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História Prazer final. - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa leitura. ✨❤️
Irei postar nos dias: Segunda, Quarta e Sexta.

Capítulo 2 - As aparências enganam


Fui trazida para uma sala, me lembra a que estive durante o interrogatório, no entanto, este local é mais amigável - se assim posso dizer. Foi posto em cima da mesa de metal uma toalha branca com café preto e outro com leite, não gosto de nenhum dos dois. Não me deixaram com algemas aqui dentro, coisa que normalmente ocorre. Enquanto observo fixamente meu reflexo no café, uma moça entra. Está bem vestida; uma saia preta de couro cintura alta, um blaser preto e uma blusa da mesma cor, salto também preto; me parece que vai a um funeral.


-Olá.


A mulher diz sorrindo amigavelmente, como se estivesse aliviada por eu não ser alguém fisicamente assustadora.


- Oi. Sorrio largamente.


- Me chamo Radassa, prazer te conhecer, tudo bem?


- Sou Angela, o prazer é todo meu, estou ótima e você?


Como alguém pode estar bem em uma prisão? Que pergunta estúpida.


- Estou bem, obrigada. Eu sou psiquiatra e achei o seu caso bastante interessante, gostaria de saber mais sobre sua vida, não apenas sobre seus assassinatos, mas sim tudo sobre você. Você aceita?


Quando me disseram que iria ter uma visita especial, definitivamente isso não era o que eu esperava.


- Está aqui para tentar me tratar ou algo assim?


- Não, eu tenho uma área de pesquisa voltada à assassinos em série e acredito que você seria valiosa.


- Por que seria?


- Você cometeu vários assassinatos em um curto período de tempo, o que também a levou a ser pega rapidamente.


- Fui pega propositalmente.


- Sério? Conte-me mais.


- Achei que iria ouvir toda a minha história.


- Sim, claro, vamos do início.


- Bem, o que posso considerar um início?


- Qual foi o primeiro momento em que você começou a fantasiar sobre mortes?


A questão não é essa, a questão é quando eu não fantasio sobre a morte. Neste exato momento é a única coisa em que consigo pensar, ela ficaria linda sangrando.


- Acredito que desde muito nova, mas não considero isso um início, afinal não é crime imaginar, inclusive é aconselhável ter uma boa imaginação.


- Conte-me sobre seu primeiro crime.


- Certo, sai de casa aos 20 anos, minha mãe se jogou de um viaduto poucos meses depois e não sei ao certo se foi por vontade própria, e...


- Como assim? Por que não seria vontade própria?


- Você sabe quando as mães fazem o questionamento de "Se seus amigos fossem se jogar da ponte você iria junto?" Acredito que nesse caso, eu que faria essa pergunta para ela em questão da relação dela com o namorado. Ele era um cara estranho, muito quieto, retraído, a aparência também não era um dos seus fortes, mas ainda assim minha mãe era perdidamente apaixonada. Uma vez disse a disse que ela ficava ótima de vermelho, ela usou o único vestido daquela cor por uma semana inteira. Não sei se ele que se encarregou da lavagem cerebral ou ela a fez sozinha, soube que ele terminou com ela um dia anterior ao suicídio, ele foi parcialmente culpado, mas não o julgo de tentar se libertar das amarras sufocantes que ela colocava todos. Meu pai foi embora pelo mesmo motivo, então talvez não fosse culpa do novo namorado, mas ela teve a mim para transferir sua carência excessiva, desta vez ela estava sozinha. Voltando, isso me afetou um pouco, é insuportável vê o quão carente alguém pode ser a ponto de se suicidar para ter atenção apenas para si, fiquei num quarto escuro apenas bebendo água por alguns dias, em silêncio ouvindo apenas meus pensamentos. Quando percebi que talvez isso tenha sido o melhor, que ela não seria uma velhinha precisando de mim todos os dias, dependendo de todos do modo como queria, este tinha sido seu último show, e ai tudo passou. Ao menos agora ela não precisaria ficar em busca todos os dias por alguém para a sustentar, já que ela atribuiu a si que precisava desesperadamente do outro e não de si. Acredito que foi a partir disso que senti repulsa por relacionamentos, tive um, mas o garoto me traiu e terminou porque selecionou alguém melhor, mais uma prova de que se relacionar com os outros só te deixa vunerável, é um sentimento deplorável. Bem, me estendi demais nisso novamente, perdão.


- Tudo bem.


- Você é muito bonita, nunca testei com mulheres mas eu te daria uma chance.


Ela se endireita na cadeira e e recua um pouco, talvez a assuste mas sua ação foi tão sutil que se toda a minha atenção não estivesse direcionada a ela, eu não perceberia.


- Podemos ir diretamente ao seu primeiro assassinato logo? Ela massageia a testa com o polegar e o indicador alertando sobre sua impaciência.


- Se você não tem o paciência para ouvir a minha história, o que faz aqui? Se quiser uma confissão, sinta-se livre ao buscar nos altos do processo, lá terá muitas de diferentes pessoas, aparentemente vocês gostam mais da violência do que dizem. Vi muitos maravilhados com cada uma das minhas palavras, muito mais que você, acredito que não se importavam muito se era real ou não cada detalhe, o importante era que consideravam interessante e quiseram continuar a me ouvir sem parar. E agora quando te conto coisas inéditas sobre mim, não se demonstra interessada. Não era você que queria saber mais sobre mim?


- Sim, perdão, minha cabeça está doendo um pouco, pode continuar.


- Após a morte da minha mãe decidi mudar de cidade, estava difícil encontrar emprego, consegui alguns temporários de babá, diarista, recepcionista, garçonete, entre outros, mas sempre era para ser apenas uma folguista, quando finalmente consegui o emprego de balconista num restaurante, o agarrei como pude por volta de um ano e alguns meses, até que uma garota mais jovem e melhor apresentada acabou me substituindo e fui demitida.

Possivelmente aquela vadia deu para o dono, mas esta não é uma observação adequada.


Aconteceu no mês do meu aniversário, e quando finalmente chegou o dia, gastei todo o pagamento que recebi pelos dias que trabalhei com bebida. Consegui passar aquele mês sem precisar trabalhar, meu apartamento logo virou um amontoado de embalagens de salgadinho e doces, além das roupas sujas que eu tirava do corpo em qualquer local ao sentir o odor do meu próprio suor que se acumulava por dias. Minhas economias estavam no fim. Sai uma noite, comprei uma garrafa de vodka e por toda a noite recebi investidas de homens que nunca havia visto na vida e percebi algo incrível que tinha nas mãos, o meu próprio corpo, cada um usa sua moeda de troca com o que tem a oferecer, certo? Seja inteligência, carisma, estratégia... Eu tinha meu corpo, mas pensei sobre todos os riscos da prostituição, estupro, morte, ou até mesmo não ser paga no fim. Voltei para a cama bêbada e sonhei, tive uma revelação do que fazer, fotos e vídeos do meu corpo, vídeos ao vivo. Talvez desse certo, então decidi tentar. Após uma semana já tinha as dividas pagas, mas era a única coisa que conseguia pagar, não tinha lazer ou proveito algum. Uma noite fui chamada para um jantar em que seria paga 500 reais, simplesmente por trocar algumas palavras com um cara aleatório e que aparentemente era tão carente quanto minha mãe. No fim, aceitei, fomos até o restaurante do hotel em que ele estava hospedado, era enorme, era visível de longe pois também era muito bem iluminado, óbvio que fiquei encantada, pensei até na possibilidade de que se ele não fosse deplorável ter um relacionamento, onde ele poderia me presentear com tudo que eu merecia, tudo onde eu deveria ter ganho de meus pais se pensassem um pouco menos em suas próprias realizações. Ao entrar, o procurei rapidamente com os olhos e logo encontrei, era o único homem de terno que segundo ele era salmão mas para mim soava mais com um tom rosa bem forte. Era careca, baixo e deveria pesar uns 100kg. Cheguei perto e me apresentei, ele levantou, beijou minhas mãos e ajudou a ajustar a cadeira abaixo de mim, mesmo que eu não precisasse de ajuda. A conversa era boa, seus gostos para vinho e seus acompanhamentos eram ótimos, me trouxe confiança, ri várias vezes durante o jantar então não achei absurdo ele me chamar para buscar o dinheiro no quarto dele. Afinal de contas ele havia gastado todo o dinheiro que havia levado consigo no jantar. Subi confiante, todo o trajeto fui rindo, alegre, mas todo o riso se dissipou no momento em que entrei em seu quarto e o vi fechar a porta.


Notas Finais


Obrigada por ler até aqui.


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