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História Porque Verde É A Cor Mais Bela. - Capítulo 33


Escrita por:


Notas do Autor


Quanto mais próximo do fim fica mais eu fico sentida, escorreu até uma lágrima aqui.
Como vocês estão meus amores, tudo bom?
Eu esepero muito que gostem desse viu?
Boa leitura bebes ❤

Capítulo 33 - Uma aprovação entrelinhas.


Abri os olhos ouvindo um riso baixinho que logo descobri vir do sofá ao lado. Shoto estava deitado com a cabeça no colo de Yo e ambos conversando sobre algo que eu não fazia ideia.

Meu corpo todo doía e olha que Izuku nem tinha sido tão bruto quanto eu na primeira vez que tranzamos. Logo essa linha de pensamento me levou as lembranças da nossa madrugada juntos e automaticamente meu coração acelerou a medida que o sono ia se esvaindo.

Puta que o pariu. Puta que o pariu. Puta que o pariu.

Primeiro: Estávamos oficialmente em um relacionamento estável. Éramos namorados certo? “mais do que só ficar” significava uma coisa séria. E por mais que se prender a rótulos fosse uma merda aquele sentimentozinho de que Deku era só meu fazia meu coração vibrar mais que a terra num encontro de duas placas tectônicas.

Midoriya Izuku é o meu funcking namorado!

Ok, agora segundo: Tínhamos fodido pela segunda vez. Até ai tudo legal, tudo tranquilo se eu não tivesse DADO O MEU BRIOCO! Caralho... minha mão automaticamente foi parar no meu rosto para conter o rubor. Eu estava me sentindo como um virgem – agora um ex-virgem – emocionado. Dar o cu era isso? Porque tirando o começo que é uma dor insuportável e parece que você vai desmaiar a qualquer momento quando tu pega o jeito da coisa fica bom. Fica maravilhoso. Será que o Deku sentiu essa mesma euforia também? E quando ele acertou aquele lugar... nossa... mas o que diabos é aquela coisa? Tipo, quando ele chegou lá e... meu Deus Katsuki, para de pensar nessas porras! Foi só uma tranza, vocês vão ter muitas outras ao longo do tempo porque agora ele é só teu.

Mas um fato inevitável é esse: Izuku me comeu e eu gostei. Simples, nada com o que se preocupar. Eu já havia aceitado fazia tempo que era gay e curtia caras – especialmente um arbusto andante que era o dono do meu coração e agora também da minha rola e do meu cu – e sequer conseguia parar de sorrir. Como pode, alguém te fazer se sentir igual um tanga no rêgo apaixonado da porra desse jeito? Tinha que ser aquele filho da puta mesmo. Até porque eu jamais daria meu rabo pra outra pessoa que não fosse ele. Não que eu fosse admitir isso algum dia, seria uma puta massagem no ego daquele desgraçado. E olha que Izuku soube fazer tudo na medida certa tanto que eu cogitava quando seria a próxima vez.

Ok, agora você precisa parar de pensar em sexo! Agora chega disso de "as vantagens de dar o cu". 

Meu celular vibrou e eu sorri largamente ao ver que era uma mensagem do esverdeado na tela, me chamando pra dar uma volta.

- A bela adormecida acordou finalmente? – ergui os olhos para fitar o rosto do moreno que me olhava divertido – Mas que merda de sorrisinho é esse ai nessa sua cara feia em?

- Deve ter algo a ver com ele chegando umas quatro da manhã hoje – Shoto disse e eu ergui as sobrancelhas pegando os dois no pulo.

- Então quer dizer que você tava aqui quando eu cheguei? Vocês dois? Sozinhos? – usei um tom malicioso indicando o que eles estavam fazendo e o bicolor ruborizou enquanto Shindo ria nervoso – deixa pra lá, eu nem quero imaginar – me levantei mas me arrependi no mesmo instante. Não sabia o que doía mais, se era as costas, os quadris ou o fiofó. Maldito Deku, você me paga!

- Que cara de cu é essa ai? Ta com dor? Se quiser eu posso prescrever um relaxante muscular e... – ele me analisou por um instante e eu soltei um xingamento quando Yo arregalou os olhos – Nãoooooo! Tá brincando?

Ele estava incrédulo.

- O quê? – Todoroki se sentou e então se pôs de pé para me ajudar.

- Cala essa boca e pega logo um analgésico pra- ai, cacete.

- Shoo! Ele deu! O Kat finalmente deu o boga!

- Sério? Ué, mas você também – gargalhei com gosto ignorando a dor após aquela revelação.

- Ta brincando? Porra... – limpei uma lágrima de riso enquanto ele mostrava o dedo do meio pra mim – isso é que eu chamo de inversão de papeis.

- Se continuar me explanando vou comer teu cu sem cuspe, meio a meio frouxo do caralho.

- Não foi de frouxo que você me chamou essa noite – Shoto riu de canto me apoiando na banqueta da cozinha – Se bem me lembro, você dizia algo do tipo “Eu não vou aguentar Shoo, vai mais-

- Puta merda, me poupem – rolei os olhos ao o interromper. Ouvir sobre a tranza dos dois era muito pior do que dar o cu em si então tratei logo de abafar aquele assunto. Vi que já eram quase oito da noite e eu dei graças a Deus por ser sábado pois se não teria perdido um dia inteiro de serviço apenas para recobrar minhas energias.

Mas como não estava completamente “curado” tive de negar o pedido de Izuku para nossa caminhada noturna com o coração na mão. Dizer não para aquele anjo em forma de gente era até pecado mas não tinha condições nenhuma de andar naquele momento.

Puto dos infernos, fodeu comigo e com minhas pernas. Ah mas vai ter volta, ah se vai.

- Ei Kat? – respondi um “fala diabo” pro moreno que me chamava da sala e coloquei o celular de lado – Vamos pedir pizza. O que acha de meio a meio?

Ri sem querer por causa do trocadilho que nunca perdia a graça e ouvi Shoto dizer um “haha, muito engraçados” logo concordando.

- Já sei! – digitei apressadamente em meu celular e chamei a atenção dos dois paspalhos me perguntando como faria aquilo – Então... acho que vou precisar de uma mãozinha.

Ambos ficaram em silêncio me fitando, esperando que eu dissesse o que queria pedir e logo Yo entendeu fazendo sua melhor cara de desacreditado.

- De jeito nenhum. Esse puto quer ajuda pra tomar banho, nós não vamos fazer isso Shoo! O verdinho que sujou, ele que lave.

- Para de ser rabugento, não é como se a gente fosse ter que lavar aquele lugar pra ele – o bicolor tranquilizou e eu corei sem querer. Não precisava que ninguém lavasse meu cu, só precisava de ajuda pra me manter de pé, porra!

- Bom, amigos são pra essas coisas né? – indaguei embaraçado e ao mesmo tempo puto comigo mesmo por precisar de ajuda daqueles dois.

- Amigo de cu é rola, mal comido do caralho. Na verdade é bem comido né? Porque pra ficar nessa situação, misericórdia. Vamos logo com isso, quanto mais cedo terminar menos traumatizado eu fico.

- Você fala como se eu não fosse obrigado a ver essa piroquinha rosa todos os dias pelo apartamento né? – vi o moreno se levantar e estreitei os olhos quando Shindo tentou disfarçar uma mancada enquanto vinha em minha direção – espera ai... tu ta brincando comigo que não tava afim de me ajudar só porque o pavê te deixou manco? Toma vergonha na cara, xerox do satanás!

Ri levando a mão direta nas costas. Tinha como isso ficar mais estranho ainda?

- Cala a boca antes que eu enfie sua língua no teu cu, cabelo de ouriço – não contive o riso enquanto ele vinha até mim com dificuldade deixando de lado aquela atuação – vai rindo enquanto pode porque quando eu quebrar seus dentes vai ser adeus sorriso, já liga pra ex do Shoo e vê se ela faz um orçamento da restauração.

- Primeiro: a Momo não é a minha ex, a gente só teve um lance. Segundo: ciúmes não combina contigo, ela só me ligou pra dizer que o senhor dorminhoco ai não foi a consulta que ele tinha hoje e não estava atendendo o celular – Shoto apoiou meu braço em seu ombro e foi indo em direção ao corredor enquanto eu fazia o máximo para me manter em pé, ouvi o moreno estalar a língua nos seguindo e segurei o riso – e terceiro: parem com essa porra, pelo amor de Jesus, quando vão deixar de serem infantis?

- Quando você deixar de ser baitola – dei um “hi-five” na mão de Yo que ria junto comigo da cara enfezada do napolitano enquanto eles me ajudavam a tirar minhas roupas.

- Essa foi boa, eu tenho que admitir.

- Eu sou foda Yo, eu sei, eu sei- PORRA MEIO A MEIO, ÁGUA GELADA NÃO – quase caímos quando tentei fugir do chuveiro mas o puto me segurou ali impedindo minha fuga se eu não tivesse debilitado teria saído dali facilmente, tenho certeza!

- O senhor “sou foda” não aguenta uma aguinha gelada? Que decepção.

- Decepção vai ficar a tua cara quando eu te jogar da janela, seu puto!

Depois dos risos de ambos, felizmente Yo mudou a temperatura e eu pude me lavar – com auxílio – em paz, ou quase isso.

(...)

- Atende lá pavê! – pedi, já na cama, limpo seco e trocado enquanto a campainha tocava pela segunda vez. Sabia que Shindo não iria pois também estava ruim para andar – o que não deixava de ser engraçado nunca e que era Deku na porta já que eu tinha o chamado para compensar o passeio que eu havia furado com ele.

A porta do meu quarto se abriu de modo vagaroso e eu vi dois pares de esmeraldas me fitando para logo o dono de um dos pares correr em direção a cama e pular sobre mim me fazendo urrar de dor. Yuuki saiu rapidamente me olhando com um misto de preocupação e desespero por achar que tinha me machucado mas rapidamente tratei de o tranquilizar enquanto me recuperava.

- Calma ai amigão... é que eu não to bom das costas hoje, você não tem culpa ok? – ele assentiu segurando as lágrimas e eu sorri compreensivo sem perceber que Deku me olhava culpado.

- Eu já falei pra você parar de pular nas pessoas assim Yu – ele repreendeu o filho e se sentou na cama também – mas você não estaria assim se não fosse minha culpa e-

- Você quem machucou o Kat pai? Porquê?

O pequeno indagou e nós dois ficamos estáticos no colchão. Como diabos iríamos explicar para a criança de que jeito o pai dele fez com que eu ficasse ruim das costas?

- Eles estavam brincando de cavalinho e o Bakugou acabou caindo – agradeci a Deus e Todoroki Shoto por aquela explicaçãozinha meia boca mas que pareceu convencer o pequeno.

- Eu quero brincar também!

- De jeito nenhum! – Izuku respondeu rápido de mais, um tanto corado já se recompondo ao perceber sua exaltação – É... você ouviu o Todoroki, é perigoso e o Kacchan ta machucado.

- Viu lasanha, ele sempre fala não pra mim – Yu fez manha fingindo um bico que nos fez rir por sua tentativa de nos ganhar com sua lábia.

- Outro dia, ta bom? – Shoto afagou os cabelos do mini brócolis e recebeu um aceno junto de um pequeno sorriso de volta – Até porque já já as pizzas chegam, e vamos comer um montão.

- Um montão? – Yuuki indagou balançando as perninhas que mal tocavam o chão todo animado.

- Um montão.

- Isso! – ele comemorou com um soquinho no ar. Eu já disse que amo esse guri? Uma graça, meu Deus.

- Então faz assim, vai lá dizer oi pro Yo que enquanto as pizzas não chegam nós vamos lá na esquina comprar sorvete, eu e você.

- Lasanha, eu já disse que você é o melhor?

- Oe, assim eu fico com ciúmes – disse com um sorriso ladino para o pequeno que apenas deu de ombros travesso.

- Assim eu quem fico com ciúmes. Mas tudo bem né, os filhos nunca preferem os pais mesmo.

- Deixa de ser dramático Deku – o puxei para um abraço enquanto Yuuki ia correndo até o quarto de Shindo – Onde você ta aprendendo a ter jeito assim com criança em pavê? Que eu me lembro você era um prego com qualquer um que tivesse menos de quinze anos e um metro e meio de altura.

- Bom... é que quando se namora um Yo você automaticamente tem que saber lidar com uma mentalidade mais baixa sabe...

- Vocês estão juntos, tipo, juntos mesmo? – perguntei eufórico e ele assentiu calmo e um tanto envergonhado. Sorri verdadeiramente para o bicolor e me assustei quando Izuku entrelaçou nossos dedos. Fitei suas esmeraldas e ele me olhava como se dissesse “conta vai” então respirei fundo e encarei um dos meus melhores amigos que reparava disfarçadamente em nossas mãos unidas. Pigarreei chamando sua atenção então tomei fôlego e disse ignorando as borboletas na barriga: - bom... a gente também.

Era estranho me sentir envergonhado. A gente era adulto e não era como se eu não tivesse namorado antes mas porra, eu estava namorando o Deku. O cara que eu sempre quis e Shoto sabia de tudo deis de o início ou quase. Era felicidade, misturado com alegria e toda essa caralhada toda de sentimento bom que fazia a barriga gelar assim como segurar sua mão e poder dizer: finalmente caralho!

- Já não era sem tempo né? Eu perdi as contas de quantas vezes esse ai chorou no meu ombro por causa de você, estragou uns cinco ternos caros pra dedéu – o heterocromático disse me fazendo arregalar os olhos, ele não ia contar essas coisas ia?

- Sério? E ai? Você vai me contar tudinho, Todor-

- Bora lá, lasanha! E já vou avisando que a gente só gosta de sorvete de-

- Pistache – eu, Izuku e Shoto respondemos em uníssono, esse ultimo rolando as orbes pois já estava cansado de saber daquele fato imutável.

Ri mas internamente pensando “salvo pelo gongo” ou melhor dizendo, salvo pelo mini brócolis. Eu mataria aquele infeliz se ele revelasse ao Deku todas as vezes que chorei igual uma garotinha por causa dele, nem a pau!

Depois que eles saíram, finalmente ficamos sozinhos e eu mal sabia como agir diante de Izuku. Não tinha ideia se chutava seu rabo por ter desgramado tudo em mim ou se o enchia de beijos já que essa era minha vontade deis de que o vi entrar pela porta do meu quarto.

- ENTÃO QUER DIZER QUE OS POMBINHOS RESOLVERAM SE ASSUMIR? – ouvi a voz irritante do moreno gritando de seu quarto e rolei os olhos. Pelo jeito não da pra ter paz nesse apartamento nem por um minuto!

- CUIDA DA TUA VIDA, ESCÓRIA!

- É O QUE EU TO FAZENDO, VOCÊ É A MINHA VIDA MEU ANJO! – Deku riu da minha cara de bunda e se jogou no colchão.

- VAI DAR A BUNDA SHINDO!

- IGUAL VOCÊ DEU A SUA NOITE PASSADA NÉ?

- IGUAL VOCÊ DEU A SUA NOITE PASSADA – a essa altura o esverdeado ria com um travesseiro abafando seu rosto.

- Parem de gritar por favor, vocês vão levar multa! – ele alertou me puxando pra pertinho de si.

- Ah, esses vizinhos que se explodam – me aninhei em seu peito enquanto recebia um carinho gostoso no couro cabeludo. Izuku sorriu e então ficamos em silêncio por um instante até que eu não me contive e tive de expor minha duvida que martelava meu cérebro deis de que acordei – Então... a gente ta junto mesmo?

- Sim, por que a pergunta? – o jeito que ele sequer hesitou fez meu coração errar uma batida – você se arrependeu ou-

- Não! – me apressei em dizer – Não... eu não me precipitei é que... – sorri erguendo o rosto para o ver melhor – só é tudo bom de mais pra ser verdade entende?

Deku ficou tão vermelho, mas ta o vermelho que eu achei que ele fosse explodir. Ele tampou o rosto e eu fiquei confuso pois queria saber que diabos estava havendo então meio abafado pelas mãos disse:

- Não me olha assim... e nem fala essas coisas por que se não eu lembro de ontem a noite e...

Foi ai que senti algo duro tocar minha cintura e por estar quase em cima dele deu pra saber exatamente o que era.

- Deku??? Que porra... você ta duro? – indaguei surpreso e divertido ao mesmo tempo o fazendo ficar mais envergonhado ainda.

- A culpa é tua, sai daqui – Izuku me bateu com o travesseiro arrancando de mim uma risada gostosa.

- AH, VÃO FAZER SAFADEZAS PRA LÁ SEUS IMUNDOS! – e era esse o motivo de eu odiar meu quarto ser justo ao lado do quarto do miserável que morava comigo.

Ignorei Shindo e roubei um selinho breve do esverdeado que logo se tornou algo mais quente e necessitado com direito a gemidos abafados e mão boba pra todo lado. Quando estava prestes a subir em seu colo nos afastamos rapidamente, ofegantes e quase pegos no pulo assim que a porta se abriu e um Yuuki entrou correndo todo animado mas parando no meio do caminho.

- VOCÊS NÃO VÃO ACREDITAR NO QUE... o que vocês dois estavam fazendo?

- Nada! – respondemos juntos e ele colocou as mãozinhas na cintura com um semblante curioso.

- Sei... – Yu disse sarcástico e eu quase ri da situação.

Não tínhamos combinado nada sobre como dizer a ele sobre nós ou se iríamos dizer ou não então optei por mentir antes que estivéssemos nós três prontos para a verdade:

- A gente tava brincando de lutinha. Se você quiser... – seus olhinhos brilharam em animação e eu dei adeus, literalmente, as minhas costas.

- Kacchan, não precisa-

- Deixa, Deku. Vem garotão, quero ver você me derrotar com esses bracinhos finos ai – provoquei vendo a expressão do pequeno mudar para algo mais desafiador.

- Eu andei comendo bastante arroz ultimamente viu? Não vá me subestimando, fracote!

Olha a audácia desse remelento!

- Coitado, não aguenta um peido! Cai pro pau pé de alface – chamei o desafiando, Yu pulou sobre mim e antes que Izuku cortasse nossa brincadeira juntei seus braços e o imobilizei na cama – quem é o fracote agora, em pirralho?

- Você! – ele dizia entre risadas tentando se soltar.

- Uh? Não vai admitir? Será que deseja provar da minha técnica secreta infalível, reles mortal? – mudei o tom de voz para algo mais dramático o que fez até o Deku rir junto dessa vez – Implore por sua vida ou sinta a punição por sua arrogância com seu soberano!

- Nunca!

- Não diga que não fui misericordioso – iniciei as cócegas arrancando um riso sôfrego e estridente da criança – Admita que és um fracote! – ordenei ainda na brincadeira.

- Jamais!

Ele se manteve firme então estreitei os olhos. Vez ou outra o deixava respirar dando pequenas pausas pois nunca se sabe quando um asmático pode ter uma crise e eu não queria preocupar Izuku que já nos olhava aflito – mas ainda nos deixava brincar a vontade – e também não desejava o ver no hospital outra vez.

Antes que eu cessasse a “tortura” para não o cansar muito, ele enfim se rendeu para a minha vitória mais uma vez de muitas outras.

- Ta bom, ta bom – ele retomava o fôlego risonho – você é o melhor, eu admito.

- Era pra dizer que você é um fracote – cruzei os braços fingindo estar insatisfeito e ele fez o mesmo.

- Papai disse que é errado mentir, eu nunca vou ser um fracote! Então dizer que eu sou isso é basicamente mentira. Que feio, querendo que eu minta.

- Você é um manipuladorzinho, isso sim – Deku afagou os cabelos do filho rindo e se retirou assim que Shoto o chamou para pedir ajuda com as pizzas que haviam sido entregues.

Ao meu lado no colchão, Yuuki normalizava a respiração aos poucos enquanto fitava o teto em silêncio.

- O que houve?

- Eu não quero voltar pra Tóquio.

Me sentei o encarando apreensivo.

- Não que a gente vá voltar pra lá – ele continuou, me acalmando ao perceber minha face preocupada então soltou uma risadinha – É que quando a gente veio pra cá, eu detestava esse lugar. Mas agora tenho não só o meu pai e o tio Shin mas sim você, a vovó Inko, a vovó Mitsuki, o seu Massaru, você, o lasanha também e até mesmo o Shindo. Eu sei que já devo ter dito isso mas a melhor coisa que o meu pai cabeça de vento fez foi voltar pra cá.

Sorri sentindo o coração acelerar. Yuuki era um presente e se as circunstâncias fossem outras eu até agradeceria a cara de bolacha por ter gerado aquele pedacinho de gente.

Ta bom, um dia quando eu superasse o fato dela ter tirado o amor da minha vida de mim eu agradeceria de coração.

- Eu também acho, moitinha. Você não faz ideia.

Pisquei pro esverdeado que nos fitava da porta enquanto o pequeno me abraçava apertado sem perceber que o pai via tudo. Izuku jogou um beijo no ar para mim e se retirou para voltar a ajudar o bicolor na cozinha.

É como eu disse uma vez, soa igual a um feitiço já que esses Midoriyas tem o dom de nos amansar e tudo o que eu mais queria era permanecer nesse feitiço para sempre.

(...)

- O quê é isso ai? – indaguei de cenho franzido para os frascos de comprimidos em cima da mesa de centro.

Yo deixou os legumes de lado e veio até a sala para ver do que se tratava então se lembrou de algo que eu não fazia ideia até ele se sentar ao meu lado para ler os rótulos. Pensei em reclamar pois ainda tinha que voltar para a escola durante a tarde e nós dois só estávamos ali pelo almoço – que ele deveria estar fazendo.

- O Shoo deixou aqui. Disse que eram do amigo do verdinho, o Shinsou.

- Por que diabos ele deixaria remédios aqui pro senhor alcachofra?

- Me diga, baby, por que um psicólogo da remédios a alguém? E não se atreva a dizer que é pra vender como drogas porque o usuário aqui sou eu – ele brincou e eu juntei as sobrancelhas. Uma porque não gostava quando ele fazia piada sobre o tempo que era viciado e duas pois se fosse o que eu estava pensando a preocupação logo tomaria conta de mim então resolvi eu mesmo ir levar os remédios até o ap ao lado e quem sabe descobrir alguma coisinha.

Aguardei pacientemente até que a múmia viva abrisse a porta para mim e ele esperou eu dizer o que queria com aquela cara de sono de sempre.

- O Izu não tá aqui.

- Eu sei.

Mesmo já o conhecendo a meses, eu não fazia ideia de quem realmente era Hitoshi Shinsou. No máximo, que ele era colega de Izuku do tempo da faculdade e ambos já moravam juntos em Tóquio antes de virem para Musutafu. Não sabia se ele tinha família e nunca o vi com amigos ou alguém fora do prédio. Sabia que ele trabalhava no mesmo escritório que Deku mas nada mais, e agora estava ali, frente a ele com uma sacola de medicações prescritas por um dos meus melhores amigos. Shinsou pareceu notar o que eu trazia em minha mão direita e então suspirou cansado.

- Isso é pra mim, certo?

- Acho que sim. Por que?

- Por que o que? – ele indagou confuso, juntei meus lábios os comprimindo numa linha reta antes de invadir sua privacidade por completo. Eu não tinha direito algum de perguntar coisas de sua vida pessoal mas ele era alguém especial para Izuku então logo se tornaria pra mim também, certo? Talvez sim, talvez não. Mas não era apenas curiosidade, era preocupação também e eu precisava saber se o único cara que ajudou na criação do Yuuki estava bem.

- Os remédios. Por que toma eles?

O zumbi do minicraft de meia tigela me fitou com desinteresse como se aquilo não fosse importante então suspirou vendo que eu não desistiria. Hitoshi me convidou para entrar e eu aguardei no sofá, inquieto enquanto ele sumia pelo corredor para logo voltar com um porta retrato que eu me lembro de ter visto em seu quarto quando estava brincando de esconde-esconde com Yu uma vez.

Ele se sentou ao meu lado, não muito próximo e eu me sentia estranho em estar ali sem Deku ou Yuuki, esse que estava na avó e o outro em uma audiência a trabalho.

- Essa é a Saaya – ele disse depois de um longo silêncio. A moldura não possuía poeira e estava bem lustrada mostrando que ele cuidava bem do objeto como se fosse muito precisoso. Sorri sem querer quando ele passou o polegar rente ao rosto da mulher que era sua cara e fuça. Os cabelos roxos estavam presos em um rabo de cavalo que caia pelo ombro esquerdo e ela sorria genuinamente mesmo tendo os mesmos olhos caídos iguais aos dele – Ela é a minha irmã gêmea. Bom, era – meu coração apertou ao mesmo que a garganta ia se fechando. Eu havia entendido de primeira mas o deixei continuar já que havia perguntado então apenas assenti enquanto ele colocava uma mecha de cabelo rebelde atrás da orelha, sorrindo triste – Saaya era uma peste, completamente diferente de mim. Gostava de coisas radicais de mais, não parava quieta num canto e vivia pra cima e pra baixo. Quando o Yuu fez quatro anos – ele apontou para a fotografia que eu havia visto dele e do Deku na estante e eu me recordei do dia que me contou sobre ela – Eu fui morar com eles. Saaya havia ido em uma expedição no Himalaia e o Izu... bom o Izu tava precisando de uma força já que já fazia um tempo que ele tava cuidando do Yuu sozinho. Eu lembro que no meu aniversário daquele ano, foi a primeira vez que ele comeu mais do que uma refeição no dia, como se aquilo fosse um presente. Ele era avoado e estava sempre correndo pra dar conta da faculdade e de criar o Yuuki. Como eu estava sozinho, fui ficando aos poucos e quando vi já estava morando junto com eles, chega até a ser engraçado. Mas voltando ao assunto da Saay – ele pigarreou se endireitando no sofá – Ela foi nessa tal expedição naquelas montanhas e acabou não voltando. Sempre foi só eu e ela e se não fosse os dois eu não conseguiria “seguir” – ele fez aspas com as mãos e eu não sabia o que dizer até que o vi pegar um dos frascos de pílulas e chacoalhar no alto – Isso é pra insônia, e esse me ajuda a trabalhar ser ter ataques de pânico no tribunal. Esse é pra ansiedade e até a gente vir morar pra cá os que eu tomava eram tão fortes que me apagavam por horas. Izu me disse que seu amigo era pisico-terapeuta e deis de então o doutor Todoroki vem me ajudando. As doses vem diminuindo consideravelmente e se tudo continuar no ritmo que está logo não vou mais precisar dessas coisinhas. Eu fiquei meio ferrado depois que ela se foi mas estou... me reconstruindo aos poucos.

- Nossa... Eu... – a real era que eu não sabia o que dizer e não tinha o que dizer. Já havia acontecido e agora ele lidava com as sequelas da perda do modo dele. Eu jamais saberia a dor de perder um irmão, mas tinha ideia de que talvez fosse muito pior pra Hitoshi já que Saaya era sua gêmea. Talvez eles nem fossem tão grudados mas ainda sim deve ser um porre que eu não suportaria.

- Eu já sei o que você tá pensando, tipo “nossa, deve ter sido duro” e foi. Mas Izuku e Yuuki estavam lá por mim, estão até hoje. Eu posso ter perdido Saay mas ganhei outro irmão e um sobrinho. Eu só estou te contando isso pois Izu me disse sobre vocês. Não quero ganhar sua simpatia nem pena nem nada – ele disse indiferente mas algo em seus olhos me diziam que aquilo era algum tipo de aviso ou conselho então engoli em seco e me ajeitei enquanto ele voltava a fitar o retrato em suas mãos – mas eles são tudo o que tenho. Então espero que cuide bem dos dois, não é na mão de qualquer um que entrego minha família.

- Então você está dizendo que tudo bem eu ficar com o Deku? – indaguei meio atônito.

- Por mim sim – ele deu de ombros – não é como se eu fosse impedir algo mas se ele está feliz eu também estou e você o faz feliz. É simples. Sem contar que eu nunca vi Yuu gostar tanto de alguém como de você, que espécie de feitiço você fez cara? – ele brincou sorrindo e só então eu percebi uma coisa. Não achava que precisava da permissão ou aprovação de ninguém até ver Hitoshi Shinsou sorrindo pra mim de modo verdadeiro. Sem ser aquele bizarro que ele faz depois de ganhar uma causa ou os fingidos que ele da por educação, não, aquela era a primeira vez que eu o via de verdade.

Igual na fotografia da estante com Izuku. Igual quando ele brincava com o mini Midoriya ou quando Izuku dizia que tinha esquecido de comprar leite.

- Obrigado – disse e ele parou para me observar, atento e curioso mas logo entendendo – mas não vá pensando que só por isso agora somos best friends não, viu repolho ambulante. Ainda to de olho em você.

- É, eu também gostei de você Bakugou.


Notas Finais


Sim eu sei, não sou boa pra titulos, fazer o que?
Ficou um pouquinho maior que o costume hihihi
Tivemos um pouco mais sobre o Shin. Já não era sem tempo, tava louca pra falar sobre o nosso morceguinho lindo.
Ele é um anjinho e merece todo meu amor
Espero que tenham gostado aaaaaa
Se cuidem viu? Beijossss ❤

*eu botando o link do nosso grupo no zap dnv pq quero* : https://chat.whatsapp.com/D4U5LsxQNwo9Nq1erCsAoT


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