História Pretend... (REPOSTANDO) - Capítulo 10


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Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Indra, Lexa, Marcus Kane, Octavia Blake
Tags Clexa, Elycia
Visualizações 258
Palavras 4.244
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, LGBT, Orange, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capítulo dez.


Lexa respirou fundo assim que saiu do quarto, fechou os olhos ao encosta-se na porta. Sua vontade era de voltar e beijar a Clarke, mas existia uma voz dentro de si que pedia que fosse decente com a loira. Clarke não era uma qualquer, não podia simplesmente usá-la para saciar os seus próprios desejos. Também tinha medo de ceder aos encantos da loira.

Estava confusa nesse misto de querer e cautela.

E outra coisa, ainda tinha a Luna. Droga! Essa confusão estava ficando irritante, não sabia o que queria... O seu coração pedia por Luna, a sua mente a condenava por esse querer. Já o seu corpo queria a Clarke para o seu bem prazer.

Merda! Não queria se envolver em um drama, mas estava sendo protagonista de um. Odiava-se por estar dividida entre duas mulheres... Duas disponíveis, e ela não ficaria com nenhuma por n motivos diferentes. Que grande porcaria essa novela mexicana que sugaria a sua vida.

– O que você está fazendo? – Octávia perguntou curiosa ao sair do seu quarto e depara-se com a irmã no corredor.

– Estou pensando. – Lexa abriu os olhos.

– Não, você estava de olhos fechados se xingando, isso é bem anormal. Se eu não tivesse certeza de sua insanidade mental, diria que você está louca.

Lexa revirou os olhos, essa mania de sua irmã achar que ela não tinha um pingo de juízo, dando-se conta que Octávia era mais doida do que a própria.

– Agora não, O. – Pediu ao começar andar para o térreo.

– Não, espera! O que você tanto pensava? – Octávia a seguiu.

– Na minha frustração sexual que se tornou gritante desde que coloquei os pés nessa casa.

Octávia riu.

– Você é muito exagerada, parece que é até mexicana. Pensei que você era mais forte, maninha. Não está aguentando a pressão de ter uma gostosona ao seu lado e não fazer nada?

Lexa respirou fundo, ignorando a sua irmã, sem nem ao menos olhar para trás.

– É isso não é? Sabia que vai piorar, né? Quando vocês forem dormir... Aposto que Clarke é bem ousada com suas lingeries, já até imagino as camisolas transparentes... – A mais nova provocou.

– Pare com isso! – Lexa virou-se, lançando um olhar fulminante para a sua irmã, mas o seu cérebro já montava as imagens. – Não quero pensar nessas coisas, também não quero ser acusada de assédio sexual ou qualquer coisa. Eu respeito a Clarke, você deveria fazer o mesmo.

– Ei! – Octávia ergueu as mãos. – Eu não a desrespeitei só disse o que eu acho. Você não vai ser acusada de nada, sabe que ela tá doidinha por você também, né?

– Por isso também. – Lexa voltou a andar. – Não quero criar falsas expectativas, nem para mim nem para ela.

– Desde quando você está pensando com o cérebro ao invés da vagina?

– Estou evitando problemas, e outra coisa, quero manter a relação de patroa e funcionária.

– É uma ótima fantasia sexual também. – Octávia informou com malícia.

– Jesus! Não dá para ter uma conversa minimamente civilizada com você.

Lexa apressou os passos, aborrecida com a sua irmã que adorava alimentar os seus dilemas. Octávia a seguiu, falando algumas bobagens que a morena fazia questão de ignorar, mas logo a mais nova se calou ao encontrar a família reunida.

– Aí estão vocês. – Agustus disse. – Venham cá, sentem-se conosco, vamos tomar um drinque antes do jantar.

Luna acompanhou os passos de Lexa com os olhos, Bellamy percebendo o olhar de cobiça de sua esposa para a sua irmã, passou o braço possessivamente na cintura dela. Luna não gostou, mas também não reclamou ou se afastou para não fazer casinho, estava especialmente bonita em um vestido justo, queria chamar atenção da ex.

Octávia sentou-se ao lado de Indra, já a Lexa sentou-se em outro sofá, aceitou o conhaque do seu pai. Augustus sentou-se ao lado da esposa.

– Como é bom ter a família reunida novamente, estava sentindo muita falta disso. – Gus disse, em seguida deu um beijo carinhoso na bochecha da Indra.

– Eu também. – Indra reforçou ao olhar para os seus filhos com amor. – Vocês são os maiores presentes que a vida me deu e me sinto completa por ter toda a família aqui.

– Mas sempre estivermos aqui, mãe. A ovelha desgarrada foi a Lexa que partiu. – Bellamy provocou com um sorriso malvado.

– Fui atrás de construir o meu futuro. – Lexa retrucou. – Mas isso não significa que não senti falta da minha família. Agora eu estou aqui e o passado estar bem enterrado.

– Isso mesmo. – Gus concordou. – Temos que nos focar no presente.

– Onde está a Clarke? – Indra perguntou mudando de foco. – Não a vejo desde à tarde.

Luna torceu o nariz ao ter o nome de Clarke pronunciado e Octávia adorou isso, já tinha simpatia pela loira, e agora sabendo que despertava a raiva de Luna, a sua simpatia aumentou consideravelmente.

– Ela está se arrumando, daqui a pouco desce. – Lexa deu um gole de conhaque.

– Provavelmente, só aparecerá em outra encarnação. – Luna riu.

Lexa lançou um olhar aborrecido para a ex, Bellamy apertou a cintura de sua esposa com a mão, Octávia imitou o gesto de vômito, Indra e Gus ignoraram o comentário da nora.

– Conte-me, minha filha, como anda os negócios? – Augustus perguntou para dispensar o clima pesado.

A morena relaxou, esse assunto gostava de conversar. Iniciou uma conversa animada com os pais.

 

(...)

 

– Não entendo, você se diz bem sucedida, mas o seu negócio se limita apenas ao Rio Grande do Norte. – Alfinetou Bellamy com um sorriso de boneco assassino na cara.

Lexa não abalou-se com o comentário, sabia que o seu irmão adorava uma competição, melhor dizendo, gostava de diminui-la. Então, manteve a expressão relaxada para não dar ênfase ao irmão.

– Nunca tinha pretensão de abrir uma filial. Gosto de manter a exclusividade da Equilibrium, de estar perto para monitorar o funcionamento. – Lexa deu de ombros. – Prefiro manter algo que posso supervisionar. Não adianta expandir um negócio se não poderei controlá-lo. – Sorriu amavelmente e encarou o irmão. – Falando nisso, soube que sua agência de viagem do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e Paraná faliram. O que aconteceu? Negligência ou má gerência? Não suportou a crise? – A morena ficou ereta, franzido o cenho aparentando preocupação. – O que me leva a perguntar... O que está fazendo morando na casa dos nossos pais? O dinheiro não estar sendo mais suficiente para manter a sua própria mansão em Porto de Galinhas? Aliás, soube que estar à venda...

Bellamy a matou com o olhar. Os seus olhos estavam furiosos para o deleite de Lexa, percebeu que a mão do seu irmão tremia levemente, o balançar do líquido no copo demonstrava claramente isso. Também percebera o desconforto de Luna.

– Para que falar de negócios, não é? – Gus interviu antes de tudo se transformar em confusão, já que o Bellamy estava muito vermelho.

– Exatamente. Vamos falar da preparação das bordas! – Indra animou-se.

Octávia entortou a boca.

– Para que mudar de assunto? Estava bem mais interessante a massacrada que Lexa estava dando em cima do Bellamy.

– Octávia! – Indra passou um olhar feito para a filha mais nova que deu de ombros.  

– Não se mete na conversa, pirralha, você nem emprego tem! – Bellamy bufou de raiva.

– Realmente, não tenho. Ainda por que estou focando no meu estudo, e infelizmente, o período do meu curso ainda não permite os estágios, mas tenha certeza que serei a primeira da turma a arranjar um estágio remunerado porque sou muito boa no que faço. Não chegarei aos meus 36 anos, falida e ainda por cima morando na casa dos meus pais. Aposte nisso. – Octávia piscou.

Bellamy ficou mais furioso do que já estava. Indra soltou um suspiro e olhou para a sua bebida, iria começar... Em menos de dois segundos, todos falavam ao mesmo tempo em uma discussão sem sentido, tanto que mal dava para entender o que diziam. Os quatros: Luna, Octávia, Bellamy e Lexa batiam boca. Um gritava mais alto que o outro.

Indra olhou para o Gus em busca de ajuda. Ele revirou os olhos, nada tinha mudado. Os filhos agiam como crianças. Não iria interceder por nenhum mesmo recebendo olhares fulminantes da esposa. Eles deviam se entender por conta própria.

– Boa noite. – Uma voz intrusa cumprimentou fazendo com que todos se calassem.

Clarke estava de pé, bem próxima, muito sem graça por ter interrompido aquela confusão. Ficou mais sem graça ainda quando todos a olharam, foi impossível não ficar ruborizada, principalmente com o olhar que recebeu de Lexa.

Maravilhosa! Foi a palavra que surgiu na mente de Lexa, era assim que a loira estava... Usava um vestido branco um pouco a cima dos joelhos, plissado na cintura que valorizava o seu busto. O decote era singelo, mas lindo de se olhar... Uma boa parte de suas coxas torneadas estavam a mostra, e a saliência de suas nádegas emoldurada tentadoramente o tecido.

– Desculpe-me interromper. – Clarke desculpou-se sem graça.

– Não meu amor, você não interrompeu nada. – Lexa colocou o seu copo em cima do centro antes de levanta-se e indo em direção da loira.

Todos observaram a cena... Luna estava com os olhos inflamados de raiva, não podia acreditar que sua amada estava tão encantada por outra mulher, especialmente daquele nível que tinha um péssimo gosto e ainda por cima era brega. Já o Bellamy olhava atônito para Clarke; O que a loira estava fazendo na sua casa? E ainda por cima com a Lexa?

Lexa se aproximou de Clarke e a recebeu com um selinho nos lábios, segurando a mão da loira, deslizou os lábios até a bochecha da mesma, depositando outro beijo. Clarke suspirou, sentindo o seu estômago enchendo-se de borboletas e sua mente entorpecida por isto.

– Você está muito bonita. – Lexa murmurou, era a verdade, não tinha fingimento nisso. Na realidade, não existia mais nenhum fingimento, estava entorpecida assim como a Clarke, queria muito beijá-la mais.

– Obrigada. – Clarke sorriu.

– Tenho que concordar com a minha filha, está muito bonita, Clarke. – Indra disse com um sorriso, chamando atenção das duas.

Luna revirou os olhos, odiava aquela versão de “amo à todos” de sua sogra, parecia mais uma falsa. Sabia que Indra não gostava dela, apenas a aturava e era educada por conta do Bellamy, isso aumentava um pouco mais a sua inveja da intrusa.

– Obrigada Indra. – Clarke respondeu com o sorriso aumentando, virando-se para a mãe de Lexa.

Lexa virou-se também, mas manteve a sua mão na da loira.

– Quero apresentar o meu irmão, Bellamy e sua esposa, Luna. – Lexa não queria direcionar a palavra para eles, mas a etiqueta exigia isso. Sabia também que Luna já tinha falado com a Clarke mais cedo, mas elas não foram apresentadas oficialmente.

Clarke olhou para a Luna que sorriu falsamente, porém, os olhos estavam a fuzilando. A loira não se incomodou, não iria se estressar mais com a Luna, se ela viesse para cima, iria também. Depois desviou o olhar para o Bellamy, ficando surpresa ao constatar quem era e ainda por cima por saber que ele era casado, empalideceu, mas disfarçou bem.

– Olá, é um prazer conhecer vocês. – Clarke cumprimentou como se nunca os tivessem vistos na vida.

– Igualmente. – Bellamy que respondeu a olhando fixamente.

Lexa se incomodou com aquele olhar, não entendeu porque o Bellamy estava olhando daquele jeito para Clarke, mas não gostou. Será que ele queria roubar a loira para ele também? Surpreendeu-se com o sentimento de posse e ciúme. O que estava acontecendo com ela? Não era assim. Mas a ideia de Bellamy com a Clarke fazia o seu sangue ferver em uma raiva crua.

– Vamos jantar? – Propôs Gus alheio a qualquer situação.

– Ótima ideia! – Indra concordou.

E todos foram para a mesa.

 

(...)

 

Na mesa estava um clima meio estranho que Indra e Gus tentavam dispersar com os seus comentários sobre a borda, mas ninguém parecia muito interessado em embarcar na conversa.

Octávia estava calada, apenas observando... Ela adorava observar para depois sair comentando ou até mesmo soltar um pouquinho de veneno. Luna estava mais preocupada em lançar olhares calientes para Lexa, o que estava irritando bastante a Clarke. Bellamy continuava encarando a Clarke, o que deixava a Lexa louca.

O que ele tanto estava olhando para a Clarke? Ela estava com o rosto sujo ou algo parecido? Ou seu irmão realmente tinha adquirido uma paixonite crônica pela loira? O que não seria difícil, dando-se conta que Clarke era linda e que Bellamy sempre quis tudo que era seu. Lexa estava tão absolvida com esses pensamentos que nem dava atenção para a Luna.

Bellamy não conseguia tirar os olhos de Clarke porque se lembrava de uma noite há dois anos atrás que a conheceu em Natal, em uma boate bastante movimentada. Ainda não estava acreditando em como o mundo era pequeno e imprevisível demais. Quem diria que um dia iria estar novamente de frente com a loira? E Deus sabia muito bem que ele não queria que isso acontecesse, não depois de tudo.

Já a Clarke evitava olhar para o Bellamy e concentrava-se em sua salada. O destino era uma droga! Se soubesse que aquele era o irmão de Lexa, nunca teria aceitado essa proposta. Não gostava de surpresas porque quase todas eram desagradáveis, como essa. Tinha que manter a aparência e evitar o máximo levantar suspeitas.

– Vocês estão juntas á muito tempo? – Perguntou Luna sem conseguir aguentar a curiosidade, recebeu um olhar do marido que ignorou.

Tinha chegado á hora das perguntas...

– Cinco meses. – Respondeu Lexa, virando-se para a ex com um olhar de aviso, sabia muito bem que Luna estava louca para soltar um pouco do seu veneno.

– Mesmo? – Bellamy perguntou surpreso.

– Sim. – Lexa confirmou, internamente não queria que ele dirigisse a palavra.

– Como se conheceram? – Luna continuou.

– Na Equilibrium. – Lexa deu uma rápida olhada para Clarke.

– Só isso? Sem nenhuma história? Ah, não seja tímidas. – Luna deu um sorriso falso, olhando para todos na mesa. – Conte-nos, amamos uma história de amor, não é mesmo?

– Com toda certeza. – Indra sorriu sem perceber as intenções da nora.

– Você conta ou eu conto, amor? – Lexa olhou para a Clarke, seu tom de voz era amável, mas o olhar sério.

– Eu prefiro que você conte. – Clarke sorriu para Lexa, preferia porque não tinha nenhuma estória na cabeça para contar e era péssima inventando uma.

– Pois bem... – Lexa limpou a boca com o guardanapo de tecido para ganhar tempo, todos na mesa a olhavam com expectativa. Ignorou o olhar de sua irmã que tinha um bem grande “se fodeu, otária”, pigarreou. – Eu estava em meu escritório quando fui chamada pela gerente por causa de uma cliente que estava bastante furiosa porque a designer de sobrancelhas ainda não tinha chegado... – Ela e Clarke trocaram olhares. – Foi algo bastante estressante porque a cliente estava fazendo um escândalo, o que me deixou deveras irritada... Até que uma loira toda afobada entrou, pedindo mil e uma desculpa pelo seu atraso. – A morena olhou a loira dentro dos olhos. – Assim que os meus olhos depararam-se com esses incríveis olhos azulados, eu soube que o meu coração estava nas mãos da mulher mais linda que eu já tinha visto em toda a minha vida. Foi amor à primeira vista. – Para enfatizar o seu discurso, Lexa segurou na mão de Clarke que estava emocionada mesmo que uma grande parte de si soubesse que era mentira, não impediu que o seu coração amolecesse mais um pouco.

Indra suspirou, até mesmo a Octávia que mesmo sabendo do contexto das duas, suspirou, porque pressentia que tinha um fundo de verdade naquilo tudo, mesmo que a sua irmã não percebesse. Augustus sorriu pela felicidade da filha. Os únicos incrédulos era o Bellamy e Luna.

– Um momento... – Luna falou estragando o momento, não aceitava aquele clima de amor. Todos a olharam. – Então, que dizer que Clarke é sua empregada?

Clarke puxou a sua mão da de Lexa com a desculpa de beber mais um pouco vinho, fora o Bellamy, ninguém gostou do comentário da Luna.

– Sim. Sou funcionária de Lexa. – A loira respondeu calmamente antes que Lexa o fizesse, não tinha vergonha de sua profissão. – Como ela disse, sou designer de sobrancelhas.

Luna deu um sorriso de escárnio.

– Ou seja: uma subordinada.

Clarke sentiu vontade de jogar vinho na cara de Luna.

– Eu não a tenho como uma subordinada, a tenho como a mulher da minha vida. – Lexa interviu com o olhar sério.

– Clarke, por favor, você poderia arrumar as minhas sobrancelhas para a borda? – Indra falou, olhando diretamente para a loira. – Eu acho as suas sobrancelhas incríveis, quero as minhas iguais!

– E da minha também, por favorzinho. – Octávia animou-se.

– Até eu vou querer! Como cirurgião plástico eu sou muito vaidoso. – Gus sorriu, movimentando as suas sobrancelhas.

Clarke sorriu para os três, e Lexa ficou aliviada pelo rumo da conversa, mas não deixou de enviar um olhar reprovador para Luna.

– Pode deixar que cuidarei das sobrancelhas de vocês como se fossem da realeza.

– Obrigada, querida. – Indra sorriu feliz. – E Marina? Onde está?

– Dormindo desde à tarde, acredita? A viagem a deixou muito cansada. – Clarke comentou.

– Quem é Marina? – Luna perguntou.

– Filha de Clarke. – Respondeu Indra.

Bellamy engasgou no momento, chamando a atenção de todos. Ele parecia que iria morrer, Luna levantou-se e deu umas tapinhas nas costas do marido que parecia piorar, já estava ficando em tons roxeados. Gus levantou-se e correu para ajudá-lo.

– Levante-se. – Gus ordenou.

– Ih, é agora que ele morre de vez. – Octávia cochichou para Lexa.

– Octávia! – Indra reclamou.

– E temos essa sorte? – Lexa cochichou de volta, trocando risos com a irmã.

– Lexa! – Foi a Clarke que reclamou, pois, ficou preocupada.

Bellamy levantou-se sendo abraçado pelo Gus na altura da cintura, o mais velho apertou o filho algumas vezes até que a responsável pelo engasgo: uma azeitona, que voou bem para o meio da mesa. A coloração do Bellamy foi normalizando.

– Perdi a fome. – Octávia disse com nojo.

Luna voltou a se sentar, Bellamy e Gus fizeram o mesmo.

– Você tem uma filha de quantos anos? – Luna perguntou com interesse, sabia da aversão de Lexa por crianças.

– Um ano e dois meses. – Clarke respondeu contragosto, não queria dividir nenhuma informação de sua filha com aquela cobra.

Bellamy quase bebeu uma jarra de água, era muita informação para digerir.

– Como se sente em relação a isso, Lexa? – Luna provocou, olhando diretamente para morena.

– Sinto-me muito contente, Marina é um amor de criança e reforça o meu pensamento de iniciar uma família. – Lexa respondeu calmamente. – Dar um passo a mais na relação.

Luna não estava acreditando! O que tinha acontecido com a Lexa que se relacionou uns anos atrás?

– Quem diria, as pessoas mudam realmente. – Luna deu um gole de vinho. – Se alguém me contasse que você estava se relacionando com uma subordinada que além do mais tem uma filha nas costas, eu não acreditaria.  

Indra e Gus se entreolharam, desgostosos com a atitude da nora. Lexa respirou fundo, sem acreditar na audácia da ex. Bellamy ainda estava preso na informação que Clarke tinha uma filha, e Octávia assistia com interesse.

– Você fala “subordinada”, como o fato deu trabalhar para a Lexa fosse ofensivo, eu ao menos trabalho, tenho a minha fonte de renda e me sustento pelo o meu suor. – Clarke rebateu com a voz tão doce como mel. – Ao contrário de você que é uma perua que vive nas costas do marido sem bater um prego numa cocada. Abra a boca pra falar da minha vida e de mim quando a sua vida for algum exemplo, coisa que pelo jeito, nunca vai ser.

Todos ficaram surpresos com a resposta de Clarke porque não esperavam, o clima que antes estava ameno, tornou-se extremamente tenso. A única coisa ouvida foi a gargalhada estrondosa de Octávia...

 

(...)

 

O jantar tinha se encerrado muito antes do imaginado. Indra e Gus saíram para desfrutar a noite, Luna tinha sumido, mas pela maneira que estava soltando fogos pelas ventas, deveria estar no quarto ou em qualquer lugar para amenizar o seu mau humor. Octávia foi para sala de cinema. Lexa para o quarto, suas costas estavam doloridas e precisava descansá-las. E Clarke foi preparar uma mamadeira para Marina que ainda estava dormindo, mas sabia que a filha acordaria com fome. A empregada quis ajudá-la, mas a loira a dispensou com educação, não queria causar nenhum incômodo.

Fez o mingau de sua filha, colocou na mamadeira e depois lavou o que sujou. Estava muita cansada, emocionalmente. E se todos os dias que permanecesse nessa casa fosse assim? Não era uma pessoa paciente, iria explodir com a Luna e não iria demorar muito.

Pegou a mamadeira que já estava morna e quase morreu do coração ao se virar, deparando-se com o Bellamy que estava bem atrás dela com os olhos frios e um corpo de uísque na mão. A loira olhou para os lados, não queria ficar sozinha com ele, mas infelizmente, não tinha ninguém.

– O que você está fazendo aqui? – Bellamy perguntou baixo com a voz trêmula. – Descobriu onde eu morava, seduziu a tonta da minha irmã e veio infernizar a minha vida?

Clarke franziu o cenho.

– Óbvio que não! Eu nem sabia que Lexa era a sua irmã e muito menos tenho a pretensão de infernizar a sua vida, o que aconteceu foi uma surpresa do destino.

– Eu não queria nunca mais vê-la. – Bellamy pontuou.

– Muito menos eu. – Clarke retrucou.

– E essa menina? A tal da Marina?

– O que tem a minha filha? Não a coloque no meio dessa história, ela é apenas minha filha, apenas minha. – Clarke esbravejou na defensiva.

– Quem é o pai dessa criança? – Bellamy ignorou o estado dela.

Clarke olhou para o Bellamy, não tinha nenhum sentimento para com ele. Bem negativo e muito menos positivo, era um ninguém para ela.

– Você sabe muito bem quem é o pai. – Respondeu friamente.

Bellamy deu uma risada quase histérica, depois esmurrou com força o balcão, jogando o copo que estava na sua mão contra a parede que espatifou-se, Clarke se assustou com o descontrole dele e tentou dar um passo para trás, mas ele foi mais rápido em segurá-la pelas mandíbulas. Ela arfou de dor quando os dedos magros apertaram os ossos de suas mandíbulas, fazendo-a abrir a boca.

– Você contou a Lexa sobre isso? – Bellamy perguntou perto demais, perigoso demais, dava para sentir o hálito embriagado. – Responda! – Gritou.

– Não. – Clarke respondeu com dificuldade, seus olhos enchendo-se de lágrimas por conta da dor.

Ele a analisou bem, depois de uns segundos que foram anos para a Clarke, a soltou. Ela esfregou as bochechas doloridas.

– Se você contar alguma coisa a Lexa ou alguém, eu juro que você vai se arrepender pelo resto da sua vida, ouviu bem?

– Sim!

Clarke não esperou mais, passou por Bellamy e correu para o quarto. O seu coração estava batendo aceleradamente. Todo o seu corpo tremia e ela tentava se controlar. Principalmente a sua respiração ofegante. Antes de entrar no quarto, parou, respirou fundo diversas vezes tentando não surtar com o que tinha acontecido. Limpou as lágrimas e pediu um pouco de clareza aos anjos. Abriu a porta e deparou-se com Lexa sentada na cama com os olhos fixos na Marina.

– Ela acordou? – Clarke perguntou ao fechar a porta e se aproximar, odiando-se por sua voz soar tão trêmula e fraca.

Lexa a olhou.

– Não, ainda está dormindo... O que aconteceu com o seu rosto? – A morena se levantou e tocou suavemente as bochechas de Clarke.

Clarke mordeu o lábio inferior, obrigando-se a se manter firme, não podia desabar na frente de Lexa sem levantar suspeitas. Engoliu o choro.

– Não sei, acho que algum bichinho mordeu, sei lá. Ás vezes fico assim, do nada.

Lexa a olhou por uns segundos, como se tivesse a estudando, depois abriu a mão e acariciou os cabelos sedosos de Clarke, amava a textura, o corte, a franjinha e até mesmo o perfume que eles exalavam. A loira estremeceu com o toque, não desviou os olhos um minuto dos esverdeados.

– Quero me desculpar por hoje mais cedo, eu não deveria ter agido daquele jeito incoerente, não vai mais acontecer. – Lexa pediu baixinho sem parar de acariciar os cabelos da loira. – E também quero pedi desculpa pela Luna, foi extremamente desagradável o que aconteceu hoje no jantar.

Era a primeira vez que Lexa pedia desculpa por boa vontade, como era a primeira vez que ela a tocava com carinho sem ter ninguém por perto para fingir. Como poderia ficar chateada diante de uns olhos tão verdes e pidões daquele jeito?

– Tudo bem. – Clarke murmurou na bola mágica que era estar encantada por Lexa.

– Você não foi paga para isso. – Lexa suspirou. – Prometo que amanhã será um dia bem melhor, ok?

Droga. Lexa tinha estragado todo o encanto novamente ao citar pagamento. Mas, não podia culpar a morena, ela estava apenas lidando com a realidade: Elas não tinham um relacionamento, era apenas uma farsa.

Clarke apenas balançou a cabeça em positivo.

– Prometo também que não irei mais tocá-la sem a minha família por perto. Foi indevido o meu comportamento e eu não quero constrangê-la ou colocá-la em uma situação desagradável. – Lexa fez uma pausa. – Já que vamos conviver nesses dias, podemos ser amigas, não é?

Clarke não gostou, mas o que poderia dizer? Que queria que fossem mais que amigas? Que fizessem sexo? Que tentassem um relacionamento de verdade e saíssem do faz de conta? Por Deus! Fazia apenas um dia que estava “convivendo” com a Lexa e já sonhava com algo mais, isso era loucura.

– Claro.

Lexa deu um sorriso, depositou um beijo rápido e suave na testa de Clarke e foi para o banheiro. Enquanto, a loira foi cuidar de Marina...

 


Notas Finais


Perdoem-me os erros.
Até o final da semana eu volto.
Beijosss.


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