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História Por Trás das Grades - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Realidade (Parte 1)


 

Encontrei a minha amiga na quadra de futebol, sentada na arquibancada. Questionei o motivo de ela estar lá e não me procurando pela instituição. Gabriele revelou que me viu abraçado com Douglas no gramado e não quis "interromper-me". Poupei ela dos detalhes e pedi para que me atualizasse do mundo, das coisas que eu estava perdendo.

De acordo com a minha amiga, o mundo realmente não havia parado de girar por minha causa, mas que também não havia mudado de forma tão drástica. Descobri que uma das minhas cantoras preferidas havia lançado um álbum novo e que a nossa banda, a "Poetas Solitários" — em minha defesa, não havia sido eu quem escolheu o nome —, havia recebido o convite para tocar no Show de Talentos da escola — equivalente ao The Voice Brasil, para nós — que ocorria na semana cultural.

— Eu não quero aceitar — respondeu ela, quando já havíamos mudado de assunto. — Não quero que isso aconteça sem você.

Voltei o meu olhar em sua direção e sorri, de uma maneira agradecida, antes de dizer: — é claro que você vai aceitar, todos vocês vão. Robson e Jefferson devem estar eufóricos com isso... não deixem de participar por minha causa.

Eu a fiz prometer e só sosseguei depois de ela o fazer. Eu não queria que a minha amiga se privasse das coisas que costumávamos fazer. Ela não havia sido presa e por mais duro que fosse descobrir que todos estavam seguindo em frente sem mim, era desta forma que as coisas deviam funcionar.

— Já que você não vai me contar sobre esse garoto... vamos pelos menos comentar sobre os outros gatos presos aqui? — perguntou ela, esforçando-se ao máximo para mudar o rumo triste que aquela conversa estava tomando. — E pensar que chamávamos esse paraíso de inferno, não é?

Não conversamos sobre o machucado em meu rosto, tampouco sobre o quanto era difícil sobreviver no Mãos de Ferro. Nós, simplesmente, comemos o que ela e Roberto haviam comprado e conversamos sobre os garotos que dividiam a instituição comigo, falávamos deles como se estivéssemos no colégio, comentando sobre aqueles jogadores de futebol que costumávamos espiar nas partidas.

— Você já pegou quantos deles?

— Nenhum — comentei, não acreditando naquela pergunta. — Como eu ainda não sei quem daqui é psicopata, estou só olhando a distância.

— Sei... — comentou ela, como se gritasse o nome do "Douglas".

Enquanto nós dois comíamos aquelas porcarias e falávamos sobre garotos que estavam passando pela quadra, eu finalmente tornei a me sentir como aquele Lucas Callegari — o garoto que eu costumava ser, antes de entrar na instituição.

Eu não estava com medo, foi como se eu pudesse colocar os meus fones de ouvido e caminhar até em casa. Talvez esse fosse o motivo de eu não querer contar o quanto era horrível estar ali, do quanto o lugar havia me mudado —mesmo que eu não estivesse ali há muito tempo —, porque enquanto Gabriele tivesse a memória daquele garoto em sua mente, parte dele ainda estaria vivo,mesmo que não estivesse em mim.

 



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