História Predestinados - Capítulo 32


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kris Wu, Lu Han, Personagens Originais, Sehun
Tags Chanbaek, Drama, Exo, Krisbaek, Longfic
Visualizações 105
Palavras 6.928
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Podem dar na minha cara.
Podem me tacar um monte de pedra, podem me jogar por uma janela e xingar até minha próxima geração.
Não tenho nem como me defender desse relapso A B S U R D O DE TRÊS-FUCKING-MESES!!!!!

Desculpas reais do fundo do meu coração galera, principalmente pra quem acompanha diretinho cada atualização. Não sei se cheguei a falar isso, mas o final de Predestinados já tá prontinho na minha cabeça e o que me encrencava era o caminho pra chegar até ele...julgo esse capítulo como o último dessa saga INTERMINÁVEL de falta de criatividade da minha parte, então todos vamos dar as mãos e rezar para que tudo dê certo a partir de agora!

Bom dia e bora lá::::

Capítulo 32 - Capítulo 30: Tentativa


Assim que fechou a porta e se virou para o leito do desconhecido, um curto e forte arrepio passou por sua espinha, fazendo com que seu corpo tremesse involuntariamente antes de puxar algum ar para os pulmões e então dar um passo à frente, caminhando em direção a poltrona estofada para deixar seus pertences e então dar uma última olhada no sono de Baekhyun para que, em seguida, se aproximasse ainda mais da cama.

Com um semblante neutro, não ousou julgar nada do que viu. Nada sobre a aparência apática e pálida, sobre os cabelos opacos que se espalhavam timidamente pelo travesseiro ou sobre o corpo que provavelmente nunca saiu daquela mesma posição até o dia da internação. Num braço, uma pequena mancha roxa que denunciava a veia estourada por aquela enfermeira de pouca prática e no outro a agulha que levava o soro para o seu organismo preguiçoso, coberta por um fino esparadrapo que arrancava uma aflição chata de Saejin.

E também, mesmo que alguma coisa a dissesse que o mínimo a se fazer era aquilo, não ousou julgar nada do que ouviu. Nada sobre as atitudes apaixonadas e decisões precipitadas que colocaram em jogo seu próprio matrimônio. Ao invés, optou apenas por erguer um pouco mais o edredom que cobria o peito magro.

“Eu não sei nem o que dizer pra você...” Não era como se o rancor fizesse de sua garganta um bolo tão grande de palavras que nenhuma delas achasse a saída para as cordas vocais, mas como se nada realmente passasse em sua cabeça num momento como aquele para alguém como Byun. “Eu esperava por isso desde a primeira vez que ouvi sobre você, e agora mal sei o que fazer pra tudo parecer um pouco menos patético.”

Vendo que demoraria um pouco mais que o esperado, olhou em volta procurando por alguma coisa que pudesse aguentar todo seu peso enquanto pensava em como agir; mas a poltrona estava consideravelmente longe e suas mãos coçavam para se encontrar com as do loiro adormecido, chegando à conclusão de que o melhor lugar para ficar realmente era no acolchoado dividido, com as pernas penduradas pelo suporte abaixado que – quando necessário – impedia o risco da queda do corpo ao se erguer como proteções ao lado da maca.

“Dizem que mesmo nesse estado você consegue ouvir alguma coisa...pelo menos eu espero que sim. Não que eu vá cobrar lembranças sobre isso, mas me sinto mais confortável em saber que não estou tagarelando com as paredes, entende?”

Não houve um único espasmo, o levantar de um dedo, um suspiro a mais no meio da respiração estável e nem sequer um muxoxo fraco. Nenhuma tentativa de comunicação mesmo que, acreditava Saejin, de alguma forma tudo aquilo era absorvido sem muito esforço pela atenção que aquela condição obrigava Baekhyun a doar, criando um sentimento misto dentro de seu peito que não sabia ao certo se deveria sentir o incômodo do silêncio gritante ou o alívio das consequências que emudecia o loiro.

“Talvez você tenha sorte de estar aqui. Tem um caos lá fora que definitivamente te daria dor de cabeça...a minha ainda dói.” Olhando diretamente para as pálpebras fechadas, respirou fundo antes de continuar. “Você é realmente bonito.”

Confessou, querendo resumir tudo o que passava pela sua cabeça com aquela única vista em quatro simples palavras. Não podia culpar Kris por ser um louco apaixonado – à ponto de levar bofetadas no meio do rosto – e não devia culpar Chanyeol por ser um, simplesmente, apaixonado. Não era como se o coração pudesse ser controlado, certo? Não era como se Baekhyun realmente pudesse passar algum alto-controle aos emocionais alheios.

“Tem dois homens que gostam muito de você do lado de lá daquela porta. Você provavelmente já sabe, mas eles estão sofrendo com essa situação, todos estão...acho que ninguém esperava te ver tão sem vida como agora, justamente você, que parecia ter toda a energia do mundo só pelo modo como te descreviam. Eu esperava te conhecer no bar do Luhan, num dia em que pudéssemos trabalhar juntos na decoração...parecia uma boa ideia.” Seu próprio sorriso parecia querer leva-la até o dia do casamento de Minhee, quando planejava todas as coisas maravilhosas que podia fazer com o potencial do amigo daquele chinês. “Mas talvez, se tudo acontecesse conforme nossas expectativas, as coisas seriam meio chatas não é? Ninguém teria apanhado e eu ainda estaria noiva.”

Sua intenção não passava perto de ser amargurada, mas gostaria de ter a liberdade de compartilhar livremente seus pensamentos. Não o encarava mais como uma ameaça ou um tipo de desconfiança que mesmo sem querer, sempre estava atrás de sua orelha como uma pulga minúscula e irritante; agora, por esse único e rápido momento, Byun tinha sido promovido à seu maior confidente. Não era mais o antigo namorado de Chanyeol ou o amante de seu futuro marido, era apenas alguém apto e envolvido o suficiente para compreender seu ponto de vista sem nenhum julgamento – ao menos verbal.

“Eu amo ele.” Seus olhos arderam por um instante, o nariz se enrugou pela ardência passageira e depois de um par de piscada lá estavam elas, cristalinas e notáveis escorregando até que chegassem na ponta do queixo para se perderem no tecido do vestido. “E ele ama você...e não precisa de muito pra perceber que isso é correspondido. Então por favor Baekhyun, se você tem o mínimo débito comigo depois de tudo isso, vou cobrar pedindo pra que cuide do Chanyeol com toda a ternura que seu coração carrega.”

Trêmula, agarrou a mão inerte e a colocou entre as suas duas, apertando os dedos na carne gelada ao suspirar com um sorriso bobo no rosto para se convencer de que nada estava tão ruim quanto parecia. Era mais difícil do que os poucos minutos entre olhar no fundo dos olhos de Chanyeol e fechar a porta daquele quarto lhe permitiam pensar. Dar sua bênção ou qualquer coisa parecida à esse casal às vezes não parecia sensato – quando realmente analisava sua situação nos segundos que tomava para distribuir seus suspiros –, afinal era a mão de sua única paixão que entregava a outro homem, mas ao menos podia ser considerada uma saída usar de seu egoísmo destrutivo em prol de nada? Se eu não o tenho, ninguém mais pode ter. Que tipo de linha de pensamento é essa?

Provavelmente alguma que queria ter a coragem para aderir.

“Sei que não vai ser uma tarefa difícil pra você.”

E então um bipe a mais, um pouco mais rápido e quem sabe um pouco mais forte. Um olhar rápido para a tela cúbica, um par de olhos arregalados, uma boca se abrindo aos poucos e um único grito instantâneo chamando por único nome.

“CHANYEOL!!!”

 

˃˃ ˂˂

 

Mesmo sabendo de cor todo aquele caminho em todas as vezes anterior a essa, tinha perdido as contas de quantos quarteirões tinha andado na companhia daquela mala que crepitava atrás de seus pés. Tudo o que sabia era que lá fora fazia frio e, mesmo com a jaqueta pesada lhe cobrindo as costas, suas mãos continuavam tão geladas quanto a ponta de seu nariz enquanto os dedos ardiam por se apertarem na bagagem.

Em sua cabeça tocavam as músicas que gostaria de estar ouvindo, uma tática qualquer usada para deixar o tempo passar na forma de uma bela distração contra seu próprio subconsciente, que insistia em passar repetidas vezes a mesma cena que o levou àquela situação. Nunca – até então – conseguiu carregar sentimento tão pesado dentro do peito; angústia a contragosto que tinha para dar e vender. Nunca havia se sentido tão errado e negligenciado desde o primeiro soco desferido contra o osso de seu rosto, ou tão humilhado no segundo e tão decepcionante no terceiro.

Não sabia dizer em que momento tinha deixado tudo descarrilhar desse modo, mas mesmo confuso em relação a isso acreditava que sua culpa não somava o suficiente para chegar nesse ponto. E daí que não queria se casar? Ao menos não esperou estar num altar para desbancar a cerimônia expansiva criada por sua família. Não foi mais certo desse jeito? Um tanto impulsivo e repentino, mas ainda assim melhor do que um planejamento destrutivo para todos os envolvidos. Como podia se curvar a uma farsa repleta da própria infelicidade apenas para dar orgulho a alguém? Não fazia sentido.

Foi seguindo esses pensamentos junto de seu piloto automático que se viu na rua que queria. As luzes dos postes guiando seus passos para a casa bege e marrom, os olhos correndo pelas portas até encontrar aquela com a luz de fora sempre acesa – é por causa do gato, era o que dizia – e então o sorriso aliviado por encontrar a mesma janela aberta no segundo andar.

Com os pulmões cheios de ar, fez um bico em seus lábios e soltou a respiração no assovio mais alto que conseguiu, puxando tudo de volta para seu corpo com outro som agudo e assim por diante até que o outro saísse de seu conforto e fosse ver o que acontecia no meio da rua; como o combinado feito desde o princípio.

Demorou alguns segundos – mais do que o imaginado – até que a silhueta aparecesse na frente da cortina e o rosto se colocasse do lado de fora para sentir o mesmo vento que o outro, vendo o aceno empolgado que o esperava no gramado e descendo assim que foi chamado insistentemente pela terceira vez, fazendo com que o dono daquela mala a arrastasse junto consigo para a porta da frente e esperasse até que essa fosse aberta.

“O que foi?”

“Oi...” Acanhado, mantinha seu olhar baixo. “Desculpa te acordar eu–“

“Eu não estava dormindo. O que foi?” Seu tom firme se manteve assim como o olhar pesado sobre o seu, ansioso por uma resposta e curioso sobre o desenrolar daquela situação.

“Não consegue adivinhar?”

O sorriso que dançava em seus lábios, mesmo um tanto fraco, era o mais genuíno enquanto dava de ombros como quem se encontrava numa óbvia situação. Seus pés cansados pela primeira vez acreditavam num repouso próximo e seu peito, depois de tanta surra, se permitia um pequeno alivio prévio acompanhado de uma alegria que só era encontrada facilmente no par de olhos à sua frente. Todos os minutos de encontro ao frio, todos os estalos contra o rosto e toda a rejeição contra o ser passaram a valer a pena no instante e que viu a porta se abrir. Estava – enfim – em casa.

“Está de viagem?”

“Eu saí de casa.” A surpresa o acertou em cheio e os castanhos dobraram de tamanho num milésimo. “Como a gente combinava...”

Como eles sonhavam era o mais certo a se dizer, pois foram incontáveis as noites em que passaram tramando planos utópicos de fuga e vida juntos, mas a boca decidiu não dar tempo para a cabeça pensar mais rápido do que a agilidade de soltar o melhor que cabia para o momento, porque a expressão do outro ainda não havia mudado e sua voz não dava o ar da graça desde que as pálpebras pararam de se fechar.

“Bom, foi um pouco mais complicado do que isso, claro. Mas a gente tem tanto pra–“

“Você está com todas as suas coisas aí?”

“Sim.” Deste modo, virou mostrando a mochila.

“Porque você veio aqui?”

“Pra buscar você! Claro que talvez a gente tenha que passar a noite aqui ou em qualquer outro lugar p–“

“Não!” O impediu de olhos apertados e voz grave, surtindo um pequeno susto na empolgação alheia. “Eu quero saber o porquê...” E então, depois de digerir pela segunda vez a pergunta, compreendeu.

E mesmo assim riu.

“Porque nós sempre quisemos isso.”

“Nós?”

O riso morreu.

“O que está acontecendo aqui?”

“Está acontecendo que não existe mais nenhum nós...você deixou isso bem claro na minha frente e na frente do seu pai também.”

E tudo foi ao chão.

“Não entendi...”

“Eu não vou passar a vida do lado de alguém que não me assume, estamos nisso há muito tempo e você teve várias chances de me provar que era eu quem você realmente queria.”

“Eu acabei de ser expulso da minha casa por sua causa! Eu escolhi vo–“

“Não! Não, você escolheu ela! Você escolheu o seu pai e o seu casamento de faz-de-conta! Você me deixou ir embora...me mandou embora.” Sua voz se controlava para não atormentar nenhum sono sensível que pudesse prestar atenção naquele desabafo, ditando num sussurro grosso e quase violento todas as palavras que o outro menos esperava ouvir.

“Mas eu estou aqui agora...” Enquanto isso suas cordas vocais já fraquejavam.

“Mas agora é tarde demais.”

Aquilo sequer era possível?

Depois de tudo era aquilo que receberia como recompensa?

O coração mais arrebentado do que os nervos do rosto, a esperança esgotada até o último pingo de crença, o cansaço pouco a pouco lhe roubando toda a vontade de se manter em seus pés e a decepção lhe dando um chute na boca do estômago. Nada daquilo estava valendo mais a pena. Tudo o que aquele pesadelo lhe rendia, além de dor, era arrependimento. Porque sua alma doía tanto quanto seu corpo e sua confiança quebrada em mil pedaços; as lágrimas que lhe desciam pelo rosto tinha temperatura de raiva e gosto de ódio, seus punhos tinham a vontade de descontar tudo o que não foram capaz de defender momentos antes e sua consciência pesava mais do que todo o sacrifício em vão.

“Você não pode fazer isso comigo.” Ditou entredentes.

“Então observe.”

E assim a porta voltou a fechar na frente de seus olhos, lenta como uma tortuosa provocação e barulhenta como se jamais conseguisse esquecer daquele som.

Sua mala se fazia esquecida ao lado do corpo enquanto a mochila parecia lhe cortar a carne dos ombros, mesmo não fazendo uma única ameaça ao seu bem estar.

Seus dedos tremiam, seus olhos ardiam e seu último suspiro soube...

Tudo havia acabado.

 

˃˃ ˂˂

 

“Posso ver o Baekhyun, filho?”

 

Eu não lembro quanto tempo levou até que eu finalmente tivesse voz para responde-lo, mas ele pareceu se arrastar como uma eternidade. Algo na minha cabeça se confundia entre querer acreditar na cena que meus próprios olhos viam, querer que fosse mentira o que eu ouvia e querer dar toda a permissão do mundo para que ele invadisse aquele quarto quando achasse necessário.

Mas no fundo eu estava morrendo de medo de todas as opções.

Não era todo dia que meu pai se dispunha a ver meu ex-namorado gay de livre e espontânea vontade, então eu me sentia no direito de ao menos desconfiar de suas intenções. O conhecendo como conheço, não havia motivo nenhum que o fizesse querer ser ouvido por Baekhyun e isso me surpreendia, pois também não podia estar ali apenas para ver com os próprios olhos a desgraça na qual o quase-genro havia se metido – assim eu esperava.

“M-Mãe...” Eu sei o quão patético soei e o quão baixo foi o olhar daquele homem numa mínima decepção, mas eu não sabia como agir diante daquilo. Eu simplesmente perdi o controle da situação.

“Ei, é de coração Yeol...pode acreditar.” Ela se aproximou de mim, pegou uma de minhas mãos e sussurrou como se aquilo fosse um segredo apenas entre nós. “Certo?”

“Certo.”

“Eu quero me redimir, filho. E sei que tenho que fazer isso com você também...eu nunca tive a intenção de machucar você.” Veio caminhando em minha direção, tomando cuidado até mesmo com o jeito que olhava para o meu rosto sem me deixar influenciar por nenhuma de suas feições.

“Pai, você não–“

“Eu sim! Eu não devia ficar me intrometendo na sua vida como quem tem o direito de controlar alguma coisa...bom, na verdade ser seu pai me dá alguns direitos...” Sua risada teve uma pitada de graça no tom grosso e isso me fez soltar um sorriso. “Mas eu sei que te criei bem o suficiente pra te deixar no controle, não foi?”

Eu não tinha ideia se ele realmente sabia há quanto tempo eu esperava por ouvir aquelas palavras. Talvez ele não tivesse a mínima noção do alívio que se instalou em mim ao ter a certeza de que, finalmente, eu tinha sua confiança e seu apoio para seguir meu caminho, mas embora eu quisesse muito deixa-lo a par do que acontecia dentro de mim e de todas as emoções que me pegavam de surpresa naquele único minuto, eu só o abracei de um modo como há anos não fazia.

Puxei seu corpo para perto do meu e não demorei a passar meus braços por suas costas, deixando meu rosto escondido em seu ombro ao ouvir seus suspiros e sentir seus apertos. Ele fungava um pouco, se atrevia com algumas caretas e ainda deixava um sorriso persistente em seu rosto, mas certamente chorava por dentro como uma criança repleta de sensações embaralhadas. Eu sabia disso porque o contrário acontecia ao mesmo tempo quando eu me deixai desabar na estrutura cansava, sustentando um sorriso enorme dentro do peito.

Aquilo foi a melhor coisa a me acontecer naquele dia, quase boa o suficiente para me fazer esquecer o resto do caos que se construía ao meu redor.

Por isso minhas lágrimas eram derrubadas em razão de tudo. Por causa de Baekhyun, por Saejin, pela doçura da minha mãe, pela mostra de vulnerabilidade do meu pai e por mim. Aqueles soluços tinham o objetivo de me esvaziar por completo, tomando um tempo para me fazer sentir aconchegado e consolado como já não tinha mais esperanças de ser...porque era tão bom sentir uma luz queimando meus olhos depois de tanto tempo naquela escuridão.

“Se pudéssemos ser assim desde o começo...” Ele divagou apenas para mim. “Se eu não fosse tão estúpido e desse ouvidos à você...”

E se eu conseguisse apenas juntar forças para dizer o que tudo aquilo significava, seus arrependimentos mudariam?

Porque eu nunca me senti tão orgulhoso de alguém e certamente não experimentei alegria que me deixasse tão aquecido quanto o desdobramento de descaso do Senhor Park em prol da felicidade de seu filho. Pois se ele não fosse tão estúpido, estaríamos aqui? Abraçados numa sala de espera hospitalar com o choro nos molhando a roupa?

Nunca fomos tão próximos.

E a ideia de melhorarmos isso pouco a pouco não me assustava de modo algum, já que se dependesse de mim eu ficaria sentado ali mesmo, criando um diálogo terapêutico de horas e horas com o meu pai como merecimento notável, mas o que decidiu me impedir foi o repetitivo grito que se deu início logo depois do meu próprio rosto ser puxado pelas mãos senis, revelando uma fragilidade com a qual me surpreendi tanto quanto minha mãe – que assistia tudo ao lado com metade das expressões escondidas pela palma da mão.

“CHANYEOL!!!”

“Saejin?!” Mesmo Sehun tendo se espantado, seus músculos não o deixaram prosseguir com a ideia de correr até a prima. Ou talvez tenha sido os meus, quando consegui processar a voz e me afastei de meu pai o mais rápido que pude para entrar no quarto logo à frente e encontra-la ali, paralisada por um monitor.

“Sae, o que aconteceu?!”

“O Baekhyun, ele...Chanyeol eu juro!” Seus olhos estavam maiores do que o normal e sua expressão permanecia assustada, enquanto Baekhyun, no mesmo lugar, parecia tão calmo quanto todas as outras vezes em que o espiei.

“Olha pra mim, olha.” Peguei seus braços e a virei para mim. “Me conta o que aconteceu.”

“E-eu estava aqui falando com ele e daí, d-do nada ele...o monitor, o bipe...foi quase como se ele estivesse entendendo tudo Chan!”

“Ele fez alguma coisa?!” Meus olhos provavelmente estavam o dobro dos seus, mas eu ainda não entendia ao certo o que ela havia presenciado ali dentro e a cada palavra meu coração se apertava um pouco mais.

“Foi um suspiro, eu não tenho certeza, eu só ouvi o barulho!”

“Deus do céu, fique aqui!” E mais uma vez saí correndo hospital afora.

Eu não via mais o doutor responsável por ele desde a madrugada anterior, quando acordei com a sua presença preocupada ao lado do leito, e por isso meu foco não estava em um, mas em qualquer um que pudesse me ajudar a entender o que estava acontecendo com aquele homem. Então me agarrei a uma enfermeira e não saí de sua cola até que ela voltasse com um médico em nossa companhia, o arrastando pelos corredores até o quarto onde minha ex-noiva acariciava os cabelos loiros do meu ex-namorado com os castanhos marejados.

Foi naquele momento que eu travei, logo depois de cruzar o batente da porta, e tudo pareceu correr em câmera lenta ao meu redor. Porque o que acontecia diante dos meus olhos era – no mínimo – impressionante.

A enfermeira checava rapidamente todo e cada tubo conectado à Baekhyun, o rapaz de branco – um tanto quanto jovem se comparados aos outros médicos – checava o monitor e a morena checava o loiro, passando seus dedos pela cabeleira intacta enquanto observava atentamente tudo o que faziam para chegar a uma resposta da pergunta que certamente rondava sua cabeça: Ele finalmente vai acordar? E era isso o que mais me chamava a atenção.

Eu nem sequer imaginava o que havia sido dito ali dentro há alguns minutos e não fazia questão alguma de adivinhar, apenas tirava um tempo para agradecer e apreciar todos os efeitos que aquela simples ação tinha surtido.

“E então?”

“Bom, ele está estável, não tem nada com o que se preocupar.” Foi tudo o que deixou a boca experiente, provocando outra pergunta de Saejin.

“Ele está acordando?”

“Ele pode acordar a qualquer momento, é difícil dizer, mas não crie expectativas baseadas numa reação. É normal esse tipo de coisa acontecer de vez em quando e pode sim ser considerado um sinal de melhora, já que estamos trabalhando pela recuperação, mesmo assim não podemos ter exatidão sobre quando ele vai voltar.”

“Obrigado, doutor.”

“Vamos ficar de olho nele.” Nos curvamos na frente um do outro e ele deixou o quarto na companhia da moça que deu uma última checada em seu tubo de oxigênio antes de me deixar a sós com os dois, vendo que Saejin negava alguma coisa com a cabeça.

“Ei, ‘tá tudo certo agora.”

“Ele devia ter acordado...por um momento ele realmente acordou, Chan.”

“Foi só uma reação–“

“Exatamente!” Deixando de lado a cama e o loiro, se virou para mim tentando explicar as peças que se encaixavam em sua cabeça, capturando toda minha atenção. “Ele reagiu, ele quer sair dali! Talvez ele tenha entendido tudo...”

Ela não costumava deixar sua positividade de lado em momento algum, mesmo que nos mais difíceis e impossíveis de se agarrar à uma luz ela estava lá, dando esperança a quem quer que precisasse crendo em suas palavras com todo o coração. Mas isso não era positividade, era alegação. Sua voz estava firme, sua expressão estava séria e cada palavra que deixava sua garganta estava convencida de sua razão. Se Saejin de algum modo acreditava que Baekhyun estava lutando para abrir os olhos, era isso o que acontecia por detrás de todos aqueles bipes; porém havia razão brilhando em seus olhos por mais assustados que eles parecessem...e qual seria ela?

“Entendido o que?”

“Toda a conversa! Talvez fosse por isso o suspiro apressado, ele quer acordar por causa do que foi dito, ele sabe que precisa estar acordado pra fazer o que–”

“Ei, ei, calma!” Segurei seus braços e impedi as deduções metralhadas, fazendo com que uma boa quantidade de ar fosse puxada para o seu peito antes dos seus ombros relaxarem. “O que você pode ter falado para ele querer acordar assim tão...subitamente?”

Eu me esforçava para entender o que estava acontecendo ali porque eu não me atrevia a duvidar daquela mulher. Eu acreditava no que ouvia e dava meu máximo para aceitar sua hipótese que, mesmo sem querer, aquecia meu interior de alguma forma só pelo pensamento de que meu Baekhyun estava lutando para voltar – e ainda melhor, prestes a conseguir. Tudo o que me faltava era compreender o que eu não havia presenciado.

“Eu falei sobre você.”

 

˃˃ ˂˂

 

Do lado de fora, o mesmo doutor que usava de suas melhores explicações para acalmar o coração de uma morena agora a usava para aquietar todos os que ficaram do lado de fora, fazendo os pais de Chanyeol soltarem um suspiro aliviado enquanto a mulher se debruçava no abraço do marido, Sehun passar os dedos pelos fios claros ao encarar o chão, Luhan jogar sua cabeça para trás enquanto as mãos se viam entrelaçadas na frente do peito, Yifan esfregar o rosto com força, Kyungsoo se sentar gradativamente e Jongin se pegar pela primeira vez sem uma reação digna.

Todos ali estavam divididos entre o contentamento de não ser nada grave e a angústia de não ser absolutamente nada.

“Esse menino consegue dar susto na gente até dormindo!” Luhan foi o primeiro a se pronunciar, tomando seu lugar ao lado do baixinho logo depois.

“Se você que ‘tá aqui tomou um susto imagina o Yeol...” Sehun o segundo.

“Será que ele está bem mesmo? Ai gente, eu quero tanto que esse menino abra os olhos logo!”

“Não se preocupe Senhora Park, ele vai abrir os olhos nem que eu tenha que dar uns bons chacoalhões nele.” Podia-se dizer que o chinês se via um tanto irritado devido à falta de consideração com suas expectativas, mas no fundo era a tristeza que lhe corrompia.

Contava as horas e cada um dos minutos daqueles dias em que o amigo resolvia tirar como descanso – como gostava de pensar – e no meio disso bolava planos de como faria para que o mesmo compensasse todos eles. Não sabia ainda se pediria, em troca dessa maldita espera, diversos almoços que o loiro já lhe prometera, inúmeras decorações temáticas para o seu bar ou um débito de favores que faria questão de aproveitar muito bem, mas sabia com toda certeza que a primeira coisa que faria era lhe abraçar até que a respiração ofegante mal pudesse ser sentida entre os corpos devido ao tamanho aperto.

Luhan estava frustrado de saudades.

“Foi a primeira vez que isso aconteceu?” O pai de Chanyeol, ainda servindo de apoio para sua mulher, questionou qualquer um que pudesse responde-lo, recebendo acenos positivos de cabeça de todos ali.

“Não dá pra acreditar que não tem nada a ser feito além de ficar esperando ele acordar.”

E a cada vez que parava para tirar esse tipo de conclusão, Yifan se corroía ainda mais por dentro. Não era tanto tempo se visto do lado de fora, algumas poucas horas se calculassem tudo direitinho no confortável quarto de uma casa que não abrigava nenhuma preocupação; mas para quem estava ali dentro, cercado por paredes em tons pastéis, computadores repletos de fichas médicas, pessoas de branco passeando de um lado para o outro e os corredores cheios de portas frias para cômodos mais frios ainda, cada hora contava como uma interminável e rastejante eternidade.

Podia ter dado apenas vinte e quatro horas do acontecimento fresco na memória de todos, mas a demora mexia com a noção de tempo de todos e qualquer um. Sentar naquelas cadeiras duras e passar sessenta minutos atrás de sessenta minutos esperando por algo que parecia não se importar de vir era tortuoso. Pior que isso só entrar no quarto e ficar ouvindo os bipes repetitivos de uma mesma frequência sem nenhuma alteração, parecendo ser uma gravação de mal gosto para fazê-los desistir de ficar contando o tempo.

Quanto mais o dia se alongava, menos paciência os acompanhavam.

“Filho?”

Park caminhava para o lado de fora do leito, o olhar perdido pelo chão em direção a uma das cadeiras desocupadas e então o descanso no plástico um tanto desconfortável, com Saejin o seguindo em passos calmos ao ficar em pé num campo fácil de visão para todos ali.

“Tudo bem?”

“Eu só quero que isso acabe logo pai.” Suspirou, deixando a cabeça cair antes de poder ver o mais velho se colocar ao seu lado. “Tem tanta coisa que eu quero falar pra ele, que eu quero contar...eu tenho saudades.” E assim não demorou para que a mão paterna afagasse suas costas, sem coragem de dar mais alguma atenção para a feição tristonha.

“Quando você menos esperar ele vai estar de volta. É desse jeito que as coisas acontecem.”

“Meu medo é de não conseguir ficar sem esperar.”

Porque desde o acidente, desde que nem ao menos percebeu o quanto corria para o hospital indicado, tudo o que passava por sua mente era Byun Baekhyun e quando tempo ele usaria para ficar absorto naquele sono ilimitado. Não aguentava mais reprimir a vontade de pegar aquele corpo e apertar contra o seu, sentindo os braços contentes passarem sua cintura enquanto o rosto se escondia na curva do pescoço, de sentir o peso da cabeça deitada contra o seu peito durante a noite, de beijar a boca rosinha, de ouvir a voz gostosa e de tocá-lo como se fosse a primeira vez.

Chanyeol não aguentava mais ficar sem o pequeno e tudo o que lhe segurava firme e forte naquele hospital era a esperança de vê-lo acordar, finalmente.

“Você quer entrar lá?” Levantou os olhos para o pai, vendo os outros aumentarem de tamanho.

“Mas eu p–“

“Pode ir...a mamãe entra depois. Só é permitido um por vez.”

Aquilo fez o coração do Sr. Park se apertar, sem saber ao certo o que fazer.

Em partes estava ali de intruso. Não havia sido propriamente chamado por Chanyeol e fora sua mulher a que o arrastou para o hospital, dizendo que aquela era uma ótima chance de reconciliação. E quem era ele para negar a oportunidade...até mesmo o pão que havia feito tinha levado como o ordenado pela mãe coruja. Mas não era como se realmente se visse obrigado a fazer aquilo; mesmo que custasse para perceber ele estava ali porque queria e devia estar. Estava por causa do filho e também por Baekhyun, para tirar o peso de sua consciência e começar a reparar os erros da estaca zero.

Só não pensava estar pronto para fazer aquilo naquele exato momento.

“Certo, eu vou.”

Demorou mais um pouco com sua mão nas omoplatas do filho e então puxou um grande fôlego, tomando a coragem que pensava precisar para se apoiar nos joelhos e dar um impulso para cima. Foi um período de três segundos que usou para se levantar, tomando seu caminho até o quarto ao atravessar Saejin e descontar um único toque em seu ombro, lançando um sorriso e sendo retribuído como se aquilo se tratasse de uma conexão de compreensão...não sabiam do que, mas ela estava ali caso algum apoio moral fosse necessário.

Deu mais alguns passos até a maçaneta, a abaixou e abriu a porta, adentrando o local já com seus olhos grudados no descanso de Byun.

Estava mais frágil do que a última vez que o viu, drasticamente mais tranquilo e um tanto quanto bem para quem descartasse a fisionomia enferma que denunciava seu atual estado. Se não fosse por isso, tudo aquilo pareceria apenas uma serenidade comum depois de um dia frustrante.

Se aproximou um pouco mais, sem jeito e sem noção. Não sabia se tomava algum lugar, se pedia licença ou se ao menos abria sua boca para dizer algo, mas dentre tudo escolheu ficar parado na ponta da cama, correndo os olhos pela forma que o fino cobertor fazia em cima do corpo do mais novo até parar nas pálpebras calmas que um dia viu segurar algumas lágrimas. Ali ele começou a se arrepender.

Sabia tudo o que tinha feito e tudo o que tinha causado naquela vida que certamente não gostaria de ver sua imagem nem que coberta de ouro. Estava reconhecendo o erro pouco a pouco e assim desejava que aquele reencontro fosse como o outro, com dois em plena consciência e pulmões para discutir tudo o que precisava ser discutido, e dessa vez queria discutir seus mais sinceros pedidos de desculpa.

Perdão por achar que tudo seria errado com seu filho como foi consigo.

 

˃˃ ˂˂

 

Os chutes desferidos contra a madeira faziam seus dedos doerem dentro do sapato. Os gritos que saiam do fundo dos seus pulmões deixavam sua garganta a ponto de queimar e seus olhos se espremiam tanto que por um momento achou que os orbes seriam engolidos. Sua raiva não deixava o mínimo sentido escapar por seus lábios, mas as vogais gritadas junto com o nome daquele que havia o dispensado não foram o suficiente para fazer aquela maçaneta girar novamente, o que incentivou seus punhos a entrarem naquele bordel de barulhos até que toda sua energia fosse gasta para chamar uma atenção que não receberia mais.

Com o choro seco entalado na goela e os latejos consumindo toda e cada junta de seu corpo, proferiu de frente para aquela janela acesa que jamais voltaria a ver o rosto cínico no seu caminho e, ao ver as luzes se apagarem por completo sem nenhuma objeção, guardou o rancor em seu peito, agarrou a mala e voltou pelo mesmo caminho que usou para chegar até a fachada perfeitamente cuidada.

Então quer dizer que era por aquilo que arriscava todo o resto de sua vida? Não.

Deixaria um homem destruir tudo o que lhe sobrava para chamar de seu? Não.

Mas por algumas horas, deixou.

Deixou sem nem se dar conta do perigo que corria, acreditando que não tinha outra opção além do tudo vai dar certo. Porque no final, as coisas foram mais erradas do que sequer podia ter imaginado...não podia ser assim. Não devia...

MAS QUE MERDA!

Tinha jogado tanta coisa fora, tinha jogado tanto no lixo e se via sem nada para tentar recuperar. Sua casa? Estava longe demais. Seu pai? Impossível. Sua vida? Perdida em desistência. Seu casamento?

Seu casamento.

Havia um casamento ainda?

Poderia ter um?

Um que não queria, que não imaginava, no qual não pensava, que nunca cogitara, mas que precisava...tinha direito de ao menos pensar em resgatar isso?

Mas que grande merda...

Levantou do banco de praça que tinha usado para descansar os músculos, gastando nele mais minutos do que percebeu ter realmente passado diante de seus olhos, e arrastou a mala pela direção oposta com passos arrastados e expressão fechada, pensando no que poderia dizer a qualquer um que pedisse uma justificativa para seu estado.

Aquilo demoraria um pouco, então não se importou de manter sua cabeça baixa com a atenção toda voltada apenas para seus pés até que se desse conta do que estava fazendo. Votava para todo o seu planejamento indesejado com o rabo entre as pernas e as orelhas caídas como as de um cachorro que não alcança a comida que quer dentro da lata de um lixo, porque era assim que via sua situação: uma prata e alta lata de lixo que só lhe permitiu entreabrir a tampa antes de cair em cima do seu corpo frágil e faminto.

Era um vira-lata chutado pela própria ironia do destino.

Merda.

Só ergueu o rosto quando subiu os três degraus que o separava da porta, batendo o nós dos dedos contra a madeira quatro vezes antes de trazer para cima a mala e esperar. Nada. Mais quatro vezes, um pouco mais alto. Nada. Sete vezes com uma propriedade que lhe causou aflição assim que olhou para a pele avermelhada, os barulhos pelo chão da casa começaram a ecoar pelo silencio da rua deserta, seu coração deu mais uma batida contra o peito.

“O que...meu Deus, o que você está fazendo aqui?!” Os castanhos sonolentos se arregalaram assim que deram de cara com o homem em pé no seu batente, fechando o roupão pesado que cobria seu pijama.

“Casa comigo.”

“D-Do que você está falando? Você precisa en–“

“Por favor! Case comigo!” Seus joelhos foram direto de encontro ao chão, fazendo um baque que assustou a moça e a fez se afastar para agachar e agarrar as bochechas molhadas, pedindo para que ele parasse com aquilo e se levantasse. “Por favor...desculpa.”

“Eu desculpo se você ficar em pé! Vamos lá, me ajude.” Ficou ao lado do corpo caído e jogou um dos braços alheios em volta do seu ombro, pegando na carne da cintura e fazendo força para erguer os dois. “Você tem que entrar, vamos cuidar de você...”

“Vai cuidar de mim?”

“Vou! Venha.” Se virou apenas para pegar a alça da mala e arrasta-la para a sala assim como fez com seu pretendente, fechando a porta atrás de si e o guiando até seu quarto.

“Obrigado. Muito obrigado...”

 

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“Eu vim...p-pedir desculpas...”

Se dirigiu devagar até a poltrona logo ao lado, se apoiando nos braços estofados para sentar e ficar confortável com as costas bem encostadas e as pernas cruzadas. De relance olhava para a cabeça deitada num travesseiro um tanto baixo, mantendo seus olhos ao redor pelas paredes, o teto um pouco sujo com luzes artificiais, a janela alta que deixava um pouco do sol entrar e toda a aparelhagem que suportava uma vida.

Não se sentia bem ali, e acreditava que Baekhyun se encontrava na mesma situação precária de bem-estar. Era difícil encontrar um pouco de alegria numa decoração como aquela, num ar condicionado tão gelado e numa sobrevivência tão artificial. Não sabia se àquela altura o loiro tinha sorte por não se deparar com ambiente tão deprimente ou azar pelo mesmo motivo.

“É garoto...quem diria que um dia a gente estaria aqui.” Pois se o falassem há dias que se encontraria nessa posição, falando com o namorado – ou ex-namorado, ou apenas o menino pelo qual o seu menino se apaixonou – em coma de seu filho, jamais acreditaria. Teria que viver para crer, e estava vivendo. “Você fez um belo estrago nas pessoas lá fora. Devia voltar logo por elas...já deu de ficar dormindo, não acha?”

Achava sim. Achava tanto que talvez estivesse acordado e atento à tudo que acontecia ao redor, tendo total consciência dos esporros do Luhan, dos carinhos de Saejin, das lágrimas de Chanyeol e da presença do mesmo Sr. Park que há cinco anos lhe pedia para sumir da sua vida. Achava que não precisava mais descansar porque todos os outros estavam cansados demais por observar seu sono profundo e quase desesperançoso.

“Vi a carreira que construiu e acho que devia parar de corpo mole pra voltar a se dedicar.” Comentava mais para si mesmo do que para o próprio dono da carreira em jogo. “Você pinta muito bem. Dá pra ver que gosta mesmo da coisa, leva jeito...quem sabe um dia eu possa comprar uma de suas pinturas, em? O que pensa disso?”

O zumbido daquele computador ao seu lado era algo estressante a princípio, mas dava pra se acostumar com o tempo. Num minuto você queria enfiar tufos e mais tufos de algodão nos ouvidos para amenizar um som que parecia querer se infiltrar no seu cérebro, no outro você só o percebia quando dava a falta daquilo – o que estranhamente acontecia às vezes.

“Talvez você até pudesse me ajudar a colocar uma delas na parede, seria divertido.” Riu com a cena e todos os seus detalhes contextuais. “Depois a gente podia comer um dos famosos bolos da Sra. Park pra compensar todo o trabalho e–“

E seria uma bela cena. Um anoitecer na varanda, um café da tarde com todas as gostosuras que eles pedissem – incluindo as de Chanyeol –, uma conversa animada para fechar o dia com chave de ouro e podia pensar até mesmo numa daquelas harmonias familiares, dignas de um bom comercial de margarina onde todos se davam bem e sempre estavam felizes como se não enfrentassem nenhuma dificuldade na vida.

Mas toda uma narração regada de criatividade e vontade de reconciliação foi cortada com aquela puxada repentina de ar, perceptível apenas por ser desesperada demais. Mas seus pulmões estavam tão cheios e mesmo assim alguns poucos segundos foram necessários para que deduzisse de onde aquilo havia saído – ou para quem havia sido mandado.

Sendo assim, o velho se levantou e espantado deu suas poucas pernadas até a maca grande e espaçosa, levando seu cenho franzido para próximo do outro rosto quando suas costas se curvaram minimamente.

“Baekhyun?”

Milésimos até outra puxada bruta de oxigênio para limpar o peito, fazendo com que o susto o pegasse totalmente desprevenido e, deste modo, afastasse seus pés poucos centímetros dali enquanto ouvia uma tosse raspada e a via levantar os ombros do enfermo, que só voltaram para o colchão quando a garganta relaxou e deu espaço para os músculos do rosto fazerem a força necessária para piscar os olhos irritados repetidas vezes.

“A-ag...” A voz quase não saía e o vácuo das letras foram notáveis para as cordas vocais, forçando um único pigarrear. “Água.”

“Garoto?” De mansinho se aproximou do despertar que acontecia, se prendendo nas grades laterais e se inclinando novamente sobre o mais novo, permitindo que uma de suas mãos fosse até a testa e tirasse dela alguns fios de cabelo apenas para confirmar o que estava vendo. “Baekhyun! Garoto, você...você pode me ouvir?”

A resposta nada mais foi do que um erguer mínimo de olhar para o borrão que estava ali, onde pálpebras se revezavam para se aguentarem abertas criando um bater de cílios que quase não deixava o Sr. Park ver com clareza os castanhos ativos pelos quais rezavam do outro lado da porta, mas quando viu o queixo pálido se movimentar sutilmente para cima, voltando abaixo logo depois, não pôde conter a risada aliviada que se sentia presa em algum lugar de suas bochechas.

 

“ÁGUA! ALGUÉM ME TRAGA ÁGUA!”


Notas Finais


Então vamos partir do pressuposto que Sr. Park teve seu coração quebrado em mil pedaços pelo crushzinho da adolescência de uma maneira um tanto...trágica (?). Serve como uma boa justificativa pras cagadas que ele fez? Me deixem saber.

Saejin vai virar uma ChanBaek shipper loca que nem a gente? Num mundo perfeito de fanfics hipotéticas com uma conclusão amigavelmente consensual, sim. Mas aqui não por motivos de: vamos com calma. Já basta ela fazer carinho no Baek torcendo pra ele acordar.

E falando em acordar, ELE FINALMENTE ACORDOU!!!!!
Não foi um cap de 10 mil palavras, mas compensou um pouquinho o meu lado de escritora-desnaturada? rçrç
Mas eu também não tava mais aguentando esse coma, tava EU ficando agoniada com esse menino, então vamos partir daí todos felizes.

Obrigada pela paciência de quem esperou e pela insistência de quem continua aqui mesmo depois de uma vida toda!
Até o próximo capítulo, beijocONAS <33


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