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História Por E Para Você - Capítulo 54


Escrita por: Luna_Hope

Capítulo 54 - Selos


Por Lilah

Havia um lugar, literalmente dentro do mundo mágico Castiano, onde eu poderia selar Yang. Dylan caminhava ao meu encalço com uma tocha. Aparentemente, todos os quatro Reinos escondiam ou guardavam alguma história.

Em Stalion, a montanha da neblina era o próprio esconderijo ou corpo da última criatura mágica do primeiro mundo e por passagens e buracos pequenos como vasos sanguíneos, chegava a Archeron, onde tudo começou, Donnar guardava a Grande Barreira e Daylfor, a entrada do mundo de tijolos. 

- Mundo de tijolos parece muito fraco.

- Pensou em algo melhor? - Debati. Dylan suspirou.

Yang estava inconsciente, sendo carregada por Noah e Anahí. Desmaiou depois de quase destruir a cela.

Não havia uma aranha, formiga ou ser vivente por entre os túneis. Depois de muito caminhar" encontramos o centro, deixamos Yang sob um feitiço de prisão temporária numa sala e voltamos, apagando o rastro de magia que deixamos ao andar. Na entrada, Dylan conjurou o feitiço que criou. 

- Isso vai segurar?

- Vai. Yang está selada aqui, agora, mas eu temo quem entrar por acidente. Não faço ideia se quem escorregar para a toca de coelho vai conseguir escalar de volta. 

- Seus ombros estão tensos. Me sinto ofendido por você não ter me contado o que te preocupa. - A chama da tocha oscilou. 

- Recite o último feitiço. - Ordenei, entediada.

Achei ter pego pesado com Dylan, mas não gosto de pisar em ovos. Ele baixou os olhos e recitou, quase cantando, o feitiço que criara - e que levava magia o suficiente para esgotá-lo. Estalei a língua. Senti como se não estivesse fazendo nada. Nenhum pedaço de mim conseguia se sentir confortável com Yang e sua revolta governando aquele lugar e quem quer que fosse ser seu súdito.

Dylan cabaleou e o brilho laranja, quase vermelho, na entrada do mundo de tijolos, cessou. Aparei o corpo dele e continuei olhando para a cavidade.

- Buraco de merda. - Xinguei.

- Não deveria estar grata? - Ele tirou o braço do meu ombro. - Graças ao buraco de merda não precisamos matar ela. Ou assistir você morrer, de novo. - suas palavras foram tão baixas que eu nem sabia que ele conseguia tamanha suavidade.

Era por isso. A carranca e a ofensa dele.

- Eu não acredito que você fez um acordo tão estúpido, Lilah.

- Que escolha eu tive? - Sussurrei. Era mais uma lamentação que uma pergunta. - Era isso ou continuar morta; nunca mais ver você, Noah, Susan, a idiota da Anahí, Angel ou a insuportável irmã dele. Morrer definitivamente e continuar encontrando todas as coisas ruins que eu fiz por um bem maior ou por puro gosto; nunca mais fazer nada por meu povo. - Eu queria chorar, mas não iria. Não na frente do selo, com Yang à espreita.

Dylan e eu não trocamos uma palavra até chegar ao quarto, onde ele me deixou e saiu. Praguejei quando tive certeza que ele não me ouviria e fui tomar banho. 

Chorei até o rosto inchar. Dylan entrou, já de madrugada, e colocou lavandas num vaso. Tomou uma ducha e deitou ao meu lado.

- Consigo ouvir você fungar do outro lado do Palácio. E seu nariz está inchado, então mesmo que cubra o rosto inteiro, vou saber que esteve chorando.

- E o que você quer? Um biscoito? - Ele riu.

- Onde dói, hum? - Ele me abraça por trás.

- No coração.

- Você tem isso desde quando? - olho irritada, mas logo rio. - Você me perdoa? Por ter sido um idiota com você e ter exigido a verdade quando já te escondi duas?

- Não é como se você estivesse errado, mas eu te perdoo, afinal, também não estava certo ao agir daquela forma, Dylan. - Ele me apertou um pouco mais, pressionando meus seios contra o antebraço.

- Obrigado, minha rainha... Por ter voltado da morte por mim. Por ter apostado a alma por nós. Por tudo o que fez e quer fazer.

- Estou aqui por e para você. - Ele me virou e beijou meu nariz.

- Bruta, forte, gostosa, inteligente, calculista e audaciosa; do jeitinho que eu gosto.

- Se outra fosse assim, você teria desistido?

- Não sei. Considerando o que outra pessoa não faria metade por mim ou me deixaria fazer de volta, provavelmente.

Sorri de leve.

- Acho bom que tenha olhos só para mim. - Me aconcheguei.

- Sempre fui. Mesmo quando você fazia questão de flertar com os guardas de Archeron, mesmo quando se virava em minha direção para sentir o cheiro do meu ciúme.

- Então você notou?

- Por que não notaria? Meus olhos sempre estavam em você; nessa bunda grande.

- Quer dizer que me assediava?

- Você andava rebolando quando estávamos sozinhos. Era mesmo assédio? Você não queria, nem um pouquinho, que eu ficasse interessado?

- Se eu quisesse você na palma da mão, naquele tempo, teria tido.

- Você teve. E tem. - A voz dele não era mais que um sussurro num mundo oco.

Me olhando como quando era um amontoado de hormônios à flor da pele, Dylan me beijou. Manteve os olhos abertos e me mostrou cada instinto do corpo que o obrigava a fechar.

Dylan desceu a camisola fina que eu usava e mordeu meu pulso; o sangue coagulava e a pele curava ao passo que ele mordia de novo, para abrir a ferida. Segurei seu rosto depois de sentar em seu colo e Dylan me jogou na cama de novo, com os olhos ardendo as chamas laranjas. Murmurou palavras que eu não entendi e suas roupas desapareceram. 

Lutei para retomar o controle e quase gargalhei quando ele me empurrou sobre a cama novamente, mordendo meu pescoço, esfregando os lábios nos meus, empurrando-se entre minhas pernas. Espirais cor de fogo passearam pela pele de Dylan ao passo que ele mordia, de novo e de novo. 

- O que é isso? - Perguntei, num suspiro.

- O selo... Que eu coloquei em mim.

- O que? - Ele me olhou, a pele negra quase cintinlando em meio ao laranja, os olhos brilhando o mesmo tom e a boca manchada com meu sangue nas laterais.

- Toda vez que você passava se oferecendo para mim, eu me continha por causa do selo. - Ele era feiticeiro. E especialista em selos. -  Mas já que você quer casar comigo, deve saber se aguenta. E deve saber que não vou tolerar nenhum outro com você nessa cama, ou em outra. Deve ter certeza se quer, realmente, se amarrar a mim. Porque vai ter que ser minha; e nunca ir embora. - As palavras foram ditas com dificuldade e quase com ódio em cada sílaba. 

- Não vou deixar você. - Deixei minhas asas aparecerem e o envolvi - Nunca... Não vou usar você para algo que não deseja ser usado. - Empurrei meu pulso em sua boca. As pupilas dilataram e ele mordeu. O poder fluía pelo quarto, inundando cada poro, aquecendo minhas penas até quase combustão. Trazia a sensação de liberdade. E tinha cheiro de orvalho fresco.

Naquela noite, literalmente, vi estrelas.

                            *

Acordei com Dylan me olhando. Os olhos já não brilhavam laranja e a pele estava serena e radiante, como normalmente. Pisquei.

- Bom dia. - Ele disse, sem sorrir.

- Bom dia. - respondi. - E agora? Vai me contar sobre o selo.

- Só de pensar nisso, me faz querer reativá-lo.

- Por que?

- Porque vai ser assim, como noite passada se eu não o fizer. E não vou conseguir não bater em quem te olhar demais. Talvez eu deva...

Sorri, maliciosa.

- Nem. Pense. 

Dylan ergueu a sobrancelha, antes de sorrir.

- Estou com fome. - Os olhos acenderam.

- Estou aquecida. - Sorri, convocando as asas.




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