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História Porque Verde É A Cor Mais Bela. - Capítulo 36


Escrita por:


Notas do Autor


Oi meus bonbons tudo bom?
Eu sei que demorei e sei também que disse que o cap anterior era o penúltimo mas eu acabei me empolgando e o último ficou grande de mais.
Então oq eu fiz? Dividi em duas partes.
Vou pub essa agora e a outra sai amanhã viu? Eu espero profundamente que gostem
Uma boa leitura ❤

Capítulo 36 - Um dia feliz anula uma lembrança triste. (Parte 1)


“- Pai? Ainda tem mais caixas lá em cima.

O pingo de gente passou correndo por nós como um vulto verde em alta velocidade. Hitoshi suspirou cansado e nos lançou um olhar que dizia “deixa que eu vou”.

- Eu estou tão animado! – bem contraditório pra alguém que passou a noite inteira chorando. Yuuki ainda tinha os olhos inchados mas mantinha um sorriso no rosto, já sentado no banco do passageiro do Lexus branco. Era incrível o modo como simples palavras iguais a “sim, você pode ir junto” mudam completamente a humor dessa criança.

- Não vá se acostumando, é só para o seu tio não se sentir sozinho na primeira semana no apartamento novo.

No fundo, Deku também estava aflito de deixar Shinsou se mudar mas como tinha sido escolha do próprio cabeça de cebola roxa nada o convenceria do contrário. Hitoshi havia decidido que já estava na hora de dar sequência em seus estudos e voltar para a faculdade, o que seria uma ótima notícia se não viesse acompanhada de “então vou precisar me mudar pra um local mais próximo” já que a universidade de Musutafu era realmente longe do bairro onde ficava nosso prédio.

Mesmo não sendo tão chegado nele, meu coração estava apertado de preocupação mas se ele garantia que podia se virar sozinho, não podíamos o impedir.

- Você sabia que lá tem piscina? – Yuuki indagou com os olhinhos brilhando. Sorri de canto para o pequeno.

- E só por isso você vai abandonar a gente? Por uma piscina? Nunca me senti tão ofendido.

Ele arregalou os olhos mas logo percebeu que era brincadeira.

- Eu sei que você vai morrer de saudades de mim.

- O Kacchan eu não sei mas eu vou. – Deku disse fitando a recepção do prédio, Hitoshi já voltava com a última caixa na mão. – Qualquer coisa me liga, entendeu? – ele tocou o ombro de Shinsou com carinho, recebendo um pequeno sorriso em troca.

- Sim, paizão, eu te ligo. – ele brincou, colocando a caixa no banco de trás. – Pegou tudo o que vai precisar? – Yuu assentiu colocando os cintos.

Era impossível não prestar atenção no olhar receoso de Izuku diante daquela cena. Eu vinha reparando cada vez mais nesses momentos e isso apertava o meu coração.

- Certo, então encontro vocês lá.

Ele deu a volta no veículo e entrou, logo o Lexus havia sumido pela avenida.

Em seguida eu e Izuku pegamos o meu carro e seguimos para o endereço que já sabíamos – já que Hitoshi nos chamou para ver quando achou o apartamento e logo estávamos estacionando na rua pouco movimentada, com diversas árvores enormes e cheias de folhas.

Por ser férias, não teria problema Yuu ficar uma semana inteira com o tio.

- Bom, o condomínio não é caro. Estamos em uma fase legal no escritório e é o suficiente só pra mim. – Hitoshi disse abrindo uma das janelas. O céu rosado dava um aspecto bonito as paredes brancas da sala vazia. – E tem um quarto de hóspedes, pro Yu dormir sempre que quiser vir pra cá.

- E eu? – Deku indagou, indignado.

Soltei um risinho sem querer, levando uma cotovelada do esverdeado.

- Você, Izu, tá na hora de desmamar da minha teta.

- E o que isso significa? – ele indagou com as mãos na cintura. Deku tinha ido do escritório direto pra casa pra ajudar com as caixas e bagagem do amigo, e felizmente ainda não tinha tirado aquela roupa social que ficava incrivelmente linda nele.

- Como você pode gostar dele? Sério? O cara é super lerdo. Deus me livre. – Hitoshi disse para mim como se o esverdeado não tivesse ali.

- Nem eu sei. – desviei de um tapa e consegui agarrar uma bochecha de Izuku. – Ah da um desconto, olha isso, tem como não amar?

- Uhg, vocês são grudentos de mais. – a pequena moita pausou o vídeo que via no celular de Shinsou para se levantar do chão e ir até a janela.

- Own, ele tá com ciúmes. – Deku fingiu uma voz manhosa e eu ri em negação.

- Ciúmes do paizão, Yu? – entrei na onda, colocando um braço em volta da cintura do pai da criança. Ele odiava ser provocado daquele jeito, e Izuku e eu éramos duas crianças em forma de adultos quando o quesito era irritar o coitadinho.

- Vocês são ridículos.

Hitoshi disse antes de voltar a tirar as coisas das caixas.

- E como sempre, o tio Shin é o mais sensato da família. – o esverdeado menor nos olhou debochado. Izuku gargalhou enquanto eu mostrava a língua para a criança.

Passamos o resto do fim de tarde e começo de noite organizando as coisas e fomos embora depois de comermos pizza.

Yuuki teve de aguentar Izuku discursando sobre se comportar e depois foi a vez de Shinsou ouvir o amigo super protetor.

Antes de ir, o cabeça de cebola roxa me chamou e disse “agora ele tá nas suas mãos, cuide bem.”. O que me fez ficar pensativo o caminho todo de volta dentro do carro.

Quando estacionei senti a mão grande, porém gentil de Deku pousar em minha coxa.

- Kacchan?

- Hn?

- Dorme comigo hoje? – imediatamente um sorriso pequeno se apossou dos meus lábios.

- Uh? Pra você se aproveitar de mim, hã seu diabinho?

Ele gargalhou mas logo voltou a ficar em silêncio.

- Tenho medo de você partir de novo. – confessei sem querer, sentindo seus olhos se fixarem em mim.

O que eu podia fazer? Sou um cara inseguro poxa! É normal ainda mais depois... de tanta coisa. E tem também todo esse clima de mudança, a falta que o zumbi vai fazer aqui, não ver aquela cara estranha dele vai ser esquisito.

- Ei? – relutei a olha-lo enquanto seus dedos se enroscavam nos meus. Senti minha mão ser apertada com delicadeza. Quando finalmente tomei coragem para o encarar de volta me deparei com o sorriso mais bonito e meigo que Deku deu pra mim. – Eu não vou à lugar algum.”



- Há memórias felizes e memórias tristes. Shoto me disse que somos feitos delas mas eu discordo, o que ainda está por acontecer faz parte de nós também. Há aquelas que nos fortalecem, e também as que servem como um lembrete, uma segurança de que tudo vai ficar bem. – ergui a taça de champanhe, mirando o homem da minha vida sentado em uma das mesas bem decoradas, sorri ao ganhar um sorriso tímido dele e depois mirei o pequeno pagem, a gravata torta do mini brócolis quase me fez perder a compostura em cima daquele pequeno palco de discursos mas apenas meneei a cabeça em negação, sorrindo mais ainda. Então passei os olhos por todas as mesas de convidados, todos em seus belos trajes finos, finalmente parando naqueles dois idiotas. – A vida, é feita de altos e baixos. Pessoas vem, pessoas vão e, ah, quer saber? – afrouxei aquela gravata que já estava me dando calor e não ajudava em nada no meu nervosismo. Retirei o microfone do suporte e passei a andar de um lado para o outro com objeto em mãos enquanto falava, suando frio. – Vamos deixar essa babozeira de lado, certo? Eu realmente não sabia o que dizer aqui em cima quando fui praticamente obrigado a subir nessa, desculpe o palavrão, bosta. – risadas ecoaram pelo salão. Izuku cobriu o rosto com a mão, com certeza pensando que eu não tinha jeito. – Vocês sabem quanto tempo levou pra esses dois pés no saco ficarem juntos? – apontei para o casal, fingindo estar inconformado. – Eu não lembro ao certo, mas foi tempo pra caralho. Geral em volta sabia que ia acontecer um dia menos eles, que insistiam em ficar negando e nossa, como eles brigavam. Tinha vezes que eu precisava expulsa-los do meu próprio apartamento só pra ter um pouco de paz.

- Ei, o apartamento não é só seu, idiota! – Yo gritou, arrancando risadas dos convidados. O olhei debochado.

- Agora é, rascunho do satã.

- Ainda tá no meu nome!

- Você vai deixar eu falar ou não, porra? – coloquei uma mão na cintura o mirando raivoso. – Continuando, sabem aquele tipo de gente que não se toca do que tá rolando? Sim, esses eram eles. E o pior foi que eu tinha que fingir que não sabia que eles estavam saindo juntos, escondidos, pode isso? Os caras não eram nada discretos. Principalmente o Pavê, que ficava todo bobo quando aquele diabo mexia com ele.

- Mentiroso! – o meio a meio retrucou de seu lugar.

- Vai se foder, faltava você derreter igual geleia seu merda. Olha, eu não sei falar dessas coisas, não sei explicar o amor. Mas se vocês olharem bem pra aqueles dois paspalhos, vão ver que tem isso ali. Porque, pra falar a real, é humanamente impossível aguentar o insuportável do Yo sem ter que amar muito pra isso. Ou estar no mínimo muito drogado, o que não é o caso. – Shoto concordou, ganhando um olhar incrédulo do noivo. – E você também seu analistazinho de meia tigela. O que eu quero dizer é que, vocês não sabem como eu me sinto bem em saber que dois dos meus melhores amigos tem esse tipo de coisa. De que não é na mão de qualquer um que vou entregar as pessoas que tanto cuidaram de mim e sim que vão estar com alguém que confio. Tanto um como o outro. Fico feliz de saber que mesmo sendo dois cabeças duras teimosos, eu sei também sou ok? Mas que, mesmo assim, jamais seriam capaz de causarem mal ao outro. E eu não poderia desejar coisa melhor pra vocês. É meloso pra cacete, eu sei, mas escutem bem que vai demorar pra eu dizer isso de novo: eu amo vocês. Amo cada coisa que fizemos juntos e tudo o que fizeram por mim. Você também, tá Eiji? Não fique com ciúmes, Babyshark. Vocês são os melhores amigos que alguém poderia ter. – os olhos já queimavam com as lágrimas idiotas que queriam cair. Yo e Shoto sorriam sem parar como dois bobãos e o ruivo falsificado, ah, esse estava em prantos deis do início da cerimônia. Cerrei os olhos com força e continuei o discurso, temendo desatar em lágrimas ali também. – Quando vocês chamaram eu e o cabelo de merda pra sermos padrinhos desse circo todo aqui, eu me senti honrado em poder participar de um momento tão especial. Então, seus merdas, continuem se amando. Se amem igual o Pikachu ama o Eiji, ou como a Mina ama piroca e caras sarados. – não pude ver a reação da rosada pois estava com os olhos fechados ainda mas certeza que ela me mataria depois. – Se amem igual o Sero ama aquela moto barulhenta dele, como o “Alface” igual o “Lasanha” diz, ama sorvete de pistache e também como a Ravena do Paraguai ama a nossa dentista preferida que quase me matou ao arrancar o ciso semana passada. Ei Momo, sua vaca custava ter usado uma anestesia descente? – todos riram, uma primeira lágrima escorreu. – Só, se amem. E fodam bastante também, mas isso eu não preciso dizer já que pelo que ouço e acabei vendo também, Deus como eu queria que apagassem a minha memória – mais risada, soltei o riso frouxo tentando afastar as lembranças do dia em que os peguei trepando EM CIMA DA MESA DE JANTAR. Ok, controle-se. Você não pode matar seus amigos no dia do casamento deles. – Continuem se amando. Do jeito que quiserem, assim como eu. Assim como eu amo... – abri os olhos, encontrando aquelas orbes verdes por qual eu era tão fascinado. Deku ainda sorria para mim e foi impossível não retribuir. Minhas bochechas já doíam de tanto fazer aquilo, merda por que ele é tão lindo? – assim como eu amo aquele brócolis fodido e desgraçado ali. E o seu brotinho também, ta bom Yuu?

O pequeno assentiu, todo convencido enquanto o pai enxugava os próprios olhos.

Deixei que as lágrimas de emoção e felicidade finalmente rolassem. Por que essas merdas como casamentos tem que ser tão emotivas? Que saco! Odeio que me vejam assim, droga.

- E é isso... – ri anasalado, sentindo as vias aéreas congestionar. – E Yo, não se esqueça de levar o resto das suas roupas embora. Eu não vou aceitar ninguém lá em casa quando vocês brigarem.

- E você não esqueça de comprar mais hidratante! – ele gritou mas apenas nossos amigos próximos, meus pais e a madrinha riram enquanto eu e Izuku corávamos dos pés a cabeça.

Ah maldito, vou jogar tudo que é teu pela janela, tu me paga.

- Então, - pigarrei tentando disfarçar a vergonha – felicidades ao casal.

Ergui novamente a taça, gesticulando um brinde e todos me acompanharam para logo baterem palmas.

Passei pela mesa dos dois para lhes dar um abraço e aguentar Shindo dizendo o quanto eu era boiola, que mesmo casando eu ainda era sua “puta” preferida. Tsc. Filho da puta fodido.

Certo, agora eu preciso urgentemente de algo que não seja esse champanhe, essa merda ta fodendo com o meu estomago.

Assim que me sentei à mesa, Izuku me deu uma latinha que era justamente o que eu precisava: cerveja gelada. Yuuki balançava os pezinhos, e os dois brócolis ambulantes me olhavam de um jeito esquisito.

- Uh? Desembuchem logo, tem alguma coisa na minha cara?

- Viu, pai. Eu disse que ele sabe ser fofinho quando quer. – o menor comentou pro Deku, esse que assentiu enquanto eu ficava rubro.

- Mas que merda...!?

- Foi o discurso mais fofo que eu já vi.

- Fofo? Eu tava quase me mijando de nervoso lá em cima e vocês acham isso fofo? – indaguei, incrédulo.

Ambos assentiram.

Tsc. Malditos.

- Fofo é pouco. – Senti um braço envolver meu pescoço, nem precisei olhar para saber quem era. – Foi tão másculo e... bonitinho. Sério, brô, você é de mais. Quero um discurso igual ou mais lindo ainda no meu.

- Isso se você me pedir em casamento, né Eiji? – o Pikachu brincou nos fazendo rir.

- E quem disse que é contigo que eu vou casar? – o ruivo indagou, recebendo um olhar feio do namorado. – É brincadeira, meu anjo. Se não for você não tem casório.

- Aa gente podia aproveitar esse clima de cerimônia e união pra casar de novo né Massaru? – a velha que também estava na mesa se referiu ao meu pai. Esse que a fitou surpreso.

- Sério?

- Sim, homem, por que eu brincaria? Eu iria amar uma segunda lua de mel.

- Não se engane Masa. – Inko disse. – É só uma desculpa dela pra trepar no exterior. Ah meu Deus, meu desculpe Yuu, querido. A vovó esqueceu que você estava ouvindo e-

- Tudo bem vó. – o pequeno sorriu em negação. Izuku cobriu os olhos com as mãos, a madrinha nunca mudava.

- Mas é claro. – minha mãe continuou. – Foder na praia é realmente algo que eu preciso fazer de novo antes de morrer.

- Credo, velha, vira essa boca pra lá. Eu hein. – comentei de cenho franzido, vendo a loira gargalhar.

- Ah, vocês estão tão lindos. – a madrinha falou, toda orgulhosa enquanto os noivos se aproximavam. Yo e Shoto vestiam ternos, o primeiro de cinza e o outro preto. A gravata perfeitamente arrumada do bicolor era branca e seus cabelos que já tinha crescido um bocado estava presos em uma trança que caia pelo seu ombro esquerdo, misturando os fios brancos aos vermelhos. Já Yo, tinha enfiado a própria gravata preta no olho do rabo fazia tempo mas pelo menos seus cabelos ainda estavam bem penteados, num corte curto e discreto.

- Quem diria que casariam tão rápido em seus merdinhas. – Mitsuki brincou, sorrindo para os dois.

- Rápido? Você sabe quantos meses eu levei pra conseguir um sim desse daqui? – Shindo disse apontando para o noivo.

- Eu achava que era brincadeira.– o Todoroki retrucou em tom neutro.

- É, não tinha como te levar a sério seu puto. – sorri ladino quando o moreno estreitou os olhos para mim.

- Eu acho que foi no tempo certo. – Hitoshi disse de seu lugar. – Dois anos é bastante tempo.

- Concordo com o tio Shin. – Yuu deu mais uma garfada em seu bolo. Espera ai, mas ainda nem cortaram o bolo então como...?

Busquei os olhos de um dos noivos já imaginando o que tinha acontecido e vi o canto da boca do moreno sujo de glacê.

Tinha que ser.

- Shoto! – Fuyumi, a irmã do meio a meio chamou de outra mesa, acenando para o casal e depois de pedirem licença os dois se foram.

O resto da festa foi o mais tranquilo possível, considerando que todo e qualquer rolê que nos juntamos da muita merda tenho que admitir que nesse dia todo mundo cooperou para que tudo desse certo. Não é sempre que seus amigos se casam, muito menos amigos como aqueles dois.

Em dado momento tirei o meu vegetal preferido para dançar e nossa, como eu tinha sorte por ter aquele ser junto de mim, me olhando com aquele sorriso fodidamente lindo e apaixonado. Depois foi a vez da velha, que quase me deu um soco por ter pisado no pé dela, então Inko e por fim até mesmo Yuuki, que gargalhou horrores quanto a gente rodopiou pelo salão e eu quase, quase, esbarrei na mesa dos tios do Shindo.

Eu não queria nem ver o desastre que seria se Sero não tivesse me dado uma mãozinha.

Foi uma das noites mais incríveis e memoráveis da minha vida, para todos nós, e mesmo que fizesse só dois anos que eu namorava o Deku não pude deixar de pensar em como seria quando fosse nós dois ali no lugar dos noivos.

(...)

Aquele apartamento ficava infinitamente vazio sem Yo pra me atazanar. Por mais que eu tivesse ficado uns três anos sem ele e quase reacostumado com sua ausência deis de que Shindo e Shoto começaram um relacionamento ainda era difícil de lidar.

Ficar sozinho, eu tinha que admitir, era uma merda.

Lembro que Hitoshi brincou à alguns dias quando foi buscar Yuu no colégio dizendo “adote um gato, eu já tenho quatro”. Tsc, como se isso fosse resolver algo.

E se eu não me engano da última vez eram só dois. Esquisito do caralho.

A semana estava corrida devido ao fechamento das aulas e a organização das formaturas. Pra mim, em outras circunstâncias, seria apenas mais uma cerimônia em que eu me despediria de outros alunos do quarto ano – eles passariam a estudar no prédio sul da U.A. – e eu não os viria com tanta frequência. Mas, esse ano era especial, mais do que o normal, pois Yuu estava em uma dar turmas formandas, e isso me enchia de orgulho.

Era estranho parar para pensar no quanto aquele pinguinho de gente tinha crescido, por o ver todos os dias a mudança não era muito notada por mim mas ao olhar as fotos antigas eu ficava abismado. Ele havia crescido uns bons dez ou quinze centímetros nesses quatro anos – desde que o vi pela primeira vez na minha primeira turma em que fui tutor, e estava cada vez mais esperto e traquina.

Vivia aprontando junto de Rury, a amizade forte com o ruivinho só crescia e agora Aimée, a Pitanguinha filha da Camie e um dos meus xodós, também fazia parte do “trio” já que tinha sido transferida pra U.A. aquele ano. Os três juntos era um ciclone gigante e tudo sempre acabava sobrando pra mim.

Pestes.

Sorri lembrando do ano letivo agitado.

A campainha soou e eu deixei meus devaneios de lado, indo atender os únicos seres nesse mundo que poderiam ser as sete da manhã.

- Bom dia! – Yuu abraçou minha cintura, animado como sempre.

- Bom dia Kacchan, tá pronto? – Deku carregava a maleta típica de advogado em uma mão e a mochila amarela de Yuuki nas costas. Tranquei a porta atrás de mim ainda com o pequeno grudado em mim como um bicho preguiça e esbocei um sorriso para o esverdeado maior.

- Bom dia brócolis pai, e você também aspargo. – afaguei os cabelos cheios da criança. – Vamos antes que a gente fique pro segundo período.

- Deus me livre, minha segunda aula é com a senhorita Kyouka e ela sempre faz aquela cara de “sente-se ai e morra em silêncio” quando você se atrasa pras aulas dela – o pequeno esverdeado disse, já caminhando ao lado do pai na minha frente. Meneei a cabeça, rindo em negação pela impressão que o ar tedioso de Jirou passava as crianças e os segui.

- Sem contar – ele continuou – que eu sou péssimo em inglês. Tomara que eu não tenha ficado de recuperação.

- Que nada. Você já passou. – soltei sem querer, os olhos verdes se esbugalharam e ele começou a dar pulos de alegria.

- Kacchan! – Deku me repreendeu e eu encolhi os ombros, sem poder fazer mais nada a respeito. Agora a merda já estava feita.

Mesmo que eu já tivesse contado a notícia a Izuku no dia da reunião do conselho de professores.

- Eu sabia! Eu sabia, sabia, sabia! Eu sou muuuuito foda! – Izuku e eu olhamos para Yuuki. Agora fodeu.

- Não diga isso. É feio. Eu já avisei uma vez.

O Midoriya pai ditou, impassível. E então me mirou como se a culpa fosse minha, esperando que eu dissesse algo.

Cocei a nuca, encabulado. A culpa era realmente minha por ficar falando aquelas coisas na frente da criança.

- É... moita, é feio. Escuta seu pai, se não ele vai te deixar sem ver tv. – ele fitou os pés e eu sabia que aquela cabeça dele estava formulando alguma resposta que só lascaria ainda mais a situação. – E também sem ir na casa do seu tio repolho, quer ficar sem piscina?

Ele imediatamente me olhou com as orbes arregaladas.

- Não! Desculpa pai, eu não vou mais falar palavrão, foi sem querer eu juro! – sorri satisfeito. Izuku o mirou desconfiado por alguns segundos mas logo suspirou, cedendo para aquele rostinho fofo do filho.

- E você também, Kacchan. – o mirei confuso. – Pare de favorecer ele. Yuu tinha que saber do resultado junto com as outras crianças. Sei que dessa vez foi sem querer mas as outras não.

- Uh? Como sabe? – me fingi de desentendido, trocando um olhar cumplice com o pequeno que soltou uma risadinha. – Certo, não vai mais acontecer. – Depositei um beijo em sua bochecha desfazendo sua expressão dura e aceitei a mão que Yuu estendia para que nós entrássemos no elevador juntos.

No fundo, aquela marra toda dele de paizão rígido, mesmo que fosse fruto de ter que criar o mini arbusto sozinho, me deixava com as pernas moles.

A semana passou como um sopro. A cerimônia de despedida chegou rápido e junto com ela, as lágrimas de ter que me despedir da minha turminha outra vez. Era difícil me apegar a eles e dessa vez, o filho da puta do Sero tinha fotografado o exato momento em que eu estava abraçado com todos os pestinhas, chorando junto com as crianças por ter que me despedir.

Corri tanto atrás do maldito pelos corredores que até me esqueci o motivo da minha tristeza.

Na sala dos professores, Jirou combinava com Mina sobre se arrumarem juntas para a colação de grau que teria a noite e o Pikachu da Deep Weeb conversava com outros professores. Hanta já havia dado no pé, frouxo do jeito que era com medo de eu dar um sacode nele pela foto e Eiji tentava me convencer a sair com todos eles depois da cerimônia dos formandos.

- Só um drink? Por favorzinho, vai, o que te custa?

- Eu preciso dormir cara, sem condições. – os sintomas de ter ficado a noite toda vendo filme com Izuku já estavam batendo. – Mas amanhã a gente faz um almoço no Hanta. Isso se ele tiver coragem de aparecer na minha frente depois daquela foto maldita.

- Vai, confessa que o cara foi um gênio. – o loiro do tchan vulgo namorado do Eijirou disse, abrindo um sorriso presunçoso. – Se eu fosse ele imprimiria e sairia distribuindo pra geral. Você estava todo choroso.

- É, e se você fosse ele, sairia na primeira página do jornal por eu distribuir seus pedaços pela cidade. – fingi um sorriso amável vendo ele ficar branco.

- Credo, brother, que coisa horrível. – o falso ruivo grudou no namorado para o confortar. – Ele fala isso mas no fundo é uma boa pessoa, ta? Não liga não.

- Olha, já que o Kat não vai a gente pode deixar pra outro dia. – a rosada comentou. – Eu to afim de ficar em casa hoje.

- Vai chover. Mas tipo, chover muito. – Kyoka brincou me fazendo rir.

- Vocês são tão idiotas.

Peguei minha bolsa e fui em direção a porta, parei vendo que ninguém me seguia e os olhei com o cenho franzido.

- Que é, porra, vocês esqueceram que vamos almoçar na Kayama?

- Não, é que... Você tá diferente. E igual ao mesmo tempo. – Mina quem disse, me fitando curiosa. – Não de um jeito ruim mas... é como se, sei lá, você finalmente fosse você.

- Uh? De que caralhos você ta falando guaxinim?

- Nada, Kat. Vamos comer logo, eu to mortinho de fome. – Eiji se apressou para o meu lado e logo todos vieram também.

Tsc. Esse povo de artes é tudo louco.


Notas Finais


Ai, to chorosa.
Eu vou dedicar meu tempinho livre pra responder TODOS os comentarios (São muitos pq vcs são de mais) anteriores que estão em haver e volto amanha com a segunda parte
Então até loguinho, beijos ❤

Curiosity: eu escrevi o casamento e todo o resto ao som de um mix do YouTube que tem varias músicas que combinam com esse clima de despedida, vou deixar o link aqui se quiserem viu.
https://www.youtube.com/playlist?list=RD8T0cHQb39GY&feature=share&playnext=1


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