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História Por Trás do Fundo do Abismo - Capítulo 1


Escrita por: e FMA_Dimension


Notas do Autor


FINALMENTEEEEEEEEEEEEEEE!

TÔ DEBUTANDO NO FMA_DIMENSION! UHUUUUUUUUUUUUUU

Estava com este projeto (que eu só tinha escrito um capítulo) engavetado há séculos, e graças a este projeto pimposo, estou postando! Hihihih

Muita emoção, meu povo, muita emoção!

Não vou falar muito sobre ele, só que: vai focar em outro personagem de FMAB. (Sim, tô fazendo usando a ver~sao do Brotherhood, sou muito fã não da primeira versão)

FullMetal Alchemist é um anime que toca muito meu coração, pois não foca em força, em desejos egoístas, dinheiro... Por incrível que pareça, pra mim, ele foca mais na família. São apenas dois irmãos que querem ficar unidos e terem sua mãe de volta... Pô, como não curtir este anime?

Mas, chega de falar: espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo 01


Fanfic / Fanfiction Por Trás do Fundo do Abismo - Capítulo 1 - Capítulo 01

Alphonse tinha acabado de recolher os talheres da mesa de jantar.

Não muito tempo atrás – era estranho como todo aquele conhecimento sobre alquimia e toda a história vivida pelos dois irmãos acabava por distorcer até noções básicas da física, como o tempo – estava isolado, uma carapaça fria, metálica e aparentemente vazia, que escondia a identidade do jovem rapaz de apenas catorze anos, o fiel escudeiro do famoso alquimista FullMetal.

Ou simplesmente “Do Aço” como o Flame Alchemist, o Mustang, adorava alfinetar.

Agora, todas aquelas aventuras, a busca por restaurar seus corpos e quem sabe, um pedaço das suas vidas, tinham sido findadas. 

Todas as questões no que diziam respeito à alquimia ocidental, no que diziam respeito à criação de quimeras e homúnculos, tinham sido respondidas. Porém, outras teorias eram traçadas após cruzarem caminhos com seus amigos de Xing, um lugar tão longínquo e que escondia tantos mistérios quanto respostas para os dois irmãos.

Ou melhor, para o famoso alquimista FullMetal. Embora não tivesse mágoa nenhuma do irmão mais velho – eram duas crianças quando resolveram reviver, de forma fracassada, Trisha Elric – o pequeno Al tinha a impressão de que seu irmão mais velho tentava a todo custo apossar-se deste conhecimento por não poder mais executar a alquimia, que passaram parte da infância e início da adolescência estudando e conjecturando. Tinha tomado uma decisão corajosa de abrir mão de seu conhecimento em prol de ter o irmão de volta, mas ele sentia agora que o teimoso mais velho tentava recuperar o que outrora foi perdido.

A velha inquietação dos irmãos Elric tinha voltado. Ou pra, pelo menos, um deles.

Não que não estivesse empolgado – tinha visto seu irmão se aprofundar e aprimorar suas técnicas com uma velocidade avassaladora, enquanto que ele tinha avançado de forma “normal” - queria também descobrir que outros segredos poderiam desvendar e que outros teoremas poderiam traçar em conjunto. Ele só não queria naquele exato momento.

Acabara de recuperar seu corpo que, diga-se de passagem, estava quase que pura pele e ossos. Sentia sua musculatura doer, a dor estendia-se ainda aos ossos, bem nas junções – joelhos e cotovelos – e tinha dores de cabeça terríveis. Suas vistas ardiam em alguns horários – principalmente após ler por longos períodos — e, vez ou outra, sentia tonturas. Isso sem contar os pesadelos...

Ficar muitos anos sem dormir tinha definitivamente mudado o psicológico do rapaz mais novo. Sonhava que tinha voltado a ser uma mera armadura de metal, desta vez no local onde seu corpo tinha ficado por vários e vários anos, mas que ele estava totalmente deteriorado, quase destruído, e que criaturas bizarras e medonhas espreitavam a si, como se o ferro fosse algo delicioso. Ele tentava pedir socorro, mas alguém arranhava a parte interna da armadura onde o selo de alquimia feito por seu irmão ficava e por algum motivo isso o tinha deixado sem voz. Era um débil boneco nas mãos de criaturas horripilantes... E seus olhos não poderiam se fechar!

Sempre acordava gritando no meio da madrugada, suado e ofegante, sendo amparado pelo irmão e sua noiva. Era óbvio que se acertaram, mas aquilo deixava uma certa sensação de vazio no rapaz mais novo. Edward poderia não ter condições de realizar a alquimia, mas era um noivo e seria pai em algum momento da vida. Criaria vida. 

Mesmo com sua constituição física completa, ele não sentia que tinha esse poder. Sentia como se seu corpo não fosse mais dele, sentia como se, de alguma forma, havia sido abduzido da própria vida e era obrigado a aceitar aquilo que se punha a sua frente.

Estava se sentindo alienado dentro do próprio corpo.

Obviamente não tinha partilhado dessas desconfianças com seu irmão e a amiga de infância, Winry. Já tinham sofrido desgastes demais na sua saga por conseguir restaurar suas vidas, de forma que ele se sentia culpado em sequer reclamar das dores que sentia no corpo. Seu irmão sofreria para sempre com o automail substituindo sua perna e parecia bastante satisfeito com essa decisão – mesmo reclamando vez ou outra das chamadas dores do membro fantasma¹. Embora ciência e alquimia andassem de mãos dadas, nenhum cientista conseguiu decifrar a causa das dores e das sensações que amputados relatavam, mesmo com os automails conectados aos nervos e substituindo os membros.

Por horas parava o que estava fazendo por sentir estranhas contrações no corpo, como se mais alguém lutasse para conseguir se manifestar. Em um belo dia, sozinho debaixo da árvore em frente à propriedade dos Rockbell, resolveu ceder o controle. Deixou que seu corpo se manifestasse sozinho e viu sua mão pegar um graveto próximo aonde estava. Aquilo era loucura, sabia que era ele mesmo quem controlava aquela movimentação, mas, estranhamente, não lembrou-se do momento em que fez isso. Foi quase como um blackout² dentro do próprio cérebro e ele jurou que estava em algum outro lugar da propriedade, em uma distância relativamente pequena, vendo seu próprio corpo mexendo sozinho! Tinha enlouquecido! Era a única explicação plausível! Mas então, antes que risse e visse que tudo aquilo deveria ter sido algo criado pela sua mente, como uma criança prega uma peça nos pais, ele olhou em frente aonde estava sentado. O riso morreu. 

“Até quando você vai me negar, Alphonse?”. 

Uma frase simples, escrita em duas linhas, em uma letra um pouco garranchada. O pânico instalou-se em suas entranhas, com um gosto metálico vindo do fundo da garganta e que não passava, por mais líquidos ou comidas deliciosas que ele ingerisse. Estava então em um conflito interno. Passara o dia inteiro martelando essa frase, pensando nos diversos significados escondidos, nas entrelinhas ou nas coisas mais óbvias também. Seu irmão perguntou várias vezes durante o jantar se estava tudo bem, até ameaçar a bater nele se não dissesse de uma vez que diabos estava se passando na sua cabeça. “Bem que eu gostaria de saber”, pensou, mas apenas conseguiu responder:

— Não é nada. Ainda estou me adaptando ao meu corpo... — respondeu, com o sorriso que era sua marca registrada.

Era uma resposta absurda. Quem é que se “adapta ao próprio corpo”?

— Hum... Tudo bem. Por favor, Alphonse, se estiver com problemas, não hesite em nos contar. Somos sua família. Iremos te ajudar no que precisarmos. — finalizou a fala colocando a mão por cima de uma das mãos do irmão mais novo. Ele ergueu o rosto e viu os três rostos, cada um com uma expressão, tentando passar conforto ao rapaz: o de seu próprio irmão, que demonstrava afeto e preocupação genuínos, o de Winry, sua quase-cunhada, que demonstrava afeição e gentileza, como sempre fazia com todos à sua volta e o da anciã do grupo, Pinako, que demonstrava severidade. 

A mais velha acompanhara a saga dos irmãos desde a trágica tentativa de reanimar a falecida mãe até o retorno triunfal dos mesmos até sua cidade natal. Ouvia vez ou outra, os planos dos rapazes de expandirem sua pesquisa e combinarem os conhecimentos de oriente e ocidente para combiná-los em uma forma nova de alquimia, uma que talvez o famoso “Do Aço” pudesse executar. Escutava pacientemente e pouco opinava – na verdade, nunca era abordada por eles – enquanto baforava seu velho cachimbo. E sentia, nas vezes em que os irmãos se reuniam, que o mais novo, embora empolgado, ocultava outros sentimentos por trás da face sempre calma e tranquila: o deslocamento.

Ela já tinha presenciado e testemunhado, por várias vezes, o mais novo entrar em uma espécie de transe, sempre achando que não era notado, mas a velha tinha olhos de rapina – já quase flagrou momentos íntimos do mais velho com sua neta antes do casamento e advertiu os dois para que aguardassem o enlace que aconteceria dali a três meses – e vira tudo. Sabia que Alphonse tinha algo de errado, embora não tivesse descoberto ainda o que era ao certo. Mas, ao perceber o rapaz mais aéreo do que de costume, decidiu colocar um fim naquilo.

Aguardou o casal subir as escadas para se recolher – dando mais um sermão que os deixou extremamente constrangidos – e ficou por mais algum tempo aguardando que o loiro mais novo terminasse seus afazeres na cozinha: ele mesmo se oferecia a isso, já que Winry cozinhava e tocava a loja com a avó, e Edward dava aulas na escola mais próxima nas matérias de física e química, isso quando os dois não estavam extremamente atarefados com os preparativos do casamento. Assim que viu o mais novo terminar, secar as mãos e dar o dia por encerrado, colocou-se na porta da cozinha que dava acesso à escada que conduzia aos quartos da casa. O mais novo assustou-se por um segundo, franzindo o cenho logo em seguida, aguardando ouvir dela o que queria.

— Vamos conversar lá fora. — disse simplesmente e saiu, aguardando que o mais novo a seguisse.

O tempo do lado de fora estava bastante agradável. Era plena primavera, então os dias eram quentes e as noites levemente frias, mas sem oscilações extremas de temperatura. Sua neta tinha escolhido essa época do ano pois queria convidar tanto os amigos da capital como os que conhecera no extremo Norte e seus amigos de Xing, o que incluíam alguns oficiais do exército e a realeza. Mesmo Pinako não gostando muito da ideia, tinha que concordar que o dia era dela e que teria tudo ao seu gosto e ao gosto do futuro marido. Como o tempo era mais ameno nessa época do ano, achou que seria a época perfeita para que todos pudessem vir. Winry sabia de algumas coisas, precisava admitir. A cada dia se assemelhava mais aos pais, enchendo de orgulho a idosa.

Assim que viu o rapaz sentar ao seu lado, acendeu o cachimbo e pôs-se a baforar tranquilamente. O cachorro estava deitado em outro canto, ressonando.

— O que você quis dizer com “adaptar-se ao seu corpo”? — soltou, sem rodeios.

— Eu fiquei muito tempo em uma armadura, vovó... Sinto dores e alguns espasmos musculares desagradáveis. Isso fora as dores de cabeça... Eu já expliquei tudo isso. Não é nada demais... — respondeu tranquilamente, achando que assim fugiria do assunto.

— Eu vi o que você fez hoje à tarde. — replicou, sem olhar para o rapaz. — Assim que você saiu eu fui lá e vi o que estava escrito... Isso também foi resultado dos “espasmos musculares”? — terminou de falar, mas ainda sem direcionar o olhar a ele.

Se tivesse visto o rosto dele, veria uma única expressão: surpresa.

— Vocês, crianças, se acham adultos só porque viram uma ou outra coisa “diferente”... — Fez aspas com as mãos. — Pois saiba, que mesmo não me contando, eu sei o que acontece debaixo desse teto. Foi assim que coloquei um freio naqueles dois. — Fez um gesto de cabeça indicando o interior da casa. — E é assim que sei que você não vem se sentindo bem. Não minta.

Viu o garoto soltar os ombros, em pose de clara derrota. Sabia que não poderia engambelar a mais velha, ela sabia das coisas.

— Eu não sei o que está havendo comigo. — Passou as mãos no cabelo, nervoso. — Parece que tem outra pessoa além de mim neste corpo! Isso é se REALMENTE for uma pessoa...

— E pode não ser uma pessoa?

— Eu não sei! Este corpo passou muito tempo do outro lado do portal... As coisas que vejo nos meus pesadelos... Eu simplesmente não me lembro de tê-las visto ou sequer imaginado elas! São horríveis, grotescas... Isso fora todo o conhecimento alquímico que tenho. Parece que vem de outras vidas, de outras pessoas...

— Você já conversou com seu irmão sobre isso? — Agora, a velha estava virada de frente a ele.

— Meu irmão vai pensar que enlouqueci, ou pior... Vai tentar consertar a situação do jeito dele.

Alphonse era, sim, grato por tudo que o irmão tinha feito e do que ele tinha aberto mão para cumprir sua promessa. Mas sabia que muito disso era fruto da culpa que sentiu quando viu sua brilhante ideia dar errado e em proporções catastróficas. Não queria arriscar outra catástrofe, não agora que o mais velho finalmente iria se casar com sua melhor amiga. 

Ele nunca se perdoaria por estragar a felicidades dos dois.

— Sabe de alguém que possa ajudá-lo? — Deu mais uma baforada após inquirir o menino.

— Não... Até onde eu sei, eu, meu irmão e o Mustang fomos os únicos a passarmos por isso. Não quero envolver o exército, muito menos outras pessoas. Eu só quero viver em paz e tranquilamente...

— Acha que a teoria que tem sobre a alquimia ocidental e a alquimia de Xing possam resolver isso?

— Poderia me dar algumas respostas, pelo menos...

— E se você conversasse com essa voz?

Silêncio. Teria cogitado essa hipótese, se ela não soasse tão estapafúrdia.

— Então eu estaria assinando meu atestado de loucura. Não posso dar vazão à essa teoria! — disse, irritado pela sugestão. Seria completamente errado fazer isso!

— Ninguém precisa saber, Alphonse. Só sei que se fosse comigo, eu tentaria todas as alternativas possíveis. Se der errado, você pode tentar outra solução — respondeu tranquilamente.

Analisou suas opções enquanto olhava os degraus onde se sentava: poderia ficar quieto e tentar ignorar aquela presença, embora soubesse que ela não sumiria, pois estava na sua cabeça; poderia arriscar sua vida em outras experiências com os teoremas que ele e seu irmão estavam tracejando, embora ele achasse que nada disso poderia ser aplicado na sua situação; poderia tentar explicar isso para seu irmão, entretanto, saberia que o mesmo não conseguiria compreender e talvez até o internasse, achando que o irmão tinha, enfim, enlouquecido após tantas noites em claro, dentro da armadura – ele lembrava muito bem de Barry nessas ocasiões – ou poderia simplesmente fazer o que lhe foi sugerido.

Ninguém saberia. Ninguém além dele mesmo e de sabe-se lá quem estava junto dele naquele corpo.

Despediu-se da velha e subiu as escadas. Tinha tomado sua decisão.

xxxx

A noite tinha sido extremamente longa. Ele dormiu, mas teve outros pesadelos, cada vez ganhando mais nitidez dentro de sua mente. E muito mais detalhados...

Tinha sonhado com morte. Pura e simplesmente. E não com aquela que os religiosos pregavam, como ter sua alma levada seja para um lugar maravilhoso ou um lugar horrível, mas a morte que ele e seu irmão já tiveram contato: o que um dia já foi um ser humano entrando em decomposição. Um punhado de materiais sofrendo a ação do tempo, pura e simplesmente.

Quando achou que o cenário não poderia piorar, outro corpo se revelava. E mais outro. E mais cinco, dez, vinte... Uma imensidão de corpos decompondo-se em meio ao vazio. Mas não era como no portal: lá tudo era um vazio branco, claro. Embora ele visse os corpos com clareza, percebeu que estava no mais completo escuro. E ele estava lá, com seu corpo fragilizado e encolhido, não conseguiria escapar ou correr nem mesmo se quisesse, tentando não encostar nos outros a sua volta.

E, em meio a esse caos, ele viu um par de olhos verdes. No começo eles estavam bem distantes, mas foram aproximando-se, como que sendo atraídos em sua direção. Sentiu seu coração disparar na mesma hora, sabendo, de alguma forma, que aquilo não só era ruim, como significava que o corpo dele faria parte daquele montante em breve, caso não saísse de onde estava.

Tentou levantar-se para correr, mas acabou caindo em meio àquela enorme pilha, mas não demonstrou nojo, visto que, ao olhar para trás, conseguiu enxergar mais dois pares de olhos juntos do primeiro. Tentou levantar-se, no entanto, o montante à sua frente atrapalhou-o. Enfim, conseguiu esgueirar-se com muita dificuldade.

Olhou novamente para trás: agora eram sete pares de olhos, avançando rapidamente. Continuou esgueirando-se, sujando-se no processo. O pânico o dominava, mas seu instinto de sobrevivência dizia que não era hora de acovardar-se, ele precisava sair dali e rápido! Pensou então em mudar de estratégia: talvez, se conseguisse camuflar-se em meio àquele montante ele poderia ser confundido com um dos mortos, não é?

Executou sua ideia com dificuldade, mas conseguiu fazê-lo. Encolheu-se o máximo que seu corpo permitia e aguardou, fechando os olhos. “Que essas coisas não me achem!”, pensava, aflito. Ficou assim por um bom tempo, até que resolveu abrir os olhos, espiando. Todos os corpos e pares de olhos tinham sumido. Não tinha entendido muito bem o que havia acontecido, mas relaxou, deitando-se e puxando o ar com um pouco mais de calma. Até que ouviu um barulho: um ser humanoide de pele cinza e escura, sem pelos, com algo que lembravam presas afiadíssimas, pingando saliva de uma bocarra desfigurada, estava a milímetros de seu rosto.

“Ele” tinha os olhos verdes.

Acordou gritando novamente, mas o dia já estava alto. Seu corpo estava suado e seu coração batia acelerado. “Outro pesadelo...”, pensou com a boca seca. Olhou o horário: já passava das dez da manhã, o que significava que todos estavam em seus afazeres – vovó Pinako e Winry na oficina e Edward na escola. “Ao menos ninguém veio me perguntar o motivo de acordar gritando... de novo”. 

Ele ficava feliz pela preocupação dos outros, mas aquilo havia se tornado uma rotina, no mínimo, torturante. Dormir, sonhar, acordar gritando e acordar todo o resto da casa. E o que mais o preocupava era a duração e a frequência dos sonhos – passando de mensais, para semanais à quase que diárias, e a sensação que ele tinha era de que essa tortura durava horas. Por sempre acordar agitado, percebia que seu humor era cada vez mais instável e seu corpo implorava por menos esforço, visto que evitava dormir desde que os episódios tornaram-se mais frequentes.

Mas, agora, sentia-se, de certa forma, recuperado. Ergueu-se lentamente de sua cama, enquanto olhava para seus pés descalços. As manhãs eram a pior parte do dia, pois ele via seu corpo, como seus pés e mãos e mesmo movendo-os livremente ainda tinha aquela mesma sensação estranha. Aquele não parecia ser seu corpo. Aquele não parecia ele mesmo. A cada dia, ele sentia mais falta da armadura de metal. Sentia-se péssimo, mas sabia também que aquela sensação duraria apenas até que ele tomasse um banho e fizesse seu corpo despertar – a água gelada despertava todos os seus músculos e, mesmo sentindo dor, ele sentia-se vivo após aquele pequeno ritual. A partir daí, conseguia desligar-se da sensação e seguia em frente. 

Pôs uma roupa leve e decidiu caminhar pela propriedade, a fim de procurar um local afastado o suficiente para seu primeiro… experimento. Sabia bem aonde deveria ir: margeou o imenso lago perto da casa dos Rockbell e procurou uma clareira em meio ao mato alto que crescia. Uma imensa árvore fornecia sombra e o vento soprava suavemente. 

Era agora ou nunca.

Ele sentou-se apoiando as costas no tronco da árvore. Cruzou as pernas de forma a ficar com a postura ereta, mas relaxada, e apoiou os braços em cada uma de suas pernas. Inspirou profundamente várias vezes, absorvendo o máximo de oxigênio possível e deixou papéis e lápis em uma distância curta. Caso o que quer que estivesse dentro dele resolvesse comunicar-se, ao menos teria uma forma de registrar isso. E antes de concentrar-se, ele registrou no “diário improvisado” seus relatos.

Dia 01. Manhã. Afastei-me ao máximo de pessoas ou quaisquer outras distrações e estou me preparando mentalmente e psicologicamente para o que quer que venha a acontecer comigo. Preciso de respostas. Os pesadelos são constantes e cada vez mais vívidos. Os movimentos involuntários continuam e a sensação de que este nunca será meu corpo me corrói a cada dia, como se eu estivesse de volta àquela armadura. Quase começo a sentir falta dela. Não sei o que esperar com isso, mas caso Edward esteja lendo: alguém possuiu meu corpo. Não confie mais no que ele disser. E eu amo você, Winry e a vovó. Sejam felizes.

Suspirou profundamente. E fechou os olhos.


Notas Finais


Por enquanto, é só.

Muito obrigada por lerem e pelo carinho.

¹Dores do Mebro Fantasma: A dor fantasma geralmente começa dentro de dias após a amputação, mas pode levar meses ou anos para aparecer. A dor fantasma pode ser em formigamento, aguda, pungente, latejante, em queimação, intensa, em beliscão ou em aperto. A dor fantasma é frequentemente mais grave logo após a amputação, diminuindo com o tempo.

²Blackout: Queda de energia, em inglês, mas comumente usado para referir-se a "apagões" nas memórias de uma pessoa, seja por conta de um desmaio, por abusar de substâncias lícitas ou ilícitas, dentre outros.

Se liguem no FMA_Dimenson!

Link do Projeto:
https://www.spiritfanfiction.com/perfil/fma_dimension

Agradecimentos:
Capa e banner do capítulo feitos pela maravilhosa @Mih6493

Ilustração da capa: desconhecida, mas agradeço, viu?

Betagem da @Marol27 com leitura crítica da @Mininne (adorei os feedbacks, vcs são demais!)

Agradeço também à @Rosstiloso, ADM do projeto, por me aceitar! :D

Todas participantes deste maravilhoso projeto.

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