História Por lugares incríveis - BUGHEAD - Capítulo 5


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Categorias Por Lugares Incríveis
Tags Betty Cooper, Bughead, Jughead Jones, Riverdale, Romance
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Palavras 2.504
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Capítulo 5 - Betty


BETTY

153 DIAS PARA A FORMATURA

Sábado à noite. Casa de Verônica Lodge.

Vou andando até lá porque são só três quadras. Verônica diz que seremos só nós duas, além de Josie McCoy e Valerie Brown, já que ela não está falando com Cheryl. De novo. Verônica era uma das minhas melhores amigas, mas desde abril a gente se afastou. Como eu saí da equipe de torcida, não temos mais muita coisa em comum. Me pergunto se algum dia tivemos. Cometi a burrice de contar sobre a festa do pijama pros meus pais, e é por isso que estou indo.

— Verônica está se esforçando. E você também devia se esforçar, Betty. Não pode usar a morte da sua irmã pra sempre como desculpa. Tem que voltar a viver.

Não estou pronta não funciona mais com meus pais.

Quando cruzo o quintal dos Wyatt e viro a esquina, escuto a festa. A casa de Verônica está iluminada como se fosse Natal. Tem gente pendurada nas janelas. E no gramado. O pai dela é dono de uma rede de lojas de bebida, por isso Verônica é tão popular. Além do fato de ela ficar com todo mundo.

Espero na rua, mochila no ombro, travesseiro embaixo do braço. Me sinto no sexto ano. Uma boba. Polly riria da minha cara e me arrastaria pela calçada. Já estaria lá dentro. Fico com raiva dela só de imaginar.

Me obrigo a entrar. Joe Wyatt me dá alguma coisa em um copo de plástico vermelho

— A cerveja está no porão — grita.

Archie tomou conta da cozinha com alguns jogadores de beisebol e futebol americano.

— Pegou? — Archie pergunta a Reggie Mantle.

— Não, cara.

— Nem um beijo?

— Não.

— Pegou na bunda?

— Peguei, mas meio de raspão.

Eles dão risada, Reggie também. Todos estão falando muito alto.

Vou até o porão. Verônica e Cheryl, melhores amigas de novo, estão jogadas em um sofá. Não vejo Josie nem Valerie em lugar nenhum, mas quinze ou vinte garotos estão espalhados pelo chão fazendo jogos de beber. As garotas estão dançando em volta deles, incluindo as três Brianas e Toni Topaz, amiga de Jughead Jones. Casais estão se pegando.

Verônica acena a cerveja pra mim.

— Meu Deus! A gente precisa dar um jeito no seu cabelo. — Ela está falando da franja que cortei. — E por que você ainda está usando esses óculos? Eu entendo que quer lembrar da sua irmã, mas ela não tinha, tipo, uma blusa fofa pra você pegar?

Apoio o copo numa mesa. Ainda estou carregando o travesseiro.

— Estou com um pouco de dor de estômago. Acho que vou pra casa.

Cheryl me encara.

— É verdade que você tirou Jughead Jones do parapeito?

— Sim. — Por favor, Deus, só queria que aquele dia desaparecesse.

Verônica olha pra Cheryl.

— Eu disse que era verdade. — Ela olha pra mim e revira os olhos. — Ele faz essas coisas mesmo. Conheço Jones desde o jardim de infância, e de lá pra cá ele só ficou mais esquisito.

Cheryl toma um gole.

— Eu o conheço melhor ainda — ela diz, num tom malicioso. Verônica dá um tapa em seu braço e Cheryl bate de volta. Quando terminam a brincadeirinha, Cheryl me diz: — A gente ficou no segundo ano. Jones pode ser esquisito, mas tenho que admitir uma coisa: ele sabe o que está fazendo. — A voz dela fica ainda mais maliciosa. — Ao contrário da maioria dos caras entediantes que estão por aí.

Alguns dos caras entediantes gritam do chão:

— Por que não vem experimentar, cachorra?

Verônica dá outro tapa em Cheryl. E elas continuam com a brincadeira.

Troco a mochila de ombro.

— Ainda bem que eu estava lá.

Pra ser mais exata, ainda bem que ele estava lá antes que eu caísse do parapeito e me matasse na frente de todo mundo. Não consigo imaginar o que seria dos meus pais, forçados a lidar com a morte da única filha que restava. E nem pareceria acidental. Esse é um dos motivos para eu ter vindo hoje sem questionar. Sinto vergonha de quase tê-los feito passar por isso.

— Lá onde? — Archie vem tropeçando com um balde de cervejas. Coloca no chão, derrubando gelo por toda parte.

Cheryl o encara com o olhar afiado.

— Na torre do sino.

Archie olha pros peitos dela. Depois se obriga a olhar pra mim.

— Por que você estava lá, afinal?

— Eu estava indo pro setor de humanas quando vi ele passar pela porta no final do corredor. A porta que vai pra torre.

— Humanas? Mas não é só no segundo período? — pergunta Verônica.

— Sim. Mas eu precisava falar com o sr. Feldman.

— Aquela porta fica trancada e bloqueada. É mais difícil de alguém abrir do que a sua calça, pelo que eu saiba. — Archie cai na risada.

— Ele deve ter arrombado.

Ou talvez tenha sido eu. Uma das vantagens de parecer inocente é que a gente pode fazer qualquer coisa. As pessoas nunca desconfiam.

Archie abre a cerveja e toma de uma vez.

— Que idiota. Você devia ter deixado ele pular. O imbecil quase arrancou minha cabeça ano passado. — Ele está falando do incidente com a lousa.

— Você acha que ele gosta de você? — Verônica me olha com cara de repulsa.

— Claro que não.

— Espero que não. Se eu fosse você, teria cuidado com ele.

Dez meses atrás, eu estaria sentada ao lado delas, bebendo cerveja, me enturmando e fazendo comentários espirituosos na minha cabeça: Ela pensa bem ao soltar essas palavras, como uma advogada tentando convencer o júri. “Protesto, srta. Monk.” “Me desculpe. Por favor, desconsidere.” Mas é tarde demais, porque o júri ouviu as palavras e não tira elas da cabeça — se ele gosta dela, ela também deve gostar dele…

Mas agora estou aqui, me sentindo indiferente e deslocada e me perguntando como um dia fui amiga da Verônica pra começo de conversa. O ar está pesado. A música, alta demais. Sinto cheiro de cerveja por toda a parte. Estou enjoada. Então vejo Leticia Lopez, repórter do jornal do colégio, vindo até mim.

— Tenho que ir, Verônica. Falo com você amanhã.

Antes que alguém diga alguma coisa, subo a escada e vou embora daquela casa.

A última festa a que fui aconteceu no dia 4 de abril, véspera da morte de Polly. A música e as luzes e os gritos me fazem lembrar de tudo. A tempo, afasto o cabelo do rosto, me abaixo e vomito no meio-fio. Amanhã eles vão achar que foi algum bêbado.

Procuro o celular e mando uma mensagem para Verônica.

Desculpa. Não estou me sentindo bem.

Bj, B

Viro pra ir pra casa e dou de cara com Ryan Cross. Ele está suado e despenteado. Os olhos grandes e bonitos estão vermelhos. Como todos os caras gatos, sempre abre um sorriso provocante. Quando sorri com os dois cantos da boca, aparecem covinhas. Ele é perfeito e conheço seu rosto de cor.

Não sou perfeita. Tenho segredos. Sou uma bagunça. Não só meu quarto, mas eu mesma. Ninguém gosta de bagunça. As pessoas gostam da Violet que sorri. Me pergunto o que Ryan faria se soubesse que foi Finch que me salvou, não o contrário. Me pergunto o que qualquer um deles faria.

Ryan me ergue e me gira, com travesseiro, mochila e tudo. Tenta me beijar e eu viro a cabeça.

A primeira vez que ele me beijou foi na neve. Neve em abril. Bem-vindo ao Meio-Oeste. Polly estava de branco, eu estava de preto, uma coisa meio sexta-feira muito louca que a gente fazia de vez em quando, irmã boa e irmã má com papéis invertidos. O irmão mais velho de Ryan, Eli, estava dando uma festa. Polly subiu com Eli e eu fiquei dançando. Verônica, Cheryl, Valerie, Josie e eu. Ryan estava na janela. Foi ele que avisou:

— Está nevando!

Dancei até lá, passando pela multidão, e ele olhou pra mim.

— Vamos.

Simples assim.

Pegou minha mão e corremos pra fora. Os flocos eram pesados como a chuva, grandes, brancos e brilhantes. Tentamos pegar alguns com a língua, e a língua dele encontrou minha boca. Fechei os olhos enquanto os flocos pousavam em minhas bochechas.

Lá dentro, barulho de gritaria e coisas quebrando. Sons de uma festa. As mãos de Ryan embaixo da minha camiseta. Lembro que estavam quentes, e no meio do beijo eu estava pensando: Estou beijando Ryan Cross. Coisas assim não aconteciam comigo antes de a gente se mudar para Indiana. Coloquei as mãos embaixo do moletom dele também e senti a pele quente e macia. Era exatamente como eu imaginava.

Mais gritos, mais coisas quebrando. Ryan se afastou e eu olhei pra ele, pra mancha de batom em sua boca. Eu só conseguia pensar: É o meu batom nos lábios de Ryan Cross. Ai- meu-Deus.

Queria ter uma foto minha daquele instante exato pra lembrar como eu era. Aquele foi o último momento bom antes de tudo ficar ruim e mudar pra sempre.

Agora Ryan me abraça e me levanta do chão.

— Você está indo pro lado errado, B. — Começa a me levar em direção à casa de Verônica.

— Já passei lá. Tenho que ir pra casa. Estou enjoada. Me põe no chão. — Dou soquinhos nele e ele me põe no chão, porque Ryan é um bom garoto, que faz o que mandam.

— O que aconteceu?

— Estou enjoada. Acabei de vomitar. Tenho que ir. — Dou tapinhas no braço dele como se fosse um cachorro. Viro e corro pelo gramado, desço a rua, dobro a esquina e vou pra casa. Escuto Ryan gritar meu nome, mas não olho pra trás.

— Você voltou cedo. — Minha mãe está no sofá com o nariz enfiado num livro. Meu pai está jogado do outro lado, olhos fechados, fones de ouvido.

— Nem tanto. — Paro no início da escada. — Só pra você saber, foi uma má ideia. Eu sabia que era uma má ideia e fui mesmo assim pra você ver como estou tentando. Mas não era uma festa do pijama. Era uma festa mesmo. Do tipo “vamos ficar bêbados e fazer uma orgia” — digo tudo isso como se a culpa fosse deles.

Minha mãe cutuca meu pai, que tira os fones. Eles sentam.

— Você quer conversar? Sei que deve ter sido difícil, um susto. Por que não fica um pouco aqui com a gente?

Como Ryan, meus pais são perfeitos. Fortes, corajosos e carinhosos e, embora eu saiba que eles choram, ficam com raiva e talvez até atirem coisas quando estão sozinhos, raramente presencio cenas assim. Pelo contrário: eles me encorajam a sair de casa e entrar no carro e voltar pra estrada. Eles ouvem e perguntam e se preocupam, e estão do meu lado. Aliás, estão do meu lado até demais agora. Precisam saber onde vou, o que faço, quem vou encontrar e a que horas pretendo voltar. Mande mensagem quando estiver indo, mande mensagem quando estiver voltando.

Cogito sentar um pouco com eles, só pra concordar com alguma coisa, depois de tudo que passaram, depois do que quase fiz passarem ontem. Mas não sento.

— Estou cansada. Acho que vou deitar.

Dez e meia da noite. Meu quarto. Estou com a pantufa do Freud, uma felpuda com a cara dele estampada, e meu pijama tem uns macacos roxos desenhados. É o que visto quando quero ficar feliz. Risco o dia com um “X” preto no calendário que fica na porta do guarda-roupa e me acomodo na cama, encostada nos travesseiros, livros espalhados pelo edredom. Desde que parei de escrever, leio mais do que nunca. Palavras de outras pessoas, não as minhas — minhas palavras se foram. Neste momento, estou curtindo muito as irmãs Brontë.

Amo meu quarto. O mundo é melhor aqui do que lá fora, porque aqui sou o que eu quiser. Sou uma autora brilhante. Posso escrever cinquenta páginas por dia e nunca fico sem palavras. Sou uma futura aluna de escrita criativa na NYU. Sou a criadora de uma revista on-line popular — não a que fiz com a Polly, uma revista nova. Sou destemida. Sou livre. Estou segura.

Não consigo decidir de qual das irmãs Brontë gosto mais. De Charlotte não, porque ela parece minha professora do sexto ano. Emily é feroz e despreocupada, e Anne é a ignorada. Torço por Anne. Leio e depois fico deitada em cima do edredom olhando pro teto. Desde abril tenho a sensação de que estou à espera de alguma coisa. Mas não faço ideia do quê.

Depois de um tempo, levanto. Há pouco mais de duas horas, às 19h58, Jughead Jones postou um vídeo no Facebook. Ele tocando guitarra, sentado onde imagino que seja seu quarto. A voz é boa, mas rouca, como se tivesse fumado muito. Está inclinado na guitarra, o cabelo preto caindo nos olhos. A imagem está embaçada, como se tivesse filmado com o celular. A letra da música é sobre um cara que pula do telhado da escola.

No fim da música, ele fala pra câmera:

— Betty Cooper, se você vir isso, ainda deve estar viva. Por favor, confirme.

Fecho o vídeo como se ele pudesse me enxergar. Quero que o dia de ontem, Jughead Jones e a torre do sino sumam. Pra mim, aquilo tudo foi um pesadelo. O pior deles. O PIOR que já tive.

Escrevo uma mensagem privada: Por favor, apague o vídeo ou edite o que falou no fim pra ninguém mais ler/ ouvir.

Ele responde imediatamente: Parabéns! Imagino, pela mensagem, que está viva! Agora que sei disso, acho que devemos conversar sobre o que aconteceu, já que você é minha dupla no projeto. (E ninguém além de nós vai ver o vídeo.)

Eu: Estou bem. Quero muito parar de falar disso e esquecer que aconteceu. (Como você sabe?)

Jones: (Porque só entrei no Facebook pra falar com você. Além do mais, agora que você já viu, o vídeo se autodestruirá em cinco segundos. Cinco, quatro, três, dois…)

Jones: Por favor, atualize a página.

O vídeo some.

Jones: Se você não quiser conversar pelo Facebook, posso ir aí.

Eu: Agora?

Jones: Bom, teoricamente, em cinco ou dez minutos. Tenho que me vestir primeiro, a não ser que você prefira que eu vá pelado, além do tempo que vou gastar no caminho.

Eu: Está tarde.

Jones: Isso é relativo. Olha só, eu não acho que está tarde. Eu acho que está cedo. É o início das nossas vidas. O início da noite. O início do ano. Se você parar pra pensar, vai ver que está mais cedo que tarde. A gente só vai conversar. Nada mais que isso. Não estou dando em cima de você.

Jones: A não ser que você queira. Que eu dê em cima de você.

Eu: Não.

Jones: “Não”, você não quer que eu vá, ou “não”, você não quer que eu dê em cima de você?

Eu: Os dois. Todas as anteriores.

Jones: Tá bom. A gente pode conversar na escola. Talvez na aula de geografia, ou posso procurar você no almoço. Você em geral está com Verônica e Archie, né?

Ai, meu Deus. Faz isso parar. Faz ele desistir.

Eu: Se você vier aqui hoje, promete parar com isso de uma vez por todas?

Jones: Palavra de escoteiro.

Eu: Só pra conversar. Nada além disso. E tem que ser rápido.

Assim que escrevo, me arrependo. Verônica e a festa estão ali, a poucas quadras. Qualquer um pode passar por aqui e ver Jughead.

Eu: Você ainda está aí? Ele não responde.

Eu: Jughead?


Notas Finais


bjao


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