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História Por Konoha - Capítulo 42


Escrita por: Uzumaki_Aiha

Capítulo 42 - Temporal



✧*:.。. Hinata .。.:*✧


Não há nada melhor do que tomar um banho após um dia cansativo. A água desce por meu corpo, levando as impurezas junto e dando-me a sensação de estar bem mais leve do que realmente sou. 


A guerra havia sido desgastante e flashs passavam por minha mente, mantendo-me agoniada. 


Nunca mais quero participar de uma guerra. Nunca. Mais. 


A imagem de Naruto descendo colina abaixo entra em minha mente outra vez e mesmo que já tenha passado e ele esteja bem, meu cérebro reproduz imagens dele se desequilibrando ou sendo pego de surpresa por um inimigo. 


— Ele está bem, Hinata. — murmuro para mim mesma, deslizando o dedo por entre meus fios de cabelo. 


Faz algumas horas que chegamos em Konoha e Hiashi nos recebeu, abrindo seu palácio para tratar os feridos e nos dar abrigo. Agora neste momento, Hiashi e Naruto estão conversando. Eles disseram ser algo particular e não me permitiram participar da conversa. Não contestei. Estava cansada demais pra isso. Apenas dei as costas e voltei para o meu antigo quarto.


Fico rolando na cama por alguns minutos — ou horas — até que finalmente consigo dormir. E quando consigo, durmo a noite toda como uma pedra, acordando apenas na manhã seguinte. 


Vou abrindo os olhos lentamente, tentando focar minha visão. Sinto alguém mexer em meu cabelo, levando os fios soltos para trás da orelha ou apenas acariciando-os. Suas mãos são suaves e sua voz delicada. 


— Bom dia, maninha! 


Coço os olhos, encontrando uma Hanabi com um sorriso tímido no rosto. Seus olhos estão avermelhados e isso me faz suspeitar que ela esteve chorando. Me sento na cama e me viro para ela, segurando seu rosto entre minhas mãos.


— O que houve? Você estava chorando? Está tudo bem? 


A resposta de Hanabi é me envolver em seus braços, abraçando-me apertado. Ela funga um pouco e acaricio suas costas, retribuindo o carinho. 


— Você é tão idiota. Eu fiquei preocupada, sabia? E me arrependi por não ter me despedido, e se eu nunca mais visse você? 


Afasto Hanabi de mim, olhando para seus olhos.


— "E se" não existe, Hanabi. Eu estou aqui, estou bem. 


Ela volta a me abraçar e permito que ela chore baixinho sobre meus ombros.


— Eu não sei o que faria se perdesse você. — Ela confessa — Sabe que eu te amo, né? 


— Sei sim. — digo beijando seu cabelo — Eu também amo você. 


Hanabi então se afasta de mim, mudando sua expressão tristonha para irritada, ela volta a dar-me tapas e sinto meu braço arder. Hanabi passa a imagem de uma garota delicada e sensível, mas ela é forte demais e seus tapas doem pra caralho. 


— Por que está me batendo?! — pergunto, numa tentativa falha de segura-la.


— Se sabia, pense um pouco em mim antes de tomar essas atitudes idiotas! Eu sou a única que pode ter idéias ruins. Seja sensata, Hinata! E não ouse brincar comigo, nem com sua vida outra vez! Porque se na próxima você não morrer em um campo de batalha, eu mesma mato você! 


Não consigo me controlar e acabo caindo em risadas, puxando Hanabi pra se deitar comigo. Ficamos encarando o teto, observando a pintura acima de nós. 


— Como foi lá? — Hanabi pergunta. 


— Não quero falar sobre isso. — respondo fazendo careta — Desde quando está aqui?


— Cheguei há pouco tempo. Papai está conversando com Konohamaru e Naruto, tenso não é? 


— Um pouquinho. — respondo soltando uma risada. 


— Como estão você e o Naruto?


— Não sei. — mordo os lábios — Ele ainda gosta de mim, mas não sei se está pronto pra voltar comigo. Eu não sei se ele conseguiu recuperar sua confiança em mim. Estes dias estivemos juntos, mas estávamos prestes a entrar em guerra, acho que só precisávamos estar em paz, então não era o melhor momento pra ter essa conversa. Nós... Simplesmente ficamos juntos. 


— Isso deve ser bom, né? Ele te quis no que poderia ser os últimos momentos dele, ele sentiu que precisava estar com você. Ele estava com raiva nesses momentos?  


— Como foi aquela sua viagem? — mudo de assunto. 


Hanabi sorri um pouco, não se importando com a troca de assunto. Ela sabe que a manterei informada da situação e quando estiver pronta pra falar sobre isso, irei falar.


— Foi muito legal. — olho de solaio, vendo seus olhos brilharem — Sou uma ótima artista, sabia? Pelo pouco tempo que fiquei fora, estive trabalhando como pintora e consegui até vender alguns quadros. Mas, eu senti falta de casa. Ficar andando o dia todo é horrível, a pele fica toda grudenta de suor e os pés doem, sem falar que é uma merda ter que fazer limpeza doméstica. Por sorte, Konohamaru cozinha, porque se dependesse de mim, iríamos comer comida queimada todos os dias. Mas, eu também senti saudades do papai. Acho que não estava pronta pra sair de perto dele, nem do resto da família, sabe?... Mas eu quero ir viajar de novo, gostei da experiência, quero conhecer novos lugares. 


— Isso é bom. — sorrio — Fico feliz que você esteja feliz. 


Hanabi assente. 


— Espero que as coisas comecem a se encaixar. Preciso pedir desculpas ao papai e ao Naruto. Eu tive dedo nessa história e não é justo que só você sofra as consequências. 


Hanabi se levanta da cama num pulo e segura minhas mãos, puxando-me na mesma rapidez.


— Vamos ver se papai não matou seus genros. 


Comprimo um sorriso e desvio os olhos. 


— Estou morta de fome. 


(...)


A imagem de ter Naruto, eu, Hanabi e Konohamaru numa mesa junto a Hiashi, nunca havia passado pela minha mente e admito: é estranho e assustador ao mesmo tempo. 


Olho de solaio para Naruto, procurando ler suas expressões, mas não consigo decifra-lo. Não sei se nós estamos bem ou se ao menos existe um "nós". Hiashi suspira e se senta a mesa.


— Eu sei que temos muitos assuntos para tratar, principalmente aos quais envolvem essas duas pestinhas — ele lança um olhar afiado para mim e para Hanabi. Sinto como se fosse uma criancinha levando bronca do pai. Hanabi comprime um sorriso e desvia seu olhar para o rosto do namorado. — Mas, peço para termos um pouco de paz no café da manhã. Vocês devem estar exaustos e não quero que este momento seja destruído. 


Todos nós assentimos e Konohamaru relaxa na cadeira, afundando-se em seu assento. 


Inicialmente o café da manhã se passa em um silêncio torturoso, até que Hanabi e Konohamaru começam a conversar baixinho. Em determinado momento, Hiashi entra na conversa e até ri um pouco. Fico feliz que Hiashi tenha aceitado o namoro da filha. Deixo minha xícara de café de lado e me viro para Naruto, cutucando-o com um garfo. 


— Oi. — digo baixinho. 


Naruto arqueia as sobrancelhas e deixa o que está comendo sobre um prato na mesa. Ele termina de engolir e se vira pra mim. 


— Oi. 


Passo alguns segundos encarando seus olhos até que minha mente me faz parar de agir como uma boba e eu resolvo falar algo. 


— Quer ir a um lugar comigo? 


(...)


Naruto caminha ao meu lado, Hanabi e Konohamaru estão logo atrás e as vezes, ela solta risinhos pra mim.


É um pouco desconcertante. 


— Aonde estamos indo? — Naruto pergunta. 


— Já já chegamos, não seja afobado. — digo, fazendo Naruto bufar.


Certo.


Eu estou muito nervosa. 


Chegamos ao nosso destino e travo no meio do caminho, Naruto passa a mão em frente ao meu rosto, tentando me tirar de transe.


— Ei, Hinata! Por que paramos? 


— Não seja medrosa. — Hanabi diz, tocando um dos meus ombros. Então, ela passa por mim e entra na casa, sem ao menos bater na porta 


— Vamos. — chamo por Naruto.


Ele não exita e me segue quando entro na casa. Inicialmente a casa está silenciosa até que Hanabi começa a gritar. 


— Vocês não podem fazer pouca vergonha na frente do bebê! Achei que você fosse melhor que isso, Neji!


Em poucos segundos, meu irmão aparece na sala com uma expressão zangada no rosto.


— Devolva meu bebê, Hanabi! — ele grita de volta pra ela, usando uma fita para amarrar seus cabelos desgrenhados em um coque. 


Hanabi vem para nosso lado, carregando Ichiro consigo e ele parece enorme desde a última vez que o vi. Sinto como se estivesse perdendo uma parte preciosa de sua infância, depois de ter prometido que lhe daria o melhor possível. Hanabi passa o bebê para os meus braços e o pego com cuidado, com medo que meu lado desastrado o derrube no chão. Neji acompanha seu movimento com os olhos e finalmente finalmente parece notar minha presença. 


Sorrio para meu irmão, vendo-o perder a fala. Deixo um beijo na testa de Ichiro e sinto seu cheirinho gostoso de neném. 


— H-hinata? 


— Olá, Neji. 


Como sempre, Neji vem me abraçar. Entrego Ichiro para Naruto, vendo-o ficar meio sem jeito. Seguro uma risada, enquanto Naruto segura Ichiro desajeitadamente no colo, mas mantendo-o bem embalado em seus braços protetores. Naruto parece meio desnorteado e sua expressão me faz rir, no entanto Neji me rouba a atenção, dando-me um abraço apertado. 


— Sua pirralha! Você fez falta. Fiquei sabendo sobre a guerra, deve ter sido assustador, você está bem?


Me afasto um pouco de Neji, ainda segurando suas mãos. Ele faz uma vistoria em meu rosto, torcendo uma careta quando encontra alguns cortezinhos. 


— Não vai me xingar? — pergunto arqueando uma sobrancelha. 


— Hum.hum. — ele balança a cabeça negativamente — Adianta? Prefiro mesmo saber se você está bem. 


Céus! Roubaram meu irmão e o trocaram por uma cópia! Logo Neji, o meu irmão protetor não irá me dar bronca!


Abraço meu irmão mais uma vez, até que nossa bolha é estourada por um choro estridente. Mas, não sinto raiva. Na verdade, fico feliz em vê-lo chorar, porque posso rouba-lo para os meus braços e aninha-lo em mim, tentando o acalmar — a não ser que ele queira a mãe e não pare de chorar, ai eu devolvo sem pestanejar.


— Ele está chorando, o que faço? — Naruto pergunta, parecendo assustado. 


Pego o bebê de volta em meus braços e aponto com a cabeça para Naruto. Neji não para de encara-lo e não consigo decifrar seu olhar. Ao mesmo tempo que ele parece querer vir com aquele papo tosco de "quais são as suas intenções com minha irmã?", ele parece querer agradece-lo. Ou talvez queira expulsa-lo de casa a ponta pés. Realmente não sei dizer. 


— Neji, esse é o Naruto. Naruto, esse é o Neji, meu irmão. 


Um minuto de silêncio se passa. Eles ficam se encarando, enquanto nino Ichiro em meus braços, mas ele não se cala. Hanabi aparece na sala novamente, trazendo Tenten consigo. A morena está com uma cara sonolenta. 


— Bem que eu ouvi um chorinho. — Tenten sorri aproximando-se de mim. Ela me dá um beijo na bochecha — Saudades de você, amiga. — ela me abraça e pega Ichiro — Meu bebê está com fome? Ou será sono? Uma certa titia não o deixou dormir. 


Hanabi sorri amarelo.


— Desculpa. Não sabia que ele estava dormindo. 


Tenten revira os olhos, sacudindo seu corpo para os lados, numa dança calma. Meu sobrinho encerra o choro na hora.


Isso é bruxaria só pode. 


— Olá, Naruto! — Tenten cumprimenta — Eu sou Tenten, cunhada de Hinata. Seja bem vindo! 


Olho esbabacada para ela. Neji ainda não conseguiu parar de encarar Naruto, muito menos dizer algo. Simples e confiante como sempre, Tenten já lidou com a situação. 


— Obrigado. — Naruto murmura constrangido, finalmente desviando o olhar do meu irmão. 


Neji bufa. 


— Espero que esteja tratando minha irmã bem! — ele diz agressivo. Reviro os olhos.


— Não seja assim, Neji! — brigo com ele. 


— E desculpa por quaisquer problemas que causamos.


Ele se refere a toda a nossa mentira. Naruto dá de ombros e ninguém mais toca no assunto. Naruto ainda parece meio constrangido no meio da minha família, mas acho que está tudo bem. Ou quase tudo bem. 


— Toneri não voltou com você? — Neji pergunta, parando no meio da sala.


De repente, o ar está escasso e o silêncio que volta a se formar ao meu redor, parece me engolir. Novamente, preciso lutar contra as lágrimas. 


— Toneri está morto. 


Alguns minutos se passam e todos nós parecemos desconfortáveis. Neji até deixou lágrimas escaparem. 


— C..como? O que você disse? 


Me aproximo de Neji para abraça-lo de novo e finalmente estou chorando o que vim segurando desde que tive que enterrar meu melhor amigo. Neji compreende minha dor e sente o mesmo. Os demais ficam quietos, deixando-nos ter um momento.


Quando me recomponho, me afasto e limpo as lágrimas. 


— Kawaki... 


Neji não precisa que eu diga mais nada. Ele assente. 


— Vou levar você até eles. Vai adorar conhece-los. 


(...)


A casa de Akemi é distante de onde moramos e a minha ansiedade faz parecer que ela mora quase do outro lado do mundo. 


Neji bate na porta, enquanto Naruto e eu esperamos um pouco mais afastados. Abraço meu corpo e me balanço para os lados.


— Estão demorando. — digo, mordendo os lábios em seguida.


— É assim mesmo. — Neji responde e dá passos para trás assim que a porta é aberta. 


Um senhorzinho de cabelos grisalhos faz um sinal com a cabeça pedindo para que entremos, ele é baixinho e suas costas meio curvadas. Passamos por ele pedindo licença e o mesmo nos leva até um quarto. 


— Não fique nervosa. — a voz de Naruto soa perto de mais em meus ouvidos. 


Olho para trás e seu rosto está perto de mim, fazendo-me sentir seu hálito contra minha pele. Ele se afasta, endireitando a postura, deixando evidente nossa diferença de altura. 


Respiro fundo e entro no quarto. 


Akemi está sentada em uma cadeira de balanço, envolvendo o bebê em seus braços. Ele é bem pequenininho, bem mais que Ichiro. Por um momento, posso sentir as lágrimas voltando, querendo escorrer por meu rosto. Akemi tem os cabelos castanhos e quando percebe nossa presença, mira seus olhos cinzentos em nós. 


— Neji! — ela parece animada em ver meu irmão, embora sua voz seja baixinha — Você veio! Essa é sua irmã?  


— Essa é a Hinata. — Neji diz, envolvendo meus ombros num abraço — E esse é o Naruto, marido dela. 


Comprimo os lábios, Naruto não me considera sua esposa. Não mais.


— É um prazer conhecer vocês. — ela sorri — Meu nome é Akemi. Imagino que tenham vindo conhecer Kawaki. 


A garota faz um sinal pedindo para que eu me aproxime. Exito um pouco, mas logo estou me movendo em direção a eles, me abaixando para ver o rostinho do bebê. 


— Vim ver vocês dois, estava ansiosa para conhece-los. — Digo, tocando a pequena mãozinha de Kawaki — Ele é tão bonito! 


Não posso evitar deixar algumas lágrimas caírem, Akemi olha para mim, parecendo um pouco surpresa. Ela desvia o olhar de mim para o bebê e o aperta um pouquinho, depois volta a olhar pra mim. 


— Por que Toneri não veio com vocês?


Odeio essa pergunta. 


Mas, não posso esconder a verdade dela.


Conto toda a história de Toneri para ela e diferente do que eu pensava, ela não chora. Apenas mantém-se imóvel com uma expressão triste no rosto. 


— A culpa foi minha. — ela diz finalmente, depois de alguns minutos em silêncio — Quando nos conhecemos eu já sabia que estava doente e sabia que morreria, mas ainda sim, fiz questão de me envolver com Toneri. E depois quando engravidei, não quis tirar meu bebê. Se eu tivesse me afastado dele desde o princípio, isso não teria acontecido. Ele só morreu porque estava tentando me ajudar. 


Suas palavras me deixam aflita e me abaixo, abraçando-a pelos ombros, mesmo que não tenhamos intimidade alguma. 


— Está completamente errada. Toneri amava você e ele era o tipo de pessoa que faz tudo pelas pessoas que ama. Acredite nisso, Akemi. Se não fosse por você, poderia ser por mim ou por Neji. Não se culpe por isso, se ele fez o que fez, você deveria ser extremamente importante pra ele, você... Você conseguiu faze-lo te amar e conseguiu dar esperança pra ele. Isso muda tudo. Não se sinta culpada. 


Algumas lágrimas finalmente caem de seus olhos e ela aperta Kawaki nos braços. O bebê tem os cabelos brancos como os de Toneri, mas ele se parece mais com a mãe. 


— Você prometeu para Toneri que cuidaria da gente, mas preciso que me faça outra promessa — sua voz falha um pouco devido ao choro, mas ela logo se recompõe — Toneri sabia que o que estava fazendo não daria certo, ele sabia que eu morreria de toda forma, mas já não conseguia parar. Provavelmente, eu não serei capaz de cuidar do meu próprio filho e agora ele nem tem um pai... Hinata, promete pra mim que vai cuidar do Kawaki. Eu sei que estou pedindo muito e sei que não é fácil cuidar de uma criança, elas dão trabalho e gasto, mas... Por favor, quando eu me for, prometa ser a mãe de Kawaki. Dê a ele todo amor e cuidados que uma criança merece. 


— Akemi... 


— Eu sabia que não seria capaz de cuidar dele por muito tempo, mas não fui capaz de matar meu próprio filho, eu nunca teria coragem para fazer uma coisa dessas. E com todo o problema que causei a Toneri... Não seria justo com uma criança inocente. Não quero que ele cresça sem pais e sem amor e sem cuidado algum. Você poderia cuidar do meu filho? Cuidar como se fosse seu? 


— Eu prometo. 


Beijo os cabelos castanhos de Akemi e ela deita a cabeça em meu ombro. Ainda estou chorando e estou destruída por dentro, mas assim como não quero que alguém me dê falsas esperanças, não dou falsas esperanças à ela, apenas prometo que cuidarei daquela criança. 


Afinal, é cruel dar esperanças quando não há nenhuma. 


Passado nossa pequena crise de choro, ela se afasta de mim e tenta sorrir um pouco. 


— Você quer segurar ele? 


Assinto com a cabeça e o pego em meus braços, é tão pequenininho e frágil. 


— O futuro pai também deve conhece-lo. — Akemi volta a dizer, oferecendo um sorriso, mas sua voz está embargada. Ela engole as lágrimas e fala com Naruto — Meu bebê ainda não aprendeu a morder. 


Naruto se aproxima de mim parecendo meio incerto. Neji está num canto com as costas viradas para nós e tenho quase certeza que ele está tentando conter suas lágrimas, talvez já esteja chorando. Neji sempre tentou nos proteger e agora que tudo parece fora de controle ele deve estar se sentindo incapaz e fraco. Eu deveria dizer que ele não tem culpa e para que ele não fique mal. Ultimamente, todos nós estamos meio pra baixo, mas quando essa fase ruim acabar, as coisas vão melhorar e poderemos ser felizes. Só precisamos de paz. 


Naruto toca a bochecha de Kawaki e o bebê faz um biquinho fofo. Sorrio com a cena. 


— Seu bebê é lindo. — ele diz pra Akemi. 


Ela sorri e assente, mas depois vira o rosto, enquanto admiramos a beleza de Kawaki. 


Meus olhos encontram os de Naruto, ele parece meio triste e isso me entristece, principalmente quando não sei o que será de nós. Espero que nós possamos ficar juntos e Naruto aceite Kawaki, porque agora este bebê faz parte da minha vida. 


— Segura ele um pouquinho. — Digo, já passando Kawaki para os braços de Naruto para que ele não tenha tempo de negar. 


Mesmo nervoso, ele acolhe o bebê. Kawaki tem os olhos cinzentos vidrados em nós, suas bochechas são gordinhas e muito fofas. Naruto também está olhando para o bebê e o brilho que aparece em seus olhos, me faz pensar que ambos já estão criando uma pequena conexão como pai e filho. 


Talvez nós três possamos ter um futuro juntos, mas pensar que Toneri e Akemi não irão estar lá me faz desabar de novo. 


Nos despedimos de Akemi e de Kawaki saindo para fora da casa, o céu está completamente nublado o que nos faz andar cada vez mais rápido — principalmente por causa de Naruto — mas, nenhum de nós diz nada. Assim como o tempo está fechado, todos nós guardamos uma pequena angústia dentro de nós. 


Fecho os olhos e sinto a primeira gota de chuva cair em mim.


(...)


✧*:.。. Naruto .。.:*✧


Assim que chegamos no palácio a chuva caiu com tudo. 


Hinata mal teve tempo de se despedir da família, apenas puxou a irmã e Konohamaru junto conosco e voltamos para o palácio. 


Naquela manhã, Hiashi havia puxado Konohamaru e eu para uma conversa. Ele deveria estar nervoso, afinal suas filhas criaram um grande jogo no meio da realeza e me enganaram, me traíram, mas quem quem estava nervoso era eu. E o pior, nem sei dizer o porquê. 


Conversamos sobre muitas coisas, seja elas envolvendo política e os reinos, até as "duas pestinhas" — nome intitulado por Hiashi — falamos sobre meus pais e o acordo que haviam proposto, o plano inicial de Hanabi, a troca e depois todos os outros momentos em que vivemos. Hiashi falou que sabia de tudo, mas que não pôde contar a verdade para mim. Eu deveria estar furioso, mas não consegui. Ele se desculpou por si mesmo e por suas filhas, o velho quase se ajoelhou perante a mim, mas eu disse que aquilo não era necessário. Sendo que ele estava perdoado, ainda haviam muitas coisas a serem ajeitadas naquela história. 


Decidi que anularia meu casamento. Era o melhor a se fazer. 


Prometi a Hiashi que continuariamos com a aliança com ou sem casamento, e ficou decidido a mim o que fazer com o resto. 


Não tão resto assim, estávamos falando do meu coração. Do coração que havia sido traído e destruído, mas que ainda batia e ainda amava uma mulher, ainda amava Hinata. 


— O que você pretende fazer? — Hiashi perguntou. 


Bufei, jogando os cabelos para trás. 


— Ainda não sei. — fui sincero. 


Passei o dia com essas questões martelando minha cabeça. O que seria de mim e Hinata? O que seria de nós agora que a aliança não dependia de um casamento ? Mesmo depois que ela me levou para conhecer sua familia e o pequeno Kawaki — como prova de que confiava em mim — não pude deixar de pensar nisso. Hinata amava sua familia e sentia falta deles, por mais que ela me amasse não seria justo leva-la para longe dali. Sua família deveria ser mais importante para ela do que eu. 


Passar tempo demais ao lado dela ainda era requeria um tremendo esforço. As vezes ainda me doía sua traição, mas eu já havia a perdoado, meu coração era incapaz de odia-la. Mas, agora que eu a conhecia e sabia um pouco sobre sua vida e sua história, achava injusto priva-la de viver com aquelas pessoas, em seu próprio reino, aquele que ela se esforçou tanto para salvar : Konoha. 


— O que o idiota está pensando? 


Olho para o lado e vejo Sasuke parar ao meu lado. Volto a olhar para frente, observando a chuva cair e observando Hinata observar a chuva cair. 


— Ah! — Sasuke solta um muchocho como se tivesse descoberto algo muito importante — Está pensando nela. 


Sasuke também me deu muitos problemas, mas acho que agora estamos bem. Principalmente, porque agora temos uma nova aliança e ele está com Sakura. 


— É melhor você cuidar bem dela. — digo entre dentes — Ela me contou que vocês partiriam em uma viagem. Sinta-se observado, se você magoa-la ou feri-la, foda-se a aliança, eu mato você. 


— Palavras rudes, Uzumaki. — Sasuke diz, sorrindo de lado — Eu seria incapaz de machuca-la e saiba que agora ela é minha noiva. 


O olho meio surpreso. 


— Você não merece, mas parabéns. Sakura é uma pessoa incrível. 


Sasuke assente, sem agradecer nem nada. O vento leva um pouco da chuva até nós e Sasuke e eu nos retraímos, encolhendo no lugar. Assim como pra mim, a água também pode deixa-lo meio "desligado". 


— Você não deveria deixar a Hinata escapar. — Sasuke diz — Eu não deveria estar te dando um conselho, mas vou dizer. Ela te machucou, isso não é certo, mas ao mesmo tempo você a ama e ela te faz bem. Assim como eu, você precisa curar sua ferida e acho que no seu caso, Hinata pode ser a cura. A deixe concertar o que estragou, dê a ela a chance de cuidar do seu coração. 


Tateio o bolso da calça, tirando de lá o anel que era de Hinata. Não me lembro como ele veio parar comigo, mas tenho o guardado há algum tempo. 


— Acha que ela pode me querer? — pergunto sem querer. 


Devo estar a beira do limite, estou conversando sobre minha ex esposa com meu ex inimigo. 


— Acho que ela já provou que te ama e quer estar ao seu lado, agora cabe a você decidir. 


Hinata olha para nós e sinto minhas bochechas queimarem, ela está longe, mas sinto que ela esteve ouvindo toda a nossa conversa. Ela vem até onde nós estamos e não demora estar parada a minha frente, com os braços cruzados e uma expressão triste no rosto. 


Hinata também está ferida e precisa ser curada. 


Guardo o anel de volta no bolso, sendo observado por Hinata em cada movimento. Sinto até um pouco de vergonha da intensidade que ela me olha, mas sei que não deveria, pois a olho da mesma forma.


— Você já se despediu de Hiashi? — ela pergunta mordendo os lábios. 


— Já. Estamos prestes a ir embora. — respondo.


Não planejo ficar aqui por muito tempo, sou o rei e meu reino sofreu um bocado durante a invasão de Sasuke. Tenho muita coisa pra resolver. 


— Certo. Eu vou... — ela apenas aponta para uma direção, parecendo meio perdida. 


Mas antes de ir, ela me abraça. Sinto que essa é uma despedida. Hinata deixa seu rosto em meu peito e encosto o queixo sobre seus cabelos. Seus pequenos braços circundam minha cintura e ficamos assim um pouco. 


— Essa cena é constrangedora. — Sasuke diz — Vocês tem platéia, sabiam? 


Hinata ri um pouco e se afasta, antes dando um aperto em minha bunda. Salto com o susto, me perguntando que porra foi essa e porque ela está com um sorriso tão sacana no rosto. Sasuke arqueia as sobrancelhas confuso. 


— Eu vou indo... — Hinata diz e aponta em direção ao jardim. 


A observo se afastar e bufo. 


— Você precisa se decidir logo, Uzumaki. 


— Eu sei. Estou com medo. — confesso respirando fundo e enfio as mãos no bolso. 


Nossa!


Mais que safada! 


Aquela... Ela roubou o meu...


— O que foi? — Sasuke pergunta confuso. 


A porra do anel não está no meu bolso. Foi por isso que ela me abraçou e apertou minha bunda. 


— Ela roubou meu coração. — murmuro. 


Sasuke revira os olhos e sai andando. 


— Então vá pegar de volta ou roube o dela também. 


(...)


Sigo na direção em que Hinata falou que iria. Ela está no jardim — no jardim em que nos conhecemos — e está sob a chuva, admirando-a cair. 


— Hinata! — grito por ela. 


Ela não ouve, a chuva está forte e o som atrapalha minha voz chegar até ela. Respiro fundo e entro na chuva, sentindo a água encharcar minha pele e minhas roupas. Sei que não deveria ter feito isso, mas prefiro sentir a falta do combustível do que meu coração queimar em desespero. Prefiro por isso pra fora. Preciso falar com ela. Preciso dela. 


— Hinata! — toco seu ombro, virando-a para mim. 


Seus olhos estão vermelhos e vão arregalando-se aos poucos.


— Está louco, Naruto! — ela grita pra mim, repreendendo-me por estar na chuva. 


— Preciso falar com você. — digo e respiro fundo — Aconteceu tanta coisa conosco e acho que os dois saíram machucados nessa história. Eu fui ferido e você também. Veja só, está chorando. — passo os dedos por debaixo de seus olhos, mas não adianta por causa da chuva. Que porra, eu sou bem burro! — Acho que ambos precisamos de um tempo para nos curar. Eu mandei que anulassem o casamento. 


Ela baixa o olhar e o desvia.


— Isso quer dizer que você... 


— Isso quer dizer que não estarei mais casado com Hanabi. 


Ela parece estar um pouco aliviada agora. 


— Escuta, vai ser um porre os dias daqui pra frente. Os nobres vão cair matando em cima de todo mundo por causa dessa história, mas no fim, ela entrará para os livros e como a história é minha, quero ter o direito de dar o melhor final para ela, ou ao menos tentar. 


— O que isso quer dizer? — ela arfa, passando a mão pelo meu cabelo molhado. 


— Quer dizer que eu te amo e te quero ao meu lado. 


Hinata tenta falar algo, mas não deixo. 


— Eu sei que é egoísmo da minha parte te tirar de perto da sua família, principalmente depois de você ter perdido alguém importante e ter feito aquela promessa para aquela moça, mas volte pra casa comigo. Por favor. Eu quero estar ao seu lado, quero amar você, quero que possamos viver sem mentiras. Quero recomeçar ao seu lado. Então, por favor, volte pra mim. 


Hinata morde os lábios e minha atenção é atraída para eles. Sinto falta deles também. 


— Entrou na chuva só para me dizer isso? — ela pergunta e sinto meu coração quebrar mais um pouco — Eu já iria voltar com você de toda forma. Amo minha família, mas meu lar é com você. Podemos vir visita-los as vezes e não se preocupe, darei conta de lidar com os nobres. 


Solto um grande suspiro, encostando minha testa na sua. 


— Precisa escolher suas palavras melhor — digo — quase tive um ataque do coração. 


Hinata ri e segura minha nuca, puxando-me para um beijo. Seus lábios são macios e se mechem suavemente contra os meus. 


— Eu te amo, Naruto. Assim está melhor? 


— Muito! — sorrio, puxando-a para outro beijo. 


Faço o mesmo que ela há alguns minutos atrás e enfio minhas mãos em seu bolso, apertando sua bunda e aproveitando para tirar de lá o anel. Ela percebe minha intensão e sorri, mordendo meus lábios. Mas, então se afasta e me olha confusa.


— Por que? — ela pergunta.


— Esse era de "Hanabi" — digo deixando um selinho em seus lábios. 


Jogo o anel para o lado e Hinata ri, apoiando o rosto em meu peito molhado. A abraço por alguns minutos, sentindo a água escorrer por meu rosto. Então me afasto e levanto seu rosto para mim.


— Eu te amo, Hinata. 



Notas Finais


"É cruel dar esperanças quando não há nenhuma" — a rainha vermelha

Gente esse livro é meu bb, amo demais

Essa frase aqui "ela roubou meu coração" foi uma das primeiras coisas que eu pensei quando tava planejando essa história kaakkakaakak era p ter sido uma piadinha ruim, mas acho q ficou até legal kkkkkkkk


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