História Presságios - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Apocalipse, Betareaders, Demonios, Distopia, Fantasia, Ficção, Governo, Jovemadulto, Leitoresbeta, Posapocaliptico, Sistema, Youngadult
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Palavras 3.146
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Praesagium


Ouvir a palavra demônio fazia com que um longo filme passasse diante dos seus olhos fechados e se repetisse eternamente. Ele se via pequeno, ainda criança, gritando no meio da noite por causa do barulho da porta do guarda roupa velho se abrindo. Ele  podia se lembrar com clareza de ter feito o pai cortar a árvore que toda noite arranhava o vidro da sua janela. Seus galhos parecendo garras assustadoras. Lembranças que tinham um sabor agridoce. Por essas particularidades, não demorou para que ele fosse chamado de mariquinha, viadinho, fracote e outros tantos nomes pejorativos. Era triste essa sensação que o fazia odiar tanto essas expressões.
    Suas lembranças o levaram à uma adolescência com medo do escuro onde ele voltava correndo da cozinha caso acordasse no meio da noite com sede. As inúmeras brigas do pai dizendo que o filho era um medroso e que homens não podiam ser assim. Das surras em que ele havia levado e das marcas que esses eventos deixavam em sua pele.

    Sua pele.

    Ele lembrou de ter acordado e de não haver nenhuma tatuagem nos seus braços. O motivo de sempre sair com mangas longas e roupas sociais nas entrevistas de trabalho era para esconder os desenhos que havia feito em seu corpo. A maioria na época da faculdade como ato de rebeldia. Como elas poderiam ter sumido assim, ele não fazia ideia, mas deveria estar delirando. Aquilo tudo deveria ser um sonho.

    Tinha que ser.

    E ele se viu de volta ao pesadelo que tivera. De se ver deitado. De Brisa o encarando com uma expressão assustada. Da loucura que aquilo era.

    E uma palavra bem em meio ao turbilhão de pensamentos. Demônios. Por mais que fosse difícil de acreditar, ele tinha certeza de que havia ouvido aquela palavra.

    A mulher que havia o acordado, tinha pedido que ele lutasse e para que não sonhasse. Como se fosse possível controlar uma coisa dessas, mas algo dizia que a dona daquela voz queria o seu bem. Por mais estranho que aquilo pedido parecesse, isso ainda era mais compreensível do que todo o resto.

    Aquela foi uma luta árdua. Tentar se manter acordado e se obrigar a acordar cada vez que os sonhos apareciam, foi uma tarefa difícil. De forma curiosa ele descobriu que toda vez que avistava a porta do seu apartamento, era por que estava começando a desobedecer o tal pedido e voltando a sonhar. Essa experiência seria algo no qual ele se lembraria para o resto da vida. Descobrir essa capacidade de consciência  num estado de sonolência era algo fascinante.

    E foi num dia em que a claridade iluminava seus olhos através de suas finas pálpebras que tudo pareceu voltar ao normal. Não como no momento em que ele acordou preso naquele pequeno espaço e em uma espécie de instalação cheias de camas-gavetas. Era como se ele estivesse recuperando as sensações que sentia no apartamento que vivia. Era como voltar a vida. Era como sentir as partes do seu corpo voltando a funcionar.

    Havia uma janela aberta, pois uma corrente de ar frio vinha do lado esquerdo. — Ele percebeu rápido. — E havia também o som de máquinas acima da sua cabeça, ao lado direito. Seus dedos alisavam o lençol que forrava o leito onde ele estava e as duas sensações eram igualmente tranquilizantes. Sentir seu corpo começando a responder seus impulsos cerebrais e a sensação do toque do tecido de algodão era imensamente bom.

    — Ele está melhorando… — Uma voz rouca gritou o assustando de imediato. Ele inclusive, teve a certeza de que havia pulado da cama, embora o corpo ainda estivesse no mesmo lugar. — Avisem os lixeiros que eles podem sair sem ele!

    As últimas frases que ele ouvia não pareciam fazer sentido. Se ele pudesse, certamente estaria erguendo as sobrancelhas, confuso. Lixeiros?

    Algumas pessoas vieram a sala e pareceram mexer nos equipamentos. Outros o tocavam. Conferiam alguma coisa repetidas vezes em seu pulso e saiam. Houve um que chegou mais perto e tocou seu rosto sem cuidado. Como se ele fosse apenas um manequim largado sobre aquela cama. Mesmo sendo um desrespeito tal ato invasivo, uma sensação de gratidão o preencheu por estar recuperando sua sensibilidade.

    Medindo o tempo pelos seus pensamentos, e por suas contagens mentais que começavam e paravam lá na casa dos cem, Eric podia jurar que horas, talvez um dia inteiro havia se passado até o momento em que sentiu um leve formigar nos seus olhos e conseguiu abri-los.

    A claridade o cegou no começo. Sua íris se adaptava tentando reajustar a luz, mas isso levou apenas alguns segundos e nesse ponto as coisas começaram a fazer sentido.

    O quarto era branco e minimalista. Havia sua cama, os equipamentos barulhentos e um retrato de uma mulher com uma longa espada pisando na cabeça de um dragão. — Um belo jeito de acordar — Ele pensou ainda fitando a obra.  Do seu lado direito havia uma poltrona florida e próximo a porta, uma mesinha onde uma prancheta com papéis presos fora colocada. Todo o cômodo se resumia a isso. Fim.

    Ele olhou para os braços e percebeu que não estava errado. Não haviam tatuagens ali. Aquilo era estranhamente curioso, mas era uma sensação engraçada encarar depois dos últimos anos, seu corpo assim com uma aparência “limpa”. Meio que o deixava com uma sensação empolgante.

    — Você está bem melhor…

    Foi estranho não ter percebido que Suzy estava sentada bem ao seu lado o tempo todo, mas como seu primeiro estágio havia sido de deslumbramento se tranquilizou. Aquilo tudo era completamente normal. Ele estava admirando aquele local e tentando reconhecer onde estava.

    Mas infelizmente, não fazia ideia.

    Suzy tinha cabelos brancos e uma pele negra linda. Lábios carnudos e olhos puxados cheios de rugas. Sardas escuras se espalhavam em seu rosto e desciam pelo pescoço até sumir no colo tampado pelo jaleco branco. Ela tinha um sorriso doce. E foi só aí que Eric percebeu que no seu primeiro contato, analisou todo o local onde estava, mas foi incapaz de dar a mesma importância a sua salvadora. Que constatação horrível — ele pensou envergonhado.

    — Obri... gado. — A dificuldade para falar ainda estava ali, mas sua garganta não doía tanto quanto antes. — Onde... — Ele lembrou que já havia feito essa pergunta, mas sabia que a resposta não o satisfez por completo. Insistir nela talvez fizesse Suzy entender que ele estava perdido.

    Ela o encarou por rápidos segundos antes de responder. Talvez analisasse dessa vez a melhor forma de responder aquilo e evitar que ele continuasse a questionar sobre.

    — Estamos em New home. — A resposta dela foi igual à última vez que ele havia feito a mesma pergunta. Aquilo o deixou irritado.

    Ouvir o nome daquele lugar não deixava as coisas mais claras. Era ainda pior na verdade, pois ele tentava se lembrar se em algum momento da sua vida tivesse ouvido alguém falar sobre aquele local. Mas não. Era a primeira vez.

    — Onde… — Ele voltou a repetir tentando ser mais firme dessa vez. Seus olhos se estreitando e seu rosto se transformando em uma careta tentando transparecer sua dúvida. — Lu… gar…

    Suzy parecia incomodada ao vê-lo juntar tanta força para formular uma simples pergunta. Havia algo imediatista que parecia irritá-la. De certa forma ela parecia querer contar, e isso o deixou ainda mais intrigado.

    — Onde… — Ele não iria se dar por vencido.

    — Uma instalação médica, científica e de treinamento. — Ela disparou baixando o tom de voz. — Não acho que você vá entender mais agora, mas no momento é o que você precisa saber sobre esse lugar.

    Ele estava irritado. Qual parte ela ainda não havia conseguido entender? Ele estava confuso e perdido. Ela era a única fonte de ajuda. Por que ela não podia ser mais clara?

    — Onde? — Ele ficou feliz em conseguir dizer a palavra de  uma vez e percebeu que sua expressão havia se transformando para uma de  raiva. Ele queria o máximo de respostas possíveis para tentar entender o que estava havendo.

    Ela suspirou.

    — Onde era considerada a  América do Norte quando eu ainda era uma garotinha. — Sua resposta permanecia vaga.

    Embora ele quisesse continuar naquela briga tentando fazer com que ela o respondesse da forma que queria, optou por desistir e ouvir o que ela diria a seguir.

    — O mundo mudou bastante, Eric. Não existem mais continentes, países, estados ou cidades. — Ela parecia nostálgica enquanto dizia cada palavra e sua cabeça se movia rapidamente, olhando para  a porta de tempos em tempos para ver se ainda estavam sozinhos. — A maioria dos sobreviventes está dormindo em um sono induzido. Criando mundos. Projetando suas vidas perfeitas e vivendo realidades paralelas. Você fazia parte dessa parcela.

    Aquelas primeiras palavras o atingiram feito um soco bem no meio do rosto.

    Seus olhos se encherem de água e ele não entendeu bem o por quê. Provavelmente aquilo era uma piada de mal gosto. O que ela dizia não fazia sentido.  Ele tinha uma casa, um vida medíocre e uma gata que começaria a arranhar os móveis como fome e caso alguém não falasse logo onde ele estava e como sairia dali.

    — Pode parecer confuso, mas logo você verá que o que eu digo é verdade, Eric. — Ela falou enquanto seus olhos ainda no chão pareceriam marejados, cheio de lágrimas assim como os dele. — Eu acordei quanto tinha cinquenta anos, sete filhos e vinte netos. Eu tinha a vida perfeita. Ninguém adoecia ou morria…

    Ela sorriu de uma forma que parecia triste.

    — Mas eu tive que acordar. É assim para todos. E  no fundo, eu sabia que algo não estava certo. Para pessoas como eu não existe contos de fada. — E ela apontou  para seu braço tentando enfatizar sua cor deixando claro que o preconceito ainda era pauta onde quer que eles estivessem. — Por favor, peço que não fique com dó de mim, depois que acordei ajudei pessoas que se tornaram meus filhos de coração. Dezenas deles...

    Ficar com dó dela? — Eric pensou com ironia. — A sua vida  sim, havia sido o oposto de um conto de fadas. Ela que deveria ter dó dele.

    — O mundo mudou quando eles vieram, Eric. — Sua pausa demorou tempo demais, mas no fundo ele já sabia do que ela estava falando. — Os demônios.

    E mais uma vez aquela palavra.

    — Era no ano de 2018. Eu havia chegado da aula quando encontrei todos os meus parentes diante da televisão. Uma criatura como asas estava no topo do Empire State Building agarrada ao edifício com suas longas garras…

    Conforme ela começou a contar, suas mãos gesticulavam cada palavra de forma teatral dando ênfase no terror daquele relato.

    — Ela era como um dragão de escamas escuras e olhos vermelhos. Seu corpo deveria ter uns seis, sete metros. Suas presas afiadas mataram todos que cruzaram seu caminho. O exército precisou de muito esforço para matá-la e mesmo assim acredito que eles não tenham feito direito...

    A cena que ela descrevia parecia ser horripilante. — Esse pensamento lhe ocorreu juntamente com um arrepio inesperado.

    — E vieram mais e mais e mais…

    Ela cruzou os braços e suspirou fundo.

    — Havia uma área conhecida como área 51 e eles tinham instalações igualmente a essas. Estavam se preparando há anos, enquanto os humanos criavam teorias a respeito do que faziam por lá e sobre seu trabalho secreto que envolvia seres “extraterrestres”. — Ela desenhou as aspas no ar e Eric pode perceber aí sua preocupação em contar aquela história com a maior riqueza de detalhes. — Eles são seres extraterrestres no fim das contas, já que não são deste mundo. — Seu sorriso pareceu sem graça. — Por incrível que pareça aqueles caras tinham razão… ao estamos sozinhos nesse universo.

    A imagem da criatura que Eric havia imaginado parecia imensamente assustadora. Mas em sua mente, ele sentia que aquele pensamento não fazia juz ao demônio no qual Suzy se referia. Diante dele, uma velha senhora compartilhava um trauma que ela nunca foi capaz de superar.

    — Eles dizimaram a África em dias até sobrar apenas cinzas e restos. A Ásia não teve um fim diferente. O que acabou me salvando, você deve se perguntar, foram dois fatores importantes. O primeiro, minha idade. Eu tinha onze anos e teria uma longa vida pela frente se fosse cuidada por eles. — Ela revirou os olhos. — E minha pele negra deveria ser conservada caso eles tivessem sucesso em  recriar o mundo. Eles precisavam de crianças de várias etnias. Povos de diferentes culturas. Não queriam deixar o mundo que conhecemos morrer…

    Aquilo era assustador e cruel. — Eric pensou. — Aquele processo deixava pessoas mais velhas para trás e separava crianças de seus pais. Mesmo que fosse uma chance de deixá-las viver, continuava sendo uma vida triste.

    — O sono induzido controlaria nosso sentimental, nos colocaria em um estado em que gastaríamos menos energia, consumindo assim menos alimento e dando menos gastos. — Ela foi curta, direta e certa em sua explicação. — Era a melhor opção para o governo.

    Ele olhou para os lados tentando analisar tudo o que estava ao seu redor. Tentando absorver qualquer detalhe. Se o mundo havia sido invadido por demônios, onde eles estavam?

    — Estamos bem abaixo da superfície. Toda a luz que temos aqui é artificial… — Ela percebeu seu questionamento mesmo sem ele falar nada. Isso fez com que Eric virasse o rosto de imediato e encarasse a janela por onde a corrente de ar continuava entrando. No  lugar um ar condicionado fazia o trabalho.

    — Praticamente ninguém vê a superfície desde então. — Ela optou por continuar a história ao perceber a frustração estampada na cara dele. — Temos os profissionais da área de saúde que cuidam das pessoas que estão dormindo e dos que estão acordados como nós. Temos as arquivistas como eu, que são responsáveis por manterem os corpos limpos, sem fungos ou qualquer outros invasores e em perfeito estado. Temos os lixeiros que são os que cuidam da higienização das nossas instalações e que alimentam nossos hóspedes...

—Demônios… — Ele conseguiu dizer a corrigindo e mostrando que já entendia bem sobre o que ela estava falando. A palavra veio com um gosto amargo na boca.

— Isso.

Por um momento ele pensou que ela se levantaria e sairia. Que iria deixá-lo ali no meio de todas as perguntas que queria fazer, mas que não conseguia. Para sua sorte, Suzy pareceu engolir em seco e apenas suspirou fundo tomando coragem de recomeçar a falar.

    — Temos cientistas, biólogos, químicos, professores, seguranças que ficam de olhos atentos através das câmeras observando tudo, cozinheiras e governantas para cuidar da nossa vivência. — Ela parou para respirar e logo recomeçou — Articuladores políticos, tradutores para nos manter unidos com outras instalações e comunicadores que na maioria das vezes são os que controlam as massas, ou às pessoas que tentam se opor a esse sistema frágil que vivemos.

    Ela se levantou e puxou a cadeira onde estava sentada para mais perto.

    — Esses são cargos convencionais que você já deve ter ouvido falar. Existiam desde os primórdios do mundo e continuam desenvolvendo praticamente o mesmo papel. Só que além desses, temos trabalhos específicos que tratam o sobrenatural. — Ela o encarou. — Existe um andares específicos para essas pessoas. Eles podem andar no nosso meio, mas não temos acesso ao que eles fazem.

    O novo tom de voz dela parecia cuidadoso. Como se ela analisasse cada palavra que estava dizendo.

    — O que eles… — Ele sentiu a garganta doer e sua última palavra saiu como uma tosse seca.

    — Temos bruxas e uns oráculos velhos. — Ela não se interessou em deixá-lo terminar e nem em descobrir qual era a dúvida dele. — Um grupo pequeno de exorcistas vindos direto do antigo Vaticano e líderes das mais variadas religiões. — Aquilo era loucura. — E bem no topo da nossa lista, os presságios.

    Presságios? — Apenas pela sua expressão ela foi capaz de perceber que ele nunca ouviu essa palavra e muito menos sabia o significado dela.

    — Presságio veio do latim “praesagium” e na definição literal significa um prenúncio, um agouro através de um fato ou sinal. — Sua explicação pareceu extremamente técnica. — Com o passar do tempo usaram essa palavra para definir aqueles que têm coragem e habilidades suficiente para sair da nossa zona segura pro lado exterior a fim de caçar demônios. Caçadores. Esse grupo é escolhido através de uma análise criteriosa do nosso sistema e que....

    Alguém bateu na porta a interrompendo e quebrando o clima que ela — talvez propositalmente — havia criado.

    Eric queria mandar a pessoa embora, dizer que não podia entrar ou algo do tipo, mas mal podia falar, quem dirá brigar com alguém. Aquela interrupção deveria estar em primeiro lugar na lista de coisas inconvenientes.

    — Hora dos remédios. — Um jovem de óculos com lentes grossas entrou na sala carregando uma bandeja com diversos copos diferenciados e com nomes escritos em uma caligrafia estranha. — E sem querer ser grosso, acho que você precisa ir… — Ele se referiu á Suzy, enquanto separava os medicamentos de Eric. — Sei que você tem muito trabalho te esperando e ele precisa descansar para estar cem por cento amanhã…

    Eric balançou a cabeça negativamente pedindo que ela ficasse, mas ambos pareciam estar ignorando ele.

    Ele deveria ter dito algo mais e insistido para ela ficar, mas não conseguiu. Com certeza Suzy se despediu ao sair, só que Eric não ouviu nada com clareza a partir daí. Sua cabeça estava em outro lugar. Ele ainda estava encarando com uma expressão fechada o enfermeiro que cantarolava despreocupadamente. Assim que ele trouxe o copo descartável até ele,  sua boca se abriu e ele engoliu a água seguido dos comprimidos quase que no automático.

    — Muito bem… muito bem.... — Ele o tratava como uma criança.

Suzy tinha outras coisas a dizer. Ele tinha inúmeras dúvidas. Por que diabos, aquele homem tinha que aparecer e justamente naquele momento?

    — Isso vai ser forte o suficiente para fazê-lo dormir, mas não o bastante para te enfiar na camada onde os sonhos são gerados. — O médico abriu um sorriso de uma forma nada convincente. — Descanse…

    E mesmo depois que ele saiu do quarto e Eric ficou sozinho, sua cabeça não o deixou dormir de imediato. Demônios, fim do mundo, presságios? Aquilo não fazia sentido. Eram apenas palavras saltando em sua cabeça para um lado e para o outro.

    O mundo havia sido destruído por criaturas demoníacas e famílias haviam sido separadas. Qual era o real intuito em deixá-los dormindo? Valia a pena reconstruir um mundo já gravemente ferido?

Por mais que ele quisesse fugir do sono— e suas tentativas foram infinitas — suas dúvidas o cansaram por fim. Era estúpido permanecer naquela situação quando ele não conseguia falar e muito menos entender de fato toda aquela história. Será que aquilo seria possível?

Será que realmente era verdade?

Logo ele estaria suficiente bom e poderia ir atrás de todas aquelas respostas. Por ora parecia estupidez evitar algo inevitável. Ele precisava melhorar.

Para sua sorte os remédios ganharam aquela guerra, pois nao demorou e ele já estava novamente submerso no mundo que conhecia. Enxergando a porta do seu apartamento.

De volta a vida que havia vivido.

 



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