História Portas da Alma - Capítulo 20


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Oie :3

Capítulo 20 - Cotidiano


Fanfic / Fanfiction Portas da Alma - Capítulo 20 - Cotidiano

Por mais estranho que possa parecer ele não ficou bravo, quando derrubei sorvete nele e sem querer o mordi, começamos a rir descontroladamente. Com minha mão na barriga rolava de dor, ele também se rendeu aos risos e abaixou ao meu lado. Sem muito sucesso ele tentava limpar o sorvete com a mão, o que só me fazia rir mais, só parei de rir quando ele teve a brilhante ideia de me melar com sorvete.

– Agora é guerra! – Falo com a cara mais seria que consigo fazer no momento, o que não parecia nem um pouco com minha cara de raiva. Pego o pote de sorvete e tento melar ele também, o resultado é que no fim fiquei mais suja que ele. Ainda é estranho parar para pensar que vou morar com ele a partir de hoje, mas as risadas, os abraços e a correria toda me fizeram lembrar do porque eu confio tanto nele, porque ele merece.

Qualquer pessoa merece um primeiro voto de confiança, merece a liberdade de ser quem é antes de qualquer coisa, principalmente antes de qualquer preconceito. Ele nunca me machucou, não de propósito, nunca me obrigou a nada, ele pode ser um pouco manipulador, dou risada só de pensar nisso, mas não duvido do seu amor por mim, talvez nossa proximidade fará eu parar de duvidar dos meus sentimentos por ele, mesmo que eu ainda não tenha encontrado uma lógica razoável para querê-lo ao meu lado.

Nesta altura estamos largados no chão cansados de tanta algazarra. Estou perdida em meus pensamentos olhando para meu namorado, sim, “meu namorado”, já admiti para ele que o amo seria burrice pensar ... espera...

– Espera, Léo, agora que já nos declaramos e considerando que estamos morando juntos, qual o status do nosso relacionamento? Eu penso que sei, mas é melhor perguntar, eu acho... – Ele deita de lado no chão olhando para mim com seus olhos verdes.

– Puff... não é obvio. – Ele fala sério. – Estamos... Casados! – Ele se vira e me encurrala no chão apoiando seu corpo no seu braço bom enquanto se debruça por cima de mim ficando com o rosto perto do meu. Eu já devia estar acostumada, mas a verdade é que não pude evitar pensar besteira e virar um tomate de tão envergonhada. – Eu vou fazer de tudo para você se sentir à vontade aqui. – Léo prevendo que eu tentaria fugir prende minha mão antes de aproximar seu rosto do meu pesco.

– Léo não! – Eu protesto.

– Clama princesa, o que vou fazer não é nada demais. – Sua respiração quente me causa arrepios. – Lá vai. – Ele sussurra, e em seguida põe sua boca no meu pescoço fazendo barulho de pum e muitas cócegas.

– Sério Léo!? – Falo ainda rindo. Ele se encaixa do meu lado e nos abraçamos.

– Não precisa ter medo de mim, não é só porque eu prometi para seu pai, ou porque disseram que é certo, você é minha namorada, minha princesa e eu quero que a gente aproveite nossa adolescência e nossa inocência enquanto pudermos. Eu ... – Ele se liberta do meu abraço e esconde o rosto com um braço. – Eu...

– Não vai fazer sexo comigo antes do casamento?

– Isso... – Ele fala meio constrangido. – Porque soa tão natural de você e tão machista vindo de mim? Idiota... – Ele se repreende e eu tiro a mão do seu rosto e beijando a sua bochecha logo falo.

– Você não é idiota, é fofo! E eu gosto da sua forma de ver as coisas, obrigada, e só para você saber eu confio em você. – O que ele falou me fez lembrar do episódio de quase estupro, me encolho do seu lado e já em estado melancólico pergunto.

– E se eu não fosse mais virgem, ainda seria a mesma coisa? Eu ainda seria sua princesa? – Ele dramaticamente se levanta e me faz sentar e segura bem minhas bochechas.

– Nem por um segundo acredite que alguém tem o poder de te fazer menos especial do que você é! Tá entendendo? Nem mesmo eu ou qualquer outra pessoa, até mesmo se você cometer algum erro, nada, nada, nada vai diminuir seu valor! Quer que eu te prove isso?

– Sim... por favor... – Ele chega perto do meu rosto como que vai beijar minha bochecha, mas em vez disso me lambe.

– ECA!!! LÉOOO! – Eu o afasto e levanto muito brava, ainda no chão e enquanto ri ele fala.

– Que outra garota tem o gosto do meu sorvete favorito? Hahahaha... – Justo quando penso que ele vai começar a falar seriamente...

– Seu nojento! Eu vou tomar banho! – Ele é muito impulsivo, não consigo deixar de pensar que vou sofrer morando com ele. Queria ouvir o que me faz especial, mas talvez ele só está tentando dizer que não exista uma coisa só, é por isso que não sei odiá-lo de verdade, tudo que ele faz tem um significado ou um motivo, e isso é a parte que mais me irrita!

– A vontade namorada, deixa eu ajudar levar as malas para meu quarto. – Léo levanta indo em direção as minhas coisas, aparentemente eu vou ter outro quarto, mas como estamos adiantados na mudança então não tem nada preparado.

– Obrigada namorado, mas gestos cavalheirescos não mudam o fato de que você é nojento! – A “discussão” continuou e logo mudamos o foco da conversa, eu tomei um banho e em seguida ele. Logo a noite chega e está na hora do jantar.

– Calla, vamos pedir pizza?

– Assim eu vou ficar gorda!

– Tá então vamos pedir salada?

– Tá me achando com cara de que, um coelho? Eu não sou vegana e nem tenho vocaçãos para isso!

– O que você sugere?

– Quero comida japonesa!

– Legal, também gosto, mas tem certeza que não quer um hambúrguer? – Faço bico e ele respira fundo.

– Okay princesa.

Mais tarde comemos e conversamos sobre como iriamos fazer para dormir, Léo insiste para dormir no sofá e eu falo que ele deveria dormir na própria cama, foi a parte mais chata do dia pois dessa vez estávamos realmente falando sério um com o outro, foi nossa primeira briga como casal e provavelmente vai cair no esquecimento, nem tudo é um mar de rosas, mas creio que vamos aprender um com outro a nos suportar, no fim decidimos esquecer a briga e assistir a um filme

Tenho quase certeza que os dois só concordaram por termos tido a mesma ideia, quem dormisse primeiro ficava com o sofá, por que eu penso isso? Pois simplesmente antes mesmo da pipoca acabar do pote e da primeira meia hora de filme os dois já estávamos esticados no sofá abraçados um no outro dormindo. Foi um dia e tanto!

Ainda de madrugada e desperto com um movimento do meu lado.

– Desculpe princesa, eu ia te pegar no colo e te levar para cama. – Ele fala se sentando no sofá.

– Olha, eu não gosto de ter que pensar assim que acordo então para nãos ter discussão vamos dividir a cama como antes, okay? – Eu estou com tanto sono que mal consigo ficar com os olhos abertos. Eu não tinha a menor chance contra ele desde o início.

– Humm. – Foi tudo que ele disse antes de arrasta-lo pelo braço para o quarto. Sei que ainda hoje eu estava com medo que algo ruim acontecesse se eu ficasse sozinha com ele, mas agora considero impossível dormir bem sem sentir seu cheiro e seu calor. Ser sincera com meus reais sentimentos foi libertador, agora entendi o porquê ele foi tão irritante e isso só faz eu admirá-lo mais. Assim que nos aconchegamos na cama eu o abraço. – O que está fazendo? – Ele pergunta, mas sem parecer irritado.

– Só estou garantindo que você não fuja pro sofá, é injusto eu roubar sua cama, fora que...

– Fora que?

– Sempre tenho bons sonhos quando durmo pertinho de você, deve ser seu cheiro. – Ele dá uma risada nasal e eu percebo que estou sendo sincera de mais. Ele vai descobrir meu ponto fraco se continuarmos a conversar, que se eu estiver com muito sono é o mesmo que se tomasse soro da verdade. – Melhor dormirmos logo, é... Amanhã temos escola! – Ele me dá um beijo na testa.

– Obrigada princesa, por cuidar de mim. – Ele está melancólico? Porquê? Isso me lembra a primeira vez que dormi aqui.

Logo que pegamos no sono acontece algo incomum, de repente Kaleo começa a ter um sonho agitado, ele se mexe do meu lado me acordando do meu sono leve, um estranho brilho azul vem dele, mas não vejo direito pois está de debaixo das cobertas. Tento acordá-lo, falando baixinho.

– Léo... Léo! – Noto que minha voz faz a luz ficar mais forte, tiro a o edredom de cima dele descobrindo seu peito deixando a mostra um pingente que se assemelha a um cristal e que diferente de todos eles emana luz própria. Aquilo me deixa tão curiosa que eu ouso tocá-lo, ainda com o pingente na mão eu o chamo mais uma vez agora em voz alta. – Léo! – Uma luz, tão forte quanto minha voz naquele momento, se expande e colide com ambiente em redor, o que me assusta e leva Kaleo despertar de súbito, a chamar um nome.

– Cristal! – Ele está ofegante sentado na cama, o ambiente ainda perdendo a luz e o cristal se apagando em seu peito, voltando devagar ao seu costumeiro límpido transparente, ele olha para mim meio perdido. – O que aconteceu? – Eu não tinha certeza do que tinha acontecido então apenas aponto para o cristal e digo.

– Estava brilhando, e quando eu te chamava a luz ficava mais forte, muito mais forte! – Ele dá um sorriso amplo, com a luz fraca que ainda restava deu para notar seus olhos azuis.

– Eu estava com saudades dela... – Então me abraça forte e eu fico sem entender nada.

– Porque está me abraçando? O que eu fiz?

– Você não fez nada, a Cristal fez!

– Que? Cristal?

– Cristal é o nome da estrela, a que você viu brilhar. – Ele me larga do abraço, eu me sento ao seu lado vendo-o tirar o colar com o cristal do pescoço. – Ela acordou por sua causa, você não sabe o quanto isso me deixa feliz! Agora ela tem que ficar contigo, cuida bem dela, é alguém especial para mim. – Ele diz enquanto põe o cristal no meu pescoço.

– O cristal é alguém, uma estrela, e essa estrela acordou por minha causa? E não podia acordar de manhã? Eu ainda estou com sono. – Ele ri, sabe que estou brincando e falando a verdade ao mesmo tempo, ele me dá um beijo na testa e levanta da cama.

– A Cristal não se adianta nem se atrasa... – Ele abra a cortina do quarto e já é de manhã.

– Quanto tempo fiquei acordada olhando aquele brilho?

– Não sei, não vi brilho algum. – Ele sai quase saltitante ainda risonho.

– QUE BOM QUE VOCÊ TEVE UMA BOA NOITE DE SONHO! – Grito enquanto ele vai em direção ao banheiro. Ele não responde, então dou atenção para aquele estranho colar que ele colocou no meu pescoço. O cordão é couro e o cristal está apenas amarrado pela ponta. – Especial, ele não tem medo que isso caia daqui? Porque a estrela brilhou para mim? Não fiz pedido algum...

Não demora muito para eu me levantar também e ir em direção ao banheiro, Kaleo ainda estava lá e mais uma vez o vi em frente ao espelho da pia a encarar seus próprios olhos enquanto eles mudavam de cor em uma velocidade absurda. Ele nota a minha presença então para o que estava fazendo e seus olhos ficam pretos.

– Como você estava fazendo aquilo? Você não precisa estar sentido algo para poder mudar seus olhos de cor? – Ele parece ter se assustado com a pergunta, mas logo apaga a cara de surpresa do seu rosto e me responde. Seus olhos agora são azuis e ele tem um sorriso de lado na boca.

– Não exatamente, eu aprendi com uma pessoa muito especial como posso controlar meus olhos. Isso que você viu foi um exercício onde eu penso em uma cor e em sentimentos que a representam. Como um exercício teatral.

– Então você pode enganar qualquer um fingindo estar sentido outros sentimentos, inclusive a mim? – Confesso ter ficado um pouquinho chocada que o que devia ser sua melhor qualidade, a sua transparência talvez seja uma total farsa.

–Não é bem assim, primeiramente eu não escondo o que estou sentindo de ninguém, se estou bravo demostro raiva se estou triste, tristeza, a diferença é que me concentro para que a cor dos meus olhos não mudem, pois a maioria das pessoas não é como você e não entenderia. Na sua casa e na minha são os únicos lugares que não preciso disfarçar, seus pais já me conheciam de criança, na época eu não conseguia controlar e você... – Ele dá uma pausa...

–E eu o que? Fala logo, você já tentou ou não me enganar com seus olhos.

– Tentei, mas não consegui. Você é a única que consegue ver a verdadeira cor deles mesmo que eu tente esconder.

– Como? – Dou uma pausa, cruzando os braços. – Eu não acredito, quero provas!

– O simples fato de estarmos tendo essa conversa já prova isso, no exercício de cores que acabei de fazer meus olhos estavam negros o tempo todo e eu pensava em sentimentos e sensações que poderiam fazer meus olhos mudarem caso eu não estivesse me controlando. Eu vi meus olhos negros o tempo todo, mas você viu através deles e viu a mudança deles. – Seus olhos de azuis foram para roxos e, por fim, marrons, assim que notou minha desconfiança.

– Humm. – Movo o eixo do meu corpo para o lado e começo a bater o pé no chão em sinal de que não estou acreditando.

– Okay eu te provo. Pegue seu celular e põe na câmera. Você vai apontar a câmera em meus olhos, primeiro eu vou mostrar eles como ele são sem fazer o exercício. Depois vou forçar o exercício para eles ficarem negros enquanto penso em várias coisas. Se o resultado for que a câmera capitou meus olhos mudando de como na primeira vez e nas demais ela só capitar o preto mesmo quando você vê a troca de cores então eu estou falando a verdade!

– Okay, isso até que parece razoável.

– Se eu provar que estou certo você vai me conceder um desejo, seja ele qual for.

– O que? Quem falou?

– Combinado então, me provoque para que meus olhos mudem de cor, a partir de agora não estou mais controlando as cores. – Eu ligo a câmera e pergunto apenas para ele ter alguma reação.

– O que mais te deixa excitado no mundo? – Ele fica corado e seus olhos mudam para amarelo, antes dele responder já sabia que ele tinha pensado em algo. A câmera estava gravando cada reação e como ele previa ela capitou seus olhos mudando de cor.

– N-não tinha pergunta melhor não? A resposta é você. – Ele nitidamente queria olha para o outro lado. Mas sabia que não podia por causa do teste, então ele parou de encarar a câmera e passou a olhar em meus olhos.

– Humm, e pensa essas coisas enquanto eu durmo ao seu lado? – Dessa vez ele não corou.

– Não, eu não poderia fazer isso com você. – Ele olha para mim com seus olhos agora laranja e mais uma vez a câmera capitou a mudança. – Eu não iria me perdoar se fizesse algo que pudesse te magoar de alguma forma. – Seus olhos passam a ficar vermelhos e assim os vejo tanto ao vivo quanto pelo celular. E eu já te disse que não sou assim, não sou como os outros jovens da minha idade. Quando durmo ao seu lado esqueço dos problemas e pego no sono melhor do que tomando tarja preta. – Nisso seus olhos já tinham voltado a ficar pretos.

–Okay, eu acredito. Mais uma coisa, porque ficou tão feliz que o cristal brilhou para mim hoje?

– Porque meus desejos se realizaram por mais de uma vez e eu sei que os seus também vão se realizar na hora certa. – Ele está com os mesmos olhos azuis de antes.

–Quais desejos? Você só me contou um.

– Não vem ao caso eu te contar agora durante o teste, te explicou mais tarde. – Os olhos dele foram mudados para marrom.

– Vou me lembrar de perguntar de novo. Beleza, já vi que a câmera capitou as últimas cores que seus olhos apresentaram. Agora faz aquilo que você disse que estava fazendo no banheiro.

– Está bem. – Eu encaro seus olhos mudando de cores rapidamente e encaro pelo celular e quase não acredito no que vejo. No celular, seus olhos estão apenas pretos.

– Não brinca! Agora mude para azul! – A partir daí vejo os olhos dele exclusivamente azuis na gravação enquanto que ao vivo eles continuam a mudar de cor. – Isso é incrível, já estou tão acostumada com seus olhos mudarem de cor que é incrível saber que você sabe controlar isso.

– Você só acha incrível porque não faz efeito em você. – Ele protesta pegando o celular da minha mão para apagar o vídeo.

– Desculpe, foi bem feio da minha parte julgar você por isso. Eu vou fazer o que você quiser.

– Não tem problemas. Vamos tomar café da manhã e depois eu penso em um pedido.

– Mas sabe, isso não explica o fato de você saber que eu vejo seus olhos mudarem de cor mesmo que você não queira. – Falo caminhando até a sala indo em direção a cozinha.

– Não é como se soubesse que você é imune ao meu exercício, apenas estou acostumado com você quebrando todas as minhas defesas. – Ele me encurrala contra a parede mais uma vez. Virou mania? Seus olhos ainda estão azuis. – Eu já sabia que você tinha visto meus olhos mudarem de cor faz tempo, você é a única que consegue me olhar nos olhos, e da outra vez que você dormiu na minha casa e achou aquele papel eu tive certeza de que eu já tinha baixado a guarda perto de você. Mas hoje para minha surpresa descobri que você sempre viu meu verdadeiro eu. – Ele me encara mais um pouco seus olhos ficam verdes, depois de costas e fala mais baixinho. – Não tenho chances contra você. – E eu pensando que eu não tenha chances contra ele.

– Acho que é um empate. – Seguro o braço dele e fico na pinta dos pés para lhe roubar um selinho.


Notas Finais


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