpo ficava mais tenso.

Ao final de tudo o mesmo me lançou um olhar chocado, seu rosto completamente surpreso.

No meio do diálogo Felipe parecia ter decidido ignorar a existência de Eryq, seus olhos permaneciam focados em mim.

- O que está me dizendo... – sua voz era baixa e surpresa.

- Alex revelou tudo a Eryq durante... bom... Pelo que parece estivera odiando a pessoa errada todo esse tempo, seu pai também fora apenas mais um usado para vingança de um doente. – informei com um certo rancor na voz.

- E o que me garante que não é apenas mentira desse ai? Eu não confio nele. – novamente o loiro decidiu ignorar a presença de Eryq, seus olhos fixos em meu rosto.

O dragão ao meu lado não pareceu nem um pouco abalado com a acusação, seu rosto sempre polido sem expressão alguma.

- Se não acredita nele, confie em mim. Eu sei que é totalmente idiota falar isso agora, mas eu não diria nada disso para você se não estivesse completamente convencida da verdade.

Felipe riu de modo sarcástico, levantando-se e se aproximando de mim. Inconscientemente dei um passo para trás, todos os músculos de meu corpo se tensionando com aquela proximidade perigosa.

- Você com certeza é a menos confiável dentre todos nesse cômodo, sua face angelical esconde seus movimentos sorrateiros de serpente. – alegou friamente, seu rosto tão próximo ao meu que eu poderia sentir seu hálito quente, aquelas palavras eram a confirmação que eu precisava: Felipe estava magoado comigo. – Entretanto, estou inclinado a acreditar. – sorriu divertido.

De supetão ele virou-se de costas, olhando novamente o relógio de pulso.

- Seu tempo está acabando, faça a proposta de uma vez. – pisquei algumas vezes, nunca me acostumaria com aquelas variações de humor.

- Sendo mais curta, eu quero seu exército. – tentei ser o mais franca possível, o loiro virou-se para mim com um sorriso debochado.

- Estou chocado, tenho um exército e nem sabia. – fez cara de surpresa, uma das mãos indo até os lábios.

- Você teria se pudesse convencer o seu pai a nos ceder um. – é óbvio que eu não iria propor tão abertamente que Felipe deveria lutar contra o próprio progenitor, não era tão insensível assim, apesar deles não possuírem nenhum sentimento de pai e filho não mudava o fato de que tinham o mesmo sangue.

- Então, corrigindo-a: você quer o exército de meu pai. – Felipe pausou, franzindo as sobrancelhas. – E quando diz “convencer" – fez aspas com os dedos – está se referindo a matá-lo?

Olhei para o lado, o mesmo não podia ler meus pensamentos, porém os de Eryq estavam livres para investigação, enruguei o nariz em uma careta, não precisava ser tão direto assim.

- Se pudesse conversar com ele seria bem melhor. – apaziguei as coisas, e eu estava sendo sincera, resolver tudo na conversa me deixaria mais aliviada.

- Mais fácil ele passar para o lado de Alex. – revirou os olhos, em visível insinuação de que minha sugestão era tola. – E a ideia de matá-lo me agrada muito mais. – o canto de seus lábios repuxou-se em um perverso sorriso.

- Se você prefere assim... – suspirei derrotada.

- Sua ideia fora muito inteligente, criança, está cada vez mais parecida comigo. – elogiou após uma pausa, olhei para Eryq e depois para Felipe.

- Você pode parar de ler os pensamentos dele? Não é legal. – cruzei os braços revoltada.

- Está tudo bem, torna as coisas mais rápidas. – pela primeira vez Eryq se pronunciou, seus olhos voltados para Felipe.

- E então, o que me diz? – questionei, decidindo ignorar a declaração de Eryq e me referindo a Felipe.

- Me apresente uma estratégia e após isso direi o que acho. – deu de ombros.

Os dois homens olharam para mim, eu ainda não tinha revelado essa parte para Eryq, então ele também estava curioso.

- Estamos falando de nos infiltrar no castelo de um dos reinos demoníacos mais poderosos para matar seu soberano, um grupo grande demais apenas atrapalharia. Precisamos de poucos soldados de elite, fortes o suficiente para lidar com o rei sozinhos...

- Não! Do meu pai cuido eu, ninguém tocará nele além de mim. – interrompeu-me em uma voz firme, os olhos nublados pelo ódio.

- Mas... você tem certeza que pode lidar com ele sozinho? Estamos nos referindo a um dos demônios mais forte que existe. – o fato dele querer lidar com tudo sem ajuda me preocupava.

- Estou me preparando para esse momento há séculos, além do mais, ele conseguiria ler os pensamentos de qualquer outro e assim prever seus movimentos, sou o único blindado o suficiente. – não deixava de ser verdade, mas ainda assim...

- Certo, você conhece a planta do local, não é mesmo? Com isso teremos mais facilidade de entrar sem sermos percebidos...

- “Teremos”? O que quer dizer com isso? – dessa vez fora Eryq a me cortar, suspirei, impaciente.

- Isso mesmo que entendeu. Eu irei junto. – declarei.

- É perigoso demais, eu posso conseguir outro membro, Amenadiel, talvez...

- O plano é meu! Eu com toda certeza irei! – insisti.

- Eu devo concordar com o Lagartixa Albina, será muito arriscado, seria prudente você não ir. – Felipe alertou.

- Mas o que é isso? Você não é assim! Eu vou e ponto final! – indaguei decidida.

- Você, como mestre e alguém que acompanhou a progressão de Izzy, considera-a apta para essa missão? – Eryq virou-se para o outro homem em uma voz inquisidora e incrivelmente séria.

- Unpf! É óbvio que sim, eu não treinei uma fraca. – respondeu convencido, virando o rosto na direção oposta enquanto empinava o nariz.

- Eu acreditarei em suas palavras. Mas se algo acontecer a ela você será o culpado, eu o matarei sem pensar duas vezes. – ameaçou.

- Se algo acontecer a ela me pergunto quem seria o primeiro, eu ou seu clã. – provocou em uma voz carregada de zombaria.

O clima que se fez depois disso fora incrivelmente pesado, em seu semblante calmo Eryq começava a liberar energia maligna, sendo acompanhado por um Felipe de maxilar trincado e mãos fechadas em punhos, um parecia querer sobrepujar o outro.

- Você já perdeu para mim uma vez, não pense que só porque o tempo passou isso mudou, sempre estará abaixo de meus pés. – Eryq indagou friamente, Felipe rosnou em sua direção.

- Não quer testar isso agora mesmo? – seu corpo deu uma leve investida para frente, o platinado nada fez, mas vi seus músculos se contraírem, como se esperasse pelo ataque do outro.

- Querem que eu purifique os dois aqui e agora? Porque eu juro, se começarem uma briga eu os deixarei irreconhecíveis! – ameacei me pondo entre ambos os corpos. – Não sei o que aconteceu com vocês, contudo eu não tenho nada a ver, sou a Suíça perante essa disputa entre dragões e demônios, estamos discutindo algo sério, não sejam tão infantis.

Felipe ajeitou a postura, mas a aura que emanava de seu corpo não era nada amistosa.

- Espero que seu cão de guarda controle a língua, ele pode ser calmo, mas eu com toda certeza não sou. – puxei uma pesada lufada de ar, limpando o ar ao nosso redor com uma pequena e fraca purificação.

- Por favor, se contenham. Eu mesma respondo por meus atos, Eryq, você não precisa matar ninguém se algo acontecer comigo, não sou nenhuma criança para que se responsabilizem por mim. – informei, com uma pitada de decepção na voz. – E Felipe, quem está parecendo um cão aqui é você, babando e rosnando que nem um pinscher. Controle seus impulsos animalescos.

Os dois viraram as faces, naquele momento percebi que precisaria ter muita paciência.

- Como eu ia dizendo, com você, Felipe, conhecendo o castelo poderemos passar sem ser percebidos, deve saber de alguma entrada sem guardas, quero a maior discrição possível. – mantive uma postura séria e imparcial. – Eryq, sendo um dragão e herdeiro de um líder deve ser especialista em barreiras, certo? Desejo que faça uma ao nosso redor para que não percebam nossa presença. O plano é simples: entrar, dar cabo do rei, sair, tudo sem sermos detectados. Eles não estarão esperando por isso, se formos furtivos teremos grandes chances de êxito, apesar de todo risco. – pausei, olhando para os dois, seus corpos rijos e olhares de ódio. – Isso inclui não matarem um ao outro durante a missão.

Pressionei os lábios, cruzando os braços.

- O que houve entre vocês? Por que tanta raiva? Sei que tem esse negócio de inimigos naturais, mas não acho que seja motivo.

- Pergunte ao seu queridinho, ele terá o prazer de explicar. – Felipe fechou ainda mais a expressão, nunca o tinha visto tão rabugento.

- Eryq...? – virei-me para o platinado, recebendo um rápido olhar em retorno, ele nada disse.

Pelo visto nenhum contaria, suspirei pelo que parecia ser a milésima vez.

- Você aceita minha proposta, Felipe? – questionei mais uma vez.

- Mesmo que sua história seja mentira não terei outra oportunidade como esta. Serei obrigado a concordar. – disse por fim, sorri, estava indo tudo bem, afinal.

- Se vamos trabalhar juntos quero saber se posso confiar que não vão se matar assim que eu virar as costas. Podemos lidar com essa rixa agora, se há algo para ser resolvido sejam francos comigo. – novamente insisti, e mais uma vez o silêncio foi minha resposta.

Não sei como a ideia de eu não participar ainda era uma opção, se eu não estivesse ali provavelmente o prédio inteiro teria ido abaixo, se eles passassem quatro minutos sozinhos seria um verdadeiro caos.

- Começaremos o treinamento amanhã. Precisamos agir como uma equipe, para isso teremos de sincronizar nossos ataques e nos preparar para possíveis contratempos, e na pior das situações o fato de sermos detectados. – informei, vendo ambos franzirem o nariz. – Isso é ainda mais urgente com vocês dois se odiando assim.

- Certo, certo. – Felipe virou-se de costas, mirando seu olhar nas caixas, seus dedos se estalaram e então todas suas coisas começaram a desempacotar e se mover pelo ar, voltando para seu devido lugar. A arrumação demorou menos de um minuto, logo o local estava como sempre. – Pelo visto meus planos de me mudar foram pelo ralo. – lamentou-se, mas eu estava aliviada.

- Eryq, o que você acha que seu pai pensará dessa ideia? – indaguei, vendo-o deixar a carranca de lado por um instante para me responder.

- Provavelmente pensará que é loucura e tentará me impedir, por esse motivo contarei a verdade somente quando estivermos com tudo terminado e uma grande quantidade de soldados em mãos, desse modo será algo irrecusável. – explicou calmamente. – Ainda assim, com um novo exército numeroso ao nosso lado possivelmente vários outros líderes se sentirão confiantes em apoiar nossa causa, se tudo acabar bem teremos grandes chances de vitória. Apesar de terem uma má fama, devo admitir que demônios são ótimos guerreiros. – concluiu.

- O que quer dizer com má fama, miserável? – Felipe irritou-se, faltei bater em minha própria testa.

- Não venha dar uma de patriota agora Felipe, você é o primeiro a apontar o dedo para sua espécie. Eryq... por obséquio, evite esse tipo de comentário.

Me perguntava internamente quanto tempo demoraria para enlouquecer, se controlar um demônio e um dragão por um curto período de tempo já estava sendo esse desafio, quem dirá um exército inteiro?


Notas Finais


É isso! Perdoem qualquer erro, me esforcei ao máximo para corrigir tudo.

Link da música tema:

https://youtu.be/8sIZQCwYPM8

Não sei se a música tá de acordo, mas demorei horas caçando uma boa na minha playlist e isso foi o melhor que achei.
Nos vemos no próximo capítulo, Kissus!! 😘♥️🥰


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