História Por Trás da Morte - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Tags Original, Romance
Visualizações 5
Palavras 2.365
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Fantasia, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - O Relato de Dinardo


Seus cabelos longos, seu sorriso, sua personalidade, nunca estive no estado que aquela pequena menina me deixou. Não sou o tipo de pessoa que se vê como príncipe encantado de alguém, talvez possa cantar uma bela canção e tocar corações com meu alaúde, mas nunca a ponto de me tornar o príncipe para alguém. Sempre fui das ruas, sempre brinquei com meus amigos, aprontando com toda a vizinhança, ou ao menos em minha infância, bons tempos que se foram. Mas não me arrependo de absolutamente nada do que me tornei, e de nenhuma atitude que tomei para o bem de minha amada, principal motivo de todas as minhas mudanças. O fantasioso sempre me encantou, tive sempre crença forte, sabia que magos existiam, ou existiram, e que não eram simples contos de fada, nunca acreditei no acaso, acho que as entidades que regem nosso mundo tem planos demais para deixar algo acontecer sem um propósito. Em meio as minhas molecagens, sempre que possivel conseguia nem que seja emprestado, livros sobre coisas ocultas, magias, criaturas, e todo esse mundo que me fascina, li contos de bardos que usavam magias por meio de suas canções e sempre traziam a paz por meio dos encantamentos de seus alaúdes, foi assim que me inclinei para o lado deste instrumento. Gosto tanto deste mundo que nem percebi que este não é o proposito deste relato. Primeiramente, permita que eu me apresente, me chamo Dinardo, Dinardo Le' Moir, ou pelomenos este era meu nome... A vida sempre me surpreendeu no assunto crença, mas sempre reforçando o que eu acreditava, como um recado subjetivo que estava pensando no caminho certo, o que me encorajava cada vez mais a crer. Como disse anteriormente, nunca acreditei no acaso, e hoje vou contar como um acontecimento que para muitos seria pura obra do acaso me procou que de fato, o acaso não existe.

Era cedo, o dia estava bonito, agradável de se observar e não encomodava na temperatura, levantei de minha cama, com os olhos um pouco embaçados por ter dormido demais, estava cansado, tão cansado que deixara em minha mesa um livro que poderia ler incansatemente até que chegasse a ultima pagina, "O Fulgor do Ocultismo" dizia a capa. Mas hoje não era dia para isso, afinal, hoje era o festival que acontece anualmente em uma vila proxima a minha, deveria sair cedo de casa para que chegasse na hora de seu inicio, já era tarde para isso, mas não poderia perder, então me apressei e saí de casa, pegando um casaco após minha mae me adivertir de que o tempo poderia esfriar. Coloquei ele no ombro, e apressei o passo, afinal, não possuia cavalos ou carroças... Como queria ter um cavalo... Chegando perto de la, vi barracas, brinquedos e tudo que me dava aquele ar de nostalgia de todos estes anos que presenciei este festival, foi então que apressei o passo, e comecei a subir uns 5 degraus que haviam na entrada e fui surpreendido por um pequeno grito de susto, meio baixo e timido, e um som de algo caindo, foi quando olhei para trás, um pouco abaixo de minha cintura, uma moça havia tropeçado perto de meu sapato. Um vestido lindo, unico, nunca tinha visto em lugar algum, não parecia ser algo comprado, cabelos ruivos, sua cabeça se erguia muito timidamente em direção a mim, foi então que vi olhos azuis, não simples olhos azuis, mas os mais lindos que pude ter a honra de ver, estendi a mão e perguntei o nome da senhorita, Martha, não era um nome diferente do que tinha visto, mas combinava com ela. Foi então que decidi, usando minha crença, que não ia deixar esse encontro passar por mim sem fazer algo, fazer aquela menina se lembrar de mim de alguma forma que seja, mas não possuía muitos artificios para isso. O arrependimento passava por minha cabeça a cada instante, deixara meu alaúde encostado na porta de meu quarto, não tinha algo impressionante para mostrar a garota. Foi quando eu coloquei a mão em meu bolso e lembrei de umas moedas que meu pai havia me dado para aproveitar o festival. Pedi que ela me aguardasse em um banco, ali por perto, peguei meu dinheiro, me concentrei, e paguei para participar de um brinquedo que era algo como bater um martelo forte, fazer uma bolinha chegar num ponto alto e levar um prêmio, um classico teste de força, olhei para onde Martha estava para pegar um pouco de coragem, ela me acompanhava com o olhar fixamente, e por ela usei toda a força que podia, conseguindo o prêmio, haviam varios ali, mas o que julguei mais marcante era um anel, não sabia a procedência, mas esperava que ela analisasse a ação e não o material. Voltei tentando ao maximo não demonstrar o quão feliz eu estava por ter conseguido e estar indo presentear ela, mas não me lembro se consegui bem esconder isso, estava ofegante pela martelada, mas segurei e tentei manter uma respiração lenta. Posicionei o anel em minha mão, foi então que notei que estava tremendo, não sei se pelo esforço feito ou por estar tenso, mas tentei esconder também e ser o mais delicado possivel. Ajoelhando em frente ao banco coloquei o anel em seu dedo e disse alguma frase improvisada na hora, algo para fazer ela não se esquecer de mim, estava feito, tinha orgulho de minha ação, pela expressão dela eu havia conseguido. Foi então que passamos aquela tarde toda nos conhecendo e no fim dela sim, eu a beijei, toquei aqueles lábios,  não me sinto muito a vontade para descrições complexas, mas me senti muito bem e pensei nisso por dias. Voltando para casa, contei tudo a meu pai que observou com olhos de alguém que estava com extremo orgulho do filho, coisa de pai. Desde aquele dia, trocamos cartas, nunca tinha escrito muito na vida, e a pior parte, meus amigos vinham na minha casa todo o dia, me chamar, e eu estava lendo incansantemente suas cartas ou escrevendo as minhas, senti que eles estavam bastante chateados comigo, eu prezava muito eles, mas não ia na vila com eles, estava realmente sendo o tipo de amigo que não gostaria que fossem comigo, não me orgulho disso, eles não tinham culpa. Com o passar dos anos como meus planos, fomos morar juntos, sempre que podia, cantava canções para ela, e não pensei que fosse tão bom olhar seus olhos, encantados pelas notas de meu alaúde, acho que errei diversas notas inclusive, me perdendo no mar de seus olhos, mas não creio que ela tenha percebido, eu acho.

O tempo passou, minha amada foi diagnosticada com uma doença que podia ser fatal, isso realmente mexeu com meu psicológico totalmente, mas como naquele dia, procurei fazer com que ela não notasse meu estado interno. Minha vida desabou quando vi o estado dela piorando, e por mas que fosse dificil aceitar, conseguia ver claramente, que a morte não estava muito longe, não poderia ficar ali parado, tinha que fazer algo a respeito, foi então que regressei aos meus livros, e estudei como nunca havia estudado antes, quando em um ato de desespero, fiz um ritual que todos os livros diziam ser perigoso, não importava, minha vida era desprezivel, apenas queria que ela pudesse ver a luz do sol mais vezes, respirar e habitar esse mundo até a sua hora real chegar, meu amor era capaz de superar qualquer barreira, e faria o que fosse necessario por ela. Ela ja tinha ido dormir, então saí de casa, com meus livros, amuletos entre outras coisas em mãos, fiz o ritual e invoquei a morte em um ato de desespero, seja lá qual fosse o momento de Martha, com certeza, essa entidade estaria diretamente ligada de tirar sua vida. Com uma tunica preta, não era ao certo uma tunica de pano, parecia algo como uma fumaça que cobria todo o seu corpo, assim como uma tunica, veio do meio da floresta, conseguia ver sua aparencia, era um esqueleto, possuia uma foice forjada em ossos, e um colar, é tudo que me lembro, um ar frio tomou conta do ambiente. "estou cansado, pessoas vem ao mundo, tem uma vida inteira, e eu apenas ponho fim a elas, seria contra as regras que sigo, mas poderia dar seu tempo de vida restante a sua amada, mas por um preço" disse, a entidade descarnada com uma voz lenta e grossa após ouvir minhas palavras de desespero implorando por uma solução, não importava qual. "Estou disposto a fazer o que for preciso", disse sem pensar muito "Quero que assuma meu posto, e então, seu tempo de vida sera trocado pelo de sua amada. Devo notificar que ela possui apenas mais 2 dias". Me assustei com o tempo, engoli seco, não sabia o que era ser a morte, ceifar vidas, mas tenho certeza de que era melhor do que assistir minha amada ser ceifada, foi então que aceitei a proposta, e me condenei a meu estado atual. E como ja havia dito, não me arrependo pelas atitudes que tomei, e faria novamente se fosse necessario, meu amor é incondicional. A morte deveria obedecer algumas regras tais como, não influir no tempo em que as pessoas deveriam morrer, não se envolver emocionalmente com as por assim dizer "vitmas" entre outras regras, porém, me questionava a quem caberia me punir, afinal, eu seria a própria morte, mas, sabia que o andamento do mundo não deveria ser mudado, e que as coisas possuem uma ordem natural para acontecer, portanto, não tinha nenhuma pretensão em quebrar estas regras. Minha conversão foi um tanto dolorosa, minha alma se soltou de meu corpo, o jogando sem vida no chão de minha casa, foi então que a senti queimar e mudar de forma, não era um esqueleto completo, mas não me caracterizava como estava acostumado agora, imagino que fosse questão de tempo até eu me tornar o que a antiga morte era, não era mais Dinardo Le' Moir, mas sim Dinardo Le' Morte, como passei a ser chamado. Meu colar me indicava para onde eu deveria seguir, e minha foice era usada para finalizar o ato, em algum tempo ja tinha aprendido como "ser a morte", mas não me sentia confortável, tirar vidas e ser frio não era o que eu queria, porém, a cada morte, estava mais frio, e me acostumando mais...

O sereno caía sobre a fria noite da vila de minha amada, sem ela saber, a visitava todos os dias, li todos os contos, e lamentei saber o motivo de ela ter voltado a escreve-los, desci mais uma vez até sua casa, ela estava em sua sala, onde eu havia deixado meu corpo carnal, sentada em uma cadeira, pernas fechadas, o mesmo vestido de quando a conheci, segurando o patuá que fiz para protegê-la, olhos com lágrimas escorrendo. Uma música de fundo tocava, foi quando ela se levantou e fechou seus olhos, eu me aproximei, e como se ela soubesse que estava ali, ergueu seus braços e me abraçou, levei rapidamente minhas mãos a frente de meu rosto, temendo que ela pudesse ver aquela forma horrenda que havia me tornado, porém, era apenas a imaginação dela, ou intuição divina, não estava certo do que era, mas ela não podia me ver. Foi então que ela deu alguns passos, como uma valsa... Eu dancei com minha amada... Não tinha mas um coração para sentir pulsar, mas de alguma forma me emocionei muito com aquele ato, mas meu novo "corpo" não conseguia demonstrar nada... Foi quando a música acabou, por impulso, levei minha mão quase sem carne até seu rosto, acariciei sua face, ergui meu dedo indicador, o levando até pouco abaixo de seus olhos, com intenção de limpar suas lágrimas, mas assim que o fiz, a lágrima escorreu mais rapido atravessando meu dedo e caindo sobre o chão, eu não possuia mais um corpo material, não era capaz de interagir com o físico. Então me afastei, e voltei a minha função. Os anos se passaram, varias pessoas morriam diariamente, e eu já possuía frieza ao fazer o que deveria ser feito, o único momento que minha forma conseguia sentir e aproveitar de algum sentimento, por mais isso devesse ser impossível, era no contato com minha amada, foi então que meu colar me guiou por caminhos ja antes conhecidos, era hora de dar fim ao que deu inicio a minha vida de verdade. Uma mistura de sentimentos tomaram a mim ao me aproximar, alegria e tristeza, alegria por poder interagir com ela, novamente, porém, tristeza por tirar a vida de uma forma tão linda e pura como era a de minha amada. Foi então que tive minha ultima valsa com o corpo dela, seu semblante era de tristeza como sempre, e quando a música acabou, aproximei meus lábios aos dela, eu conseguia sentir como se fosse nosso primeiro beijo naquele festival e lentamente, passei minha foice atravessando seu pescoço, enquanto afastava meu rosto do dela... Almas são ceifadas e colocadas dentro do colar, e então entram em um processo de esquecimento de suas experiências carnais e saem de lá puras, prontas para darem vida a um recém nascido. Porém me recusei a fazer esse processo, afinal, eu sou a morte, quem estaria acima de mim? Eu não havia burlado regra alguma, então acho que esta não me condenaria com seja la quem pudesse me punir, afinal, a antiga morte quebrou regra uma ao fazer aquele acordo. Foi então que seu corpo caiu sem vida naquele mesmo chão em que deixei a vida, e Martha estava comigo novamente, eu apenas precisava fazer uma coisa... Sua alma queimou como a minha havia queimado anos atras, não estava me aposentando de meu cargo, mas sim, a convertendo, assim, poderíamos bailar todas as noites e viver um amor eterno! "Acalme-se minha amada, a dor vai passar". Após isso ela me olhou, se emocionou com meu contato embora tenha estranhado a minha forma atual, ela ainda me amava, e parecia que esperava por este momento. Não sou o tipo de pessoa que se vê como príncipe encantado de alguém mas aqueles olhos azuis da cor do mar, fizeram eu me sentir um.
 



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