História Potterlock - O Cálice de Fogo - Capítulo 18


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Categorias Harry Potter, Sherlock, Sherlock Holmes
Personagens John Watson, Mary Morstan, Mycroft Holmes, Sherlock Holmes
Tags Johnlock, Potterlock
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Palavras 3.706
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - A segunda tarefa


Onde ouvir da nossa voz o tom

Na superfície não há som

Durante uma hora deve buscar

E o que quer, vai encontrar

Enquanto nos procura, pense bem

Algo precioso, nós tiramos

Se passar da hora vai perceber 

que, seu tesouro, nós levamos 

Essa havia sido a música que Sherlock ouvira o ovo de ouro cantar quando visitara o banheiro dos monitores um dia após o baile de inverno. Ele entrara na fonte que mais parecia uma piscina e mergulhara nela junto com o ovo. Dentro da água, o grito de agouro nada mais era do que uma música que não podia ser ouvida na superfície. Ele teve ajuda com a dica, é claro. Irene Adler prometera lhe dar a pista em troca de ser sua parceira no baile e ganhar uma aposta valendo cinco galeões de cada colega de turma. Sherlock teria aceitado a oferta sendo verdadeira ou falsa a pista, já que não tinha uma parceira e não queria ficar procurando uma que soubesse dançar. De qualquer forma, Irene Adler não mentiu. Ela ganhara os galeões e ele poupara tempo. Os dois lados saíram ganhando.

E se tinha entendido direito a música, teria uma hora para resgatar um tesouro de um monte de sereianos (já que eram as únicas criaturas que ele conhecia que só podiam cantar debaixo d'água). Em alguns dias concluiu que o tal tesouro poderia ser alguém importante pro campeão. 

Não foi difícil descobrir quem os juízes escolheriam pra desempenhar esse papel.

O dia da prova havia chegado numa manhã fria de primavera, sob nuvens cinzentas e pesadas. Uma rápida olhada para a mesa da Grifinória foi o suficiente para Sherlock perceber que John não havia descido para o café.

– Tudo bem, cara? – perguntou Percy Phelps ao seu lado (depois que o campeão dissera que era próximo dele, o tímido Phelps se sentiu mais a vontade para se sentar ao seu lado na mesa da Corvinal) – Sabe o que é que tem de fazer? 

– Sei sim. Eu só espero não ficar distraído.

La da mesa dos professores, Dumbledore ficou de pé e, como se emanasse uma aura muito dominante dele, bastou fazer isso para a conversa que pairava pelo salão principal morrer aos poucos.

– Espero que todos tenham desfrutado de nosso delicioso desjejum. Agora peço encarecidamente que os campeões vistam seus uniformes que agora se encontram em suas camas e, depois, acompanhem o professor Moody, que estará na frente do portão principal, até o local da segunda prova. Ela será executada no lago de Hogwarts e os demais alunos estão convidados a assistirem-na.

Os estudantes foram se levantando de seus lugares em pequenos grupos. Sherlock ouviu um “boa sorte” de Phelps, outro de Billy, e vários de alguns colegas de sua casa, depois foi até o dormitório do quarto ano para vestir seu uniforme. Uma camiseta e uma bermuda com as cores da Corvinal. Colocou a caixa de diabinhos de pimenta - agora encantada com o feitiço de impermeabilidade - no bolso da bermuda, depois pegou a varinha e saiu da torre. 

Do lado de fora do castelo, havia duas arquibancadas à margem do lago da escola, lado a lado, lotadas, e que se refletiam nas águas embaixo. Os campeões chegaram meia hora depois, um a um, e subiram uma escada de madeira que dava para uma plataforma rústica a cinco metros da superfície do lago. Quase todos os juízes estavam em cadeiras suspensas em um camarote improvisado. Dumbledore, Madame Maxime, Karkaroff e Ludo Bagman assistiam de seus lugares. Sherlock notou que Bartô Crouch não estava presente. Novamente o sr. Morstan o substituía.

Na plataforma, o professor Moody orientava os competidores:

– Não precisam usar apenas a varinha, então se tiverem outra coisa que ajudem vocês a sobreviverem, tratem logo de colocá-las em mãos! La embaixo não é o mar da tranquilidade, ouviram bem?

Mycroft se aproximou de um Sherlock anormalmente rígido:

– Você parece nervoso pra uma simples prova – afirmou o mais velho.

– Impressão sua.

– Sabe que Dumbledore não vai colocar ninguém realmente em perigo, não?

– Você confia muito na organização do torneio. Seja mais desconfiado – resmungou o corvino. – Afinal, quem acharam pra lhe servir de isca? Não pode ser a mamãe ou o papai. Só faria sentido pegar um deles se eu não estivesse competindo.

O sonserino fitou o reflexo da plataforma nas águas e falou com timbre distante:

– Se você não estivesse competindo eles também não precisariam recorrer aos nossos pais.

Sherlock podia jurar que não tinha ouvido direito. Sua cara era a de quem tinha ouvido algo absurdo. Estava prestes a perguntar se Mycroft não andou bebendo algum antídoto estragado na aula de Snape, mas a voz de Ludo Bagman ecoou por toda atmosfera acima do lago, cortando qualquer diálogo.

“Senhoras e senhores, os nossos campeões estão prontos para a segunda tarefa, que começará quando eu apitar! Eles têm exatamente uma hora para recuperar algo muito importante que foi tirado deles!”

Krum alongava o pescoço, Fleur prendia os cabelos em um elástico, Mycroft abria um frasco e virava-o goela abaixo, e Sherlock comeu um diabinho de pimenta.

“Então, quando eu contar até três!”

“Um... dois... três!” 

O apito produziu um som agudo e os campeões pularam. Antes de meter a cara na água, Sherlock apontou a varinha para o rosto e usou o feitiço cabeça-de-bolha, fazendo uma esfera disforme envolver sua cabeça. Ele submergiu completamente no lago, e podia respirar la dentro. A bolha oferecia todo ar puro que ele precisava. O diabinho de pimenta mantinha seu corpo aquecido na água gelada. Finalmente ele pôde nadar para o fundo. 

A algazarra das arquibancadas foram gradualmente abafadas e as profundezas do lago ficavam cada vez mais escuras. Logo mergulhou num incômodo silêncio. Apenas o barulho de seus braços e pernas movendo-se na água se ouvia.

Se havia um motivo pelo qual ignorou seu melhor amigo por tanto tempo é porque sabia o que o aguardava. Dumbledore não era idiota, não teria descartado John Watson da lista de vítimas só por causa de mais de um mês de desprezo por parte de Sherlock, embora, no fundo, ele ainda tivesse esperanças de que o diretor mudasse de ideia. O caso é que se John ficasse nervoso em saber que seria uma cobaia, Sherlock começaria a se sentir pressionado demais.

Sabia que a prova era segura (tão segura quanto enfrentar dragões adultos fêmeas protegendo a ninhada), mas quanto menos distrações, melhor. 

O fundo do lago era tão escuro que Sherlock só conseguia ver o cenário num raio de três metros ao redor, então à medida que se deslocava, novos cenários surgiam da escuridão à sua frente. Florestas ondulantes de plantas emaranhadas e escuras, extensões de lodo coalhadas de pedras lisas e brilhantes. Ele nadava cada vez mais para o fundo e para o centro do lago, os olhos abertos, espiando, através da misteriosa claridade cinzenta. 

Não era um cenário novo já que ele passara as últimas semanas estudando a área, mas já devia imaginar que colocariam algumas novidades. Uma delas pulou do emaranhado de algas rosadas e dançantes que roçaram em seus pés. Era um grindylow, igualzinho ao que o professor Lupin levara para a sala de aula uma vez. O pequeno demônio aquático de chifres agarrou com força o pé do rapaz, puxando-o para baixo num impulso, e mostrou as presas pontiagudas. 

Relaxo! – O rapaz apontou a varinha.

O som saiu apenas dentro da bolha. O feitiço servia para fazer as coisas ficarem mais frouxas, mas na água o processo acontecia de um jeito diferente. O grindylow de fato soltou seu tornozelo, mas isso porque um jato de água fervente atingiu seus dedos e abriu sua mão.

Deveria agradecer ao professor Lupin um dia. Foi ele que ensinou que os dedos daqueles bichos eram fortes, porém quebradiços.

Mais quatro grindylows saíram do meio das algas, nadando velozmente ao encontro do rapaz, que imediatamente moveu a varinha mais uma vez:

Incarcerous!

Cordas foram conjuradas da varinha, amarrando três monstrinhos juntos, mas o que sobrou agarrou sua perna direita. Antes que o rapaz apontasse a arma novamente, mais dois grindylows emergiram das águas e se agarraram ao braço direito, arranhando com suas pequenas garras. As feras o levavam para o fundo e pressionavam com tanta força que o local onde estavam os pequenos dedos ficaram vermelhos. Mais iriam brotar se Sherlock não saísse imediatamente dali. 

O campeão passou a varinha pra mão esquerda e usou o relaxo nos grindylows em seu braço, fazendo-os se soltarem depois de muitos segundos. A criatura presa à sua perna o puxava para mais perto das algas e Sherlock sabia que se continuasse assim, apareceriam tantos grindylows que ele não conseguiria mais escapar. Encolheu a perna, dobrando o joelho e apontou para a criatura:

Relaxo!

As pequenas mãos cheias de garra se soltaram e o rapaz nadou rapidamente para longe antes que os monstrinhos o perseguissem ou mais desses bichos aparecessem.

Quando se viu a uma distância segura, sentiu-se ofegar dentro da bolha em volta da sua cabeça. Logo, voltou a nadar mais para o fundo, tendo o cuidado de se colocar um pouco acima das algas para evitar mais ataques. Ele continuou a nadar por uns vinte minutos procurando algum sinal de que estava no caminho certo. Nada. Apenas algas, lodo, pedras e areia.

Finalmente, ouviu um trecho muito longínquo e baixo de uma misteriosa música. 

“Uma hora inteira você deverá buscar

para recuperar o que se partiu... “

O som vinha da sua esquerda. Nadou o mais rápido que podia e não tardou a ver um grande penhasco emergindo na água lodosa à frente. 

“... já se passou meia hora, por isso não tarde

Ou o que você busca apodrecerá aqui... “

A medida que o rapaz se aproximava da fonte da música, as imagens iam ficando mais nítidas. Havia uma grande clareira no fundo do penhasco, com quatro pessoas flutuantes, cada uma presa pela cintura com uma corda muito grossa que brotava da terra no fundo do lago. John, Anthea Wilson, Janine e uma menininha muito parecida com Fleur Delacour. Todos eles pareciam bonecos imersos na água, os cabelos balançando lentamente pra lá e pra cá, e a pele cinzenta, como se não houvesse uma única gota de sangue dentro das veias. Sob os olhos fechados havia fundas olheiras.

Perto dos prisioneiros, várias criaturas com corpo reptiliano, cauda de peixe e cabelos humanos, montavam guarda. Eram sereianos, carregando suas lanças e tridentes. 

Sherlock se aproximou cautelosamente da clareira, sob o olhar cauteloso dos sereianos. Nadou para perto de John e segurou-lhe a face. Estava horrenda, parecia um cadáver. Reparando bem, não havia sinais de uma única função vital em seu corpo. Talvez tivesse tomado a poção do Morto Vivo.

Então pensou. Se John acordasse ali, no fundo do lago, morreria afogado na mesma hora.

Passou um dos braços pela cintura do amigo, apontou a varinha para a corda e falou:

Diffindo!

Então ela se partiu.

Sherlock não teria problemas em levar John logo para cima, mas uma coisa o preocupou. Janine e Anthea também corriam risco de se afogarem se não fossem resgatadas logo. E a garotinha, então, era a que tinha menos chances de sobreviver. Não parecia ter mais de oito anos de idade. Podia ser perigoso deixá-la sozinha. 

Uma parte de si dizia que os juízes jamais deixariam as vítimas correrem real perigo, mas outra parte (a parte que enfrentou os dragões) dizia que tudo era possível. Se eles estavam sob efeito de uma poção do morto vivo, então poderiam acordar a qualquer momento e isso o preocupava.

Mycroft apareceu logo em seguida. Sherlock tinha que reconhecer que o irmão fora muito mais prático, pois ao invés de usar uma bolha em volta da cabeça estava com nadadeiras e guelras. Mycroft nadou até Anthea sem cerimônias e passou a varinha rente à corda, partindo-a. Pegou a garota pela cintura e encarou o caçula com ar de dúvida. 

Sherlock apontou para a versão miniaturizada de Fleur Delacour e falou um “vou esperar”, certo de que o irmão só conseguia ler seus lábios por dentro da bolha. Mycroft o encarou hesitante. Foi preciso alguns segundos pra concluir que seu irmãozinho sabia se cuidar, então revirou os olhos e nadou para cima.

Passaram-se alguns minutos. Sherlock conferiu o estado de John mais uma vez. Ele ainda estava adormecido. Se o rapaz acordasse de repente, bastaria usar o feitiço cabeça-de-bolha nele também. Poderia fazer o mesmo com Janine e a criança. Sim, era um bom plano. Mas e se algum deles engolisse água com o susto?

Finalmente Krum chegou, parecendo uma criatura fantástica com corpo de ser humano e cabeça de tubarão. Ele nadou direto para Janine e começou a morder a corda que a prendia com brutalidade, até rompê-la e levar a garota lago acima.

Esperou mais um bom tempo. Nada. Alguma coisa deve ter impedido Delacour de chegar.

Agora que haviam somente duas pessoas para serem resgatadas, e tendo em vista que Fleur estava demorando demais, Sherlock decidiu que não esperaria. Apontou a varinha para a corda onde a garotinha estava presa e mirou bem.

Diffindo!

A corda se partiu, e antes que os sereianos, surpresos, pudessem fazer alguma coisa, Sherlock entoou novamente:

Ascendio!

O corpo da menina deu uma subida veloz com muita velocidade e Sherlock começou a nadar para cima. Os sereianos perseguiram a criança, mas de repente viram uma fagulha de luz vermelha cortar o caminho deles. O corvino estava os ameaçando com a arma e, talvez porque os sereianos não tivessem ideia de quais feitiços o rapaz sabia, decidiram recuar.

Sherlock nadou depressa, com o corpo mole de John em um dos braços e pegando impulso com o outro, até se aproximar da garotinha que parara de flutuar e agora voltava a afundar. Ele usou o outro braço para pegar a menina e precisou se esforçar para subir com as duas vítimas, usando somente as pernas. O efeito do diabinho de pimenta que aquecia seu corpo estava cessando e um frio congelante começava a tomar conta dele. Suas pernas endureceram e nadar começava a ficar muito mais difícil, especialmente porque estava carregando peso demais.

Insistiu, sabendo que a luz e o ar estavam a apenas três metros acima.

Foram os minutos mais desconfortáveis daquele dia, e o alívio que Sherlock sentiu quando colocou a cabeça para fora da água foi inconfundível. A bolha em volta da sua cabeça estourou e ele respirou bem fundo, pelo nariz e pela boca.

John e a menina abriram os olhos e começaram a tossir, expelindo água. A garotinha então fez cara de choro e passou os braços ao redor do corvino, assustada e confusa. A multidão aplaudia eufórica.

– Cof! Gasp! Sherlock... – John parecia tonto.

– Você está bem? Sabe nadar? 

– Sim.. é sim… Você… você pegou a vítima da Delacour também?

– Eu sei. Foi estúpido. – Sherlock o soltou.

A menina parecia não entender nada do que eles falavam, mas não largava o pescoço do campeão.

Francamente! Eu não consigo nadar com você me agarrando! – Sherlock ralhou impaciente com a criança. 

– Vem, eu ajudo. – John pegou um dos braços da menina e os dois puderam nadar para a margem.

Uma equipe de professores se aproximaram da beira do lago e os puxaram para cima de um trapiche feito de tábuas. Madame Pomfrey cuidava dos outros campeões e das outras vítimas, todos enrolados em cobertores e tomando uma poção que fazia fumaça saírem de suas orelhas.

Uma voz melíflua se sobressaiu.

– Gabrrielle! Gabrrielle! – era Fleur, aflita, passando por todos e abraçando a irmã com força – Oh, Gabrrielle! Esté viva! Nan esté machucada? 

Sherlock deixou as irmãs se confortarem e se enrolou no cobertor, indo para o lado de Mycroft e de Anthea.

– Se eu soubesse que ser seu par no baile me custaria esse banho gelado teria recusado – Anthea, enrolada num cobertor, fuzilava Mycroft com os olhos.

– Eles estavam sem ideias. Não podiam usar ninguém da minha família porque Sherlock está competindo. 

– Afinal, por que você rompeu com a Smallwood antes do Natal? Podia ter esperado! 

– Seria pior se fosse depois do baile.

– Não. Não seria– ela deu uma risada debochada e balançou a cabeça. – Você é pior do que o seu irmão – e parou de falar quando viu Sherlock se aproximando juntamente com John – Ah, e falando nele...

– Já ouviu falar de karma, Anthea? – Sherlock gracejava – É isso que acontece quando você faz favores pro Mycroft. 

– Oh. E por acaso isso vale pro Watson também?

– Ele já tá acostumado. 

John deixou escapar uma risada pelo nariz. 

– Você é impossível… – Mycroft o olhava com desprezo – Podia ter chegado em primeiro, mas não… Você tinha que quebrar as regras.

– Se estavam sob a poção do morto-vivo poderiam acordar a qualquer momento – o corvino se justificou.

– Não estávamos sob a poção do morto-vivo – John se apressou em explicar. – Era um outro tipo de poção. Os juízes nos explicaram que só acordaríamos quando estivéssemos fora da água. 

Sherlock corou fortemente, sentindo-se bastante envergonhado com a revelação.

– Você é mesmo muito idiota – Mycroft balançava a cabeça – Nem merecia estar nessa competição.

De repente Janine surgiu tão subitamente que nenhum dos quatro soube dizer de onde ela veio. Ela abraçou o corvino fortemente e deu um grande beijo em sua bochecha. Krum fez uma carranca assustadora ao ver a cena e John virou o rosto por puro reflexo, passando a olhar fixamente para o chão, como se a rachadura perto de seu pé esquerdo fosse muito importante.

– Sherlock, foi muito fofo o que você fez! – Ela se desvencilhou dele – E acho que conseguiu uma nova admiradora.

– Não seja boba. – Mycroft revidava – Ele é uma criança pra ela.

– Se chama “piada”. Nossa! Mary tem razão sobre você levar tudo a sério.

– Janiní – Krum afastava um inseto dos cabelos da moça – Você tem um besorro-de-água prreso nos cabelos.

– Ah, tudo bem, é só um inseto.

Fleur voltou a aparecer e foi para perto de Sherlock para dar um tipo de agradecimento que o corvino realmente teria dispensado. Ela segurou o rosto dele e beijou cada uma das suas bochechas emocionada:

– Você salvou minha irrmã – disse a campeã ofegante – mesmo ela nan sendo sua rrefém. 

– É… é… 

– Você é um menino de orro!

Naquele instante, a voz magicamente ampliada de Ludo Bagman reboou ao lado deles, pregando-lhes um susto e fazendo os espectadores nas arquibancadas mergulharem num grande silêncio. 

“Senhoras e senhores, já chegamos a uma decisão. A chefe dos sereianos, Murcus, nos contou exatamente o que aconteceu no fundo do lago e, portanto, em um máximo de cinquenta, decidimos atribuir a cada campeão, as seguintes notas... “

“A srta. Fleur Delacour, embora tenha feito uma excelente demonstração do Feitiço Cabeça-de-bolha, foi atacada por grindylows ao se aproximar do alvo e não conseguiu resgatar sua refém. Recebeu vinte e cinco pontos.” 

Aplausos das arquibancadas.

– Eu merrecia zerro – disse Fleur sacudindo a longa e bela cabeleira. 

“O senhor Mycroft Holmes usou uma forma concentrada de essência de guelrincho, mostrando o seu conhecimento em herbologia e poções, além de chegar antes do tempo expirar. Por isso recebeu cinquenta pontos”.

Os aplausos para Mycroft foram mais encorpados e vibrantes, recheados com gritos de "viva!" e "iuhu!".

“O senhor Vítor Krum usou uma forma de transformação incompleta, mas ainda assim eficiente, e foi o segundo a voltar com a refém, dentro do tempo. Recebeu quarenta pontos.” 

Mais aplausos encorpados e gritos eufóricos, especialmente de Karkaroff.

“Por fim, o senhor Sherlock Holmes usou com perfeição o feitiço cabeça-de-bolha e acabou chegando por último. Contudo, a chefe dos sereianos nos informou que nosso campeão foi o primeiro a chegar aos reféns, e o atraso na volta se deveu à sua determinação de trazer a refém da srta. Delacour em segurança. Por maioria dos votos  (e nesse minuto Bagman olhou feito para Karkaroff) tal atitude revela fibra moral e deve ser presenteada com quarenta e cinco pontos!

Muitas pessoas aplaudiram o rapaz freneticamente, até mesmo Fleur, mas Krum pareceu chateado, pois tentou conversar com Janine e percebeu que ela estava ocupada demais elogiando o corvino para lhe dar ouvidos. 

“E isso coloca os irmãos Holmes no primeiro lugar da disputa por enquanto!”

“A última tarefa vai ser realizada no anoitecer do dia vinte e quatro de junho!”

“Campeões, estejam preparados!” 

Quando tudo terminou, competidores e reféns saíram enrolados em seus respectivos cobertores. 

John caminhava pelo trapiche ao lado de Sherlock:

– Você não mentiu – dizia o grifinório pensativo – realmente não precisava de ajuda.

– Não, mas se eu continuasse do seu lado acabaria deixando óbvio o que iria acontecer.

– Achou que eu ficaria com medo?

– Você ficaria nervoso e eu me sentiria pressionado.

John mordeu o lábio inferior, olhando para o chão e sentindo-se, de alguma forma, bem com o resultado da prova. Claro que seria a vítima de Sherlock, eles viviam andando juntos pela escola, ainda assim saber que era importante para o corvino era reconfortante.

– Eu não ficaria assustado se você tivesse sido franco – admitiu o grifinório. – Dumbledore não iria nos colocar em perigo de verdade. 

– É fácil pensar assim agora que tudo passou.

Mary os aguardava a alguns metros. Ao ver a dupla, ela correu até o namorado e o abraçou, dando um beijo recatado em seus lábios.

– Foi ótimo! – Disse a garota para Sherlock enquanto John envolvia a cintura dela com os braços – Você foi muito legal salvando a garotinha.

– Vou ficar com essa frase na cabeça – o corvino sorriu discretamente – porque foi uma decisão bem idiota.

– Ta brincando? Você entrou nas graças da Delacour! Isso não é pouca coisa, ela nos despreza tanto que tiveram que caçar alguém fora da escola pra servir de refém.

– Devíamos comemorar! – John olhava de Mary para Sherlock – Afinal você está em primeiro lugar! Poderíamos fazer alguma coisa, nós três! 

– Bem pensado… – o corvino coçava o queixo pensativo – podemos ir à cozinha, eu ainda preciso tirar uma dúvida com a Winky.

– Essa é sua ideia de comemoração?!

– Ué, achei que você comemorava as vitórias investigando.

– Quem é Winky? – Mary questionou.

– O antigo elfo doméstico do senhor Crouch – respondeu John – Ele a demitiu na Copa Mundial de Quadribol.

– Venha investigar com a gente, Mary – dizia Sherlock se afastando do casal – Eu falo com vocês depois de tomar um bom banho quente.

E foi embora trazendo o cobertor para mais junto do corpo. 

 

Continua

 


Notas Finais


Bem, falta apenas uma prova. Espero que tenham preparado o espírito.
Não digam que eu não avisei

Abraços


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