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História Predestinada - Capítulo 12


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Notas do Autor


Desculpem pela demora, mas aí está mais um capítulo, espero que gostem. Perdoem qualquer erro ortográfico e boa leitura.

Capítulo 12 - Submersa em mágoas


Acordo ofegante, meus olhos banhados em lágrimas meus soluços são evidentes e o mal estar é insuportável, tento regularizar minha respiração, meus pulmões ardem e minha garganta queima, isto é, apenas um por cento da sensação real que eu senti a exatos trinta e dois dias.

Levanto da cama e sigo cambaleando para o banheiro, lavo os resquícios de lágrimas do meu rosto e encaro meu reflexo no espelho.

– isso está tão errado, tão errado. – murmuro para mim mesma.

Retorno para o quarto, mas tenho medo de dormir e acontecer tudo de novo, pego um quadro em branco tintas e pincéis, foro jornais no piso e apoio o quadro em um cavalete de mesa para pintura e começo a retratar todos os meus sentimentos em traços de uma pintura, tento demorar o máximo possível, será o bastante por enquanto.

Duas, três, quatro, cinco horas da manhã e enfim, termino meu quadro, suas cores escuras o tornam dramático e triste, ele se resume em uma menininha com medo do escuro, sua melancolia é perceptível, porém ele transmite muito mais que isso, seus traços são fortes e o contraste em um todo é bastante compreensível, e isso é a minha marca eu sempre transmito meus sentimentos e emoções em tudo que faço e ganho destaque com meus quadros e pinturas. Sou uma das mais jovens artistas do Brasil tendo alguns de meus quadros bem avaliados em galerias de artes do Brasil e o dinheiro arrecadado eu dou para instituições e orfanatos, inclusive tenho que fazer alguns cálculos pois pretendo fazer outras doações com o auxílio pensão que passarei a receber, não que eu necessite sou realmente independente tenho investimentos em bolças de valores e sou bem remunerada porém, é um direito meu que não estava em meu alcance recusar então vou dar um destino melhor para ele.

Me sinto esgotada e extremamente incapaz de sair e ver pessoas, me sinto cada vez mais afundar em um abismo de trevas, estou cada vez mais cansada de fingir estar bem e isso também me cansa. Mandei uma mensagem para Bella falando não está disposta a sair de casa pelos próximos dias.

Sábado chegou lentamente e em nenhum momento dos últimos três dias me senti disposta a ir a escola, Bella sempre batia na porta para saber como estava mas apenas a ignorava, Elena sempre me ligava mas eu nunca atendia, apenas respondia seus e-mails, minha alimentação é quase nula.

Meu humor está péssimo e minha casa uma bagunça, não tenho disposição pra quase nada, ando tendo sonhos estranhos e meus pesadelos se tornaram frequentes, sem falar na estranha sensação de estar sendo observada, a mesma sensação que senti naquele dia na floresta e juntando isso tudo, acaba por inibir meu sono, minhas olheiras estão profundas e escuras, minha aparência tem se tornado cada vez mais deplorável, meu cabelo se encontra opaco e minha pele mais pálida que o normal, sem contar na minha alto-estima que está lá embaixo, nem acredito que cheguei nesse ponto de novo...pra falar a verdade acho que nunca sai de lá.

O buraco que se encontra em meu peito é imensurável e está sugando minha pouca sanidade restante. Me sinto submersa em mágoas.

No momento são exatamente cinco horas da manhã e eu estou fazendo cálculos e separando uma quantia para doações e acabo por me lembrar da senhora Jones, ela vendeu essa casa por está passando por momentos difíceis, sua netinha está com câncer e sua renda é insuficiente para os tratamentos caros foi o que levou a venda precoce dessa casa.

Suspiro pensando o quanto deve ser difícil para eles, eu sempre fiz visitas em hospitais a crianças com câncer junto com Marcos, desde os meus sete anos, no início era apenas parte do meu tratamento, mas com o tempo se tornou-se muito mais que isso, vê os sorrisos daquelas crianças mesmo estando passando por momentos tão delicados me enchia de paz, porém muitas delas ficavam deprimidas e fazer parte de projetos voluntários para levar um pouco do ar pesado que é está em um hospital era muito reconfortante.

Decido fazê-la uma visita e levar um presentinho para eles. Separo minha reserva de dinheiro que tenho guardada aqui em casa em um envelope e levanto da minha cama, tomo um banho rápido e desço para preparar um café da manhã reforçado.

Após terminar de me alimentar arrumo a bagunça que se encontra a minha casa, lavo a louça suja e arrumo o andar de baixo, após terminar subo para os quartos, arrumo meu quarto e retiro as caixas e resto de envelopes dos embrulhos que desfiz no outro quarto. Suspiro observando os amontoados de caixas que ainda faltam ser desembrulhadas.

Depois de terminar tudo adentro meu quarto e tomo um outro banho mais demorado, hidrato meu cabelo, após o banho me arrumo e sigo para a garagem com tudo que preciso em mãos e acelero para a o endereço que se encontra em minha agenda.

Após alguns minutos chego no endereço correto, se trata de uma casinha simples de primeiro andar na cor azul marinho, com um pequeno jardim bastante verde e com flores e plantas bem cuidadas.– Acho que devo cuidar melhor do meu jardim da mesma forma, acredito que Sra. Jones não ficaria feliz se seu antigo jardim fosse destruído por falta de cuidados. – penso enquanto subo a pequena escada que dá a porta do entrada.

Toco a campainha e espero alguém atendê-la, o que acontece em poucos segundos. A senhora de cabelos pouco grisalhos abre delicadamente uma fresta para que possa me receber.

–Olá senhora Jones.

— Olá querida em que posso ajudá-la? – Seus olhos curiosos me analisam e ela me mostra um sorriso doce.

— Bem...me chamo Gabrielle e sou a nova proprietária da sua antiga casa. Vim agradece-la pela atenção e carinho em cada detalhe e por deixar tudo pronto para a minha chegada. Realmente está tudo em ordem.

— Ah querida não foi nada. Vamos entre por favor. – Fala doce e lhe acompanho até a pequena sala e me acomodo ao seu lado em um dos sofás. — Você foi muito solicita pagando além das minhas expectativas, devo-lhes dizer que realmente o acréscimo que você pagou foi de grande ajuda.

— Fico feliz, inclusive eu trouxe isso espero que ajude. – Falo estendendo o envelope com a quantia de dinheiro que separei especialmente pra ela.

Senhora Jones abre o envelope cuidadosamente e fica surpresa com seu conteúdo.

— Ooh querida...eu agradeço, mas, não posso aceitar. – Fala e em seguida pega uma das minhas mãos depositado o envelope na mesma. – Ela me olha com seus olhos doces pretos que me lembram jabuticaba, meu coração se aperta.

— Mas é claro que pode, eu separei especialmente para a senhora, não precisa se preocupar tem muito mais de onde veio e eu não tenho em que gastar, então faço doações para ONGS e instituições, esse separei especialmente para a Sra., peço que por favor aceite...pela sua netinha. – Vejo seus olhos se encherem d’água, sei que as coisas andam bastante difíceis para ela.

— Nem sei como agradecê-la. – fala toda comovida.

— Não precisa agradecer, apenas aceite é de coração. – Falo sincera.

— Sabe é difícil, depois que descobrimos a doença, tivemos que nos desdobrar meu filho faz o possível para ter uma renda melhor trabalhando em dobro e isso me preocupa pois se ele também adoecer não sei o que será de nós, Sophia e eu dependemos dele, eu já sou uma mulher velha de 51 anos e ajudo no que posso. Ele cuida da lanchonete quase sozinho por que não temos uma renda grande o suficiente para contratar mais de dois ajudantes desde que nós apertamos com os remédios e empréstimos para os tratamentos caros de Sophia.

— Nem imagino o quanto deve estar sendo difícil, mas lhes ofereço minha ajuda pela pequena Sophia espero que aceite!? – Falo doce e comovida.

— Obrigada você é realmente um anjo, fazendo tanto por estranhos. – Fala colocando suas mãos sobre as minhas. – Sorrio compreensiva, passando conforto.

Após um longo tempo conversando e depois de experimentar uma das melhores tortas de morangos que já comi, descido que já está na hora de ir embora.

— Bem senhora Jones eu preciso ir agora, mas prometo voltar e acompanhá-la até o hospital, quero muito conhecer sua netinha e também irei visitar as outras crianças. Mais uma vez obrigada pela torta estava realmente uma delícia.– Me despeço com um singelo beijo em sua bochecha e sigo para meu carro, após adentrá-lo sigo para Port Angeles.

Preciso fazer algumas transações e transferências, como também sacar algum dinheiro para mim não que em Forks não tenha local para isso mais preciso comprar algumas coisas para as crianças e aqui em Forks é bem limitado.

Após terminar os meus afazeres e guardar todas as compras que fiz no porta malas e no banco do passageiro, sinto meu estômago roncar e percebo que estou faminta, afinal já são 15:00 horas sigo de volta para o shopping indo para a praça de alimentação, o cheiro de comida me faz salivar talvez eu precise mesmo disso.

Após enfrentar a pequena fila efetuo meu pedido, nada mais que um grande hambúrguer com fritas e um enorme copo com milk shake de chocolate meu sabor predileto, bom na verdade sou apaixonada por chocolate e isso não é uma novidade para o meu gosto peculiar.

Me acomodo em uma das pequenas mesas de 4 lugares do enorme refeitório e aguardo meu pedido ficar pronto. Sou surpreendida com duas pequenas mãos delicadas em meus ombros e um pequeno corpo se acomodar atrás de mim.

Após virar meu corpo e meus olhos se encontrarem com os seus, observo Esme e Rosalie se aproximarem.

— Oi, que surpresa agradável te encontrar aqui! – Alice fala enquanto se move e se senta a minha frente, sua animação é exorbitante. Observo por segundos seus olhos que estranhamente estão mais escuros, mas tento ignorar e não fazer perguntas desconfortáveis.

— Ah, sim! Realmente uma surpresa. – Falo desanimada e deixo um suspiro escapar de meus lábios, o que não passa despercebido pela morena.

— Algum problema? – Alice questiona enquanto as outras duas Cullens finalmente se aproximam.

— Olá Elle!? – A matriarca me cumprimenta com um singelo sorriso.

— Elle!

— Sra. Cullen, Rosallie. – Cumprimento de volta.

— Desculpe-me por Alice ela é bastante afobada as vezes. E por favor me chame só de Esme querida.

— Bem, vocês querem sentar? – Pergunto tentando ser educada.

— Bem não queremos incomodar...não é Alice? – Os olhos acusadores de Rosalie fitam Alice.

— Bom vocês podem ficar e me fazer companhia, confesso que não queria companhia mas acho que me fará bem. – Falo sincera. E ouço o aparelho apita sinalizando que meu pedido estava pronto.

— Bem vou pegar meu pedido e volta rapidinho. – Sigo até o balcão da lanchonete e retiro meu pedido voltando novamente para a mesa. Encaro as três mulheres com aparência impecável e observo o quanto elas chamam atenção com suas belezas tão peculiares.

Me acomodo junto a elas e apenas observo o diálogo animado entre as três sobre roupas, sapatos e tudo que envolva estética, mantenho minha atenção entre elas e a deliciosa refeição nem um pouco saudável que devoro incessantemente, por vezes sinto o olhar de Esme em mim, sua preocupação é evidente.

— Elle por acaso você tem se alimentado adequadamente? Sua aparência mostra que você está mais magra e essas olheiras indicam que não tem dormido o suficiente para uma pessoa saudável.

Paro de mastigar e engulo o que se encontra em minha boca levo guardanapo aos lábios para livramos de qualquer resquícios de resto de comida e enfim encaro seus olhos.

— Estou bem. – Falo simples, tomando posse de meu milk shake.

A tenção entre as três é perceptível quando as mesmas trocam olhares significativos.

— Olha Elle você pode contar conosco para o que precisar, as meninas me contaram que você tem faltado as aulas – suspira – sentimos muito pela sua perda e entendo que seja difícil para você, mas não pode se entregar a escuridão e ficar deprimida para sempre. É normal perdermos pessoas e acredite não é o fim. – Fala colocando suas mãos sob as minhas, seu olhar é repleto de amor e compreensão, mas ela está errada, para mim era o fim eu só não quis aceitar.

Desvio meu olhar do seu e encaro um casal com seus dois filhos em uma das mesas próximas eles parecem felizes e por um momento me recrimino por sentir inveja deles. Suspiro desepcionada comigo mesma.

— Sim é normal perder pessoas, mas eu não o perdi...é diferente, não é como se ele tivesse morrido atropelado por um bêbado ou tido um AVC e simplesmente morrido. E ele era tudo pra mim, nada mais importa. Você não sabe de nada, não tente menosprezar a minha dor, não me conhece e não sabe pelo que já passei. Obrigada pela preocupação, mas não preciso da sua pena.

As lágrimas crispam em meus olhos e luto para não derramá-las, suspiro levantando da cadeira e encaro a mulher que me escara atordoada.

Não direciono meu olhar para nenhuma das filhas de Esme, elas devem me odiar agora.

Meus passos são rápidos, minhas pernas se movem sozinhas minha mente se encontra nublada e uma dor excruciante atravessa meu coração atravesso o estacionamento em poucos minutos e sigo até meu carro.

O caminho até minha casa é repleto de melancolia e arrependimento talvez eu tenha sido muito ácida acidentalmente, mas não suporto que diminuam o amor que carrego por Marcos, nada pode substituí-lo.

Estaciono meu caro na garagem da minha casa mas sigo para a casa vizinha meus olhos vermelhos e inchados pelo choro, mãos trêmulas, acho que preciso de alguém para conversar. Toco a campainha e espero um momento até uma Bella descabelada me atender, quase sorrio com seu estado.

— Oi! – Falo timidamente.— Podemos conversar?

— Elle!? Aí meu Deus você está bem? O que aconteceu com você? Eu andei tão preocupada com você. Por que não me atendeu quando bati na sua porta? – Por um momento seu desespero me diverte. Gargalho com sua reação, mas sei que estou sendo insensível. Paro assim que recebo um olhar ameaçador de Bella.

— Desculpe, mas você estava engraçada, sua reação junto com seu estado totalmente desleixada. – Aponto para seu cabelo e suas roupas amarrotadas.

— Isso...bom estava fazendo faxina, acabei de terminar. – Fala levantando um balde com vários frascos de produtos de limpeza. — Vem entra, vamos para o meu quarto, preciso de um banho.

  A casa está com um cheirinho bom de lavanda e casa limpa, subimos as escadas e me acomodo na cama de Bella enquanto ela toma banho. 



Notas Finais


Até o próximo capítulo.


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