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História Pouco Além - Capítulo 28


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Notas do Autor


Em seu bunker privativo, Kaiba participa de uma videoconferência com alguns importantes aliados de Excelência e dos Guerreiros.


Aqui introduzimos mais um "novo lado" do universo desta história.

Capítulo 28 - Kaiba e os "patrocinadores"


            - Vá com calma, Noah – ia dizendo Mokuba. – Vamos, sente aqui.

            Noah sentou-se na poltrona indicada, parecendo desprender um grande esforço para fazer isso.

— Argh. Tudo dói – ganiu ele. – Pelo menos esta poltrona é macia.

            Os três estavam no bunker particular da família Kaiba, em alguma localidade remota dos Estados Unidos. Kaiba havia definido há tempos que se esconder no quintal do inimigo era a melhor estratégia. Era o último lugar do mundo onde pensariam em procura-los, ainda mais depois de terem tido seus status como Guerreiros do Apocalipse expostos pelos principais Ministérios da Magia do ocidente.

            Kaiba visitava o bunker com frequência para ver os irmãos. Ele tinha percorrido o mundo em diversas missões nos últimos anos, sempre tendo o cuidado para não ser avistado por agentes dos Ministérios. Algumas missões recentes haviam tido resultados que ele ansiava por compartilhar com seus irmãos e com o restante da irmandade, mas no momento ele tinha uma preocupação mais relevante.

            Noah havia passado anos de sua vida vivendo como um ser digital, por obra de seu pai Gozaburo, quando este ainda era o CEO das Corporações Kaiba, logo após o menino ser diagnosticado com uma doença terminal. Enquanto o corpo de Noah definhava, a mente dele se desenvolvia dentro da rede de computadores, mas ele sempre se sentia limitado em comparação a Seto e Mokuba por não contar mais com um corpo físico. Gozaburo prometera inúmeras vezes que conseguiria um corpo novo e melhorado para Noah, mas nunca havia cumprido a promessa. Um dia o corpo físico de Noah se tornou definitivamente esgotado, e tudo isso havia feito o menino compartilhar do sentimento de desprezo que Seto e Mokuba nutriam pelo velho patriarca da família Kaiba.

            Até que Kaiba havia descoberto que ele e Mokuba descendiam dos Guardiões de Tumbas, uma facção dos Guerreiros do Apocalipse, e que eram também bruxos. Gozaburo também vinha de uma antiga linhagem mágica, mas havia renunciado aos costumes mágicos muito tempo atrás. O que significava que Noah também tinha aptidão para a magia. Tão logo eles haviam descoberto tudo isso, Excelência havia aparecido para eles, oferecendo-lhes o ingresso nas fileiras dos Guerreiros dos Apocalipse e uma posição hierárquica de respeito dentre os Guardiões de Tumbas atuais. Gozaburo havia desaparecido tão logo Seto descobrira tudo aquilo, mas Excelência havia prometido ajuda-los no que fosse possível para que o velhote fosse encontrado e punido pela negligência com que havia tratado da criação dos irmãos Kaiba. Então, Seto havia ocupado seu lugar de direito dentre as lideranças dos Guardiões de Tumbas, ao lado de Pegasus, Marik e o Mestre, e havia conhecido Ishizu, o amor de sua vida. Até mesmo Seto Kaiba havia se dado conta de que era capaz de amar tão intensamente. Ele não tinha muito do que reclamar após todas essas descobertas.

            O melhor de tudo? Excelência também havia apresentado uma alternativa sólida para a situação de Noah. Ele ofereceu os meios para que Seto e Mokuba pudessem dar ao irmão um novo corpo. Sendo o líder máximo dos Guerreiros do Apocalipse, Excelência contava com uma rede seleta de “patrocinadores”, que forneciam recursos altíssimos para a irmandade em troca de certos favores, e também para garantir que os Guerreiros seriam bem-sucedidos em sua missão de espalhar o caos entre bruxos e trouxas, destruir a Ordem da Fênix e eliminar a resistência dos Ministérios da Magia ao redor do mundo.

            Em todo caso, alguns desses “patrocinadores” haviam se disponibilizado a resolver o problema de Noah, devido à confiança que tinham em Excelência. Através de métodos que Kaiba ainda não entendia totalmente, eles haviam disponibilizado um corpo automatizado e mecânico para o filho de Gozaburo, e assim, sua mente poderia ser transferida da rede para aquele corpo. De acordo com os patrocinadores, a máquina também tinha a capacidade de combinar a mente e a alma da pessoa, de modo que Noah também teria sua alma no corpo automatizado, estando “completo” tal qual estaria se ainda tivesse seu corpo físico.

            Kaiba havia aprendido que magia e tecnologia geralmente não combinavam. Porém, os experimentos dos Guerreiros do Apocalipse com diversos tipos de feitiços mostravam que essa regra estava mudando. O funcionamento do corpo automatizado que resolveria a situação de Noah certamente deveria ser uma dessas formas de magia que conseguiam interagir adequadamente com a tecnologia.

            Contudo, havia um pequeno detalhe: o corpo automatizado de Noah requeria revisões constantes. Ele conseguia se mover e se mexer razoavelmente com o corpo, mas por vezes ficava emperrado e necessitava da ajuda dos irmãos. Os patrocinadores haviam avisado de que o corpo, além de passar por revisões, teria que ser trocado ocasionalmente. Nos 15 anos que haviam decorrido desde a queda de Voldemort e desde que os Guerreiros do Apocalipse haviam revelado sua existência para o mundo, o corpo de Noah já havia sido trocado duas vezes. Ele agora estava em seu terceiro corpo, e ainda tentava se acostumar a ele; por isso, reclamava de constantes dores, passava boa parte do tempo sentado ou deitado, e raramente saía do bunker. Mokuba passava a maior parte do tempo ao lado de Noah, para auxiliá-lo.

            Apesar disso, os patrocinadores garantiram a Kaiba que Noah se acostumaria com a situação eventualmente. Seus dados, fornecidos à equipe de Kaiba na KaibaCorp e aos líderes dos Guerreiros, diziam que outros usuários daquele tipo de corpo automatizado haviam levado até o quarto ou quinto corpos para se adequarem completamente ao novo estilo de vida, e dado o grande intelecto que Noah havia adquirido devido aos anos em que vivera dentro da rede, ele possuía uma grande chance de se adequar ainda no terceiro corpo. O “animus” de Noah (a junção de alma e mente dentro do corpo de máquina, de acordo com os patrocinadores) ficaria mais forte e mais acostumado ao novo corpo graças ao intelecto inexorável do garoto. Depois da intensa negociação que havia sido necessária para que os patrocinadores cedessem o primeiro corpo, o segundo e o terceiro haviam sido cedidos praticamente de mão beijada e de forma bastante rápida. Kaiba sentia que, além da reputação de Excelência, a razão por trás disso eram as diversas missões que ele havia realizado a pedido de Excelência como favor para os patrocinadores.

            Eles pareciam ter um grande apreço por Kaiba. Por isso, ele muitas vezes tinha que se reportar diretamente a eles, com a autorização de Excelência, acerca do resultado de suas missões. Enquanto contemplava o novo corpo de Noah, Kaiba ponderava consigo mesmo que a próxima conferência com os patrocinadores provavelmente não iria tardar a acontecer. Ele pensava nisso com frequência, desde que o “animus” de Noah havia sido transferido do segundo para o terceiro corpo, poucos dias antes (os corpos anteriores eram descartados após não terem mais uso).

— Infelizmente, é um mal necessário – disse Seto. – Já passamos por isso com os dois primeiros corpos, Noah. De acordo com nossos patrocinadores, o processo de adaptação a esse corpo será ainda mais rápido do que em relação aos corpos anteriores. Até agora, todas as previsões deles se confirmaram. Não temos motivo para não confiar na palavra deles. E ainda temos a garantia de que a reputação de Excelência está em alta com eles.

— Que seja, Seto – disse Noah, mal-humorado, enquanto contemplava o novo corpo. – Acho até que já estou me acostumando. Essas dores vão passar. Só espero que Excelência esteja certo em confiar tanto nesses patrocinadores.

— Excelência até hoje não errou em suas apostas – afirmou Kaiba. – Ainda mais agora, com as tropas dele se mobilizando pela Europa inteira. Em breve, o Ministério vai ter uma baita surpresa com o que nosso líder está preparando.

— Tem a ver com o Trio do Apocalipse, Seto? – indagou Mokuba.

— Tudo a ver. Ou, pelo menos, com parte dele. E falando nos patrocinadores, Sua Excelência me disse que eles provavelmente irão entrar em contato. Vocês sabem, para saber se recebemos o novo corpo e se Noah já está se adaptando a ele.

— E para saber sobre as suas missões – acrescentou Mokuba. – Afinal, eles financiaram e incentivaram boa parte delas. Não é mesmo?

— Sim, claro... Tem isso também.

— Você vai nos contar sobre as missões também, irmão? – questionou Mokuba.

— Ah, sim, por favor, Seto – resmungou Noah. – Fico tão entediado aqui, sem poder fazer nada. Seria ótimo, pelo menos, ouvir o relato de suas missões para me distrair.

            Seto assentiu.

— Em breve – disse ele. – Primeiro preciso verificar algumas informações que apurei ao longo do caminho, para preparar meu depoimento a Excelência. Sem falar que os patrocinadores podem entrar em contato em breve, e...

            Ele foi interrompido pelo barulho da porta. Alguns funcionários da KaibaCorp ficavam no bunker para atender Mokuba e Noah, e ainda atendiam as ordens de Seto mesmo ele tendo renunciado publicamente ao posto de CEO (por ter tido seu status de Guerreiro do Apocalipse exposto) e colocado Roland interinamente no comando da companhia, embora, na prática, ainda fosse o próprio Seto quem dava as ordens.

            Assim, Hobson, o mordomo baixinho e careca dos Kaiba, adentrou o salão, caminhando rapidamente em direção aos irmãos.

— Que modos são esses? – interpelou Kaiba. – É assim que você entra no meu salão, sem avisar, desembestado desse jeito? É melhor ter uma excelente justificativa, seu verme.

— S-senhor Seto, trago notícias... – gaguejou Hobson. – Aquela conferência que o senhor estava guardando. E-estão aguardando o senhor no salão presidencial. Seus convidados... Eles o a-aguardam na videoconferência.

            Seto enrijeceu de repente. Havia acontecido mais cedo do que esperava. A fúria que havia usado para dar a bronca em Hobson havia desaparecido por completo, sendo substituída por apreensão.

— Muito bem – disse ele, tentando se recompor. – Hobson, avise que não quero ser interrompido nessa conferência. E providencie uma refeição decente para Mokuba e Noah. Vou relevar essa sua entrada sem cerimônia se o banquete estiver excelente.

— C-claro, c-como quiser, Sr. Seto – murmurou Hobson, fazendo uma reverência e saindo de fininho pela porta por onde entrara.

            Noah levou a mão à barriga. Mesmo com o corpo automatizado, ainda era capaz de se alimentar. Mokuba olhou para Seto, preocupado.

— Não quer mesmo que lhe façamos companhia, Seto? – perguntou ele.

— É melhor não, Moki. Conhecendo o humor dos patrocinadores... É preferível que eu me reporte a eles sozinho. Aproveitem a refeição. Se der tempo, eu me junto a vocês na mesa. Depois... Poderei compartilhar com vocês os resultados de minhas missões.

            Mokuba e Noah assentiram. Seto se esforçou para sorrir para eles antes de sair, mas, na verdade, estava nervoso com essa conferência.

...

...

...

...

            Seto chegou até o salão presidencial do bunker e, conforme Hobson havia dito, o visor da videoconferência estava ligado. Em vez de se sentar em alguma das cadeiras que rodeavam a mesa de conferência, ele ficou de pé, encarando os três homens que o observavam no vídeo, cada um sentado em uma cadeira adornada, semelhante a um trono. Eles pareciam estar num salão com pouca luz, e mesmo com a iluminação do vídeo, mal era possível divisar seus rostos.

— Ah, menino Kaiba. Enfim você chegou. Que alegria podermos estar enfim nos reunindo com você – disse um deles, sentado no trono do meio. – Gostaríamos de estar aí pessoalmente, mas Sua Excelência nos aconselhou a fazer esta reunião por videoconferência, você sabe, por medidas de segurança. Não iríamos gostar que a localização do seu bunker ficasse muito visada.

            Kaiba fez uma reverência profunda.

— Eu é que agradeço por essa reunião. É uma honra poder estar em contato direto com Vossas Senhorias, lordes do grande Triunvirato.

            A própria menção do nome Triunvirato, mesmo vindo da boca do próprio Kaiba, o fez estremecer levemente. Já fazia alguns anos desde que ele havia começado a se reportar e se comunicar com os membros do Triunvirato, aliados de longa data de Excelência. No entanto, era a primeira vez que ele se reunia com os três ao mesmo tempo.

            O homem sentado no trono do meio, que havia falado primeiro, era Calígula, como Kaiba havia reconhecido pelo tom de voz. Ele tinha um aspecto jovial, quase como um adolescente que acabava de entrar na universidade, e cabelo cor-de-palha. Não era muito alto, mas sua figura era capaz de intimidar a quilômetros de distância. Seu próprio nome era temido desde os tempos antigos, mesmo por aqueles que não conheciam sua história completa. Dos três imperadores, era o que mais havia se comunicado com Kaiba nos últimos anos. Usava um manto branco e brilhante de imperador romano.

            No trono à direita da imagem, à esquerda do de Calígula, estava sentado Nero. Kaiba o reconheceu pelas ricas vestimentas que ostentava. Era um homem de aspecto bem mais velho, embora, historicamente, fosse sobrinho de Calígula. Kaiba já conhecia muito sobre o reinado de Nero e as atrocidades que ele havia cometido, especialmente no tocante às perseguições aos cristãos, que lhe renderam o apelido de “Fera” ou “Besta”. De acordo com Excelência, os poucos conhecedores da existência do Triunvirato ainda se referiam a Nero como o “Besta”, principalmente aqueles que eram considerados seus inimigos, devido ao imperador se transformar física e psicologicamente numa besta-fera quando confrontava quem quer que o enfrentasse ou irritasse. Era quase como se Nero e o Besta fossem duas personalidades distintas, habitando o mesmo corpo.

            À esquerda no vídeo, sentado à direita de Calígula, estava o terceiro imperador, que Kaiba supunha ser Cômodo. Dos três, era o único com quem Kaiba nunca havia conversado ou sequer visto. Tinha um físico invejável, semelhante ao dos atletas olímpicos (tanto os antigos quanto os modernos), e usava, além do manto de imperador, uma capa de pele de leão; Kaiba identificou-o como sendo o imperador que era referido, na antiguidade, como o “Novo Hércules”, pois havia tentado se igualar ao mais famoso herói greco-romano da história. Parecia um pouco mais velho do que Calígula, como se tivesse a idade com a qual os atletas geralmente vivem seu auge, e bem mais novo do que Nero. Ao contrário dos outros dois Césares, que olhavam fixamente para Kaiba e aparentavam expectativa acerca do que ele iria relatar sobre as missões, Cômodo parecia bastante entediado. Estava de olhos fechados e apoiava o queixo em uma das mãos.

            Excelência havia lhe contado a história dos três imperadores tempos atrás. Apesar de serem considerados defuntos pela historiografia tradicional, os três haviam sobrevivido como figuras semidivinas no decorrer dos séculos após a queda do Império Romano. Agora, os três comandavam a organização conhecida como Triunvirato Holdings, que se dedicava a destinar recursos financeiros e armamentistas para suas tropas e para grupos aliados empenhados no enfrentamento aos semideuses, conhecidos como “meios-sangues”, os filhos das divindades gregas e romanas, que também haviam continuado a existir até os tempos atuais. Os três soberanos estavam baseados nos Estados Unidos, onde vivia a maioria dos semideuses atuais: Nero estava baseado na região de Nova York, Cômodo na região de Indianápolis, e Calígula na região de Los Angeles; assim, conseguiam cobrir quase a totalidade do território estadunidense. Contudo, eles frequentemente destinavam auxílio a aliados oriundos de outras partes do mundo, como os Guerreiros do Apocalipse, que tinham inimigos em comum com eles.

            Cientes de que Excelência estava devotado em destruir os Ministérios da Magia, a Ordem da Fênix, e os Cavaleiros de Atena, os membros do Triunvirato logo haviam se interessado em auxiliar e financiar os planos do líder dos Guerreiros, uma vez que consideravam tais grupos como uma ameaça a seus planos de eliminar os meios-sangues e destronar os deuses do Olimpo. Excelência também havia prometido, em troca, auxiliar o Triunvirato na luta contra os semideuses sempre que possível. Kaiba ainda não havia sido convocado para nenhuma missão de combate contra os semideuses, mas estava ciente de que alguns Guerreiros e Guardiões de Tumbas já haviam sido designados para tais tarefas.

            Com a revelação de que o mesmo mundo habitado pelos Guerreiros do Apocalipse era habitado por bruxos, duelistas de Card Games mágicos, Cavaleiros de Atena, semideuses, e deuses do Olimpo, Kaiba havia percebido que o mundo era bem mais misterioso e surpreendente do que ele jamais havia imaginado.

            Depois de ouvirem a saudação de Kaiba, Calígula e Nero curvaram levemente a cabeça, em forma de respeito. Cômodo continuou entediado. O marido de Ishizu se lembrava constantemente de que os outros dois imperadores pertenciam à mesma linhagem real, por isso, possuíam um comportamento similar.

— Agora que cumprimos as formalidades, vamos direto ao ponto – exclamou Nero. – Creio que, a essa altura, seu irmão já recebeu nosso mais novo presente.

— Certamente, lorde Nero – informou Kaiba. – Quero mais uma vez agradecê-los pela gentileza.

— Pareceu-nos um pagamento digno ao seu trabalho excepcional, menino Kaiba – disse Calígula. Kaiba achava estranho ser chamado de “menino” pelo imperador, que, apesar de estar vivo desde a Antiguidade, parecia bem mais novo do que ele, mas procurou não demonstrar isso. – Por falar nisso, estamos ansiosos para ouvir o relato de suas missões, especialmente no que concerne ao combate a nossos... “outros” desafetos.

— Bah – exclamou Cômodo, pela primeira vez desde que a reunião começara. Ele abriu os olhos de leve para ver Kaiba, mas logo os fechou novamente. – É esse menino Kaiba aí que está encarregado de derrotar os bruxos desprezíveis do Ministério da Magia? Não me parece grande coisa.

— Modos, Lúcio Aurélio – interpelou Nero. Cômodo bufou ao escutar seu nome de batismo. – Kaiba, meu caro, perdoe o mau humor de Cômodo. Ele ainda acredita que nossos esforços deveriam ser redirecionados para realizar jogos de guerra e outros espetáculos faraônicos.

— Seja como for, estamos ansiosos para ouvi-lo, Kaiba – retomou Calígula. – Resolvemos vir os três, ao mesmo tempo, dessa vez, para esta conferência, como forma de ratificar nosso interesse nos relatos de suas missões e do avanço das tropas dos Guerreiros contra nossos inimigos. Se há algo que anseio em ver quase tanto quanto a destruição do Olimpo e daqueles dois acampamentos malditos dos meios-sangues, é a derrocada dos Cavaleiros de Atena e dos Ministérios britânico, americano e seus aliados.

— Quanto a isso, não há com o que se preocupar, lorde Calígula – retrucou Kaiba. – Já temos espiões infiltrados em diversos Ministérios ao redor do mundo. Os Ministérios do mundo árabe e de outros países asiáticos e africanos já estão totalmente alinhados aos nossos interesses. Também temos agentes se infiltrando em diversas organizações da sociedade dos trouxas... Hm, vocês os chamariam de “mortais”... E essas organizações fornecerão a estrutura e as finanças necessárias para que Lorde Excelência consiga conduzir suas tropas pela Europa e, futuramente, até mesmo para as Américas.

— Parece-nos uma perspectiva excelente – afirmou Calígula, e Nero, ao seu lado, acenou efusivamente com a cabeça. – A propósito, menino Kaiba... Eu devo parabenizar a vocês, Guardiões de Tumbas. São, de longe, minha facção preferida dentre os Guerreiros. Especialmente depois que conseguiram trancafiar aquele miserável Faraó insolente.

            Kaiba sorriu. Pelo visto, aquela notícia havia chegado há pouco tempo aos ouvidos do Triunvirato, e havia sido bem recebida. Cada vez mais os Guardiões de Tumbas ganhavam o respeito das demais facções internas dos Guerreiros do Apocalipse por terem aprisionado o Faraó, e colhiam os frutos desse respeito crescente com maior participação nas ações iminentes da irmandade em solo europeu. Mesmo conhecendo o poder do Faraó e temendo a possibilidade de ele escapar um dia, Kaiba se permitia vangloriar-se daquela prisão de vez em quando.

— Realmente foi uma honra para nós, Guardiões de Tumbas, ter prendido nosso inimigo Faraó no cárcere.

— Temos certeza que foi – concordou Nero. – Mas creio que ainda há trabalho a fazer. Aqueles amigos impertinentes do Faraó, por exemplo. Já foram localizados?

— Infelizmente, não todos, lorde Nero. Alguns deles, os duelistas mais fracos que seguiam ao Faraó, já foram devidamente capturados e são interrogados frequentemente para revelar o paradeiro de seus colegas. Mas até agora, não conseguimos localizar os demais aliados dele.

— Entendo... – Calígula olhou de soslaio para seus dois colegas imperadores. – Talvez devamos incluir isso na pauta de nosso próximo encontro com Sua Excelência. Averiguar se precisamos devotar mais recursos para nossos amigos Guerreiros terem sucesso na busca pelos amigos do Faraó. A última coisa de que precisamos é que eles tentem libertá-lo sem que vocês tenham conhecimento disso. Tenho certeza de que você concorda com essa diretriz, prezado Kaiba.

            Kaiba deu um sorriso forçado. Por um lado, era bom ver que o Triunvirato estava disposto a abrir os bolsos mais uma vez para financiar as missões dos Guerreiros para caçar os inimigos em comum dos dois grupos. Por outro, o recebimento desses recursos significava que Kaiba provavelmente teria mais missões solo a fazer em breve, o que o levaria a passar mais tempo distante de Ishizu e dos irmãos.

— Sem dúvida, César – disse, fingindo entusiasmo. – É de vital importância que localizemos nossos inimigos antes que tentem algo em prol da libertação do Faraó.

— Perfeitamente. Agora creio que já podemos passar para o seu relato das missões, não é, menino Kaiba? – questionou Calígula.

— Uma última coisa antes de prosseguirmos, ó grande César – pediu Kaiba. – Lorde Excelência me mandou dizer a vocês que, em prol da confirmação e sustentação de nossa aliança, estaremos oferecendo a vocês os serviços dos irmãos membros da facção dos Guardiões de Tumbas, em prol de participar de eventuais combates futuros contra os semideuses de quem vós tanto falais. Assim sendo, desta data em diante, todo membro dos Guardiões de Tumbas será obrigado a atender o chamado do Triunvirato para enfrentar os meios-sangues sempre que necessário.

            Calígula e Nero trocaram olhares significativos, como se analisassem a oferta. Até Cômodo saiu de seu torpor, parecendo interessado.

— Uma oferta louvável, meu caro Seto – disse Nero, com um brilho nefasto no olhar. – Por favor, informe a nosso amigo Excelência que aceitamos a oferta, mas que não pretendemos usar a ajuda dos Guardiões num primeiro momento. Veja, os meios-sangues ainda estão se recuperando das batalhas que tiveram contra os Gigantes de Gaia e as tropas de Cronos. Seria antidesportivo ataca-los agora. – Kaiba se surpreendeu ao ver que mesmo os imperadores romanos mais cruéis da história demonstravam preocupação com as éticas formais de guerra. – No entanto, dentro de alguns meses, pretendemos fazer com que os meios-sangues tomem conhecimento de nossa existência. Assim... A ajuda dos Guardiões de Tumbas será essencial para subjuga-los.

— Eles conseguem usar aquelas tais cartas para invocar criaturas místicas poderosas, e para que lutem segundo suas ordens, é isso? – falou Cômodo, se remexendo em seu trono e parecendo genuinamente interessado na discussão pela primeira vez desde que Seto chegara à conferência. – Parece interessante. Quem sabe eu não possa usá-los em meus planos para intimidar os semideuses com meus jogos de guerra...

— Claro, claro... – Calígula riu de leve com a fala de Cômodo, mas o “Novo Hércules” não pareceu notar o deboche contido na fala do tio de Nero. – De todo modo, meu parente Nero está correto. Essa é a nossa intenção, esperar mais alguns meses antes de iniciar de vez nossa ofensiva contra os meios-sangues. Quando esse momento chegar, Kaiba, contaremos com a ajuda dos Guardiões de Tumbas para concretizar nosso triunfo.

— Certamente, César.

— E claro, enquanto isso, continuamos a enviar nossos recursos para que vocês possam enfrentar os Cavaleiros na Grécia e os Ministérios no restante da Europa com toda a vantagem possível – continuou Calígula. – Aguardaremos notícias de seu progresso contra esses grupos em breve. Quando iniciarmos nossa ofensiva decisiva contra os semideuses, quem sabe... Talvez vocês já tenham desbaratado todos os nossos inimigos.

— É uma perspectiva otimista, lorde Calígula, mas estou confiante de que nós podemos corresponder à altura às expectativas de vocês – disse Kaiba.

— Pois bem, Kaiba, quando terminarmos aqui, avise a Excelência de nossa resposta e de nossos planos futuros para esta aliança – complementou Nero. – Agora... vamos ao que interessa. Exponha os resultados de suas missões recentes.

            Com essa deixa, Seto se empertigou, e começou a narrar suas missões dos últimos meses.



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