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História Prazer (doce tortura) - Capítulo 18



Capítulo 18 - Lugar familiar


Asrael

Jack chegou de quadriciclo naquela manhã.

_ Demais _ sorri, analisando a máquina cromada.

_ Vamos precisar disso para atravessar a trilha até a minha casa.

_ Tem uma trilha?

_ Como eu faria para estar aqui, se não tivesse? _ brincou sorrindo óbvia.

Ao final das aulas, fui com a Jack, abraçado a sua cintura. Ela era pequena, por isso aquilo quase não me passava equilíbrio, mas eu não estava reclamando nenhum pouco dá proximidade. O perfume dos seus cabelos criava uma atmosfera que me levava para uma realidade paralela, onde eu era mais do que seu amigo. Será que eu poderia ser mais do que seu amigo?

A trilha era estreita, o mato rasteito estava um pouco alto, mas Jack dirigia muito bem. Era divertido andar no quadriciclo, e veloz. A fazenda ficava realmente distante do lugar por onde entramos na estrada principal. Realmente difícil de encontrar a trilha sem um guia. Além disso, muitas outras trilhas cegas foram feitas em bifurcações para dificultar o acesso de visitas indesejadas. Até onde ía a loucura dos pais dela?

Chegamos na porteira do grande pasto. A casa e o estábulo ainda eram bem distantes.

_ Esse lugar é enorme. O que o seu pai faz? _ aproveitei para perguntar, enquanto ela abria a porteira para o quadriciclo.

_ Ele é inventor.

_ Um cientista _ sorri _ O que ele inventa?

_ Armas.

Sua resposta fez meu sorriso sumir. Uma boa pessoa não inventa algo que pode ferir, não é mesmo?

_ Relaxa. Ele é o mocinho. Precisamos nos defender, você sabe?

_ Sei _ cortei o assunto.

Chegamos à uma casa grande, moderna, comum. Uma​ senhora muito bonita e bem vestida nos recebeu.

_ Asrael, minha mãe, Sara.

Apertou minha mão _ Obrigada por ajudar a Jack na escola. Eu sei que escolas podem ser um senhor desafio.

_ Ela não precisa de mim realmente.

_ Ah ela precisa sim. Tem um lanchinho na sala de jantar. Vocês devem estar famintos.

_ Obrigado _ soei mais feliz do que deveria.

Depois do lanche, fomos ao estábulo. Estranhamente, eu senti que já conhecia este lugar. Ajudei a Jack a selar os cavalos, mas um cavalo em especial não gostava de mim. Luar estava muito inquieta.

_ Posso tentar acalma-la? _ pedi para a Jack que se afastou do bicho.

Uns minutos sentindo o meu cheiro e o meu toque sobre sua testa, pareceu amenizar as coisas. Ela se acalmou como se nada tivesse acontecido.

_ O que será que deu nela? _ Jack estranhou a reação da égua.

_ Não é ela. Sou eu. Alguns animais não gostam de mim.

Jack

Cavalgamos até o lago natural, o meu lugar favorito na fazenda. O dia estava muito quente, apesar da noite de ontem ter sido fria. Deu para entrar na água de roupa mesmo. Eu havia trocado jeans por shorts e peguei um calção velho do meu pai para o Asrael usar.

_ Tá fria _ ele reclamou antes de mergulhar.

Brincamos um pouco. O helicóptero era visível atrás da casa, também distante.

_ Você sabe pilotar? _ indicou com o queixo.

_ Sei, piloto muito bem.

_ O que mais você faz?

_ Tiro ao alvo, alpinismo, Krav Maga, ballet, estudo mandarin, russo e alemão. Já sei francês, inglês e espanhol...

_ E tem mais!?

_ O que foi? Eu disse que gosto de tudo.

_ Eu não falava de aulas. Falava de coisas como dançar​, ouvir música, ler quadrinhos ou livros de ficção. 

_ Ah, eu gosto de ler ficção?

_ Ótimo, mas isso não melhora muito as coisas. O que você pretende fazer com todas essas habilidades?

_ Ainda não sei o que quero ser.

_ Você poderia ser uma agente super secreta.

_ Desde que inventaram a bomba atômica, não faz mais sentindo entrar em guerra.

_ Tem razão. Seria o apocalipse se houvesse uma guerra.

_ E você, vai fazer o que?

_ Ser mecânico profissional já está bom para mim.

_ Mecânico _ chequei o seu físico _ Por isso você tá em forma.

_ E-Em f-forma? _ cruzou os braços sobre o peito ficando vermelho. Era fácil ver o tom mudar na sua pele branca.

Gargalhei _ Calma. Isso é bom. Quer dizer que você nunca vai ter problemas para conquistar mulheres. 

_ Eu duvido disso _ mergulhou até o pescoço, se escondendo _ Se der uma voltinha por aí, vai notar que essa forma é muito comum neste lugar.

_ Gosto de mecânica. Me ensina?

Achou graça _ E tem tempo, na sua agenda lotada?

_ Tempo é o que não me falta. Diz quais dias fica melhor para você.

_ Vou ver e te falo _ se referiu ao wattsap.

"Antes do sol se pôr, leve o seu amigo para casa." Lembrei da voz da minha mãe dizendo quando cavalgamos de volta ao estábulo.

_ Foi divertido passar a tarde com você.

_ Foi muito divertido. Mas acho que é melhor eu vestir minha roupa para ir. Não é seguro sair a noite pela floresta daqui _ disse como uma verdade absoluta.

_ Meu pai sempre disse isso. Mas o que quer dizer, realmente?

Ele me encarou com olhos graves e sérios _ Lobisomens.

_ O que? _ comecei a rir sem parar.

_ Não ria de mim. Estou falando sério.

_ Ah, claro. Você me pegou.

_ Tá bom. Não acredita. Apenas não entra a noite na floresta, okay? _ seu olhar era muito sério.

_ Okay.

O que será que o Asrael pensou quando inventou aquela história de lobisomem? Existe mesmo alguém que acredite nesses mitos hoje em dia? Sem falar que hoje nem é noite de lua cheia.

A sua casa era modesta, mas todos tinham um quarto individual. Conheci o quarto do Asrael. Ele me mostrou sua coleção de quadrinhos, os CDs das suas bandas favoritas, e a sinopse de uma série que ele estava assistindo agora.

Esbarramos na sua irmã na saída do quarto.

_ Kate _ Asrael quebrou o silêncio _ Esta é a Jack. Ela veio me trazer em casa, e já está indo.

_ Muito prazer, Jack.

_ O prazer foi meu. Você tem uma linda casa _ falei, pois sabia que era ela quem mantinha a ordem de tudo.

_ Obrigada. 

Íamos saindo quando ela acrescentou _ Não ande nas floresta durante a noite. Tem lobisomens.

Pela seriedade que ela imprimiu no aviso comecei a duvidar das minhas convicções.

_ Qual a sua música favorita?

Asrael quis saber na despedida.

_ As quatro estações, de Vivaldi.

Acho que ele não sabia que música era, pois nem comentou. Apenas me beijou o rosto de um jeito que eu senti como se tivesse sido na boca, e se afastou para que eu subisse no quadriciclo. Peguei a estrada depois.

O sol estava se pondo e eu acelerava para conseguir chegar antes de anoitecer. As árvores ao meu redor que eram e sempre foram o meu abrigo, agora me davam um certo temor.

Tive um sonho naquela noite. Eu seguia pela trilha ao pôr do sol, mas não conseguia chegar. As vozes do Asrael e da Kate ecoando "Não ande pela floresta... Há lobisomens". Lembranças do que aconteceu no estábulo com aquele animal estranho, na véspera da minha primeira aula, me vieram a mente.

 Eu estava quase chegando na porteira, quando aquele mesmo animal avançou sobre mim, me tirando do quadriciclo. Eu pequena aninhada em seu abraço, nossos corpos voando no ar antes do encontro com o chão. Eu tremia de medo. Mas porque, se ele sequer rosnou? 

O impacto no chão, nunca aconteceu, eu acordei.



Notas Finais


❤️


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