História Por você - Capítulo 15


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Colegial, Drama, Ficção, Lésbica, Romance
Visualizações 68
Palavras 2.103
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi gente, voltei!
Boa leitura!

Capítulo 15 - 15- Momento família.


POV Flávia

Respirei fundo, me preparando para a discussão que viria e respondi:

- Oi dona Mara, tudo bem?

O semblante dela era impassível e sua voz indicava muita irritação.

- Não desconversa, garota. Perguntei o que significa isso e você vai me explicar agora mesmo.

Decidi tratá-la de igual para igual, não estava arrependida do que fiz e nada que ela dissesse me convenceria do contrário.

- A senhora já deve ter visto que é sangue. Não se preocupe, eu não matei ninguém. É sangue meu mesmo. Tive que bater em uma pessoa hoje e acabei apanhando também.

Ela arregalou os olhos ao ouvir o que disse com tanta naturalidade.

- Teve que bater? Quem é a vagabunda que se presta ao papel disso? Espero que não chegue nenhuma intimação nesse endereço ou você vai se arrepender de ter nascido.

Ela achava que eu tinha me envolvido em uma espécie de briga de bar? com uma mulher? Precisei deixar as coisas claras. Escolhi as palavras com cuidado:

- Quanto a isso não posso prometer nada. Mas acho que não vão mais precisar do meu depoimento...

Ela não me deixou terminar de falar. Sua voz estava ficando alterada.

- Como é que é? No que foi que você se meteu? Sabia que não devia ter deixado você ir embora sozinha do zoológico!

Respirei fundo e confessei:

-Eu bati num cara que estava agredindo a esposa.

O seu tom era de deboche misturado com incredulidade:

- Você quer dizer que apanhou, não?

Não me aguentei e respondi como quem conta o que comeu no almoço:

- Também. Mas devo ter quebrado o nariz dele. Tava sangrando muito.

Foi o estopim. Mas para minha surpresa ela nada fez além de ficar muito vermelha e sair do meu quarto batendo a porta. Ouvi sua voz no corredor:

-Gabriela! Sua prima é uma selvagem desequilibrada. Eu não quero sonhar de você fazendo amizade com gente dessa espécie, entendeu?
Eu não consegui segurar uma gargalhada. Não ouvi a resposta de Gabi.

Minha mão estava dolorida. Vesti uma roupa confortável e me aproximei do espelho para analisar meu rosto: havia um corte no meu lábio e outro no meu supercílio. Coloquei um curativo no supercílio e passei uma pomada para o corte da boca. Penteei o cabelo e fui para a cozinha comer algo. Dona Mara e Gabi estavam jantando e eu me juntei a elas em completo silêncio. Terminei de comer e voltei para o quarto. Queria dormir. Meu corpo estava absurdamente cansado. Me joguei na cama e apaguei. Acordei horas mais tarde, minha cabeça doía e a minha mão latejava de dor. A luz do meu quarto estava acesa e havia uma pessoa sentada nos pés da minha cama: era Gabi.

Eu estava sem forças para levantar, pedi com a voz rouca:

- Pega um analgésico pra mim no armário do banheiro, por favor.

Ela assentiu e foi buscar o remédio enquanto eu me sentava na cama com muita dificuldade. Gabi voltou instantes depois trazendo o analgésico e disse:

- Eu vou buscar água pra você. Espera aí.

(Como se eu pudesse sair correndo!) Ela voltou tão depressa quanto havia saído. Tomei o remédio e ela sentou na beirada da cama me encarando.

- Você não devia estar dormindo?- Perguntei.

- Na teoria sim, mas na prática eu queria muito saber como você está e o que, de fato, aconteceu pra você aparecer desse jeito. Minha mãe está furiosa.

- Eu me meti em uma briga para defender uma pessoa. Não foi uma coisa planejada. Pra falar a verdade eu nem pensei muito na hora.

- E essa pessoa está bem?

- Vai ficar; eu espero.

- Me desculpa a curiosidade, mas essa pessoa deve ser alguém realmente importante para você né? Olha só o seu estado!

Sorri com a constatação de Gabi e respondi:

- Mais do que eu deveria permitir, Gabi. Mas eu não quero falar sobre isso agora. Sua mãe não quer nem sonhar você socializando comigo. Melhor você ir dormir.

- Tudo bem. Boa noite.

-Boa noite.

Gabi saiu e eu me entreguei ao sono. No dia seguinte, eu já estava bem, nem sinal de dor no corpo e minha mão havia desinchado. Levantei de bom humor, arrumei o meu quarto e fui tomar café. Dona Mara estava sentada no sofá da sala com cara de poucos amigos:

- Termine de comer e venha aqui. Precisamos conversar.

Obedeci. Assim que me sentei no sofá de frente para ela, ela começou:

- Vejo que sua aparência está melhor; quero que me explique direitinho o que foi que aconteceu ontem. E nem pense em mentir para mim.

Engoli em seco, respirei fundo e a encarei:

- Depois que eu saí do zoo, vim direto para casa. Pedi comida chinesa e fiquei assistindo televisão. Mas estava entediada e sem conseguir me concentrar, então resolvi sair um pouco. Peguei um onibus e fui parar na Barra. Andei um pouco por ali e vi uma barraquinha de acaragé, resolvi comprar um e fiquei conversando com a baiana. Foi aí que escutei a gritaria. Era uma discussão de casal. Olhei em direçao ao som e uma mulher saiu de casa sendo seguida pelo homem que agarrou o pulso dela com violência. Eu o enfrentei para defender ela. Resumindo, o cara foi preso e eu acabei tendo que ir pra delegacia também prestar depoimento por causa da confusão.

Minha tia me encarava com uma expressão indecifrável. Depois de alguns segundos em silêncio, ela disse:

- Eu espero que algo assim não volte a acontecer; não quero sonhar com a possibilidade de ter que ir te tirar da cadeia porque você não sabe se controlar e quer ficar bancando a mulher-maravilha.

- Entendi. Vou pro meu quarto estudar.

Dona Mara assentiu e eu fui tentar estudar um pouco. Passei o resto do dia revisando algumas matérias da faculdade, parando apenas para almoçar. Quando estava começando a escurecer, encerrei a leitura e arrumei minha mochila para o dia seguinte. Peguei o celular(a única coisa que ganhei da minha tia, havia perdido o meu no acidente), tinha uma notificação de mensagem. Era Laura me convidando para sair. Decidi não ir e inventei uma dor de cabeça. Peguei meu caderno de desenho e fui para a sala rabiscar um pouco. Estava já finalizando o desenho de uma rosa, quando a voz de Gabi me assustou:

- Você faz um desenho pra mim?

- Que susto!- exclamei, quase deixando o lápis cair.

-Desculpa!-Ela riu.- Mas você faz?

- Depende, o que você quer que eu desenhe?

- Um animal. Pode ser o que você quiser. Mas não precisa ser agora. Na verdade, vim te perguntar que sabor de pizza você vai querer para o jantar.

- Dona Mara não vai cozinhar hoje?

- Digamos que minha mãe está estranha. Fiz a mesma pergunta e ela me disse pra vir te perguntar qual sabor você queria.

- Eu quero portuguesa.

Realmente a Dona Mara estava estranha. De bom humor e conversando comigo. Permitindo que eu e Gabi socializássemos um pouco durante o jantar? Eu não estava entendendo mais nada. Mas iria tratar de aproveitar aquele momento família.

 

POV Isabel

Depois que Flávia foi embora, O João estava me chamando. Fui até o quarto do meu filho e ele logo quis saber:

- Cadê a tia Flávia?

- Ela já foi para casa, meu amor. Deixou um abraço para você.

-Ela é muito legal. Eu gosto muitão dela, mamãe.

- E ela gosta muitão de você também.

- Não mamãe, ela gosta muitão de nós dois.

Sorri e desconversei:

-Vamos tomar um banho, rapazinho.

Dei banho no meu filho e preparei o nosso jantar. Comemos e ele me pediu pra ver um filme. Depois de alguns minutos ele já estava cochilando. Coloquei meu pequeno na cama e fiquei ali observando-o dormir. Meu pensamento viajou até o acontecido de mais cedo. Me permiti chorar. Saí do quarto do meu filho e fui tomar um banho. Enquanto a água escorria pelo meu corpo,  meus pensamentos estavam nela e eu desejei saber como estava e o que fazia. Sorri ao me lembrar do seu cuidado com meu filho e meu coração acelerou quando recordei aquele abraço. Era a primeira vez que eu me sentia tão exposta ao ponto de não conseguir encará-la por saber que meus olhos me trairiam.

Eu estava admitindo que sentia algo por aquela garota. Mas estava também apavorada com isso. Finalizei o banho e me preparei para dormir. Peguei meu celular e havia uma mensagem da minha irmã:

-Sis! Estou indo aí em Salvador amanhã. Posso ficar em sua casa?

Ela estava online, aproveitei para digitar uma resposta.

-Claro sis! Ansiosa para rever minha irmanzinha que parece que se esqueceu de mim!

-Não seja dramática sis! Como anda o embuste do meu cunhado? E meu sobrinho lindo?

Ri com aquilo. Ela nunca gostou do Rodrigo. Hesitei em responder.

- O João está otimo. Crescendo. Conversamos quando você chegar.

- Isabel Oliveira, o que está me escondendo?

- Nada sis. Tenho algumas coisas para te contar.

- Agora fiquei curiosa!

- Se acalme. Assim que chegar nós conversamos.

-Certo. Vou dormir agora. Pego o avião amanhã cedo. Até mais tarde sis! Te amo!

- Também te amo sis! Até mais tarde!

Deixei o celular de lado e deitei, dormindo logo em seguida. Fui acordada no dia seguinte pelo toque do meu celular. Era minha irmã avisando que já havia chegado no aeroporto e estava a caminho do meu apartamento. Tratei de ir acordar o João e preparar o nosso café-da-manhã.

-Acorda meu dorminhoquinho! Adivinha quem está chegando?

Ele respondeu com a vozinha de sono:

- Tia Flávia?

- Não...

- Não sei,mamãe.

Nesse momento a campainha tocou.

- Opa, chegou! Eu vou lá atender enquanto você termina de acordar. Nem pense em dormir de novo!

Fui correndo trocar de roupa, coloquei um vestido soltinho e penteei meus cabelos e fui abrir o portão.  Minha irmã estava com duas malas grandes. Depois de um abraço apertado, entramos e o João estava de pijama no sofá assistindo televisão. Assim que o viu, minha sis escandalosa largou as malas na sala mesmo e foi correndo até o sobrinho:

-Oh meu Deus! Como você está grandão! Cadê meu abraço?

- Titiaaaa Sara! Senti saudade! Muitão!

Deixei os dois socializando e fui colocar as malas de minha irmã no quarto de hóspedes e arrumei-o  para ela. Voltei e não os encontrei na sala, mas uma cantoria vinda da cozinha chamou minha atenção. Quando entrei na mesma, me deparei com uma cena maravilhosa:

Meu filho e minha irmã, cada um com um avental, uma mesa parcialmente arrumada, ela cortando umas frutas e ele colocando os pedaços no liquidificafor. Fiquei parada ali admirando a cena.  Fui tirada do transe pela minha irmã:

- Vamos sis, se junte a nós!

E assim seguiu entre brincadeiras e risadas o nosso café-da-manhã. Enquanto eu e minha irmã arrumávamos a cozinha, o João estava em seu quarto brincando com seus dinossauros de borracha. Aproveitando que o sobrinho não estava ali, minha sis começou seu interrogatório:

-Estou ansiosa para saber as novidades que tens para me contar, sis. Desembucha.

Deixei escapar um suspiro e disse:

- Nem sei por onde começar.

- Que tal me contar por que o embuste não está aqui?

-Certo. Melhor se sentar porque a história é longa.

Contei para ela tudo o que havia acontecido, desde o dia que Flávia deu entrada no hospital até a prisão do Rodrigo. Sara ouviu tudo calada e sua expressão mudava de ódio a surpresa a cada minuto da narrativa. Quando finalizei ela disse:

-Nem conheço essa Flávia mas já a considero muito. Sis, não se atreva a deixar ela escapar.

- Você não se incomoda? Quero dizer, acabei de contar que estou criando sentimentos por uma garota! Céus Sara! Ela era minha paciente! Eu não posso...

- Sis, olha para mim. Eu não sou a mamãe. Falando na jararaca, você pode contar comigo quando for enfrentá-la. Mas é sério sis. Eu só desejo a sua felicidade.

- Ela conquistou o João de tal maneira, você precisa ver sis, o carinho entre os dois é palpável.

- Tá vendo só?  Ela te faz bem sis, por que não arrisca?

- Eu estou me divorciando. Minha vida está uma bagunça e ela só tem 19 anos. Não posso.

E assim dei por encerrado aquele assunto. Mais tarde, naquele mesmo dia, saímos nós três (eu, Sara e João) para um passeio. Era minha maneira para distrair a mente. Pela primeira vez em meses, eu tinha um verdadeiro momento em família. 


Notas Finais


Opa, personagem nova! 😉
Sara chegou chegando!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...