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História Presa Pelo Tempo - Capítulo 2


Escrita por: KyraSpart

Capítulo 2 - First Chapter - LEMBRANÇAS


Cambridge – Inglaterra. Addenbrooke’s Hospital

- O-Odette, eu-

- Não! Para!! Cadê os meus pais? Onde estão??? –Olho para todos os lados, não estou conseguindo me controlar. Posso sentir as lagrimas rolarem. Todos estão olhando para mim com expressões tristes – ONDE ELES ESTÃO?!

- Façam-na calar a boca – Aquele homem alto da a ordem e duas pessoas, enfermeiros provavelmente, se aproximam de mim com uma agulha.

- Não! Eu estou bem, não precisam disso. Para, para. Por favor... – Meu corpo está ficando dormente – T-tirem... Tirem daí eu estou... bem...

...

Pontadas de dor assolam minha cabeça. Ao olhar envolta de onde estou deitada agora, cadeiras e máquinas de para auxílio médico e emergencial são facilmente vistas em toda extensão da sala. Utensílios de uso descartável e permanentes para cortes e ataduras estão localizados encima de uma mesa, de metal com pernas finas, logo abaixo de uma grande janela com persianas brancas e delicadamente limpas. Hesito em levantar-me para abri-las, mas uma das coisas que precisava agora era me locomover para sentir que estou bem, mesmo não estando muito confiante do resultado.

É o que faço.

Apoio-me junto à barra lateral, esquerda da cama, fazendo força em minhas mãos até conseguir passar uma das pernas descendo-a junto à superfície fria e umedecida causada pelo ar-condicionado. Logo ao lado da cama, tem uma mesinha de centro onde está preenchida com uma bandeja com dois copos, um vazio que está deitado e o outro com a água pela metade, luvas de borracha estão logo a direita da bandeja juntamente com um termômetro, envelopes com comprimidos e uma pilha com algumas peças de roupas dobradas. Me parecem limpas. Só agora pude perceber que a roupa a qual vestia era de hospital e dava para sentir um leve frio incomodo na parte de trás.

Pego a muda de roupas, pondo-a encima da cama, que está revestida com cobertores brancos e um tanto amassado, creio que sejam graças aos meus movimentos antes de apagar... Como se fosse minha sombra, um rastro feito de suor desenha meu corpo nos lençóis.

- Talvez tenha tido um grande pesadelo...

Paro minha observação ao sentir mais uma vez minha voz e minha respiração normalmente estável. É de se alegrar. De tão preocupada e curiosa ao tentar descobrir onde estou não havia percebido que não há mais nada de anormal em respirar, e falar agora me parece fácil. Eu gostaria de ter pulado de alegria, mas não estou cem por cento ainda.

Para acabar rapidamente com meu sorriso, vejo vários respingos vermelhos perto do travesseiro. Respingos a qual pensei ser sangue.

Essa é a segunda vez a qual vejo sangue.

...

Esse verão.

TUDO ESTAVA ESTRANHAMENTE PERFEITO, meus pais muito sorridentes e eu, nem se fala, eu estava a mil. Meu coração transbordava de alegria. Queria correr e pular.

Essa foi a minha primeira, e última vez desde então, fora daqueles altos muros que separavam a mansão Stulbach do resto do mundo. Muros aqueles que viveram meus dezessete míseros anos de existência juntos comigo. Aprisionada como um pássaro sem asas dentro de uma gaiola inquebrável. Tudo o que sei sobre biologia, física, matemática, português, redação, estudos sociais e gerais, história, geografia e entre outras matérias fornecidas por uma escola para pessoas normais eu aprendi em casa. Os melhores professores da região, ou até do país, vinham até mim. Nunca pude ir até eles. Não é que eu não seja normal, eu acho que sou super normal.

Meus pais podem ser muito amorosos e doces comigo, mas tudo o que eu mais queria era um dia. Apenas um dia livre de todas essas correntes. Apenas uma chance de correr, e voar, livre, sentindo meus cabelos, dançando junto com o vento e assim ser mais do que não pude.

Então vivi sonhando com esse dia, até que ele bateu na porta.

No meu aniversário de dezessete anos, meus pais me fizeram uma proposta. Senti que cada centímetro do meu corpo iria se soltar de mim e viver por conta própria, e foi a partir disso que tudo começou por começar.

Não me lembro de muita coisa, aconteceu quando estávamos perto do lago. Sei que decidi entrar para nadar um pouco e meus pais ficaram na margem, pois disseram que a água estava fria demais para eles.

Realmente estava um pouco frio, mas nada de congelamento, se é que me entendem. Sentidos e emoções são as únicas cargas de memória que me recordo a partir do mergulho. Eu senti medo, ânsia, enjoo, euforia, raiva e fúria, até que perdi a maioria de meus sentidos deixando apenas uma visão remota e embaçada.

A melhor forma de torturar uma pessoa fraca psicologicamente, como você, é fazê-la conhecer, ou melhor, ver o seu próprio eu. Foi o que o meu pai disse a mim pela manhã. Ainda não entendo por que.

Com campo de visão, mais que, trêmulo e pernas que fraquejam a todo instante, naquele momento no lago eu consegui abrir meus olhos, e com uma dor de cabeça insuportável, tentei levantar-me. “Mamãe” e “Papai” eram as palavras que mais gritava quando vi arranhões na terra, respingos de sangue em toda parte e meus queridos pais jogados em meio a possas de sangue.

Vocês podem não entender, afinal, não viram seus pais trucidados. O pavor tomou conta de mim e minhas reações foram; ficar encolhida abraçando os joelhos e chorando, pois pensava eu que quem fizera aquela atrocidade com meus pais iria voltar e acabar comigo também.

Mas não foi assim.

Eu desmaiei e acordei nesse hospital e até agora não tenho notícias de meus familiares, que devem estar mortos, mas aquela mulher se parecia até demais com a minha mãe, mas eu sinto que não é. Como? Como pode ter alguém tão parecida?

Depois daquele episódio, ver sangue novamente é tortura, é massacre, é suicídio para mim. E agora, aqui está meu sangue, respingado por toda dimensão desse travesseiro.

Mas por que não senti dor nenhuma? Afinal, estou ou estava sangrando!

Analiso meu corpo procurando alguma ferida aberta, mas nada encontro. É como se alguém tivesse sujado o travesseiro antes, não é possível que tenha saído sangue de mim e agora não tenha mais nada.

Várias batidas insuportavelmente altas e fortes na porta me retiraram daquele amontoado de interrogações. Minha reação imediata é voltar o meu olhar para aquela direção, mas foi nesse exato momento em que a porta é estraçalhada como um vidro, muitos homens com vestimentas branco-gelo, golas altas e mangas cumpridas juntamente com algo tipo um cinto na cintura. Estavam fortemente armados.

Dois dos homens se aproximam de mim e mostram seus distintivos. No primeiro deles está escrito; Agente: Connor Clark. Força armada aérea da Grã-Bretanha (SAS). A caligrafia era inclinada e estava escrito a tinta.

Mas, o que isso significa? Força aérea? Pra quê?

Lembro-me que a SAS apareceu no noticiário um dia. Meus pais não me deixavam assistir a notícias nem algo do gênero, eles falavam que não eram importantes e tudo que fosse eles me mostrariam, mas eu nunca me interessei mesmo e não chegou o dia do acontecimento histórico para que viessem me contar. Eu vi uma jornalista falando na TV que a SAS estava em confronto verbal com o FBI para se responsabilizar com caso de pessoas não normais, mas o FBI não estava satisfeita com isso. Acredito que deve ser por causa de fama e poder, mas eu deixei para lá o que haveria de estranho ver duas organizações tentando ser mais que a outra?

Mas agora estou de frente a uma das e não sei por que. Talvez estejam a frente do caso dos meus pais.

O distintivo do próximo homem de branco, me parece um pouco mais antigo, assim como ele que aparenta ter uns quarenta e sete anos, ou, talvez, esteja na casa dos cinquenta. Ele um pouco mais alto que o agente Connor e tem um corpo esguio, pele em tom claro com bronze fraco, deve trabalhar um pouco mais de tempo para a agencia. Em seu distintivo resplandece o grande nome; Elder Sovinas Bellerose. Provavelmente é um francês.

Sovinas segura firmemente meu antebraço que estava apoiado na lateral da cama. Clark, por sua vez, entrelaça um pano fino e largo na região de minha boca me deixando praticamente sem sons. Minhas tentativas de desvencilho são absolutamente inúteis. Tenho dois homens fortes segurando meus braços, nunca poderia me soltar nesse estado.

Colocam algemas em mim com meus braços para trás.

- O que vão fazer? – Um soldado pergunta.

- Eu vou guia-la até o avião. Esquadrão três me escolte. Esquadrão quatro vá em frente. Esquadrão cinco certifique-se que não tenha ninguém nos observando! E você... não se mexa muito – me olha com olhos tristes, mas sérios. Usa um uniforme preto com extremidades brancas, está no mesmo estilo das dos demais. Ele parece ser o mais novo daqui, talvez uns vinte anos de idade. Seus cabelos são pretos, lisos e cortados até a altura das orelhas, está dividido ao meio. É um típico asiático. Em seu distintivo mostra o nome: Capitão, Valentim O’maihlan.

Todos começam a se movimentar para seus postos rapidamente. Outro soldado se aproxima de nós. Ele vinha do lado de fora da sala, parecia abatido.

- Capitão O’maihlan!

- Fale.

O homem se aproxima do ouvido de seu capitão falando algo rápido, faz uma reverência e sai.

- Prestem atenção em tudo, não baixem a guarda homens.

- Sim, senhor! – todos em alto e bom tom.

O’maihlan se aproxima de mim e me segura em seus braços.

- Podem tirar as algemas, ela não vai se soltar – Me olha – Vou precisar de algo para fechar os olhos dela. – Se dirige para a cama, ainda me segurando, pega um casaco. Clark se aproxima retirando as minhas algemas.

- Sem medo. Vai ficar tudo bem. – Connor parece confiante, mas não é real.

O’maihlan põe o casaco ao redor de meus ombros, pede para que eu coloque meus braços em seu pescoço e depois minha visão é corrompida por um pano.

- Vai ficar tudo bem... – sua voz soa um tanto hesitante e percebo que está apenas tentando me acalmar, mas não tem certeza da própria fala.

Balanço a cabeça em confirmação.

A movimentação começa. Os passos começam a passar rapidamente por nós dois e por fim Valentim segue os passos. Nos corredores não havia sons de mais nada além disso. Era estranho, como um hospital abandonado. Deveria estar mais movimentado. Eu queria fazer perguntas. Por que meus pais não aparecem? Por que não tem ninguém por aqui? Quem era aquela moça idêntica à minha mãe? Que horas são? Onde estão os meus seguranças e por que não fazem nada? Para onde estão me levando e por quê? ...

Tiros...?



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