História Por trás da farda. - Capítulo 11


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Capítulo 11 - O capitão perfeito.


Estava almoçando com o restante da equipe Alfa, sobre a entrada do substituto de Luther, Maxwell. Alex não teve muito o que fazer além de ouvi-los, já que não teve tempo de conhece-lo bem. Era claro que sentiam a falta de seu colega de equipe, mas ouvindo deles era surpreendente ver o quanto pensavam nele e o quanto realmente sentiam carinho. Estavam tristes por sua perda e pela perda da família de seu parceiro. Imaginavam o quão difícil seria para a esposa dele suportar o ocorrido, por suas filhas e por si mesma.

Era ótimo ouvi-lo fora de uma missão. Sua feição irritadiça e desconfiada havia sido desacreditada depois de passarem as manhãs da última semana juntos. Viu o quão atencioso e preocupado Chris era com quem ou o que era importante pra si. Tirando sua irmã, Claire, sua família era a BSAA. Sua casa era a BSAA. Era onde ele amava estar e onde ele fazia o que realmente amava. Era como se ele tivesse nascido para aquilo. Suas palavras e brilho nos olhos ao contar seus atos heroicos eram notáveis. Sentia um orgulho enorme de si mesmo por, cada dia mais, se empenhar pelo bem maior. Ele não era egoísta. Priorizava a vida de todos, como se os conhecesse a anos, como se fizessem parte de sua vida, como alguém nobre, sendo capaz de fazer qualquer coisa pelo bem da humanidade. Sua reputação não era à toa. Ele não era somente bom no que fazia, era o melhor. A palavra herói não estava apenas em seu título, mas em cada pequena atitude que tomava.

Naturalmente, havia se tornado fã de Chris Redfield.

- Tá tudo bem? – ele perguntou.

- Sim, senhor. - colocou a colher na boca.

- Vocês vão treinar com os alvos fixos hoje? – Chris perguntou.

- Sim. – Piers respondeu. – Até que ela esteja bem pra treinar com os alvos em movimento. – encararam-se.

- Se precisar de qualquer ajuda, conte comigo. – desviou o olhar de Piers, olhando para o capitão Redfield.

Estava feliz por estar em uma equipe com um capitão tão atencioso, que tinha boa vontade em ajudá-la a ponto de deixar suas tarefas para depois, priorizando estar com ela e contribuir com sua melhora.

- Tenho que ir. – Chris se levantou. – Até mais tarde, equipe. – acenou positivamente com a cabeça.

Olhou para o lado e Piers observava fixamente os movimentos do capitão até a mesa onde deixavam as bandejas e utensílios após a refeição.

- Tá tudo bem?

- Sim. – ele a olhou, sorrindo. – Só estou pensando em como te introduzir aos alvos em movimento.

- Talvez o capitão Redfield possa ajudar nisso.

- É. – ele concordou. – Talvez ele possa.

 

***

Semanas haviam se passado desde a morte de Luther, mas ela ainda era sentida profundamente. Os soldados aprendiam a ser mais sérios, a demonstrar menos o que sentiam e a pensar com a razão. Não que priorizassem o objetivo da missão, mas entendiam que nada é totalmente previsível, então deveriam estar sempre preparados para perder alguém. Lidar com a frustração de dar o seu máximo por algo ou alguém e, no final, perde-lo era o mais difícil.

Alex estava sentada de frente pra ele, do outro lado da mesma, tendo Piers de um lado e David do outro. Ela parecia um tanto deslocada. Estava quieta e, enquanto comia, apenas balançava a cabeça, buscando compreender seus colegas. Infelizmente não houve tempo para que eles se conhecessem melhor, para que criassem uma relação de amizade e talvez até de família.

Com pesar, admitia que perde-lo foi uma das maiores dores de sua carreira. Eram como irmãos e Luther, sem ao menos pensar por um só segundo, sempre apontava os defeitos e atitudes que Chris deveria mudar, claro, sem tentar mudar a sua essência. Era um ótimo ouvinte, costumava não julgar as ações das pessoas antes de ter uma explicação delas e acreditava inteiramente que qualquer pessoa é capaz de se arrepender de um feito do passado e mudar, inclusive loucos bioterroristas.

- Tá tudo bem? – perguntou a ela.

- Sim, senhor. – a observou voltar a colher na boca.

- Vocês vão treinar com os alvos fixos hoje?

- Sim. – Piers respondeu. – Até que ela esteja bem pra treinar com os alvos em movimento.

- Se precisar de qualquer ajuda, conte comigo. – olhou para Alex, que sorriu em agradecimento.

- Tenho que ir. – levantou-se. – Até mais tarde, equipe. – despediu-se de seus colegas.

- Sala 013: Arquivos –

Não faltava muito para dar fim aos papéis entregues por Franklin. Eram apenas mais algumas vistas e assinaturas até estar livre. Nunca pensou que fosse possível sentir sua mente se cansar tanto. Aquilo era algo incomparável ao cansaço físico. Era como se, naquele estado, mesmo com resistência física ótima, se tivesse a cabeça cheia, de nada valia o esforço para fortificar seu corpo. Haviam tantas equipes sendo enviadas para tantas missões. Apenas gostaria que a Alfa fosse convocada. Mesmo que ele tivesse credibilidade como líder em missões e que toda a sua equipe fosse capacitada para lutar contra quaisquer eventos, aparentemente Franklin e os outros diretores queriam poupá-los para algo maior. Na verdade, preferia acreditar que estavam poupando as habilidades da equipe.

***

- Tá tudo bem? – o capitão perguntou a ela.

- Sim, senhor. – ouviu Alex responder.

- Vocês vão treinar com os alvos fixos hoje?

- Sim. – respondeu a pergunta de Chris. – Até que ela esteja bem pra treinar com os alvos em movimento. – encarou Alex, que o fitou de volta.

- Se precisar de qualquer ajuda, conte comigo. – desviou o olhar de Piers, olhando para o capitão Redfield.

“Se precisar conte comigo.”

Repetiu em pensamento, imitando a voz do capitão.

Eles dois estavam de conversa há semanas, cada dia mais íntimos um do outro. Não sabia os assuntos que eles falavam, mas quando estavam juntos, próximos a si, era fácil notar que havia uma química além de capitão e soldado. Eles viviam sorrindo um para o outro, rindo... Como se fossem conhecidos de longa data. Julgava a relação deles baseada na sua com ela, que era até que bastante parecida, com a diferença de que levou mais tempo para que chegassem ao nível atual de companheirismo.

- Tenho que ir. – Chris se levantou. – Até mais tarde, equipe. – não se deu ao luxo de olhá-lo.

Assim que o capitão se afastou um pouco do local onde estavam, acompanhou sua trajetória até a bancada onde deixou a bandeja.

Alguma coisa em si estava completamente desgostosa e um tanto desconfortável com a relação entre Alex e Chris. Ele era 10 anos mais velha que ela e deveria se colocar em seu lugar, ser profissional e agir de acordo com o título que lhe era dado. Além do mais, com aqueles músculos e aquele rosto, atraía a mulher que quisesse, não precisava deixar seus princípios de lado para apostar em um soldado.

- Tá tudo bem? – foi surpreendido pela pergunta de Alex.

- Sim. – a olhou, sorrindo, tentando disfarçar seu pensamento. – Só estou pensando em como te introduzir aos alvos em movimento.

- Talvez o capitão Redfield possa ajudar nisso. – Alex aconseulhou.

“Talvez o capitão Redfield possa ajudar nisso.”

Era sempre como se Chris fosse algum tipo de realeza. A BSAA parecia pouco se importar se ele foi ou não um sobrevivente de Raccoon City. Ela tinha em mãos os mais capacitados soldados do mundo e poderia substitui-lo facilmente. A não ser pelos diretores em postos mais baixos, em especial os de Bawnery Lake. Eles tinham uma admiração imensurável pelos feitos de Redfield e acreditavam cegamente que tê-lo consigo, era a chave para serem bem sucedidos. Claro que era fã dele desde seu ingresso na BSAA, o admirava e um dia gostaria de ser dono das habilidades quase que únicas de seu capitão, mas achava um exagero o modo com que o tratavam, frisando que ele era o herói, sendo que muitos soldados ali eram igualmente corajosos e dariam a sua vida pela causa assim como Chris. O cara era mais uma celebridade no mundo do bioterrorismo do que outra coisa.

- É. – ele concordou. – Talvez ele possa.



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