História Poster Girl - Capítulo 18


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Categorias Backstreet Boys
Personagens AJ MacLean, Brian Littrell, Howie D, Kevin Richardson, Nick Carter
Visualizações 42
Palavras 3.831
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Ficção, Literatura Feminina, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um capítulo! Espero que gostem! 😊

Capítulo 18 - I love you Jen! I love you Julie!


Fanfic / Fanfiction Poster Girl - Capítulo 18 - I love you Jen! I love you Julie!

Minha pretensão era a de que Julie conhecesse Dylan e se encantasse por ele. Qualquer mulher se apaixonaria fácil por ele! Um homem bonito, carinhoso, elegante e extremamente sexy ele era, o que tornava tudo ainda mais fácil. Além disso, eu sentia que Julie precisava desse sentimento. Era muito solitária, tímida e eu faria um favor a ela colocando Dylan em seu caminho, por isso a escolha de passar a virada do ano na casa dele.

Dylan e eu éramos amigos há anos e nos conhecemos na escola. Tivemos um envolvimento rápido quando adolescentes, mas nada que estragasse a nossa amizade. Ele sempre cuidava de mim, inclusive, opinando sobre os meninos que eu namorava. Era um cuidado de amigo, de irmão, eu diria. E eu fazia o mesmo, sempre preocupada em saber quem eram as meninas com quem ele se envolvia. Tinha medo de que ele se magoasse, ou, até mesmo, que ele magoasse alguém, mas Dylan era incapaz disso, apenas se envolvia quando realmente estava apaixonado e quando ele percebeu que existia algo a mais entre Julie e Andrew, tratou de se afastar e deixar o caminho livre para o amigo. Ele era certinho demais, o politicamente correto, totalmente o oposto de mim e muito parecido com Julie, o que me fez pensar que os dois poderiam dar certo.

Nunca simpatizei com Andrew. O vi algumas vezes na boate, sempre cercando Julie, sendo muito sedutor e bem direto nas investidas. Percebia que Julie ficava incomodada no início, mas logo a vi bem à vontade com ele, inclusive aceitando seus galanteios. A última vez foi no dia da estreia. Eu o vi lá, bem em frente ao palco, olhando para Julie, hipnotizado. Não que ela não merecesse isso, muito pelo contrário, Julie é realmente maravilhosa dançando, ela se transforma. Porém, seu olhar era diferente. Andrew parecia disposto a tudo para tê-la, como se Julie fosse um troféu a ser exibido. Eu conhecia esse tipo de homem de longe e podia jurar que era encrenca, sempre era, eu nunca errava! Alertei minha amiga algumas vezes, mas ela parecia estar realmente encantada por ele, então, deixei que a situação corresse como tinha de ser.

Andrew e Dylan se conheceram no trabalho. Ambos eram consultores financeiros, com excelentes cargos na empresa. Dylan tem um cargo de chefia, comandando uma grande equipe de consultores. Começou cedo na empresa e logo se destacou, alcançando seu cargo atual. Tinha uma situação financeira estável, boa poderia dizer, mas odiava ostentar luxos. Era discreto, simples, gostava de ter conforto, mas sem grandes extravagâncias, e isso era o que mais eu admirava nele.

Já Andrew era o oposto. Sempre ostentando, esbanjando e exibindo sua situação financeira para todos. Sempre que ia à boate, pagava bebidas para as meninas, que ficavam eufóricas quando ele chegava. Tentou pagar para Julie algumas vezes, mas como ela não bebe, seus planos foram frustrados. Andrew foi parar na empresa de Dylan após ser transferido da filial de Nova Iorque para Los Angeles há alguns meses. E foi assim que eles se conheceram. E, assim, ele surgiu na vida de Julie.

- Trouxe para você! – Dylan estendeu a mão e me deu o copo. – Está tão quieta aí, o que houve? – ele perguntou.

- Ele... – respondi e apontei com a cabeça em direção à Julie e Andrew.

- Andrew? Por quê? Estava interessada nele e sua amiga chegou primeiro? – ele perguntou com deboche e levou seu copo à boca, me fazendo olhá-lo de cara feia.

- Eu não gosto dele... não gosto do jeito como ele olha para a Julie. – respondi e virei meu olhar novamente para os dois.

- Deixa de ser chata! – Dylan contestou e me deixou espantada. – Chata sim. E ciumenta! Só não descobri ainda se o ciúme é do Andrew ou da Julie... – ele finalizou e eu dei um soco em seu braço. – Aí! – ele disse e riu, achando graça da minha reação.

- Não é ciúme, Dylan, é preocupação. Julie é romântica, ingênua até. Tenho medo de que ele faça algo com ela. Julie nunca namorou, então, fico preocupada, entende?- finalizei e ele afirmou com a cabeça.

- Entendo sim, mas Andrew é um ótimo cara e pelo que ele me falou dela todos esses dias, está apaixonado. Eu só não sabia que ela era sua amiga, senão, já tinha resolvido isso há tempos. – ele disse e colocou seu braço em volta dos meus ombros. – Venha, vamos dar uma volta. – ele decretou e eu concordei, dando uma última olhada para eles, que estavam sentados em um canto da sala, no chão, conversando e rindo.

Dylan e eu subimos as escadas e passamos pelo imenso corredor dos quartos, que levava a uma sacada, na parte de trás da casa, que mostrava todo o imenso jardim e a piscina. Paramos ali e eu me apoiei no parapeito, de costas, sentindo o vento gelado em meu rosto. Ainda estava com o copo de bebida nas mãos e dei mais um gole, saboreando-a. Era whisky, uma das minhas bebidas favoritas, e Dylan sabia disso, preparava um melhor que qualquer pessoa. Aliás, ele sabia muitas coisas sobre mim, todos os meus gostos, meus medos, tudo de ruim que passei em minha vida, todo o meu trauma amoroso... Dylan era meu melhor amigo, e sabia bem da minha vida. Eu tinha total confiança nele.

- Jen, trouxe você aqui em cima porque preciso te contar uma coisa. – ele começou. – Eu e Angelina terminamos.

- Por isso ela não está aqui! – eu deduzi. – Ia perguntar, mas achei que ela pudesse estar viajando. Ela sempre viaja muito. – concluí.

- Pois é... esse foi um dos motivos. – ele disse e sorriu, abaixando a cabeça, e colocou a mão vazia em seu bolso. – Bom, além do fato dela ter arrumado outro, na verdade. – ele finalizou e sorriu novamente, olhando para o copo e, em seguida, para mim.

- Não acredito! – levei as mãos à boca. – Como ela teve coragem? Dylan, vocês iam se casar! – eu disse revoltada.

- Eu sei. Mas quer saber? Foi melhor assim. – ele disse e mudou a fisionomia, ficando mais sério. – Eu não a amava.

- Não? E como você se casa com alguém que não ama, Dylan? Você e essa sua mania de romantismo... por isso eu achava que você e Julie formariam o casal perfeito! – eu disse e levei as mãos para o alto, como se escrevesse a última frase no ar.

- Nunca a amei, Jen. Não posso amá-la, pois já amo outra. Amo há tanto tempo que meu coração dói. Apenas decidi seguir com a minha vida, mas acho que não está dando muito certo. – ele finalizou e me olhou.

Seus olhos brilhavam em um verde tão intenso que me deixou desconcertada. Sua boca estava semicerrada, como se tivesse interrompido seus pensamentos. Dylan me olhava de um jeito que me fazia compadecer da situação, ele realmente sofria. Não pelo rompimento, mas sim por este sentimento que ele abafava, que o incomodava, era perceptível isso. Fiquei em silêncio, esperando que ele falasse algo mais, mas Dylan se calou. Não sei por medo, ou por vergonha.

- Dylan, eu acho que você deve resolver isso aí dentro. Não se pode sufocar um amor. Coloque seus sentimentos para fora, mesmo que não dê certo, mas diga. Te fará bem. Faz tempo que percebo sua inquietude. – eu disse de um jeito doce, tentando convencê-lo. – Se abra comigo, me diga o que está realmente acontecendo. Sabe que pode confiar em mim. – finalizei e sorri, aguardando sua próxima atitude.

- Eu... – ele começou, mas parou, desviando o olhar. Olhei para ele e o encorajei, sorrindo. – eu te amo, Jen! Sempre te amei, desde a primeira vez que te vi. Por anos eu escondi isso, achava que seria melhor aceitar ser apenas seu amigo, mas eu não aguento mais! – ele dizia e andava de um lado para o outro, sorrindo, como se tivesse tirado meia tonelada de suas costas.

- Dylan, eu... nossa! Não esperava por essa. Sempre fomos amigos e...

- Exatamente! – ele me interrompeu. – Sempre achei que a sua amizade me bastava e quando nos relacionamos na escola, pude perceber que eu realmente te amava. E ainda amo, Jen. Amo com toda a força do meu ser! – ele segurou minhas mãos e me olhou.

- Dylan... não sei o que dizer... – estava sendo verdadeira. Era uma confusão na minha cabeça naquele momento.

- Eu sei que você gosta de mim apenas como amigo e também sei o quanto você já se magoou, o quanto aquele... – ele parou e respirou fundo, mantendo o raciocínio. – enfim, sei o quanto você sofreu, Jen. Eu só quero uma chance de te fazer feliz, de te mostrar que você pode ser amada de verdade. Só uma... – ele finalizou e me olhou profundamente nos olhos, me deixando sem palavras...

Andrew me encantava a cada palavra dita! O seu jeito engraçado, espontâneo, sua inteligência, tudo nele me atraía. Ele era culto, viajado, e me contava sobre suas aventuras, me deixando cada vez mais extasiada. E eu ouvia a tudo com atenção e com devoção. Imaginava-me em alguns desses lugares com ele, passeando, curtindo cada detalhe ao seu lado, enquanto ele me contava tudo.

- Julie, você já foi a Paris? – ele me perguntou.

- Não, nunca. Na verdade, nunca saí da Califórnia. – respondi envergonhada, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.

- Ei! Não precisa ter vergonha disso. – ele ajeitou meus cabelos e sorriu, me olhando. – A próxima vez que voltar a Paris, quero que seja ao seu lado! – ele decretou e eu o olhei espantada.

- Não, eu não... não tenho condições de fazer uma viagem dessas. – respondi desapontada.

- Isso não importa, você irá comigo. Pode ir como minha convidada ou... – ele parou e sorriu.

- Ou? – perguntei curiosa.

- Ou como minha namorada... – ele finalizou e se aproximou do meu rosto, tocando levemente os meus lábios com os seus. – Julie, eu te amo! Acho que te amei desde o primeiro dia em que te vi naquela boate, Dylan é testemunha. – ele fez um carinho em meu rosto. – Quer namorar comigo? – ele perguntou e me olhou aflito, aguardando minha resposta.

- Quero! Quero muito! – respondi e me joguei em seus braços, caindo por cima dele. Andrew me beijou com intensidade e sorriu.

- Minha namorada! Somente minha! – ele finalizou e sorriu novamente, me beijando em seguida...

Verónica buzinava sem parar enquanto estacionava o carro na porta de minha casa. Sabíamos que nossos pais estavam todos lá, nos aguardando, e os vimos abrir a porta, fazendo uma verdadeira festa ao nos ver. Saímos do carro e abracei meus pais, recebendo um beijo de meu pai enquanto mamãe chorava de emoção e papai a repreendia, me fazendo rir. Verónica também estava abraçada à mãe, contando animada o quanto se divertiu e Sara estava junto aos seus pais, emocionada por vê-los.

- E Rafael? – perguntei, olhando para os lados.

- Está chegando, filha. Ele teve um problema no consultório, mas já vem. – mamãe disse. – Anda, vamos entrar, fiz um lanche para todos e só esperávamos vocês chegarem. – ela disse.

- Ótimo, estou faminta! Dirigir dá uma fome danada! – Verónica respondeu e eu a olhei, repreendendo-a.

- Até parece que você dirigiu tanto assim. A coitada da Gabby virou nossa motorista particular. – Sara me defendeu.

- Obrigada, Sara! Finalmente alguém que reconhece o meu valor. – eu disse e entrei na casa.

Entramos em casa e nos sentamos à mesa, com nossos pais em volta. Começamos a contar como tinham sido os dias em Cancún, como era lindo o resort e como tínhamos nos divertido. Sara e Verónica contavam tudo eufóricas, enquanto eu sentia uma angústia tremenda.

- Conhecemos os Backstreet Boys! Eles fizeram um show privado no resort e conseguimos ir. – Verónica disse.

- E como foi? – mamãe perguntou animada, querendo saber dos detalhes.

- Tia, como posso definir? – Verónica disse e suspirou alto antes de concluir. – I-NES-QUE-CÍ-VEL! – ele disse pausadamente, fazendo todos rirem. – Aqueles homens são maravilhosos!

- Então vocês aproveitaram bastante? Fico feliz por isso! – Rafael disse enquanto entrava na sala. – Boa tarde a todos. – ele concluiu.

Rafael apertou a mão de meu pai, depois deu um beijo na testa de mamãe e cumprimentou a mãe de Verónica, depois a própria Verónica, que o respondeu cordialmente, já que não gostava muito dele, depois Sara e seus pais. Por fim, veio falar comigo.

- Mi amor! – ele disse e se aproximou, de braços abertos, enquanto eu me levantava. – Como senti sua falta! – ele disse e me beijou, com um selinho mais demorado. – Gostou da viagem?

- Sim, muito! Foi tudo perfeito! – respondi e me sentei, vendo-o pegar uma cadeira e se sentar ao meu lado.

- Foi maravilhoso, Rafael. Obrigada por nos deixar ir com Gabby! – Sara agradeceu.

- É... tenho que admitir que o doutor mandou bem na escolha do local. Pena que não aproveitou, porque nós aproveitamos. E muito! – Verónica disse e me olhou, enquanto eu a fuzilava com o olhar e Sara ficava pálida. – Não é mesmo, Gabby? – ele perguntou irônica.

- Sim, aproveitamos muito. Foram dias lindos. – Eu consegui dizer.

- É mesmo! Fez muito sol, aproveitamos muito a piscina, a praia, os shows dos BSB... – Verónica dizia.

- Como estão as coisas por aqui, Rafael? – perguntei e interrompi Verónica antes que ela falasse uma besteira.

- Tudo ótimo, mi amor! Tudo pronto para o nosso casamento! Nem acredito! – ele disse animado.

- Nossa, passou tão rápido! Daqui a cinco dias vocês serão marido e mulher. – Mamãe disse animada.

- Não vejo a hora de isso acontecer, afinal, foram meses vendo Gabby preparar esse casamento. – papai disse.

- Já peguei meu terno. Está pronto e...

Enquanto eles falavam sobre o casamento, preparativos do casamento, roupas, detalhes da festa, na minha cabeça só vinha ele. Alex rondava meus pensamentos a todo instante, não conseguia deixar de pensar nele, na nossa noite, em seu beijo, seu toque, seu cheiro... não conseguia raciocinar direito. A todo tempo suas palavras vinham em minha mente ecoando como mantra, me fazendo esquecer tudo a minha volta. Se você me der uma chance, uma única chance que seja, vou agarrá-la com todas as forças, Gabby...”, “...não posso mais fugir do que sinto, Gabriela. E acho que você também não deveria...”, “Essa não é mais a realidade que eu quero, Gabby. Eu quero você e eu vou resolver tudo para que isso aconteça. Acredite em mim...”, Nos veremos novamente. É uma promessa, doutora Gabriela!”. Todas as frases ditas por ele a mim, todo o seu sentimento exposto, dito, entregue em minhas mãos e eu não sabia o que fazer. Eu sentia o mesmo, como eu sentia! Fechava meus olhos e ainda podia sentir o gosto do seu beijo em minha boca, o seu toque no meu corpo, o seu cheiro estava entranhado em mim...

- Gabby?! Está tudo bem? – Rafael me chamou e eu abri os olhos, olhando para ele e para todos em volta, que me olhavam curiosos, enquanto Verónica tinha um sorriso discreto no rosto. Ela sabia em quem eu pensava.

- Sim, está. – afirmei e me ajeitei na cadeira. – Estou com um pouco de dor de cabeça, deve ser o cansaço da viagem. – eu disse.

- Bom, acho melhor irmos embora. – a mãe de Verónica falou. – Vamos, filha? Em casa quero saber tudo sobre a viagem.

Verónica e a mãe se despediram de nós, assim como Sara e seus pais. Mamãe e papai foram para o jardim, enquanto eu e Rafael fomos para a sala de mãos dadas. Estava em silêncio, pensativa, e me sentei no sofá, sendo acompanhada por ele em seguida. Rafael sentou-se de frente para mim e apoiou sua cabeça em um de seus braços, que estava apoiado nas costas do sofá.

- Você está ainda mais linda do que quando saiu daqui. Eu sou um homem de muita sorte! – ele disse e eu sorri. Rafael se aproximou e me beijou pela primeira vez desde que cheguei. Um beijo de verdade.

Era diferente! O beijo de Rafael já não tinha mais o mesmo sabor, não causava mais sensações em mim, não me fazia desejá-lo como antes. Era um beijo morno que se seguia ali, sem intensidade, sem fogo, sem paixão. Nossas línguas não se tocaram, e foi inevitável a comparação com o beijo de Alex, tão avassalador, tão intenso, tão...

Comecei a pensar nele enquanto beijava Rafael e isso me assustou, me fazendo parar de beijá-lo imediatamente. Abaixei o olhar e permaneci em silêncio, enquanto podia sentir que Rafael me olhava, me analisando. Ele sabia que tinha algo de errado.

- Você está bem, Gabriela? – ele perguntou sério. – Aconteceu alguma coisa que você não quer me contar?

Olhei em seus olhos pela primeira vez. Ele procurava entender a minha reação sem sentido enquanto eu, aflita, tentava pensar no que dizer. Queria contar toda a verdade e acabar com aquela angústia, seria o certo a fazer. Rafael merecia saber que eu o traí, que fui fraca, que não honrei nosso compromisso. Por outro lado, eu sabia que ele jamais me perdoaria. Rafael não era o tipo de homem que perdoa traição, apesar de já ter me traído algumas vezes no início do nosso namoro. Eu estava confusa e acho que ele percebeu isso quando me olhou nos olhos.

- Você está estranha desde que chegou. Tem algo de errado, Gabby? – ele perguntou mais uma vez.

- Não, está tudo bem. – respondi e sorri fraco. – Acho que é o cansaço da viagem e a aproximação do casamento. – concluí.

Então vou deixá-la descansar. Amanhã nos vemos, tudo bem? – ele disse e eu afirmei com a cabeça. – Eu te amo, mi amor. – ele disse e me beijou, enquanto eu me calei.

Fui para o meu quarto, levando minha mala, e comecei a desfazê-la, pensando em Alex, quando meu telefone tocou. Era um número diferente e eu tinha certeza de que era ele, então, decidi não atender. Precisava pensar no que fazer da minha vida e em como eu a seguiria a partir de agora.

 

Cinco dias depois...

Era uma linda manhã de domingo. Acordei cedo, tinha um dia de noiva esperando por mim. Sara e Verónica também fariam, afinal, eram minhas madrinhas. Elas chegaram cedo para os preparativos e logo a equipe de maquiagem e cabelo também chegou.

Tomamos um café da manhã reforçado, depois fizemos uma massagem relaxante e um banho de sais e pétalas de rosas esperava por mim. Fiquei imersa naquele ofurô por muito tempo, pensativa. Era o dia do meu casamento e eu ainda não estava convencida de que deveria me casar. Não depois de tudo que acontecera.

Alex me ligou por todos os dias desde que cheguei a Culiacán, mas não o atendi. Não tinha coragem de falar com ele, pois sabia que se eu ouvisse a sua voz, desistiria de tudo. Eu estava decidida a seguir com a minha vida e me casar com Rafael, deixando todo o passado onde ele deveria ficar. Alex não fazia parte dos meus planos, tampouco do meu futuro.

Saí da banheira e fiz as unhas, enquanto o cabeleireiro arrumava meu penteado. Decidi pelo penteado preso, com alguns detalhes na cabeça, pois combinava com meu vestido, que era tomara que caia. A cerimônia estava marcada para às seis da tarde, na igreja de Culiacán. Toda a nossa família, nossos amigos e pessoas importantes estariam lá, afinal, a família de Rafael era muito respeitada na cidade.

Sentei para almoçar e foi quando tive, finalmente, uma pausa, um momento sem tantas pessoas a minha volta. Sara e Verónica se sentaram comigo e enquanto comíamos, meu celular tocou novamente. Olhei para o visor e sabia que era ele, mas não podia atender. Eu não iria suportar ouvir a sua voz.

- Gabby, esse celular tocou o dia todo, amiga. – Sara disse.

- Aposto que é AJ. – Verónica disse.

- E é. – respondi.

- Ele cumpriu sua promessa, está lhe procurando. Gabby, por que você está fazendo isso consigo mesma? Ainda dá tempo de largar tudo isso e sair correndo daqui, amiga! Eu te ajudo! – Verónica tentou me incentivar enquanto o celular ainda tocava. Olhamos para ele e Verónica fez menção de pegá-lo.

- Não! – eu disse e coloquei a mão sobre ele, impedindo-a de fazer aquilo. – Não vou desistir de nada! Vou me casar hoje com Rafael e Alex está no passado. – eu disse.

- Então não acha que ele deve saber disso? Ele merece que você fale isso para ele, Gabby. Se é isso que você quer, fale para ele! – Verónica concluiu.

O celular parou de tocar e olhamos as três para o aparelho. Um silêncio sepulcral tomou conta do ambiente, quando novamente começou a tocar. Era a terceira vez que ele ligava durante aquele dia. E a segunda vez que ele ligava seguidamente.

Peguei o celular em minhas mãos e o olhei, pensando no que faria, quando decidi, por fim. Verónica estava certa.

- Sí! – eu disse em espanhol, apesar de saber que era ele.

Gabby, finalmente! Estou há dias tentando falar com você! Achei que tivesse anotado errado o seu número. – ele disse.

- Como vai, AJ? – perguntei seca e me levantei, me afastando das meninas, me aproximando da janela.

- AJ? Não, para você eu sou Alex! Sempre! – ele disse sedutor e eu suspirei, tentando manter a sanidade ao ouvir aquela voz rouca. – Como foi a viagem de volta? Chegaram bem?

- Sim, chegamos. Foi tudo ótimo. – me limitei a responder.

Gabby, eu quero que saiba que estou resolvendo tudo aqui para ficarmos juntos. Já disse a minha mulher que não dá mais para continuar o nosso casamento e que quero a separação. Em pouco tempo irei buscá-la. – ele falou animado do outro lado da linha. – Não vejo a hora de estar com você novamente!

Fechei meus olhos e chorei. Uma dor intensa me invadiu, um sentimento de culpa, de raiva pela minha covardia, de pena por vê-lo tão animado enquanto eu me arrumava para me casar. Eu não podia fazer isso com ele, Alex não merecia. Não depois de tudo que vivemos. E era em nome desses bons momentos que eu precisava ser forte e ser sincera com ele.

- Alex, me escuta. – eu comecei e engoli o choro. – Não faça isso, não se separe. – pedi.

Como não, Gabby? Já te disse que não quero mais esse casamento e...

- Alex, eu vou me casar. – o interrompi. – Hoje. Estou me arrumando para a cerimônia.

O quê? Você só pode estar de brincadeira! – ele disse e riu do outro lado da linha. – Diz que é brincadeira!

- Não, não é. Não te atendi antes porque achei que você desistiria, mas como você insistiu, achei que lhe devia essa satisfação, pelos bons momentos que tivemos. – eu disse, tentando ser seca. – Olha, você é muito legal, foi tudo muito divertido e...

Divertido? Então eu fui uma diversão? – ele perguntou e sua voz estava embargada.

- Sim. – eu disse depois de um tempo de silêncio. – Foi uma despedida de solteira. Fazia parte dos meus planos. – finalizei e ele ficou em silêncio. – Me desculpe se te magoei.

Jamais. – ele respondeu. – Seja feliz, Gabriela. E parabéns pelo casamento. – ele finalizou e desligou.

Larguei o celular e sentei na pequena poltrona, desabando em choro. Me sentia a pior pessoa por ter feito aquilo com ele, mas era necessário. Ele precisava seguir em frente. E eu também...

Sara e Verónica se aproximaram e me abraçaram, em silêncio, enquanto eu ainda chorava. Jamais me recuperaria daquele momento, jamais o esqueceria. Alex estava marcado para sempre em minha vida, mas depois de tudo isso, eu sabia que jamais o veria novamente.



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