História Presságios - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Apocalipse, Betareaders, Demonios, Distopia, Fantasia, Ficção, Governo, Jovemadulto, Leitoresbeta, Posapocaliptico, Sistema, Youngadult
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Palavras 3.087
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Admirável Mundo Novo


 

Era como estar debaixo da terra embora nunca tivesse experimentado tal coisa. Uma sensação claustrofóbica e desesperadora surgiu assim que ele despertou, e aquilo era o bastante para confirmar suas suspeitas. Para piorar a situação seus olhos procuravam por algum espaço mas era impossível se mexer. Era como se ele estivesse em uma caixa feita sob medida e com uma tira de pequenas lâmpadas de led que cruzavam seu corpo.. Ele havia sido enterrado vivo? — Ele pensou desesperado.
Cadê meu sofá? Onde está minha gata? — Esses foram os dois primeiros pensamentos que ele teve. O som da chuva havia sumido assim como os barulhos da cidade. Certamente ele não estava mais em casa — chegar nessa conclusão foi ainda pior.
A sensação que ele havia sentido momentos antes era familiar. Já era comum acordar no meio das suas paralisias do sono.. Aquilo seria apenas outra crise —Ele tentou se convencer. — Sua ansiedade era a culpada e ele já sabia disso há um tempo. Foi difícil mas ele se lembrou que acalmar era a melhor saída.
Após contar até dez, seguindo as orientações que recebeu, nada havia mudado. Sua cabeça rodou para o lado quase que involuntariamente e através de uma parede transparente que parecia vidro ele viu uma garota de cabelos castanhos. Aquilo era assustador. Se movendo quase que de imediato, olhou para o outro lado e havia um homem gordo e todo peludo espremido em um espaço que parecia nada confortável para alguém daquele porte. Ambos pareciam mortos. Ambos enterrados como ele. Ambos imóveis.

    — Soco… — Ele tentou pedir ajuda mas só conseguiu pronunciar a primeira sílaba. Sua garganta parecia seca e suas cordas vocais doeram de imediato com a tentativa.

    Existem pessoas em situações piores do que eu. — Ele pensou ao analisar que o grandalhão da direita parecia bem menos confortável.

    — Quarto P, Bloco L, Setor L, Área F. — Uma voz robótica soou longe dali. Atrás das paredes que o prendia. Ouvir aquilo fez com que ele se mexesse assustado. — Eric Lopes Franco. 28 anos.

    Esse era seu nome — Ele pensou assustado.

    — Quarto L, Bloco M, Setor C, Área G. — A mesma voz repetiu. — Alana Castro Gomez. 26 anos. — Mas esse segundo nome era completamente desconhecido para ele.

    No momento em que a voz se calou, ele escutou com clareza o que pareceu ser passos lentos e bem próximos dele. Será que aquilo era uma piada ou ele estava mesmo sonhando?

    — Quarto C, Bloco A, Setor L, Área M. — Nesse ponto ele teve completa certeza de que quem quer que estivesse caminhando do lado de fora, estava bem perto. — Bernardo Lima de Moura. 25 anos.

    — Soco… — Ele tentou fazer algum barulho e pedir ajuda outra vez mas sua voz tornou a falhar. Sua garganta doía e nesse ponto  foi fácil perceber que aquelas tentativas eram inúteis.

    O som metálico de algo sendo arrastado sobressaiu qualquer movimentação e barulho externo. Um medo começou a crescer dentro dele diante do que poderia estar acontecendo e ele sentiu um frio percorrer sua espinha por completo, arrepiando os pelos do seu corpo, como se o seu organismo estivesse avisando de um perigo que estava se aproximando.

    — Quarto W, Bloco M, Setor F, Área L. — A voz continuou. — Melissa Cruvinel Amorim. — 22 anos.

    Sussurros cada vez mais próximos faziam com que ele se mexesse com medo, querendo encarar o lugar de onde vinham, mas o único espaço que tinha era pros lados. Apenas conseguia encarar aqueles dois corpos desacordados.

    — Quarto M, Bloco D, Setor D, Área M. — Quantas vezes a voz havia passado aquelas informações diferentes? Ele estava tão assustado que não tinha certeza se haviam sido três ou seis vezes. — Martim Luca Ivanov. 30 anos.

    Certamente ele não fazia ideia de quantas vezes a voz artificial havia repetido aquela sequência confusa e dito nomes que ele nunca havia ouvido antes.

    — Quarto J, Bloco B, Setor D, Área A. — Aquela voz o deixava com medo cada vez que recomeçava. Ela parecia incrivelmente real e nessa altura ele já não tinha tanta certeza assim que estava sonhando. — Caio Bento Aguiar. 27 anos.

    — Acho que encontrei! — Uma voz feminina gritou bem perto dele. Ele pôde ouvir claramente. Não parecia ser algo tecnológico. Era uma voz humana — Os dados estão trocados e a tela toda arranhada, mas contei dezesseis portas de lá pra cá. A letra P é a décima sexta, então se estou certa… — Um misto de medo e alívio surgiu em seu peito de imediato ao ouvir aquela voz.

    Havia alguém ali a procura dele. — Essa certeza encheu seus olhos de água por algum motivo que ele não fazia ideia.

    — Quarto A, Bloco C, Setor J, Área D. Daren Munhóz Müller. 31 anos. — A voz disse uma última vez antes de sumir.

    As luzes se apagaram com exceção da que brilhava bem no seu rosto, iluminando o pequeno cubículo onde ele estava. Ele tentou erguer os braços para fazer algum barulho e chamar a atenção de quem quer que fosse a dona da voz humana que ele havia ouvido. Ele precisava de ajuda e aquela parecia ser sua melhor chance.

    — São sete? — Uma voz masculina gritou. — Que engraçado, foi o maior número em toda a história, ao menos pelo que eu saiba…

    — Dizem que eles estão cada vez mais submersos naquele mundo, mais difíceis de acordar — A voz feminina tornou a falar. — Tivemos sorte de serem sete. Sete e um número bom. Imagine se fossem só quatro como a quarta formação foi?. — A voz dela era calma. — Ah, mas eu entendo os sonhadores, Ficar sonhando o dia sem ter ideia de como esse mundo mudou…

    Aquilo o atingiu em cheio como uma onda de medo.

    O mundo havia mudado?

    — Eu prefiro o conhecimento do que ser enganado. — O homem parecia estar falando algo sério pelo seu tom de voz. — Eu tenho dó desses que acordaram pelo motivo que foram despertos. Geralmente fico feliz de ver novos humanos chegando…

    Nada daquilo fazia sentido.

    — Deus me livre de um destino desse! — Ela respondeu quase que aos gritos no exato momento em que algo que parecia ser uma porta se abriu bem na sua cabeça. A cama onde Eric estava deitado começou a se mover sozinha e seus olhos não estavam preparados para a claridade que havia do lado de fora.

    Destino? — Ele pensou confuso. — Do que diabos eles estavam falando?

    — Feche os olhos… — A voz dela ressurgiu em um sussurro bem próximo ao seu ouvido. — Eu vou cuidar de você, pode ficar tranquilo… — Enquanto ela tentava tranquilizá-lo, algo úmido tocou sem rosto o assustando. Pelo som baixo que ela produziu, ele percebeu que ela havia sorrido.

    Ele não entendia como, mas apenas pela voz dela, ele foi capaz de sentir algo maternal, algo que inspirasse cuidado. Algo que o convenceu a confiar nela instantaneamente. De imediato ele quis empurrá-la e perguntar o que estava acontecendo, mas pensou bem e apenas ficou parado tentando se decidir se aquilo era real ou não. Seu corpo ainda parecia incapaz de se mexer e criar uma má aparência naquele estado ainda tão vulnerável, era burrice.

    — On… on… de… — Sua garganta parecia ainda mais seca nessa segunda tentativa de falar. Cada sílaba saiu com uma pontada dolorosa diferente. Seus olhos ainda estavam fechados, mas a sensação ruim por estar preso ao menos estava passando.

    — Estamos em New Home. — Ela disse enquanto  puxava algo de dentro de um plástico barulhento. O som pareceu exageradamente alto e Eric foi incapaz de controlar a careta que fez como resposta. — Me chamo Suzy. — Ela continuou dizendo. — Na verdade meu nome é Suzana, mas prefiro que me chamem de Suzy pra me sentir um pouco mais jovem do que realmente sou. — E ela sorriu no fim. Eric ainda estava de olhos fechados e só percebeu pois ela emitiu um barulho agudo que foi como música para seus ouvidos. Era como se ele não ouvisse aquilo há muito tempo.

    — O… oi. — Essa palavra saiu relativamente de maneira fácil.

    — Você sente alguma dor? Na cabeça? Em algum lugar? — No momento em que ela fechou a boca, o corpo dele se mexeu quase que involuntariamente. Na verdade não era nada como um movimento pensado. Mais parecia um espasmo. Como resposta, todas as partes doeram em diversas pontada espalhadas. Na nuca, em alguns pontos dos braços, na parte traseira das coxas e das panturrilhas, e foi essa dor que abriu seus olhos.

    E era como se ele estivesse nascendo. Enxergando o mundo pela primeira vez.

    Ele precisou piscar muitas vezes até que suas pupilas tivessem se acostumado com aquela luminosidade, mas assim que pôde os abriu sem medo.

    O cenário não era um campo verde cheio de árvores e céu azul. Não parecia nada com a ideia do paraíso na qual as pessoas acreditavam. Aquele lugar chegava a lembrar a cidade onde morava. Tudo tinha estranhos e diversos tons de cinzas. Ao seu redor, prédios enormes se erguiam e encostavam uns nos outros bem lá no topo. Ao invés de janelas e varandas, havia apenas pequenas portinhas do mesmo material transparente por onde ele havia visto os seus dois “vizinhos”.

    Uma quantidade infindável de leitos. — Esse foi o nome que ele resolveu dar ao cubículo onde havia acordado. Até descobrir a forma com que eles os chamavam, era assim que ele iria definir aquele pequeno espaço.

    O local era tão grande e com corredores largos por onde empilhadeiras amarelas passavam carregando pessoas com pranchetas. Eles usavam jalecos brancos, óculos de proteção, máscaras, luvas descartáveis e todos ali — sem exceção — pareciam apressados.

    Ele esticou a cabeça e encarou o buraco de onde havia saído. Era como uma daquelas gavetas de necrotério onde colocavam as pessoas a esperada da liberação do corpo antes de serem encaminhadas para seus respectivos funerais.

    Ele estava morto? — Ele se perguntou.

    — Dia 03 do mês de  abril do ano de 2070. Nascimento de número centésimo terceiro. Sejam bem vindos. — A voz robótica surgiu depois de longos minutos, quando ele já nem lembrava mais dela.

    As pessoas que ali trabalhavam, pararam por um momento e assim que a voz se calou, começaram a aplaudir.

    — Acho melhor você não se mexer. — Ela ainda continuava limpando seu corpo como se não se preocupasse em constrangê-lo. Ele parecia tão cansado que não conseguia dizer nada.

    — Seus batimentos cardíacos estão acelerando, Eric. — Ela disse sorrindo. — Se acalme. Está tudo bem...

    A cabeça dele parecia um trem desgovernado voando por cima dos trilhos. Uma chuva de pensamentos escuros surgiu o fazendo lembrar das mais variadas coisas.

    — Se acalme… — Ela pediu outra vez.

    Seu corpo estava incrivelmente dolorido e cheio de hematomas. Foi preciso usar a plataforma onde Suzy estava para descê-lo ainda deitado e com ajuda de 4 homens fardados. Ele se sentiu um idiota quando um deles o  pegou no colo e o colocou em uma cadeira de rodas. Sua cabeça começou a rodar no momento em que ele sentou e ele não conseguir nem ao menos avisar. Vomitou um líquido amarelo no meio do corredor.

    — Ele está muito fraco. — Ela disse através de um microfone discreto que ele ainda não havia visto. Não demorou e ele já estava rodeado por pessoas prontas para ajudá-lo.

— Vai ficar tudo bem. — Um dos soldados disse.

— Isso é normal. — Um outro tentou fazê-lo se sentir melhor.

— Os outros não estão muito melhores. — Um homem de jaleco se aproximou e disse no momento em que chegaram ao que pareceu ser a porta de saída daquele gigantesco cômodo, salvando ele de outras frases como aquelas que eram apenas tentativas falhas de tentar fazer com que ele se sentisse bem.

Isso seria impossível naquele estado.

Eric não conseguia se lembrar o que havia acontecido, como ele havia sido trago da sua casa para aquele lugar minúsculo, onde estavam suas coisas ou o tempo que havia passado ali. Suas lembranças voavam de forma aleatória em sua mente e tudo o que ele via parecia confundi-lo ainda mais

    — Estamos chegando com o último. — SUzy disse outra vez no microfone fazendo com que Eric usasse toda a força que parecia ainda ter para encará-la. — Você vai ficar bem. — Ela sorriu ao vê-lo se virar — Eu prometo.

    Parecia uma instalação científica ao se tratar dos inúmeros avisos sobre lixo hospitalar e químico, mas Eric não fazia ideia de como isso era possível. Num exercício mental tentou se lembrar de ter deitado no sofá de casa, do calor da sua gata, do seu apartamento fedorento e da vida medíocre que levava.  Todas essas coisas eram incrivelmente reais. Elas pareciam ter acontecido um segundo antes.

    Assim que entraram em um elevador apertado e com outras duas pessoas, Eric percebeu que a sensação claustrofóbica havia voltado. Talvez ele tivesse essa fobia, ele não tinha certeza. Sair daquele cubículo minúsculo e estar ali agora não era nada animador.

    — On… on… de… es… indo… — Foi apenas o que ele conseguiu dizer, por sorte, Suzy estava atenta a qualquer coisa que ele dissesse ou fizesse, pois ela compreendeu ele de imediato e muito bem.

    — Estamos indo para a ala médica, onde você receberá os primeiros cuidados. Esses primeiros momentos são decisivos. Temos pouco tempo para deixá-lo forte de novo, e inseri-lo no nosso novo mundo. — As palavras pareceram sair no automático.

    Ouvir essas coisas sobre um novo mundo era completamente aterrorizante.

    — No… no… — Por mais que não conseguisse se mexer e isso fosse um saco, não poder falar parecia ainda pior. Ele tentava e por mais que se esforçasse, parecia inútil. Aquilo era sufocante. — Novo...

    — Isso mesmo, Eric. — Ela continuou numa clara tentativa de não cansa-lo ou vê-lo irritado. — O mundo que você conhecia não existe há muitos anos. Mas não tenha pressa, logo você vai entender o que estou dizendo.

    E ele suspirou fundo deixando suas pálpebras pesadas caírem e torcendo para que seu enjoo passasse logo. A ânsia havia voltado mais uma vez, mas por sorte ela se foi no momento em que o sono o atingiu de jeito fazendo com que sua cabeça desabasse rolando para um lado e depois para frente. Por mais que quisesse ficar de olhos abertos, foi uma luta difícil e que ele levou a pior.

 

 

    Ele estava parado de pé diante do sofá que havia comprado meses atrás.. Era estranho, pois a cidade não parecia mais tão barulhenta e o apartamento não fedia tanto. Os jornais velhos estavam colocados no canto do rack quebrado onde sua TV ainda estava ligada. Em baixo da porta inúmeras contas estavam empilhadas e pela marca das solas de sapato ele sabia que as ignorava há algum tempo. As outras que havia pego na noite anterior repousavam sobre a mesinha de centro, exatamente onde ele havia deixado.

    Ele caminhou vagarosamente para a varanda tendo cuidado e vendo antes onde estava pisando, como se pudesse acordar alguém a qualquer momento. Ao chegar no parapeito se deparou com uma cidade morta. Uma cidade onde não parecia existir nada além das construções. Nem o vento soprava mais.

    Ele se virou para dentro do apartamento que conhecia muito bem e encarou de imediato seu corpo que até então não havia percebido. Ele estava deitado na mesma posição e ao seu lado sua gata velha e gorda. Ele notou rapidamente que ela estava encarando ele não a sua versão que estava deitada no sofá, parecendo um morto.

    Com o mesmo cuidado que havia tido, entrou de novo na casa encarando a gata. Seu reflexo refletia no espelho que ficava no fim do corredor ao seu lado direito, e aquilo o assustou. Seu primeiro passo fez com que a gata recuasse um pouco voltando para trás do móvel mais um pouco, com olhos arregalados e uma expressão que parecia assustada.

    Sou eu, gata maldita! — Ele pensou em gritar, mas parecia impossível quebrar aquele silêncio que quase parecia sagrado.

    Ele só podia ter enlouquecido.

    Isso, ou estava morto. — Ele estremeceu diante da última hipótese.

 

 

    — Os batimentos cardíacos voltaram. — Ele ouviu  uma voz rouca bem ao lado do seu ouvido.

    — A respiração se regularizou… — Outra voz.

    — Fiquem com o desfibrilador preparado caso ele apague outra vez. — A primeira voz ordenou de forma ríspida.

    — Lute, garoto. — Ela havia acabado de conhecer Suzy mas foi fácil reconhecer a voz dela. — Não sonhe, isso pode te deixar ainda mais fraco...

    E por incrível que pareça ele obedeceu. Ou ao menos tentou.

 

 

    Eric sabia que estava dormindo, mas não estava tão submerso nos sonhos. Ele conseguia sentir as movimentações em volta da cama onde havia sido colocado e vez ou outra parecia ouvir bem claro uma voz bem próxima ao seu ouvido. Mais perto que as outras.

    — Sete dias, esse aí não vai resistir não…

    — Eu aposto que vai… — Ele gostou da segunda voz de imediato. Independente de quem fosse seu dono, aquela pessoa torcia para que ele sobrevivesse. Embora sentisse o corpo completamente fraco e dores por todos os lugares, não achava que deveria morrer. Não assim sem entender o que estava acontecendo. Não agora que algo havia tirado ele daquela vida miserável que ele levava.

    — Minha cadela velha pariu cinco na última vez. Uma ninhada. O último não teve que fazer tanta força para sair e aquilo o deixou fraco. Ele morreu em dois dias. — Ouvir um desconhecido o comparar com um filhote era incrivelmente incômodo.

    —Ele vai sobreviver… — Restava torcer para que essa pessoa tivesse razão.

    Por diversas vezes tentou abrir os olhos mas era uma luta perdida. Não conseguiria nem se ele se esforçasse muito. Sua concentração também parecia esgotá-lo e fazia ele se sentir cansado mesmo estando parado há sabe-se lá quanto tempo.

    — Resista… — Por vezes a voz de Suzy voltava em sua cabeça e chegou um ponto em que ele começou a se perguntar o que seria verdade e o que seria invenção da sua cabeça apenas tentando convencê-lo de que ele precisava lutar para viver.

    Como se ele tivesse essa opção. — Essa constatação o fez rir embora tivesse quase certeza que seu rosto não havia mexido um centímetro sequer.

    — Estamos redobrando o soro regenerativo. — Uma voz disse logo acima da sua cabeça, bem próximo a ele.. — Precisamos que ele acorde logo. Os outros estão tendo avanços mais significativos e ele não pode ser deixado para trás…

    — Caso ele não melhore dentro das próximas horas, podemos usá-lo como alimento… Os demônios presos estão cada vez mais fracos com essa alimentação genérica que estão recebendo...

    E aquela palavra o fez despertar por completo embora não conseguisse nem ao menos abrir os olhos.

    Demônios. — Ele tinha certeza que havia escutado isso em alto e bom som, pois essa seria a última coisa na qual ele pensaria pelas próximas horas.



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