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História Preciso de você - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Falta escrever só um capítulo agora, eu acho, se não vier mais nada na cabeça 🌚🍷

Capítulo 8 - As últimas palavras


Era impossível não acreditar em destino quando as coisas aconteciam daquela forma. Eu estava tentando levar uma vida normal, depois do rompimento, definitivo, com Jungkook. Estava focando no meu sonho, embora tudo que eu escrevesse ainda fosse sobre ele. Em alguns meses minhas aulas teriam início, o que era ótimo, porque com seu casamento cada vez mais próximo, eu tentava distrair minha mente. Acabei abrindo um perfil no soundcloud e comecei a publicar minhas músicas, mesmo amadoras eram significativas para mim e estavam me ajudando no meu processo de desilusão amorosa. Por mais que as pessoas achassem que eu voltara a ser o Yoongi de sempre, eu ainda sentia sua falta, eu ainda pensava em nós dois o tempo todo e isso era tudo o que restava, lembrar e nada mais.

Fazia mais ou menos um mês que eu havia recebido o convite de seu casamento. Sabia que não havia sido enviado por ele — Jungkook não faria algo assim e, silenciosamente, prometemos que aquela noite seria nosso último encontro. — muito provavelmente era uma forma de Yugyeom ou da senhora Jeon, que sempre me odiou, me torturarem por ter me atrevido a me envolver com Jungkook. Eu ainda estava machucado, mas não permiti que aquele gesto infantil me abalasse. Estraçalhei o convite em pedaços menores que os fragmentos que ele deixara o meu coração e os atirei no lixo.

No entanto, a data ficara gravada em minha mente até faltar uma semana para a cerimônia. E quanto mais se aproximava da data, mais um mal estar, repentino, me dominava. Meus avós começaram a se preocupar de novo, por eu estar abatido outra vez, por não estar comendo, o que me causava tonturas e uma grande sonolência, mas eu andava tão enjoado que, mesmo sentindo dor de cabeça, não conseguia engolir nada. Esses sintomas perduraram por uma semana e, então, eu comecei a sentir um pouco de cólica e notei um leve inchaço abdominal. Temi que fosse apendicite e marquei uma consulta com o médico que cuidava da minha saúde desde que nasci.

Estranhei quando ele me encarou, suspeito, e de repente pigarreou.

— Yoongi, você já teve relações sexuais?

Corei forte e de forma bagunçada lhe respondi:

— S-sim, mas o que isso tem a ver com apendicite?

— Nada. Qual foi a última vez que você teve relação sexual?

 Uns dois meses… Não tenho certeza. — respondi sem jeito.

— Sabendo como é o seu corpo, você tomou alguma medida preventiva?

— Sim. — respondi seguro, afinal, era raro não usarmos camisinha.

 Tem certeza? Não precisa ter vergonha.

Mesmo não querendo, lembrei da última vez que transamos, fora nossa despedida, estávamos um tanto afobados e…

— Pensando bem, esquecemos algumas vezes, inclusive dessa.

Ele riscou algo na prancheta.

— Dr. Kim, o que isso tem a ver com a suspeita de apendicite?

 Não há suspeita de apendicite, Yoongi. Levanta-se.

O obedeci e ele saiu de trás da mesa, vindo para a minha frente.

— Levante sua camisa, por favor. — fiz o que me pediu e ele tocou minha barriga. — Veja bem, Yoongi, você disse que não consegue comer por estar enjoado, certo? — confirmei. — Se fosse apendicite, nem apetite você teria. Também você foi bem específico sobre estar sentindo cólica, não uma dor bem aqui. — tocou próximo ao meu umbigo, puxando mais para o lado direito. — Além do mais você não citou nenhuma febre ou problema digestivo…

— E o que isso quer dizer?

— Que eu vou precisar de um exame de sangue beta-HCG para lhe dar uma resposta, mas de primeira mão, posso te deixar em alerta de uma possível gravidez.

— E-eu não posso estar grávido, eu sou um cavalo-marinho… Meu parceiro teria que ser também…

 Você não sabia?

— Não, mas quais as chances disso acontecer? São mínimas…

— Seu pai disse a mesma coisa, Yoongi. Se você não sabe a ancestralidade do seu parceiro, deve se prevenir, aliás, deve se prevenir sempre, até com outras espécies. Não preocupe seu médico. — sorriu amigável. — E seja cauteloso, mesmo sendo uma suspeita, tenha cautela de um gestante, okay?

 O-okay… — respondi automaticamente.

Não conseguia processar que os Jeon fossem descendentes de cavalos-marinhos, embora fizesse sentido, algumas peças pareciam se encaixar. Principalmente, sobre a tradição desesperada da família Jeon para manter a linhagem.

 Quando eu pego o resultado? — perguntei assim que Seokjin coletou meu sangue.

Não podia ter pensamentos precipitados, era só uma suspeita. Eu estava bem chocado com a possibilidade, mas no fundo eu não acreditava que ela fosse real, seria assustador demais. Eu não queria ter um bebê, sozinho… E os Jeon com certeza não iam querer saber da existência daquela criança.

— Eu vou providenciar o mais rápido possível para você. — me tranquilizou, tendo em vista que a rede pública demorava muito para dar resultados. — Eu ligo para sua casa, avisando.

 Obrigado, Dr. Kim.

Saí do consultório, apavorado. Se eu estivesse mesmo grávido, como isso afetaria a minha vida? E se eu fosse como o meu pai e rejeitasse meu filho no nascimento, me tornando completamente inapto para cuidar dele? Eram tantas possibilidades assustadoras, que até chegar os resultados do exame, eu vivi um novo inferno mental, cheio de enjoos matinais.

E faltando quatro dias para o casamento de Jungkook, recebi a ligação que esperara a semana inteira.

— Yoongi, o resultado foi positivo. Venha ao consultório o mais rápido que puder para eu fazer um check-up geral em você, te prescrever algumas vitaminas e uma nova dieta… E também para conversarmos. Você está bem? — percebeu meu silêncio.

 E-eu não sei. — minha voz falhou pelo choro repentino.

— Você está com oito semanas e seis dias, se não quiser ter o bebê, precisa se decidir logo. Saiba que tem uma escolha.

 Eu vou pensar. Obrigado, de novo. — encerrei a ligação.

Lembro que me joguei no sofá e encarei o teto por quase duas horas. Não acreditava que Jungkook e eu éramos iguais e que, por causa disso, eu carregava um filho nosso. Não sabia o que fazer, se eu queria ter a criança, se eu lhe contaria sobre ou se a teria sozinho. Me assustava pensar que lhe contar sobre nosso filho não mudasse em nada sua decisão e me assustava que ele fosse o único motivo para tê-lo de volta. Eu não queria isso, por mais que eu quisesse que as coisas voltassem ao que eram, que pudéssemos criar nosso filho, juntos, eu não queria que ele fosse a amarra entre nós dois.

Passei a noite em claro e acabei tomando uma decisão. Eu teria nosso filho, sozinho, e cuidaria dele. Eu estava feliz que o Dr. Kim tivesse me dado uma outra escolha, mas eu não conseguiria fazer isso. Eu, com certeza, não queria ter um filho tendo apenas dezoito anos, nada disso havia sido planejado, ainda mais sem seu outro pai, mas já havia acontecido, eu já havia perdido a oportunidade de ser cauteloso.

Para reforçar minha decisão, contei a notícia aos meus avós, firmando o compromisso de levar aquela gravidez até o fim. Não contei quem era o pai, bem, não contei detalhe algum e eles não disseram nada, estavam felizes de saberem que teria mais um Min no mundo e eu me acostumei tão rápido a ideia. Passava o dia, acariciando minha própria barriga, que mal aparecia, pensando nos possíveis nomes, tanto para meninas, quanto para meninos. Não tinha preferência, só queria que fosse uma criança saudável e, secretamente, desejava que se parecesse com ele. Queria que nossa criança tivesse seu sorriso infantil e a pinta fofa abaixo de seu lábio inferior. Que puxasse seus olhos grandes e negros e o tom bronzeado de sua pele. Me pegava rindo, como não fazia há um tempo, só de imaginar os dedinhos de seus pés. Queria mais que tudo ouvir a risadinha, quando lhe fizesse cócegas ali…

Idealizar nosso bebê, me fez sentir falta dele de novo, nunca havia passado, mas era diferente, sentia sua falta com bons sentimentos. De modo impulsivo, eu fui ao seu casamento. Me sentei no fundo da igreja e tentei não chorar, ao ver como Jungkook estava bonito no altar. Ele havia colocado os cabelos para trás, vestia um terno bonito e bem ajustado ao seu corpo, não parecia ter dezoito anos, parecia ser um adulto maduro, o ideal da família Jeon. Logo Kim Yugyeom chegou, para se tornar Jeon Yugyeom muito em breve e, então, em seu terno branco, percebi que era um homem. A primeira vez que o vi, jurava que era uma mulher, com aquela aparência andrógina, as roupas, acessórios e, até mesmo, sua voz suave, embora rude.

Nenhum dos dois pareciam felizes e agora que sabia quem Jungkook era, me perguntava se ele conseguiria manter seu casamento. Afinal de contas, assim como os cavalos-marinhos, nossos sentimentos são exclusivos, por isso eu sabia que o amaria para sempre e sentia nojo que outros se aproximassem de mim. Porém eu não tinha o senso de obrigação que aqueles dois tinham em manter a linhagem.

Todos choraram na cerimônia, mas somente eu chorei de tristeza e saudade, pois eu estava me despedindo de nós dois. Estava ali para que a realidade penetrasse meu ser, para que eu pudesse recomeçar minha vida com minhas novas escolhas.

— O que está fazendo aqui? — Jungkook me puxou para trás de uma coluna, no meio da recepção do casamento.

— Meu nome estava na lista de convidados, não viu?

— Eu não participei muito disso. Mesmo assim, porque está aqui, Yoonie? — encostou a testa na minha.

 É meio masoquista, ne? Eu não parei de chorar desde a cerimônia, mas eu precisava disso. Eu queria ver acabar de verdade. Agora não tem mais jeito, Jungkookie. Eu precisava te contar uma coisa. — acariciei seu rosto, sorrindo no meio das minhas lágrimas. — Eu te perdoo. Eu sei que disse que nunca ia poder, mas tudo mudou. Eu percebi que somos almas gêmeas, Jungkookie. Acredita? — ele assentiu e percebi que também chorava. — Eu não posso mais ficar chateado, porque tudo que aconteceu entre a gente, tinha que acontecer mesmo. Só demos azar.

— Eu vou te amar para sempre, Yoonie. Dessa vez é verdade, eu não vou poder cumprir a outra promessa, mas essa eu te garanto. É como você disse, somos almas gêmeas, eu sinto isso também.

E, de modo atrevido, eu beijei o noivo de outra pessoa. Segurei-me firme a sua nuca e degustei do sabor salgado de suas lágrimas, junto as minhas. Jungkook apertou minha cintura e colou seu corpo no meu. Encostei minha barriga na sua, queria que de algum modo ele sentisse nosso filho ali, seria o único modo que ele o teria nos braços um dia. Quando eu fosse embora, nossos caminhos jamais se cruzariam. Jungkook e eu tínhamos vidas muito distintas e mesmo que o universo tivesse conspirado de várias formas para que nos encontrássemos e nos apaixonássemos, essas diferenças nos afastaram em um estalar de dedos.

Afundei meus dedos entre os seus cabelos bem arrumados, como costumava fazer, e encerrei nosso beijo. Encarei ele bem nos olhos e eu já não chorava mais, me sentia momentaneamente tranquilizado.

 Então, é assim que acaba… — sussurrei e, pela última vez, lhe deixei ouvir. — Eu te amo, Jeon Jungkookie.

— Eu te amo, Min Yoonie.

Jungkook estava um belo noivo e eu havia ficado charmoso no meu traje a rigor, mas aqueles não eram nossos votos, era o nosso adeus.


Notas Finais


Se vocês choraram nesse cap, eu tenho que alertar, que vocês não estão prontos para o capítulo seguinte 😔✊🏽💔


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