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História Pray For Me - Imagine Jeon Jungkook - Capítulo 38


Escrita por:


Notas do Autor


Boa Leitura meus nenês!

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EO TRAILER TBM!!!!!!

Espero que vcs gostem do capítulo BOIOLAGEM 💜💜💜💜

Capítulo 38 - Entre novos comportamentos, revelações e sentimentos


Fanfic / Fanfiction Pray For Me - Imagine Jeon Jungkook - Capítulo 38 - Entre novos comportamentos, revelações e sentimentos

Taehyung havia deixado as luzes do quarto apagadas, apenas o abajur iluminava o mesmo e eu imaginava que era para ajudar no descanso de Jungkook. Com as luzes apagadas e pouca luz, eu não fui capaz de ver com clareza o garoto que estava deitado na cama, mas vi que Tae havia deixado praticamente tudo pronto para mim. Até porque, parecia que o garoto estava coberto confortavelmente em sua cama. O cobertor de coloração azul o tapava inteirinho e eu imaginava que Tae havia feito aquilo, o deixando praticamente invisível ali.  Achei graça do cuidado do mais velho com Kook e finalmente decidi entrar no local por completo. O cheiro dele rapidamente atingiu minhas narinas e eu me aproximei mais da cama.

Haviam três cartelas de medicamento no criado mudo do lado esquerdo de Jungkook, assim como também havia um copo de água na lateral do mesmo. Ao checar a folha que a mãe do garoto havia me entregado, confirmei os dois medicamentos e acionei os alarmes de meu celular com a hora exata em que deveria dá-los a Jeon.

Haviam também alguns esparadrapos junto a pomadas e gases na cômoda, olhei novamente o papel e vi que era uma das últimas coisas que teria que fazer, trocar o curativo, fazer uma higienização e passar uma pomada, machucado este que eu até aquele momento não sabia onde estava em seu corpo.

Encarei o cômodo com mais exatidão antes de me sentar na cadeira de madeira que pelo visto não era parte do quarto do garoto, mas estava ao lado de sua cama,  bem provável que Tae a tenha colocado ali para ficar de olho no mais velho. Eu não me lembrava dele ser tão escuro, o quarto tinha contrastes tão fortes que acho que mesmo que fosse dia ele ainda iria parecer escuro, e olha que passei boa parte da noite em que dormimos juntos bem ali onde estava, e mesmo assim não conseguia distinguir a cor de antes com a de agora.

Eu não planejava fazer muitas coisas enquanto estava ali, talvez porque não esperava encontrar Jungkook dormindo, talvez eu esperava encontrá-lo acordado para brigar comigo ou me mandar embora, era até estranho estar na companhia dele sem ele estar falando as coisas que falava.

Suspirei pensando no que fazer, e  meus olhos velejaram pelo cômodo, minhas mãos raspando por minhas pernas, foi quando meus olhos se gravaram em um pequeno bilhete fechado ao lado da cadeira em que eu estava sentada, encarei o pedaço de papel, estava endereçada a Jungkook e eu claramente não pensei direito antes de pegar o papel e o abrir. Achei de verdade que seria alguma outra instrução ou algo assim sobre o que fazer ou como fazer aquele curativo que tanto li no papel, mas não era aquilo.

Era uma carta da mãe de Jungkook e apesar de saber que eu não tinha nada haver com aquilo, eu já havia aberto e meus olhos já passavam pela letra bonita e bem feita de Yeri.

"Jungkook, peço do fundo do meu coração que pelo menos leia isso. Eu não fiz isso para que me perdoasse, fiz isso porque você é meu filho e sempre vai vir em primeiro lugar. Sei que cometi erros que talvez você nunca seja capaz de me perdoar, mas eu espero que pelo menos entenda. Eu amo você Jungkook, você é a jóia e o presente mais precioso que Deus me deu de presente, sinto muito em ter falhado como mãe no passado, mas eu quero acertar no futuro, por favor, não..."

- Já chegou na parte em que ela se arrepende?

Controlei o susto que levei no momento em que a voz de Jungkook cativou meus ouvidos, rouco e sonolento como eu nunca havia escutado antes, visto que, nunca havia acordado ao lado do mais velho. Coloquei a mão no peito normalizando a minha respiração, encarando o garoto que se movia com certa dificuldade na cama, tentando de forma cuidadosa se sentar na cama. Eu ficando sem reação pois não sabia se deveria ajudá-lo, mas felizmente ele conseguiu realizar a ação sem que eu precisasse o ajudar. Eu sei que aquilo não era da minha conta e se ele estava bravo não tiraria a razão dele, talvez eu poderia pensar em uma desculpa plausível para aquilo, mas eu já estava tão cansada de justificar tudo o que fazia para ele, que apenas neguei com a cabeça sua questão mesmo já tendo chegado na parte em questão.

Vi metade de seu rosto se iluminar pela pouca luz presente e automaticamente me senti encolher. Parecia realmente que ele havia levado uma surra, o olho estava inchado e acima de sua sobrancelha vi o corte maior ainda que havia visto no dia do jogo. Os lábios estavam um pouco secos e a pele parecia uma casca dura, devo admitir que ele não estava com a melhor de suas aparências e ainda assim, para mim, estava lindo.

Gostaria de perguntar a ele tantas coisas, mas simplesmente me limitei em não dizer mais nada, Jungkook nunca me responderia. Após já estar ajeitando em sua cama, Kook me encarou, eu imaginando que ele já me conhecia o suficiente para saber que eu estava me sentindo um lixo pela situação dele, mesmo não tendo nada haver com aquilo. Ele suspirou fundo, seus braços se esticaram para o lado contrário a sua cama, e ele procurou o interruptor e acendeu a luz do quarto. Por já estar acostumada com a escuridão, demorei alguns minutos para me acostumar e minha pupilas voltarem ao comum estado.

Não era como se eu estivesse confiante sobre isso, porque depois que ele acendeu a luz, veio a vontade de chorar. A face estava mais roxa do que eu havia visto na lateral, Jungkook estava com uma camiseta de botões listradas vermelha, provavelmente porque aquela me daria melhor acesso ao seu ombro semi desnudo, este mesmo estava um pouco caído para o lado e eu via por ali os esparadrapos e faixas que enfeitavam sua pele, eu nem imaginava como estava aquilo por baixo. Pelo menos agora sabia onde teria que fazer o novo curativo.

Confirmei então que sim, ele havia deslocado o ombro, e pelo visto ainda estava inchado e provavelmente dolorido. Senti de verdade que poderia estar doendo muito e aquele pensamento fez eu me sentir ainda pior. Um bolo se formou em minha garganta e a angústia foi inevitável.

As mãos do garoto também pareciam um pouco roxas, visto que, as mesmas tinham pequenos machucados em leves tons de vermelho e marrom e por fim, o machucado na sobrancelha. Não sei se aquilo deixaria uma cicatriz pelo corte que havia visto, mas daquele ângulo eu já podia ver que tinha sangue marcando o gase branco, então sangrando ainda estava.

Jungkook suspirou mais uma vez, como se tentasse se conter em não me dizer para parar de pensar besteiras. Mas por incrível que pareça, não foi isso que ele fez, Jeon ajeitou melhor sua posição na cama, cobrindo suas pernas de forma correta e ajeitando a postura, em nenhum  momento ele demonstrou estar sentindo dor, o que já era um bom começo, mas ele me parecia alguém muito bom em fingir, então, não sei dizer ao certo se estava correta.

Observei ele por um longo tempo, tentando encontrar alguma expressão severa e nada me veio. Jeon parecia extremamente bem se não fosse pelos machucados que podíamos ver. E eu sabia, sabia que não era possível alguém estar tão machucado assim e não sentir nenhuma dor, ele estava fingindo para mim, e aquilo mais uma vez machucou meu coração, talvez ele não confiasse o suficiente para me dizer que estava sentindo dor, apesar de sempre ser um cabeça dura quando o assunto é ele. Vi seu peito se estufar e uma poção de vento sair entre seus lábios com o suspiro lindo dado pelo garoto, e então seus lábios finalmente voltaram a se mexer e ele a falar.

- Se lembra da história que eu te contei? - Kook me perguntou suavemente, eu me assustando com a pergunta pois estava distraída encarando sua situação, então ele se explicou. - A do porquê eu estar aqui? - Cacei em minha memória e me lembrei do exato dia. Quando estávamos na sua casa em sua banheira. Assenti lentamente para a sua a fala, esperando ele continuar o assunto que havia iniciado. - Pois é, eu quase matei o homem que a minha mãe diz ter amado muito um dia. - Jeon abaixou o rosto e passou a mexer em seus dedos de forma tranquila.

Me lembrava vagamente dele ter dito que era o amante de Yeri, no dia, Kook não quis aprofundar o assunto e eu já não estava em condições de ouvi-lo muito, porque combinamos que as situações não eram favoráveis.

- Só que ela tomou uma decisão muito problemática e que até hoje eu não entendo. - Ele negou algumas vezes com a cabeça, olhando para a frente de sua cama, como se estivesse pensando em algo muito importante, eu me mantendo quieta. - Ela me deixou por meses para ficar com ele, sem realmente tomar uma atitude sobre quando voltaria e eu descobri. - Já imaginava o resto da história porque ele mesmo já havia me contado, ficou possesso e agrediu fortemente o homem, como ele mesmo disse quase o matando. Jeon suspirou mais uma vez. - Foi nesse período que eu desenvolvi uma crise de pânico. - Encarei o garoto que agora também me encarava com os olhos preocupados, vendo que ele não estava brincando. -  Não é nada incurável, mas ele vem e vai as vezes. - Disse simplista mexendo em seus dedos tranquilamente. -Pelo menos em tempos difíceis. - Justificou falando um pouco mais baixo a última frase.

Não deixava de ser uma doença, e eu sabia daquilo, era provavelmente o que ele tinha quando Taehyung disse que ele estava surtando e eu sinceramente não o culpava. Imaginava e via agora o quanto a família dele era instável, o quanto ele não deve ter sofrido com todas essas ausências, visto que, ele já não deveria ter um relacionamento muito bom com o pai nessa época, então possivelmente depositou tudo em sua mãe que o abandonou por sabe se lá que motivo, e agora, tinha a mim, e mais uma vez ele tinha se metido em uma encrenca das boas. Tentava não culpar Yeri, porque as pessoas podem tomar decisões idiotas as vezes, mesmo já sendo mais velhas, assim como Jungkook, ele havia decidido se colocar a minha "disposição " para me ajudar, quando podia muito bem ter ignorado, mas ao invés disso, ele tinha mais motivos para se preocupar e estava desenvolvendo uma síndrome antiga. Muito bom S/N, já pode dar aula de como conquistar o cara que gosta.

Apesar de tudo Jungkook também era um humano, eu tinha a noção de que ninguém neste mundo é forte o tempo todo, e ali eu via que isso era verdade. Jeon estava mudando, estava me mostrando a sua face mais frágil para que eu ouvisse, talvez acolhesse, mas era um lado novo seu que eu nunca havia visto. Ele contar sobre sua vida e sobre um trauma era um passo em tanto para nós dois. Ou talvez uma recompensa por ele saber basicamente tudo sobre mim e eu quase nada sobre ele. Mas apesar disso, a dúvida era crescente e eu não conseguia entender o porquê daquilo.

Vamos por partes.

Jungkook deveria ficar muito bravo por eu estar ali, visto que, eu estava em seu quarto e meio que "cuidando" de si. Tae não sabia que era eu a cuidadora então obviamente não contou a Jungkook que obviamente não sabia que seria eu. Então como ele deveria estar? Surtando, como no vestiário quando estive lá, mas ele estava tranquilo e muito comunicativo.

Minha conclusão?

Ele bateu mais forte do que eu imaginava aquela cabeça de melancia dele.

- Por que está me contando isso? - Eu perguntei por curiosidade, sabia que ele poderia me chamar de burra, porque talvez ele só precisasse desabafar, mas ele poderia ter falado com Tae também. Jeon sorriu abafado, o tipo de sorriso que eu gosto e ao mesmo tempo odeio.

- Não foi o que concordamos? - Fiquei curiosa mais uma vez e Jeon pareceu entender, continuando. - Você segue as regras e te dou bônus. - Era mentira. Não tínhamos definido isso antes e eu não estava seguindo as regras, pelo contrário, já tinha dado indícios de que minha teimosia era o meu segundo nome, mas decidi ignorar, afinal, eu estava feliz por ele ter me contado o que me contou ainda que preocupada.

- Você se sente bem? - Questionei para ele, vendo na face a primeira careta, sem me deixar realmente entender se foi de dor ou se angustia pela minha pergunta, não demorando para ver a mão esquerda do mais velho massagear o ombro paralisado. Alguém dá um Oscar para ele? Obrigada!

- E você? - Era oficial, eu acho que ele bateu a cabeça muito forte, não que ele já não tivesse feito aquela pergunta antes, mas era muito anormal com tanta frequência, abri minha boca tentando formular uma resposta, mas eu travei, travei mesmo. - Taehyung me disse que entrou no tablado.

Fiquei corada? Morrendo de vergonha? Queria correr daquele quarto? A resposta é sim para todas. Afinal de contas, Tae poderia ficar calado. Jungkook achou mais uma graça da minha cara eu estar claramente envergonhada por ele saber daquele episódio.

- Eu não achei justo! - Disse colocando minha cabeça para baixo .

- E aí você achou que seria uma ótima ideia entrar em campo e bater de frente com quase 20 caras de 2 metros? - Jungkook não estava sendo grosso por incrível que pareça, ele estava falando num tom muito divertido para alguém que estava bravo ou algo assim. Dei de ombros.

- Você tinha outro plano?

- Me fala você, qual era o seu plano, S/N?

- O meu plano era bater no Junior, o resto que se intrometeu!

- Por que você disse que eles estavam trapaceando? - Taehyung você é um monstro, eu vou contar tudo o que ele fala do Hoseok para ele.

- Jungkook, não é possível que com a sua experiência você também não ache isso. - Jeon tirou o sorrisinho da cara e passou a pensar com um pouco mais de cautela, era possível que eu tenha dito aquilo para ele porque estava brava, mas literalmente era aquilo, eles estavam em cima demais do Jeon e para mim ninguém era mais forte como Jungkook.

- Eu acho que alguém do seu tamanho não daria conta de um cara do tamanho deles. - Eu sei que deveria ter me sentindo  ofendida, mas estava feliz por ele estar levando aquilo para um lado mais brincalhão. Cerrei meus olhos para o garoto, cruzando minhas pernas e braços para si, encarando seus olhos acompanharem meus movimentos, acho que ele estava curioso sobre o que eu responderia.

- Eu tenho experiência com caras grandes. - Também zombei, fazendo referência a ele, algo do qual o mesmo percebeu, sorrindo e negando com a cabeça, voltando a me encarar depois.

- Por isso Taehyung precisou te defender?

- Ele que se meteu!

- Nem imagino o que teria acontecido se ele não tivesse se metido.

- Eu provavelmente ganharia!

- Ou faria companhia para mim no hospital.

- Insuportável!

Jungkook sorriu, e eu não sei porque aquilo significou tanto para mim, não me lembrava de nós já termos tido uma conversa como aquela, do qual o garoto ria verdadeiramente por algo que eu disse. Talvez eu realmente estivesse me esquecendo do principal problema, ele estar totalmente ferrado na minha frente. Não achava que eles estava tentando diminuir a minha culpa ou estava? Faria sentindo ele estar me distraindo para eu não me sentir culpada? Ou não pensar muito em sua condição? Poderia ser, visto que, ele não havia falado sobre eu estar ali, ele estava aproveitando realmente aquilo?

- Não faça mais isso - Sua risada se cessou, ele me encarou com os olhos quase pretos obviamente me repreendendo. - Não quando eu não estiver por perto. - Deus! Ele tinha batido forte aquela cabeça dele, eu tinha certeza. - Não é você quem deve salvar minha vida S/N. - Jungkook continuava me olhando com aqueles olhos cor de carvão e eu não sabia se ele estava me analisando, tentando ver o fundo da minha alma, o início do sentimento que sempre esteve ali, desde aquele tombo na escada, era como se ele fosse absolutamente tudo dentro de mim.

Meu coração batendo rápido, minha respiração quase virando nada, meus lábios secos e sem emitir som algum, meu foco em seus olhos me deixava assim, mas aquele olhar, era quase que inimaginável para mim.

O que estava acontecendo com ele?

- E-eu acho que... - Me esforcei para formular algo, tentando olhar para qualquer lado que não fosse para ele, mas mais uma vez meus olhos me traíram, se redirecionando diretamente para aquela jóia, aquela peça, linda e perfeitamente bem pendurada em seu pescoço, ele ainda usava. Ainda usava o meu presente.

- Perdeu o fôlego?

Eu devo ter ficado um bom tempo sem o responder, visto que, ele chamou a minha atenção que estava totalmente focada naquela jóia bonita. Como ela era linda e como parecia mais linda ainda em seu pescoço. Neguei com a cabeça a afirmação do mais velho tentando negar a sua afirmação, mas, visto que, nem eu conseguia respondê-lo, ele obviamente notou que eu estava ou mentindo ou não prestando atenção no que ele dizia. Foi quando o meu despertador tocou, cerca de uma hora depois que eu estava ali e eu tinha noção que era hora de trocar o curativo em seu ombro, Jeon acompanhou meu movimento desesperado em pegar o telefone para desligar o alarme.

Minhas mãos se desesperaram para procurar as devidas medicações para fazer aquilo, Jungkook por outro lado ainda me observava, visto que, eu nem respondido sua questão havia respondido. E eu também não sabia como responder, sim era a resposta, mas não seria a certa a dizer. Minha cabeça também rodava para todos os lados a procura dos medicamentos e talvez pelo desespero, eu não via um palmo na frente do meu nariz.

Foi quando do nada, a sacola com todos os itens que eu estava procurando, apareceu em minha frente, não só ela, Jungkook segurava a mesma em frente a minha cara com um semblante divertido, me deixando novamente com cara de tacho enquanto encarava a coloração branca e um pouco desgastada da pobre sacola, minha cara deveria estar na mesma situação, imagino.

Encarei seus olhos e repetia o ato para a sacola, nem disfarçar a minha inquietação eu conseguia e ele não me disse absolutamente nada.

- Precisa que eu tire a minha camiseta S/N? - Ele estava se divertindo, e eu sabia que sim e não o culpava, eu também estaria rindo se fosse ele, apesar da raiva crescente que me assolou o peito no momento em que vi aquela cara irônica dele.

- Por gentileza? - O estopim para ele, porque Jungkook literalmente se apropriou da palavra rachar o bico e caiu na gargalhada.

- Por gentileza? Jura?  - Ele perguntou entre aquela risada de coelho dele, e eu senti de verdade que estava vermelha.

- Tira logo essa coisa! - Usei do meu tom mais forte para ter um pouco de autoridade em um assunto que obviamente eu não tinha.

- Não quer me ajudar? - Era incrível como até machucado ele conseguia achar duplo sentido em tudo o que falava. Mas de verdade, ele precisava de ajuda, com um ombro machucado ele não poderia fazer muita coisa.

Bufei para a sua provocação, sentando na cama ao seu lado para ajudar ele a se livrar do pedaço de pano fino que lhe cobria o peito. Assim que realizei o processo tive uma dimensão de como ele estava, e a resposta era, nada bem.

Jungkook parecia ser um naqueles lutadores de MMA que sempre saíam sangrando do ringue. A pele branca e imaculada, era decorada pelas manchas ferozes do que pareceu ser uma noite de tortura. Quando retirei a camiseta do seu braço ferido, eu já estava posicionada atrás de si, com o garoto um pouco mais a frente, minha face de frente para aquela crueldade.

Quando me dei conta, meus dígitos já deslizavam pelas costas feridas do garoto, era uma pena que ele estivesse passando por aquilo, certo? Deveria estar doendo mais do que pensei. Devo ter soltado alguns suspiros pesados contra si, porque era nítido que eu estava chocada com aquilo, Jeon pareceu respeitar meu momento de observar, porque demorou a falar.

- Sabe qual é as duas maiores covardias do mundo? - O garoto perguntou, virando um pouco o pescoço para falar comigo e ao mesmo tempo me ver.

- Quais? - Questionei curiosa, Jeon se voltou para frente suspirando alto.

- Chutar quem já está no chão e atacar alguém por trás. - Minha testa enrrugou,  eu não havia visto o exato momento em que ele havia sido atacado por trás, mas só pelas marcas, eu já sabia que era verdade.

- Deveria ter parado. - Eu disse para o garoto, que se ajeitou melhor, colocando ambas as suas mãos no colchão para virar seu corpo e me encarar com mais atenção. - Podia ter ficado no banco. - Jungkook riu comprimindo os lábios.

- E sabe qual é a pior coisa para mim S/N? - Não entendi o sentindo da pergunta, então por isso apenas neguei para si, lhe dando a permissão para continuar. - Ver os meus companheiros caindo. - Ele se voltou para a frente, girando o seu pescoço para talvez alongá-lo. - Você ficaria sentada assistindo se fosse o Tae? Ou o Jin? Ou o Hoseok? - Ele parou, voltando a me encarar. - Ou eu?

- Nunca! - Respondi mais rápido do que pensei, eu tinha ouvido os outros três nomes, mas por incrível que pareça, quando se referiu a ele, a resposta simplesmente saiu. Jungkook assentiu somente uma vez com a cabeça, voltando a encarar a frente de seu quarto me dando permissão para retirar o curativo velho e fazer um novo.

Quando retirei a faixa, as costas do garoto literalmente me parecia a galáxia, tinham tantas cores que eu não sabia por onde começar a espalhar aquela pomada que tinha cheiro de menta. Segundo o que eu havia entendido eram duas fases, a pomada e depois um spray gelado que seria como um relaxante. Naquele momento, vi o quanto Jungkook era um bom ator, aquilo deveria estar doendo demais, o que significava basicamente que ele estava fingindo não sentir nada.

- Como anda a investigação? - Jungkook perguntou enquanto eu abria a caixa da pomada para passar em si. Usei um álcool em gel ao lado de sua cama para higienizar as minhas mãos.

- Yoongi acha que seria interessante filtrar as vítimas pelo ano do nosso nascimento. - Respondi, colocando um pouco do líquido viscoso em minha mão. -  Já que ele ainda não teve muito sucesso até agora.

- E o Tae?

- Bom, ele... - Passei o líquido gelado pelas costas do moreno, o mesmo tensionando um pouco as costas pelo toque, mas não dizendo nada. - Ele anda um pouco revoltado, vocês dois iam até a casa dele, mas você se acidentou e o Suk não está deixando ele ir sozinho. - Jeon riu pelo nariz, assentindo algumas vezes.

- Hoseok pode ir com ele. - Jungkook concluiu, encarando minha cara novamente, aquilo era verdade, se Jeon não poderia ir, Hobi podia. Mas aí me lembrei o porque de não termos pensado nisso ainda.

- Toda aquela cena no tablado... - Respirei fundo, passando mais pomada em meus dedos. - Toda aquela cena ao nosso ver foi demais, entende? Achamos que já levantamos suspeitas demais. - Justifiquei, mesmo não sabendo se aquele era 100% o verdadeiro motivo.

- Ou... Hoseok e Taehyung brigaram de novo e não querem respirar o mesmo ar por mais de dez minutos. - Jungkook era bom e eu era burra por imaginar uma desculpa que obviamente não ia colar com ele. A verdade era que eu não sabia, Tae como sempre nunca falava sobre o assunto Jung Hoseok e eu e ele nunca estávamos sozinhos para falar sobre, então, eu simplesmente não perguntava.

- Talvez sim. Mas que estamos dando muito na cara que estamos juntos, estamos! - Jungkook assentiu algumas vezes.

- Resumindo, não temos nada ainda e agora estamos pisando em ovos. - Ele parecia bem tranquilo, visto que, esse assunto costumava deixar ele pirado e grosseiro dez vezes mais, falando desta forma amena, me fazia pensar que ele estava pensando em algo. - Temos que dar um tempo nisso, talvez, sair da instituição por um tempo, não sei.

Me pareceu uma boa também, o final de semana estava chegando e pelo o que eu sabia, haveriam três dias em que a instituição não funcionaria, ela iria completar mais um ano de vida. Eu geralmente ficava ali como sempre, e eta uma coisa legal até, todos os docentes e funcionários da instituição ficavam por lá, tinha bolo, salgado e rezas intensas até o final do dia. Três dias eram um número simbólico, já que a instituição havia sido construída neste tempo, então era como se fosse um agradecimento.

A verdade é que, eu nunca tinha tido para onde ir, não sabia se era necessário e que Jungkook estava falando especificamente de todos nós sairmos durante esse tempo, mas era uma boa.

- Você tem razão!

Eu concordei, terminando de passar a pomada no músculo dolorido do mais velho, me preparando para passar o spray. Deixa eu dizer para vocês que preferia que ele continuasse fingindo a dor, porque no momento em que eu espirrei aquele treco, Jungkook literalmente trincou os dentes e emitiu um som fino como quem acaba de queimar a mão.

- Puta merda, S/N! - Meu desespero foi palpável, porque eu comecei a abanar e a assombrar, fazendo tudo o que não deveria fazer, porque aquilo obviamente traria bactérias. - Deixa, deixa que assim é pior! - Parei instantaneamente, visto que, aquilo só parecia causar mais dor, Jungkook se inclinando um pouco para esticar novamente as costas.

- Por quanto tempo tem que usar esse treco? - Eu perguntei largando aquela coisa na sacola.

-  Não sei, só sei que é pra passar com calma e não como se tivesse pichando um muro. - Eu senti a crítica e o ardor em sua voz, leve em consideração que eu nunca tinha passado ou usado aquilo.

- Por nada! - Ironizei, rancando um estalo de língua da sua parte que voltou a se sentar devidamente após alguns minutos.

Passei a faixa pelo seu corpo, a deixando bem firme para não sair, aquilo pelo menos eu sabia fazer direito, coloquei novamente a camiseta em Jungkook e voltei para o meu assento no exato momento em que meu celular despertou novamente, era hora do curativo na sobrancelha, não imaginei que seria tão rápido e eu percebi que havíamos ficado conversando mais tempo do que eu imaginava, porque já eram quase 1 hora, ou eu que devo ter ficado olhando para ele por muito tempo e nem vi o tempo correr.

Jeon olhou para cima e bufou alto, se eu já tinha praticamente queimado as costas dele, ele deveria achar que eu seria capaz de tirar a sua sobrancelha fora, o que eu não deixava de ser uma possibilidade porque delicadeza e talento para aquilo eu não tinha. Não sabia como Tae havia conseguido fazer tudo aquilo, mas definitivamente eu teria que falar com ele para pegar algumas dicas se queria que Jungkook melhorasse mais rápido e não piorar mais do que já estava.

Já disse que deveria estar dando aula de como NÃO conquistar o crush? Pois é! Para isso eu tinha talento, sem dúvidas!

Vamos a história do desastre. Eu estava do lado esquerdo de Jungkook, meus braços não eram muito longos, o certo seria eu estar do seu lado direito que era onde sua sobrancelha cortada estava, e Jeon para me "ajudar", voltou a se encostar na cabeceira de sua cama, o que queria dizer que seu machucado estava praticamente do outro lado do mundo, tipo Brasil e Japão. Não me perguntem porque não pensei em ir para o outro lado da cama porque aquilo simplesmente não passou pela minha cabeça. Resultado? Jungkook estava olhando para a minha cara de tacho enquanto eu tentava tirar aquela coisa da cara dele para TENTAR o ajudar.

Não deu certo como podem imaginar, eu estava praticamente estirada sobre o seu corpo dolorido e aquilo sim para ele já era demais, e eu não o culpo, quem em santa paciência aguenta? O mais velho bufou um pouco desacreditado, provavelmente pensando da onde eu tirava aquelas pérolas que eu nem sabia justificar.

- Olha, se você quer sentar no meu colo é só me pedir.

Eu juro por todos os deuses que aquilo não passou pela minha cabeça, mas Jungkook estava com aquele hábito de que agora ele falava e não fazia diretamente sem me falar um "a" e sinceramente, eu preferia que ele só fizesse logo e não ficasse falando para me deixar sem o que saber falar, acham que ele não percebeu isso? Eu já até tinha certeza que ele sabia o que eu estava pensando.

- Eu não sei fazer isso. - Voltei para o meu lugar ignorando sua atual provocação.

- Vai ter que aprender, porque com a minha mão ferrada eu não posso faze nada. - Me mostrou seus punhos coloridos, que era evidente que não estava bem. Respirei fundo, voltando a pegar o algodão com um pouco de soro para limpar a ferida que eu nem havia tirado o curativo antigo.

- Só preciso que você vire o rosto. - Jungkook revirou os olhos, segurando meu pulso no momento em que aproximei meus dedos do curativo em sua testa, me pegando de surpresa no mesmo minuto, porque para mim nem movendo aquela mão ele deveria estar. 

Encarei sua face confusa que me encarava com um mini bico nos lábios delineados, ele não estava tentando ser grosso ao meu ver, ele parecia mais estar cansado das minhas ações nada adultas. Jeon desviou os olhos do meu, soltando uma risada abafada, engraçada até, para mim, mesmo que eu ainda não estivesse entendendo algumas ações do garoto, como falar de mais, perguntar demais e até me aturar demais, eu percebi que aquela era uma das primeiras vezes que eu e ele ficávamos em um lugar juntos e sozinhos sem brigarmos.

- Vem aqui! - Jeon maleou lentamente a sua cabeça, de um jeito que me fizesse entender que ele queria que eu sentasse em seu colo.

Eu estava com saudades dele, de verdade, já faziam três dias que não nos víamos, e em uma situação tão crítica como aquela queria literalmente dizer "cuidado com suas ações". Jeon nunca foi cuidadoso e eu achava que aquilo era esse seu lado falando, mas, algo mais forte me atingiu o peito quando pensei na possibilidade da nossa saudade ser mútua, talvez não como um casal, mas sim como amigos, assim como era comigo e com Tae. Pelo menos, era isso que passava pela sua cabeça, porque na minha, infelizmente não era.

Não o questionei, era um desejo mútuo, e eu não negaria. Passei minhas pernas por cima de seu colo, minha calça jeans preta se acomodou bem em cima de suas pernas cobertas pelo edredom, sentei em si com um cuidado extra, de forma que não ficasse completamente encima de si, aquilo me fez lembrar levemente da noite em seu banheira, tentei não demonstrar que aquela cena voltou a minha cabeça, e simplesmente fingi que nada  estava acontecendo.

- Bem melhor, certo? 

Assenti algumas vezes para si, tomando coragem para encarar a sua face bonita de frente e com mais nitidez ao sentar em seu colo, procurei fazer o processo do jeito mais rápido possível, visto que, ficar daquela forma em cima de si, não só me fazia recordar certas coisas, como também fazia eu me lembrar do quanto estava com saudades de si. Jungkook poderia ter todos os defeitos do mundo, e ainda assim eu diria que ele era perfeito, o duro, era ter uma ideia de até quando no meu consciente eu pintaria ele desta forma. O vendo daquela forma, eu realmente não o via e nem pensava que fosse aquele que conheci, mas era só ele abrir a boca que tudo voltava.

Eu estava mudando demais. Minha personalidade, meu corpo, minhas crenças, meu céu e meu inferno, tudo por causa dele.

Peguei com leveza seu maxilar com a mão livre do medicamento, aproveitando para acariciar a pele abaixo dos meus dedos disfarçadamente para não assustar o garoto. Me concentrei em apertar de leve o ferimento a minha frente logo após retirar o curativo antigo. Jeon novamente produzindo sons finos e contidos pela ardência no local. Assoprei com cuidado a área para dar alívio a ele, algo pelo qual pareceu funcionar.

Era difícil. Jungkook me olhava, eu queimava só com aquilo, porque sabia que ele me observava dali. Forcei meus joelhos até a ficar um pouco de pé e agarrar a sacola com o resto do que ficaria em seu ferimento para curar. Jeon permanecendo no mesmo local. Passei mais pomada e retirei o curativo de sua embalagem para finalizar o processo completo.

Até que eu tinha feito um bom trabalho. Com a mão livre, pressionei um pouco seu maxilar de baixo para cima, para ele levantar um pouco a cabeça, visto que eu estava um pouco mais alta que si, e queria colocar corretamente aquele negócio nele, ele me obedeceu sem muito pedir e eu finalizei. 

- Pronto! - Exclamei, eu tinha feito um ótimo trabalho, estava orgulhosa de mim mesma.

- Sobrou alguma sobrancelha aí? - Ele perguntou sarcástico, colocando suas mãos para trás de suas costas para se apoiar um pouco, não gostei porque ele tirou suas mãos das minhas coxas.

-Estão todas aí! - Disse orgulhosamente.

Jungkook assentiu, e foi nesse momento que meu celular despertou pela segunda vez, era hora de ir. O aparelho piscava indicando que era hora de ir embora e como estava um pouco longe, Jungkook quem o pegou e desligou, encarei sua ação com tranquilidade, porque era nítido que ele estava ciente de que eu tinha realmente que ir embora. Como eu disse, as AMAS tinha conhecimento que eu estava ali, e se elas fosse muito espertas, saberiam que se quisessem ferrar eu e Jungkook, eles só tinham que esperar passar 10 minutos comigo ali, que entrariam e nos pegariam em uma cena nada casta assim por dizer e ironicamente do jeito que estávamos agora.

Minha sorte e inteligência me fizeram colocar o despertador para tocar 10 minutos antes, só para precaver.

Não disse muita coisa, a não ser que infelizmente ele teria que me aguentar cuidando de si, até estar totalmente recuperado, depois dele me zoar e lamentar e dizer que iria rezar a noite toda eu finalmente tomei coragem para levantar de cima de si, algo que realmente me custou, porque estar ali com ele, daquela forma era incrível. Fiz a menção de levantar quando ele segurou meu antebraço de leve mais com rapidez.

- Não vai se despedir direito? 

Eu de verdade gostaria muito de me despedir direito, e como queria, nos últimos dias eu só tenho pecado contra mim mesma sedendo aos desejos do meu corpo por ele, e ainda assim nunca parece o suficiente. Eu tenho ciência de seus ferimentos agora, e meu único intuito nessa momento é ajudar e não piorar. Por isso, na hora que ele me deu sua bochecha para beijar eu idiota fui de encontro a ela, eu só não esperava que no milésimo segundo em que iria beijar sua bochecha ele se voltasse para mim e seus lábios me tomassem.

Jogo sujo, Jungkook!

As palmas se esticaram e ele as espalmou em minhas costas, fazendo meus joelhos deslizaram pela cama para que eu ficasse encaixada em seu quadril, a mão direita subiu diretamente para o meu pescoço onde ele dedilhou e encheu seus dedos com os meus cabelos ao se infiltrar mais ali. E o beijo? O beijo foi o meu ponto alto daquela noite. Jungkook tinha gosto de menta, misturado ao gosto matinal de quem acaba de acordar e sim era divino. Seus lábios malvados beijavam os meus com lentidão, porque ele agora parecia apreciar como eu nossos beijos lentos. Sua língua avida circulava a minha e a relava de leve as vezes só para atiçar mais o ósculo. As mordidinhas leves e peçonhentas me faziam perder o controle de leve, sempre me segurando em seus ombros para não tombar, tendo o maior cuidado com os ferimentos, claro!

E era isso, Jungkook com tão pouco me fazia ir e vir e ainda conhecer um lado meu diferente a cada um daquele beijos e toques. É eu estava cada vez mais viciada, cada vez mais condenada.

Quando ele achou prudente me soltou. Eu estava participando ativamente do beijo, o acompanhava, mas não acrescentava nada porque não queria machucá-lo se ele não se importava eu sim. Por isso deixei ele iniciar, ele continuar e ele finalizar, sem tirar nem por nada.

Vi por cima, seus lábios inchados e vermelhos tão convidativos que eu quase o puxei novamente para me beijar. Não só seus lábios como também um pouco a parte de baixo e de cima, ele estava incrivelmente bonito e eu imaginava que minha boca estava da mesma forma, ele soltou meus cabelos atrás da nuca e afrouxou o aperto em minhas costas, um sinal mudo que era o suficiente por hora.

- Boa noite, pequena!

- Boa noite, Kook!

E naquela noite, alguma coisa tinha mudado, eu só não sabia o que ou o porquê.


                              ×××


O velho diretor estava terminando de revisar as planilhas de porte financeiro, e não poderia estar mais preocupado. As baixas do mês haviam disparado consideravelmente, levando em conta tudo o que estava acontecendo. A instituição dependia muito de fins públicos para se manter, e aquilo nunca foi segredo para ninguém, acontece que quanto menor a demanda de alunos menos a prefeitura acha que tenha que investir na escola, levando em conta que poucos alunos representam poucos gastos.

Esperava que com a popularidade da instituição, por conta dos jogos, a mesma ganhasse pelo menos mais 30 ou 40 alunos novos, e aquilo já ajudava bastante de certa forma. Não queria ter que pedir ajuda a seu querido amigo senhor Jeon, porque do jeito que as coisas estavam andando, e com a polícia por ali, aquilo poderia gerar problemas.

Respirou fundo, tomando ar e se assustando um pouco quando a porta de entrada foi aberta.

- Pelo visto a sua intuição realmente se tornou uma prisão! - Woody ouviu a voz amarga de Yeri, e automaticamente encarou a mesma a vendo plenamente parada em sua porta.

- Que prazer te ter aqui, Yeri! - Manteve a pose, mesmo realmente surpreso por vê-la ali. - Não me lembro de alguém ter anunciado a sua entrada. - A mulher riu baixo, caminhando a passos pequenos até uma das poltronas disponíveis a frente da mesa do velho diretor, deixando seus saltos fazerem um som mínimo no chão desgastado, deixando a sua bolsa na outra poltrona.

- Uma mulher como eu não precisa ser anunciada e não finja que está feliz com a minha presença. - Mudou seu tom ameno para mais sarcástica, algo do qual não passou despercebido pelo velho diretor que fechou seu notebook para encará-la.

- Yeri, por favor, vamos manter a educação, sim? Sem palavras de baixo calão!

- Acha que eu estou sendo mal educada? - Colocou a própria mão no peito, fingindo estar ofendida. - Imagine quando eu passar a ser de verdade. - Woody respirou fundo, aquela mulher aguentava o senhor Jeon, o que significava que possivelmente ela era pior que o próprio.

- Pode tornar isso menos desagradável me dizendo o porquê de tanto ódio? Você costumava adorar minhas piadas. - Era uma pergunta odiosa para a mulher, só de a ouvir. - Afinal, faz quase 20 anos que não te vejo, certo? - As unhas curtas da mesma batiam contra a mesa de vidro, causando um certo suspense na sala, jurava que colocaria sua classe de lado e o mataria.

- Eu sei o que você fez, Woody! - As palavras ácidas e simples, fizeram Woody respirar fundo tentando manter a face de desentendido. - E eu pretendo descobrir onde está aquilo que você e seu dono tiraram de mim!

- Dono? - Mais uma respirada funda da parte da mulher, sua paciência estava por um fio. - Está falando do seu marido? - A mulher semicerrou os olhos, encarando a face do homem com ódio. -  Para a sua infelicidade, eu não falo mais com ele e eu não sei do que está falando! - Era mentira, se tinha uma coisa que Yeri sabia, era que seu marido e Woody eram como unha e carne, o pai de Jungkook não tirava os olhos daquela instituição nem que o cegassem.

- Você é um covarde petulante, me dá pena! - O homem deu de ombros, colocando sua mão contra a grande barriga.

- Gostaria de saber o que a trás aqui, se sou tão petulante. - Não se mostrava ofendido e sim satisfeito com o desconforto que causava na mulher, esta mesma respirou fundo antes de começar a falar calmamente.

- Por algum motivo, meu filho quer se recuperar aqui dentro, e eu como uma boa mãe, coisa que o pai dele, seu dono... - Deu ênfase. -Não é capaz de fazer, dei autorização. - Woody sabia que o objetivo da mulher era lhe tirar do sério, mas manteve a compostura.

- Você está totalmente certa. - concluiu, olhando a mulher revirar os olhos para si - Meus funcionários são treinados para esse tipo de emergência, Jungkook receberá...

- Não quero que nenhum deles encoste no meu filho! - A mulher o interrompeu, Woody mais uma vez recompondo a sua postura, encarando com curiosidade a resposta da mulher. - Jungkook odeia este lugar mais do que tudo e eu também.

- Então?

- Já cuidei de seus cuidadores, quanto a isso não tem que mover a sua bunda daí! - O homem riu sarcástico, encarando a mulher lhe olhar com os olhos de tubarão, como a de seu marido, senhor Jeon.

- Ainda não entendi o motivo de sua visita então.

- Não quero que meu marido saiba deste detalhe. - Relatou Yeri, encarando a feição confusa do diretor. A mais nova então sorriu satisfeita, pegando a sua bolsa com leveza. - Mas já vi que não tenho que me preocupar, certo? Se não tem mais contato com ele, ele certamente não saberá.

Tática perfeita e certeira, nenhum dos dois lados estavam dispostos a cederem, Woody tinha muita coisa a perder e Yeri a ganhar com aquilo, sabia que ela não estava brincando. Se lembrava vagamente de alguns meses atrás Senhor Jeon ter lhe dito que havia mandado Yeri para outra cidade, para cuidar de negócios externos, imaginava que era para amenizar a sede de vingança e procura da mulher , sabia que ela voltaria mais cedo ou mais tarde. Mais o que estava mais curioso, era o fato dela saber sobre seu envolvimento na história de anos atrás. Tinha que ser mais que cauteloso.

- Está correta! - O homem assentiu lentamente, olhando para o canto esquerdo da sala, sem realmente querer encarar as orbes questionadora de Yeri.

- Bom, muito bom! - Se levantou, caminhando lentamente até a porta de entrada sem grande cerimônia. - Ah sim... - Se voltou para o velho sentado em sua cadeira. - Eu não espero que me responda isso, mas ainda assim vou perguntar. - O velho diretor assentiu lentamente excitante para mais uma pergunta da mulher.

- Sim?

Yeri pareceu precisar de um minuto para se concentrar em sua pergunta. O velho diretor viu seus olhos se abalarem, vendo a maquiagem bonita da mulher se a mostrar para si quando ela fez tal ação, era difícil, certo?

Para Yeri, fazia anos que não o via e não conseguia entender certas questões, assim como também não conseguia entender certas condutas que a fez perder alguém tão importante e logo depois ter tirado de si, uma parte tão significativa. Não achava que era capaz de perdoar o que aquele homem junto a seu marido fez a si, mas mesmo assim, decidiu o questionar, talvez na esperança de ver algum arrependimento, aquele que não não viu em seu marido.

- Você era meu amigo, como pode fazer o que fez comigo? - A fala saiu trêmula, sem saber exatamente dizer se foi pela mágoa ou pela raiva. Já Woody sabia que não era amigo dela, mas a fez pensar que sim, no meio de tanto tormento e de tantas traições, Woody fez o que Senhor Jeon lhe pediu, não esperando ter um resultado tão positivo no final de tudo, mas que lhe custou  a confiança e carinho daquela mulher a sua frente, que o encarava com ódio, que antes encarava com carinho. E sim, ela estava certa, ele não a responderia, nem tentaria se defender, porque não conseguiria, mesmo assim, se esforçou a pensar.

- Traição é pecado, Yeri! - A mulher riu baixo, olhando para baixo para logo depois encarar o homem, era claro para si, que tinha muito de seu marido no homem que há anos  achou ser seu amigo e no final lhe traiu.

- Cravar uma faca nas costas de um amigo também é, sabia? - Questionou friamente, erguendo seu queixo, enquanto Woody abaixava a sua cabeça. Não achou que fosse difícil ouvir a verdade sendo jogada de graça em sua cara.

- Yeri... - A chamou, ouvindo sua maçaneta fazer um barulho estridente que lhe chamou a atenção.

- Tomara que vocês dois queimem no inferno!

Yeri abriu, passou pela porta e a fechou com força, não estava brincando, e tinha certeza que se houvesse alguma justiça no mundo, esse seria feito. Enquanto Woody nada sentiu, nada disse, nunca viu aquela mulher como uma amiga, e como disse.

Só havia feito o que lhe foi pedido.


                             ×××


Sai do quarto de Jungkook logo após o beijo. Um pouco desnorteada e cansada, porque por mais que eu estivesse dormindo bastante, ainda assim 2 horas da manhã era muito tarde, mas se eu queria ajudá-lo era um preço pequeno a pagar, certo?

Caminhei tranquilamente pelo corredor, demoraria cerca de 5 minutos para chegar até onde possivelmente Yang estaria me esperando, mas eu não contava com uma coisa.

Junior.

O garoto estava parado de frente para uma porta, de braços  cruzados, encarando a outra porta a sua frente, de longe pude perceber que ele estava com uma mão enfaixada, enquanto o pé também parecia um pouco frouxo já que ele apoiava todo o seu peso em uma só perna, ele parecia estar esperando alguém, apesar de já ser muito tarde é claro.

Fingi não vê-lo, mesmo sabendo que seria inútil, já que eu teria que passar a sua frente para sair da ala masculina, mesmo assim continuei, e foi bem óbvio para mim é nada surpreendente, que ele tivesse me parado, e foi exatamente isso que ele fez. Seus lábios pronunciaram o meu nome de forma cansada e lavinia eu não sei exatamente porque esse tom me foi preocupante e mais ainda foi quando eu encarei o mesmo. Ele estava acabado, parecia ter corrido uma maratona inteira, parecia que não dormia a dias, parecia que não comia a dias, aquilo de verdade, me preocupou.

Encarei bem o seu estado. Os cabelos pretos bagunçados, as olheiras fundas, a pele branca e ressecada, os lábios sem cor e quebrados, as roupas estavam um pouco enrugada, e haviam algumas manchas sujas em si. Me contive em perguntar se ele estava bem, porque simplesmente ele parecia bem melhor que Jungkook e vê-lo só me fez lembrar do que ele havia falado e feito no campo.

- Sem tempo! - Tentei passar, Junior agarrando levemente meu braço como Jungkook fazia, eu parando de imediato, o garoto se desequilibrando um pouco.

- S/N, por favor! - Pediu baixo, parecendo estar com dor de garganta.

- Está gripado por acaso? - O garoto negou com a cabeça, ainda sem cor alguma. - Mesmo assim, deveria procurar a enfermaria, parece que vai desmaiar a qualquer momento. - Disse segurando seu ombro com a outra mão que ele não estava segurando, parecia mais que ele estava apoiando seu  peso ali.

- Eu estou bem, só... - Respirou fundo antes de continuar, ele realmente não parecia bem. - Só preciso te dizer que sinto muito. - Junior se focou melhor em me olhar, colocando toda a sua disposição ali, eu vendo sinceridade em suas palavras entre cortadas. - Sei que agi errado e que não deveria ter falado com você daquela forma. - Ele estava se desculpando de forma gentil, apesar de respirar fundo a cada palavra, por Deus, ele agora parecia pior que Jungkook!

- O que você estava fazendo aqui parado? - Eu perguntei, desviando do assunto, porque realmente não sabia como o responder, eu reparando que o garoto estava suando um pouco.

- Meu quarto é muito quente, eu precisava respirar um pouco. - Era de se admirar que ele soubesse daquilo, porque estava bem óbvio.

- Você precisa de um médico. -Tentei puxar um pouco seus braços, o garoto voltando a se encostar na porta atrás de si, negando meu movimento.

- S/N eu realmente não quero que pense que eu sou aquela pessoa. - Ele torceu o nariz, voltando a respirar fundo, aquilo já estava ficando meio preocupante para mim, se ele desmaiasse eu não teria como carregar ele. - Nos jogos eu fico surtado e acabo falando e fazendo algumas besteiras. - Algumas? Sério, eu não sabia se ele estava me deixando preocupada ou irritada. Soltei seus braços, se ele não queria cooperar então ele tinha senso do que estava fazendo.

- Você mesmo disse que é um jogo! Pare de se lamentar, sim? - Eu estava um pouco irritada, talvez pelo fato de a poucos minutos atrás ter estado e visto a situação de Jungkook, ou porque estava cansada e frustrada com Junior pela pessoa que ele se mostrou ser aquele dia.

- Isso é um sim? Você me perdoa? - Não entendia o porquê dele precisar do perdão, e daquilo significar tanto para si. Afinal de contas, eu quem tinha um crush antigo nele e eu quem o conhecia antes, certo? Pra que tanto drama?

- Isso é um fique longe do Jungkook! - Cruzei meus braços, encarando com seriedade a face alheia. - Ele está todo machucado, nem sei quando vai poder voltar a jogar, mas sei que a culpa é sua e do seu time. - O garoto assentiu algumas vezes sem dizer uma única palavra, ele ainda parecia um pouco abatido e doente. Mas eu não estava me sentindo mal por estar sendo talvez rude ou grossa, ele havia machucado uma pessoa muito querida por mim, e aquilo era mais importante que a minha paixonite juvenil.

- Pedirei desculpas assim que ele se recuperar. - Junior ditou, me deixando estática em meu lugar, pedir desculpas? Tudo bem que ele estava realmente errado, mas eu acho que nunca havia ouvido isso antes vindo de uma situação assim. Talvez seja porque Tae e Jungkook sejam uns brutos, mas por Deus, porque ele estava me dizendo isso? - Se isso te fará me perdoar, então eu farei! - Ok, eu estava sem reação, ele estava falando sério?

- Não deve pedir desculpas se não for o que quer. - Simulei uma resposta rápida, porque aquilo tinha me deixado sem palavras.

- É o que eu quero, S/N. - Era só o que me faltava. Junior tinha duas faces como Jungkook? Ou estava encenando uma em campo da qual eu não gostei.

Tentei juntar os pontos o máximo que pode, porque para mim aquilo não fazia sentido algum. Junior estava praticamente dizendo que pediria desculpas ao seu adversário por minha causa? Sim! Foi exatamente o que ele disse. Ele tinha que fazer isso? Ou eu pedi? Não! Ele não tinha, mas queria. Pelo amor de Deus, S/N não começa a pensar nisso demais, só tem um lugar que isso pode te levar e dar e tenho certeza que não é bom.

- Boa noite, S/N! - Ele disse, possivelmente, vendo que eu não diria mais nada. Vi o garoto se virar lentamente, quase como se estivesse com dores nas articulações e aquilo me deu certa pena, ele estava muito mal e mesmo assim tentava se movimentar quando deveria estar tratando seja lá o que tinha.

- As AMAS... - Eu interrompi seu movimento com a minha fala, o garoto parando para me dar atenção, desviei os olhos dos seus quando ele me olhou. Fique quieta, S/N! - Elas ainda trazem medicamentos até os quartos... - O garoto pareceu parar um pouco para assimilar o que eu disse, já que falei da mesma forma que falei quando o conheci. - É só ligar na recepção e pedir.

O garoto sorriu fechado para o meu comentário, eu não estava fazendo nada demais, certo? Ele precisava de uma ajuda extra e eu sabia como ajudar indiretamente. Apesar de achar que ele tinha sim um sorriso esplêndido.

- Obrigado! - Disse suavemente.

- De nada!

Me tirei e fui embora o mais rápido que eu pude, minhas mãos se apertando uma contra a outra porque não era possível que eu fosse tão burra. Eu sei que só estava ajudando, mas pelo amor de deus eu deveria ter xingado ele como fiz em campo. Me dêem um crédito, ele se desculpou e ainda disse que se desculparia com Jungkook. Jesus amado, eu tô ficando com dor de cabeça!

- SN! - Parei assim que ouvi meus ouvidos captaram a voz alta de Hosoek atrás de mim. Parei e olhei para si caminhar rapidamente até mim. - Fomos bem claros ao dizer para você não andar sozinha por aí! - Disse o mais velho, chegando perto de mim. - Não me viu ali?

Só ali eu percebi que já tinha saído da ala masculina e que possivelmente, Yang havia pedido para Hoseok ir me buscar invés dela, e que eu provavelmente, havia passado reto do jovem professor porque estava perdida em pensamentos que não deveriam estar ali. Neguei com a cabeça para o moreno que enrrugou a testa um pouco desnorteado.

- Você está bem?

Eu estava tudo, menos bem!


                            ×××


- O que você acha? - Jin perguntou animado para Namjoon, apoiando o queixo no peito do marido para vê-lo melhor, o marido respirou fundo logo depois encarou de volta o garoto.

- Eu acho uma ótima ideia! - O sorriso do mais velho evoluiu de tamanho, e aquilo aqueceu o peito de Nam, foi por aquele sorriso que ele havia se apaixonado.

- Amanhã mesmo eu vou até a instituição fazer o convite. - Jin voltou a abraçar a cintura do mais novo abaixo de si, Namjoon ajeitando melhor as cobertas acima das costas nuas de Jin.

- Não acha que também deveríamos chamar os outros? - Namjoon questionou, Jin novamente levantando a sua cabeça para encarar o homem um pouco surpreso.

- Você se sente bem? - Namjoon sorriu largo, outro ponto que Jin não via a algum tempo, não sabia que a paternidade faria Namjoon tão realizado, algo que não deveria ser surpresa porque também estava assim.

- Eu quero que seja um período feliz. - Jin colocou a mão abaixo de seu queixo, fazendo carinho na pele desnuda do peito de Namjoon dando mais atenção ao o que o marido dizia. - S/N e Taehyung tem um laço muito grande com todos eles, como nós. - Ele suspirou antes de continuar. - E eu sinto falta dos velhos tempos. - Jin concordava que sentia o mesmo, só que em partes, de repente Namjoon se tornou pensativo de uma forma nostalgica e Jin sentiu que iria no mesmo caminho.

- Está pensando neles? - Jin perguntou risonho, o mais novo negando e encarando a face bonita de Jinnie, seus dedos longos tocaram a tez macia das bochechas fofas do mesmo, para logo depois alisar levemente os lábios que tanto amou beijar.

- Lembra do que me disse na noite que eu te levei embora da instituição? - Jin maneou um pouco a cabeça, tantas coisas haviam sido ditas aquela noite.

- Lembro de várias. - Jin riu alto e Namjoon o acompanhou.

- Você disse: "E se você quebrar o meu coração?". - Aquilo sim Jin lembrava. - E eu disse:

- "Eu vou recolher cada pedacinho". - Ambos disseram juntos. Jin dando um selinho rápido no mais novo.

- Eu espero nunca ter quebrado essa promessa. - Jin negou várias vezes com a cabeça, não se lembrava de Namjoon já ter feito algo grave ao ponto daquilo.

- Por que se lembrou disso agora? - Perguntou divertido, Namjoon fazendo um carinho casto nos cabelos do mais velho.

- Porque foi naquela noite que eu soube que meu coração sempre pertenceu a você, foi naquela noite a primeira vez que eu agradeci Deus por algo, e agora a gente vai ter a nossa família.

Sabia que era muito cedo para criar expectativas, Tae e S/N poderiam muito bem dizer que não queriam serem adotados por ambos, era uma possibilidade, mas não diria aquilo para Namjoon naquele momento, ele havia ser tornado tão mais eufórico com a possibilidade logo após Jin falar de Tae e S/N, que ele de verdade não via motivos para dizer tal coisa naquele momento.

Era apaixonado por Namjoon desde a primeira vez que o viu, e aquilo para ele era mais que o suficiente. A história dos dois junto a Yoongi e Hoseok não tinha os melhores enredos, mas ele nunca deixava de relembrar aqueles momentos únicos que nunca voltaria.

Mas se sentia feliz por tê-lo compartilhado com seus dois amigos e o amor da sua vida. Não se lembrava como Namjoon do exato momento em que decidiu que amava aquele homem, mas nao duvidava que havia sido a melhor decisão de sua vida.

- Eu amo você!

- Eu também te amo!


                             ×××


Eu estava parecendo um zumbi. Após Hoseok me deixar em meu quarto e ir para casa, eu praticamente desmaiei em minha cama, e para mim, não pareceu que eu dormi por mais de 1 hora, porque assim que fechei meus olhos, meu celular despertou e Yang praticamente me derrubou da cama. Ela falou algumas coisas sobre eu ter que fugir das aulas ou ficar sem almoço para dormir um pouco, se não eu obviamente não aguentaria cuidar de Jungkook, algo que eu concordei de primeira, porque eu estava muito cansada.

As aulas se sucederam cansativas como sempre, e eu e Yang fugimos da aula de educação física para desmaiar em nossos aposentos, algo bem incomum, mas necessário. Quando acordamos, já estavam servindo o café da tarde e eu procurei fazer o máximo para não esbarrar com o time de Junior, que ficaria aquela temporada na instituição até que os jogos voltassem, estranhamente, todos pareciam bem doentes, assim como Junior na noite passada.

Nos acomodamos nos assentos centrais do salão, muita comida estava sendo servida e eu estranhei novamente, Woody estava diversificando até demais os cardápios, geralmente tínhamos um opção de refeição, hoje tínhamos três. Decidi ignorar, mas aí eu vi o citado junto a sua trupe de AMAS e alguns professores perto do altar, mas a frente de todos. Ele estava fazendo a sua refeição com os alunos?

- Sabe o que eu acho? - Yang começou, atraindo a minha atenção para si, que até aquele momento estava em Woody. - Que você literalmente trocou o belo pela a fera. - Yang fez uma gesto com a mão, mostrando as duas para cima ao dizer aquilo.

- Do que você está falando? - Eu questionei comendo meu pão, já era o segundo que eu comia, subitamente comendo demais como já tinha dito antes.

- Jungkook e Junior. - Eu, as vezes, me arrependia de contar as coisas para Yang, ela sempre tinha que comentar. Revirei os olhos bufando alto. - Para mim, está bem claro que o Junior tá afim de você. - A loira se voltou para frente, também comendo o seu pão. Eu havia contado sobre noite passada para ela então ela tinha total conhecimento da noite anterior.

- Deduzo então que a fera seja Jungkook.

- Bingo! - Suspirei cansada, não era novidade para mim, Yang pareceu notar minha cara, colocando a mão em meu ombro. - Amiga todo mundo gosta dessa coisa clichê de homem se fazer de difícil, leva tempo até amolecer o coraçãozinho gelado do Jungkook. - Tão vendo como eu, as vezes, me condenava pelas coisas que eu falava? Deveria ter ficado de bico calado sobre a noite passada.

- Pelo visto o Júnior também não é nenhum santo. - Eu disse convicta, me lembrando que ele havia feito e dito em quadra, vendo o garoto entrar no refeitório.

- Ninguém é santo S/N. - Yang disse, me acompanhando com o olhar também, vendo Junior se juntar a seus amigos. - As pessoas  só são boas em mentir! - Eu concordava, Junkook havia feito a mesma coisa comigo quando nos conhecemos, fingindo ser uma pessoa que não era.

- Segue o meu conselho então... - Levei um susto a mais quando do nada e de novo  Tae-yeon apareceu ao meu lado, quase me fazendo empurrar Yang do banco. - Quanto piores, melhores! - A risada forçada e com segundas intenções da garota me fizeram ter dor de cabeça.

- Pelo amor de Deus! Você não cansa de cuidar da vida dos outros? - Yang perguntou, deixando seu suco de lado, para encarar a garota me abraçar.

- E você? Não cansa de ser chata? - A garota perguntou para Yang que deu o dedo do meio para a mesma. - Eu vim por causa da S/N. - Ela me encarou sorrindo largo, eu empurrando sua mão de meu ombro.

- E a novidade? - Yang respondeu voltando a comer seu pão, o tom de irritação me chamou a atenção, eu sabia que Yang não gostava dela, mas era tanto ódio que eu podia sentir emanando.

- Se vocês fossem um pouco mais discretas e falassem um pouco mais baixo eu não teria ouvido. - E como sempre a outra sempre tentava irritar Yang, era como se as duas adorassem fazer isso. Yang bufou ainda olhando para frente.

- Fala com a minha mão! - Yang deu sua mão para a garota, que revirou os olhos me encarando.

- Você tem visita! -  Tae-yeon me disse, encarando minha face bem de perto, eu não sabendo muito bem para onde olhar e como lidar com aquela proximidade aguda. - Jin. - Ela respondeu e meu corpo automaticamente ficou cheio de energia.

- Sério?

- Sim, Rosa pediu para eu vir te chamar. - Ela disse sem ânimo, eu na hora me levantando de minha bancada.

- Eu ainda nem acabei de comer! - Yang reclamou, comendo um pedaço enorme de torta com rapidez.

- Pode ficar, é aqui perto, eu vou correndo! - Os olhos de Yang dobraram de tamanho.

- Tem certeza? - Yang repreendeu, eu encarando minha amiga de cima, já que ele estava sentada, eu assentindo várias vezes com a cabeça.

- Você é babá dela? -  Tae-yeon se meteu novamente.

- Cala a boca! - Yang respondeu  e Taehyol devolveu.

- Cala a boca você, neném!

Eu decidindo deixar as duas brigaram porque eu realmente estava ansiosa para ver Jin e me encaminhando para a saída do refeitório as pressas. Eu não estava mentindo quando disse que a sala de visitas ficava ali perto, eu só teria que atravessar um corredor um pouco grande, mas que com uma corrida eu chegava em 2 minutos até ela. Talvez eu tenha  dado bom dia para 2 ou 3 policiais que faziam a ronda e o resto eu só ignorei porque não tinha mais fôlego.

Quando entrei na sala e vi as costas largas de Jin, o meu primeiro instinto foi correr até si e o abraçar, o mais velho se assustou de primeira, porque eu gritei o seu nome e ogo depois já estava o abraçando, é sério, ele se assustou mesmo, mas logo depois se recompôs e me abraçou de volta, passando seus longos dedos pelos meus cabelos, com carinho. Jin tinha um abraço muito bom, que me acalmava de uma forma que eu não conseguia sair dele, eu estava preocupada demais com a sua situação após ter sido preso, já tinha se passado quase um mês por conta disso tratei de me recompor, já que Jin também não parecia querer me largar e segurei seus ombros com volúpia.

- Como você está? E a polícia? Namjoon brigou muito com você? Ficou bravo? Ele...

- S/N SE ACALMA! - Ele riu ao que eu disparei tantas perguntas para si, me fazendo me recompor e respirar um pouco. - Eu vou te contar todos os detalhes. - Ele riu mais um pouco, passando as mãos pelo meu ombro. - Mas antes preciso te fazer uma pergunta.

O garoto segurou minhas mãos para baixo, me encarando com um sorriso ladino.

Eu não sabia o que era, mas meu coração já parecia saber de tão rápido que ele batia.


                                ○


"As pessoas são capazes de muitas coisas por seus sonhos, e é daí que sabemos o tamanho da nossa paixão".


Notas Finais


YERI???? CONTA PRA GENTE MUIE O QUE VC SABE

JUNGKOOK??? VOCÊ TA O QUE EU TO PENSANDO?

JUNIOR E SN O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO EIN ???

O QUE SERA QUE O JIN QUER ?

NAMJIN PORQUE ME MACHUCA???


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