História Porque Lance não deveria ser a segunda opção de ninguém - Capítulo 1


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Categorias Voltron: O Defensor Lendário
Personagens Hunk, Lance
Tags Hance, Klance
Visualizações 195
Palavras 5.065
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: LGBT, Sci-Fi, Slash
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Meus lindos, vcs vão ter q fingir q o Castelo n foi destruído depois da luta, okay?

- Fanfic escrita antes da S7, sem pedrada pfvr

Capítulo 1 - .único


Hunk conheceu Lance no primeiro ano da Garrison.

Foi quando havia acabado de chegar na recepção, com sua mãe ao seu lado e segurando as duas malas carregadas dos itens pedidos na lista que a Academia enviara por email.

A recepção estava cheia. Com diversos dos novos alunos selecionados durante as férias de final de ano.

Sua mãe foi conversar com o recepcionista atrás do balcão e Hunk ficou lá, parado no meio daquela gente.

Porém, não demorou muito para que ela voltasse, junto de uma mulher trajando as vestimentas dos monitores e com um garoto moreno logo atrás.

Hunk reparou que ele segurava duas malas coloridas e bem maiores que as suas.

- Meu querido, este aqui será seu novo colega de quarto. - falou sua mãe, indicando o garoto, que lhe ofereceu um sorriso simpático. - O nome dele é Lance McClain, e ele também é um intercambista, acredita?

- Legal. - disse, retribuindo o sorriso e deixando as malas no chão para lhe estender a mão. - Eu sou o Tsuyoshi Garrett. Mas pode me chamar de Hunk, pra facilitar.

Lance riu e se aproximou, também deixando suas malas no chão.

Quando segurou sua mão, Hunk percebeu que ele tinha uma pele muito macia.

- Não tenho apelidos. - falou Lance. - Mas fique à vontade para me chamar de Lancey Lance. - e ele piscou, com um sorriso lateral.

A primeira impressão que teve dele foi: Viado.

Poderia jurar de pés juntos que Lance era gay.

Principalmente depois de vê-lo passar um creme verde no rosto antes de dormir, quando já haviam decidido com qual cama cada um ficaria e após tirarem as coisas de suas malas, colocando-as nos armários.

- Pra que você 'tá passando isso? - perguntou Hunk, que já vestira seu pijama e se preparava para ir dormir.

Lance estava dentro do banheiro, com a porta aberta, e de frente para o espelho.

A pia estava lotada de produtos de beleza que nunca vira na vida.

- Pra cuidar da minha pele, oras. - falou Lance, inclinando-se ainda mais contra o espelho. - Meus poros vão poder se abrir durante a noite e as minhas espinhas irão diminuir. É muito bom. Se quiser, eu posso te emprestar.

- Ãh... - disse, um pouco confuso. - Não, obrigado.

- Como quiser. - ele deu de ombros.

No decorrer da primeira semana juntos, Hunk percebeu que Lance era uma ótima companhia.

Meio esquisito ao seu modo, mas Hunk não tinha moral para falar porque também era meio esquisito.

Talvez tenha sido por isso que viraram melhores amigos.

Acabaram sentando na mesma fila na sala de aula, com Lance à sua frente, e ele sempre se virava para comentar sobre alguma coisa engraçada que tinha pensado, fazendo Hunk rir.

Ambos não conheciam ninguém dentro da Garrison e passaram a ser a companhia um do outro.

Lanchavam juntos, faziam trabalhos juntos, Lance ajudava Hunk na tarefa de biologia e literatura, e Hunk o ajudava com matemática e física.

Com o tempo, foram descobrindo coisas um do outro.

À noite, após fazerem as tarefas e irem tomar banho, começavam a conversar e o diálogo simplesmente fluía.

Hunk adorava conversar com Lance, porque tudo era fácil com ele.

Contou sobre a separação difícil de seus pais quando tinha dez anos, sobre como sua mãe era incrível e prometeu a Lance que, quando se formassem na Academia, o levaria para Samoa, para que experimentasse do melhor sorvete do mundo.

Depois, Hunk descobriu sobre a enorme família de Lance.

Ele lhe contou que tinha vários irmãos mais novos e apenas três mais velhos.

Falou sobre Cuba e suas praias, e também sobre o bairro onde morava, narrando aventuras que vivera com seus colegas de escola e seus vizinhos.

Hunk adorava ouvi-lo falar.

Lance fazia caretas durante suas narrativas e se levantava da cama, encenando as coisas como provavelmente teriam acontecido.

Riam juntos todas as noites e várias vezes jogaram o travesseiro um contra o outro, em brincadeiras infantis.

Mas, apesar disso, os momentos favoritos de Hunk era quando podia ver Lance se arrumar.

Não sabia porque gostava de vê-lo pentear seu cabelo cinquenta vezes antes de dormir, ou porque gostava de quando ele sorria daquele jeito idiota que somente Lance McClain conseguia fazer.

Ou, principalmente, porque gostava de vê-lo enquanto se maquiava.

Lance demorou para se sentir confortável o suficiente ao ponto de se maquiar na sua frente.

E Hunk gostava muito de o ver fazendo isso.

Depois de terem tomado banho e vestido seus pijamas, Lance se aproximava da cama de Hunk, levando sua necessaire e com uma faixa sobre o cabelo castanho e suas orelhas pequenas (que, segundo o que ele dissera, servia para que a maquiagem não fosse parar em lugares indesejados).

Hunk se encostava contra a parede e ficava a observá-lo.

Conversavam sobre trivialidades, como provas e alguns colegas de classe.

E, muitas vezes, acabavam falando sobre Keith, o garoto mal humorado que tirava Lance do sério.

Hunk não tinha nada contra Keith, mas Lance jurava odiá-lo.

Discutiam em todas as aulas e sempre se provocavam, com eles tentando superar um ao outro e mostrar quem era o melhor.

Era uma coisa divertida de se ver. Principalmente porque o bico emburrado de Lance era uma graça.

- Ficou legal? - perguntava ele, em todas as vezes que terminava sua maquiagem, virando-se para o melhor amigo.

Nesses momentos, Hunk se perdia em seus contornos. Admirando a curva de seus lábios e o formado de suas maçãs do rosto.

- Ficou... incrível. - dizia todas as vezes.

Porque tinha ficado. Sempre ficava.

Porém, apesar disso (e das milhares de outras coisas), Lance não era gay. E Hunk não conseguiu esconder sua surpresa quando o viu dando em cima de uma das garotas mais velhas durante o intervalo.

Pidge estava com eles quando aconteceu.

Ele era um dos garotos prodígios, tinha pulado várias séries para estar ali, e Hunk e Lance o conheceram quando acabaram caindo no mesmo time para as aulas de silumações.

Wow... - Hunk murmurou, vendo Lance se inclinar sobre a mesa da menina, há poucos metros de distância. - Ele curte garotas.

Pidge seguiu seu olhar.

- Bem, sim. - falou ele. - Todo mundo sabia disso.

Todo mundo sabia. Menos Hunk.

E ele não soube dizer porque se sentiu um pouco decepcionado quando descobriu.

Talvez fosse estranho pensar nessas coisas e Hunk realmente demorou para entender o que todos aqueles sentimentos significavam.

Afinal, para ele, tudo era apenas seu coração batendo forte por conta de uma bela amizade.

Hunk nunca teve um melhor amigo.

Em Samoa, não conseguia se dar muito bem com os garotos, e as meninas tinham um pouco de medo dele.

Porque, bem, Hunk era gordo e negro (e ninguém deveria enxergar essas palavras como xingamentos).

Pensavam que ele era como aqueles caras dos filmes dos Estados Unidos, que batiam nos inferiores e roubavam seu dinheiro para o lanche.

Por isso, mantinham-se afastados. E Hunk, por mais que tentasse mostrá-los de que, na verdade, adorava companhia, abraços, e que provassem de seus biscoitos que fazia com amor; não conseguia mudar sua imagem de valentão.

Dessa forma, quando passou a ficar feliz com a companhia de Lance e a desejar tê-lo por perto, pensou que fosse apenas a amizade falando mais alto.

E talvez, no início, tivesse sido exatamente isso.

Porém, em algum momento, as coisas começaram a mudar.

Ver Lance em seu roupão passou a fazê-lo se sentir tenso e, nos momentos em que riam juntos e Lance agia como um idiota para chamar atenção, Hunk podia sentir seu coração bater mais forte.

Mas, então, muitas outras coisas passaram a acontecer.

Keith foi expulso por mal comportamento e Lance se tornou mais quieto nas semanas que se seguiram.

Depois, quando ele pareceu ter voltado ao normal, houve o incidente no telhado da Garrison, onde descobriram sobre o Voltron e viram a nave alienígena.

Então, teve o encontro com o Leão Azul.

Quando Hunk percebeu, estava dentro de um castelo alienígena, vestido com uma armadura amarela e sendo chamado de paladino.

Tudo acontecendo rápido demais dentro da sua cabeça e pensar no quanto estavam longe de casa fazia com que perdesse noites em claro.

E ele sabia que não era o único.

Conforme o tempo foi passando, pode perceber que Lance se tornou mais distante e mais sério.

Ainda se divertiam, com ele fazendo caretas e rindo alto. Era legal.

Apenas... não era como antes.

Sem contar, é claro, a paixonite que Lance desenvolveu por Allura, a princesa alteana.

Hunk não tinha nada contra ela.

Era uma ótima amiga, na verdade.

Porém...

As missões foram mudando, tornando-se mais difíceis.

Planeta em perigo atrás de planeta em perigo. Sem pausas para descansar.

Hunk já não sabia como continuava em pé. Sua mente estava colapsando.

Shiro desapareceu e Keith assumiu o comando da equipe, com Lance virando seu braço direito.

Hunk percebeu que eles se tornaram mais próximos naquele tempo.

Via-os conversando pelos corredores e vislumbrava pequenos sorrisos carinhosos vindos de Keith.

Mas Hunk não queria pensar sobre isso.

Então, Shiro retornou e Keith foi embora, aliando-se à Espada de Marmora.

Pidge (que descobriram ser uma garota) encontrou seu irmão e seu pai.

E, no meio disso, Hunk e Lance se distanciaram.

Agora, quando se encontravam para conversar, Pidge sempre estava lá, como uma barreira.

Não que estivesse reclamando. Hunk adorava Pidge.

Ela se tornou sua melhor amiga e era a garota com quem podia discutir sobre mecânica sem precisar parar para explicar algum termo complicado.

Mas ele sentia falta de seus momentos sozinhos com Lance. De vê-lo se maquiar e de conversar sobre trivialidades, com ambos na mesma cama e rindo das coisas que Lance falava.

Desse jeito, quando achou que as coisas não poderiam piorar, Lotor se aliou ao Voltron e Hunk viu Lance começar a desmoronar.

Nunca havia levado a sério aquela paixonite dele por Allura. Pensou que seria algo passageiro, até mesmo superficial.

Entretanto, de repente, ele se viu consolando seu melhor amigo, que chorava com a cabeça em seu ombro, falando coisas sobre nunca poder ser como Lotor.

- Você é melhor do que ele. - disse naquele dia.

Estavam sentados na cama de Hunk, encostados contra a parede.

Era a primeira vez em muitos meses que finalmente estavam tendo um tempo só deles.

- Não, cara. Eu não sou. - falou Lance, fungando. - Olha pro Lotor, Hunk. Ele é um imperador. Eu sou só um simples paladino que faz piadas idiotas.

- E quem se importa com ter impérios ou não, Lance?

Seu melhor amigo tirou a cabeça de seu ombro e olhou para Hunk, com as lágrimas caindo por suas bochechas.

- A Allura se importa! - disse.

Allura.

Bem, Hunk não se importava.

Para Hunk, Lance não precisava ter territórios em seu nome e exércitos sob seu comando para ser perfeito.

Mas ele não poderia dizer isso.

Naquele dia, apenas balançou seus ombros com indiferença.

- Mande a Allura se danar.

Pode ver um sorriso de lado surgir nos lábios de Lance.

Era lindo.

- Seu idiota. - murmurou ele, ajeitando-se para ficar em uma posição melhor.

- É verdade, Lance. - continuou. - Se a Allura está feliz ficando com o Lotor, por que interferir? Você não precisa dela pra ser feliz. Você não precisa de ninguém pra ser feliz.

Lance não respondeu por alguns instantes.

Depois, pegando Hunk de surpresa e fazendo seu coração disparar, ele passou o braço por seu pescoço, puxando-o para perto.

- Tem razão. - ele disse. - Você tem razão, Hunk. Eu acho... que precisava ouvir isso. Obrigado.

Foi a vez de Hunk passar o braço por seu pescoço.

Lance era quente. E confortável.

- Amigos servem pra isso.

Naquele dia, Hunk dormiu sentindo o calor de Lance nas pontas de seus dedos.

Convenceu-se a si mesmo de que Lance apenas não gostava dele porque era hétero.

Era isso.

Tinha que ser.

Porém, meses depois, Keith retornou.

E as coisas voltaram a acontecer rápido demais para que Hunk pudesse raciocinar.

As atrocidades que Lotor cometia foram descobertas, e Allura chorou na Sala de Comando, em silêncio.

Eles se envolveram com novas batalhas e Hunk viu, mais uma vez, Keith e Lance voltarem a conversar pelos corredores do Castelo.

Eles treinavam juntos e, às vezes, quando estava com insônia e ia até a cozinha para comer algo, podia ouvi-los rindo na Sala Comum.

Procurou não pensar sobre o que poderia estar acontecendo.

Não queria saber.

Então, após Shiro fugir com Lotor e Keith ir atrás deles, Hunk percebeu que Allura passou a olhar para Lance de uma maneira diferente.

No início, pensou que tinha sido apenas impressão.

Mas, depois, quando a própria Pidge comentou sobre isso, teve certeza.

O sorriso de Lance aumentou e ele voltou a ser mais daquele jeito que era antes.

Aconteceu a batalha contra Lotor dentro da outra dimensão, e eles ajudaram Shiro que, segundo Keith, estava morto.

Quando Hunk viu Lance se ajoelhar ao lado do líder, logo após a batalha, ele estava chorando e seu coração se despedaçou.

Pensou em correr até ele e abraçá-lo, dizendo que tudo ficaria bem.

Mas Allura fez isso primeiro, colocando a mão sobre seu ombro e lhe oferecendo um sorriso delicado.

Hunk entendeu tudo ali, naquele momento.

E odiou entender.

Após aquilo, Keith voltou a assumir o comando da equipe e disse que eles voltariam para casa. Para Terra.

Hunk pensou que ficaria feliz.

Afinal, eles estavam voltando.

Poderia ver sua mãe e levar Lance para provar do melhor sorvete do mundo em Samoa.

Entretanto, ele só conseguia pensar em Allura e na coisa horrível que ela estava fazendo.

Todos sabiam que ela não sentia nada por Lance.

Era apenas... amizade.

Apesar disso, Hunk teve o desprazer de vê-los trocando carícias pelo Castelo enquanto assumiam rota para a Terra.

Doía.

Doía muito.

Porém, pior do que isso, era ver Lance sorrindo feliz, como se finalmente tivesse achado a razão pela qual deveria viver, sendo que, na verdade, ele vivia apenas das migalhas que Allura lhe oferecia.

Porque Hunk viu como Allura era perto de Lotor.

Seus sorrisos eram verdadeiros.

Seus olhos chegavam a brilhar.

Ela olhava para Lotor como se ele estivesse sobre um pedestal, brilhando em sua armadura reluzente e com os cabelos ao vento.

Já com Lance, quando ela o olhava, era como se ele apenas estivesse lá.

Não gostava disso. Odiava isso.

Lance não merecia migalhas de um amor que nunca foi para ele.

E talvez tenha sido esse ódio que o levou a bater na porta do quarto de Allura, no meio da madrugada, pedindo para que conversassem.

Talvez tenha sido esse ódio que o fez gritar com ela, com raiva, perguntando que tipo de merda ela achava que estava fazendo.

Mas não foi esse ódio que o fez parar de gritar quando ela começou a chorar.

E não foi esse ódio que fez Hunk se sentar ao seu lado na cama, ouvindo-a dizer sobre como sentia falta de Lotor e sobre como estava arrependida pelo que estava acontecendo com Lance.

Porque Hunk não era esse tipo de cara.

Hunk era o ombro amigo das pessoas e Allura precisava de um ombro amigo naquela madrugada.

- Eu não consigo evitar! - ela falou, escondendo o rosto entre as mãos. - Quando estou me sentindo sozinha e pra baixo, o Lance surge, sorrindo daquele jeito bobo e falando coisas para me fazer rir. E então, ele passa a mão pelo meu rosto e eu penso que posso ser amada, sabe? Não é... intencional. Eu não quero...

Mais uma onda de choro veio, fazendo Allura molhar o pijama de Hunk com suas lágrimas.

Seus soluços ecoavam pelo quarto.

Hunk contou até dez antes de a responder.

- Você sabe que não gosta do Lance como ele gosta de você. - seu tom de voz era calmo.

- Mas é tão bom ter alguém, Hunk... É tão bom sentir que alguém gosta de você...

Ele ficou em silêncio, apenas a ouvindo falar.

Hunk a entendia.

Quando se envolvera com Shay, a garota de Balmera, estava fazendo a mesma coisa. 

Shay era legal. Hunk até gostava dela, mas tudo estava mais relacionado com o fato dela gostar dele, do que o contrário.

E isso era errado. Tanto que desistira daquele relacionamento.

- Você o está usando como sua segunda opção, princesa. - falou Hunk, suavemente, passando a mão por seu cabelo claro.

Allura havia colocado a cabeça em seu colo, com o resto do corpo encolhido sobre o colchão da cama.

- Eu sei. - ela disse. - Isso é horrível, né? Eu... eu deveria acabar com tudo.

Ele assentiu, enrolando uma longa mecha de seu cabelo em um dos dedos.

- Eu só... - Allura fez uma pausa. - Como o Lance iria ficar? Oh, céus, eu acabaria com ele se dissesse que devemos parar...!

- Mas se você continuar vai ser pior. O Lance não merece isso, princesa.

Assim, ela ficou em silêncio.

Hunk suspirou e olhou ao redor, admirando seu grande quarto e pensando em como ela estava parcialmente certa.

Lance ficaria em cacos.

Principalmente agora que tivera um pouco do gosto do que era namorar a garota que desejou nos últimos meses.

Mas era melhor isso do que viver uma mentira.

Porque Lance não deveria ser a segunda opção de ninguém.

- Ele faz tranças em mim, sabia? - Allura sussurrou, de repente.

- Quem? O Lance?

Ela se ergueu de seu colo, balançando a cabeça em concordância.

Seus olhos estavam inchados e ela se sentou melhor ao seu lado.

- Adoro quando ele vem fazer tranças no meu cabelo. - disse, baixinho como se fosse um segredo. - Ele se senta atrás de mim e começa a me pentear, beijando minha cabeça vez ou outra e falando coisas fofas que me fazem sorrir. É... bom.

Hunk sentiu quando a pontada no peito veio, e foi inevitável imaginar a cena, pensando em como Lance deveria se sentir feliz por estar fazendo isso.

- Eu gosto disso. - Allura continuou, olhando para baixo. - Mas... não é o Lotor.

- É. - ele concordou, sentindo-se mal. - Não é o Lotor.

E ele viu quando uma última lágrima escorregou por sua bochecha.

No dia seguinte, depois daquela madrugada, Allura chamou Lance para uma conversa na sala Comum.

Hunk ficou no lado de fora, junto dos outros.

- Será que o casal do ano vai terminar? - perguntou Pidge.

Shiro deu de ombros (ainda era meio estranho vê-lo de cabelo branco) e olhou de esguelha para Keith, que se encontrava de braços cruzados sobre o peito.

- Acho que essa é uma boa oportunidade, não é, Keith? - ele falou.

Keith virou a cabeça em sua direção com rapidez.

- O quê? - ele pareceu um pouco nervoso. - Como é que é?

Shiro sorriu de lado.

- Você sabe do que eu 'tô falando.

Hunk franziu o cenho e viu Pidge fazer o mesmo.

- Do que é que você 'tá falando? - perguntou ela, olhando de Shiro para Keith.

Keith corou de leve.

- Não é nada. - disse ele.

Shiro revirou os olhos, como se achasse aquilo tudo muito divertido.

- É, Pidge, relaxa. Não é nada.

Depois, eles acabaram se separando e Hunk foi ao laboratório de Pidge para lhe fazer companhia enquanto ela interceptava algumas mensagens galra.

No almoço, Hunk fez questão de preparar a comida favorita de Lance, pensando que isso poderia animá-lo.

Mas Lance não apareceu para almoçar.

Allura se sentou no lugar que sempre ocupou na mesa e ficou em silêncio a refeição inteira, murmurando pequenas ordens para que treinassem quando se retirou.

- Caraca, a coisa 'tá feia. - Pidge murmurou.

- O Jovem Lance nem apareceu para comer. - disse Coran, olhando para os outros. - Ele deve estar bem mal mesmo.

Shiro se mexeu em sua cadeira, cruzando os braços sobre o peito.

- Eu acho... - falou ele, e um sorriso ladino surgiu em seus lábios. - ... que o Keith deveria ir conversar com ele.

Keith bufou, sentado ao seu lado.

- Qual é, Shiro!

- Só 'tô querendo te ajudar. E isso é uma das suas obrigações de líder da equipe Voltron: sempre servir de apoio para um amigo que passa por dificuldades.

Hunk percebeu que Keith iria revidar, talvez falando algo sobre ser apenas um líder temporário até que Shiro voltasse à ativa; mas não estava com paciência para isso.

- Eu vou. - disse ele, simplesmente, levantando-se.

Todos ficaram em silêncio até chegasse perto da saída.

- Boa sorte! - exclamou Pidge, fazendo Hunk sorrir.

Quando chegou na porta do quarto de Lance, bateu mais de seis vezes até que ele resolvesse abrir.

Ainda usava seu roupão azul e tinha a aparência de quem havia acabado de chorar.

Hunk odiou vê-lo assim.

- Posso entrar? - perguntou.

Lance balançou a cabeça, concordando, e se afastou da porta, dando-lhe passagem.

Ele entrou e viu seu amigo andar até a cama e cair sobre ela, totalmente desanimado.

Ficaram em silêncio enquanto ouviam a porta se fechar.

Hunk respirou fundo, sentindo as batidas de seu coração se tornarem mais dolorosas.

- Quer conversar sobre o que aconteceu?

Lance não respondeu, apenas se mexendo na cama e se encolhendo em posição fetal.

Ele parecia indefeso quando fazia isso.

Hunk andou até ele e se sentou ao seu lado, permanecendo sem dizer uma só palavra.

Sabia que, às vezes, Lance preferia o silêncio ao invés de palavras de conforto.

Hunk sabia quase tudo sobre ele.

Talvez fosse por isso que estivesse apaixonado.

- Ela me dispensou. - foi o que Lance murmurou, com a cabeça escondida entre os braços.

Hunk esperou que ele prosseguisse, mas isso não aconteceu.

Então, ficou a observá-lo.

Amava olhar para Lance.

Admirar sua pele morena e bem cuidada, seus contornos delicados do rosto, seu nariz empinado e seus lábios delicados...

De repente, Lance se mexeu, virando-se de costas e fitando o teto de seu quarto.

Suas pernas caíam para fora da cama.

- Eu esperei tanto tempo por isso... - ele murmurou, com a voz trêmula. - Desejei por tanto tempo que ela me notasse... E agora, acabou. 'Tava tudo indo bem pra mim, cara. Eu achei que 'tava fazendo as coisas do jeito certo. Pela primeira vez, eu 'tava fazendo as coisas do jeito certo. Mas... parece que eu me enganei, não é?

- Não é isso, Lance. - disse. - Você apenas... não era o cara certo pra ela.

- Eu poderia vir a me tornar o cara certo.

Hunk viu quando as lágrimas voltaram aos seus belos olhos azuis.

Como diria para Lance que Allura nunca o amaria como desejava?

Como diria que ele merecia mais do que ser somente a segunda opção de alguém?

Lance fungou, colocando os braços atrás de sua cabeça e ainda olhando para o teto.

- É só que... eu gostava tanto dela, Hunk. - falou.

Doía ouvi-lo dizer essas coisas.

Mas Hunk não se importava.

Não era a primeira vez.

- Eu sei. - disse ele, também passando a olhar para o teto. - Mas isso vai passar, cara. Todo coração partido, um dia, se cura.

- Acho que eu nunca vou me curar.

- Não diga essas coisas.

Lance respirou fundo e Hunk se deixou cair ao seu lado, deitando-se com as pernas para fora da cama, como já fizeram inúmeras vezes na Garrison.

Ficaram em silêncio até Lance decidir rompê-lo, minutos depois:

- Acho que ninguém nunca vai me amar.

- O quê? - Hunk não acreditou que estava ouvindo isso.

- Eu sou... sei lá. Diferente demais, talvez? - Lance parecia cansado enquanto falava. - As pessoas não me entendem direito, ou só não querem me entender. Acham estranho que eu gosto de me maquiar e, ao mesmo tempo, curto garotas. Eles querem me classificar. Colocar em uma caixinha idiota. Mas as pessoas não deveriam ter caixinhas de classificação.

Hunk fechou os olhos, escutando sua voz.

- Acho que é por isso que é difícil alguém gostar de mim. De todas as minhas partes.

Eu gosto de você.

- E se me conhecem por completo e me aceitam como sou, me veem apenas como um bom amigo. A Allura disse isso pra mim, sabia? Ela disse que me via como seu melhor amigo; que não queria estragar as coisas entre a gente.

Eu não te vejo apenas como um bom amigo.

- Eu só... queria alguém que me amasse por completo.

- Você não precisa ter alguém pra ser feliz, Lance. - disse Hunk, sentindo-se leve e, ao mesmo tempo, pesado como chumbo.

- Eu sei. - a voz dele parecia distante. - Mas ter alguém é tão bom...

Hunk não falou mais nada e eles ficaram em silêncio.

Isso, pelo menos, até Hunk se lembrar de algo que sempre o deixava melhor.

Levantou-se da cama sem pensar duas vezes.

- Aonde você vai? - perguntou Lance.

- Pegar as maquiagens da Allura emprestado. - disse, andando até a porta. - E, quem sabe, um lanchinho na cozinha.

Ouviu quando Lance se moveu na cama, agitado.

- Meu Deus, você faria isso? Obrigado, Hunk! Você é o melhor amigo do mundo!

Melhor amigo do mundo.

Pelo menos ele era alguma coisa.

Saiu do quarto de Lance com um sorriso no rosto, sentindo-se melhor, ainda que houvesse um pequeno desconforto dentro de seu peito.

Andou pelos corredores do Castelo, lembrando-se dos meses que passar com Lance na Garrison.

Das vezes em que faziam suas tarefas juntos, conversavam até altas horas da madrugada e invadiam a cozinha da Academia, roubando algumas coisas da geladeira.

Era tão bom tê-lo lá, ao seu lado; sentir aquela ligação que tinham, apressiar a sua companhia, ouvindo suas histórias idiotas e vendo-o fazer as caretas que Lance sempre fazia.

O quarto de Allura estava vazio quando entrou. 

Procurou não pensar muito no fato de ela talvez não gostasse que pegassem suas coisas, mesmo que isso fosse algo que Hunk nunca gostara de fazer.

Saiu de lá segurando uma grande bolsa cheia de produtos de beleza alienígenas (ou, pelo menos, era isso o que pensava que era).

Passou na cozinha e pegou alguns dos biscoitos que fizera para o seu lanche da madruga, para quando tivesse insônia (o que acontecia em quase todas as noites).

Depois, voltou ao quarto de Lance, com as mãos e os braços ocupados.

A porta estava fechada e ele a chutou com o joelho, já que não poderia bater.

- Abre aí, Lance. - falou.

Porém, quando a porta se abriu, não era Lance que estava do outro lado, mas sim, Keith.

- Ãh... - por um momento, Hunk pensou que estivesse no quarto errado.

Foi, então, que Lance disse, chamando sua atenção:

- Entra, cara. A gente 'tava te esperando.

Keith foi para o lado, oferecendo-lhe um sorriso simpático que Hunk retribuiu.

Assim que parou no meio do quarto, deixou a bolsa no chão.

Lance se aproximou, ainda vestido com seu roupão azul e, agora, com as pantufas nos pés.

- Caraca, tudo isso? - perguntou, abaixando-se para abrir a bolsa, mexendo em seu inteiror.

- Eu meio que não sabia o que era maquigem e o que não era. - falou, observando Lance começar a tirar algumas coisas de dentro da bolsa.

Ele parecia um pouco melhor. Animado, até.

O coração de Hunk bateu feliz.

- O que é isso? - perguntou Keith, após fechar a porta. - Como assim maquiagem?

Hunk se virou para ele com um certo desconforto.

- Lance. - chamou o outro. - Ele sabe?

- Não. - respondeu ele. - Mas acho que ele pode saber agora.

- Saber o quê?

Lance se levantou, pondo-se ao lado de Hunk.

- Eu me maquio. - disse, com simplicidade. - E meio que curto fazer outras coisas também, mas isso não é relevante agora.

Hunk viu as bochechas de Keith se tornarem um pouco avermelhadas.

- Oh. - foi o que ele falou.

Lance riu ao seu lado, fazendo uma corrente de energia percorrê-lo do mais alto fio de cabelo até as pontas dos dedos do pé.

- É. - Lance ainda ria. - Oh. - mas, logo depois, ele ficou sério, respirando fundo. - Espero que isso não te incomode.

Keith parecia meio aéreo enquanto o encarava.

Não gostou disso.

- Nada que vem de você me incomoda. - Keith disse, com suas bochechas ficando ainda mais vermelhas.

Então, Hunk entendeu.

Bem ali, naquele instante.

Wow. - falou Lance, com graça. - Keith me dizendo coisas fofas. Essa é nova, hein. 

- Cala boca.

Hunk não sabia o que pensar.

Quando viu, estava sentado no chão, com os produtos de beleza de Allura espalhados pelo quarto e ouvindo a voz de Lance ecoar por sua cabeça, falando alguma coisa sobre lápis e tons de pele.

Mas, apesar disso, só conseguia prestar atenção na forma como Keith o encarava.

Esteve bem debaixo dos seus olhos aquele tempo todo, e nunca percebera.

Lance não era a primeira opção apenas de Hunk.

E, pela forma como Lance parecia retribuir alguns olhares, pensou se não seria possível que algo acontecesse ali, entre os dois.

Sentiu-se mal. Para baixo.

Então, acabou se levantando, dizendo uma desculpa qualquer de que iria preparar mais biscoitos (na qual eles claramente não acreditaram, porque Hunk era um péssimo mentiroso).

Andou pelo corredor até chegar em seu próprio quarto e, assim que as portas se fecharam, Hunk se permitiu se encostar contra ela e escorregar até o chão.

Antes, pensara que Lance não poderia retribuir seus sentimentos pelo simples fato de que era hétero.

Agora, percebia que não.

Lance apenas não poderia retribuir seus sentimentos porque Hunk sempre seria o melhor amigo do mundo

Não chorou naquele dia.

Nem mesmo no dia seguinte.

Nem nos outros que vieram, onde pode ver Lance e Keith se tornarem cada vez mais próximos.

E, quando Lance bateu na sua porta, no meio da noite e com poucos dias até que chegasse à Terra, falando sobre como se sentia confuso em relação à Keith; Hunk o ouviu falar.

Sentiu como se estivesse sendo quebrado.

Com o coração dilacerado e com a cabeça sendo jogada contra a parede.

Mas estava tudo bem.

Porque Lance estava bem.

E era isso o que importava.


Notas Finais


MIL DESCULPAS POR FAZER O BB HUNK SOFRER

Hance é tudo de bom tbm (se quiserem escrever uma fic de Voltron, fica a dica... rsrs), mas, infelizmente, Klance iS THE CANON KING


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