História Por Trás dos Muros de Mármore - Capítulo 10


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Drogas, Incesto, Romance
Visualizações 10
Palavras 1.184
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Capítulo 10 - Aniversário


- Eu já estava aqui no hospital, foi por acaso.

- Dessa vez você não foi embora, não é mesmo? - ela riu sem humor.

- O quê?

- Sua filha nasceu hoje não foi? Alisson, não é? Aposto que vai ter os cabelos loiros da mãe. Parabéns Robert, você me substituiu.

- Alice… - ele tentou dizer.

- Não! - ela quase gritou - O que quer de mim? Você não pode fazer isso, sabe o quanto eu sempre quis um pai? Você não pode fazer isso comigo, não é justo, não pode sumir e aparecer quando bem entender.

- Alice, cale a boca.

- Calar a boca? Não, você vai me ouvir. Por 17 anos eu quis um pai, todos os dias, por todos os segundos eu quis um pai e ainda quero. Eu menti quando disse que não precisava de um pai, eu preciso - lágrimas começaram a molhar o rosto da garota, a voz estava embargada quando disse: - Sabe por que estou aqui? A psicologia diz que garotas com problemas com os pais tendem a escolher os caras errados. Foi isso o que eu fiz, e agora estou aqui debatendo se devo ou não denunciá-lo. E sabe qual a única razão de eu ainda não ter dito nada? Ele tem filhos, e eu não consigo tirar um pai de uma criança, porque eu sei como dói não ter pai.

- Isso não é minha culpa - Robert disse, a voz repleta de mágoa.

- Claro que não - Alice Ironizou - Por que está aqui? Não devia estar com a sua família perfeita? Você já tem uma filha, ela nasceu no dia do meu aniversário e aposto que se parece comigo, até os nossos nomes são parecidos. Então por que está aqui, Robert? Por que está fazendo isso comigo?

- Eu quero te conhecer, Alice - ele gritou.

- Eu também quero, Robert - Alice sussurrou - Mas não sei se consigo.

Robert estava prestes a dizer algo quando o mesmo médico caucasiano entrou no quarto.

- O que está acontecendo aqui? - perguntou enquanto olhava de Robert para Alice e de Alice para Robert - Por que você está gritando com a minha paciente?

- Está tudo bem - Alice disse - Ele já estava de saída.

- Alice…

- É melhor ir Robert, ou a Isobel vai começar a pensar que você fugiu. Outro dia conversamos.

Alice sabia que estava sendo controversa e talvez até mesmo hipócrita, mas não somos todos? As pessoa são complexas, nada é preto no branco. As pessoas podem amar e odiar uma mesma coisa, elas podem amar profundamente mais de uma pessoa. Como disse certa vez um cantor brasileiro “De perto ninguém é normal”, somos todos arranhados, amassados ou quebrados. Somos todos controversos e levemente hipócritas, mudamos de opinião, crença e convicções o tempo todo, temos o direito de fazê-lo, temos direito à mudança.

E quando se tratava de Robert - o quase pai - Alice era controversa, ela o amava, uma parte primitiva e intrínseca dentro da garota o amava. Não exatamente ele, mas a idealização de um pai que ela passara a vida construindo. Então nada era simples quando se tratava de Robert. Ela o odiava e o amava, e ainda não sabia qual parte era maior. Ela travava aquela guerra contra si mesma há tempos, mas não havia sombra de ganhador a vista.

- Quem era? - Jack perguntou à Alice quando Robert saiu.

- Meu pai.

- Seu pai? - Jack arqueou a sobrancelha.

- A filha nova dele nasceu, Alisson é o nome dela.

- Uau, sua irmã escolheu justo o dia em que você foi atacada para nascer.

- Ela não escolheu o dia em que fui atacada, ela escolheu meu aniversário - Jack piscou, tantas vezes que Alice achou que as pálpebras caíram.

- Hoje é seu aniversário?

- Acabo de fazer 17.

- Eu sinto muito - ele sussurrou encarando a prancheta que segurava.

- Não sinta, sempre odiei meu aniversário. É só mais um motivo para o mesmo ódio.

Jack o olhou para o lado em silêncio.

- Você só tem 17 anos - ele disse após um longo período de silêncio - A vida não deveria ser tão difícil.

- Eu venho de uma família bilionária, não tenho pai e minha mãe é adotada, minha vida já era complicada antes mesmo que eu nascesse. As complicações só aumentaram ao longo dos anos.

- Olha Alice - Jack finalmente a encarou -, não é da minha conta. A sua vida, suas escolhas, não são da minha conta. Mas eu vou te dizer, eu tive um pai, um pai alcoólatra e violento. Teria sido melhor não ter um, teria sido muito melhor ser órfão de pai.

Alice sentiu as palavras como um tapa na cara. Ela nunca havia pensado por esse lado, sempre esteve cega pela falta que sentia de um pai.

- Preciso que faça algo por mim - Alice pediu à Jack - E depois eu prometo que conto tudo à detetive.


Quando a detetive entrou Alice não sabia exatamente o que diria, não sabia por onde iria começar, só sabia que precisava dizer, que não podia deixá-lo sair em pune. Porém ela ainda tinha esperanças de que o teste que pediu à Jack fazer desse positivo, tinha esperanças de que tudo o que acontecera entre ela e Josh não houvesse sido mentira. As esperanças de um tolo, sua mãe diria, mas Alice não podia evitar, esperança era tudo o que lhe restava.

- Vai dar o depoimento agora? - a mulher perguntou.

- Sim.

- Podemos começar então.

- Meu nome completo é Alice Catherine Walker, e hoje é meu aniversário de 17 anos - ela disse antes da mulher perguntar, Alice respirou fundo e continuou: - Eu conheci o Josh quando era uma caloura, aos catorze anos, fizemos alguns artigos juntos, mas só nos aproximamos seis meses atrás quando ele se tornou meu orientador. Foi quando ele me beijou, ele foi o meu primeiro, meu primeiro beijo e o primeiro com quem dormi. Eu me apaixonei por ele, Josh era sempre gentil e amável e claro tinha aquele sotaque francês. Mas então há alguns dias meu primo me beijou, foi apenas um beijo roubado na frente de paparazzis, mas o Josh ficou tão bravo. E na noite passada...Ele nunca havia me batido até então. Um dia depois dele gritar comigo pela primeira eu descobri que estava grávida, eu pretendia ir embora e nunca mais olhar para trás, eu vou pra Harvard em um mês. Mas então teve a festa de formatura, foi quando eu o vi - Alice balançou a cabeça, mal acreditando na própria memória - o homem mais feliz do mundo ao lado da esposa e de dois garotinhos gêmeos. Ele me viu e eu fui embora, não para casa, mas para o apartamento dele.

- Como entrou? - a detetive Gray perguntou.

- Eu tinha a chave, ele me deu - Alice respondeu antes de voltar a contar o que havia acontecido. Ela contou, sobre a surra que havia levado e sobre como ele havia tentado matá-la, contou sobre bater na cabeça dele com a primeira coisa que alcançou e sobre o sangue que lhe escorria pelas pernas quando a polícia chegou.



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