História Porcelain Wolf - Capítulo 9


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Caça as Bruxas!


   Aquele era um momento no qual Midoriya queria guardar para sempre na memória. Ele e Katsuki após acordarem e fazerem algumas coisas juntos, depois de Izuku tomar café da manhã (que na verdade já era bem tarde), voltaram a se deitar. O esverdeado estava com a cabeça apoiada no peitoral do namorado enquanto lhe fazia um carinho suave que ia do peito até ao abdômen. 

— Sinceramente, eu poderia ficar o dia todo aqui com você. — disse Bakugou que fazia um cafuné no cabelo do outro. A tranquilidade do lugar parecia ser quase palpável, de tão boa que era. 

   Izuku apenas se inclinou um pouco para cima, até alcançar a boca do lobisomem para lhe beijar. Eles deram alguns selinhos antes de se separarem e Midoriya voltar a deitar no peitoral de Katsuki. 

— Mas infelizmente a realidade nos chama. — afirmou levemente decepcionado em ouvir as batidas na porta — ‘Tá aberta. 

   Shoto pareceu um pouco constrangido em perceber que poderia estar estragando algo bem íntimo. Entretanto, Bakugou suspirou fazendo um aceno para que o garoto entrasse. 

— Bom... O que vamos fazer hoje? Ainda temos vários assuntos pendentes, não é? 

— Sim, você tem razão. A gente tem que ir atrás dessa bruxa o quanto antes.  

— Mas com nós dois deitados acho que não vamos a lugar nenhum, né? — disse Izuku de maneira um pouco divertida. Katsuki riu também se sentando na cama. 

— É que sinceramente, não sei nem por onde começar. 

   O bicolor puxou uma cadeira para sentar.  

— Aquela frase, por exemplo, que escreveram na escola com sangue: "cum dies, et stilla" — pronunciou perfeitamente em latim — Deveríamos considerar um aviso, ou uma ameaça? 

— Por via das dúvidas, uma ameaça. Mas “a queda” de quem? — disse Katsuki com o cenho franzido — A minha? Pois se for, eu deveria avisar para essa bruxa que ela está desatualizada e eu já ‘tô caído há muito tempo. 

   Izuku deu um tapa leve no braço do loiro. 

— Credo, Kacchan! Não fala assim. 

— Mas não deixa de ser verdade, Izuku. Um alfa sem alcateia não é nada no submundo.  

— Só que não foi você mesmo que não quis mais ficar na sua? — retrucou. 

— Sim. Mas o que me dói mais é o fato de eu não ter mais uma porque meus pais não sabem respeitar minhas escolhas e meus ideais. 

   O garoto ao perceber que havia metido o dedo na ferida* de Bakugou, se recostou na cabeceira da cama, abraçando o braço do loiro e apoiando sua cabeça no ombro dele.  

 Desculpa. — sussurrou — Não quero ficar te fazendo lembrar do passado

— Não tem do que se desculpar, meu amor. — sussurrou de volta e deu um selinho no namorado. Mas ao lembrar que já não estavam sozinhos, ele pigarreou para que Izuku também voltasse a prestar atenção em Shoto. 

— A lua cheia é amanhã. Acho que vai ser uma boa oportunidade para acharmos essa bruxa. 

— Não. — disse o lobisomem quase que imediatamente — Amanhã, não. 

— Lua cheia é tão problemático assim? 

— Acredite, é. A maior parte dos lobisomens se tornam muito perigosos. Ficar andando por ai não é uma boa opção. 

— E isso inclui você?  

   Todoroki perguntou aquilo (em relação ao lobisomem se tornar perigoso demais na lua cheia) sem intenção alguma de ofender, ou desafiar Bakugou. Entretanto, Katsuki pareceu ficar um pouco incomodado com a pergunta, mas ele respondeu sincero: 

— Não sei. 

   E vendo que os outros dois obviamente não esperavam por aquela resposta, ele suspirou e completou: 

— Eu realmente não sei o que pode acontecer amanhã. Também não sei se vai ser uma boa ideia eu ficar perto de vocês.  

— Então talvez seja por isso que meu pai nunca me deixava sair junto com ele durante a lua cheia... Mas então que tal nós te acorrentarmos? 

— Talvez seja uma boa ideia. Mas veremos isso amanhã. Por hoje, vamos apenas focar na bruxa. 

— Ótimo! — disse Shoto levemente animado — Hoje teremos caça às bruxas! 

 

** 

 

   Enji andava de um lado para outro, inquieto. Yagi que estava sentado, observava cautelosamente a cada movimento do homem ruivo. 

— Essa ansiedade toda não vai te ajudar, por enquanto. 

— Você... — o homem travou a mandíbula com certa irritação — Você não entende, não é? Amanhã será um grande dia! Ou melhor dizendo, terá uma grande noite. 

— A lua sangrenta é doentia. E você sabe o que eu penso em relação a isso. 

— Pois não é um caçador, no final das contas. 

— Enji... Não acha que leva isso a sério demais? — disse Yagi se levantando — Não acha que está sendo duro demais com os seus filhos? Soube que matou um recentemente. 

— Não, não, não. Aquilo não era o meu filho, era um lobisomem. E o único que está se tornando rebelde é o Shoto, mas aquele menino sempre foi meio difícil de se lidar depois que a mãe dele desapareceu. Então sim, preciso ser rígido com ele. 

— Desaparecimento que você culpa os lobisomens até hoje, sem ter provas algumas. 

   O Todoroki fechou ainda mais a expressão. Ele então andou até uma enorme mesa de inox que havia naquele porão e voltou a polir uma pequena adaga prateada. 

— Não te chamei aqui para nós discutirmos de novo. 

Okay, tudo bem. Você quer falar de Izuku Midoriya, então vamos falar dele. Como vai provar que ele é um lobisomem? Ser atacado durante a lua cheia não prova nada. 

— É por isso que amanhã é tão importante. Se ele for se transformar, tem que ser durante a lua cheia. Aquele namorado dele é meio esquisito também... 

   Yagi riu sem humor. 

— Enji todo mundo ‘pra você é um lobisomem que deve ser morto. Sinceramente, acho que você está ficando meio paranoico. Sem contar que, como consegue sair com a Inko quando se está caçando o único filho dela? 

— A Inko não tem nada a ver com isso. Mas se o filho dela é um lobisomem, preciso a proteger disso. 

— E o que me garante que se você acabar com todos os lobisomens, não vá caçar as bruxas também? Ou os outros demônios?  

— Porque os lobisomens são uma maldição contra os próprios humanos. 

— Ninguém a vê por muitos séculos Enji... — o tom de Toshinori era suplicante — Ficar remexendo nisso não é bom! 

— Sinceramente você é um bruxo patético Yagi! Se você não vai me ajudar a “ressuscitar” essa bruxa maldita, vou ter que recorrer a pessoas com ideais mais sombrios. Mas você não gosta muito de magia selvagem*, não é? 

— Enji, por favor, não. Aquela garota já perdeu o controle de saber o que é certo e o que não é! Já foi corrompida pela magia selvagem! 

   O ruivo o olhou como se aquilo fosse pouca coisa. Depois riu. 

— Magia branca*... — falou ridicularizando — É... não entendo o porquê de alguém tão patético e bonzinho como você iria poder me ajudar. 

   Yagi por um momento sentiu o ar ficar um pouco mais pesado e difícil para se respirar. O olhar maléfico e sem brilho de Enji o deixou com medo, sem saber o que deveria de fato fazer. Até porque, um dia eles já foram amigos, mesmo Yagi sendo um bruxo. 

— Você demorou, Camie. 

   E então, sem conseguir se mexer de seu lugar Yagi começou a tentar a gritar, mas nenhum som saiu de sua boca. Não conseguia acreditar que fora traído pelo seu próprio amigo, e que literalmente fora apunhalado pelas costas. A magia descontrolada e maligna da garota devorava a do outro bruxo com rapidez.  

   Com a cabeça erguida e postura de como se fosse um ser superior (mesmo ainda sendo um mero humano), Todoroki apenas observava. Quando terminou, Camie passou a ponta da língua pelos lábios. 

— A magia dele era tão fraca que parecia com a da minha irmã. — disse após largar o corpo no chão. 

— E então, você descobriu? 

— Porque essa obsessão pelo garoto? 

— Não é da sua conta, bruxa. 

   A garota deu de ombros. 

— É isso não me importa mesmo. Mas tenha foco! Precisamos da única pessoa que tem uma ligação direta com a bruxa do luar, um alfa descende do rei amaldiçoado. 

 

** 

 

— Antes de tudo eu quero um bife bem malpassado! — afirmou Katsuki, completamente alegre. 

   Izuku revirou levemente os olhos e Shoto riu. 

— Garçom, quando ele diz bem malpassado, é realmente tipo, sangrando mesmo.  

   Com os pedidos feitos e após o garçom sair, o esverdeado fechou seu cardápio. Bakugou colocou a mão dele em cima da de seu parceiro que ainda parecia um pouco irritado. 

— Ainda não acredito que você fez a maior confusão no outro restaurante só porque eles não queriam te servir carne crua! Por sua causa a gente perdeu a tarde inteira procurando um restaurante que te servisse da maneira que você quer. 

— Era um restaurante caro, só achei um absurdo eles não me servirem o que eu quero. 

   O garoto suspirou vendo que não valeria a pena discutir sobre aquilo. Então resolveu mudar de assunto, deixando seu tom mais tranquilo: 

— Aliás, onde consegue tanto dinheiro? É magia também? 

— Não... — respondeu rindo como se aquilo fosse um absurdo — Mesmo meu ancestral ter sido amaldiçoado e tudo mais, ele não era louco ‘pra largar toda a sua riqueza para trás. Então ele levou com ele o que pode e escondeu o resto. O que levava com ele acabou sendo passado pelas gerações e o resto ficou escondido, espalhado por diversos lugares para que seu descendente que precisasse o pegasse. 

— Então você pegou alguns desses objetos e vendeu? 

— Basicamente sim. A maioria são joias e moedas de ouro, então valem uma fortuna. 

— Quem me dera se eu fosse descendente de um rei também e pudesse herdar tudo isso... — disse Shoto brincando e os outros dois riram, que deixou o ambiente entre eles mais leve. 

   Depois de um tempo quando foram começar a comer, Bakugou fez uma expressão de puro nojo. Izuku tampou a boca para não deixar o barulho da sua risada sair alta enquanto via o lobisomem retirar disfarçadamente o pedaço de carne da boca com um pedaço de guardanapo de papel. 

— Que porra é essa? 

— Acho que temperaram a sua carne crua, Katsuki.  

   Midoriya concordou com Shoto ainda com a mão na boca. 

— Acho que perdi a fome.  

Ah, não seja por isso. — o esverdeado se inclinou na direção do namorado — Quer tomar o meu sangue? 

— Banheiro? — perguntou Katsuki de maneira maliciosa. 

— Banheiro. 

— A gente já volta, Shoto. 

   O garoto apenas acenou com a cabeça antes de os dois saírem. Mas ele sentia que havia algo errado. Talvez fosse a sua intuição de caçador, ou talvez, apenas uma preocupação desnecessária. 

   De qualquer forma, ele não pode continuar a tentar tirar qualquer conclusão, pois uma bela garota se sentou em uma das cadeiras da mesa em que estava. 

— Oi, eu sei que não deveria estar sentada aqui. — disse de maneira simpática, e então, ao ver que Shoto ainda demonstrava estar meio confuso, ela continuou — Vou ser bem direta, eu te achei atraente... Hãm... Você não é filho do Enji Todoroki? 

   Todoroki semicerrou os olhos. Aquela garota podia ser bonita, mas tinha algo nela muito estranho. Então ele achou que era referente a aquilo que sua intuição parecia apitar. 

— Você não é humana, não é? Até eu que sou humano consegui perceber isso. 

   A garota riu descontraída.  

— Você é mais esperto do que eu imaginava... Seu pai te treinou bem. — resolveu acabar com a farsa e ser franca — Na verdade, talvez nem tanto, acho que para você estar ao lado de um lobisomem, ele deve ter fraquejado em algum momento. 

   “Fuja Shoto, fuja”. Aquelas palavras ecoaram com uma voz feminina e familiar na cabeça do meio ruivo. 

   Naquele mesmo momento, o tempo pareceu parar. As pessoas que comiam, os garçons que andavam. Tudo estava parado.  

— A bruxa do vazio, Camie. — sussurrou. 

 

** 

 

   Izuku apertou ainda mais as pernas em volta da cintura de Katsuki. O alfa lhe beijava com vontade, e apenas parava para lamber e morder os lábios do namorado. 

— Tem certeza que não é arriscado a gente ficar ‘se pegando desse jeito? — disse quando realmente precisava recuperar o fôlego — Eu estou sentado na pia, qualquer um que entrar ‘pra usar o banheiro não vai gostar de nos ver aqui. 

— Então é só a gente entrar em uma das cabines, fácil. 

   O garoto humano riu balançando a cabeça, mas logo Katsuki voltou a lhe beijar. Quando o lobisomem tirou a língua de sua boca para passar-lhe sobre o pescoço, onde iria morder, Midoriya arranhou a nuca do loiro e gemeu sôfrego com a demora.  

— Na cabine... — disse arfando — Na cabine

   Porém, antes de Bakugou segurar nas coxas de Izuku para carrega-lo e eles entrarem na cabine, os dois viram um círculo com símbolos estranhos brilhar no chão.  

   Uma garota apareceu de repente no meio do círculo e caiu de joelhos no chão por não aguentar mais com o peso do homem que se apoiava fraco, quase desmaiado no ombro dela. 

— Me ajudem, por favor. 

   Izuku desceu da pia um pouco boquiaberto, e Katsuki correu para passar o braço do homem pelo seu ombro, assim podendo tirar o peso da garota. 

— A minha irmã, ela... — tentou falar, mas sua voz saía tremula demais. Então apenas se esforçou para dizer algumas palavras — Precisamos fugir, agora. 

— Mas Shoto, ele ainda está lá fora! — retrucou Izuku eufórico com tudo aquilo. 

— Izuku tem razão, não podemos deixar ele. 

   A menina começou a sentir que o ambiente estava levemente frio. 

— Ele ficará bem. 

   O círculo começou a brilhar outra vez, e para que Midoriya não ficasse para trás, Katsuki puxou o braço do namorado para que entrasse dentro do círculo. Os quatro sumiram. 

 

** 

 

— É realmente uma pena eu ter que te eliminar, mas pedidos, são pedidos, não é? Sem contar que, com ela aqui eu vou poder matar 3 coelhos com uma cajadada só. 

   A bruxa avançou e segurou no pescoço de Shoto tão rápido que ele nem consegui ter tempo de revidar, mas tentou alcançar a adaga que sempre levava com si na cintura. Entretanto, Camie sendo mais forte, puxou o pulso do garoto para longe. 

   Quando já sentia que iria ficar inconsciente pela falta de oxigênio, a temperatura caiu bruscamente e o ar havia ficado tão gelado que saía vapor da boca de ambos. Assim como o ar gelado, o chão congelava. O gelo se espalhou por todo o lugar e a garota afrouxou o aperto no pescoço de Shoto em sentir que aquela magia também a havia congelado. 

— Grr... — murmurou irritada em não conseguir poder mover seus músculos do pescoço para baixo — O que é isto seu bastardo? 

   “Fuja Shoto, fuja”, disse a mesma voz outra vez. E então, ao longe o garoto pode ver uma espécie de portal em formado de floco de neve se abrir na parede. Ele correu o mais rápido que pode, as vezes até quase caindo ao tropeçar nos próprios pés e, ao ter medo de colidir contra a parede, fechou os olhos antes de passar pelo portal. 

 

 

   Shoto caiu no chão assim que atravessou o portal. Ele deitou de barriga para cima em uma tentativa de poder regularizar a sua respiração, já que estava ofegante. Só depois, percebeu que estava numa cozinha de uma casa desconhecida. 

— Você está bem, Shoto? — era a voz de Katsuki não muito distante. 

— Eu... — o garoto se sentou — Sim, mas, eu acho que a minha mãe me salvou. 

— Sua mãe? 

 Ao ouvir a voz de Izuku também, Todoroki resolveu levantar-se. Analisou o cômodo em que estava, que não tinha nada de diferente, apenas parecia uma cozinha normal, em uma casa normal. 

   Tanto o lobisomem, quanto o namorado, estavam apoiados na mureta em formato de “L” que havia perto da pia. Com certeza conversavam antes de Shoto chegar. 

— É, não sei como é possível, mas ela deve ser uma bruxa. — disse com certa descrença em seu tom — E pensar que ela esteve desaparecida desde quando eu era criança. 

— Ele finalmente dormiu. — afirmou uma quarta pessoa depois que entrou na cozinha. 

   Bakugou encheu e entregou um copo de água para a garota, que aceitou de bom grado. 

— Isso é um bom sinal, Uraraka. 

— É sim, Yagi não vai demorar para se recuperar... Bom, pelo menos dos machucados físicos. Obrigada por me ajudarem. 

   Ochaco então apontou para que todos sentassem. 

— Sei que vocês deverem estar com dúvidas.  

— O que é que aconteceu? Cadê a Himiko, a Camie? 

— Katsuki, você conhece a Camie? — perguntou Shoto surpreso. 

— Gente, calma. — disse Izuku fazendo um gesto com a mão para eles pararem. Depois, segurou na mão de Bakugou que entrelaçou seus dedos em estar inquieto — Deixa-a explicar. 

— Bakugou, eu sei que quando você era criança, era bastante amigo meu e das minhas irmãs. Mas depois que seus pais descobriram que você mantinha amizade com bruxas e não conseguiu mais vir aqui, com os anos as coisas mudaram muito. 

— O que aconteceu?  

— Nem eu sei dizer exatamente como tudo começou. Mas houve um tempo em que a Himiko e a Camie queriam aumentar o próprio poder, mais do que o nosso mentor poderia ensinar. Elas desejavam ser iguais a bruxa do luar, assim como muitas bruxas desejam ser. Yagi, o nosso mentor, até apoiava o sonho delas, mas desde que tomassem as devidas precauções, é claro. O problema foi quando elas se envolveram, ninguém sabe como, com magia selvagem

   A garota tomou mais um gole de água, enquanto todos a olhavam atentos. Ela continuou: 

— Com a magia selvagem, elas se tornaram mais obcecadas ainda. Não queriam mais saber da gente... — Ochaco apertou os dedos em volta do copo — Se tornaram malignas e corrompidas.  

— Por isso a Camie se tornou a temível, bruxa do vazio? — indagou Shoto — Até mesmo os caçadores são instruídos a terem cuidados com certas bruxas altamente perigosas. 

— Sim. Mas a Camie, eu diria que foi questão de sorte estar viva ainda para ser tão temida. Já a Himiko... 

   Izuku sentiu o aperto em sua mão ser mais forte. Katsuki pareceu ficar ainda mais tenso. 

— O que aconteceu com a Himiko? 

— Há algum tempo atrás, minhas irmãs cegas pelo poder, após desprezar completamente a minha existência, a do Yagi e das leis naturais, começaram a praticar rituais com humanos. Obviamente, nenhum deles dava certo e mesmo assim, a pedido de Yagi eu as seguia escondido. O problema foi quando em um dos rituais, durante a lua cheia, elas conseguiram fazer com que um garoto humano conseguisse se transformar em lobo. 

   A revelação fez com que todos arregalassem os olhos. 

— Isso não pode ser verdade. — disse o lobisomem incrédulo. 

— Só que no ritual, algo deu errado — continuou, mas logo parou para fechar os olhos. Era como se Uraraka tentasse não chorar ao lembrar daquilo — E o corpo da Himiko não aguentou usar tanta magia selvagem até o final. Ela faleceu

   Bakugou fechou os olhos naquele mesmo instante, igual a Ochaco, que não conseguiu controlar o fio de voz que saiu em dizer aquelas duas palavras. Ele abaixou a cabeça e levou uma das mãos até a testa, cobrindo-a. Shoto achou melhor ficar quieto, enquanto Midoriya possuía uma certa expressão de tristeza. Ao falar, seu tom era igualmente triste: 

— Eu sinto muito...  

   A bruxa tentou sorrir e agradeceu baixo. Já Katsuki evitava manter algum contato visual, mas todos entendiam o quanto deveria ser difícil receber uma notícia daquelas sobre uma amiga de infância, por mais que a mesma tivesse seguido um caminho não benéfico para ninguém.  

— Preciso tomar um ar. — sem esperar por alguma resposta, o lobisomem apenas saiu. Midoriya não o seguiu, e ficou fitando a mesa. 

— Onde nós estamos, afinal?  

   Uma mulher de cabelo branco e olhos levemente cinzas entrou na cozinha.  

— Na minha casa. — falou à Shoto. 

 Mãe...  

   Com o peito carregado de saudade, o garoto correu até a mulher, que o abraçou com força. Depois de vários minutos, ela beijou o topo da cabeça de Todoroki para finalmente encara-lo. 

— Então foi você mesma quem me salvou?  

— Foi sim, meu filho. Eu estava com tanta saudade. 

— As coisas se tornaram tão ruins depois que você sumiu. Eu acreditei por muito tempo que tinha perdido a Touya também. 

   Rei Todoroki apertou ainda mais o filho em seus braços e Shoto fechou os olhos sentindo finalmente a aflição de anos passar. 

— Me perdoa, por favor, me perdoa. 

— Por que foi embora, mãe? 

— Eu precisei, pelo bem de vocês. A magia selvagem depois de séculos sendo controlada tinha retornado de uma maneira assustadora. Animais e pessoas humanas estavam se tornando monstros deformados e horríveis. Então convocaram os melhores bruxos e bruxas para tomarem as devidas medidas. 

— E você era uma dessas pessoas? 

— Sim, eu tinha entrado em um acordo com as bruxas anciãs. Elas permitiram me casar com o Enji, mas com uma condição: quando fosse necessário, eu deveria voltar para ajuda-las, caso contrário, eu iria perder todos vocês. Na verdade, eu ainda não deveria estar de volta, mas quando soube o que ele tem feito durante esses anos, o que ele fez com Touya e você, eu implorei para que me deixassem vim pelo menos te ver. 

— É, meu pai não está, digamos que muito bem emocionalmente. Mas não precisa se sentir culpa mãe. Você está aqui agora, é isso o que importa. 

— Eu queria que você ficasse aqui comigo, Shoto. Quero poder finalmente te proteger de verdade. O que você acha? Porque hoje, por exemplo, aquela bruxa iria te matar a pedido de Enji. 

— Francamente, eu não consigo nem me surpreender mais com as atitudes do meu pai. — o garoto olhou de relance para Izuku, que conversava com Uraraka, também pensou em Katsuki, Kirishima e até em Kaminari.  Então ele suspirou com um leve sorriso no rosto — Mas não posso te dar uma resposta ainda. 

   Rei sorriu também. Ela podia entender que depois de tanto tempo, seu garotinho havia crescido e conseguido amigos, indo atrás da sua própria aventura, seguindo seus próprios ideais. Então os dois se sentaram junto de Midoriya e Ochaco. 

— Você e o Yagi tiveram sorte de conseguirem fugir.  

— Eles largaram o mentor de maneira deplorável naquele porão. Não consigo nem pensar no que poderia ter acontecido caso ele não tivesse conseguido me mandar aquele sinal mágico de socorro. Realmente tivemos sorte foi no restaurante. Camie me seguiu quando percebeu que o Yagi não estava mais no porão. 

— O que será que ela quer? 

— Meu palpite é que ela possa facilmente jogar uma maldição, que nem a bruxa do luar. — disse Izuku — Se era ela quem estava tentando me separar do Katsuki, é porque um de nós dois talvez tenhamos algo a ver com isso. Creio mais que ela quer o Katsuki pelo sangue puro. 

   Uraraka franziu o cenho, pensativa. 

— Faz sentido. Ela estava drenando sangue animal também... Será que a Camie pretende fazer outro ritual? 

— Melhor nós ficarmos atentos... — Shoto falou e todos concordaram. 

— Ochaco, queria aproveitar que estou aqui e te perguntar uma coisa: foi você que deixou aquele remédio na porta da minha casa? 

   A bruxa de repente pareceu ficar eufórica com a pergunta, então ela sorriu: 

— Sim! Fui eu, sim! O que você achou dele? 

— Hãm... Bom? 

— Que ótimo! Sabe, foi o primeiro que fiz sem a ajuda do meu mentor. Ele apenas faz uso de magia branca, e fez questão que eu aprendesse também para poder ajudar as pessoas. Por isso, tenho me dedicado bastante em fazer remédios e achei que como você foi marcado pelo Katsuki, um remédio eficaz como aquele seria bom para vocês dois usarem quando preciso. 

— Fico grato pelo remédio, mas e aquela frase que você deixou junto?  

— Que frase?  

— Quer saber, deixa ‘pra lá... Vou ir atrás do Katsuki. 

   Uraraka assentiu, e Izuku fez um gesto para se retirar. Ele achou estranho o fato de ter tido um papel junto ao remédio, mas para Midoriya, a bruxa parecia estar sendo sincera no que dizia. Por causa daquilo, concluiu que era apenas mais um dos joguinhos de Camie. 

   O garoto andou pela grande casa e já imaginou onde o lobisomem poderia estar. Foi direto então a varanda no segundo andar daquela casa. Katsuki estava com os braços apoiados no parapeito e mal notou quando o namorado chegou. 

   Izuku abraçou-lhe por trás, escondendo o rosto nas costas do outro. 

— Se não quiser, não precisa me dizer como se sente, ou desabafar. Mas saiba que eu vim até aqui para te dar apoio, mesmo que seja em silêncio. Pois quero que veja que estarei ao seu lado para o que der e vier. — disse após sentir Bakugou lhe acariciar as mãos e os braços que o abraçavam de maneira suave. 

   Bakugou mordeu o próprio lábio depois de ouvir aquilo. Seria ele muito precipitado em dizer que amava Izuku? Afinal, fora nascido e criado junto com lobisomens em sua forma de lobo que não se relacionavam, nem paqueravam, ou demonstravam sentimentos amorosos demais. Então não entendia tão bem como funcionavam as coisas, os sentimentos humanos.  

   Claro que com os seus 22 anos, Katsuki já tinha se relacionado algumas vezes. Entretanto, eram relacionamentos carnais e nenhum deles foi com um humano. Para não se arrepender, ou estragar tudo (pois tinha medo de Midoriya o deixar caso ele se “abrisse” demais, assustando-o) o loiro resolveu que ainda não diria nada, pelo menos por enquanto. 

   Ele se virou para frente. 

— É um pouco difícil de acreditar que uma pessoa que eu era amigo simplesmente tomou um rumo tão ruim, e depois perdeu a vida por causa disso. Sabe, a ficha não cai

— Talvez nem se você tivesse continuado a ser amigo delas isso teria as impedido. 

— Eu sei. É por isso que eu vou tentar não pensar no passado. Pelo menos não mais.  

   Midoriya andou até o parapeito da extensa varanda para olhar a vista. A casa ficava no meio do nada e podia-se ver montanhas mais ao fundo. 

— Eu perdi meu pai há alguns anos atrás. — disse após os dois olharem em direção ao horizonte por longos minutos — Foi bem doloroso.  

— Meus pêsa... — tentou dizer, mas o namorado indicou para parar, com um aceno. 

— Não precisa disso. Isso sempre vai ficar marcado a minha vida, é claro. Mas sou do tipo que não gosta de se apegar ao passado, as memórias também... Eu tento pensar no meu presente e no meu futuro. E tanto em um, quanto no outro, eu quero você esteja neles, Kacchan. É isso o que me importa agora. 

   Nenhum dos dois entendia como um assunto que se tratava das amizades de Bakugou se tornou em algo como o que eles queriam para o futuro. Entretanto, ambos pareceram estar confortáveis com aquilo. Talvez, eles apenas perceberam que em meio a tanta desgraça e até mortes, tinham que aproveitar e valorizar um ao outro enquanto ainda podiam, em cada dia que se passava. 

   O lobisomem beijou a testa de Izuku, em um gesto afetuoso. 

— Eu também, Izuku. Eu também quero te ter todos os dias e construir minha vida com você, apesar de todas as dificuldades.  


Notas Finais


*meter o dedo na ferida - Tocar em um assunto delicado

*magia selvagem - meu irmão adorava assistir as Winx, então as vezes eu assistia junto e acabei vendo esse termo. Magia selvagem nada mais é do que uma magia muito, muito maligna e também descontrolada.

*Magia branca - seria que, digamos, uma magia "do bem", usada para ajudar principalmente os outros. Ela não trás mal nem para o próprio praticante (diferente e contrário do que seria na fic a magia selvagem).


Ai mas como assim Katsuki tem fucking 22 anos e conseguiu entrar na escola do Izuku? Isso e outras coisas também irão aparecer na fic ashashshash


O nome capitulo é caça as bruxas, mas eles não conseguiram caçar bagaça nenhuma no final das contas

flw


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