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História Prays - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oi oi amadesss
Nos 45 do segundo tempo eu lembrei que Junho é o mês que promove a doação de sangue, e tive um plot que me empolgou DEMAIS sobre o tema.
Eu espero que vocês curtam e lembrem que: doar sangue, é doar vida. Se você puder ser um doador, saiba que a pessoa que precisar de você será eternamente agradecida pela sua bondade ♥

Agradecimentos:
Gostaria de agradecer demais ao @Listyo que super fez essa capa pra mim e no fim, eu fiz um feat com ele. Muito obrigada, dengo!
Gostaria de agradecer também minha amiga @nyssua que betou a one pra mim. Sério, vamos exaltar o trabalho dessa mulher porque ela faz uma betagem MARAVILHOSA, e sei que sem ela, minhas palavras não chegariam em vocês com o mesmo impacto. Brigada mozão! ♥

Boa leituraaaa

Capítulo 1 - Seja a gota que falta


Fanfic / Fanfiction Prays - Capítulo 1 - Seja a gota que falta

 

Prays 

Escrita por Solune

 

Os dedos delicados de Mikoto abriram uma fresta entre as cortinas, quando ela ouviu o barulho de passos em sua calçada.

A moça lá fora andava devagar, olhando a paisagem em volta e os cabelos tingidos de cor de chiclete emolduravam-lhe o rosto.

Havia sido uma jovenzinha tão boa, tão querida. Mikoto não sabia em qual ponto aquela doce menina havia se perdido.

As roupas rasgadas e a maquiagem pesada que ela usava, denunciavam os seus hábitos pecaminosos, e a única coisa que a Uchiha sentia pela cena era decepção.

Sasuke olhou para a mãe por cima dos óculos de leitura e uniu as sobrancelhas, chateado. Não entendia o porquê de observar sua colega do colégio, — Sakura Haruno —, todos os dias em que ela voltava de seu trabalho de meio período.

Mikoto se virou e encarou o filho.

— Não sei como você consegue gostar de uma coisa dessas. 

— Ela é inteligente, gentil e honesta. — justificou sob o olhar materno, virando a página de seu livro. — Eu é quem não sei o porquê de tanta implicância.

Desde que Mikoto descobriu que o filho gostava da jovem Haruno, montou uma espécie de vigia na garota. Criticava suas roupas, seus hábitos, até mesmo as músicas que escutava. Desgostava da menina desde a raíz do cabelo até o dedão do pé, e o que pudesse falar mal dela, falava.

Mikoto comprimiu seus lábios em uma linha fina, estava pronta para dar uma resposta para seu filho seduzido, quando a porta de entrada abriu e por ela passaram seu marido e seu primogênito.

Itachi a abraçou apertado. Estava com saudades. Fazia faculdade em uma cidade vizinha, e por causa do feriado, teria alguns dias sem aula. Fugaku o buscou para passarem a data em família.

— Muito trânsito? — perguntou a matriarca após dar um casto beijo no marido.

Ele confirmou com um aceno. Era um homem bom, no entanto, de poucas palavras.

Sasuke e Itachi trocavam sorrisos e conversavam animados, fazendo uma sensação de paz se espalhar como fogo pelo peito de seus pais.

— Deixe-os, querida. — disse Fugaku. — Sasuke sentiu saudades do irmão, vamos terminar o jantar.

O casal foi até a cozinha. Começaram a conversar sobre o trabalho e as coisas que ocorreram durante a semana.

Ele trabalhava em uma construtora como engenheiro. Gostava muito do trabalho e tinha pulso firme ao comandar sua equipe. Já ela, trabalhava em um cartório, autenticando documentos e afins.

Quando a comida enfim ficou pronta, chamaram os meninos que vieram rindo até a mesa da cozinha. Queriam aquele clima mais intimista, por isso a mesa da sala de jantar foi deixada de lado.

Sentaram-se todos enquanto Mikoto trazia as vasilhas e panelas.

— Fugaku, onde deixou o refrigerante? — perguntou a mulher e viu o marido contorcer o rosto.

— Droga, eu esqueci! — reclamou enquanto se levantava. — Vou até o mercado buscar, logo volto.

Mikoto teve uma sensação esquisita. Segurou o crucifixo pequeno em seu colar, com a sensação de gelo na espinha.

Assentiu.

— Deus te abençoe.



 

Faziam bons trinta minutos que o patriarca havia saído. Ninguém deu muita importância. Era feriado, o trânsito havia de estar um verdadeiro caos.

Cobriram a comida e aproveitaram para conversar. Mikoto perguntou sobre as atividades que Itachi fez na faculdade. Ele contou que participou de muitos projetos e também que fez muitos amigos no último semestre. Sasuke ouvia tudo atentamente, no outro ano ele é quem iria para mesma instituição que o irmão.

Mikoto estava feliz em ver a sua família reunida, fazia alguns meses que não tinha mais essa sensação. Recordava-se de quando seus meninos eram pequenos e estavam sempre debaixo das suas asas, realmente sentia falta dessa época.

Passados mais alguns minutos, entretidos na conversa, nem deram-se conta que Fugaku estava muito atrasado. Sasuke até mesmo tocou no assunto da mãe ficar espiando a Haruno na janela, e Itachi fez uma cara incrédula.

— Você ainda a vigia? Não esqueceu esse assunto? — perguntou o mais velho.

Mikoto revirou os olhos e segurou o crucifixo. Era um tique nervoso que ela costumava ter.

— Essa menina é uma perdida. — murmurou em resposta.

Itachi riu enquanto beliscava a salada de repolho, recebendo um tapinha em sua mão por parte da mãe.

— Ela é só uma garota, mamãe. — comentou Itachi. — Não é por causa do estilo excêntrico dela, que ela seja uma perdida.

— A senhora Chyio disse que naquela mercearia onde ela trabalha sempre está lotado de homens. — argumentou desgostosa. — Além de que dona Mei, da rua de cima, disse que já viu ela voltar para casa toda atordoada com os braços roxos, tenho certeza que é aquela perdição da heroína.

Sasuke tentou argumentar para defender a garota, mas com Mikoto não havia muito diálogo, ela tinha a opinião dela, e fim.

Ouviram o telefone tocar na sala. Mikoto se levantou com graciosidade e se dirigiu até o cômodo. Quando atendeu, uma voz desconhecida disse:

— Vocês são da família de Fugaku Uchiha?

—Somos. — respondeu ela. — Aqui quem fala é Mikoto, a esposa dele. O que aconteceu?

— Somos do Hospital de Tokyo,  seu marido deu entrada depois de sofrer um acidente na avenida Amaterasu.

O corpo dela parecia ter congelado, isso chamou a atenção dos garotos.

— Oh meu Deus! O que aconteceu? Ele está bem?

A voz do outro lado da linha suspirou.

— Senhora, gostaríamos de pedir que viesse com a sua família até o hospital, a situação do seu marido é complicada...

— Claro, claro, eu entendo, já estamos indo.

Mikoto desligou o telefone e ainda se sentia letárgica. Fugaku apenas havia saído para comprar o refrigerante, e agora estava em estado delicado no hospital. Sentiu uma fraqueza nas pernas, quase iria ao chão se não fosse Itachi segurá-la.

— Quem era no telefone? — perguntou o primogênito.

— Um acidente de carro. — disse. A língua parecia uma lixa seca. — Seu pai está no hospital.

Logo Sasuke se juntou à pequena família. Itachi pegou a chave do carro de Mikoto e levou a mãe e o irmão até o carro. Jamais deixaria que a morena dirigisse no estado nervoso em que se encontrava.

Não que estivesse muito mais calmo, mas se forçou a não surtar.

Quando chegaram foram direto na recepção e viram uma mocinha que lá trabalhava. Perguntaram sobre como poderiam ter acesso às informações sobre o pai, e a mocinha instruiu que aguardasse na sala de espera.

Foram longas as horas em que a pequena família se sentiu em agonia, esperando notícias de um médico que nunca vinha.

Nunca estamos preparados para que algo desta magnitude aconteça dentro da nossa família. Um acidente é como a própria palavra já diz: algo inevitável, que acontece do nada, rouba a paz e o equilíbrio de um lar, e deixa todos sem chão.

A falta de notícias enquanto tempo corre é aterrorizante.

Imediatamente lembranças boas começam a povoar a sua cabeça, você pensa no quanto aquela pessoa significa para você, para sua vida, para as pessoas próximas de você, e teme que o pior aconteça. O silêncio da espera de notícias é algo inexplicável.

Mikoto orava para que Deus salvasse o seu marido. Sabia que um acidente daquele tamanho era fatal. Se alguém saísse vivo de algo como aquilo, seria muita sorte. Mas ela acreditava que o seu Deus era maior e conseguiria salvar tanto o seu marido quanto a outra família que se envolveu no ocorrido.

Eram passadas de uma hora da manhã no momento em que um homem alto em um jaleco branco que contrastava com as paredes verdes do hospital chegou. Ele chamou pela família Uchiha, que levantou em um rompante.

— Doutor, como está o meu marido? — foi Mikoto quem falou primeiro.

— Você a esposa de Fugaku Uchiha?

— Sim. — ela respondeu. 

— Então, o estado de seu marido é crítico. Ele sofreu um trauma na cabeça e no abdômen, o que ocasionou em três costelas quebradas. Ele também perdeu muito sangue e precisou de uma transfusão.

Na hora o estômago de Sasuke embrulhou. Sabia que o sangue de seu pai era raro, e que se ele precisasse de muitos litros, provavelmente não conseguiria.

— Havia sangue o suficiente? — perguntou o caçula dos Uchiha.

O médico, que havia se identificado como Kakashi, respondeu que sim, havia. O “O-” em estoque foi o suficiente para salvar a vida daquele senhor.

Nesse momento, Mikoto olhou para o céu e agradeceu a Deus e a todas as entidades celestiais por terem salvado o seu marido. Ele ficaria em observação o restante da semana para curar seus ferimentos e observar se haveria alguma sequela mais grave, mas já estava estável e fora de perigo.

Aquele havia sido um susto muito grande, e em suas orações, Mikoto apenas conseguia agradecer à Deus e o doador que salvou não apenas a vida de Fugaku, mas aquela família inteira de uma desgraça.



 

Era dia.

O frescor da brisa da manhã penetrava pela janela do quarto de hospital onde Fugaku ressonava tranquilo. Mikoto tinha as mãos unidas com as do marido. Ficou ali com ele durante todos os dias daquela semana, enquanto os seus meninos haviam voltado para casa para descansar e manter as coisas em ordem. 

Ela levantou-se, espreguiçou-se, e andou até a janela para ver a paisagem lá fora. Estreitou os olhos quando viu a costumeira cabeleira rosada cruzar o pátio do hospital e deu uma risada debochada.

Pensou: meu Deus, ela deve estar passando mal de alguma bebedeira ou das drogas que consome.

O fluxo de seus pensamentos foi interrompido por Itachi que abriu a porta seguido por Sasuke. Já era hora de Fugaku acordar, logo mais uma enfermeira traria o café da manhã e, se tudo corresse bem, ao fim do dia ele já poderia ir para casa.

O dia se arrastou lentamente, mas não foi tedioso. Era sábado, e a família permaneceu junta entre risadas e conversas o tempo todo.

Quando o entardecer chegou, Sasuke informou que iria até o corredor buscar uma lata de chá na máquina. Pegou algumas notas de dinheiro e foi.

Viu a garota segundos antes de se chocar contra seu corpo. Desculpou-se rapidamente, e recebeu um doce sorriso em troca.

— E aí, Sasuke? Tudo bem?

— Oi. — cumprimentou-a. — Sim, e com você?

Sakura conseguiu alargar ainda mais o sorriso e respondeu que estava ótima. Despediu-se de Sasuke brevemente, alegando ter um compromisso no hospital, e então o deixou.

O coração dele palpitava como pipoca. Como podia gostar tanto assim daquela garota?

Quando voltou para o quarto do pai encontrou o médico atestando sua alta.

— Ele ainda deve seguir algumas recomendações, mas em questão de um ou dois meses estará novo em folha. — falou Kakashi.

— Ah, doutor, eu não sei o que é estar novo já a muitos anos. — gracejou o Uchiha mais velho, arrancando risadas dos presentes.

— Se cuide, Fugaku. Espero não nos vermos tão cedo. — Kakashi brincou.

— Deus, eu também! — exclamou Mikoto.

Não demorou até que a família estivesse com as coisas prontas e cruzando os corredores de paredes esverdeadas do hospital, rumo à saída.

Ao passarem pela sala de coleta com a porta entreaberta, Mikoto franziu o cenho ao se deparar com Sakura sentada confortavelmente em uma cadeira debaixo de um cobertor, seus olhos verdes com muita maquiagem, pesados. Seu primeiro reflexo foi pensar que a menina estava tomando glicose na veia ou algo assim, e estava pronta para fazer algum comentário como “Pobre Mebuki.”, ou “Que menina perdida.”

Foi quando ouviu a enfermeira:

— Pronto, Sakura. Já temos quatrocentos mililitros. 

Ela tirou o acesso do braço da Haruno, e os Uchiha ficaram parados defronte à porta, observando a cena da bolsa de sangue sendo colocada em um carrinho e um lanche sendo dado para a menina de cabelo rosa.

— Acha que é o suficiente? Eu sou tão magra, só consigo doar de pouco a pouco… — disse Sakura.

A enfermeira riu e afagou os cabelos da garota.

— Sim, inclusive na semana passada o seu sangue salvou a vida de um senhor, sabia? “O-” é muito raro, e quando mais precisamos, a sua contribuição estava lá.

Sakura sorriu à medida que os olhos negros de Mikoto marejaram.

Acariciou o crucifixo no pescoço. Entre si e Sakura, qual seria a mais perdida?

Fugaku, entendendo a situação, abraçou a cintura da esposa e lhe beijou o rosto.

— Obrigado. — sussurrou ele em direção da garota, que nem notou a presença da família alí, então seguiu junto da esposa e os filhos para a saída.

Às vezes, fazer o bem não se trata de querer recompensa ou notoriedade. Sakura sabia sobre os boatos sobre si, e mesmo assim continuava sorrindo e doando vida todos os meses naquele hospital.

Seu sangue salvou aquela pessoa, mas no fim, fez muito mais por aquela família do que qualquer um jamais pensou.

Promoveu respeito, humildade, e ensinou que com toda a certeza, não somos ninguém para julgar o próximo.

 



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