História Por Trás das Cortinas - Capítulo 7


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman
Tags Rivamika
Visualizações 51
Palavras 1.504
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Capítulo VII


Alguns momentos ficam registrados na nossa memória, mesmo depois de muito tempo, aquela cena continua presa e estendida diante dos nossos olhos, você então se torna obrigado a contemplar isso mesmo que não queira. E há o sentimento preso à imagem também, quando lembrar, talvez você acabe sentindo uma fração daquele sentimento. É mais ou menos assim que a queda começa. No escuro. Quando você pensava que o terreno era seguro, mas não era.

Eu estava estática, suja de sangue e com uma dor no peito onde o soco acertou, Levi e o Sr Grisha estavam no andar de cima e eu fiquei no meu quarto relembrando aquelas palavras, o olhar dele...

Eu precisava limpar a sujeira do quarto do Kenny assim como me recompor, necessitava de um pouco de controle e sangue frio para me acalmar. Eu pensava que ele estava morrendo, pensava que eu seria a causa disso, mas foi apenas um desmaio. E eu sentia como se ele ainda estivesse morrendo bem na minha frente. 

- Mikasa? Pode entrar? 

Ele estava parado na porta como uma aura superior sabe lá por quanto tempo apenas olhando a moça na cama. Ele deveria ser acostumado com situações de tensão extrema, piores do que aquela, eu não.

- Eu... ele está bem? 

- Sim. Eu já dei um pouco de leite pra ele e dormiu de novo. Você está bem?

Balancei a cabeça imaginando os métodos do Levi de dar leite ao Kenny. Tudo isso por causa de um maldito casamento que nós não queríamos. Ele acabou sentando ao meu lado, os braços cruzados no peito e o olhar fixo no chão. Não sei o que ele estava pensando, sua expressão era mínima, pesarosa, mas não entregava muita coisa. 

- Eu estou bem. Só preciso de um banho. - comentei enfiando as mexas de cabelo atrás da orelha. 

- Você já comeu alguma coisa desde que ele começou com isso? 

Neguei. Eu não pensava muito em mim mesma quando Kenny estava naquelas situações. Quem pensaria? 

- Você não pode ficar sem se alimentar, já que está cuidando dele. E precisa estar saudável também, Mikasa. 

- Eu estou saudável. 

O braço dele se moveu e a mão segurou meu rosto forçando contato visual, para quem gostava de se esconder virando o rosto, foi um momento desconcertante e necessário para nós dois. Eu estava à mercê e eu precisava do sentimento de segurança que ele proporcionou com apenas um olhar discreto e seus comentários duros.

- Você está pálida e vai piorar se não ficar atenta sobre sua saúde agora. Você sabe que é disso para pior... - os olhos me encaravam mais sutis, ternos, ele queria me preparar eu acho, mas como você se prepara para a morte?

- Tudo bem. Eu vou cuidar disso.

Ele abaixou o braço quebrando o sentimento e levantou. 

- Espero que leve a sério o que eu disse. Tudo que eu disse. Se precisar de ajuda, pode me chamar. 

Balancei a cabeça, ele era inteligente demais para começar uma argumentação comigo e eu estava grata por isso. Às vezes, eu tinha a sensação que ele sempre sabia como direcionar as coisas, como conduzir uma situação até tê-la como queria, ele sabia como me alertar sem me deixar com raiva. Porque ultimamente muitas coisas começaram a me deixar irada e eu sabia que era apenas o meu jeito de mostrar resistência ao que vinha pela frente. 



- Como vão as coisas por aqui? - Armin perguntou sentando do outro lado do balcão enquanto eu preparava chá para nós dois. Foi um dia cansativo revezando os serviços entre Kenny e o restaurante, Levi fez a maior parte enquanto eu me encarregava do restaurante. 

O avô do Marco não havia melhorado ainda, então acabei lhe dando o dia livre.

- Vai chover logo... - comentei notando as nuvens escuras através da primeira janela. - Do mesmo jeito..., Kenny descobriu a chantagem emocional. Ficar sem comer não adiantou, então agora ele fez voto de silêncio. 

Armin riu, apesar de trágico, eu acabei rindo também, porque isso era algo que só Kenny poderia fazer. Eu estava rindo, mas com um nó na garganta que já estava evoluindo para um berreiro, pontadas no coração que balançaram tudo. Armin, bondoso e gentil como sempre, segurou minha mão percebendo a mudança da chuva para tempestade. Ele sempre soube ler minhas expressões e tudo que tinha a ver comigo, ele sempre soube que eu me enfiaria em um buraco para salvar um animal ferido. Então talvez porque ele disse, eu tenha levado em consideração dessa vez. 

- Você já está se preparando, não é? Sabe que eu vou estar aqui sempre, Mikasa. - comentou com sua voz de derreter geleiras. 

Sorri procurando algum controle, qualquer coisa, e lá estava Levi surgindo com metade da camisa suja de mingau. Ele parou na entrada, o quarto dele ficava na cozinha. Olhou do Armin para o meu rosto e o saudou com toda a raiva que o Kenny desperta em qualquer pessoa quando está possuído pelo espírito das trevas. 

- Ainda tem mingau? 

- Tem. 

Eu já esperava por isso, então comecei a fazer uma quantia que sobrasse. Às vezes ele tomava sem fazer briga e eu bebia o que sobrava.

- É com ele que você deveria casar? - Armin perguntou depois que a porta fechou. - Ele é diferente. Eu diria que combina com você. 

- Ele é o sobrinho do tio Kenny. - comentei levantando do banco. - Armin? Você acha que seria tão ruim assim mentir para um moribundo? Se isso puder deixá-lo feliz? 

Armin sorriu coçando a falha em sua sobrancelha. Eu comecei a pensar nisso como algo sério depois que ele teve o chilique.

- Se vocês forem mais inteligentes que ele, talvez dê certo.

É claro, Kenny era tudo menos idiota. Ele iria farejar uma mentira como um abutre, mas naquela situação, foi o único remédio que me restou. 



- Ele te bateu? - perguntei colocando a tigela na bandeija, a julgar o olho vermelho. 

- Ele queria aguardente. Velho imundo. Você já jantou? 

Balancei a cabeça e ele assentiu passando na frente. Comecei a seguí-lo, uma vez que o Marco não veio, não havia problemas em fechar mais cedo. 

- Levi, você vai pra onde quando isso acabar? - ele se encostou no corrimão da escada, a mão aleijada no bolso e o cabelo preto úmido. O local que Kenny bateu estava evoluindo para um inchaço. 

Ele fez pouco caso do assunto, como se por hora o futuro não fosse importante. Talvez ele não tivesse para onde ir, embora pudesse ir para qualquer lugar.

- Não sei. Qualquer lugar. 

- Não é estranho pra você? Ter passado todo esse tempo no exército e agora começar uma vida diferente? 

- É. 

- E isso não te apavora? 

- Não. A vida é uma constante mudança e mudanças são desconfortáveis, mas até isso cai na rotina um dia. Eu preferia uma vida de desconforto do que uma vida vazia.

Começou a subir as escadas e eu fiquei me perguntando se aquilo foi uma indireta, só porque doeu, não significa que o tiro foi em mim. Talvez ele estivesse falando sobre ele mesmo. 

- Eu pensei no que você falou. Sobre o casamento de mentira. 

Ele me olhou pelo ombro.

- E o que você decidiu? 

- Vamos tentar. É estranho, mas... Não vejo outro jeito. 

Ele balançou a cabeça. 

- Você tem um bom coração, Mikasa. Obrigado por cuidar do Kenny esse tempo todo. 

Engoli o choro e subi as escadas atrás dele. 


Kenny estava acordado quando nós entramos, de banho tomado e a roupa de cama trocada. Ficava olhando fixamente para frente com olhos inexpressivos, secos, mas quando se olhava muito, havia uma profundidade que assombrava naquele olhar. Era como ver dentro de um poço a água escura tremendo no fundo. 

- Seu mingau, Kenny. 

Ele nem olhou. Não sei o que era melhor, xingamentos ou aquele tratamento de silêncio. Levi o olhava como se fosse aplicar alguma reprimenda, algum castigo, mas acabou suspirando e olhou na minha direção indicando que era o melhor momento para contar.

- Kenny? Eu conversei com Levi, nós... - as palavras ficaram secas na minha língua. - Nós vamos casar. 

Ele lentamente virou o rosto, olhou para o Levi, para mim e o velho desgraçado começou a rir. 

Fiquei chocada.

- Vocês pensam que podem me enganar? 

- Ninguém tá mentindo aqui. Nós não faríamos isso se você não estivesse forçando. É por sua causa, então quando ela estiver infeliz, eu espero que você esteja agonizando onde quer que a merda da sua alma vá.

- Você não precisa dizer isso... - o repreendi sem pensar muito e Kenny começou a rir.

- Ah são palavras muito amigáveis para tratar... - começou a tossir para dar credibilidade à sua chantagem. - tratar um velho doente...

- Agora para com isso e toma essa merda. 

- Levi... 

Kenny o olhou rindo. 

- Quando trouxer o juiz.

Inspirei fundo. Eu sabia. 


Notas Finais


Eu não sei se choro ou acho graça escrevendo as cenas do Kenny


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