História Por Trás dos Muros de Mármore - Capítulo 11


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Drogas, Incesto, Romance
Visualizações 8
Palavras 895
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Capítulo 10 - Fastasmas de Natal: passado, presente e futuro


Alice Walker nunca havia gostado de seus aniversários, tanto que ela era a única garota do Upper West Side que não havia debutado. Ela se negara, mesmo após a mãe passar um mês - literalmente - implorando. Ela não queria comemorar seus aniversários, nunca havia os comemorado. Quando era pequena, após seu pai abandonar a mãe com um recém nascido nos braços, a sempre alegre Sophie entrou em depressão. Uma depressão tão profunda que ela havia precisado de três anos para se recuperar, e quando ela finalmente ficou bem tentou compensar todo o tempo que havia perdido com a filha. A primeira coisa que ela fez foi organizar uma festa, da qual Alice se negou a participar. A garota, no alto de seus três anos se enfiou dentro do próprio closet e se recusou a sair. Aquela foi a primeira e última festa que a mãe tentou organizar para ela.

Então já era um fato bem conhecido que ela odiava o dia de seu aniversário. Mas aquele dia em especial estava sendo infernal.

Infernal. Foi a primeira coisa que passou pela cabeça de Alice quando a mulher que a garota só havia visto uma vez entrou em seu quarto. Interminável, foi a segunda. Já não bastasse tudo o que havia acontecido e a mãe prestes a chegar ela ainda tinha que lidar com aquilo? O que aquela mulher queria? Gritar com Alice? Chutá-la mais um pouco? Bater em seu rosto? Infernal, era uma palavra perfeita para descrever toda aquela situação.

Alice encarou a mulher, havia tanta raiva e luto em seus olhos… tanta tristeza. Ela não sabia o que dizer. “Me desculpe por dormir com o seu marido”, era uma frase adequada? O que aquela mulher estava fazendo ali afinal?

- É você não é? - ela perguntou, Alice percebeu que a mulher chorava - Foi você quem dormiu com o meu marido, não foi?

- Sra. Raison… - Alice não sabia o que diria, mas sabia que precisava dizer algo.

- Ele é um bom homem. Nunca me machucou, é um pai presente. Ele é um bom homem. Ou pelo menos era, até você aparecer.

- Eu sinto muito - Alice sussurrou, mais porque não sabia o que dizer do que por realmente sentir muito.

- Começou a seis meses, pensei que era algo comigo. Mas era você, a vadia com quem ele estava dormindo. O que você fez hein? Aposto que o seduziu. O que você queria? Notas maiores? Uma transa casual? Um homem mais velho de quatro por você? - ela cuspia frase após frase, como uma cobra desfilando veneno.

- Eu não… - Alice tentou dizer.

- É alguma vingança pessoal? Eu fiz algo contra uma prima sua ou irmã? Me diz, porque eu estou tentando de verdade entender o que leva uma mulher a destruir uma família - a garota deitada na cama não conseguia sentir raiva da mulher pelas palavras horríveis. A mulher estava tão destruída e desesperada que tudo o que Alice conseguiu sentir foi pena.

- Você não faz idéia não é? - Alice perguntou, a voz baixa e rouca - Eu acabo de fazer 17 anos, me formei ontem à noite. Não foi por notas, vingança pessoal ou nada do tipo. Eu não fazia a mínima ideia de que ele era casado.

A mulher piscou várias vezes, daquele jeito enlouquecedor que todas as pessoas ao redor de Alice faziam. Ela abriu e fechou a boca várias vezes mas não disse nada.

- Ninguém te contou? Eu estava grávida.

- Estava? - foi tudo o que a mulher conseguiu dizer.

- Foi por isso que ele me espancou. Por isso ele chutou o meu estômago repetidas vezes, por isso ele me esganou. Porque eu fui burra o suficiente para ficar grávida, então me tornei um problema - ela continuou.

- Você perdeu o bebê?

- Perdi. Se te serve de consolo, eu ia embora em um mês. Não pretendia dizer a ele que estava grávida.

- Então por que disse?

- Porque eu descobri sobre você - Alice explicou - E ele ficou muito bravo, pensei que não me machucaria se soubesse.

- Você está inventando - ela balançou a cabeça - Meu marido é um bom homem.

- Tem certeza? Ele não se daria ao trabalho de comprar um apartamento só por uma garota - Alice deu de ombros, surpresa com o próprio cinismo na voz. Era a primeira vez que aquilo lhe ocorria, ela não havia parado para pensar sobre aquilo. Ela teria sido a primeira aluna? Ela era a única? - Você pode ir embora agora? Se já disse tudo o que tinha que dizer pode me deixar em paz? Eu estou esperando minha mãe.

A mulher saiu do quarto. Infernal, era uma palavra muito adequada. Interminável, também. Insuportável, completava a descrição. Alice queria muito que aquele dia terminasse, mas ainda precisava enfrentar o terceiro fantasma de Natal. Passado, presente e agora futuro.

Alice estava certa de que aquele era o pior aniversário de sua vida, nenhum havia sido tão ruim quanto aquele. Mas não estava tão certa de que conseguiria chegar viva ao fim do dia. Só mais um fantasma, ela disse a si mesma, só mais um e eu poderei dormir até esse dia acabar. Ela só precisava enfrentar a sua mãe, fantasma do futuro, e por coincidência o único que a opinião importava. Só mais um, ela tentou se convencer enquanto encarava o Jardim do hospital pela janela, Só mais um.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...