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História Por trás da farda. - Capítulo 20


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Capítulo 20 - O beijo esperado.


Ainda conversava com David sobre as possíveis mudanças que a BSAA faria em suas políticas em breve. Não eram do agrado de todos, mas como tudo na vida, jamais será possível agradar cem por cento do público. Seu colega de equipe claramente não era adepto às ideias da corporação, mas seu amor pela causa o fazia aceitar tudo. Às vezes pensava que ele apenas gostava de falar muito sobre qualquer assunto, então preferia falar mal de algo simplesmente por não ter do que falar bem.

Uma vez e outra, no momento em que David abria a boca para soltar seus argumentos contra as mudanças, Chris aproveitava para se deleitar em seu copo de whisky.

Respirou fundo, por alguns instantes até esquecendo que seu colega estava lá.

- Eu sabia. – saiu de seus pensamentos pela frase dita por David.

Não entendeu. Ele estava olhando para algum lugar fixamente, gargalhando como se tivesse orgulho do que via. Tentou acompanhar o olhar dele até chegar à cena que atraía a atenção de seu parceiro.

Respirou fundo, sentindo o coração palpitar e o corpo levemente estremecer. Seus olhos enchiam-se de água junto a uma agonia e recusa de seu estômago.

Alex e Piers estavam no meio da pista de dança, se beijando com uma música romântica de fundo.

Respirou fundo, sentindo uma leve decepção invadir seu peito e um desconforto incomodar a boca de seu estômago. Não conseguia acreditar no que via. Como se estivesse em outra realidade, sentiu como se o mundo parasse naquele instante, como se a música sumisse e as pessoas à sua volta não existissem. Como se aquela cena fosse algum tipo de castigo.

Um dia, quando viu os dois se abraçando, chegou a pensar que eles fariam um belo casal. Tinham uma química clara e inexplicável. Além de amigos, era possível sentir que havia um sentimento maior através de um misero olhar trocado por eles. Mas mesmo que soubesse disso e que até apoiasse se um dia a relação deles evoluísse para um novo grau, naquele momento não podia dizer que estava completamente feliz com o visto. Algo em si estava completamente desgostoso.

- Eles fazem um belo casal, não acha?

Consentiu, balançando a cabeça e voltando o copo para sua boca.

Pensou que, há pouco tempo atrás, estava sentada com ela no balcão, cara a cara, com os rostos se aproximando cada vez mais. Admitia que queria beijá-la, mas não daquela maneira. Ela não estava completamente bem. Gostaria que, se acontecesse, fosse de maneira certa, que os dois estivessem bem não só em questão de bebida, mas também na questão sentimental. Talvez o beijo pudesse vir a ser um arrependimento pra ela. Via o quanto ela gostava de Piers e o quanto não queria perde-lo. Não queria interferir no que eles sentiam, mas ficar tão perto dela mexeu consigo de alguma maneira.

***

- Você tá bem?

- Estou. – sorriu, bufando e baixando o olhar. – E você? – voltou a encará-lo.

- Estou. – respondeu enquanto ele abraçava sua cintura.

O observou por alguns segundos, sem pensar em mais nada. O admirava em todos os sentidos. Ás vezes, diante de algumas situações, se perguntava como alguém como ele poderia existir. Não era perfeito. Tinha seus pensamentos, defendia seus ideais e não abria mão de ser justo. Era um homem gentil, carinhoso, atencioso e que não precisava de toques ou palavras para mostrar isso. Se esforçava ao máximo para sempre fazer o seu melhor e não prejudicar qualquer pessoa a sua volta.

Suspirou.                                         

- Aconteceu algo?

- Não. – respirou fundo e sorriu. – É que... – tirou a mão direita da nuca dele levou até sua bochecha, a acariciando ternamente. – Você é muito bonito.

- Você também é. – sorriu de volta. – Linda.

A beleza daquele garoto era surreal. Naquele momento seus olhos brilhavam ainda mais embaixo da pouco luminosidade e as sardas em seu nariz estavam bem destacadas. Seus lábios estavam entreabertos e sua respiração quase imperceptível.

Tirou a mão esquerda da nuca dele e, calmamente, a levou até a outra bochecha dele, acariciando seu rosto até a parte de trás de sua orelha.

Ele se aproximou, a abraçando mais forte.

Respirou fundo, sentindo o corpo dele junto ao seu.

Observava seu olhar e era como se, mesmo em meio a serenidade neles, sua mente estivesse em outro lugar, viajando. Ele a encarava quase que com seriedade, sem ao menos piscar.

Aos poucos, sem perceber, ambos aproximaram os rostos e assim que Nicole sentiu o nariz dele tocar o seu, parou. Será que aquilo era o que ela realmente queri...

Ele a beijou.         

Nos primeiros segundos não entendeu o que estava acontecendo, mas por alguma razão estava gostando. Há um certo tempo sentia um carinho especial por ele, mas nunca imaginou que poderia passar de sentimentos de amigo para amigo. Até aquele momento, até vê-lo daquele maneira, até ser beijada por ele, foi cega. Era como se o toque de seus lábios abrisse a sua mente para todas as pequenas situações que fizeram, aos poucos, seus sentimentos despertarem. Não era ético e muito menos certo, mas era a realidade. Entre os lábios dele se lembrava dos momentos em que por instantes soube que ele não era apenas um colega de trabalho, alguém que admirava por tamanho conhecimento e experiência. Ele era incrível. Um homem apaixonante que a fazia se sentir sortuda por estar em seus braços naquele momento.

***

Seus lábios se tocavam tão rápida e delicadamente. Sentia com o ritmo do beijo sendo intensificado por ambas as partes que ela queria o mesmo.

Seu corpo tremia entre as mãos dela, sua respiração ofegava por não querer cessar aquela ação tão cedo. Estava completamente feliz por ser correspondido. A ferocidade com que se sentia tocado era o que lhe dizia que estava tudo bem, que não precisava se sentir inseguro ou ter medo do que sentia, pois não se arrependeria, não precisaria lutar para esquecê-la.

Alex era linda. Tinha determinação o suficiente para conseguir qualquer coisa. Era corajosa a ponto de ter arriscado a vida para salvá-lo. Tinha alegria, vontade e entusiasmo para lidar com qualquer situação. Tinha olhos que falavam, um sorriso que iluminava e um calor que acalentava qualquer um. Seu coração era bom e seu gosto por ajudar a todos era completamente visível. Era impossível não gostar dela.

Sentiu os lábios dela se afastarem dos seus e ficou por alguns segundos ainda de olhos fechados.

Assim que os abriu, a viu olhando para si, sorrindo ternamente enquanto acariciava seu rosto.

Sorriu de volta, suspirando.

 

 



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